Oscar 2019 – o meu mais musical

É, parece que neste 2019, meu ano realmente só começa depois do Carnaval. Quem sabe eu escreva no outro blog a primeira vez em que fui num bloquinho: que toca músicas dos Beatles no ritmo carnavalesco! Sim, achei um bloco de carnaval pra chamar de meu.

E logo no dia seguinte, temos o Oscar com sambinhas – agora sim começa meu ano? Espero que sim, porque foi uma correria desses primeiros meses, logo que saíram as indicações no final de janeiro eu pensei: “este ano tá fácil, já vi metade dos indicados a melhor filme!” e achei mesmo que iria ver vários de outras categorias… até parece, né.

A questão é que todo início de ano temos um treinamento espiritual no templo, entre outras atividades, o que acaba consumindo muito mais tempo e energia do que poderia se esperar (e ainda existe o fantasma de querer uma outra vida me assombrando). Não consegui então fazer os posts para cada filme ou mesmo o dos meus votos antes da festa, mas o que seria mais perfeito pra mim do que cinema e música para acalentar o coração?

(os oscarizados deste ano em negrito e alguns comentários também, porque é disso que a gente gosta, não? Oscar todo mundo consegue comentar : )

Atriz coadjuvante: Regina King (Se a Rua Beale falasse) – ah, eu achei muito decente e belo vestido.

Documentário: Free Soloera o favorito, não?

Maquiagem e cabelo: Vicemeu voto também, é o que mais gente viu, e impecável mesmo, não? Adorei as transformações, não só para Dick Cheney, mas Bush e até a esposa envelhecendo.

Figurino: Pantera Negra – ah, valeu, né? O primeiro filme de super-herois no Oscar não fez feio, misturaram referências africanas e tecnologia (aliás, o que eu mais gostei nesse filme foi imaginar que a África abrigaria na verdade a terra e o povo mais rico e avançado do mundo) 

Desenho de produção: Pantera Negra – meu voto era Roma, com a reconstituição da época, do cinema, do campo com as crianças, da maternidade, do protesto… de traduzir em imagem as memórias do diretor.

Fotografia: Romameu voto também, belíssima, com as texturas e o sentimento de um tempo que fica e até parece homenagem a um italiano, pra fazer jus ao título.

Edição de som: Bohemian Rhapsodymeu voto era Um lugar silencioso, só porque é um filme bom mesmo e a gente presta atenção demais nesses sons?

Mixagem de som: Bohemian Rhapsodye daí a gente sabe que misturar a voz do Rami com a do Freddie e… a gente aceita bem, certo?

Filme estrangeiro: Romameu voto era Um assunto de família, porque o filme do Koreeda realmente toca fundo para uma sociedade em que as relações familiares podem ser bem difíceis e estes tempos de dureza… E daí eu poderia dar voto de melhor filme pra Roma, hehe.

Montagem (edição): Bohemian Rhapsodyconfesso que só estava torcendo pra Vice não ganhar… eles querem fazer uma edição “espertinha”, mas tem hora que eu acho exagero.

Ator coadjuvante: Mahershala Aliera o favorito, mas pior que eu gostei mesmo do trabalho dele em Green Book; não deve ter sido uma composição simples, tem as sutilezas e é um personagem fascinante.

Filme animado: Homem-Aranha no Aranha Versopoucas surpresas neste Oscar, né? A verdade é que não tínhamos tão boas seleções assim de 2018, então ficou o que impressionou mais pela técnica, eu acho. É divertido a possibilidade de vários universos e o Homem-Aranha de meia-idade, haha, mas não tocou na alma e tenho a impressão de que logo vou esquecer dele.

Curta animado: Baopois é, né, acho que foi o que o pessoal mais viu e acabou sendo esse mesmo. Mas eu também queria ser igual essa animadora, que fazia storyboards de Divertidamente e agora taí ó; ai, ai, essa vida que eu queria e nunca foi.

Curta de documentário: Absorvendo o tabudesculpem minha ignorância, agora é que descobri o que é a “igualdade menstrual”. Então parabéns às meninas, porque a mensagem taí no mundo.

Efeitos visuais: O primeiro homempra mim esse foi surpresa, achei que iam dar pro Guerra Infinita!

Curta: Skinconfesso que nunca consigo ver os curtas, os caras pareciam bem surpresos também! 

Roteiro original: Green Bookpode soar muito explícito entregar uma fala como “é preciso coragem para mudar o coração das pessoas”; mas essa narrativa combina momentos mais cômicos, realidade regional, algumas liberdades e faz a gente torcer pelos personagens. Não tá bom? Lembre-se que tem mãos do Peter Farrelly (gente, o cara do Debi & Lóide 2!) e vocês vão se sentir gratos pelo roteiro ter saído bonitinho assim.

Roteiro adaptado: Infiltrado na Klanparece que o povo ficou meio surpreso, mas não valeu a pena o Samuel L. Jackson animadão pra anunciar e o Spike Lee pulando pra abraçar, terminando o discurso com Do the right thing (é, título daquele filme dele lá…)? Ah, e vamos combinar foi uma história bem legal pra se adaptar pras telas, adorei conhecer esse caso do infiltrado e as reuniões da KKK; ainda mencionando o cinema como motivador das massas (Nasce uma nação virou ícone na história do cinema, mas todos concordam com esse lado terrível da obra); e a ligação com fatos recentes para estarmos alertas e não achar que isso “foi coisa do passado”.

Trilha Sonora: Pantera Negrae os memes com a Gretchen, hein? Uhu. Na verdade eu tinha gostado da do Desplat com toques japoneses, mas esse novato também une a música clássica e ritmos africanos, tudo bem.

Melhor canção: Shallow (Nasce uma estrela) – não tinha como, gente, não tinha.

Melhor ator: Rami Malektá, temos os SAGs e os termômetros do Oscar, mas no fundinho eu tava torcendo pro William Dafoe finalmente levar um, contra tudo e todos.

Melhor atriz: Olivia Collmanopa, eu jurava que seria a Glenn Close! E seu vestido dourado ma-ra, fabuloso. Bem, o discurso da Olivia valeu a pena, foi muito autêntica, “It’s hilarious!”. 

Diretor: Alfonso Cuarónpoxa, o cara fez tudo, tinha que levar, né? E o todo ficou belíssimo, dá pra sentir que foi trabalho de muito afeto para encantar o mundo. Fofo do Guillermo entregando, mexicanos dominando nos últimos anos!

Filme: Green Bookhmmm. Vi gente mencionando Crash (e eu lembro desse Oscar também, credo, ficando velha. Percebo que conhecia mais nomes do In Memorian do que 10 anos atrás, ficando velha).

* * *

Muito rosa nos vestidos, laços, o tapete vermelho foi divertido, já fazia tempo que precisavam de um boost? Inclusive com gente vestindo metade smoking metade saiona. Não teve praticamente surpresa alguma sobre os que levaram a estatueta, mas a propaganda de cerveja inovou sem ficar repetindo a mesma frase, não teve politicagem chata, não teve piadinhas prontas, achei que ia dormir no meio, mas aguentei sim – a festa em si até que foi legal.

Como sempre, o cinema é consolo pro meu coração – lembram-se de que eu estava falando em incluir mais música na minha vida?

No ano de Oscar sem host não teve distribuição de comidinhas e começamos com Queen, melhor Oscar ever (não, o vocalista não é bom, mas o resto… é o Queen, gente, o Queen tava lá, e até o Javier Bardem tava curtindo!). Aliás, creio que você que acompanha Oscar faz algum tempo já deve ter parado em algum momento pra pensar como eu: “eles precisam mesmo de um host? Pra que serve?” – e não é que muita gente aprovou? Festa mais rápida, com um monte de comediantes se dividindo pra apresentar as categorias. E não teve número musical, e nem musical concorrendo, mas…

… teve a Lady Gaga e o Bradley Cooper cantando a música que ficou na nossa cabeça (e certeza que ele coordenou o pessoal das câmeras pra que a gente se sentisse assistindo a um filme, ao mesmo tempo que fez jus ao próprio filme deles, intimista e envolvente).

Por isso, este 91st Oscar vai ficar lembrado por mim como aquele que foi o mais musical. Vou até querer ver Quanto mais idiota melhor.

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Como “Nasce uma estrela” me ajuda neste final de ano (que vamu combiná, foi do cão)

É, vem chegando mais um final de ano e eu nem sei o que dizer a vocês. Eu queria escrever pra todo mundo, como de praxe, amigos próximos ou que ficaram mais distantes, familiares, conhecidos, todo mundo; mas, como de praxe, muito trabalho no final de ano e sem tempo nem pra trocar a fotinho do perfil do whatsapp (sim, meu cabelo cresceu desde o ano passado!)

No horóscopo chinês, este ano é do cachorro, e eu esperava que fosse ser um ano muito bom pra mim (que nasci no ano do cachorro, meu ano!), assim como 1994 foi bom, e 2006 foi excepcional. Porém, eis que… é, pois é, não é.

2018 foi do cão mesmo. Dá até uma alegriazinha que tá acabando – porque a gente quer é mudar, quer partir pra novos tempos. Talvez eu deva encarar assim, como um ciclo de 12 anos se fechando, que tal?

Aliás, eu queria ter escrito por aqui, eu gostei de “Ilha dos cachorros” (2018)***! Ignorando quaisquer controvérsias, a trilha remetendo ao taikô (os tambores japoneses), as diversas cutucadas políticas figuradas, o visual sempre peculiar e engraçado, nem as metragens típicas do Wes Anderson me incomodaram. E olha que eu vi numa telinha na poltrona de um voo longo do Japão – quando o filme é bom não importa onde ou em qual tela você esteja?

E é claro que eu poderia escrever nem que fosse parcas palavras sobre alguns que não ganharam texto por aqui, mas obviamente me apeteceram: Jumanji, Um lugar silencioso, Corra!, Me chame pelo seu nome, Trama fantasma, Vingadores: Guerra Infinita, Viva!, Jogador No. 1, até que foi um ano bem legal para o cinema, com filmes que realmente gostei – até Bohemian Rhapsody, que é só porque está mais recente na memória e deu vontade de cantar todas as músicas do Queen a semana inteira. (não, eu não gostei da dentadura do Rami Malek, embora admita que ele trouxe uma energia incrível pro projeto)

Mas, embora eu tenha me emocionado muito, se eu for escolher um título pra falar que me surpreendeu e realmente acalentou este ano de 2018, foi “Nasce uma estrela” (2018)***. E, talvez, pra isso, coubesse eu voltar até John Carney, que só com dois filmes já entrou na lista dos diretores do coração (com Sing Street e Mesmo Se Nada Der Certo). Porque de vez em quando a gente precisa se reinventar, né. Desde que me conheço por gente eu sempre quis fazer cinema, e me perdi nas estradas da vida, e confesso que este ano foi bem complicado.

Sofri um momento de grande depressão e quis mesmo jogar tudo pro alto, nem que fosse pra vender tapioca na rua ou ir pro Japão de novo, só trabalhar numa fábrica, sem maiores preocupações sobre o sentido da vida. E me senti tão cansada, e fiquei doente tantas vezes – o que simplesmente atribuo a expressões externas pelo corpo do que não tava muito bem internamente, na alma.

Nos filmes citados do Carney, os personagens encontram um quê a mais na vida, ou para se reerguer, pela música. E quando o personagem do Bradley Cooper canta “maybe it’s time to let the old ways die”, isso ressoou na alma, em especial, neste ano. É aquela sensação de “basta” – talvez de outra maneira, mas até nas eleições sentimos isso? A gente quer fazer algo diferente, a gente quer mudar. Já faz 9 anos em janeiro que estou neste serviço e, creio que é natural desta geração, destes tempos, não se conformar simplesmente em como está.

Cooper me surpreendeu de verdade – e não é que o rapaz sabe dirigir? Até forçou a voz e tem aquela brincadeira interna com o Sam Elliott; e esse tema que se liga à própria experiência, de drogas e álcool. Eu fui pesquisar, as outras versões do filme são completamente diferentes – resolvi até assistir ao Espelho tem duas faces (1996)** da Barbra Streisand porque eu não queria ver Nasce uma estrela em si e estragar a outra versão, mas queria ver algum dela que eu nunca tinha visto… e é bem engraçado, achei até moderno, com a inversão dos papeis, é o cara que não quer sexo, e diferente de outras comédias românticas, ele gostava mesmo é da mulher mais “ao natural” dela – adorei.

Outra pra quem eu não tinha dado chance, Lady Gaga nunca me pareceu tão humana e tão talentosa – depois fui até assistir ao documentário sobre ela no Netflix. O personagem dela, a Ally, também me toca lá no fundo porque eu também queria ter tido essa “sorte”, eu também um dia tive um sonho de artista, e além de conseguir explorar um talento inato, encontrar o amor – assim como um dia eu já sonhei com o DiCaprio? ehehe. Mas eis que ela acaba se deixando levar e o próprio Jack perde a direção quando percebe o quanto mal está fazendo… ai, vai dizer que só eu chorei?

A química foi ótima, o visual, o clima de bastidores, de exploração da mídia, os coadjuvantes, a fotografia, a trilha, tudo funcionou.

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Bem, mas o que eu queria mesmo dizer é que eu pretendo incluir mais música na minha vida. Já faz muitos anos que eu queria isso, e mesmo para ajudar contra a depressão. Eu não entendo nada de música, só conheço Legião e Beatles, mas sinto que preciso fazer algo diferente e ter novas aspirações. Não, não é que eu queira ser famosa como a Ally, eu só quero fazer mais algo que eu goste. E quem sabe com isso eu também não consiga aquela velha meta – de ter mais contato com os amigos, levar a vida mais de boinhas…

Os ensinamentos budistas que sigo falam que o mês de dezembro não é o final, mas consideramos como mês de “partida” para novos tempos. Neste mês eu já comecei a cuidar mais da diabetes e pretendo continuar, para esse novo momento da minha vida que eu quero ter. Com mais saúde. Física e mental. Também já tenho conseguido mais de algo que há tempos eu queria: saber mais de iniciativas conscientes sobre o meio ambiente. Existe um blog que encontrei que divulga posts quase que diariamente sobre o assunto (Life & Soul Magazine) – e eu acho isso muito legal. Na alma, é isso o que eu queria também: divulgar mais as coisas boas pra vida.

Então, não sei ainda se até mesmo o blog vai encarar por aqui alguma mudança, ou se vou acabar me dedicando mais a essas coisas por outros meios… mas ainda acredito nos ensinamentos budistas – vocês sabem que o Bertolucci que eu admiro não é por “O último tango em Paris”, certo? E também não é por “O último imperador”, sorry.

Por agora, o que posso dizer é um muito obrigado aos poucos leitores que me visitam, e que desejo a todos as mudanças quando elas forem necessárias; que consigam também se reerguer se caírem – porque as quedas e arranhões também são necessários pra depois a gente dar valor à bem-aventurança; que possamos começar de novo Mesmo Se Nada Der Certo; desejo felizes festas a todos, sabendo que Nasce uma Estrela a cada vez que você sorrir (ou que a lágrima cair também, dependendo da lágrima ;)

Tell me somethin’, girl
Are you happy in this modern world?
Or do you need more?
Is there somethin’ else you’re searchin’ for?
I’m falling
In all the good times I find myself
Longin’ for change
And in the bad times I fear myself
Tell me something, boy
Aren’t you tired tryin’ to fill that void?
Or do you need more?
Ain’t it hard keeping it so hardcore?
I’m falling
In all the good times I find myself
Longing for change
And in the bad times I fear myself
I’m off the deep end, watch as I dive in
I’ll never meet the ground
Crash through the surface, where they can’t hurt us
We’re far from the shallow now

Stan Lee e a “limpa” do próximo mês no blog

Puxa, eu queria escrever um post mais decente no blog, algo bem legal para o Stan Lee. É uma daquelas mortes que a gente não espera, mas na verdade não me surpreendeu tanto assim – 95 anos e pra mim, ele se divertiu um bocado e aproveitou bem a vida aqui na Terra. Horas depois que fiquei sabendo no dia, fui ver e já pipocavam listas na internet das pontas que o criador de quadrinhos mais famoso da atualidade fez nos filmes relacionados à Marvel. E não é? Uma das coisas mais divertidas era ficar esperando pra ver onde é que o Stan Lee ia aparecer!

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Seja como um Larry King, um Hugh Hefner, pra cortar o cabelo do Thor, como DJ…e eu meio que fiz uma “homenagem” à minha maneira revendo “Big Hero 6“, pra mim é o melhor cameo! Ele mesmo é um herói (e não é na vida real mesmo? Só por ter criado tantos supers pra gente) e até ensina o filho a usar a cueca eco-friendly hahaha. Lembro-me quando Robin Williams partiu eu fiz um post especial para ele, desta vez estou menos inspirada, mas com certeza teríamos uma daquelas conversas divertidas que eu costumava fazer anos e anos atrás…

***

Sim, por falar nisso, este mês recebi a notícia de que o Flickr vai mudar. É uma plataforma que eu uso para fazer meu próprio “álbum de figurinhas” com os cartazes dos que vi no cinema, e também ilustram os posts por aqui, eu tava super tranquilona com meu 1 tera de espaço até que… bem, decidiram limitar se não pagarmos por um plano, e com quase 10 anos desde meu registro, eu tenho umas 1.300 fotos por lá… Resultado: vou ter que sair apagando várias coisas.

Este ano também mudaram a questão do compartilhamento dos posts, do WordPress para o Facebook, a vida de blogueira não anda fácil… daí, claro que passa pela cabeça alguns pensamentos existenciais, “pra que eu faço isso mesmo? será que continuo com o blog?”, eu poderia simplesmente largar mão de tudo. Na verdade nunca fui muito de usar o Facebook (e faz anos que não entro), nem na época “áurea” do Orkut eu usava muito Orkut… Hoje em dia tem muita gente que ganha algo por ser blogueiro, o que não é o meu caso. E se depois de tantos anos com sites e blogs ainda estou neste patamar, é porque eu não devo ser muito boa nisso, acho que não sirvo bem pra isso também…

(não me espanta que essa seja meio que a lógica de eu querer largar meu serviço)

E eu confesso a verdade para vocês: tenho medo de largar o serviço e entrar numa depressão ainda mais profunda e pior, com a sensação de ter absolutamente nada para fazer desta vida, que pouco importaria esta existência.

Pois aí é que está. Mesmo sem as fotos pra dar um “tchã” no visual, eu prefiro escrever. Eu preciso escrever. Eu já contei para vocês que quando estava no segundo ano da escola ganhei um prêmio de uma das melhores redações do ano? Depois no quarto ano, a professora também leu uma minha em voz alta e os outros colegas gostaram muito, imaginando quem é que tinha escrito.

Quando eu morava no Japão eu fingia que estava me preparando para escrever roteiros para cinema, quando eu fiz cursinho eu escrevia poemas, quando eu fiz faculdade, não tinha problemas nos trabalhos e eu também me aventurava em alguns contos de vez em quando.

Mesmo que seja a mais ínfima possibilidade de algum leitor perdido por aí no cyberspaço ler algum texto e se comover, só essa esperança já me deixa me sentindo melhor. Mesmo que eu não ganhe nada com isso.

Algumas pessoas, como o Stan Lee, são tão boas e sabem explorar bem os seus talentos, ficam conhecidas e ganham voz no mundo. Mas assim como enfatizam em Nasce uma estrela (A star is born/2018) – quanta gente talentosa existe por aí afora e acaba nunca sendo conhecida, certo? Não significa que cada um de nós não tenha algum talento em especial. Cada um de nós tem uma qualidade única, ou talvez várias – esse é um ensinamento budista em que eu acredito de verdade.

Mesmo que eu nunca ganhe voz no mundo como a Ally, como eu escrevi em algum post recente, é imprescindível que a gente se permita tirar um tempo e fazer algo que gosta.

Tanta ladainha pra…? É, o blog continua. Mas nas próximas semanas vou dar uma “limpa” em alguns posts. Sei que tem pessoas que visitam os posts sobre os lugares de comidinhas, de hambúrgueres, mas como esses posts também ficam defasados, eles vão ser retirados aos poucos. Os comentários dos filmes por um tempo virão sem foto alguma, os posts que já tinham o poster para ilustrar também ficará só o texto. O blog que eu tinha criado só para falar da diabetes já foi desfeito, não só porque eu não estava dando conta de ficar escrevendo, mas o propósito de me ajudar no controle também não estava dando certo. Ainda vou pensar em alguma solução para os relatos de viagens, pois são os que mais me tomam espaço de fotos.

É claro, eu poderia adquirir um plano pago para o compartilhamento de imagens, mas no momento minha situação financeira está um pouco incerta.

O blog continua, mas talvez seja mais um dos sinais dos tempos de que eu preciso mudar. De alguma forma. Mais um ponto de virada na vida, partir para outra grande aventura, porque foi uma longa jornada dos anos de 2007 pra cá, e já faz um tempo que eu venho precisando mudar e me reinventar. Será que vai continuar só na teoria, ou realmente vou conseguir realizar alguma coisa?

Outro dia estava lá esta frase na rua: “Se você não muda, tudo se repete”.

3 faces e as pequenas loucuras da Mostra…

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Hoje termina a 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, e eu fico pensando na época em que eu fazia aquelas loucuras. Não só de ficar o dia todo em sessões de cinema, passando de uma sala correndo pra outra, planejando os filmes que dava pra pegar e os lanchinhos que dava pra fazer, isso é de praxe. Mas e aquelas sessões que eram canceladas? Eu já peguei caso de atraso porque a lata do filme não tinha chegado, e quando acabou a luz no tal cinema? E quantas vezes não passei raiva porque não consegui a sessão que eu queria, uma vez ficando desde cedo na fila, antes de o cinema abrir, pra chegar perto da hora e vir um carinha monitor da Mostra avisar que tinha ingresso só pra metade daquela fila…

É, eu já desisti tantas vezes do cinema e acho que tô ficando gato velho escaldado, porque, honestamente, tá dando mais onda pra mim não. Em outros tempos, eu teria ido lá passar frio no Vão do Masp pra ver alguma sessão qualquer (e engraçado como sempre faz frio em algum dia da Mostra, e sempre chove em algum dia da Mostra…), só para ter o prazer coletivo de não pagar ingresso pra estar num cartão postal da cidade prestigiando cinema, apesar das luzes e buzinas dos carros atrapalhando, e um ou outro bêbado gritando no meio da sessão (sim! Mostra SP).

Em outros tempos eu teria ido ontem à exibição especial de “Central do Brasil” (1998) ****, em que prometeram presença do Walter Salles e elenco – gente, 20 anos! E pensar na minha felicidade e orgulho ao ver um filme brasileiro estar em cartaz em cinema japonês. Sim, nessa época em que estreou no Japão, eu morava por lá, entendia menos ainda do que hoje de cinema, mas tinha achado lindo.

Em outros tempos, eu teria me esforçado para ir neste último dia de Mostra, apesar do toró que caiu em Sampa, lá no Ibirapuera, fechar com chave de ouro esta temporada de filmes com “Roma”, do Cuarón. Mas vejam só, senhoras e senhores, se a gente não comete nem uma loucurinha? Não consegui pegar ingresso online para “Assunto de família” do Koreeda, e dei um jeito de sair mais cedo para ir até o CineSesc – claro que sem pretensões reais de conseguir um ingresso – mas, não contente, ainda andei (sim, encarei essa caminhada de 40 minutos) até a Cine Sala, lá pelos lados da Fradique, pra descobrir que “Infiltrado na Klan” do Spike Lee também estava esgotado. Claro, claro, um vencedor de Cannes e os dois indicados pelo Guia da Folha? Mas do que adianta a gente procurar escolher algo bom entre os 300 e poucos filmes da Mostra, não é mesmo? A Mostra é pra quem compra pacote, quem se planeja lá atrás, cinéfilo de carteirinha, se você só quer ver um filme “alternativo” tem que se contentar com pouco ou não esperar nada – Mostra é pra mostreiro.

Então, eu optei por escolher minha própria saúde – pelo menos desta vez, pelo menos este ano – e só vi um filminho só. Porque foi o que deu, e tá bom, porque afinal de contas, muita coisa acontecendo na vida por aí, né, fazer o quê.

***

3 Faces (Se rockh /2018) ***

 

Daí me lembro também de que, num passado longínquo, quando eu ainda acreditava que um dia eu poderia ser cinéfila, eu achava demais ouvir que alguém tinha visto um filme iraniano. Eu pensava “que cult, um dia vou ser assim”. Pois bem, pelo menos uma vez na vida posso dizer que vi um filme iraniano. hahaha (mentira, que em algum momento da vida a gente já deve ter visto Kiarostami ou Farhadi, certo?)

Aliás, é impressão nossa ou as estradas aqui também homenageiam um pouco Kiarostami? Bem, bem, vamos lá.

Historinha: um diretor e uma atriz vão até um vilarejo constatar se um suposto suicídio de uma jovem é verdade.

: D – Aqui, as pessoas da vida real retratam a si mesmas, coincidindo o nome dos seus personagens. E não podemos ignorar que o diretor e um dos personagens principais está na verdade impedido de sair do país (e até de filmar?). Se pensarmos então quem são as 3 faces – uma aspirante a atriz, uma atriz famosa e uma artista do passado, quase esquecida/escondida no meio do nada… não é também interessante pensar que o próprio diretor se mescla com essa terceira face nesse quesito de estar escondido para fazer sua arte? E pensar em como cada um aparece, “dá a cara”; todos mais jovens usam seus celulares, inclusive para persuadir ou mostrar o que quiserem, uma figura pública tem outras preocupações.

: D – e quando os cidadãos percebem que eles não vieram ali para ajudá-los, que ninguém se importa com eles mesmo, perdidos ali no meio do nada, quase sem nem o básico (energia elétrica ou abastecimento)… não é um tapa na face, de quanto a gente dá voz ou importância a certas coisas e outras não?

: D – é esperta e aprovamos a transição de uma cena, quando o irmão está com uma pedra na mão e depois vemos aquele vidro quebrado… às vezes a gente não precisa dizer nada, só observar pra ver no que vai dar.

: D – “e vocês teriam vindo?”, apesar de estarmos com raiva por ela ter usado de subterfúgios, a gente sabe que não teriam não.

Um comentário interessante que ouvi foi que existem alguns momentos em que “dá medo” – aquela mulher andando sozinha à noite e sendo convencida a ir na casa das pessoas, ela não vai ser roubada ou pior?, o boi no meio do caminho não é um golpe? Talvez nós estejamos tão acostumados a estarmos desconfiados de tudo (assim como a gente já começa o filme desconfiando daquele vídeo, junto com Jafari), que não consigamos perceber o que na essência é o lado bom do ser humano? Sua genialidade, sua qualidade, sua pureza… E o que isso tem a ver com budismo? Na linha budista que sigo, sempre dizemos que qualquer pessoa tem o potencial dentro de si para despertar para as verdades que libertam dos sofrimentos. Quando falamos de “desapego”, isso pode significar às vezes deixar de lado alguma “maldade” que vemos, por exemplo, para descobrir a verdadeira essência boa existente em tudo. Mesmo nas pessoas mais difíceis, mesmo nas situações mais limites, mesmo em meio a algum problema.

Os últimos meses, e ai, já chegou a Mostra

Gente… é, já estamos chegando no segundo turno das eleições – e depois de não acreditar que o Trump foi mesmo eleito, o que mais eu poderia esperar deste mundo que virou de cabeça pra baixo?

Os últimos meses foram difíceis e bem cheios, tanto que acabei me afastando dos blogs – e isso me faz uma falta! Mesmo que seja para escrever bobagens, minha terapia é escrever. Eu até consegui alguns objetivos a que tinha me proposto este ano, terminei os livros que há tempos queria publicar, fui para o Japão novamente no último mês de setembro, mas do final de julho até início de setembro estava super atarefada e trabalhando muito para terminar umas aulas para a escola do budismo que frequento, e… fiquei muito esgotada com tudo. Até a viagem não foi tão bem desta vez, foi mais “pesada” do que eu tinha imaginado que seria.

E, claro, como sempre, estou falando do peso na alma. Eu sou uma pessoa que sofre de leve depressão, que de tempos em tempos volta – e acredito realmente que em parte é por esta vida de tempos modernos, que a gente deveria é trabalhar menos e ter mais tempo para fazer o que gostamos, para estar com a família e amigos, ou só pra sentir, pra respirar, mesmo. Mas, enfim, já escrevi muitas vezes aqui no blog como desabafos, e o fato é que voltei do Japão e passei umas semanas bem ruins, realmente sem vontade de fazer nada.

A minha reabilitação é procurar pensar de modo positivo. Procurar pensar em maneiras de manter uma boa saúde – porque, no final, ninguém vai fazer isso por você, você mesmo precisa se cuidar. E uma das questões de saúde para mim, fora a diabetes, é ter menos estresse e me preocupar menos, pensar em coisas boas e me distanciar do que me faz mal, manter a mente e o espírito saudáveis também.

Esses foram meus últimos meses emocionalmente, e acabei não escrevendo por aqui, mas vejamos… o que andei fazendo?

Teve uma época em que eu estava testando vários joguinhos para celular. Por uns dois anos eu só tive um joguinho, que era o da Disney, dos Tsumtsums – acho que eles me pegaram com o evento de personagens do Star Wars (ganhei o Yoda, o Chewie, a Princesa Leia, e derrotamos as invasões do império) e daí não parei mais, até ganhar os personagens de Monstros S.A., Baymax, Toy Story, a Dory, Pocahontas, Mulan, mas… tem uma hora que o jogo em si enjoa. Daí experimentei aqueles jogos de fazer comida, Cooking Mamma dá muito trabalho, desisti; peguei aquele jogo de carrinhos de corrida que roubam dinheiro; aquele que a gente junta florzinhas e vai decorando o jardim; testei vários até chegar naqueles de buscar objetos na cena. E fiquei com June’s Journey. Eu queria até fazer um post sobre como é legal o modo como eles bolaram: a pessoa pode ir passando as “fases” (que são capítulos da história) sem muitas dificuldades, ir decorando a propriedade com o dinheiro que ganha (gosto de imaginar que sou rica milionária e criativamente ir criando os espaços na ilha), tem prêmios recorrentes (os baús que o jogador pode abrir quando preferir, energias inesperadas) e coleções da estação. São várias maneiras prazerosas de manter a gente querendo continuar o jogo.

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E como boa descendente de japoneses, claro que de vez em quando surge algum anime na nossa vida, certo? Ano passado eu gostava daquele de super-herói e da escola de culinária bem competitiva, nestes últimos tempos eu adorei “Hataraku Saibo“. A narrativa é das células do corpo humano como um mundo normal – são como pessoinhas trabalhando aqui e ali conforme sua função, a principal personagem é um glóbulo vermelho que sempre se perde, sem achar o caminho certo pelas regiões do corpo, e a função dela é levar nutrientes… Daí vem uns monstros (tipo vírus, alguma doença) e o mundo fica a perigo, com alguns personagens lutando para salvar o mundo – no caso, o corpo humano. O desenho é muito divertido, com todo o visual das animações japonesas (caprichado) e uma super pesquisa sobre o funcionamento do corpo humano para criar os conflitos, as plaquetas são fofinhas, um simples espirro é como lançamento de mísseis e uma gripe vira uma loucura caótica nesse universo.

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E as séries? Sim, muita Netflix quando a gente não sabe muito o que fazer na vida e não quer pensar nos próprios problemas. Eu vi inteira “O vazio” (The hollow / 2018), sobre uns adolescentes que acordam em um lugar estranho, vão descobrindo poderes, ultrapassando desafios, só que é bem previsível, a gente logo percebe que tudo parece muito com fases de video-game. Vi um episódio só de “Legion”, vi toda a “Fugitivos da Marvel” (2017) que até é interessante, são adolescentes envoltos numa trama que a princípio não faz sentido, tem um culto religioso, uma adolescente que se suicidou, os amigos que voltam a se reunir, um clima meio estranho e a gente quer ver aonde vai dar, até que é bem feitinha. Agora, “The Marvelous Mrs. Maisel” (2017), da criadora de “Gilmore Girls”, pra mim foi excepcional, gostei de verdade e queria escrever um post só pra ela. Tem a mulher que tem talento pra comédia e busca fazer stand up, lidar com a separação do marido, a NY dos anos cinquenta, a vida dos judeus ricos, trilha sonora e visual bem bom da época. Aliás, pretendo dar um post só pra “The good place”, temporada 2, e neste final de ano fazer maratona de “Bojack Horseman”.

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Esta última é mais porque, ultimamente, o que tem me animado é imaginar a vida em Hollywood. Eu sei, eu sei, já sou velha, mas às vezes os sonhos são apenas para serem sonhos, para nos manterem seguindo em frente e não desistir de vez da vida. Sim, nos últimos meses eu tenho pensado muito nos diversos arrependimentos da vida e se eu voltasse no tempo o que teria feito diferente (teria feito o curso de teatro em 2003, teria feito USP Letras japonês, teria procurado trabalhar com dublagem, voltado à Disney, feito Senac audiovisual logo depois).

Já desisti vezes demais do cinema. Não quero mais desistir de mim. Quero fazer mais as coisas que eu gosto – e eu não ligo tanto para dinheiro, para essa questão material, estou falando de felicidade, apesar das adversidades. A gente tem que buscar incluir mais o que a gente ama na nossa vida.

Claro que as coisas nunca vão acontecer do jeito que a gente gostaria ou imagina. E o que deu errado também é a parte importante dos nossos aprendizados. Eu não quero mais fazer uma faculdade de cinema, eu não penso mais em ser diretora. Mas eu ainda gosto do cinema.

Então, os filmes? Ai, ai. Sim, teve os filminhos dos voos de mais de 20h. Teve as Sessões da Tarde, e percebi que hoje em dia isso mudou, né? Não é mais aquelas tardes cheias de aventura, dos filmes “produzidos por Steven Spielberg”, acho que o público desse horário mudou, as crianças e adolescentes de hoje tem cursos à tarde e não tem mais tempo pra bater figurinha, andar de bicicleta ou jogar bola na rua? A maioria dos filmes da Sessão da Tarde agora são comédias românticas… hmmm. Bem, eu fiquei sabendo que Shyamalan vai fazer uma espécie de continuação de “Fragmentado” (2016) *** que resgata o personagem de “Corpo Fechado” (2000) *** e eu revi os dois, foi legal fazer isso, eu já nem lembrava deste último e eu também quis escrever sobre ver os dois filmes juntos, mas… é, percebi que eu tenho que escrever logo, assim que vejo o filme, enquanto ainda está “fresco”, tô realmente pegando idade.

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Um filme que eu vi mais recentemente e me indignou muito foi “Caminhos da Floresta” (2014) – e olha que eu gosto de comédias românticas e contos de fada, mas xenti, que coisa terrível. Terrível, terrível. Tipo, vergonha alheia constante, sabe? Comecei e recomecei umas quatro vezes até que finalmente decidi ir até o final. Procuraram misturar as histórias da Chapeuzinho Vermelho, da Cinderela, da Rapunzel, do João e o Pé de Feijão, já imaginaram a bagunça, né? Me admira que tantos famosos entraram nessa roubada, e a Meryl Streep até foi indicada ao Oscar de novo (pelamor…), a sequência de maior vergonha alheia é quando o príncipe da Cinderella e o da Rapunzel se encontram e debatem quem sofre mais, no meio da cachoeira, abrindo a camisa pra mostrar o peito… Tudo bem, eu admito que eles buscaram incluir momentos cômicos propositalmente, mas simplesmente não deu certo. O filme não sabe o que quer ser, não é infantil, não é romance, é um musical bem capenga, a maquiagem é por vezes ruim, dá impressão que perceberam que já estava tudo perdido e aí falaram “vamos dizer que foi tudo de propósito, é uma comédia”.

Ai, desculpem, este já é um post longo, mas tem coisas que a gente precisa tirar do peito. Eu vejo muita coisa ruim, então, pra estar assim, vocês imaginem…

Ah! E nessas elucubrações sobre a vida, perdendo tempo pensando na própria miséria bem à la Brás Cubas… eis que chega a Mostra! Sim, a Mostra. Quem sabe eu tenha alguma salvação? E eu nem falei do Anima Mundi, que sempre me ajuda um pouquinho, todo ano. Mas é isso, tenho que escrever tão logo posso, sem procrastinar, vamos ver se daqui pra frente eu pratico mais isso.

“I feel pretty” e a dificuldade de cultivar gratidão

Geralmente, nós não ouvimos as histórias daqueles que fracassaram. É claro, são aqueles que foram bem sucedidos que podem nos servir de inspiração e exemplo, motivação para seguirmos em frente, superarmos nossos próprios desafios e também termos esperança, uma chance de vencer. Mas isso não significa que todos aqueles (em número muito maior, creio eu) que tentaram e não conseguiram também não tiveram sua história de esforços válidos.

Confesso a vocês que este ano foi bem difícil. E de tempos em tempos eu me pego naquela espiral de negatividade, deprimida/depressiva com tudo o que eu acho que deveria ter realizado e não consegui. (Embora eu até tenha cumprido alguns objetivos pelo meio do caminho, sim).

E foi um ano bem cansativo. Inclusive a última viagem que fiz ao Japão (acabei de voltar no início da semana). Voltei com a sensação de querer férias das férias, esgotada, e repensando o que realmente eu gostaria de fazer da vida. Será que esse caminho que tenho trilhado até agora, dessa forma, é o que realmente me faz feliz?

Durante o voo de ida, eu assisti a um filme que parece ser bem medíocre, I feel pretty (Sexy por acidente / 2018). Amy Schumer faz uma gordinha que não é feliz consigo mesma, não acredita muito em si e bate com a cabeça um dia, olhando-se no espelho e acreditando que se transformou numa mulher linda e sexy (quem nunca teve vontade de ter encontrado o Zoltar de Big/Quero ser grande, não é mesmo?).

Com essa nova crença, ela muda totalmente de disposição, tendo mais confiança em si, sem achar que é pior que outros só pela aparência. Muda de emprego, anima as pessoas ao redor, inspira até o namorado que arranja por acaso.

Recentemente, em um treinamento espiritual, foi indicado algo semelhante para mim. Por que nós nos comparamos tanto com outras pessoas, nos fechando em nosso mundinho, pensando que somos menos merecedores do que outros, quando na verdade temos tanto potencial? Existem muitas possibilidades para nossa existência, e todas elas estão abertas a nós, mas muitas vezes nos deixamos levar por pensamentos e sentimentos negativos.

Algo que as pessoas tem enfatizado muito é sobre ter gratidão. Sentir gratidão apenas por ter esta vida presente, por cada coisa que nos é possibilitada. Mesmo para o treinamento especial que passei, falamos que o “vazio” na verdade é estar “vazio” de sentimentos negativos que impedem nosso crescimento e evolução. Acredito que isso envolva estar cheio de gratidão.

Pensando bem, se estivermos plenos de gratidão, não teremos essa negatividade nos puxando para baixo, não vamos nos comparar com outros achando que somos piores e não somos suficientes – para acreditarmos em nossos sonhos, em nossas qualidades, para trabalharmos em direção a um mundo melhor, que começa com o nosso redor.

Todos nós somos humanos e temos falhas, problemas. Ainda mais sendo virginiana, no fundo sou levada pelo perfeccionismo e a figura de alguém “ideal”. Mas admitir os próprios erros é também ter compaixão pelo próximo e seus eventuais erros, e isso também é ter gratidão. Pelo que você é e por tudo o que existe ao seu redor.

Cultivar a gratidão não é tão fácil quanto parece, eu bem sei. Não existe uma fórmula, existe? Talvez tenhamos que nos lembrar a cada dia, talvez conseguir dizer “obrigado” todos os dias já seja um começo.  E, talvez, mesmo quando achamos que “fracassamos” em algo, ter compaixão por si mesmo, ter gratidão por todas as possibilidades ainda existentes para nossa vida, talvez seja o primeiro passo para levantarmos de novo.

Retrospectivas, casamentos e mais do que os filmes

Ontem, dia 03 de junho, fizemos um ano de casados! E nos últimos meses teve Retrospectiva do Casamento por este blog aqui, pra quem não pôde estar lá seja qual tenha sido o motivo (e olha que foi como uma trilogia, então você não deve ter visto ou São Paulo, ou Belém, ou NY…), confere lá. Nos últimos dias, inclusive, fizemos uma pequena viagem pro Rio Grande do Norte e pretendemos postar em breve.

Nesse meio tempo em que o blog esteve fora do ar (xenti, dois meses, é tanta coisa que nem sei por onde começar) teve também o casamento do príncipe Harry e da Meghan Markle, lindão, claro… e a gente só comenta aqui porque eu nem sabia que ela era atriz antes de saber do casamento… E eu confesso que eu escolhi no Netflix ver “À beira mar” só porque foi o último com o Brad Pitt e a Angelina Jolie antes de se separarem – e dirigido por ela, e fala de um casal em crise… hmmm

E vi aquele filme em que a Jennifer Aniston quer ser mãe e o eterno Michael de “Arrested Development” (Jason Bates) tem quedinha por ela, e depois ela como mãe naquele filme sobre o Dia das Mães e… é, eu acabo achando que a vida e a arte se confundem e ela não podia ter, então o Brad foi lá e teve um monte com a Angelina, e confesso que nunca torci pra esse casal porque achei ela uma bitch (desculpa aê, sei que é aniversário dela e tal) e todo o embrolho terrível, enfim, quem sou eu, mas acabei vendo esses filmes bem ruinzinhos. E confesso que depois que a Jennifer se separou, fiquei torcendo para voltarem.

Vamos falar de algo bom, um dos destaques do mês de abril foi “Um lugar silencioso” (2018)***. Que filme mais bem aproveitadinho, hein, quem diria que o John Krasinski, eterno Jim do “The Office”, teria uma mão tão boa. E ainda ao lado da esposa, Emily Blunt, pegou um bom gancho com a menina surda e a esposa grávida, que gera complicações arriscadas no cenário estabelecido de aliens que matam pelo som… vários detalhes que somam e alguns momentos de perder o fôlego, valeu o ingresso.

 

Porém, meu grande destaque de abril foi “Ready Player 1” (2018)***! Com certeza! Mais do que “Vingadores: Guerra infinita” (2018) ***? Pff… óbvio, tu não me conheces. Tudo bem, este último filme foi muito esperado pelos fãs, até que conseguiram aproveitar legal tantos supers juntos, e Thanos foi mais interessante do que eu esperava: grandes sacrifícios para salvar a humanidade? Hmm, é meio que um anti-herói, ou não?

E já que estamos falando de super-heróis, eu fui sim conferir “Deadpool 2” (2018)***, que também foi melhor do que eu esperava? Mais do que boca suja e piadinhas, e uma nova integrante com o melhor super poder: a sorte! hahaha Esse poder fez a gente ficar de olhos grudadinhos na tela acompanhando tudo, numa ótima sequência de ação.

Mas o do Spielberg… como os leitores sabem, sempre preferirei o meu padrinho imaginário. Não dava nada pelo trailer, mas passar por essa aventura nostálgica dos anos 80 foi gostoso demais, incluindo a trilha sonora, o T-rex do diretor que é pai dos Parques dos Dinossauros; amigo do Kubrick, com o desafio importante do “Iluminado” (1980) ****, que não estava no livro; direito a ótima trilha sonora e mais uma agradável caracterização do Mark Rylance; Delorian, cubo do Zemeckis (outro amigo); o Gigante de Ferro!, Godzilla e muito mais. Que “Stranger Things” que nada, isto aqui sim é anos 80/90 na veia. Até quis ter feito um post só de coisinhas divertidas a notar, mas não rolou.

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Não rolou porque eu passei quase dois meses doente. Pois é, pois é. Tive piriri, achei que tinha melhorado, gripe, hormônios descontrolados (e sangrar três vezes no mês é demais pra mim; assim como um período prolongado de 10 dias), imunidade baixa, foi triste. Na verdade, tivemos muitas coisas tristes, Nelson Pereira dos Santos (que me lembrou de como eu fiquei embasbacada na época da faculdade, quando descobri que dava para ver filmes inteiros pelo YouTube!), outros jornalistas, incêndio, greve dos caminhoneiros. Mas a gente acaba se concentrando nos nossos próprios problemas, não é verdade?

E o que isso tem a ver com o budismo? A essência geral dos ensinamentos budistas que sigo é buscar sempre a felicidade do próximo. Chega ao ponto de querermos tanto que a outra pessoa seja feliz que esquecemos das nossas próprias infelicidades. Além disso, as adversidades nos fortalecem e podemos sentir felicidade mesmo quando nos deparamos com as dificuldades, porque tudo é motivo para agradecer.

Pois, admito, é mais fácil na teoria do que na prática. Junto com a doença “física” eu me peguei indagando se esses sintomas eram erupções de um interior que não aguenta mais e está para explodir. Porque quando a alma não está sã, o corpo também dá sinais. Há muito sinto-me cansada. Fiz retrospectivas pessoais, do que eu já vivi e dos sonhos que outrora tive. Acredito que luto contra uma leve depressão, que volta de tempos em tempos. Passar meses sem vontade de sair ou sem fazer as coisas com prazer não é lá muito normal.

Embora eu quisesse ser o exemplo perfeito e servir de inspiração, esta é a verdade: eu preciso lutar, todos os dias. Para ir trabalhar. Para buscar contentamento. Para encontrar algo que me dê esperanças de uma vida verdadeiramente feliz. Sei que não existe uma solução fácil. Eu queria poder me conformar, ou desistir de tudo. Mas eu luto. Procuro por pequenas saídas que sejam, pequenos respiros.

Um deles é escrever. Nem que seja aqui, no blog – e agradeço a todos que visitam, porque mesmo eu achando que ninguém lê, acaba me estimulando ver os números de visitantes. Outro é o cinema. Ainda dentro dos ensinamentos budistas, dizem que há alguns sofrimentos típicos pelos quais os seres humanos podem passar, como o de se separar de entes queridos, de não ficar com a pessoa que ama, de não conseguir realizar o que se quer na vida. Há alguns anos eu desisti de fazer cinema e venho entendendo cada vez menos do universo da sétima arte. Desapegando disso, fiquei à deriva pensando o que eu poderia querer mais do que os filmes. Claro que eu ainda gosto deles e continuamos escrevendo. E, na verdade, algo que sempre quis com os filmes era passar mensagens boas e inspirar as pessoas.

Um dia talvez eu tenha uma resposta melhor para este momento que estou vivendo.

Agora, preciso me focar na saúde. Nunca tive um mês tão ruim na diabetes, desde que passei a medir regularmente e tentar um controle. As glicemias em jejum sempre acima de 200. Daí, encontrei um livro sobre saúde pelos alimentos e de forma natural. E inclusive ele fala sobre evitar a depressão suicida com o poder dos alimentos, vejam só. Claro, eu devo procurar a prática de exercícios físicos também. Sobre esse novo desafio, contarei no outro blog.

Eu tinha algumas metas a cumprir até o final de maio que foram cumpridas, para que eu pudesse me renovar. Ainda não sei bem como ter mais gratidão e me sentir mais feliz e contente. Mas estamos na luta. Um passo de cada vez.