Orgulho LGBTQI+ e uma comédia romântica

Então parece que este mês é do orgulho LGBTQI+ – e confesso a vocês que eu, na minha perdida da década, tinha é parado no LGBT e nem sabia que a sigla tinha crescido. Este mês de junho geralmente São Paulo seria uma cidade que veria a famosa parada, que já foi cenário até daquela série de grande produção das (hoje) irmãs Wachowski, Sense 8. Série que tem umas cenas bem picantes, por falar nisso, tem personagem lésbica e trans, e tudo o mais, e levanta a bandeira com todo o orgulho, o que não é de se admirar, considerando as criadoras. Este ano não vai ter parada, mas me peguei, através do cinema, relembrando desta época de uma maneira um tanto inusitada: por uma comédia romântica! Quem diria!

Eu adoro comédias românticas, deveria escrever um longo post só sobre as minhas favoritas, quem sabe, mas admitamos que a maioria dos exemplares desse “gênero” pode trazer uma narrativa bem convencional. Na maioria das vezes é o cara e a garota, que se conhecem, tem algo que impede ficarem juntos e no final, é claro, ficam juntos. Dentro do panteão das comédias românticas, tem uma que eu queria rever e por acaso quando eu fui procurar ia passar no Telecine e eu pude assistir – assim, de gracinha, ó deuses do cinema, vocês devem se divertir ao me ver ganhar de presente os filmes assim e ficar tão feliz.

Só tinha uma vaga lembrança dos tempos de pré-adolescente, mas Alguém muito especial (Some kind of wonderful / 1987) ***  me surpreendeu agora que sou bem adulta. E não é que os diálogos não são os habituais previsíveis, nem soam forçados ou elaborados demais. E o filme não envelheceu mal em seu tema, sendo mais sensível do que poderíamos esperar. Tem uma garota que é um estilo meio punk-rock, mas que se apaixona pelo melhor amigo, que por sua vez se interessa pela garota mais linda e popular da escola. Sim, a trama é a mais velha do mundo, mas é um filme escrito pelo John Hughes, minha gente! Esse cara que teve ótimos momentos de roteirista, principalmente retratando a juventude de uma forma mais real, relacionável e não menos cool do que muitos por aí, gerando alguns dos melhores filmes para esses jovens anos 80 (incluindo eu) – hello, Curtindo a vida adoidado (1986)****, Clube dos cinco (1985)***!

Daí, hoje eu estava vendo uma lista de frases que provavelmente a gente já ouviu alguém dizer, ou talvez nós mesmos digamos, nesse tema LGBTQI+… que nós temos que parar de dizer. Não é que me lembrei dessa comédia romântica dirigida pelo Howard Deutch. Aliás, um adendo divertido a se notar: o cara se casou com a Lea Thompson, que faz a menina mais linda do filme (e a mãe do Marty Mcfly, só pra constar), e eles tiveram uma filha que hoje em dia… faz comédias românticas! hahaha. Voltando ao filme e ao tema em questão, a personagem da Mary Stuart Masterson (a melhor amiga Watts) é questionada em determinado ponto sobre usar cuecas, no vestiário feminino. E o próprio amigo vivido pelo Eric Stoltz comenta com o pai que ele não é lá muito popular, tendo uma amiga homossexual. Ou seja, ele mesmo acha que a menina, com esse jeito dela, não sentiria atração por um homem.

Não é quase que uma subversão que Watts realmente seja apaixonada pelo amigo? É John Hughes jogando (mais uma vez?) na cara de todo mundo que não importa os estereótipos que possamos ter inculcado na nossa convivência social, jovens são (e devem ser) livres para experimentar e para se descobrirem, se divertindo no caminho. E daí que ela se veste como um menino, fora do padrão para a época?

Por trás daquelas frases que a gente tinha que parar de dizer na lista havia exatamente esse conceito. Temos que parar de esperar um “padrão” para aprender a respeitar a liberdade de escolha e orientação de cada um. Tinha aquelas frases típicas, como parar de falar “voz de traveco”, ou mesmo que “só porque é gay não precisa dar pinta”, “você não parece gay”, “que desperdício!”, entre outras. Diz aí, John Hughes já cantava essa bola muito tempo atrás.

E o filme ainda tem alguns outros pontos a favor. Aquele carro velho da Watts é ótimo! E a menina popular pode sim ser sua amiga. E a irmã chata pode sim se sensibilizar quando parece que você vai se dar mal. E o valentão pode sim ser um artista. É um filme de comédia, mas seus personagens não são planos, o que faz toda a diferença. Taí, eu nunca ligaria esse filme à esse tema, mas são por esses momentos surpreendentes que mais nos divertimos no cinema, e na vida, não?

May the 4th, live with you

Ufa, anda bem difícil postar algo aqui no blog, hein… O mês de maio já passou e nem postei mais. Comecei maio terminando de ver todos os filmes da franquia Velozes & Furiosos, porque não tinha assistido a nenhum inteiro e queria ver o que poderia ser que faz o pessoal gostar tanto desses filmes. Até que são mais divertidos do que eu tinha pensado e estava até preparando post sobre isso, mas não saiu.

Daí, como dia 04 de maio é o “dia Star Wars” (que a força esteja com você!), eu pensei em aproveitar que o Amazon Prime Video tinha disponibilizado todos os filmes para pegar e maratonar em ordem cronológica. Porque eu, nascida no início dos anos 80 (mas sem me considerar muito millenial), fui assistindo conforme os filmes foram lançados e nunca peguei na “ordem certa”. Aliás, perdi o último, A Ascensão Skywalker, porque na sessão de Os Últimos Jedi eu passei mal e acabei nem indo atrás para ver o que tinha perdido. Sei lá, depois do Han e da Leia terminarem daquele jeito, eu fiquei ainda mais desinteressada.

Vejam bem, nem de longe sou fã, se bem que eu gostava bastante como entretenimento, principalmente da primeira trilogia lançada, lá pelos fins dos anos 70, quando aqueles efeitos especiais nos empolgavam – e ser um jedi sob a batuta do Mestre Yoda também. Sim, o carinha é baixinho, mas muito poderoso, e quando eu morei na Disney eu até comprei uma camiseta com os dizeres “Size matters not” (tamanho não importa!) – já que sou pequenina também, como um hobbit. Sem falar que há certas coisas da narrativa que tem a ver com budismo. É por algumas dessas coisas que gosto de Star Wars, e quando mais jovem, eu imaginei a minha própria versão de como Anakin teria sucumbido para o lado negro de Darth Vader.

Eis que, apesar de nunca ter acompanhado outros desenvolvimentos relacionados a esse universo – na TV ou pela internet, eu me deparo no final do ano passado com a onda de memes do Baby Yoda. E que vontade de ver The Mandalorian, só por causa dessa figurinha. Jon Favreau continua me surpreendendo, mostrando-se um cara que gosta das mesmas coisas que eu, após ter trazido pro live action heróis, o Balu cantando e nadando no rio e o rei leão, claro. Acabei não assistindo a série, mas é realmente tão fofinho. Então, embora já tenha passado uns seis meses desde o montão de memes e a polêmica do James Gunn comparando forças com o Baby Groot, talvez todos já tenham enjoado, mas eu continuo achando muito divertido. E agora posso incluir a minha Baby na brincadeira, provando mais uma vez que o cinema e seus derivados continuam animando a minha vidinha pessoal, que seria muito mais medíocre se não incluísse essas expressões da sétima arte.

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Aliás, eu postei no Instagram no dia 25 de maio, que só pra deixar registrado por aqui, é o chamado “dia do orgulho geek/nerd”, ou o “dia da toalha”, tributo ao Douglas Adams e seu Guia do Mochileiro das Galáxias. Bem apropriado, não? Sim, a vida pode ter os seus perrengues e não anda lá muito fácil, mas eu sempre me divirto assim!

Fora isso, tantas coisas aconteceram nas últimas semanas no mundo, não? Continuam as polêmicas com o nosso brasileiro presidente e mais trocas de ministros, pessoal já desistiu de levá-lo a sério? Tivemos astros do basquete lançando desafios, modas das máscaras, gente se reinventando para poder ter um dinheirinho e sustento, pessoal que já nem leva a sério mais o isolamento (também, olha a bagunça deste país!), honestamente eu fico envergonhada de ver esses números de casos e mortes pela covid-19 comparando com outros países… mas, como sempre, nós só podemos fazer a nossa parte, né? Continuando a ter esperança pela ampliação de mais consciência e ações.

E isso também vemos aí nesses últimos dias de protestos contra racismo – gente, essa discussão já faz séculos, e não resolvemos isso? Pra ver como a humanidade pode ser devagar mesmo. Eu tive vontade de fazer um meme com o cavaleiro negro de Em busca do cálice sagrado (1975)***, do Monty Python, “Yes, black lives matter!”. Mas sei que ainda é uma questão muito delicada para muita gente e talvez não fosse bem visto, não ousei. Como eu tinha falado num post anterior, eu só estou meio empolgada agora com memes porque perdi esse bonde, mas esta bobagem minha deve passar logo, não se preocupem.

Já os posts da websérie Comedians in Cars Getting Coffee eu até poderia continuar, vi mais episódios, mas acabei dropando. Isso porque nossa “rotina” ficou ainda menos rotineira, a bebê está sem horário para leite ou para dormir, gostaria de fazer ela dormir sem ser no colo, não tenho conseguido dar as papinhas de frutas recomendadas pelo pediatra, tem sido difícil marcar consultas nas condições atuais. Finalmente achamos uma neuro pediatra “decente”, temos que ir atrás ainda de hematologista, fisioterapeuta, cardiologista e ver onde o nosso plano de saúde cobre exames… É bastante coisa, fora que eu também ando precisando ir ver alguns médicos – fazer óculos novos, meio que relaxei por completo em relação à diabetes, e os acompanhamentos de praxe, dentista, ginecologista e o problema no meu braço que já não vira mais pra trás… ai, ai, lástima.

Quanto aos filmes, seria até interessante aproveitar o YouTube para ver clássicos do cinema que estão disponíveis na íntegra por esse meio, não? E como seria legal a gente poder ir num desses drive-in, parece que a moda tá voltando, eu via nos filmes isso e queria tanto que tivesse no Brasil! Mas nem os shows pirotécnicos na Disney que dá pra gente ver agora online eu vi. Então nem me pergunte o que achei daquele lançamento no Netflix, eu vi só A morte lhe dá parabéns (Happy death day/ 2017)***, descaradamente bebendo da fonte de (homenageando?) um filme bem simpático, Feitiço do tempo (Groundhog day / 1993)***, naquele momento em que todo mundo de repente decidiu fazer algo parecido. Até que achei bem aproveitado, o diretor é do mundo dos filmes de terror, tem umas partes engraçadas e atores bem carismáticos, a cada morte a narrativa vai acrescentando mais, claro que a personagem principal vai percebendo que tem que mudar, mas eles não enrolam muito e ela conversando com o carinha legal Carter, aos poucos percebendo como podem se dar bem e tem a questão da relação com os pais, não é chato de ver não; mesmo já prevendo quem era o assassino, até que o filme dá umas boas voltas na gente e nos deixa curiosos, afinal.

Se eu me interessei por Space Force? Oh, man. Eu assisti a várias temporadas do The Office rachando o bico, antes do Michael Scott sair. Mas honestamente, não me pareceu que vai ser tão divertido ver este; quis é ver o Some Good News do Krasinski, que não vi quase nada, talvez ainda confira.

Algo que peguei e fui rapidinho até o final foi Upload, o piloto é mais comprido, mas os outros episódios não duram mais que meia hora. Aliás, também é do Greg Daniels, um dos criadores do The Office norte-americano e do Space Force. A série está disponível pelo Amazon Prime, com a premissa de um dos episódios de Black Mirror que foi um episódio não tão desagradável, sobre a possibilidade de morrer, mas deixar sua mente viva com um avatar em um universo digital. No caso de Black Mirror, brincam com o tempo, com visual anos 90 e outros, por exemplo, e uma mulher procurando outra, mas as duas sendo apenas duas em milhões de pequenas memórias. Em Upload, desenvolvem a ideia, as pessoas podem escolher terem essa versão digital pós-morte em diversos lugares, um negócio lucrativo pra muita gente. Há os “anjos” que são como assistentes técnicos pessoais de cada convidado, o nosso personagem principal é um bonitão cuja namorada paga pelo seu upload em um hotel à beira do lago, aos poucos descobrindo que sua morte não foi acidental, e nós vamos descobrindo diversos detalhes desse universo. Os A.I. são uma ideia interessante, e quem não pode pagar pode ficar paralisado em um outro lugar que só tem capacidade de 2 GB… Ótima sacada um labrador servir de terapeuta; ver memórias num capacete que parece de salão de beleza me lembra outros filmes; há a questão do sexo com uma roupa virtual e como faz quando a pessoa morre ainda criança – todos os outros aqui fora envelhecem, mas ele não; seria possível um romance entre alguém vivo e um upload?; ótimo que o milionário é que vença a caça ao tesouro! O episódio em que vão para a “grey zone” e conseguem códigos ilícitos é outro bem inventivo. O carinha que faz o amigo Luke tem um jeitão bem engraçado mesmo. A atriz que faz Nora é bem bonita à sua maneira, sendo que o contraponto do carinha real que o aplicativo indica uma boa combinação só dá mais sentido para ela acabar se engraçando com seu “cliente”. Assim como em Matrix (1998)****, a vida real pode ser bem cinzenta nas cores, nas roupas, e com uma fotografia não tão perfeitinha de comercial de margarina. Não achei tão interessante a noite do funeral como se fosse uma festa, mas gostei da prima gordinha detetive, no diálogo com o caixa automatizado de uma loja de conveniências. Eu encararia uma segunda temporada, hein!

Bem, este junho não vai ter festa junina pra gente, embora alguns lugares estejam planejando lives por aí… E algo recorrente deste ano continua: não faço muitos planos. Vou encarando as dificuldades conforme surgem e procuro não criar muitas expectativas. Assim, sabe-se lá o que vou conseguir este mês, ver alguma comédia romântica, com certeza, ou tocar uma música no ukulele? Talvez nada, só de conseguir médicos para minha bebê eu devo me dar por satisfeita. Apesar de tudo, o cinema continua a me animar, me acalentar, me acompanhar, da forma que der…

Avenida Brasil

No último dia 1º de maio terminou a reprise da novela “Avenida Brasil” da Rede Globo. Por acaso, a novela foi exibida originalmente em 2012, e foi em 2012, dia 1º de maio, que meu avô materno faleceu. Fiquei pensando se talvez tenha sido parte da razão de não ter acompanhado a novela na época. Essa foi uma das novelas de maior sucesso do canal, imagino eu, muito popular, a ponto do país parar para vê-la – coisa que eu me lembro de ter visto só no último capítulo de “A próxima vítima” (mas devem ter existido outras ocasiões semelhantes, sendo os brasileiros noveleiros como são).

A bem da verdade, no entanto, desde que eu comecei a faculdade eu perdi o hábito de ver TV. Já não me era muito interessante na época do cursinho pré-vestibular, daí eu trabalhava e ia direto pra faculdade à noite, sem tempo algum. Depois de formada, simplesmente não me interessava mais, eu preferia ver algum filme no pouco tempo disponível. Mas este ano parece que eu me reaproximei da TV, estando lá no hospital o dia inteiro, só indo pra casa algum dia do final de semana, e cansada até para ver as coisas baixadas no computador para ver offline. Não que eu acompanhasse algo realmente, às vezes tinha alguns minutos livres e daí comecei a ver algumas cenas do “Vale a pena ver de novo”. Xenti, aquela cena em que a Nina é enterrada viva, hein?!

Voltando para a casa, continuei assistindo aos episódios, exatamente porque eu tinha perdido da primeira vez. E que sorte a Globo tem de passar um sucesso desses em épocas de quarentena! Com certeza deve ter marcado mais uma vez uma alta audiência noveleira desses últimos tempos, em que imagino que muita gente prefere mesmo é os canais de streaming – que dá pra pausar e voltar quando quiser, e nem precisa perder tempo com as propagandas. Embora, aham, eu sou como a Lorelai, aproveito esses tempinhos pra ir ao banheiro ou pegar algo pra comer…

A Globo sempre tem uma produção caprichada, mas a impressão que me ficou foi que esta novela, em particular, foi uma das primeiras a parecer com coisa de cinema. Talvez principalmente por uma fotografia mais rebuscada; hoje já virou lugar comum de todas as outras novelas, mas lembro que na época eu tinha me impressionado com isso. No modo de usar a câmera, os enquadramentos e as luzes. Pra mim era como uma pequena revolução, assim como foi The Office (a versão americana) pra mim, bem diferente das sitcoms dos anos 90, hein.

Revendo essa fase final da novela, constato essa primazia, e como a direção de arte é bem feita também, com poucos deslizes. Talvez os brasileiros nunca tenham ido ao lixão antes numa novela, e por que não acompanhar um ex-craque de futebol e outros futuros promissores jogadores, no chamado país do futebol? Super bola dentro. Fora a trama principal de vingança, que cria aquele suspense e faz o público torcer – o melhor cenário para uma novela – o autor conseguiu criar personagens memoráveis, se aproveitando do carisma de diversos bons atores. A direção foi acertada naquela dinâmica familiar dos jantares na mansão, com um falando em cima do outro; diversas cenas em que um não deixa barato para outro personagem; e apesar de um ou outro estereótipo, como foi divertido acompanhar! Até mesmo o núcleo mais cansativo, na minha opinião, do Cadinho e suas três mulheres. Todo mundo sempre vai lembrar que, caretices à parte, a maria chuteira podia ficar com um suposto gay filho de uma ex-atriz pornô e um rapaz simples do interior formando um “casal de três”… E o pessoal do salão da Monalisa; a Tessália, morenaça que é claro merece o Leleco ou o rapazinho sonhador lutando por ela; o bar do Silas, como tantos bares existem neste país pra ver um jogo de futebol; as empregadas Zezé e Janaína, cada uma com seu jeitinho e que também representam a classe trabalhadora – aliás, uma empregada se vingando da patroa perua bruaca? Como não dar certo?; a Lucinda mãe do lixão e o Nilo loucão que poderia muito bem representar um mendigo que você aí já viu por alguma rua de cidade grande, meio louco, com barba e cabelo por fazer; o casal de pilantras Max e Carminha menos melhores que Bonnie e Clyde. Claro que a Carminha da Adriana Esteves foi um show à parte, o Brasil vibrou com ela, para o bem ou para o mal, mais até do que torcer pra Nina conseguir se vingar e ficar com o Jorginho – aliás, ouso dizer que teve uma hora que a gente até já se irritou com a Nina, por não acabar logo com tudo, mas daí valeu a pena porque vimos a Carminha rebatendo nas suas jogadas estratégicas e virando o jogo, haha.

Da trilha sonora nem precisamos falar, porque música de novela vai tocar direto nas rádios, lembro bem essa época em que todo mundo cantava o “oi, oi, oi”; “tchu tchu tcha”; “assim você mata o papai”… Por falar nisso, a outra versão, “Vem dançar kuduro” está na trilha sonora de “Velozes e Furiosos 5” (2011)***, o filme da franquia que se passa no Rio!

Com uma narrativa cheia de reviravoltas e um monte de casais formados (mesmo na vida real!), o autor foi abençoado com atuações boas e marcantes, e conseguiu mesmo levar o público, prender a atenção, apesar da longa duração das novelas no Brasil. Quando fui para o Japão, em que as novelas, os “dorama”, tinham a duração das estações, é que percebi como são longas nossas novelas!

Eu costumava acompanhar mais delas quando era criança, talvez por ter mais tempo pra gastar diante da TV, então é difícil eu defender novelas por aqui. Lembro de ter gostado muito de “Rainha da sucata”, “Mulheres de Areia”, “O Rei do Gado”, “Quatro por quatro”, entre uma ou outra das 7 também, além de Ana Raio e Zé Trovão do rodeio e a Juma do Pantanal, e as mexicanas do SBT, claro. Mas esta daqui realmente valeu a pena ver de novo, dentro desses anos mais recentes, em que nem acompanho nada, valendo assim um registro. Pra provar que quando uma história é bem contada, bem apresentada, é como a magia do cinema acontecendo, mesmo que seja para a telinha.

A perdida na década (e alguns pedidos de desculpas)

Talvez por estar assistindo à web-serie do Seinfeld, esses dias eu estava pensando em como parece que eu me perdi nesta última década. Quer dizer, me parece que houve um momento de boom dos comediantes stand up no Brasil e eu perdi (ou sempre existiram de monte e eu é que só notei depois de surgirem várias apresentações em canais na internet e shows no Netflix? Talvez, né, principalmente no Ceará. Só ainda não se chamava stand up).

Tenho a sensação estranha de que em algum momento eu fui congelada ou paralisada quase que como numa dessas máquinas de filmes de ficção científica, pra de repente acordar e ver que várias coisas mudaram. Como se eu tivesse perdido a última década. O que foi que aconteceu entre meus 25 e 35 anos, quando supostamente eu deveria estar no auge físico e intelectual da minha vida?

Eu perdi a época em que todo mundo começou a fazer seus próprios vídeos e postar online. Eu perdi a transição da popularidade do Orkut pro Facebook e então Twitter e Instagram. Eu perdi os 7 gols da Alemanha numa Copa no Brasil (!) e as Olimpíadas no Rio!

É claro que entre 2010 e 2020 eu devo ter tido alguns momentos importantes aqui e ali (no meu mundinho), mas sinto como se eu estivesse acordando pro mundo de novo, ao ver mais notícias e poder pesquisar mais sobre cinema, por exemplo, ler, até estou vendo alguns vídeos no YouTube, gente!

Este realmente está sendo um ano muito atípico, mas sinto que me fechei em um casulo por muitos anos e o que aconteceu? Por que eu não consigo seguir e postar em redes sociais como todo mundo? Já não conheço tantos nomes de diretores e atores na ativa. Eu caí do bonde que seguiu e agora peguei outro querendo sentar na janelinha.

Na verdade, o título deste post deveria ser um pedido de desculpas. A todos os amigos de quem acabei me afastando e todos os novos conhecidos com quem acabei não aprofundando a amizade – simplesmente por não ter conseguido acompanhar as redes sociais, não ter conseguido equilibrar o trabalho e dedicação no templo com a vida “aqui fora”.

Sei que o Keanu Reeves é uma das celebridades que não tem contas em redes sociais, então talvez eu também não deva me preocupar muito? Simplesmente aceitar que sou essa pessoa meio ermitã? De fato, se eu conseguisse casar com o DiCaprio, acho que faria igual à esposa do Walt Disney ou ao Terrence Malick e não daria entrevistas.

Também poderia pedir desculpas ao grande amor da minha vida (sim, o cinema), se bem que no meio desses últimos dez anos teve o momento de tentar realizar aquele velho sonho de estudar cinema – que não foi lá muito bem sucedido, exceto pra eu achar que realmente não dou pra coisa.

Mas por quê, não é mesmo? Eu desisti do curso porque vi que não conseguiria me dedicar aos projetos e contribuir em equipe, devido ao trabalho. Mas era um impasse: se eu não trabalhasse, não poderia pagar e continuar o curso.

Então por que raios fiquei com a sensação de que tinha desistido da minha vida? Foi apenas algo que (não) aconteceu. Eu também podia pedir desculpas por todos os textos que não escrevi, sendo que é algo que gosto muito, mas estava sempre ocupada e cansada…

Não que tenha sido de todo ruim, nesta última década eu viajei e tive boas experiências. E agora que já até casei e tive filhos, completando o que acho que seriam as principais experiências que eu deveria viver nesta vida humana, fico pensando que não preciso realmente fazer mais nada, posso ter um emprego qualquer pra me sustentar e passar o resto dos meus dias contente por tudo que já tive oportunidade de viver.

E quem sabe, me deixando relevar a mim mesma, relaxando e estando mais tranquila, finalmente eu chegue a escrever aqueles roteiros? É, como eu disse, o cinema é o grande amor da minha vida, posso me afastar um tempo, mas até o final dos meus dias vai sobreviver essa vontade no coração de imaginar, inventar e contar histórias. Só que agora sem sentir que “preciso” fazer isso, simplesmente fazer isso porque é algo que gosto.

Nossa passagem aqui é tão rápida, pra não fazer o que gostamos. Nem sei bem onde foram parar os últimos anos, entre momentos de depressão e conformismo. Cá estou, nesta crise de meia idade para esta última década. E pra você? Como foi 2010-2020?

Quando criança, sonhava com uma vida tranquila, sem passar necessidades, escrevendo histórias. Também sonhava com o dia em que a sociedade daria mais valor aos profissionais de saúde e educadores, que pensássemos mais no meio ambiente e começássemos a salvar o planeta, que mais pessoas pensassem mais no próximo, inclusive com ajuda aos mais necessitados, e aos poucos poderíamos ter uma sociedade mais justa e menos desigual, por conseguinte, com menos crimes e violência – me pergunto se agora com as quarentenas as taxas de criminalidade também diminuíram?

Na verdade, surpreendentemente, me encontro hoje ainda com muita esperança! Que venham as próximas décadas e o futuro. E que venha um futuro melhor.

CICGC – week 4

Acabei não postando no último final de semana, mas continuo assistindo aos episódios de Comedians in cars getting coffee. Estou vendo os episódios aleatoriamente, começando por alguns nomes da comédia que já conheço. Todos os carros que o Jerry escolhe são bem únicos e cada episódio começa com uma breve explicação sobre eles. Os locais em que vão tomar café também são diferentes a cada vez, engraçado que Jerry não tem medo de ser franco e se mostrar um chato – no episódio do Kevin Hart ele até reclama que estava tudo errado, veio no copo de plástico e mais gelo do que café, haha. Mas eu tenho a impressão de que o café Lavazza é o patrocinador desta série, porque tem muitos episódios em que eles estão tomando Lavazza, principalmente nos mais recentes.

Já na nossa vidinha ainda com o isolamento físico da Covid-19, nessa semana que passou eu acabei vendo um filme pela Netflix só porque estava entre os Top 10 do dia, essa nova do canal. Código 8: Renegados (2019)** tem a premissa de que pessoas com poderes acabaram marginalizadas e um rapaz que tem a mãe doente acaba se envolvendo com pessoas poderosas de contrabando de drogas. O mais legal foi eu descobrir depois que na verdade era um curta e o pessoal arrecadou dinheiro e conseguiram fazer o filme, além de que é empreitada de dois primos – um atua na série Arrow e o outro já atuou em Flash. Esses exemplos de produção me fazem lembrar sempre que às vezes é a vontade das pessoas “comuns” que faz a diferença mesmo, nessa semana em que continuamos a louvar as diversas iniciativas locais de solidariedade apesar de toda a politicagem e saída de Ministro da Saúde em meio a uma pandemia mundial…

Mais uma vez lembramos daquele velho conceito budista que depende de cada um para termos mais igualdade, harmonia, e consequentemente, felicidade. Cada um tem sua capacidade, seja em doações ou ajudando algum trabalhador autônomo, pode ser uma celebridade que tenha voz para incentivar outros – ai, como eu queria morar nos Estados Unidos e poder participar da doação pra concorrer a um papel num filme e almoço com o Martin Scorsese, Leo e Bob! Ai, ai…

Bem, vamos ver se esses auxílios da caixa e do governo realmente vão funcionar e quanto tempo o povo ainda aguenta a quarentena… me parece que daqui a pouco ninguém mais está respeitando e aí vamos ver essas taxas de mortes… ou será que vão funcionar aquelas teorias da conspiração?

Abaixo, os episódios desta semana da série do Seinfeld, o cara que fez a série sobre nada – o que parece que anda acontecendo em muitas lives por aí. Pelo menos eu dou alguma risada pela manhã com ele.

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Jerry Lewis (Heere’s Jerry! – 2018)

Parece que esta foi a última participação em programa de TV do Jerry Lewis, a maior parte do episódio é eles conversando no que presumimos ser seu escritório em casa, em Las Vegas (?!), com um Oscar bem ali no meio da mesa pra gente ver. Que vontade de ver essas comédias antigas com o Jerry Lewis, que me parece genial em ser um pateta… :) este episódio, aliás, tem bastante cenas dos filmes, achei; por exemplo analisando como surgiu a do telefone em Mensageiro Trapalhão (1960) – aliás, engraçado notar como costumavam usar muito a palavra “trapalhão” nos títulos de comédia mais antigos… Ótima a cena do programa antigo em que chamam por “Jerry” e os dois vão para o palco. Seinfeld demonstra uma admiração genuína pelo rei da comédia, então acho até digno que seja sua última aparição pra TV, com os dois no carro conversando e comentando que não acaba, Lewis não ia parar até o fim dos seus dias…

Jamie Foxx (You gotta get the alligator sweat – 2019)

E eu que nem sabia do histórico “cômico” do Jamie Foxx? Pra mim ele sempre foi o cara de Ray (2004) *** e Django Livre (2012)****, além de vários outros filmes que eu gostei em menor proporção. Puxa, o cara parece ter muita energia e gostar de um estilo diferentão, seja pra vestir ou pra morar – Nova Orleans? Tem alguns momentos bem engraçados, incluindo essa piada da comida servida nessa região quando ele quer só um frango frito, rs.

Melissa Villaseñor (TBA – 2019)

Na verdade eu peguei pra ver este episódio porque na descrição já falaram que visitavam um museu da comida – e essa foi a parte mais divertida! (Na realidade, acho que era só sobre comida chinesa, mas tinha um carinha lá cozinhando na hora para os visitantes!). Não sabia mesmo quem era Melissa, porque não vejo o programa SNL, mas por acaso andei pegando vários episódios com convidados que fizeram vozes em Pets: a vida secreta dos bichos (2016)**, o que não é o caso; embora ela tenha feito vários trabalhos para desenhos. Não achei nada neste episódio tão engraçado, e até me incomoda como ela ri de tudo, ri muito de qualquer coisa que o Jerry fala…

Dana Carvey (Na.. ga.. do.. it – 2018)

Que lugar mais chique esse em que eles vão tomar café… e Carvey pergunta das outras pessoas, se fazem parte do show, há! Sinceramente, eu só lembrava de Quanto mais idiota melhor (1992), mas ele também fez trabalhos de voz para animações e alguns filmes com Adam Sandler, sem falar que sempre me impressiono em como os convidados comediantes, mesmo com certa idade, parecem continuar trabalhando – talvez em apresentações de stand up? Eu não acompanho este universo, então só fico imaginando como deve ser isso, passar a vida trabalhando em bolar histórias engraçadas e esperar por risos. Jerry sempre afirma que não é o tipo fácil, mas ele sempre parece se divertir muito com seus convidados. Neste, ele racha o bico com algumas imitações do Dana e ele próprio comenta que é o cara que não entende nada de música e quer comprar o instrumento mais bonito!

Kevin Hart (You look amazing in the wind – 06 de novembro de 2014)

O próprio Kevin admite que ele teve uma época “baixa” em sua carreira, para depois voltar a decolar de novo. Eu mesma acho que só vi Jumanji (2017) *** recentemente, embora tenha vários filmes no seu currículo que eu tenha visto e não me lembre exatamente do seu personagem neles – No auge da fama (2014) **, É o fim (2013) **, Cinco anos de noivado (2012) **, O grande Dave (2008)**, O virgem de 40 anos (2005) ***, Quero ficar com Polly (2004)***. Legal foi ver Jerry comprar o mesmo tênis azul pros dois, depois de passarem pra pegar um suco verde, ehe.

Ricky Gervais (China maybe? – 2019)

Foi dividido em duas partes, o que vou considerar só um episódio, porque foi um convidado só. A gente já tinha visto um passeio com Ricky cagando de medo no carro com Jerry, desta vez é um carrão o escolhido, mas ficam presos no tráfego sem ter o que conversar, ehe, apesar de parecer que os dois se divertem na companhia um do outro. Na primeira parte, logo no início tem a “bomba” de Jerry responder “na China, talvez?”, o que seria algo politicamente incorreto, mas é o que deve vir na cabeça logo de cara para qualquer ocidental comediante. E daí fica a questão permeando todo o episódio, se devem manter essa piada na série ou não. Ricky parece ser por dentro um cara muito gentil e de bom coração, e tem até dózinha por não ter comprado nada na loja de doces… mas a piada ficou como algo central do episódio, claro.

Se meu fusca falasse

(The love bug /1968) ***

Eis que teve um dia desses que eu estava zapeando a TV e por acaso bem na hora começou a passar esse filme, que eu nem lembrava mais (devo ter visto em alguma Sessão da Tarde quando criança, mas eu realmente não lembrava mais de nada), e eu simplesmente decidi me deixar assistir livremente a alguma coisa por acaso… fazia muuuito tempo que eu não fazia isso, que gostinho bom~~~~!

Também não sei se é influência de ficar vendo aqueles carros diferentões no Comedians in cars getting coffee todo dia, mas ando querendo finalmente matar a saga Velozes & Furiosos, e de repente me pego vendo mais um filme sobre carros. Imagino que quem aprecia realmente essas máquinas deva quase chorar no diálogo em que o corredor Douglas fala do amor pelo carro para a mocinha que entende deles também.

Muitas vezes temos cenas que extrapolam o absurdo – como a que o fusquinha quer se matar e se jogar da famosa ponte de suicidas em San Francisco, ou no final da corrida o carrinho se dividir em duas metades, hahaha. Mas é uma diversão adorável, dar risada de coisas bobas, como Herbie sempre fazer xixi de óleo no ricaço chatonildo do Thorndyke.

Nos créditos iniciais já vemos uma espécie de evento que parece até bate-bate, mas com carros reais. O piloto que não anda muito bem, mas tem paixão ficando embasbacado por um modelo novo na loja e acaba sendo obrigado a ficar com o fusquinha e sair de encontro com a moçoila de pernas que chamam atenção com a placa (que piada tão simplória e ainda funciona!). O coadjuvante amigo que passou um tempo nas montanhas até rouba a cena, Tenessee (Buddy Hackett, que teve renome nos clubes de comédia em Las Vegas em seu tempo e até fez voz para A pequena sereia (1989) ***), conversando com o carrinho, fazendo café irlandês (os pais eram de “Coney Irishland”) ou convencendo o vendedor chinês. Tem várias maluquices na corrida final, com o vilão lançando mão de várias artimanhas para vencer – até acompanhado de um urso ehe! Eu diria que os efeitos especiais até que estão muito bem para a época, nós simpatizamos com o Herbie e queremos um fusquinha pra gente levar pra casa, ao som da musiquinha típica que ouvimos de trilha sonora…

Uma diversão boba, mas que ainda funciona numa tarde livre com pipoca e qualquer criança, de qualquer tamanho, pode ver e se sentir numa boa, pra alegrar alguma semana entediante.

CICGC – week 3

E cá estamos nós, passando mais uma semana em quarentena – pôxa, eu precisava ir ver alguns médicos e quando completasse 3 meses queria ir passear com a baby em algum parque… mas tudo bem, continuamos firmes e fortes, procurando nos manter saudáveis, limpos e fora de risco. Mas concordo com quem diz que nem tudo vale uma live.

Eu bem que gostaria de estar fazendo algo mais útil também, talvez ajudando alguma ONG a distribuir comida, mas no momento a prioridade é outra. Aliás, faz meses que estou afastada do templo (por acaso caiu bem nesta época da pandemia e todo mundo também está afastado), mas lembro que o mês de abril pra mim sempre foi considerado como de “renascer”, tanto pela escola budista que sigo (o mês de “nascimento” do Buda) quanto pelas celebrações de Páscoa – e é tão estranho não ver as expressões nas ruas da Paixão de Cristo ou mesmo lá no Vaticano. Mas estes são os nossos tempos, de orações dedicadas por cada um à distância – e, talvez, elas possam até ser mais sinceras?

Nem ovo de Páscoa comprei este ano, mas continuo com as manhãs de um episódio por dia do Comedians in cars getting coffee. E a série até tem me dado vontade de pegar de novo pra ver Maravilhosa Sra. Maisel, redescobrindo uma mulher que faz stand up numa época em que nossa função era ser dona de casa e cozinhar o jantar para o marido… quem sabe não me caiba bem neste momento? E quem sabe eu não faça uma maratona de todos os filmes vencedores de Cannes? Já que este ano foi cancelado mesmo o festival, e percebi que vi pouquíssimos vencedores – alguns mais recentes só, e O pagador de promessas, claro.

Como seria o meu renascimento? Não sei, mas acho que esse processo já tem se dado desde há alguns meses, desapegar um pouco do que eu acharia nobre para uma vida e que tenho que fazer algo “útil”, sempre exigindo mais de mim e me deixando pra baixo, para estar contente com tudo o que eu pude realizar já (inclusive nessa onda de pensarmos sobre um possível fim do mundo, outro dia até vi um vídeo sobre os filmes em que o mundo realmente acaba… por mim, tudo bem!). E deixar renascer também esse lado que é o que mais gosto, de ver filmes ou coisas diversas e imaginar muitas outras…

Boa Páscoa a todos, lembrando que após a idade das trevas veio o renascimento!

*****

Will Ferrell (Mr. Ferrell, for the last time, we’re going to ask you to put the cigar out – 03 de fevereiro de 2016)

Um carro com papa-léguas, divertido! Eu até estava pensando por que não tinha um convidado como Ben Stiller ou Adam Sandler, que são mais recentes, bem populares e tem até seus frat packs, talvez Seinfeld não goste tanto desse estilo de comédia? E pra dizer a verdade, eu nem gosto do Will Farrell – prefiro outros nomes, como o Steve Carell, por exemplo, mas talvez ele seja um chato de galochas na vida real para aparecer numa série destas, rs. Bem, o passeio foi agradável, Will comenta da família e tal, mas não consigo acreditar que ele não assiste a quase nenhum filme! – “eu queria ser o cara que não viu Gravidade (2013) ****”!

 

Chris Rock (Kids need bullying – 18 de julho de 2013)

Só eu acho engraçado que Eddie Murphy faça a voz do burrinho e ele a voz da zebra? Engraçado que depois eu vi o Carl Reiner elogiar o Chris, sabendo que ele tinha potencial, por acaso. No Brasil, faz muito sucesso o seriado Todo mundo odeia o Chris, baseado na vida dele; e olhando para a filmografia, ele já fez muitos trabalhos de ator junto com o Adam Sandler, eu nem tinha percebido antes! O cara realmente parece boa praça, claro que entra a questão dos filhos na conversa, mas quem podia esperar que um policial ia pará-los por alta velocidade! – “se eu não estivesse com você, estaria com medo. Sou famoso, mas sou negro!”

 

Kate McKinnon (A brain in a jar – 06 de julho de 2018)

Não acompanho SNL, então nunca vi seu trabalho no programa e não posso julgar, porém ela tem algumas aparições em filmes como Caça-fantasmas (2016)** ou Meu ex é um espião (2018) **, mas eu fico com a imagem mais recente da sua personagem em O escândalo (2019)** e acabo achando que talvez ela se dê melhor como atriz do que comediante? Bem, o carro é deveras pequenino parecendo um brinquedo, é engraçado imitarem o cachorro pós-defecagem no meio da rua, do nada, e que lugar chique esse onde foram tomar café!

 

Carl Reiner & Mel Brooks (I want sandwiches, I want chicken – 20 de setembro de 2012)

Confesso que eu não sou lá muito fã de comédias, talvez eu tenha visto as mais populares dos anos 90 pra cá, mas eu não conheço tanto, especialmente da época destes dois, dos anos 60, 70. Talvez por serem de mais idade, o próprio episódio tem uma sensação diferente, primeiro Jerry toma café com Reiner e depois eles se encontram para jantar junto com Mel Brooks, e realmente é maravilhoso imaginar que os dois permaneceram amigos após tanto tempo e veem TV ou filmes juntos. Embora eu não entenda muitas referências, então, é bem divertido e Brooks é muito animado – ativo até hoje, com seus 90 e tralalá, fazendo voz para Toy Story 4 (2019)***!, Jerry praticamente não consegue ir embora.

 

Louis C.K. (Comedy, sex and the blue numbers – 02 de janeiro de 2014)

É claro que este episódio foi gravado antes das acusações de assédio contra este comediante, mas é muito interessante como ele passa a sensação de ser um cara super tranquilo e família, até contando o desastre do primeiro passeio de barco com as filhas… O carro que Jerry escolhe é uma graça, mas realmente só consigo imaginar que sirva para ir à praia na Itália, não dá pra ficar rodando na cidade com ele! E o episódio em si é tão legal, tem o olho no barco e de imediato Jerry lembra de Tubarão (1975)****! Louis C.K. já escreveu muita coisa, inclusive pros shows de Chris Rock, Dana Carvey, late nights do Conan, do David Letterman. Após as acusações ele chegou a escrever uma carta aberta pedindo perdão, e espero realmente que ele melhore e supere.

 

Ellen DeGeneres (You said it wasn’t funny – 2018)

Eu admiro a Ellen porque ela foi uma das primeiras pessoas famosas a se abrirem para o mundo como lésbica e isso inspirou várias outras mulheres, mas posso afirmar sem sombra de dúvidas que o trabalho dela que eu mais gosto é da personagem Dory, de Procurando Nemo (2003)****! Também acabei escolhendo este episódio porque outro dia li a repreensão pública de alguns comentários insossos dela em relação à quarentena (o tédio e comparar com estar na prisão…). Na realidade, acho que seu carisma é bem amplo, e ela nunca esperou ser comediante ou entrevistadora; acho que também não esperava que Jerry comentasse que seu bairro é de velhos, haha; e acho ele não esperava uma lição em relação às chaves de carro!

 

Steve Martin (If you see this on a toilet seat, don’t sit down – 06 de janeiro de 2016)

Gente, eu achava que esses carros de colecionador sempre passavam por boa manutenção, mas como quebram nesses episódios… Aqui incluíram várias cenas de stand up antigas do Steve Martin, eles brincam sobre um suicida de cadeira de rodas e eu lembrei de outro episódio em que Jerry comenta que para os comediantes não existe um limite, tudo pode dar vazão ao riso! Eu já vi alguns filmes do Steve Martin, pai de noiva e de um monte de filhos, eu não sei exatamente o que é engraçado nele para se tornar tão famoso (embora não tenha nada contra), mas até hoje ainda nunca vi O Panaca, talvez eu deva riscar da minha lista.

CICGC – week 2

Entramos em mais um mês com a crise do Corona vírus, Covid-19, e parece que o pessoal está começando a relaxar… pronunciamentos inacreditáveis do nosso atual presidente do Brasil (sério, ir contra a Organização Mundial de Saúde?) e o pessoal deve estar achando mesmo que é só uma “gripezinha”, porque já tô vendo muita gente por aí – e olha que eu nem saio de casa!

Pois a minha semana passada começou bem com o episódio do único presidente dos EUA com quem realmente simpatizei até hoje (se bem que não conheço nada dessas coisas de política, né?), e se fosse pra recomendar só um episódio do Comedians in cars getting coffee, bem provável que seria esse, apesar de esse convidado quase nem se classificar como comediante.

Fora isso, bem, nada de muito novo, vi muitos filmes ruins – daqueles tipo “estou em casa mesmo, por que não?”, e a resposta deveria ter sido “simplesmente porque não”. Mas eu já escrevi um post sobre como seria minha utopia de sociedade pós-crise mundial, só para repetir (repetir algo bom nunca é demais): algo que realmente ando gostando de ver é como o planeta vem ambientalmente melhorando com isso tudo e as diversas ações solidárias por toda a parte. Desde doações de pessoas famosas que tem muito mais poder aquisitivo que o restante da população, até pessoas fazendo comida e entregando para os que tem menos condições, como em favelas ou para moradores de rua, ou mesmo merendas para crianças ou caminhoneiros encarregados de entregas. O mundo não seria um lugar melhor se tivesse mais pessoas engajadas e trabalhando com solidariedade, com altruísmo, com ações em benefício alheio e geral? É preciso uma crise desta proporção para a sociedade começar a se balancear melhor? Talvez sim.

Bem, alguns comentários sobre os episódios que vi esta semana que passou do “programa de entrevistas” com o Seinfeld seguem abaixo. E sigamos em frente! Ainda deve ter uns 2 meses de episódios para eu ver, e talvez uns 2 meses até essa crise “passar” também?

***  

Barack Obama (Just tell him you’re the president – 30 de dezembro de 2015)

Gente, como essas celebridades conseguem, né? Na época o presidente dos EUA, Obama recebe Jerry na Casa Branca, eles são proibidos de sair com o carro que por si só é um escolha ótima, representando uma grande conquista, como a própria chegada à lua! E Obama se qualifica como “comediante” por algumas frases aqui e ali, mas o nível da conversa é um pouco mais elaborado: sobre alguns detalhes surreais de viver essa realidade de ser presidente, sem ter cenas muito embaraçosas ainda; e como saber se não está se deixando levar, está sendo sensato?; Jerry comentando que seu “salário” é muito melhor que o dele… 

Patton Oswalt (How would you kill Superman? – 09 de janeiro de 2014)

Nem sabia que o primeiro trabalho dele tinha sido com Seinfeld, nem que ele conhecia muito de quadrinhos, mas depois fui conferir alguns trabalhos e vi que ele já fez muitos de voz, além do Remy de Ratatouille (2007) ****. Depois que li na sinopse que eles iriam andar num Delorian, imediatamente quis ver este episódio! Pena que o carro quebrou e chamaram um Uber, hahaha. 

Amy Schummer (I’m wondering what it’s like to date me – 13 de novembro de 2014)

Foi por puro acaso que acabei escolhendo mais um episódio em que o carro quebra! Só eles parando depois de muita fumaça já foi divertido, mas acabam tomando café em algum lugar ali do Bronx, parece, e a garçonete pergunta pro Jerry se ele quer torradas logo depois de ele dizer que não quer mais nada no prato! Amy comenta como a relações pública dela dá bronca se ela não aparecer bem na foto, o vestido foi escolhido por alguém – mas depois de uma caminhada, ela tem marcas de suor nas axilas como todo mundo :)

Sarah Jessica Parker (A little hyper aware – 19 de junho de 2014)

Jerry não gosta nada dessa caranga, ehe, mas Sarah é apaixonada por que o carro lhe traz várias lembranças de quando era criança. Comentários sobre o papel de pais, ela pede um pão de centeio e Jerry é “vulgar” na sua gorjeta! Desculpe, mas não acho que Sarah é uma boa motorista…

Matthew Broderick (These people that do these stuff. They stink. – 2019)

Eu quis ver este episódio logo após, pois eles são um casal duradouro, mas Jerry e Matthew parecem ser amigos de longa data e este é um episódio especial (é de uma das temporadas mais recentes, então acho que agora podem investir mais dinheiro em alguns episódios), com os dois visitando o estádio, jogando uma bola, passando pelo vestuário do Mets e comendo hot-dog, com direito a menção ao Curtindo a vida adoidado (1986)****, em que também tem beisebol incluso no passeio. Engraçado como Matthew parece um velhinho gentil e frágil, eu tinha outra ideia dele, e foi engraçado também o carinha da loja se sentindo mal por barrá-los.

Lorne Michaels (Everybody likes to see the monkeys – 14 de julho de 2016)

Confesso a vocês que eu nunca assisti Saturday Night Live (SNL), mas sei que todo comediante reconhecido de alguma forma passa pelo SNL, ou mesmo qualquer alguém que seja meio famoso tem alguma participação nesse show. Imagino que Tina Fey se inspirou nele para fazer a série 30 Rock, que inclusive também é produzida pelo Lorne Michaels. Tem um passeio ali pelo 30 Rockfeller em NY, e ele vai cumprimentar o Jimmy Fallon como parte de sua rotina (vários programas de “late night” são produzidos por este cara!), e a Julia Louis-Dreyfus até pergunta se vai ser paga por isso, haha! Outra coisa legal foi eles falarem do criador do Ceasar Palace (acho que deve ter derivado de pedirem uma salada Ceasar?) e irem ao “Monkey Bar” e terem uma conversa com analogia sobre animais, que as pessoas assistem ao show como vão ao zoológico, primeiro vão ver os leões e por último os macacos :)

Julia Louis-Dreyfuss (I’ll go if I don’t have to talk – 03 de junho de 2015)

Ehe, já gostei da ideia do Jerry de que ela é uma “matadora” na comédia, então o carro pode ser um do James Bond. Eu ando escolhendo os episódios aleatoriamente, mas até parece de propósito: mais um em que encontram uma versão moderna do mesmo carro na rua! Engraçado como eles hesitam em irem reclamar do café (afinal, são famosos e depois os outros vão ficar comentando que são “divas”?), os dois tem admiração genuína um pelo outro, relembram alguns momentos da série e Julia até pega umas dicas com a esposa do Jerry.

Eddie Murphy (I just wanted to kill – 2019)

Dia desses foi aniversário do Eddie Murphy (e é a mesma data do Alec Baldwin!), então cedi à indulgência deste episódio que poderia ser dois em um porque tem uns 40 minutos. De repente eu percebi que não vejo muitas entrevistas com famosos, então não sei como eles falam ou o jeito deles na vida real, eu praticamente deduzo pelos papeis que eles fazem nos filmes – e foi interessante achar que Eddie é mais sério do que eu imaginava, apesar de instantaneamente conseguir se referir a alguém imitando a pessoa ao mudar apenas o tom da voz, seja Tracy Morgan ou Michael Jackson (!). Também descobri que ele e Jerry começaram na cena nova-iorquina de stand up na mesma época, e foi legal ele expor a questão do negro, até mesmo não esconder a antipatia de um colega de profissão por ele.

 

Algo novo para minha rotina: Comedians in cars getting coffee

Metade do mundo em “quarentena” (essa palavra não deveria significar 40 dias?), o que vocês andam fazendo? Eu terminei a última temporada de BoJack Horseman, mas digamos que não tenha ficado muito animada a escrever o último post – se bem que, com essa série animada era de se esperar que eu não ficaria muito feliz ao terminar, por vários motivos…

E euzinha, que já estava de quarentena (pós-parto) antes, poderia estar já enjoada de ficar em casa? Praticamente desde final de janeiro estou vivendo essa realidade meio estranha de não sair para trabalhar, meu trabalho agora é 24h me dedicar à baby, com algum intervalo aqui ou ali para limpar algo em casa, talvez assistir algo na TV, comer, e quando dá, tomar banho.

Muito tem se falado do perigo da depressão de ficar isolado em casa, daí eu fico me perguntando o quanto sou antissocial, porque às vezes parece até que prefiro o isolamento (!). Não sinto falta de ir para o meu serviço, às vezes acho até que eu era mais depressiva indo (!!). Talvez eu não tenha nascido para trabalhar, mas para ficar em casa, vendo filmes e escrevendo – ehe!!!

Mas o fato é que, pensando bem, eu lido muito bem com isolamento, hmmm. Porque eu gosto de ficar com meus pensamentos, gosto de poder ter um tempo para imaginar cenas… e parece até que fazia um tempão que eu não tinha me permitido ter isso.

Tudo bem, eu sei que este é um ano atípico, provavelmente depois de um ano de idade a baby vai exigir menos da minha atenção (ou não?), e como sei que é temporário, estou me deixando curtir o momento. E se antes eu me cobrava tanto – todas as coisas que eu “tenho” que fazer! – , agora eu me deixo viver um dia de cada vez. Assim, apesar de parecer que eu não estou “fazendo nada”, eu não me sinto tão mal… sem falar que cada dia é dedicado a um outro ser, uma outra vida que deve (espero) continuar por esta Terra e ter sua própria experiência desta existência além da minha. Mas eis que me pergunto se não estou vivendo melhor assim, “sem fazer nada”, do que estressantemente me exigir (e achar que as outras pessoas exigem ou esperam) tanto de mim?

Bem, divagações à parte… eu não criei exatamente uma “rotina” em casa, apesar de já ter mais de um mês que voltamos pra casa. Porém, pela manhã, a bebê toma o leitinho, eu tomo café, e algo que tenho incluído ultimamente nessa quase rotina (os horários variam, tem dias que eu vou colocar a roupa pra lavar antes…) é ver um episódio da web-série do Jerry Seinfeld, Comedians in cars getting coffee. São episódios curtinhos, só um ou outro chega a meia hora (o que poderíamos considerar 2 episódios juntos), e em vez de ser um programa de entrevista normal, o Jerry pega algum carro muito estiloso e vai tomar um café com seu convidado, dizendo até que só vai se encontrar com pessoas que ele gosta – comediantes!

Então, eu tomo meu café e enquanto a baby cai no sono no meu peito, eu vejo um episódio, como se eu estivesse me convidando para ir tomar café com Jerry e alguma personalidade. Acho que tem tornado as minhas manhãs um pouco mais interessantes, é uma boa vibe para começar o dia.

Vendo a lista de episódios, tem muitos nomes que eu nem conheço ali, talvez sejam mais conhecidos nos EUA. E como não seguem uma ordem exatamente, decidi ir vendo aleatoriamente conforme as pessoas que eu já conheço (mas pretendo pesquisar no futuro o nome de um ou outro no Google, se chegar a ver todos os episódios).

Eu posso fazer isso, né, se até mesmo a Netflix decidiu pegar tudo o que tinha no Crackle e trazer misturado pra gente… pois é, não seguiram a ordem em que os episódios foram originalmente transmitidos, então tem coisa ali na primeira “temporada” que é de 2012 e tem uns que é de 2019 aparecendo bem antes de 2014… Daí que eu até poderia fazer aqui na ordem, mas não teria a mesma graça, eu acho. Se vocês derem uma olhada no Wikipedia, podem encontrar a lista completa: com a temporada correta, as datas em que cada episódio foi lançado, o carro em que andaram e o restaurante onde foram comer, e ainda o episódio correspondente no Netflix. Então vai lá se quiserem na ordem.

Nesta primeira semana eu tomei café com: Kristen Wiig, Tina Fey, Christoph Waltz, Judd Apatow, Alec Baldwin, Larry David, Ricky Gervais, Seth Rogen. Abaixo escrevo só alguma nota de algo que me chamou a atenção ou gostei em cada episódio.

 

*Kristen Wiig: uma Volvo-sensação (The Volvo-ness – originalmente transmitido em 5 de janeiro de 2017)

Kristen toca ukulele e tem um estilinho meio hipster, hey também quero! Eles dão uma passeada na rua e até param para uma casquinha de sorvete, e para dizer na loja de óculos que a atendente sempre vai dizer que estão ótimos.

 

*Tina Fey: fezes estão na minha jurisdição (Feces are my purview – 30 de janeiro de 2014)

Ela foi a primeira roteirista do SNL e eu adorava assistir a série 30 Rock, embora eu nem tenha visto todas as temporadas. Achei legal ela entendendo que foram fases da sua vida e procurando pensar no que vier a seguir, talvez mais filmes… e quando fala da filhinha fazendo careta pro Alec Baldwin e Steve Carell, já que a mãe passava muito mais tempo com eles do que com o pai!

 

*Christoph Waltz: champagne, charutos e massa de panqueca (Champagne, cigars and pancake batter – 02 de fevereiro de 2017)

Jerry considera este um comediante pelo trabalho em Bastardos Inglórios (2009)**** hahaha! Christoph é pego numa loja de materiais de construção (?!) e fala da diferença do humor em Viena, pedem as panquecas estadunidenses, crepes franceses e waffles belgas… ele parece um cara meio “chato”, mas saem os dois no pedalinho, óin :)

 

*Judd Apatow: fugindo de Syosset (Escape from Syosset – 30 de junho de 2016)

Muuuito legal as fotos antigas, e que caos é esse lugar em que ele trabalha? (xenti, como consegue trabalhar assim?). Confesso que nem gosto tanto assim dos filmes dele, mas o cara pareceu tão humilde, dizendo que depois de Freaks and Geeks (1999) ele se perguntou o que mais podia fazer, e me deu até vontadezinha de ver essa série.

 

*Alec Baldwin: cretino, preguiçoso e sem objetivo (Just a lazy shiftless bastard – 16 de agosto de 2012)

Os dois tem a mesma cidade de origem e Alec acha que ele lutou muito mais na vida para não ser tão famoso quanto Jerry! Eles saem do centro de NY pra tomar esse café e vão ter o que o restaurante tem, “brilhante”!

 

*Larry David: Larry come uma panqueca (Larry eats a pancake – 19 de julho de 2012)

É o primeiro episódio ever. Nossa, não sabia que o Larry David cuidava tanto assim da dieta! Na verdade, eu não sabia nada sobre Larry David, exceto que ele era criador da série Seinfeld junto com Jerry. Eu entendo o ponto dele sobre ser a mesma coisa tomar uma xícara de chá, os dois recordam algumas coisas e é engraçado até que os dois são grandões para andar em um fusquinha… “você conseguiu fazer um show sobre nada!”

 

*Ricky Gervais: louco em uma máquina assassina (Mad man in a death machine – 02 de agosto de 2012)

Puxa, eu nunca tinha imaginado que este episódio seria tão divertido! É hilário o medo genuíno do Ricky andando naquele carro, com o Jerry dando risada ao lado! Muito bom! Interessante também ele mencionar o papel de host do Globo de Ouro (este ano de 2020, segundo ele, foi o último).  – “Até Jack Bauer teve 24 horas!” (pra desarmar uma bomba)

 

*Seth Rogen: nós temos carne! (19 de julho de 2019)

Primeiramente, adorei o carro tipo Os irmãos cara de pau (1980)****! E não sabia que o Seth Rogen tinha começado tão cedo, até mostram uma cena dele fazendo stand up aos 15 anos! Também foi engraçado ver ele suando de nervoso, e que bom que conversaram um pouco sobre Bill Cosby :)

 

Como seria o seu filme sobre Corona vírus?

“Um vírus novinho em folha, fresquinho, pra você” – é uma frase que o personagem de Dustin Hoffman faz a determinado momento para seu superior no exército, vivido pelo Morgan Freeman. No filme Epidemia (Outbreak / 1995)**, o doutor Sam de Hoffman está querendo encontrar a causa para gerar um “antídoto” para o que ele acha ainda ser um vírus novo, mas que na verdade foi um caso abafado muitos anos antes para ser guardado como arma biológica. Até que a narrativa vai se desdobrando para prender nossa atenção, primeiro o macaquinho hospedeiro é contrabandeado e depois solto em uma floresta qualquer, as pessoas ficam doentes, a gente se pergunta como o doutor vai conseguir chegar até esse bendito macaco, tem personagem próximo dele que também fica infectado (a ex-esposa vivida por Rene Russo) gerando a urgência para realmente conseguir uma cura, tem até acrobacias com helicóptero e autoridades no poder para driblar e evitar que uma cidade inteira seja aniquilada. No filme, as pessoas doentes ficam num aspecto moribundo cheias de manchas e furúnculos de sangue – até para acentuar a gravidade dessa doença; elas tem apenas 2 dias antes de morrer e o vírus a princípio não se espalha pelo ar, até sofrer mutação e se propagar não só pela saliva, mas com espirros ou tosse, como uma gripe comum.

Acho que nesta época de corona vírus vários filmes apocalípticos vieram à mente das pessoas, não? Qual foi o seu? Com as ordens de quarentena e isolamento, ver ruas que antes eram super movimentadas se esvaziarem e um país inteiro ter que parar (a Itália, quem diria? O país do papa… foi realmente uma cena de cinema vê-lo caminhar pelas ruas vazias). É claro que esse filme do diretor Wolfgang Petersen tem um clima de catástrofe tenso e angústia bem mais exacerbada, mas a cidadezinha dos EUA é isolada pelos militares e os cidadãos devem ficar em casa, quem tem sintomas de tosse e febre deve se apresentar para exames… sempre tem – neste e em outros muitos filmes – alguma cena com a qual a gente pode acabar se relacionando e nos pegarmos surpresos por estarmos vivendo um momento quase igual na realidade! Os criadores da série da família amarela Os Simpsons que o digam.

Pois é, aqui no blog também eu tenho uma categoria chamada “Cenas do filminho da minha vida” que é algo assim: algum momento da minha vida real que coincide com algum momento, cena, de algum filme ou série por aí.

É até engraçado eu parar para pensar que já estava “em isolamento” antes mesmo deste caso virar uma pandemia. Como eu estava grávida e tive minha filhinha no início de janeiro, ainda estou naquele período inicial em que a dedicação total é ao bebê. Principalmente porque passamos praticamente fevereiro inteiro no hospital. Eu só saí algumas vezes para ir ao médico, farmácia ou super-mercado – ei, quarentena! Porque a bebê até 3 meses também não pode ficar exposta por aí, por não ter anticorpos suficientes… hmmm O que a geral, principalmente o pessoal de mais idade, está vivendo agora é o que eu já venho vivendo, cenas do filminho da minha vida…

E daí a gente começa a pensar diversas coisas e elaborar mais suposições para esta nossa vida em sociedade na Terra, né? Fiquei pensando que no Japão a contenção não deve ter dado tanto problema, pois eles já estão acostumados a usar máscaras e se cumprimentam de longe… Que euzinha não tenho problema algum com isolamento, já vivi a adolescência (14 aos 17 anos) num lugar sem muito convívio social, praticamente só minha família, estudava em casa. Assim, eu já imaginei como seria, como no filme A Rede (1996)**, a personagem de Sandra Bullock conseguindo viver só em casa, na base de entregas e sem muitos problemas com isso! Na época eu tinha umas fitas de vídeo-cassete e um serviço de canal pago para ver filmes – e hoje em dia, já foram desenvolvidos muito bem os serviços de streaming… Hoje em dia, até cerimônias religiosas foram restritas, mas podemos manter a fé “à distância”. Podemos comprar um livro, ou qualquer outra coisa, pela internet. E as conexões pela internet se desenvolveram desde então, hoje podemos ter contato com nossos amigos e familiares muito mais facilmente, por um aplicativo no celular – acho que esta é a hora mais que apropriada para fazermos bom uso disso!

Fiquei pensando em quantos serviços no mundo na verdade podem ser feitos de casa. Claro que tem muitos serviços que necessitam de pessoas na rua – quem vai produzir os alimentos e itens básicos, quem vai entregá-los? E os serviços de saúde, segurança, fiscalização, entre outros. Mas fiquei pensando em como até seria melhor que houvesse mais revezamento de funcionários nas empresas e serviços, não só para evitar aglomerações, evitar picos no trânsito e transporte público, mas pra oferecer também horários mais flexíveis para que os seres humanos pudessem ser mais humanos, e ter um tempo para a família, os amigos, algo que lhe dê prazer. Mesmo que os salários fossem menores, mas teríamos menos desemprego também? E se os preços também acabassem se ajustando para esses salários menores?

Na verdade, tudo isso eu já tinha pensado antes. E eu já tinha pensado esse filme. Algo que acontecesse para reinventar a sociedade. Para darmos mais valor a determinados trabalhos – como o pessoal de saúde, educadores para informação e pesquisa séria e correta, quem garante saneamento, ei, lixeiros!, o mínimo para sobrevivermos, são indispensáveis; e menos valor a outros – como o pessoal de entretenimento e esportes, políticos, podem ter uma renda tão discrepante!? Uma divisão melhor de renda e de bens, condições dignas de vida para todos.

Parece até um passo para trás, mas incluiria algo que faria muito bem para nossa sobrevivência e evolução: priorização das trocas locais, produção orgânica e atendimento mais rápido e próximo das necessidades da população, em pequenos grupos ou comunidades. Algo que faria muito bem ao meio ambiente, sociedades mais sustentáveis e menos pegada de carbono. Alimentação mais saudável, de frutas e vegetais; aproveitar melhor a água da chuva e a energia do sol; e se todos aprendessem a gerar menos ou zero lixo?

Claro que uma grande mudança, assim em âmbito geral, levaria muitas vidas – quantas pessoas no mundo estão impossibilitadas, mesmo agora, de uma higiene adequada ou recursos mínimos para viver? Seria como uma “limpa” da população mundial, desculpem se estou sendo radical e insensível, mas é o meu filme. É um mal que seria necessário para criar uma sociedade realmente melhor. E ficariam pessoas solidárias, que pensam no próximo, pois unidos sobreviveriam – seja indo ao mercado no lugar de outro, como já está acontecendo, ou oferecendo algo, partilhando algo, salvando mais uma vida por não esperar nada em troca, apenas juntos vivermos e compartilharmos esta Terra.

Pois esse seria o meu filme.

Não seria de conspiração política – como poderia ser agora, por motivos econômicos? Esse vírus já existia e agora decidiram usá-lo? Me ocorre também que pensar em fazer filmes agora talvez poderia incluir um futuro de atores digitais, como a Robin Wright em Congresso Futurista (2013)***? Como se darão as produções num pior dos casos de termos que viver eternamente em isolamento? Vamos viver das milhares de produções que já foram feitas ao longo da história da humanidade? Sim, temos grandes filmes na história do cinema que daria pra preencher anos de vida! Mas não teríamos mais a experiência de uma sala de cinema, o sentimento coletivo de ver um filme, um show, uma peça de teatro, compartilhando com outros?

Claro que na vida real não acredito que vamos chegar a esses extremos. Mas como é que vamos enfrentar esta crise mundial? E o que vamos tirar de tudo isso? Será que simplesmente vamos querer voltar à “vida comum” (capitalista, consumista, egoísta?) ou poderíamos aproveitar este acontecimento para refletirmos, mudarmos, fazermos algo? Lembrando que o momento pede a colaboração de cada um; mais do que nunca, vemos na realidade a velha máxima de que cada um fazendo a sua parte é o que vai fazer a diferença.

O meu filme seria um filme de ficção do fim do mundo, um pouco filosófico (nem tanto Malick – acho que já desisti dele desde A árvore da vida…), mas otimista.

E o seu?