Algo novo para minha rotina: Comedians in cars getting coffee

Metade do mundo em “quarentena” (essa palavra não deveria significar 40 dias?), o que vocês andam fazendo? Eu terminei a última temporada de BoJack Horseman, mas digamos que não tenha ficado muito animada a escrever o último post – se bem que, com essa série animada era de se esperar que eu não ficaria muito feliz ao terminar, por vários motivos…

E euzinha, que já estava de quarentena (pós-parto) antes, poderia estar já enjoada de ficar em casa? Praticamente desde final de janeiro estou vivendo essa realidade meio estranha de não sair para trabalhar, meu trabalho agora é 24h me dedicar à baby, com algum intervalo aqui ou ali para limpar algo em casa, talvez assistir algo na TV, comer, e quando dá, tomar banho.

Muito tem se falado do perigo da depressão de ficar isolado em casa, daí eu fico me perguntando o quanto sou antissocial, porque às vezes parece até que prefiro o isolamento (!). Não sinto falta de ir para o meu serviço, às vezes acho até que eu era mais depressiva indo (!!). Talvez eu não tenha nascido para trabalhar, mas para ficar em casa, vendo filmes e escrevendo – ehe!!!

Mas o fato é que, pensando bem, eu lido muito bem com isolamento, hmmm. Porque eu gosto de ficar com meus pensamentos, gosto de poder ter um tempo para imaginar cenas… e parece até que fazia um tempão que eu não tinha me permitido ter isso.

Tudo bem, eu sei que este é um ano atípico, provavelmente depois de um ano de idade a baby vai exigir menos da minha atenção (ou não?), e como sei que é temporário, estou me deixando curtir o momento. E se antes eu me cobrava tanto – todas as coisas que eu “tenho” que fazer! – , agora eu me deixo viver um dia de cada vez. Assim, apesar de parecer que eu não estou “fazendo nada”, eu não me sinto tão mal… sem falar que cada dia é dedicado a um outro ser, uma outra vida que deve (espero) continuar por esta Terra e ter sua própria experiência desta existência além da minha. Mas eis que me pergunto se não estou vivendo melhor assim, “sem fazer nada”, do que estressantemente me exigir (e achar que as outras pessoas exigem ou esperam) tanto de mim?

Bem, divagações à parte… eu não criei exatamente uma “rotina” em casa, apesar de já ter mais de um mês que voltamos pra casa. Porém, pela manhã, a bebê toma o leitinho, eu tomo café, e algo que tenho incluído ultimamente nessa quase rotina (os horários variam, tem dias que eu vou colocar a roupa pra lavar antes…) é ver um episódio da web-série do Jerry Seinfeld, Comedians in cars getting coffee. São episódios curtinhos, só um ou outro chega a meia hora (o que poderíamos considerar 2 episódios juntos), e em vez de ser um programa de entrevista normal, o Jerry pega algum carro muito estiloso e vai tomar um café com seu convidado, dizendo até que só vai se encontrar com pessoas que ele gosta – comediantes!

Então, eu tomo meu café e enquanto a baby cai no sono no meu peito, eu vejo um episódio, como se eu estivesse me convidando para ir tomar café com Jerry e alguma personalidade. Acho que tem tornado as minhas manhãs um pouco mais interessantes, é uma boa vibe para começar o dia.

Vendo a lista de episódios, tem muitos nomes que eu nem conheço ali, talvez sejam mais conhecidos nos EUA. E como não seguem uma ordem exatamente, decidi ir vendo aleatoriamente conforme as pessoas que eu já conheço (mas pretendo pesquisar no futuro o nome de um ou outro no Google, se chegar a ver todos os episódios).

Eu posso fazer isso, né, se até mesmo a Netflix decidiu pegar tudo o que tinha no Crackle e trazer misturado pra gente… pois é, não seguiram a ordem em que os episódios foram originalmente transmitidos, então tem coisa ali na primeira “temporada” que é de 2012 e tem uns que é de 2019 aparecendo bem antes de 2014… Daí que eu até poderia fazer aqui na ordem, mas não teria a mesma graça, eu acho. Se vocês derem uma olhada no Wikipedia, podem encontrar a lista completa: com a temporada correta, as datas em que cada episódio foi lançado, o carro em que andaram e o restaurante onde foram comer, e ainda o episódio correspondente no Netflix. Então vai lá se quiserem na ordem.

Nesta primeira semana eu tomei café com: Kristen Wiig, Tina Fey, Christoph Waltz, Judd Apatow, Alec Baldwin, Larry David, Ricky Gervais, Seth Rogen. Abaixo escrevo só alguma nota de algo que me chamou a atenção ou gostei em cada episódio.

 

*Kristen Wiig: uma Volvo-sensação (The Volvo-ness – originalmente transmitido em 5 de janeiro de 2017)

Kristen toca ukulele e tem um estilinho meio hipster, hey também quero! Eles dão uma passeada na rua e até param para uma casquinha de sorvete, e para dizer na loja de óculos que a atendente sempre vai dizer que estão ótimos.

 

*Tina Fey: fezes estão na minha jurisdição (Feces are my purview – 30 de janeiro de 2014)

Ela foi a primeira roteirista do SNL e eu adorava assistir a série 30 Rock, embora eu nem tenha visto todas as temporadas. Achei legal ela entendendo que foram fases da sua vida e procurando pensar no que vier a seguir, talvez mais filmes… e quando fala da filhinha fazendo careta pro Alec Baldwin e Steve Carell, já que a mãe passava muito mais tempo com eles do que com o pai!

 

*Christoph Waltz: champagne, charutos e massa de panqueca (Champagne, cigars and pancake batter – 02 de fevereiro de 2017)

Jerry considera este um comediante pelo trabalho em Bastardos Inglórios (2009)**** hahaha! Christoph é pego numa loja de materiais de construção (?!) e fala da diferença do humor em Viena, pedem as panquecas estadunidenses, crepes franceses e waffles belgas… ele parece um cara meio “chato”, mas saem os dois no pedalinho, óin :)

 

*Judd Apatow: fugindo de Syosset (Escape from Syosset – 30 de junho de 2016)

Muuuito legal as fotos antigas, e que caos é esse lugar em que ele trabalha? (xenti, como consegue trabalhar assim?). Confesso que nem gosto tanto assim dos filmes dele, mas o cara pareceu tão humilde, dizendo que depois de Freaks and Geeks (1999) ele se perguntou o que mais podia fazer, e me deu até vontadezinha de ver essa série.

 

*Alec Baldwin: cretino, preguiçoso e sem objetivo (Just a lazy shiftless bastard – 16 de agosto de 2012)

Os dois tem a mesma cidade de origem e Alec acha que ele lutou muito mais na vida para não ser tão famoso quanto Jerry! Eles saem do centro de NY pra tomar esse café e vão ter o que o restaurante tem, “brilhante”!

 

*Larry David: Larry come uma panqueca (Larry eats a pancake – 19 de julho de 2012)

É o primeiro episódio ever. Nossa, não sabia que o Larry David cuidava tanto assim da dieta! Na verdade, eu não sabia nada sobre Larry David, exceto que ele era criador da série Seinfeld junto com Jerry. Eu entendo o ponto dele sobre ser a mesma coisa tomar uma xícara de chá, os dois recordam algumas coisas e é engraçado até que os dois são grandões para andar em um fusquinha… “você conseguiu fazer um show sobre nada!”

 

*Ricky Gervais: louco em uma máquina assassina (Mad man in a death machine – 02 de agosto de 2012)

Puxa, eu nunca tinha imaginado que este episódio seria tão divertido! É hilário o medo genuíno do Ricky andando naquele carro, com o Jerry dando risada ao lado! Muito bom! Interessante também ele mencionar o papel de host do Globo de Ouro (este ano de 2020, segundo ele, foi o último).  – “Até Jack Bauer teve 24 horas!” (pra desarmar uma bomba)

 

*Seth Rogen: nós temos carne! (19 de julho de 2019)

Primeiramente, adorei o carro tipo Os irmãos cara de pau (1980)****! E não sabia que o Seth Rogen tinha começado tão cedo, até mostram uma cena dele fazendo stand up aos 15 anos! Também foi engraçado ver ele suando de nervoso, e que bom que conversaram um pouco sobre Bill Cosby :)

 

Como seria o seu filme sobre Corona vírus?

“Um vírus novinho em folha, fresquinho, pra você” – é uma frase que o personagem de Dustin Hoffman faz a determinado momento para seu superior no exército, vivido pelo Morgan Freeman. No filme Epidemia (Outbreak / 1995)**, o doutor Sam de Hoffman está querendo encontrar a causa para gerar um “antídoto” para o que ele acha ainda ser um vírus novo, mas que na verdade foi um caso abafado muitos anos antes para ser guardado como arma biológica. Até que a narrativa vai se desdobrando para prender nossa atenção, primeiro o macaquinho hospedeiro é contrabandeado e depois solto em uma floresta qualquer, as pessoas ficam doentes, a gente se pergunta como o doutor vai conseguir chegar até esse bendito macaco, tem personagem próximo dele que também fica infectado (a ex-esposa vivida por Rene Russo) gerando a urgência para realmente conseguir uma cura, tem até acrobacias com helicóptero e autoridades no poder para driblar e evitar que uma cidade inteira seja aniquilada. No filme, as pessoas doentes ficam num aspecto moribundo cheias de manchas e furúnculos de sangue – até para acentuar a gravidade dessa doença; elas tem apenas 2 dias antes de morrer e o vírus a princípio não se espalha pelo ar, até sofrer mutação e se propagar não só pela saliva, mas com espirros ou tosse, como uma gripe comum.

Acho que nesta época de corona vírus vários filmes apocalípticos vieram à mente das pessoas, não? Qual foi o seu? Com as ordens de quarentena e isolamento, ver ruas que antes eram super movimentadas se esvaziarem e um país inteiro ter que parar (a Itália, quem diria? O país do papa… foi realmente uma cena de cinema vê-lo caminhar pelas ruas vazias). É claro que esse filme do diretor Wolfgang Petersen tem um clima de catástrofe tenso e angústia bem mais exacerbada, mas a cidadezinha dos EUA é isolada pelos militares e os cidadãos devem ficar em casa, quem tem sintomas de tosse e febre deve se apresentar para exames… sempre tem – neste e em outros muitos filmes – alguma cena com a qual a gente pode acabar se relacionando e nos pegarmos surpresos por estarmos vivendo um momento quase igual na realidade! Os criadores da série da família amarela Os Simpsons que o digam.

Pois é, aqui no blog também eu tenho uma categoria chamada “Cenas do filminho da minha vida” que é algo assim: algum momento da minha vida real que coincide com algum momento, cena, de algum filme ou série por aí.

É até engraçado eu parar para pensar que já estava “em isolamento” antes mesmo deste caso virar uma pandemia. Como eu estava grávida e tive minha filhinha no início de janeiro, ainda estou naquele período inicial em que a dedicação total é ao bebê. Principalmente porque passamos praticamente fevereiro inteiro no hospital. Eu só saí algumas vezes para ir ao médico, farmácia ou super-mercado – ei, quarentena! Porque a bebê até 3 meses também não pode ficar exposta por aí, por não ter anticorpos suficientes… hmmm O que a geral, principalmente o pessoal de mais idade, está vivendo agora é o que eu já venho vivendo, cenas do filminho da minha vida…

E daí a gente começa a pensar diversas coisas e elaborar mais suposições para esta nossa vida em sociedade na Terra, né? Fiquei pensando que no Japão a contenção não deve ter dado tanto problema, pois eles já estão acostumados a usar máscaras e se cumprimentam de longe… Que euzinha não tenho problema algum com isolamento, já vivi a adolescência (14 aos 17 anos) num lugar sem muito convívio social, praticamente só minha família, estudava em casa. Assim, eu já imaginei como seria, como no filme A Rede (1996)**, a personagem de Sandra Bullock conseguindo viver só em casa, na base de entregas e sem muitos problemas com isso! Na época eu tinha umas fitas de vídeo-cassete e um serviço de canal pago para ver filmes – e hoje em dia, já foram desenvolvidos muito bem os serviços de streaming… Hoje em dia, até cerimônias religiosas foram restritas, mas podemos manter a fé “à distância”. Podemos comprar um livro, ou qualquer outra coisa, pela internet. E as conexões pela internet se desenvolveram desde então, hoje podemos ter contato com nossos amigos e familiares muito mais facilmente, por um aplicativo no celular – acho que esta é a hora mais que apropriada para fazermos bom uso disso!

Fiquei pensando em quantos serviços no mundo na verdade podem ser feitos de casa. Claro que tem muitos serviços que necessitam de pessoas na rua – quem vai produzir os alimentos e itens básicos, quem vai entregá-los? E os serviços de saúde, segurança, fiscalização, entre outros. Mas fiquei pensando em como até seria melhor que houvesse mais revezamento de funcionários nas empresas e serviços, não só para evitar aglomerações, evitar picos no trânsito e transporte público, mas pra oferecer também horários mais flexíveis para que os seres humanos pudessem ser mais humanos, e ter um tempo para a família, os amigos, algo que lhe dê prazer. Mesmo que os salários fossem menores, mas teríamos menos desemprego também? E se os preços também acabassem se ajustando para esses salários menores?

Na verdade, tudo isso eu já tinha pensado antes. E eu já tinha pensado esse filme. Algo que acontecesse para reinventar a sociedade. Para darmos mais valor a determinados trabalhos – como o pessoal de saúde, educadores para informação e pesquisa séria e correta, quem garante saneamento, ei, lixeiros!, o mínimo para sobrevivermos, são indispensáveis; e menos valor a outros – como o pessoal de entretenimento e esportes, políticos, podem ter uma renda tão discrepante!? Uma divisão melhor de renda e de bens, condições dignas de vida para todos.

Parece até um passo para trás, mas incluiria algo que faria muito bem para nossa sobrevivência e evolução: priorização das trocas locais, produção orgânica e atendimento mais rápido e próximo das necessidades da população, em pequenos grupos ou comunidades. Algo que faria muito bem ao meio ambiente, sociedades mais sustentáveis e menos pegada de carbono. Alimentação mais saudável, de frutas e vegetais; aproveitar melhor a água da chuva e a energia do sol; e se todos aprendessem a gerar menos ou zero lixo?

Claro que uma grande mudança, assim em âmbito geral, levaria muitas vidas – quantas pessoas no mundo estão impossibilitadas, mesmo agora, de uma higiene adequada ou recursos mínimos para viver? Seria como uma “limpa” da população mundial, desculpem se estou sendo radical e insensível, mas é o meu filme. É um mal que seria necessário para criar uma sociedade realmente melhor. E ficariam pessoas solidárias, que pensam no próximo, pois unidos sobreviveriam – seja indo ao mercado no lugar de outro, como já está acontecendo, ou oferecendo algo, partilhando algo, salvando mais uma vida por não esperar nada em troca, apenas juntos vivermos e compartilharmos esta Terra.

Pois esse seria o meu filme.

Não seria de conspiração política – como poderia ser agora, por motivos econômicos? Esse vírus já existia e agora decidiram usá-lo? Me ocorre também que pensar em fazer filmes agora talvez poderia incluir um futuro de atores digitais, como a Robin Wright em Congresso Futurista (2013)***? Como se darão as produções num pior dos casos de termos que viver eternamente em isolamento? Vamos viver das milhares de produções que já foram feitas ao longo da história da humanidade? Sim, temos grandes filmes na história do cinema que daria pra preencher anos de vida! Mas não teríamos mais a experiência de uma sala de cinema, o sentimento coletivo de ver um filme, um show, uma peça de teatro, compartilhando com outros?

Claro que na vida real não acredito que vamos chegar a esses extremos. Mas como é que vamos enfrentar esta crise mundial? E o que vamos tirar de tudo isso? Será que simplesmente vamos querer voltar à “vida comum” (capitalista, consumista, egoísta?) ou poderíamos aproveitar este acontecimento para refletirmos, mudarmos, fazermos algo? Lembrando que o momento pede a colaboração de cada um; mais do que nunca, vemos na realidade a velha máxima de que cada um fazendo a sua parte é o que vai fazer a diferença.

O meu filme seria um filme de ficção do fim do mundo, um pouco filosófico (nem tanto Malick – acho que já desisti dele desde A árvore da vida…), mas otimista.

E o seu?

Um episódio de BoJack para as mamães no puerpério!

Já faz um bom tempo em que eu acho que algumas obras audiovisuais chegam para mim exatamente na hora em que preciso encontrá-las, como se o universo conspirasse comigo pelo cinema ou pelas séries, já que eu gosto tanto disso… E recentemente eu tive minha primeira gravidez, tendo nascido a minha primeira baby.

Sabe, tem várias coisas que eu não fazia ideia, acho que na questão de ter filhos, tem coisa que a gente só descobre passando pela experiência mesmo. Eu fui sentindo e vivendo cada fase procurando na internet pra saber se era normal, não tive “desejos” loucos, tive algum enjoo, mas não saí correndo pra vomitar tanto como mostram os filmes ou séries – geralmente mostram a gravidez e o parto de uma forma que não é bem assim na realidade mesmo… Mas eu tive quase de tudo que uma gravidez tem direito, dor nas costas, azia, refluxo, inchaço nas pernas, vontade de fazer xixi toda hora, incontinência urinária, insônia, falta de ar, pesadelos!

E pouca gente também sabe sobre a fase imediatamente pós-parto que a mulher passa, o puerpério, que pode incluir ali um sentimento de tristeza ou “baby blues”; além das dores pós-cirurgia, no caso da cesárea; hormônios e nervos à flor da pele que faz a gente chorar às vezes sem nem saber por quê. No meu caso em particular foi um pouco pior, pois voltamos ao hospital, teve algo inesperado e passamos dias na UTI e mais alguns internados…

Daí, esses dias eu finalmente estou vendo a última temporada da série que vim a gostar de acompanhar e acabou, BoJack Horseman. E que episódio fantástico foi o segundo da sexta temporada! Até poderia ser o reflexo das mães do nosso tempo… ou das mulheres que acabaram tendo que lidar com tanta coisa, trabalhar fora e cuidar da casa, que acabam ficando sobrecarregadas. Tem uma parte que é bem satírica disso, do encontro das mulheres que “fazem de tudo”.

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O episódio se centra no personagem da Princesa Carolyn, que ficou a temporada anterior inteira atrás de um bebê, porque ela decidiu adotar, apesar de não ter um parceiro e depois de alguns abortos. Só que ela é aquele tipo de mulher que se dedica muito ao trabalho, um trabalho que pode envolver ter que cuidar de muitas coisas diferentes; a chegada de uma nova vida, principalmente por ser ainda recém-nascido, se prova muito mais desafiadora do que ela podia prever.

Como é um desenho animado, eles brincam com a imagem, fazendo ela se desdobrar em várias – ou vemos vários “clones” dela fazendo diversas atividades ao mesmo tempo: trocando fraldas, colocando no bebê conforto, dando leite, brincando, acalentando e protegendo o bebê – e como é um porco espinho, ela tem que usar luvas de forno para não se furar! Hahaha. Também tem vários itens de bebê agora espalhados pelo apartamento, roupas, brinquedos, livros sobre criar os filhos. Quando chega a noite, ela só tem forças para cair na cama; dali a pouco o bebê está chorando de novo…

A organização do evento para as mulheres que conseguem lidar com tudo é outra bagunça na cabeça, e haja memória (e o jogo de palavras dos roteiristas!) – água Fiji para os Fugee, sem queijo fetta pra Greta (Gerwish) nem brie pra Brie (Larson)! As babás não ficam e ainda bem que tem o Todd à disposição, pois quando vai buscar seu “cliente favorito” Mr. Peanutbutter, que foi visitar BoJack na clínica de reabilitação, ela acaba sendo internada sem perceber, até recobrar as energias!

Mr. Peanutbutter está tendo uma crise de remorso por ter traído a pug Pickles (que fica super contente quando ele chega em casa, assim como os cães vem pulando na gente quando chegamos em casa) e pede para o diretor Flea Daniels (voz do Lee Daniels!), que já está trabalhando em outro filme com a Chloe (voz da Grace Moretz!), editar o filme mais recente baseado num cartão de aniversário, mas Princesa Carolyn também precisa editá-lo para que tenha mais força feminina – “menos ‘man’ e mais Leslie Mann”; daí o diretor desiste do projeto. E nesses dias em que esteve com Todd, como chamavam a bebê de “Projeto sem título da Princesa Carolyn”, porque a mãe não consegue se decidir por um nome, ele acaba vendendo como uma série para TV depois de dar as respostas certas ehe, mas vem bem a calhar para Carolyn vender o material do Mr. Peanutbutter e incluindo até a tal de Karen Kitada – que uma vez já foi muito requisitada, mas acabou fazendo uma pausa para a maternidade e daí ninguém queria mais trabalhar com ela!

Finalmente, depois dessa confusão, Carolyn perde o baile de gala evento das mulheres, mas acaba desabafando com Vanessa Gekko, sua antiga “arqui-inimiga”. E esse diálogo seria o exemplo típico do que uma mãe no puerpério poderia pensar – embora Carolyn não tenha passado pelos 9 meses de gestação: ela desabafa que não sabe se realmente ama a sua filha. Porque ela adora o trabalho e isso é algo que ela entende, e embora ela “ame”, não tem certeza. Vanessa faz uma comparação que a gata consegue entender: quando tem algum projeto de algum cliente, mesmo que ela não goste do projeto, ela faz o melhor que pode a cada dia, para que o projeto sobreviva, porque esse é o trabalho dela; então imagine que a bebê é sua nova cliente.

Na vida real, é bem verdade que uma mãe possa passar por isso. Antigamente ninguém falava isso, todo mundo só falava no grande “amor de mãe”, mas nem sempre a mãe sente de imediato aquele amor grandioso e incondicional pelo seu filho, seu bebê. E isso é normal. Tudo bem não sentir o que todo mundo lá fora acha que você precisa sentir. Tudo bem não saber o que fazer às vezes. Tudo bem não dar conta. Tudo bem passar dias só cuidando da bebê, sem conseguir fazer outros afazeres domésticos, ou pensar no trabalho, ou lidar com todas as visitas ou todos os palpites que todo mundo dá. Tudo bem chorar. Todo dia, a qualquer hora. Cada mãe enfrenta circunstâncias diferentes, cada bebê é um bebê (mesmo que seja a mesma mãe!). O que a gente pode é só fazer o melhor que a gente consegue, a cada dia, na tentativa de fazer essa nova vida sobreviver.

E, na verdade, acho que isso pode ser expandido como um conceito geral que essa série animada tem a coragem de jogar na nossa cara, desta sociedade que se preocupa tanto com a imagem e é super-informada, mas perdida. Que está tudo bem. Nós somos humanos e nós podemos sentir tristeza, efêmeras alegrias, sentir dificuldades e errar. A vida não é um comercial de margarina – ou uma série de TV dos anos 90 em que tudo dá certo no final do dia, ou a “vida perfeita” daquela celebridade feliz no Instagram. A gente aprende, a gente muda – ou tenta mudar, pelo menos – e a gente continua. Tudo bem não “cumprirmos” com as expectativas, com o que os outros esperam ou que achamos que exigem de nós. Todos os personagens de BoJack tem que lidar com as suas falhas, com momentos de fraqueza, com a tentativa de fazer algo diferente e com a tentativa de sobreviver, um dia de cada vez.

Agora imagine euzinha, nessa fase delicada do puerpério, ter que ir pra UTI, enfrentar a enorme culpa de ter feito algo errado ou ter deixado acontecer. É claro que chorei. Ou mesmo antes disso, nos primeiros dias após o parto, todo aquele cansaço físico e lidar com coisas que eu achava que tinha que ser e não foram; e eu nunca quis ter filhos, agora já “cumpri” essa missão – só que não? Sim, chorei. Mas a gente sobrevive, porque temos que seguir em frente. Desistir também não faz sentido nenhum, se formos racionalizar.  Então, se por acaso algum leitor perdido por aí estiver se sentindo pra baixo ou “fraco” (de alguma ou outra forma), se tiver alguma mãe no puerpério: tudo bem chorar.

BoJack Horseman – season 05

Mais um post aqui, chegando rápido porque na verdade eu vi os episódios nessa temporada de hospital/ficar em casa cuidando da baby.

Eu não costumo ver muitos desenhos animados, ainda mais os voltados para o público adulto. A razão de ter continuado a ver esta série é simplesmente porque sempre sonhei com a vida em Hollywood desde criança – mesma razão por ter visto todas as temporadas de Entourage. Mas eu tive sorte que, com esse contexto, eles conseguem trazer alguns assuntos polêmicos que aconteceram na nossa sociedade real, misturados com coisas loucas e absurdas – e daí a graça; ao mesmo tempo em que entendemos também os sentimentos desses personagens, que apesar de animais, são tão humanos… quantas vezes eu já não vivi a sensação de que faltam realizações para ser feliz, neste mundo louco que mostra e cobra tanto de tudo e todos, e todos já vivemos esses momentos de tristeza, insegurança, medo, não saber lidar com as burradas… embora talvez meu personagem favorito seja o Todd, que sempre está com alguma ideia maluca e pronto para coisas incríveis, apesar de não “fazer nada”… rs

Bem, falta só mais uma temporada, e esta série é uma das que mais gostava, às vezes adiando ver um pouco, para sempre ter mais episódios para ver… mas vamos terminar mesmo. E depois? Não sei se vou ver Fleabag (que também já tem final definido, e gosto que não sejam milhares de temporadas) ou talvez fazer algo para este ano como “ver todos os filmes vencedores em Cannes”? Quem sabe… aceito sugestões!

***

S05E01 – A cena da lâmpada (The light bulb scene)

BoJack está filmando como detetive Philbert (mas a casa dele é igualzinha, haha) – e no set de filmagens tem um orangotango passando as luzes ali em cima? O Mr. Peanutbutter também está filmando ali perto nos estúdios Warbler Brothers, citando tramas comuns de filmes, enquanto BoJack quer entender melhor conversando sobre seu personagem com o criador do show, Flip (voz do Rami Malek!). Na sala do Flip tem várias anotações nas paredes típicas de organização de roteiro (“nudity?” hahaha) e ele cancela a seleção de atrizes para strippers (“queremos uma gostosa de TV”) para fingir que ouve BoJack, mas achando que não é que ele ache a cena machista, só quer chamar atenção para si – vão fazer uma cena com Gina nua, e quando o cavalo reclama de novo, inventa uma em que ele próprio fica de nu frontal, 360 graus! hah! Como eles brincam com a imagem ao esconder: câmera, microfone (ótimo que é uma serpente que segura, seria bem prática num set de filmagens real)… Enquanto isso, Todd reencontra Emily, que agora tem outro namorado bombeiro, e a namorada Yolanda pergunta se ele não se sente mal por não ter propósito de vida – ótimo quando ele começa a explicar como se deixou divagar pela internet, a gente sempre acaba fazendo isso, né? E na entrevista pelo tatu bola (ótimo salto!) que é qualificado demais para ser da limpeza – teve sua empresa, já foi até governador! E sobe para um cargo importante na empresa que diz a hora, apesar de todos terem o relógio no cantinho da tela… Já Princess Carolyn contrata uma agência de adoção, pedindo para não ter que ficar apaziguando as brigas quando BoJack vai atrás dela com uma cadeira giratória para dar efeito. Mr. Peanutbutter busca Diane, que volta de viagem para lhe entregar os papeis do divórcio. E o episódio termina como começou, com dançarinas de nado sincronizado, só pra vermos como Philbert é um personagem que tem muito do BoJack.

S05E02 – Acabou-se o que era doce (The dog days are over)

Diane tem uma recaída emocional e decide ir viajar até o Vietnam, conforme escreve mais um post para o Croosh, com diversas razões para ir ao Vietnã. Conforme vai apontando os motivos, vamos vendo também o que aconteceu desde que se separou do Mr. Peanutbutter (ele com as orelhas levantadas pegando o jornal! Haha). Sendo turista em seu próprio país de origem, ainda se sente fora de lugar e inadequada – me identifico quando acham que ela é de lá e se espantam que ela fala bem inglês, quando vou ao Japão todo mundo acha que sou japonesa… Vemos que ela se mudou para um muquifo, que o ex se deu bem com uma cadelinha que conheceu no restaurante, teve aquele estranhamento com BoJack porque os dois agora estão solteiros, foi a uma terapeuta que fica citando pessoas obviamente famosas (“Demi M., já foi casada com Bruce”; “minha cliente se vê mais como uma diretora, na verdade” hahaha). No Vietnã, uma equipe de filmagem está por lá e ela até tenta sair com um cara, mas ela sabe o que um “grip” faz; no avião encontra com a Laura Linney (sim, ela mesma faz sua voz) cujo personagem tinha viajado para se encontrar, e talvez dê uma luz para Diane, mas na verdade filmavam um filme de ação! Heh! Ela ainda tem aquela sensação de solidão, mas sabe que vai sobreviver.

S05E03 – Obsolescência programada (Planned Obsolescence)

Todd vai conhecer os pais de Yolanda, e acontece que a família toda dela está muito envolvida com sexo, hahaha O pai (voz do John Leguizamo!) é escritor erótico; a mãe (Eva Longoria!), estrela pornô; a irmã gêmea, psicóloga sexual; engraçada as trocas de quartos e os argumentos, inclusive não ter se excitado quando a mãe fica nua, mas nem tanto a bagunça com o lubrificante da avó. No final, Todd admite que eles não tem nada em comum, exceto o fato de serem assexuais, apesar de diminuir muito a possibilidade de encontrar alguém para ficarem juntos, terminam. BoJack tenta ajudar a atriz com quem tem relações secretas, porque ela sempre quis estar em um musical; quando Gina faz um teste, ela não consegue impressionar, e dá a cartada final em BoJack: “mas você pode se sentir bem consigo mesmo”. Mr. Peanutbutter e Pickles (ei, eles têm as mesmas iniciais e seus nomes são de comida! hihihi) tem umas ótimas tiradas juntos, com referências Hollywoodianas (como a briga entre Taylor Swift e Kate Perry!); eles tentam sair sem ser um encontro, porque Pickles foi aconselhada a não ir rápido demais, mas tem o desconforto dentro da limusine, ainda mais ouvindo o podcast de Diane, e no KFC (não era fast food!) a referência ao espaguete de “A dama e o vagabundo” (1955)***, ehe. No final, Peanutbutter é bem honesto admitindo ainda ter sentimentos por Diane, mas os dois se divertem juntos e ele gostaria de ver onde vai dar – quem não adora um labrador, né?

S05E04 – BoJack, o feminista (BoJack the feminist)

Um ator que foi rechaçado pela mídia pelo comportamento violento contra mulheres, Vance Waggoner, é a ideia de Princess Carolyn para ser o parceiro de Philbert no show. Diane está de volta ao trabalho (no computador dela uma matéria que compara as celebridades a… sopa?!) e vai junto com BoJack à festa dos prêmios que perdoam as celebridades (há! Existiria na vida real, a cidade que sempre perdoa as celebridades, rs), com direito à “desculpa” escrito em diversos idiomas no telão. Mr. Peanutbutter está entrevistando no tapete vermelho e Princess Carolyn veste “Louis Kitton” hehe; mas BoJack vira destaque porque bem na hora que a câmera foca nele, ele está com uma cara feia por causa do queijo servido e todos acham que é porque ele ainda lembra de como Vance foi preconceituoso no passado, mostrando entrevistas pela “Fox” News (desenho de raposa, haha). Para mudar essa imagem pública, BoJack vai numa espécie de programa feminino (só com aves, e a plateia é só galinhas!?), mas acaba se empolgando com uma frase óbvia “não estrangulem mulheres!”, ao mesmo tempo em que comentam algo a ver com ele, mas que ele “abafa”: “Hollywood não deveria legitimar permitindo que astros façam filmes e séries que disfarçam suas personalidades horríveis”. Vance diz para Carolyn que já arranjou outras propostas de trabalho, deixando a gata arisca e ela quer combinar o lado feminista de Diane com a imagem que BoJack criou – e o cão São Bernardo tira bebida do próprio barrilzinho que carrega! Enquanto isso, como perdeu um papel por não parecer durão o suficiente, Mr. Peanutbutter pede ajuda a Todd, mas mesmo filmando no celular, o cão acaba ajudando um rinoceronte a não fumar e agradecê-lo por ser tão bom; depois arranja uma roupa de couro (mas a placa do carro ainda é “goodboy”) e vão a um bar barra pesada (frequentado por Charlie Sheen e Chris Brown!) e acaba ajudando uns paparazzis a curar suas doenças (ainda, na placa da loja ao lado, deixaram de vender armas por “erva” haha), e também a informar os bad boys sobre política, sendo celebrado. Num programa de rádio após Vance acusar o show de BoJack de ser machista, o cavalo percebe a normalização que Diane estava ensinando (com exemplo de dança da Ellen Degeneres e lipsync do Jimmy Fallon) e a chama para contribuir nos roteiros do show. Mas Diane é encurralada por Ana Spanikopita, voltando do discurso sobre encobri-los…

S05E05 – A história de Amelia Earhart (Amelia Earhart story)

Ao ir encontrar uma mãe do seu possível futuro bebê, Princess Carolyn retorna à cidade natal, relembrando sua infância com a mãe que sempre estava no sofá enquanto ela adolescente fazia os deveres como empregada da família rica; de cujo filho acaba engravidando, mas seus planos de um aparente futuro perfeito sem preocupações financeiras acabam quando sofre um aborto. A fita de vídeo sobre Amelia Earhart serve de inspiração para sua vida, alçando voo destemida. Enquanto isso, atende BoJack, Diane, Mr. Peanutbutter com seus conflitos no set de Philbert, e até Todd, pois ele é vice da empresa patrocinadora do show. Nessas, BoJack se acidenta de verdade filmando sem dublê, mas percebe que assim as pessoas passaram a gostar mais dele…

S05E06 – Churros grátis (Free Churro)

Quando BoJack era só um menino, o pai dele não tem coisas muito boas para falar da mãe, e consegue fazer um monólogo, falando por muito tempo sem precisar de respostas ou reações ao que fala… e o episódio inteiro vai ser assim. BoJack começa falando que ganhou um churro de grátis quando a atendente sabe que a mãe dele morreu, ele relembra de vários momentos às vezes fazendo uma pausa para a mãe bater no caixão reagindo, ou pedindo para o sonorizador (ehe) fazer os sons adequados – como no momento em que for contar uma piada. Comenta que a última coisa que ela disse é “I see you” (“eu vejo você”) e fica teorizando sobre o que poderia significar; inclusive lembrando um momento bonito e pensando em como os três estavam se afogando e ninguém podia salvar; até considera que ela só estava lendo uma placa, porque estavam no “ICU” (em um quarto na UTI). Claro que fala do programa de TV que fazia nos anos 90, pedindo para não aplaudirem (não ouvimos nenhum som e achamos que ele está só ensaiando); comenta que não há finais felizes porque precisamos que o show continue, até que acabe. Relembra da morte do pai também, por um duelo (?!) e a mãe tinha comentado que o marido estava morto e tudo estava pior então – e ele consegue dizer isso sobre a mãe em certo ponto. Tem espaço também para mencionar Penn & Teller (!), a dupla de mágicos em que um é super quieto. O caixão está fechado porque ele acha que a mãe não ia gostar que vissem seu rosto todo torto, até que passa pela sua mente que talvez ela quisesse ser vista, como todos gostariam, e claro que ao final a câmera abre para vermos quem está ouvindo este monólogo, após abrir a tampa do caixão…

S05E07 – Submarino no set (INT SUB)

A terapeuta de Diane namora com uma mediadora de uma empresa, e ambas tentam não mencionar nomes, então passamos o episódio com as nossas personagens tão conhecidas ilustradas das formas inusitadas descritas por essas narradoras: Carolyn é uma “névoa desesperada”- ajuntado de pedaços de lã, Todd tem uma mãozona como cara, em vez de ser “manteiga de amendoim” (Peanutbutter) é “pasta de chocolate e avelã” …, temos a Princesa Diana tendo que aguentar o Flipper (gozado, desde que apareceu o personagem, eu logo lembrei do golfinho mesmo!), BoJack é “Bobo, a zebra angustiada” – e na vinheta de entrada vemos ele como zebra! Engraçado que eles trocaram até os cartazes na parede da Princess Carolyn conforme sua nova persona (em vez dos gatos que apareciam antes). Todd e Carolyn brigam porque ele acha que a gata comeu seu pedaço de queijo e daí entra essa mediadora, discutem, quase resolvem, decidem ir para arbitragem, estão passando fita no apartamento dividindo o território, quando a mediadora após a conversa descobre prova de que Carolyn não estava no apartamento e por isso não poderia ter pegado o queijo, Todd percebe que não queria ser expulso, se entendem e em vez da caneta que ele quase sempre pega durante o episódio, estava o queijo! No set, Flip não tem mais páginas para filmar e tem que incluir uma cena num submarino. BoJack diz que não quer falar sobre a mãe e eis que Peanutbutter percebe que a mãe – e o pai! – já estão mortos, e diz que podem dar toda a atenção a ele, hahaha. Quando Diane diz que é melhor não conversar com BoJack, ele vai tirar satisfação e acaba fazendo uma sessão de terapia sem saber, como se a terapeuta fosse sua amiga, mas ele ia pagar para ninguém desconfiar; até que Diane descobre e tem que deixar sua terapeuta, mas então o amigo também acha que não precisa mais… Diane discute e fica tão brava com BoJack que invade a sala de Flip e começa a escrever sem parar o roteiro, filmam os detetives matando todo mundo no submarino e descobrindo uma jovem presa, para deixá-la morrer, e Diane usa as mesmas frases da fita gravada que Ana Spanikopita tinha mostrado.

S05E08 – Os amores do sr. Peanutbutter (Mr. Peanutbutter’s boos)

Acompanhamos os diferentes dias de festa de Halloween que Peanutbutter dá na casa do BoJack, com as respectivas parceiras de cada ano. Em 1993, com Katrina fantasiada da personagem de TV Blossom (só colocando um chapéu, ehe); no início dos anos 2000 ele e Jessica Biel iam combinando, mas ele não tinha entendido que “The Notebook” era um filme (Diários de uma paixão ***); agora a fantasia de Diane em 2009 precisa de explicações mesmo – tenista famoso Bjorn Borg, sendo que Borg também tem a ver com Star Trek, e “baby bjorn” em inglês é o canguru de carregar bebês, por isso na verdade ela está fazendo par com Mr. Peanutbutter vestido do outro carinha do filme “Se beber não case”… Já a fantasia junto com Pickles realmente combina, os dois vestidos de rede social “tweet feed” (de comida). Princess Carolyn está sempre fantasiada de Amelia Earhart e fica na porta entregando lembrancinhas de séries ou filmes; em um ano, o Todd ainda menino passa para ganhar doces, como não ganham, jogam papel higiênico na casa. Em todas as festas, Mr. Peanutbutter consegue fazer algo que acaba em uma briga entre ele e seu par: tinha dito para Katrina que não ia deixá-la sozinha, mas logo sai para ir falar com “Erika”; Jessica tinha um passado traumático em relação a múmias, e Princess Carolyn acaba enrolando BoJack nos papeis higiênicos para que ele tenha uma fantasia – de múmia, claro!; Diane era fã de BoJack e acaba sendo ignorada por ele, então briga com Peanutbutter porque ela sente pressão por ter que ser divertida, odeia festas grandes; Pickles está sentida porque Diane está na festa (cada vez mais procurando donos dos veículos que a impedem de sair) e ela diz que ela é divertida independente das ex. Diane diz para Peanutbutter que ele sempre começa a sair com as garotas no início dos 20 anos (ei! Lembrei do Leo, ehe) e não é que ele tenha estragado as parceiras, mas que elas simplesmente mudaram com o tempo e ele precisa amadurecer; ela também ajuda a consolar Pickles.

S05E09 – Isso é passado (Ancient history)

Nossos personagens reveem algumas pessoas do passado. Hollyhock visita BoJack, e com o trauma da avó que quis drogá-la, ela acaba jogando fora as pílulas de BoJack; vai ao pediatra, mas ele não vai dar mais remédios; lembra que deixou algum na casa de Gina e faz a filha procurar enquanto distrai a ex; vão até um beco que parece o lugar do racha em Grease, e tem que correr da polícia; Hollyhock questiona se BoJack realmente precisa das pílulas, ele argumenta que esteve sentindo dor a vida inteira, ela faz ele prometer que só vai tomar se voltar a se machucar e precisar de verdade – e ele prefere se machucar de verdade… Todd conversa com Emily, e pensa que seria ótimo eles passarem mais tempo juntos, mas tem a questão do sexo, então ele constrói um robô de sexo, “Henry Foda” (ehe! A tradução deu certo aqui, né). Princess Carolyn reencontra Ralph e ele a leva com bebê conforto para pegar o bebê que ela poderia adotar, mas como ela explica para Ralph que consegue fazer isso sozinha, a mãe desiste de dar o bebê para adoção.

S05E10 – Subiu para a cabeça (Head in the clouds)

Perto de um convento, descobrem na praia uma mulher que veio do mar… Margot Martindale! Hahaha No dia da première de Philbert, Abel Ziegler vem tomar satisfação com Princess Carolyn, pois sua frase no picolé foi roubada e ele acusa o autor de plágio (pior que em outros episódios nós já vimos Flip com esse picolé azul mesmo! ehe); ele entra em acordo se puder participar da festa, mas ela ainda tem que ir atrás do ex-amigo dele, Ziggy Abler, que ajudava a escrever suas piadas; na festa, Princess Carolyn ajuda os velhos amigos a se reconciliarem – e assinarem o acordo. Todd conversa com o robô, que acaba dando as respostas certas, haha, e o leva para o trabalho; “conversando” com o presidente da empresa, este percebe que precisa dar mais atenção à mulher e ele renuncia para dar o cargo ao robô sexual… Na festa – ei, legal ver o pessoal com roupitchas diferentes e bonitonas – BoJack acaba dizendo que o show mostra que apesar de coisas horríveis que cometemos, isso é normal e deveríamos ficar bem, irritando Diane, que vai tirar satisfação e quer saber de BoJack o que aconteceu em New Mexico, ele argumenta que já fez muita besteira (MTV house? haha) e que ele é que sofre com tudo, Diane o relembra do que aconteceu com Sarah Lynn, BoJack diz que não precisa que ela mude ele, toma várias pílulas e enquanto Gina dá entrevista, ele assume que estão juntos na frente de todos; Pickles se distrai e acaba saindo mais cedo, prometendo ao Peanutbutter que vai para casa e verá toda a temporada da série de uma vez só, e ele acaba dando carona para Diane; o chefe de Todd (o robô sexual! haha) diz que “quer mais, mais”, então sairá uma segunda temporada para Philbert!

S05E11 – Sucesso estrondoso (The showstopper)

Um episódio muito louco, em que se mistura a realidade de BoJack e a série que está filmando, Philbert – e como desde o início da temporada eles sempre colocaram até os cenários da série muito parecidos com a vida de BoJack, ideia fácil de realizar agora! Enquanto ele continua tomando muitas pílulas, fica pensando que alguém quer acabar com a carreira dele, por receber uma mensagem de ameaça (que depois sabemos ser apenas material de divulgação da série…), entre diversas conversas, com direito a se fingir de pesquisador da TV a cabo para sondar se Charlotte e a filha estão bem ou poderiam ter escrito aquele bilhete como vingança, e um número musical com Gina cantando, temos até referência a Clube da Luta (1999)***, ahá, com o personagem de Fritz nunca tendo existido e Philbert tendo cometido todos os atos de violência, inclusive todas as mortes e o estrangulamento da esposa. Enquanto na vida real Gina quer ir embora, depois de confrontar BoJack sobre todas as pílulas escondidas pelo apartamento, na série existe essa revelação e BoJack realmente está estrangulando Gina ao filmar… o que é realidade e o que é sonho, ficção? O reencontro dele no céu com o balão de gás lembra muito O show de Truman (1998)****.

S05E12 – Um grande mal entendido (The stopped show)

Várias pessoas no set tinham filmado com seus celulares quando BoJack parece realmente estrangular Gina, então Princess Carolyn marca uma entrevista com os dois em um programa de uma apresentadora muito dócil. BoJack quer contar a verdade, mas Gina finalmente está tendo reconhecimento em sua carreira, e prefere fingir. A gata também tem que lidar com aquela jovem da Carolina do Norte que tinha desistido de dar o bebê, mas todos os outros possíveis pais tinham sido muito rudes e Carolyn foi a única a dar um conselho positivo, então Sadie decide que se ela estiver lá quando o bebê nascer, ela vai deixá-la adotá-lo. Quando a moça da agência de adoção aparece para dizer para Princess Carolyn que ela não precisa ser mãe, tem gente não é pra isso, pode viver a vida que gosta, por acaso o assistente Stuart também tem a história de ter sido abandonado pelos pais e os dois tem duas partes do mesmo medalhão!, achando que é uma coincidência apenas haha. Diane ficou se sentindo mal que passou a noite da première com Peanutbutter, acabam se agarrando no calor da briga de novo, e o labrador ainda a ama, quer voltar, mas Diane não quer isso – ele até comenta como ela é boa em dar más notícias. Mr. Peanutbutter não tem coragem mesmo de terminar, diante dos olhinhos da Pickles, e acaba a pedindo em casamento! O robô do sexo é acusado por assédio sexual (e não exatamente pelas palavras ofensivas que a gente espera, mas por dizer “bateria baixa” ou “conecte ao terminal”, hahaha), sendo desmascarado por vários outros empregados, e a empresa de Todd é fechada; automaticamente cancelando a série Philbert; na saída, oferecem um cargo para o robô no conglomerado que já domina o mundo (Disney-Fox-AT&T-AOL-Time Warner-Pepsico-Viacom-Halliburton-Skynet-Toyota-TraderJoe’s!); mas Todd finalmente tem que tomar a dolorosa decisão de acabar com tudo. Como acabou o show, Carolyn consegue chegar a tempo para segurar o bebê no colo. E BoJack procura ajuda de Diane para que ele seja responsabilizado, mas ela garante que isso não vai acontecer assim, ela o leva para um centro de reabilitação; Diane explica que mesmo para uma amiga do passado que a tinha desapontado, Diane estava lá para ajudá-la porque era sua amiga.

BoJack Horseman – season 04

Eu passei algumas semanas no hospital acompanhando a minha bebê, que estava na UTI, depois passou uma semana em outro leito, e finalmente voltamos para casa. A sensação que tenho é que este ano tenho visto muito mais TV – que ficava ligada lá só para fazer algum barulho de fundo, mas eu acabei acompanhando alguns capítulos da reprise de uma das telenovelas de maior sucesso na história do Brasil, Avenida Brasil. E também acabei pegando um episódio de Betty em Nova York, uma versão super renovada daquela novela de sucesso colombiana que ganhou diversas outras versões em diversos outros idiomas. De vez em quando pegando um noticiário aqui e ali, também voltei para casa em um sábado ou domingo (um deles para ver o Oscar…) e acabei testando o recurso da Netflix de ver alguns títulos offline. Com isso, acabei com vontade de finalmente terminar esta série, já teve seu fim decretado e publicado no Netflix. Na verdade, a temporada 04 eu já tinha visto inteira, quando estava grávida – e justo nesta a Princesa Carolyn tem essa questão de ser mãe… sempre digo que o cinema entende muito bem a minha vida. Eu não tinha feito post, e como fazia muito tempo, acabei revendo tudo de novo. E incrível como a questão de ser mãe faz mais presença pra mim agora, neste momento em que vivo: está não só na Princess Carolyn (será mesmo que dá pra trabalhar tão duro e ser mãe sozinha?), na própria história da mãe do BoJack (que viu seus sonhos se esvaírem?) e no próprio protagonista, que não acredita que poderia ser um bom pai…

Bem, mas tirando meus próprios momentos pessoais, incrível que mesmo rever episódios é bem interessante. Melhor do que metade das novas séries que toda a semana a Netflix inventa.

Na vinheta desta quarta temporada, BoJack bebe dessa mistura louca de ideias e remorsos envolvendo (ex?) amigos, e no seu apartamento tem novos inquilinos, pelo menos por um tempo. Revisitamos passados, como de praxe temos aquelas situações absurdas e inusitadas, conhecemos e sentimos pelos personagens, sempre com aquele texto afiadíssimo e muitas referências e cutucadas.

Só para não perder o costume: (!) este blog não acredita em spoilers, e a gente também não liga se você acredita, porque BoJack é muito mais do que descrições em palavras…  

S04E01 – Sr. Peanutbutter para governador (See Mr. Peanutbutter Run)

BoJack sumiu e Diane continua ligando para ele contando o que tem acontecido, sentindo a falta do amigo. Mr. Peanutbutter está atrás de assinaturas para poder ser governador da Califórnia mesmo sem qualificações, e logo no início do episódio vemos como Katrina está certa ao dizer que todo mundo sempre gostou dele naturalmente, dando-lhe “ossos”, pois ele ganha instantaneamente o carisma da plateia do show que querem fazer copiando Horsin’ Around e é contratado no lugar do Vicent D’Onofrio (what!? Que casting foi esse, hahaha). Princess Carolyn sempre recebe cartões de Ralph, que propõe que morem juntos, ela não aceita bem a princípio, está grávida, mas ele a convence no final de que não deveria ser por acidente, que eles podem tentar ter um bebê de propósito. Todd ainda toma lanche com Emily (e a vaca que ganhou milhões de gorjeta ainda trabalha lá!?), ele tem mais uma ideia mirabolante sobre um drone com assento e ela quer fazer um app para encontrar bombeiros gostosões – e não é que Emily dá de presente o “drone com trono” para Todd se divertir, e ele rouba um sacão de pipoca doce, perdendo-se nos céus… Diane não esperava que esse negócio de governador iria longe, mas não é que ao conversar com ela Mr. Peanutbutter decide não desistir e convocar o atual governador castor Woodchuck para um duelo de esqui (com direito a imagem do labrador igualzinho à da campanha do Obama); vemos as repercussões na mídia – no programa de entrevista, no noticiário (com aquelas manchetes correndo embaixo, uma delas dizendo que Margot Martindale continua perdida no mar…); o castor não quer denegrir seus antecessores (incluindo um deles que fez o Mr. Freeze em um filme do Batman – ehe sabia que ia ter alguma cutucada no Arnold!), publicamente mostra como é inconstitucional, mas ele próprio dá a Katrina a ideia de convencer senadores para que exista uma emenda na constituição, com muitos subsídios prometidos e aprovação da ponte para o Havaí! Parece que política não é assim tão diferente de um país para outro? Woodchuck acaba aceitando encontrá-lo na Montanha do Diabo, e é hilário descobrirmos que Peanutbutter na verdade não sabe esquiar, nem tinha imaginado que isso chegaria tão longe, tendo que fazer algumas aulas; o professor dá um livro de poesias que era um teste e logo lhe dá um diploma antes de virar casulo. Na corrida em si, Woodchuck é excelente, pois desde jovem já era bom no esqui, Peanutbutter só sai rolando, e Todd entra confusamente na corrida depois de soltar o saco vazio de pipoca, voando ao encontro da linha de chegada e sendo nomeado governador – só que como está com dificuldades de aceitar rótulos (asexual?), renuncia e terão que fazer uma nova eleição para governador… e claro que Peanutbutter vai concorrer, hahahah (doggie doggie what!? Diane Diane what!?)

S04E02 – A casa velha do sr. Sugarman (The Old Sugarman Place)

Que sacada musical maestral, tendo ao fundo a canção “A horse with no name”, para traduzir exatamente a “fuga” pelo “deserto” de BoJack, que quase atende as ligações de Diane, mas se deixa não atender (como eu entendo isso, sou acometida sempre por esse sentimento! Vontade zero de atender alguém); acaba indo para a casa do lago da família, uma casa de veraneio – em um lugar de férias antes de existirem os voos para lugares mais emocionantes, heh. É a casa do avô Sugarman, empresário do açúcar, logo de início vemos um flashback (?) da mãe ainda criança despedindo-se do irmão que iria para a guerra (voz de Lin-Manuel Miranda!) ao tirar uma foto com os pais. Na atualidade a casa está caindo aos pedaços e por uma série de atrapalhamentos vemos que BoJack não tem nenhum talento para consertos; as meninas da loja de ferramentas logo o reconhecem e por elas ficamos sabendo de uma mini-série sobre Sarah Lynn em que BoJack é interpretado por Paul Giamatti – haha; depois de passar outono e a porta continuar quebrada no inverno que traz fantasmas, a mosca que é o vizinho decide consertar; passando mais algumas estações, reformam a casa toda. Porém, falta ainda o cata-vento, a mosca Eddie revê o vídeo de casamento e sabe que os irmãos caranguejo roubaram, vão até lá e temos um número musical que mistura a avó de BoJack (voz da Jane Krakowski, que sempre adora cantar) com o piano de Eddie, uma confusão ao pegarem o cata-vento e fugirem, enquanto a mãe de Beatrice bebe e deixa a filha dirigir, acabando em um acidente – e o pai (voz do Matthew Broderick) toma medidas drásticas para que ela não se deixe levar mais pelas emoções, fazendo Beatrice prometer que nunca amará alguém do mesmo modo que amava o filho Crackerjack. BoJack faz Eddie voar, quando a mosca se casou foram muito alto e a esposa morreu, desta vez BoJack o salva de um afogamento; na manhã seguinte quer demolir a casa que ficaram 8 meses reconstruindo!, afinal o tempo não para, apenas marcha para frente.

S04E03 – Todd é o cara (Hooray! Todd Episode!)

No início vemos o músico leão contando sobre como Todd salvou a esposa e a ajudou a dar à luz sobrevivendo no mar, ehe; enquanto ninguém percebe, ele dá o remédio para Mr. Peanutbutter, faz o almoço de Diane e omelete com rostinho, mas Katrina diz que ele nunca faz nada, então pede para Todd ir buscar os óculos na agência da Princess Carolyn, VIM – ele nunca sabe se é apto para qualquer coisa, mas é o que torna sua vida tão interessante – poxa, acho que preciso desse novo lema em minha vida também! Carolyn propõe a Todd que ele finja estar saindo com Courtney Portnoy porque o público precisa vê-la como alguém mais humilde, com quem possam se identificar, para ela estrelar no filme “Mis-taken” (seria um Busca Implacável versão feminina?), ele só tem que almoçar com a estrela e deixar que os paparazzi tirem algumas fotos – e Todd adora tirar fotos, prova sua existência! Hahaha Eis que surge uma tal de Hollyhock, que tem oito pais adotivos, usa o clorofórmio do kit espionagem em Todd após ler no livro de BoJack que eles moravam juntos, ela acredita que pode ser seu pai biológico, “que coisa horrível para se dizer a um bebê!”, “ei, acho que vi um fio de cabelo!” – e Todd descobre que BoJack tinha voltado, dormindo de ressaca no sofá. Eles fingem que Hollyhock é uma empregada, leva o fio de BoJack para o laboratório que dá resultados de DNA em uma hora, mas falta a amostra de Hollyhock; consegue almoçar com Courtney, mas ela sai correndo diante da possibilidade de almoçar em uma lanchonete de franquia; quando volta até BoJack, tem que limpar todo o apartamento porque Hollyhock não fez/faz nada (“acho que nem precisamos do teste”!); como ele acabou assinando um documento porque Katrina tinha dado bronca que ele não tinha assinado para receber um pacote na casa do Mr. Peanutbutter, Todd recebe a missão de distrair Diane para que ela não veja que agora eles são a favor do “fraturamento” – mesmo depois do discurso convincente do candidato “sou a favor de vocês, dos fatos”- e Todd lhe dá a ideia de incluir o que interessa junto com alguma fofoca que queiram ler, daí inventa que Channing Tatum pode ter uma filha perdida, está com as amostras de cabelo e pede para Diane ligar assim que souber se são compatíveis! Em seguida, corre para o desfile do Shark Jacobs (voz do Marc Jacobs mesmo!) para aparecer ao lado da Courtney, acaba entrando errado pela passarela, “onde está o olhar vazio de quem é obrigado a passar fome para cumprir as expectativas do que deveria ser considerado bonito?”, mas acaba defendendo que a moda deveria ser para todos – e seu modelito vira alta costura; Courtney é finalmente fotografada com ele, mas agora já é considerado um modelo famoso! Ao mesmo tempo, Diane confirma que as amostras de DNA são compatíveis, Todd fala para Hollyhock que BoJack não é o pai, mas Diane vem falar com Channing Tatum e admite que não quer ser esse tipo de jornalista, e Todd se passando por ele dizendo o que ela quer ouvir, mas para BoJack ele vai contar que é o pai. Conversam sobre o que aconteceu com Emily, Todd finalmente recebe um pouco de reconhecimento por ser bom e atencioso com todos, pela amizade, e se assume assexual.

S04E04 – Vamos fraturar (Commence Fracking)

Anteriormente Hollyhock já havia comentado que não precisava de outro pai, já tem 8, mas ela gostaria de saber quem é a mãe, pedindo para BoJack pensar com quem teve sexo em dezembro de 1999… o que não se mostra uma tarefa tão fácil. A primeira era a presidente do fã clube dele, que logo de cara diz que foi ela sim, mas ela continuou obcecada com um álbum de todas as garotas com quem BoJack saiu e Hollyhock procura saber por que usava um vestido de verão para a estreia de um filme chamado “Outono em Nova York”, sendo que as datas não batem; com o tal livro em mãos, podem ir atrás da mãe de verdade. A segunda possível mãe que vão ver é uma tal de Tilda (parece a Tilda Swinton em forma de gato!), que está fazendo uma série em que é uma médium que viaja no tempo, só que ela relembra que realmente fez o aborto, e Hollyhock fica chateada porque BoJack diz que seria melhor não ter descendentes dele por aí, decide continuar sozinha “have a bad life!” / “joke’s on you, I already have!”. BoJack acaba indo atrás de todas as mulheres também, até que reencontra Hollyhock após visitar 23 mulheres… e começa a chorar porque os pais já são suficientes, não precisa de uma mãe, e BoJack não é bom em consolar, então acaba dizendo que existe uma que não estava na lista da fanática – vemos de cara da onde surgiu o nome inventado (Mercedes Marrom!). Diane está tendo problemas em ter relações com Peanutbutter por causa da campanha (e no quadro acima da cama deles não são só frutas, tem chinelos e um jornal – um cachorro realmente teria um quadro desses! Há); Katrina tem uma agenda cheia e nem deixa Peanutbutter terminar suas referências – mas a gente pega fácil a do “breakfast club” (Clube dos cinco ****). Mesmo no escritório do blog – um daqueles modernosos com frases de autoajuda e áreas para exercícios, a chefe Stefani comenta para ela cuidar de si. Princess Carolyn vai ao médico, que diz que ela tem “mais óvulos que filmes do Harry Potter e menos que do 007” hahaha, e ela recebe um kit que inclui um relógio (com voz do Harvery Fierstein!) para saber a melhor hora da cópula; nisso o policial “miau miau” quer multá-los por velocidade; como Ralph diz que tem um bom advogado, eles não querem desperdiçar o momento e se engajam ali mesmo no banco de trás da viatura. Mr. Peanutbutter aparece no noticiário, é confrontado pela opinião contrária da esposa sobre “fraturamento” e acaba tendo que concordar que façam a obra no quintal da sua casa; Diane discute com Katrina (e o cereal do Todd é “DiCapricornflakes”! ahhh, eu quero!), mas ou ela apoia, ou o casamento vai para o ralo… ela escreve outro texto para o blog, pedindo para Peanutbutter deixar a corrida eleitoral, ele se recusa, brigam, quebram coisas, acabam se pegando (literalmente).

S04E05 – Solidariedade (Thoughts and prayers)

Devido à notícia de um tiroteio em massa em um shopping, o filme de Courtney e produzido por Lenny Turtletaub (voz do JK Simmons) pode não ser bem recebido, além de ter outras cenas de tiroteios – eles conversam vendo o que pode ser feito, e inclusive Todd que está “saindo” com Courtney, e considera a vida curta para não terem reuniões em um parque aquático! Apesar de ser contra armas, de repente Diane tem uma sensação de empoderamento ao atirar, incentivada por Courtney, e acaba levando a arma sem nem perceber, escreve um post poderoso sobre como as mulheres se sentem vulneráveis em vários locais (ei, isso é bem real), e no ranking de posts mais clicados para o blog Croosh (cujo escritório agora tem as autoras escrevendo equilibrando-se numa espécie de pogobol!), ela consegue subir seu post na lista que incluía post sobre a descrição do pênis do Liam Hemsworth (e do Chris Hemsworth!). Isso gera conflito com Mr. Peanutbutter – e ultimamente todas as brigas acabam em sexo…; levando também às mulheres portando armas no geral; bem quando Princess Carolyn tenta transformar a violência do filme em algo positivo, sobre o empoderamento feminino, acontece um tiroteio que foi uma mulher atirando, e vários homens fazem declarações descaradas; finalmente chega ao senado, acabando no voto de banir as armas da Califórnia… Enquanto isso, BoJack e Hollyhock visitam a mãe de BoJack, Beatrice, no asilo – ele se desculpa com Carolyn, mas quer é a informação do nome do lugar, que já tinha esquecido; o médico diz que a demência está aumentando e seria bom que visitassem (“é como ver um Terrence Malick, em dez anos é suportável, menos que isso é chato”);  BoJack acha que a mãe está fingindo, mas ela não o reconhece, chamando-o de Henrietta, uma empregada; quando assistem a episódios da série dos anos 90 ela reconhece o filho na TV e BoJack inventa de fazer um teatrinho; ela surta, a clínica os expulsa e o médico diz que ela tem pouco tempo de vida, então Hollyhock faz BoJack aceitar levá-la para sua casa, consolando-o também que ele poderá jogar na cara da mãe o quanto sofreu e a odeia em algum momento em que ela estiver lúcida…

S04E06 – Seu estúpido de m***a (Stupid Piece of Sh*t)

Ouvimos a vozinha na cabeça de BoJack que fica se xingando, dizendo como ele é um merda, desde quando sabe que tem que parar de comer biscoito e continua, passando pela dúvida de ir comprar leite e a mãe ficar envenenando Hollyhock contra ele, parando no bar e ficando até de noite; depois que joga o suposto bebê pela janela, pensando em quem poderia ajudá-lo, antes de encontrar Diane Mr. Peanutbutter se dispõe a ajudar com seu faro e acabam na casa morro abaixo da Felicity Huffman (voz dela mesmo!) que reclama de todo o lixo que já caiu no seu quintal. Enquanto isso, Princess Carolyn, como empresária, tem que ajudar a montar o casamento do ano, ideia do novo agente de Courtney, Rutabaga; para isso eles precisam fazer até com que Meryl Streep não se aposente, porque a festa ia cair na mesma data, e mesmo se ela quiser ser diretora, o sonho dos diretores é trabalhar com Meryl Streep, então supõem um filme com várias Meryl Streeps, ehe. Ao final das contas, Todd também procura os conselhos de Diane – que acaba nem ouvindo a outra amiga e fala sobre si mesma em relação ao casamento, mas Todd encontra na metáfora do pirulito o motivo para não se casar, afinal. E quando BoJack retorna com o “bebê”, explica para Hollyhock que se ele é um merda é porque ele é assim, não é culpa dela, e ela pergunta se aquela vozinha na cabeça que deixa a gente pra baixo, fazendo a gente não acreditar que mereça algo bom, sempre vai existir…

S04E07 – Subsolo (Underground)

BoJack finalmente decidi procurar Diane e vai até a casa do Mr. Peanutbutter onde estão dando uma festa para arrecadar fundos para sua campanha, e é 20 mil dólares o prato; com as obras de “fraturamento” da casa, o que parecia ser um terremoto na verdade afunda a casa inteira, e se no início acham que alguém logo vai tirá-los dali, passam dias no subsolo. Em determinado ponto, a marmota (não era castor!) Woodchuck consegue cavar para salvá-los, mas o pessoal grita para celebrar, liderados por Peanutbutter, e desaba mais terra ferindo as mãos dele; naturalmente  Woodchuck toma a posição de líder sabiamente racionando alimentos, mas sob a influência de Katrina, Peanutbutter decide tomar a liderança e faz com que o povo prenda a marmota no ventilador do teto, libera a comida para todos, mas quando chega em 7 dias está todo mundo desesperado, Zach Braff continua querendo validar o ticket de estacionamento e Jessica Biel finalmente tem sua chance de queimar alguém (o próprio Zach Braff), instaurando a adoração ao fogo hahaha. Enquanto isso, Princess Carolyn, que tinha ido usar o banheiro na casa da piscina, junto com Todd, que morava na casa da piscina e tinha descoberto que o banho era sua festa, encontram uma colônia de super formigas. Carolyn ajuda a mediar uma negociação com a rainha (voz do RuPaul! hahaha), para que elas tenham seus desejos sexuais satisfeitos; quando a rainha fica sabendo das pessoas de Beverly Hills no subsolo, ela decide com sua força tarefa expulsar esses intrusos. De volta aos escombros, antes de botar fogo no Mr. Peanutbutter, BoJack e Diane que estiveram todo o tempo bebendo tudo que existia lá – e divagando sobre a vida, como sempre – acertam um cano e encontram água, o que não é exatamente bom, porque vai subindo, estão quase para se afogar, quando finalmente chegam as formigas para salvar.

S04E08 – O juiz (The Judge)

Para devolver o bebê boneco, Felicity Huffman tinha feito BoJack prometer que ia aparecer no seu show; como eles usam apenas as iniciais, BoJack achava que seu personagem de “juiz” ia ser em um âmbito policial, mas é para julgar as melhores bundas! Ele tem muitas horas para gravar, alguém pergunta se Hollyhock não deveria estar na escola, mas ela se adiantou e pode tirar esse tempo, acaba saindo com o estagiário, e BoJack não acredita que o cara tenha boas intenções, fazendo a garota acreditar que ele não a acha bonita o suficiente. Sem ter onde morar, Mr. Peanutbutter e Diane estão em um hotel, e ele decide sair da corrida política dando apoio a Woodchuck; procura Todd para ter mais alguma ideia mirabolante e eles decidem “criar” palhaços/dentistas – “os adultos não gostam de palhaços, se as crianças não adoram, por que existiriam?” hehehe; e Diane só fica nas massagens, mesmo para dar conselhos a BoJack. Princess Carolyn vai passar alguns dias de feriado com Ralph e a família, incluindo Stefani do Croosh, mas ela não pode dizer ainda que está grávida – e logo que chega já a bombardeiam com coisas proibidas para grávidas: beber álcool, fumar, café super cafeinado, montanha russa proibida para crianças pequenas e grávidas! hahaha O pior é o festival celebrado pela família que é toda de ratos, encenando com tiaras de orelhas de gato para ridicularizarem os felinos; mas antes de irem embora, Ralph a defende e conta para a família que é um caso sério e terão um filho. Tendo fraturado as mãos, Woodchuck acaba com pés de gorila e depois pinças de lagosta para substituí-las, e acaba concordando com a ajuda de Peanutbutter para sua campanha, já que Jessica Biel decidiu se candidatar… No final das contas, depois de fazer uma das candidatas ter sexo com um assistente errado, BoJack estava certo sobre o estagiário que não perderia a oportunidade de deixar Hollyhock de lado se tivesse algo a ganhar, só que estar certo neste caso não o faz se sentir melhor, com a garota mudando de canal na TV sem parar e ordenando moedas.

S04E09 – Ruthie

A tataraneta da Princesa Carolyn (voz da Kristen Bell!) está no futuro fazendo uma apresentação sobre alguém da família que admira, começando a contar sobre o dia terrível de Carolyn. De manhã, quebra seu colar precioso, que ela acreditava ter passado por gerações de sua família através de muitas dificuldades (com uma outra forma de animação para a família de gatos cantando canções do velho continente!). Ela o deixa para conserto e descobre que na verdade era uma bijuteria barata dos anos 60. Neste dia também descobre que o eficiente assistente Judah não a consultou para recusar uma oferta do sapo desengonçado Charlie, sobre uma fusão da sua agência, e ao final da noite acaba demitindo o rapaz de coque. Vai ao médico e descobre que sofreu aborto espontâneo, não quer contar ao Ralph no restaurante porque estavam tão felizes… – e o chefe falando que pensava que o vinho tinha se popularizado pelos italianos, não pela Kerry Washington, para então receber várias Careys, Mulligan e aquela cujo primeiro nome é Mariah!. Mas acaba não voltando para a casa de Ralph (estilo oriental, gostei!) e encontra um badauê no apartamento, com Todd e os palhaços-dentistas, discutindo depois com Ralph, que queria ver outras opções, depois de ela comentar que já foram 5 abortos, e acaba por dispensá-lo. Quando BoJack liga mais tarde, ela lhe conta o que gosta de imaginar quando tem um dia ruim…

S04E10 – Adorando a Califórnia! (lovin that cali lifestyle!!)

O episódio começa com o final da corrida para governador, em que as pesquisas mostram que por detalhes ridículos um ou outro candidato toma a liderança: primeiro são contra as mãos falsas de Woodchuck, depois contra porque as novas mãos pertenciam a um pedófilo e assassino, mas quando Stefani pede para Diane um artigo no blog sobre coisas femininas da primeira governadora na história, é porque Jessica diz que odeia abacate ao pedir um “avocado toast” (sem torrada e sem abacate) que ela perde as eleições. Aliás, um dos entrevistados está na frente do “Parrotmount studio” ;) Princess Carolyn recebe um aspirante a roteirista, Flip (voz do Rami Malek!), e ele tem a sorte de seu projeto se chamar Philbert, o nome que ela daria para seu bebê; mas como ela anda muito bêbada para os negócios, Todd a ajuda com o grupo de palhaços, que fazem vários malabarismos para ela conversar com Turtletaub, que sugere vincular uma estrela, e mais especificamente, BoJack, para quem ela insistia em dizer que não trabalhava mais, mas falsifica a assinatura. Todd ainda tem que fazer uma bela apresentação para Yolanda, inspetora que pode desmantelar seu negócio; como ela não gosta (é um público difícil), Todd vai soltar seus palhaços no bosque perto de um hospício e escola… Já BoJack leva um grande susto com Hollyhock indo parar no hospital; finalmente conhecemos os 8 pais dela, cada um com um estilo louco diferente, todos sem querer deixar o cavalo vê-la novamente; o diagnóstico foi overdose e ele não entende como pode não ter percebido; voltando para sua casa percebe que foi o café que a mãe Beatrice sempre oferecia, ela estava colocando remédio para emagrecer… BoJack dá um basta nessa história de ela fingir que não lembra de nada, leva a mãe para uma espelunca de asilo, cuja única janela dá de frente para um lixão.

S04E11 – Viagem no tempo (Time’s arrow)

O ponteiro do relógio não para, não vai para trás, só marcha para a frente? Bem, no caso da memória e dos sentimentos da mãe de BoJack, na verdade tudo se mistura para nós espectadores descobrirmos algumas coisas a mais… quando Beatrice era criança, ela sofreu com outras meninas zombando dela e até o pai dizia que ela era gorda (daí entendemos por que ela colocava emagrecedor no café?); ela era erudita, estudada, sempre lendo, e por isso um baile de debutante não era charmoso para ela, nem um casamento apropriado cuja parceira seu pai (voz do Matthew Broderick) gostaria: açúcar Sugarman e creme Creamerman… nesse baile ela conhece Butterscotch, com papo de admiração pela geração Beat, sonhos de ele se tornar escritor, quando ela engravida os dois se casam, mas ele acaba tendo que aceitar um emprego com o pai de Beatrice para se manterem; aquele romance ele nunca termina, mas acaba engravidando a empregada – Henrietta, que aparece com o rosto todos riscado, assim como alguns rostos não importantes estão todos apagados. Ótima a sequência que traz em paralelo Beatrice ainda criança perdendo os livros pela escarlatina e o “seu bebê” no fogo, o nascimento de BoJack e enquanto Henrietta tem sua filha égua (e aqui nós descobrimos finalmente a relação real entre BoJack e Hollyhock!) que elas tinham acordado que será dada para adoção, para que Henrietta termine os estudos e tenha uma boa vida, diferente do que aconteceu com Beatrice. Voltando à realidade, Beatrice tem um segundo de lucidez, mas BoJack tem palavras bonitas para que ela se sinta bem num cenário imaginário.

S04E12 – Que horas são? (What time is it right now)

Princess Carolyn e Flip vão apresentar seu projeto para ganhar o patrocínio do website que diz as horas (pra que existiria isso? Bem, nesta série poderíamos fazer essa pergunta repetidas vezes, mas sempre aceitamos, por que nada seria louco demais para Hollywoo), e eles definitivamente só aceitarão se tiver BoJack. Diane e Mr. Peanutbutter veem uma nova casa com óculos 3D e se movem como se fosse real, mas quando decidem por uma casa para o resto da vida deles, Peanutbutter tem vontade de viajar e decidem ir para o Havaí; porém a famosa ponte está super congestionada e eles acabam ficando numa pousada na beira da estrada, Peanutbutter fica sabendo que Diane sempre quis ter um “Belle room” (que não é uma sala cheia de sinos, mas a biblioteca de A bela e a fera **** óinn, eu também!); acaba indo tirar “shellfies” pois ele é uma celebridade debaixo d’água também, como vimos em outro episódio, e quando voltam para casa, a reação de Diane ao Belle Room que ele construiu não é a esperada; ela compara seu casamento com os quadros de ilusão de ótica, e que está cansada de procurar a imagem perfeita que existe por trás. Todd convence Yolanda de que precisam tornar aquilo dos palhaços raivosos na floresta algo melhor; primeiro tentam armadilhas, mas tem que correr pelas suas vidas – e o bosque se torna então um espaço para quem quer se exercitar correndo de verdade, com direito a vacina antirrábica; Yolanda revela que também é assexual e por isso está chamando Todd para sair. BoJack vai até a casa dos 8 pais de Hollyhock e lhes conta sua saga até descobrir a mãe verdadeira de Hollyhock; tudo começa com Matthew Perry (sim, o Chandler de Friends aparentemente fez uma lista em um episódio do SNL) no comentário da Hollyhock, ao escrever a carta para a pessoa registrada como quem lhe entregou para adoção, e essa carta acabou retornando para a casa do BoJack, no nome de Beatrice; BoJack foi até o cartório, mas Hollyhock não tinha nascido em Los Angeles, e sim em San Francisco, endereço anterior de Beatrice, e lá encontra dados sobre Henrietta, procurando no Facebook consegue o número dela (há!) e os pais de Hollyhock aceitam dar essa informação para a filha, falando no idioma de pais. Antes de resolver a corrida dos palhaços, Todd tinha amarrado Princess Carolyn para uma conversa motivacional, e ela percebe que tem que enfrentar seus desafios, que ela pode fazer tudo, inclusive criar um filho sozinha; e ela vai até BoJack, assume que pisou na bola, mas ele não pestaneja e aceita fazer o papel na série Philbert sem problemas. BoJack recebe uma ligação de Hollyhock que o agradece por achar a mãe dela, conversam (“Jared Leto das frutas”!?) e o conforta pois se não precisava de mais um pai, um irmão ela nunca teve.

 

Oscar 2020 – meus votos e comentários (e pela primeira vez, o que tem a ver com as chuvas em São Paulo)

Obs.: este post foi atualizado dia 12, após a festa do 92nd Academy Awards dia 09 de fevereiro. As atualizações, como quem levou mesmo o prêmio da noite, estão em laranja.

Este ano está realmente sendo atípico na minha anual dedicação ao Oscar (vide aqui o post com quase todos os detalhes pessoais que venho passando nas últimas semanas, caso lhe interesse).

Tenho visto mais TV também, então não sei como foi nos últimos anos, mas me parece que a Globo tem feito muito mais cobertura, orgulhosamente divulgando que vai passar a cerimônia inteira, desde o tapete vermelho… no seu canal pago, é claro. Sim, parece até que ouviram minha reclamação de anos atrás e respondem “tá vendo?” Claro que pro espectador comum, só com TV aberta, o negócio ficou ainda pior: além do BBB ainda terão que esperar o jogo de futebol – será que vão passar só o prêmio de melhor filme? Atualização: parece que teve uns momentos em que a Globo teve probleminhas técnicos, mas depois que terminou a transmissão ao vivo reprisaram todos os prêmios (lá pelas 2 da manhã), melhor que nada, né?

Fora isso, este ano eu até vi quem ganhou os BAFTA! E não é que descobri um gosto parecido com o dos britânicos? Mesmo sendo um chute, concordamos no voto pra melhor curta documentário! E também maquiagem, roteiro original e, pasmem, longa de animação! Sem falar que eu nunca comentei aqui, mas acho um luxo uma premiação que sempre conta com um príncipe entre a plateia de convidados.

Aproveitando, vamos relembrar como é a brincadeira por aqui: neste post eu imagino como se eu fosse da academia, qual voto eu daria – não é a aposta, o que acho que vai ganhar, mas o voto que eu gostaria de dar. Meu voto está em azul, com asterisco na frente. Se bem que, ouvi falar que somente a categoria de melhor filme é que ganha votos de todos, as outras são votadas pela sua própria “classe”. E todo ano eu acabo chutando em algumas categorias – porque não consegui ver as produções em si; isso acontece principalmente com os curtas. Nesses casos, o que faço é pelo menos ler as sinopses, ver um trailer talvez, e daí penso qual o filme que me interessou mais e eu gostaria de ver. Este ano até que temos muitas opções disponíveis em streaming, mas os curtas live action não deu mesmo para conferir. Além disso, o voto para melhor filme, pelo que sei, se dá também assim, dando nota de 0 a 10.

Este ano eu vou tentar algo a mais. Como não consegui dar um post para cada filme específico em separado, vou acrescentar aqui neste post mais comentários, conforme vemos cada categoria. E, claro, como tenho feito nos últimos anos, hoje à noite acompanho alguns pelo twitter enquanto rola a festa.

Então vamos lá, começando pelas categorias cujos filmes não consigo ver todos.

Melhor filme não falado em inglês

Este ano não tem para mais ninguém, não é mesmo? Parasita foi o filme internacional do ano. Como já aconteceu no passado, ele também foi indicado a melhor filme, mas não devem dar e devem premiá-lo como filme estrangeiro, embora dê uma vontadezinha na gente de dar para o Almodóvar que entrega a si mesmo em Dor e Glória, não é? Sim, eu também concordo que o filme é inesperadamente envolvente, não só porque ganhou Cannes (alguns dizem até que é superestimado). A trama de uma família de classe mais baixa que vai se infiltrando no lar de uma família rica por diversas artimanhas é um retrato e uma crítica social, ao mesmo tempo em que tem suspense e mortes, gera risadas com situações bem montadas – seja explorando a relação patrão/empregado, a criatividade dos membros da família, a ingenuidade de uma mãe meio alienada da sociedade real, ou a própria luta, até física, entre diferentes da mesma classe, mas que buscam cada um suas vantagens. Tem metáforas suficientes, como o “cheiro do povo que anda de metrô”, mas a grande sacada é deixada para o espectador perceber: que um parasita suga o que o hospedeiro pode oferecer – mas para alguém ser rico, depende de explorar outros, quem seria o hospedeiro então?; e por isso o título do filme funciona tão bem. Meu voto é dele, e minha aposta de quem leva também.

Boze Cialo          

Dor e Glória

Honeyland

Os Miseráveis

*Parasita – este primeiro a gente já tava esperando. Mas ninguém podia prever o que viria ainda pela frente…

 

Melhor curta em live action

Esta é sempre uma categoria em que chuto, porque honestamente eu não tenho meios de encontrar todos os curtas por aí. Lendo a sinopse, pareceu até interessante ver este, sobre um grupo de crianças que jogam futebol e o tráfico (algo meio Breaking Bad?). Porém, deve levar Saria.

Brotherhood    

*Nefta Football Club    

Saria     

The Neighbors’ Window  – a trama me pareceu beber muito de Janela Indiscreta (1954) ****, mas tá valendo, né?           

Une soeur

 

Melhor curta de documentário

Desta categoria também, é muito difícil eu encontrar geralmente para ver. Mas me pareceu uma premissa interessante as garotinhas do Afeganistão querendo aprender a andar de skate, um tema inusitado, que bem desenvolvido dá para mostrar muita coisa, eu acho.

A Vida em Mim               

In the Absence

*Learning to Skateboard in a Warzone (If You’re a Girl) – yey! Acertei esse chute, hein.

St. Louis Superman

Walk Run Cha-Cha      

 

Melhor documentário

Outra categoria em que quase sempre vejo apenas um ou outro título. Este ano a graça é a polêmica gerada aqui no nosso país, com a indicação da brasileira Petra Costa e seu Democracia em Vertigem, as diversas repercussões, na mídia, entre pessoas de influência, figuras públicas ou não. Eu não vou dar meu pitaco no que já tá aí e não tem jeito (sim, vocês podem interpretar isso como o próprio governo atual, o anterior, ou o próprio filme, deixo a critério, porque nem faz diferença mesmo); e pelo menos o propósito do filme se cumpriu: as pessoas estão vendo, estão falando dele. Me deu vontade de ver outro na Netflix, comparando o modo de trabalhar dos chineses com o dos norte-americanos, Indústria Americana. Mas acho que eu gostaria ainda mais de ver Honeyland, por poder conhecer uma realidade completamente diferente, e parece ter não só imagens belas, mas muito mais incluso. Ganhou Sundance, o que não significa muito para o Oscar, mas deve levar porque também foi indicado a melhor filme estrangeiro, e nós já sabemos quem leva este ano, certo?

Democracia em Vertigem          

For Sama            

*Honeyland

Indústria Americana – produzido pelo casal Obama, como disse acima, parecia interessante, dá pra ver no Netflix.

The Cave

 

Melhor curta de animação

Eu consegui assistir a três deles este ano!  Geralmente, no Anima Mundi, festival de animação que acontece lá por julho em São Paulo e no Rio, sempre dá para conferir alguns curtas indicados. Hair Love é sobre uma garotinha que deseja fazer um penteado afro como sua mãe fazia, uma graça por trazer um pouco do tema diversidade sem forçar, mas na relação do pai e da filha que perdeu a mãe. Kitbull me deixou triste ao ver o cãozinho ser maltratado (e saber que existe isso na vida real, o que é muita ignorância, porque os bichos não entendem nada); vemos um pitbull e um gatinho que fazem amizade, os dois são “marginalizados”, e o próprio gatinho no início tem um “preconceito” até perceber que mesmo sendo bem diferentes eles têm almas em comum – um tema que também ressoa muito para os dias atuais, certo? Eu torço para eles, mas por que meu voto vai para Mémorable? É o vencedor do festival de Annecy, e é visualmente fantástico, misturando várias estéticas e artes para traduzir as sensações e falar da questão da perda de memória… também é emocionante, mas de um jeito mais criativo e impressiona a cada momento que passa, por isso meu voto é dele.

Dcera   

Hair Love – é todo o negócio da inclusão, e empoderamento, tal. Mencionaram Kobe Bryant (que tinha ganhado um Oscar já, também, lembram?), e o Spike Lee também homenageou no terno roxo escolhido para a noite.           

Kitbull  

*Mémorable    

Sister

 

Melhor longa metragem de animação

Ah, as animações! Pelo pouco tempo que fiz o curso de audiovisual, eu pude perceber que é uma das coisas que eu mais gosto, e talvez devesse ter seguido com o curso de desenho aos 11 anos, e depois quem sabe poderia ir parar lá em algum dos grandes estúdios – talvez mesmo no Canadá? Bem, divagações à parte, Annecy escolheu Perdi meu corpo e, sim, eu também concordo que a narrativa em si já é bem chamativa: uma mão que vaga e busca encontrar seu dono. Isso é bem inventivo, e como pessoa que sempre gostou de desenhos animados, o divertido desse meio é realmente dar uma vida diferente a algo inanimado, trabalhando a arte como um live action não conseguiria fazer com tanta destreza ou prazer. Nós ficamos tensos quando se aproxima o momento que sabemos em que vai ter a separação da mão, e acompanhamos os flashbacks enquanto o dono da mão se apaixona pela garota da biblioteca para quem tinha ido entregar pizza e foi gentil, dedicando-lhe algumas palavras numa noite de chuva – hoje em dia, é muito raro fazermos amizades do nada? A mudança do rapaz, que decide se dedicar a algo, até o ponto de pular para mudar seu destino, engaja o espectador. Mas é meio triste, melancólico, e talvez os votantes prefiram mesmo a boa e consagrada técnica da Pixar/Disney? Além da alegria emocionante do seu Toy Story 4. E não é que, apesar de parecer ter chegado a um fim decente as aventuras da turminha de brinquedos no último filme, eles realmente acharam bons motivos para fazer uma continuação? A questão existencial de Woody, de servir à sua criança, pode fazer com que nós mesmos repensemos – o que achamos ser nosso propósito de vida pode mudar, a vida e as circunstâncias mudam. E no caminho podemos encontrar outros jeitos excitantes de levar a existência. Novos personagens incluídos aí, eu gostei bastante daquele dublado por Keanu Reeves, o Caboom do Canadá, é bem engraçado, “posso fazer de olhos fechados!”. E o Forky? É um brinquedo criado, que a princípio ainda luta com sua própria constituição, se achando um lixo – ei, eu poderia fazer posts e mais posts com as metáforas incluídas nos filmes da Disney, mas vamos parar por aqui. Também poderíamos falar das referências – encontraram personagem de curta da Pixar naquela festa dos brinquedos? É claro! Mas só comento que realmente torci para o Woody ficar com seu amor, a versão repaginada da Bo, bem atual, mulher forte e independente, como a Furiosa do Mad Max 4. Se eu não acho que merece um Oscar? Merece, mas meu voto vai para Klaus para dar uma chancezinha para outras produções, né… É um desenho animado sem tanta técnica e qualidade mais simples do que os da Disney, mas eu me surpreendi em como gostei. Tratando a figura do Papai Noel de um jeito mais humano, foi sim bem legal ver o filho riquinho de um super serviço de correios ir parar nos confins do mundo e ter problemas para entregar cartas, até que descobre um jeito de fazer as crianças escreverem cartas, para ganhar brinquedos. É engraçado como isso se desenvolve, na verdade é ele que entra pelas chaminés, e depois é que surge a história de ser bom, com as crianças se esforçando então para fazer boas ações. Na cidade em que há uma rixa e guerra, o velho isolado na floresta encontra mais sentido em seus brinquedos, ao passo em que as pessoas vão se reconciliando, com uma boa ação gerando outra – e essa foi a mensagem que mais gostei dentre todas as animações. Depende disso, de você ter a iniciativa de fazer algo, pelas ações, para gerar o bem no final, mesmo que existam muitas dificuldades no caminho. Não é uma solução mágica, pode simplesmente ser uma professora ressentida que redescobre a alegria de ensinar. Meu voto vai para Klaus por motivos pessoais, sim.

Como Treinar o Seu Dragão 3   

*Klaus 

Link Perdido     

Perdi Meu Corpo

Toy Story 4 – não que não fosse bom, como comentei. Mas me parece também que a Disney tem muito a ver por trás de todo o Oscar e isso poderia justificar preterir alguns? hmmm…

 

Melhores efeitos visuais

Vamos agora para algumas categorias mais técnicas? Desde que eu era criança, sempre gostava de “filmes de aventura” (abrangendo também os de ficção científica nisso), por isso eu adorava os efeitos especiais. Este ano meu voto vai para O Rei Leão simplesmente porque só foi indicado a isso, e reproduzir toda a natureza e as personalidades dos animais, além de adaptar competentemente um dos desenhos que mais marcou infâncias por aí da Disney, não é tarefa fácil; mas como Jon Favreau já tinha feito essa façanha com Mogli, o menino lobo… não deve levar. Eu, particularmente, não gosto muito da confusão de efeitos computadorizados que acontecem em muitas produções de ação, mas é realmente um trabalho hercúleo de uma equipe enorme, então talvez seja Vingadores: Ultimato ?

1917

O Irlandês

*O Rei Leão      

Star Wars: A Ascensão Skywalker

Vingadores: Ultimato

 

Melhor edição de som (ou efeitos sonoros?)

Criar os efeitos de corridas e acidentes explosivos; tiros em meio ao caos e um batalhão (literalmente); sons da cidade e ênfase certa entre as muitas risadas criadas pelo ator para o personagem vilão; ou aqueles conhecidos efeitos de naves e lutas pelo espaço; ou os sons de sets de filmagem, de estrada, de tiros perdidos? Honestamente, eu sou bem leiga em relação a som, meu voto vai pelo filme que tem algo que gostei, mas não tem chances em outras categorias. Pelo menos uma cena que não esquecerei: a corrida demonstrada para o chefão da Ford, que cai em prantos quando o carro finalmente para… Quem deve levar na real? 1917, se decidirem dar todos os prêmios possíveis pra ele, o que aconteceu muito na história dos oscares…

1917     

Coringa               

Era Uma Vez em… Hollywood  

*Ford vs Ferrari – opa, às vezes eu até penso igual aos votantes?             

Star Wars: A Ascensão Skywalker

 

Melhor mixagem de som

Misturar a trilha sonora com os efeitos especiais, num trabalho que, se for bom, o espectador nem perceberá que está sendo levado por isso. Na minha opinião mera, 1917, com os instantes em que quer ser grandioso, não me apetece, mas deve levar. Filmes com temática no espaço também costumam se dar bem nesta categoria, mas meu voto acaba sendo para o show de expressões diversas, inclusive às vezes sem sabermos o que é sonho, que é Coringa.

1917 – falei que devia levar…     

Ad Astra: Rumo às Estrelas        

*Coringa

Era Uma Vez em… Hollywood  

Ford vs Ferrari  

 

Melhor canção original (música composta para o filme)

Eu não vi nem o candidato do meu voto, mas como não teve outras indicações, e trata-se de um filme que trata de música (ou um músico em particular), é esse meu voto.

Frozen II             

Harriet 

*Rocketman – é claro! Nada melhor que ver Elton John por ali (e o after party dele parece bem interessante também, com direito a brasileiros no meio pra se mostrar)    

Superação: O Milagre da Fé      

Toy Story 4 

 

Melhor trilha sonora (música composta para o filme)

Mais uma vez, eu gostaria de ter re-ouvido as trilhas para poder votar, mas acredito que meu voto também é o que a academia deve escolher.

1917     

Adoráveis Mulheres     

*Coringa – Hildur Guonadottir já vinha ganhando reconhecimento, e parece ser tão meiga!           

História de um Casamento        

Star Wars: A Ascensão Skywalker

 

Melhor maquiagem e cabelo

Até pensei que O irlandês ia ser indicado, quando percebi que o envelhecimento/rejuvenescimento deles tem mais a ver com os efeitos especiais. Bem, meu voto vai principalmente pelo trabalho com John Lithgow, que se autodenomina Jabba the Hutt, transformando-se para ser um cara meio asqueroso, a figura inimiga dentro da trama que também é sinal dos tempos: das mulheres que não vão mais se calar diante de assédio sexual ou até simples machismo, que por anos dominou vários locais de trabalho, e se torna ainda mais explosivo retratado na mídia e incluindo um atual presidente… 

1917     

Coringa               

Judy: Muito Além do Arco-Íris

Malévola: Dona do Mal               

*O Escândalo – e apareceu mais foi a Charlize Theron transformada, haha.

 

Melhor figurino

Os diversos vestidos para as nossas Adoráveis Mulheres devem levar? Mas até que me deixei encantar pelo trabalho com os uniformes e as roupas doces da mamãe em Jojo Rabbit, sem falar no tal capitão que desenha seu próprio figurino homenageando a categoria ;)

Adoráveis Mulheres – eu meio que tinha cantado a bola (se eu tivesse feito bolão!) Mas a figurinista que gostei de ver neste ano foi a mãe do Keanu Reeves! Muito lindo os dois.     

Coringa               

Era Uma Vez em… Hollywood

*Jojo Rabbit     

O Irlandês

 

Melhor desenho de produção (conhecida também como direção de arte)

Ai, ai, sempre fico em dúvida aqui. Porque vejam, acho fantástico reconstituir uma época de Hollywood, com todos os itens que devem ter marcado a infância do próprio diretor. E imaginem então quando um filme cobre décadas? Mostrar em imagens, nos cenários e itens de cena… meu voto foi quase para O irlandês. Só que construir ruínas, algumas com seus pontos certos de luz e explosões, armas e armamentos , locais abandonados, cerejeiras, estradas de lama, além dos vários mortos, os corredores dos soldados e as tendas de socorro… bem trabalhoso, não?

*1917   

Era Uma Vez em… Hollywood – ok, ok.  

Jojo Rabbit

O Irlandês

Parasita

 

Melhor montagem (ou edição do filme)

Como ordenar o material que temos, aproveitando a melhor tomada, misturando com os sons, levando o olhar e as sensações, os sentimentos, naquele timing pontual, às vezes com estilo imprevisto ou rimas visuais, de modo que em algum momento o espectador chega a se perguntar o que é real ou não, torcer ou não por algo, compreender melhor ou não motivações e o desenrolar dos acontecimentos… Não sei quem leva, mas pensando assim, meu voto é Coringa este ano.

Ford vs Ferrari – algum dos comentaristas até falou que é preciso muita minúcia para acertar o tempo entre a corrida, os carros, os closes dos personagens. Ok.

*Coringa

Parasita

O Irlandês

Jojo Rabbit

 

Melhor fotografia

Luzes e tonalidades… eu não vi O Farol, e capaz de ter votado nele caso tivesse. Os outros candidatos também são muito bons, escolha difícil.

*1917 – depois fiquei sabendo que Roger Deakins era o favoritasso da noite mesmo!   

Coringa               

Era Uma Vez em… Hollywood  

O Farol

O Irlandês

 

Melhor roteiro original

Dizem que nestas categorias técnicas, quem vota são apenas os da categoria em si (ou seja: roteiristas votam nos roteiros), e eu sempre imaginei que entraria para a academia por ser roteirista… mas muitas vezes a academia discorda da minha escolha, então creio que leve mesmo o Tarantino – e eu não reclamo, porque gosto bastante de Era Uma Vez em… Hollywood, e da reinvenção da história real para um “final feliz”, misturando os personagens reais com os fictícios. Porém, realmente achei muito bem feito o trabalho de Parasita, porque nós vamos acompanhando aqueles personagens e nos surpreendemos a cada virada, e entendemos o lado de cada um dos personagens, sem ter que analisar muito tempo cada um, está ali na cara, no diálogo, na cena.

1917     

Entre Facas e Segredos               

Era Uma Vez em… Hollywood

História de um Casamento        

*Parasita – eba! Aqui a gente já se empolgou!           

 

Melhor roteiro adaptado

Bem que eu gostei da brincadeira de Greta Gerwig como se todas as comédias românticas tivessem um manual, e o destino das personagens femininas da época de sua escritora ser previsível e ela ter que “vendê-las” de qualquer modo. É uma atualização agradável de um clássico da literatura que já ganhou várias outras versões para a tela. Mas eu fui pega de surpresa por Jojo Rabbit, não imaginava que ia gostar tanto, com as tiradas engraçadas bem posicionadas, apesar de esse lado cômico e leva gerar certa controvérsia com o tema escolhido. A adaptação de um texto para ser transposto para a tela deve considerar muita coisa que fica de fora e o que vai funcionar em audiovisual, e por isso eu acabo escolhendo este trabalho, parece que escolheram a dedo e coube quase tudo certinho ali.

Adoráveis Mulheres     

Coringa               

Dois Papas         

*Jojo Rabbit – eu fiquei contente, e olha que nem tinha visto os prêmios das guildas.

O Irlandês

 

Melhor ator coadjuvante

Ai, os grandes atores… a nossa vontade é sempre de dar prêmios para eles, porque eles são bons mesmo, não é? Absolutamente adoro Tom Hanks, os dois atores de Dois Papas parecem ter encarnado seus personagens belissimamente, e Al Pacino, a gente nem precisa mais comentar. Pessoalmente, eu daria meu voto para Joe Pesci, porque bem diferente de Os bons companheiros, com uma serenidade incrível ele também me deu um medo incrível… Mas deve levar Brad Pitt – e por que não, não é mesmo? Vamos fazer um agrado à Hollywood, no que Brad representa; sabendo que ele já fez muitos bons trabalhos, seja como ator ou produtor, eu também não fico triste em deixar o “rapaz” levar seu primeiro Oscar de atuação.

Al Pacino            

Anthony Hopkins           

Brad Pitt – barbada, né. Falei “rapaz” acima porque vejam só a idade dos outros candidatos, hein! Gostei que ele mencionou os filhos pelo menos neste prêmio (e não o Tinder)            

*Joe Pesci  (adendo: nem Hopkins nem ele compareceram, mas ele já disse tudo quando ganhou: “foi um privilégio, obrigado”.       

Tom Hanks        

 

Melhor atriz coadjuvante

Vocês até já sabem qual o clipe para a candidata favorita devem mostrar, não é? Sim, aquela fala sobre Deus e a mulher… Laura Dern é praticamente aposta acertada. Florence Pugh foi uma surpresa pra mim entre as indicadas, está bem, mas não tudo isso. E Margot Robbie tem aquele carisma dela natural, mas realmente sentimos o desconforto da sua personagem misturado à humilhação e sentimento de culpa e impotência, na cena em que é “entrevistada” pelo chefão do canal de TV onde era seu sonho trabalhar. No entanto, meu voto vai para Scarlett, que já fez alguns bons trabalhos no cinema e vai me deixar marcada com seu amor de mãe, e aquela cena em que parece se enfurecer que o filho pede pelo pai, para no segundo seguinte nos surpreender incorporando o pai com uma jaqueta e uma sujeira de carvão no rosto. Sim, outro voto bem pessoal. Acabei de ter uma filha e ando muito emotiva, me deixem.

Florence Pugh 

Kathy Bates      

Laura Dern – como não podia deixar de ser, mas eu escolheria outro vestido se tivesse a certeza de que seria minha noite.       

Margot Robbie

*Scarlett Johansson

 

Melhor ator (principal)

Pois é, pois é, pois é. A primeira cena que vi de Era uma vez em… Hollywood foi aquela em que Rick Dalton ouve uma garotinha elogiá-lo pela atuação e ele se emociona – e isso foi o suficiente para saber que eu ia gostar muito daquele filme, embora no geral ele lidasse com outros temas. Apesar de sempre torcer pelo DiCaprio, ele já ficou feliz com o dele e nem preciso mais torcer. Na verdade, eu torceria para o Antonio Banderas, porque, né, primeira indicação, e ele também já trabalhou em muita coisa! Já o Adam Driver, embora esteja muito bem, até cantou, ainda tem quilometragem para rodar na indústria. Mas não vai ter jeito, este é um daqueles anos em que sabemos quem tem que levar. O trabalho físico, de voz, de trejeitos, que passa a imagem de um homem realmente triste, realmente atormentado, realmente sonhador, até a sua descida aos infernos e assumindo de vez os pormenores do vilão que o público já conhece tão bem. Impressionou a todos e vai ser isso mesmo.

Adam Driver     

Antonio Banderas          

*Joaquin Phoenix – e assim foi, um discurso intenso (falando de egoísmo humano, redenção, novas chances), mas ele com aquele tique mordendo a própria mão me deu certa aflição. Adorei que foi com a namorada Rooney Mara comer hambúrguer vegano depois!          

Jonathan Pryce               

Leonardo DiCaprio         

 

Melhor atriz (protagonista)

Pois é, né. Charlize Theron mal dá pra reconhecer que é ela, e firme, nos faz acreditar nesse personagem. Eu não vi Harriet, então não posso votar em Cynthia Erivo. Saoirse (cujo nome aprendi a pronunciar só recentemente) está bem altiva, mas ainda não é sua vez, apesar de já ter sido indicada tantas vezes, não obstante sua idade. Johansson está muito bem também, conseguindo chorar em cena (piscadela!) e ganha nossa simpatia, no que poderia ter se tornado um personagem abominado pelo público. Mas não vai ter jeito, todo mundo já sabe quem leva, e realmente Renée se dedica de corpo todo à sua versão de Judy Garland. Eu não gosto muito do filme, me parece que muitas coisas estão incorretas ali, mas na interpretação, seja no palco, seja no cansaço pela insônia e pelas restrições desde a infância que somos relembrados pelos flashbacks, nós sentimos por Judy e queremos cantar junto com ela uma canção de esperança no final.

Charlize Theron              

Cynthia Erivo    

*Renée Zellweger – pelo menos as categorias de atores vocês acertaram nas suas apostas, certo?         

Saoirse Ronan

Scarlett Johansson

 

Melhor direção

O diretor é o maestro das cenas, não? Imaginem só orquestrar várias coisas na tela para termos a experiência de determinado filme. O curioso deste ano é que Todd Phillips nem parece ser diretor de comédias, hein? (igual ao Taika Waititi nem parece ser diretor dos filmes do Thor…) Mas Sam Mendes traz um projeto que tem algo de pessoal, inspirado no avô. E o Oscar sempre tem algum filme de guerra entre seus indicados, não é à toa, são filmes grandes já em sua proposta. Todos os candidatos deste ano tiveram que coordenar cenas caóticas, e estão de parabéns com o resultado, mas fica na minha memória aquela perseguição labiríntica entre as ruínas na escuridão. Embora eu ache que ele tenha usado demais o truque de focar em um personagem para depois abrir a tela para o que está ao redor, considero sua intenção de plano sequência, e não é à toa que Sam Mendes tem levado todos desta temporada de prêmios; aqui eu dou a mão à palmatória.

Bong Joon Ho – whaat!? eles realmente conseguiram fazer isso? Foi a minha primeira reação. Eu lembro do Roberto Benigni subindo nas poltronas, mas Bong Joon Ho nos proporcionou o melhor momento da noite: super humilde, agradecendo às pessoas que o inspiraram e fazendo todo o teatro se levantar de pé homenageando Martin Scorsese.  

Martin Scorsese             

Quentin Tarantino         

*Sam Mendes 

Todd Phillips

 

Melhor filme

Aqui, ordenados pelas minhas notas: 1 para o que gostei menos, 9 para o que seria meu melhor voto. Quem deve levar, se a academia não fizer aquelas contas loucas de um mediano que acaba ganhando, provavelmente será 1917. Não é interessante que um casal esteja disputando a estatueta? Greta Gerwig e Noah Baumbach são companheiros, imagino que nenhum dos dois vai levar, mas imagina só ser um casal assim? rs

1) História de um casamento

Acho um ótimo trabalho de atores, que levam a produção. Nós poderíamos só ter dó do pai, mas Scarlett Johansson constrói sua mãe também com carinho e seus próprios motivos. Alan Alda rouba a cena como um advogado mais humano, Laura Dern sabe muito bem das coisas, o embate no tribunal com aquele outro advogado que já tínhamos achado muito incisivo é feio, mas tentar conversar francamente também os leva à exaustão. Alguns momentos são engraçados, mas o que fica é a conformação de que algumas vidas se separam e você tem que lidar com isso como puder, mesmo que lhe pareça injusto – acredito mesmo que esse é o próprio sentimento do diretor.

2) Ford vs Ferrari

Christian Bale é turrão e Matt Damon faz a parte de mediador com uma grande empresa; ambos, brigando no diálogo, no quintal de casa, um decepcionando o outro e depois se redimindo, os dois sendo bons amigos, já valeria contar a história. Mas ainda tem esse desafio louco de uma corrida que dura 24 horas, no início somos bem apresentados à rixa que nasce do bambambam da Ford contra o grande chefão da Ferrari, entendemos como pode ser difícil bater as intenções sinceras com as expectativas empresariais – maniqueizadas na figura do vice que parece sempre estar sabotando a nossa alegria e o talento puro e simples de correr na máxima velocidade. Bem bonita a cena em que o pai explica ao garoto, na pista, aquele momento. Mas mais bonito ainda é o sentimento de não precisar de reconhecimento público, isso é que é gostar da coisa de verdade.

3) 1917

Confesso a vocês que eu nunca fui e nem sou fã de filmes de guerra. Assim como westerns. Eu até assisto, mas não me empolgam nem tocam tanto no coração como outros filmes. Daí, este é bem feito, mas tem tantos filmes de guerra já feitos e acabo não me entusiasmando. A dupla que logo de cara já recebe uma missão impossível, de entregar uma mensagem para um pelotão distante e evitar o massacre de milhares de pessoas, é claro que vai enfrentar medo e tensão para atravessar um campo inimigo supostamente abandonado, o elemento surpresa – um avião que cai, um oficial inimigo perdido, mesmo que bêbado, alguém atirando não sei da onde. Vão ver morte e perda irreparável, o caos com gritos e explosões ao redor, a exaustão extrema, além do cansaço de esforços que um ser humano comum poderia suportar… nada muito novo pra mim. Tecnicamente impressiona. É bom. Mas o que temos mais pra hoje?

4) Adoráveis mulheres

Não assisti às outras versões fílmicas, o que talvez seja bom, livre de comparações. Gosto do retrato de diferentes mulheres em uma época, que também pode ressoar às mulheres atuais. São quatro filhas e uma mãe, o pai foi para a guerra, tem o vizinho rico com seu único herdeiro que se apaixona por uma dessas garotas, mas que o dispensa por acreditar em outro tipo de vida, conservando é uma bela amizade. A personagem principal é Jo, que quer ser escritora, Meg acaba se casando com um professor humilde, Amy já vê mais pragmaticamente um casamento ao ter que admitir que nunca será um grande nome da pintura, Beth é a caçula com talento para o piano e cuja doença traz algumas cenas bonitas e faz renascer a motivação maior de Jo. Com uma direção de arte competente, é até instigante e agradável.

5) Jojo Rabbit

Algumas pessoas podem reclamar que esta leveza pode acabar relativizando, amenizando a importância do nazismo e de Hitler na história, como algo completamente horrível. Mas, oras, eu dispenso essa parte, nós sabemos como cada parte dessa guerra e crenças nazistas são temíveis. E me deixei levar pelo espírito que Taika Waititi quis abordar, numa obra diferenciada. Sim, dei risada sobre como os que tiveram seus cérebros lavados pelos ideais de Hitler viam os judeus, porque hoje já é mais do que óbvio que são descrições impossíveis. Nós temos consciência e por isso mesmo é que o filme fica rico, porque sabemos o quanto tudo é absurdo. Entendemos que o Führer foi venerado por milhares, inclusive no início temos aqueles jovens eufóricos, como se fosse os Beatles alemão (com aquele som de fundo mais que apropriado). Dei risada com as conjecturas do pequeno Yorki, “os japoneses, que cá entre nós não parecem muito arianos”. Sim, o filme ganhou meu coração inesperadamente, até em uma simples esperteza de sempre mostrar a mãe dançando, e os sapatos dela. Gosto da tentativa de mostrar por um olhar diferente, de uma criança; de como Hitler poderia ser um amigo imaginário com seus conselhos, e aos poucos construindo sua relação com Elsa, descobrindo as verdades, e chutando Hitler pra longe no final. Tem um quê de Wes Anderson ou até romantismo de Amélie (2001)****, e isso não compromete para mim, na verdade, me faz gostar mais do que ver outros filmes sérios sobre guerra.  

6) O irlandês

É muuuito longo. Sim, é longo, e difícil para a maioria dos espectadores da atualidade, imagino, que gostam de tudo muito rápido. Só que Scorsese e os atores veteranos aqui (alguns dos melhores da história do cinema, gente!) tem a experiência suficiente para fazer este filme, uma experiência necessária, eu diria, para fazer este filme. Tudo bem, Scorsese já fez muitos filmes de máfia ou gangsteres, filmes com violência, com personagens violentos, por uma questão ou outra. Se antes ele já se enveredara pela ascensão criminosa, já tratou de personagens marginais e depois de personagens poderosos, aqui ele ousa imaginar como seria a aposentadoria para quem trabalhou a vida inteira nesse “ramo”. Vamos acompanhando por décadas o que um simples “motorista” vai vivendo com pessoas de influência, com uma filha que o condena, mas com reconhecimento social – que sequência ótima a festa da entrega do prêmio, não? Os atores respiram e olham no lugar certo; e o susto que levei naquela morte pro final eu nem deveria levar, porque é compreensível a escolha dele. A constatação geral é que nem a família, nem os amigos, nem as conexões, nem os erros, nem as façanhas, nada vai te salvar. Da humanidade. Do fim que todos tem que enfrentar. E isso pode nos levar a refletir: que espécie de vida quero viver? Com quais pessoas ao meu lado? O que realmente quero ter como lembrança, o que de verdade importa? É um filme que trata de tantas coisas, entre elas culpa, remorso, e que pode ir muito além de si mesmo.

7) Coringa

Tudo bem, achei um exagero mostrar duas vezes o nosso personagem principal sendo chutado e maltratado, só começar a projeção com essa cena teria sido suficiente. E nada, concordo, nada das características e acontecimentos, poderia justificar atos impunes, anarquia, prazer com a violência – para uma mente sã. Taí o que talvez eu mais tenha gostado desta versão de um vilão tão popular, de início parecer estar mostrando alguém comum, que poderia estar escondido em qualquer beco por aí, mas ele na verdade não é alguém normal. Tanto que, em muitos momentos nós nos deixamos enganar, acreditando que poderia ser possível ele ter um relacionamento saudável com a vizinha, ou que realmente ele poderia ser filho do magnata candidato a prefeito, ou que ele poderia mesmo se comportar bem por ter recebido a oportunidade que um dia fora o seu sonho, de fazer um standup bem sucedido e participar daquele programa de TV com o apresentador que todos gostam. Nós nos deixamos enganar porque somos espectadores de cinema. E queremos acreditar nessas histórias, nos sonhos. Mas a realidade é essa enorme diferença entre os poderosos, entre o que se quer e o que se consegue, e o que uma mente perturbada consideraria vitória, escolheria? Ser ouvido, ter uma participação, independente dos meios, uma existência significativa, que faz a diferença. Visceral ou impossível por vezes – aquela morte na frente do anão?; e sempre de impacto,  triunfal aquela entrada e a resposta impiedosa ao apresentador vivido por Robert De Niro – e já ouvi falar que dialoga largamente com O Rei da Comédia (1982). 

8) Parasita

Vou fazer um miau aqui, como já comentei ali na categoria de melhor filme estrangeiro, acho que não preciso escrever por aqui… – xenti!!! Primeiro, só percebi hoje que não tinha copiado por aqui o texto para filme estrangeiro… Mais importante que isso… que noite, hein? Aqui, no prêmio final, foi histórico. Nunca, em todos esses anos de premiação, tínhamos visto um filme não falado em inglês ganhar como melhor filme. Conseguiram essa proeza e deixaram todos que acompanhavam a cerimônia boquiabertos, merecendo que a fileira de famosos na frente (Tom Hanks, Charlize etc…) fizessem um “ola”, pedindo para deixarem eles discursarem mais um pouco. Foi realmente uma surpresa, mas vimos como o filme ganhou apoiadores em Hollywood; foi quase como aquela frase tão cliché que a gente tanto gosta: provaram que nada é impossível na terra dos sonhos! 

9) Era uma vez em… Hollywood

Dentre os indicados a melhor filme este ano, este é o meu favorito! É o que mais gosto porque, né, é como uma carta de amor à Hollywood. Tarantino não está tão sanguinolento e isso me apetece. A história do astro que acaba aceitando trabalhos na TV e depois alguns na Itália – os cartazes dos filmes italianos estão ótimos! – poderia ser de um ator real que viveu nesses tempos em Hollywood.  A empolgação de uma jovem atriz em ascensão também é divertida, vivida por uma jovem boa atriz que chegou ao topo há pouco tempo, de carisma natural. E se Tarantino já tinha reinventado algo no tema escravidão, como é prazeroso podermos viver no cinema o que a realidade não pôde nos proporcionar, não? Poder imaginar outra história, aliviar – comicamente até, por que não? – na imersão de uma narrativa. Talvez seja estranho eu dar o prêmio nas outras categorias para outros filmes, porém os que concorrem por este filme chegam bem perto, e o conjunto da obra, quando são combinados todos os elementos que estão bons (mesmo não levando o voto de melhor), fotografia, figurino e direção de arte, montagem e som, acabamos com um todo muito bom. Como devem imaginar que eu nem liguei muito para a cena de luta de um suposto Bruce Lee, vocês vão me dizer que é o meu favorito só porque tem o Leo, certo? Mas na verdade é porque é um filme para quem ama cinema, sobre o que a gente mais curte no fazer dos filmes e também ao ver os filmes. Não é nenhuma obra de arte, bem capaz que este primeiro posto merecesse O Irlandês, mas este é meu voto pessoal, pelo filme que mais gostei em 2019.

 

Sim! Uma festa histórica, com os prêmios para Parasita. A Ana Maria Bahiana já comentava no twitter sobre a chuva em Los Angeles. E a cidade de São Paulo, com toda a chuva da noite, que acordou na segunda com alagamentos? Parecia até que a vida real estava se inspirando nesse fato inédito, como numa das cenas do filme, para a gente perceber que tudo pode mudar. Ou… precisa mudar? 

Pra dizer a verdade, eu nunca entendi direito como um filme estrangeiro podia ser indicado, se eles nunca iam dar o prêmio para um que não é falado em inglês (até por isso mesmo existe a categoria de filme estrangeiro, certo?). E agora é que não sei mais nada do mundo mesmo.

Mas comentando um pouquinho mais da festa… pode ter parecido chatinha em sua metade previsível, apesar dos números musicais sempre trabalhados (começando com Janelle Monáe e Billy Porter pra arrasar; passando pelas vozes das Elsas em diversos idiomas – inclusive a Matsu Takako que é super famosa pelas novelas no Japão!; até uma apresentação que não entendemos muito bem o atraso, do Eminem; e a versão de Yesterday por uma jovem estrela da música que anda no topo, Billie Eilish). Mas sabem que eu gostei da festa? Tinha muita gente que eu gosto presente! O Leo? Claro, né, gente, mas também presença brasileira, os compositores (John Williams sempre indicado!), Natalie Portman com vestido homenageando as mulheres que não foram indicadas, Tom Hanks, Keanu Reeves e até o Spielberg… este ano fiquei contente.     

Feliz 2020 e Globo de Ouro (mas… e a maratona do Oscar?)

Não dá nem para acreditar que já estamos no final do primeiro mês de mais um novo ano! Sinto que um milhão e um turbilhão de coisas já aconteceram e nem cumprimentei ninguém direito com os habituais agradecimentos e felicitações de ano novo, a passagem de ano foi comemorada de um modo diferente desta vez, com uma pequena viagem em família para Águas de São Pedro, para já dar início com alegria, boa comida, diversão e também um pouco mais relax, mais tranquilidade.

E parecia que meu ano cinematográfico também ia começar mais cedo, já que anteciparam a festa do Globo de Ouro e por conseguinte a temporada de premiações, inclusive o nosso tão popular Oscar. A festa do Globo de Ouro é sempre bem mais descontraída, com as celebridades comendo e bebendo (Joaquin Phoenix estava bêbado já ao fazer seu agradecimento, não estava?). Este ano ainda naquele clima de festas e esperança de ano novo, o último de Rick Gervais como apresentador e ele falando tu-do o que queria, e tinha ou não direito, até pedindo pro pessoal maneirar nos discursos políticos porque a gente não sabe de nada mesmo!

Alguns prêmios já eram de se esperar, pelo menos da Phoebe Waller-Bridge, do Joaquin, da Renée, do Brad Pitt, Chernobyl e obviamente Parasita (este ano não tem pra mais ninguém, tem?). Pra mim a surpresa ficou na trilha para Coringa, na animação Link Perdido levando e, principalmente no número de prêmios pra Netflix! Com tantas indicações, era de se esperar mais, não?

Mas achei legal o Elton John subindo lá e contando pra gente que finalmente tinham esse trabalho juntos. Também um momento gostoso a Charlize falando da admiração que tinha por Tom Hanks e a gente poder imaginar que o cara é gente boa na vida real também, é claro.

Gostei dos terninhos até mais do que o vermelho impactante da Scarlett Johanson, e aquela mesa de O Irlandês, hein? Fiquei imaginando esses velhos amigos se reunindo de tempos em tempos para jogar papo fora – e que altos papos sairiam não? Já dá até saudades deles juntos, porque assim como o próprio filme recente deles nos filosofa, logo logo não estarão mais por aqui… como é o destino de todos.

Certo, certo, sentiram uma certa nota melancólica neste último parágrafo, né? É, 2019 foi um ano difícil pra muita gente, com o novo governo nos golpeando no estômago a todo momento, digamos, entre outros. Já eu, estive mais ocupada dedicando-me à nova empreitada de vida (ser mãe!) e senti menos impacto em relação aos assuntos externos, digamos.

E este 2020 já começa cheio de desafios, já nasceu minha bebê! Ano novo, vida nova, literalmente! E uma nova vida pra mim também, vida de mãe – que, confesso, sou 0% apta a isso, sempre soube, desde os 15 anos de idade, por isso sempre disse que não ia ter filhos; porém, a vida acontece e então tudo o que podemos fazer é enfrentar. Um dia de cada vez.

Estes primeiros dias de puerpério não estão sendo nada fáceis, na verdade, o que vejo é uma coisa atrás da outra dar errado, desde o parto… e eu nem estou reclamando das dores pelo corpo todo, essas dores físicas eu aguento. A pressão psicológica e outros restos… já é outra história. Sério, foi MUITA coisa que aconteceu nas últimas semanas, mas este não é o post pra isso.

Daí, sempre que me sinto triste e estou sofrendo, pra onde corro? Qual é meu porto seguro? Meu alívio de alma, meu conforto? O cinema, é claro. Então isso quer dizer que está de pé a nossa tradicional maratona para o Oscar? Oh, well. Não acredito que vá conseguir ver 1917 e Jojo Rabbit na tela grande, mas… vamos ver alguns dos indicados e ter nossa diversão anual de votar e ver no que dá. Afinal, é uma das poucas coisas na vida que realmente gosto… que a gente possa se permitir, pelo menos um pouco, este ano.

Não tenho grandes expectativas pra este 2020 não, é só isso. E é o que desejo a todos também. Apesar das dificuldades, que possamos encontrar uma luzinha de alegria e nos permitirmos.

Então bora aproveitar que o Oscar nunca teve tantos indicados disponíveis em streaming, hein! Até curtas vai dar pra ver alguns por aí. Boa festa do cinema e até dia 09!