Oscar 2020 – meus votos e comentários (e pela primeira vez, o que tem a ver com as chuvas em São Paulo)

Obs.: este post foi atualizado dia 12, após a festa do 92nd Academy Awards dia 09 de fevereiro. As atualizações, como quem levou mesmo o prêmio da noite, estão em laranja.

Este ano está realmente sendo atípico na minha anual dedicação ao Oscar (vide aqui o post com quase todos os detalhes pessoais que venho passando nas últimas semanas, caso lhe interesse).

Tenho visto mais TV também, então não sei como foi nos últimos anos, mas me parece que a Globo tem feito muito mais cobertura, orgulhosamente divulgando que vai passar a cerimônia inteira, desde o tapete vermelho… no seu canal pago, é claro. Sim, parece até que ouviram minha reclamação de anos atrás e respondem “tá vendo?” Claro que pro espectador comum, só com TV aberta, o negócio ficou ainda pior: além do BBB ainda terão que esperar o jogo de futebol – será que vão passar só o prêmio de melhor filme? Atualização: parece que teve uns momentos em que a Globo teve probleminhas técnicos, mas depois que terminou a transmissão ao vivo reprisaram todos os prêmios (lá pelas 2 da manhã), melhor que nada, né?

Fora isso, este ano eu até vi quem ganhou os BAFTA! E não é que descobri um gosto parecido com o dos britânicos? Mesmo sendo um chute, concordamos no voto pra melhor curta documentário! E também maquiagem, roteiro original e, pasmem, longa de animação! Sem falar que eu nunca comentei aqui, mas acho um luxo uma premiação que sempre conta com um príncipe entre a plateia de convidados.

Aproveitando, vamos relembrar como é a brincadeira por aqui: neste post eu imagino como se eu fosse da academia, qual voto eu daria – não é a aposta, o que acho que vai ganhar, mas o voto que eu gostaria de dar. Meu voto está em azul, com asterisco na frente. Se bem que, ouvi falar que somente a categoria de melhor filme é que ganha votos de todos, as outras são votadas pela sua própria “classe”. E todo ano eu acabo chutando em algumas categorias – porque não consegui ver as produções em si; isso acontece principalmente com os curtas. Nesses casos, o que faço é pelo menos ler as sinopses, ver um trailer talvez, e daí penso qual o filme que me interessou mais e eu gostaria de ver. Este ano até que temos muitas opções disponíveis em streaming, mas os curtas live action não deu mesmo para conferir. Além disso, o voto para melhor filme, pelo que sei, se dá também assim, dando nota de 0 a 10.

Este ano eu vou tentar algo a mais. Como não consegui dar um post para cada filme específico em separado, vou acrescentar aqui neste post mais comentários, conforme vemos cada categoria. E, claro, como tenho feito nos últimos anos, hoje à noite acompanho alguns pelo twitter enquanto rola a festa.

Então vamos lá, começando pelas categorias cujos filmes não consigo ver todos.

Melhor filme não falado em inglês

Este ano não tem para mais ninguém, não é mesmo? Parasita foi o filme internacional do ano. Como já aconteceu no passado, ele também foi indicado a melhor filme, mas não devem dar e devem premiá-lo como filme estrangeiro, embora dê uma vontadezinha na gente de dar para o Almodóvar que entrega a si mesmo em Dor e Glória, não é? Sim, eu também concordo que o filme é inesperadamente envolvente, não só porque ganhou Cannes (alguns dizem até que é superestimado). A trama de uma família de classe mais baixa que vai se infiltrando no lar de uma família rica por diversas artimanhas é um retrato e uma crítica social, ao mesmo tempo em que tem suspense e mortes, gera risadas com situações bem montadas – seja explorando a relação patrão/empregado, a criatividade dos membros da família, a ingenuidade de uma mãe meio alienada da sociedade real, ou a própria luta, até física, entre diferentes da mesma classe, mas que buscam cada um suas vantagens. Tem metáforas suficientes, como o “cheiro do povo que anda de metrô”, mas a grande sacada é deixada para o espectador perceber: que um parasita suga o que o hospedeiro pode oferecer – mas para alguém ser rico, depende de explorar outros, quem seria o hospedeiro então?; e por isso o título do filme funciona tão bem. Meu voto é dele, e minha aposta de quem leva também.

Boze Cialo          

Dor e Glória

Honeyland

Os Miseráveis

*Parasita – este primeiro a gente já tava esperando. Mas ninguém podia prever o que viria ainda pela frente…

 

Melhor curta em live action

Esta é sempre uma categoria em que chuto, porque honestamente eu não tenho meios de encontrar todos os curtas por aí. Lendo a sinopse, pareceu até interessante ver este, sobre um grupo de crianças que jogam futebol e o tráfico (algo meio Breaking Bad?). Porém, deve levar Saria.

Brotherhood    

*Nefta Football Club    

Saria     

The Neighbors’ Window  – a trama me pareceu beber muito de Janela Indiscreta (1954) ****, mas tá valendo, né?           

Une soeur

 

Melhor curta de documentário

Desta categoria também, é muito difícil eu encontrar geralmente para ver. Mas me pareceu uma premissa interessante as garotinhas do Afeganistão querendo aprender a andar de skate, um tema inusitado, que bem desenvolvido dá para mostrar muita coisa, eu acho.

A Vida em Mim               

In the Absence

*Learning to Skateboard in a Warzone (If You’re a Girl) – yey! Acertei esse chute, hein.

St. Louis Superman

Walk Run Cha-Cha      

 

Melhor documentário

Outra categoria em que quase sempre vejo apenas um ou outro título. Este ano a graça é a polêmica gerada aqui no nosso país, com a indicação da brasileira Petra Costa e seu Democracia em Vertigem, as diversas repercussões, na mídia, entre pessoas de influência, figuras públicas ou não. Eu não vou dar meu pitaco no que já tá aí e não tem jeito (sim, vocês podem interpretar isso como o próprio governo atual, o anterior, ou o próprio filme, deixo a critério, porque nem faz diferença mesmo); e pelo menos o propósito do filme se cumpriu: as pessoas estão vendo, estão falando dele. Me deu vontade de ver outro na Netflix, comparando o modo de trabalhar dos chineses com o dos norte-americanos, Indústria Americana. Mas acho que eu gostaria ainda mais de ver Honeyland, por poder conhecer uma realidade completamente diferente, e parece ter não só imagens belas, mas muito mais incluso. Ganhou Sundance, o que não significa muito para o Oscar, mas deve levar porque também foi indicado a melhor filme estrangeiro, e nós já sabemos quem leva este ano, certo?

Democracia em Vertigem          

For Sama            

*Honeyland

Indústria Americana – produzido pelo casal Obama, como disse acima, parecia interessante, dá pra ver no Netflix.

The Cave

 

Melhor curta de animação

Eu consegui assistir a três deles este ano!  Geralmente, no Anima Mundi, festival de animação que acontece lá por julho em São Paulo e no Rio, sempre dá para conferir alguns curtas indicados. Hair Love é sobre uma garotinha que deseja fazer um penteado afro como sua mãe fazia, uma graça por trazer um pouco do tema diversidade sem forçar, mas na relação do pai e da filha que perdeu a mãe. Kitbull me deixou triste ao ver o cãozinho ser maltratado (e saber que existe isso na vida real, o que é muita ignorância, porque os bichos não entendem nada); vemos um pitbull e um gatinho que fazem amizade, os dois são “marginalizados”, e o próprio gatinho no início tem um “preconceito” até perceber que mesmo sendo bem diferentes eles têm almas em comum – um tema que também ressoa muito para os dias atuais, certo? Eu torço para eles, mas por que meu voto vai para Mémorable? É o vencedor do festival de Annecy, e é visualmente fantástico, misturando várias estéticas e artes para traduzir as sensações e falar da questão da perda de memória… também é emocionante, mas de um jeito mais criativo e impressiona a cada momento que passa, por isso meu voto é dele.

Dcera   

Hair Love – é todo o negócio da inclusão, e empoderamento, tal. Mencionaram Kobe Bryant (que tinha ganhado um Oscar já, também, lembram?), e o Spike Lee também homenageou no terno roxo escolhido para a noite.           

Kitbull  

*Mémorable    

Sister

 

Melhor longa metragem de animação

Ah, as animações! Pelo pouco tempo que fiz o curso de audiovisual, eu pude perceber que é uma das coisas que eu mais gosto, e talvez devesse ter seguido com o curso de desenho aos 11 anos, e depois quem sabe poderia ir parar lá em algum dos grandes estúdios – talvez mesmo no Canadá? Bem, divagações à parte, Annecy escolheu Perdi meu corpo e, sim, eu também concordo que a narrativa em si já é bem chamativa: uma mão que vaga e busca encontrar seu dono. Isso é bem inventivo, e como pessoa que sempre gostou de desenhos animados, o divertido desse meio é realmente dar uma vida diferente a algo inanimado, trabalhando a arte como um live action não conseguiria fazer com tanta destreza ou prazer. Nós ficamos tensos quando se aproxima o momento que sabemos em que vai ter a separação da mão, e acompanhamos os flashbacks enquanto o dono da mão se apaixona pela garota da biblioteca para quem tinha ido entregar pizza e foi gentil, dedicando-lhe algumas palavras numa noite de chuva – hoje em dia, é muito raro fazermos amizades do nada? A mudança do rapaz, que decide se dedicar a algo, até o ponto de pular para mudar seu destino, engaja o espectador. Mas é meio triste, melancólico, e talvez os votantes prefiram mesmo a boa e consagrada técnica da Pixar/Disney? Além da alegria emocionante do seu Toy Story 4. E não é que, apesar de parecer ter chegado a um fim decente as aventuras da turminha de brinquedos no último filme, eles realmente acharam bons motivos para fazer uma continuação? A questão existencial de Woody, de servir à sua criança, pode fazer com que nós mesmos repensemos – o que achamos ser nosso propósito de vida pode mudar, a vida e as circunstâncias mudam. E no caminho podemos encontrar outros jeitos excitantes de levar a existência. Novos personagens incluídos aí, eu gostei bastante daquele dublado por Keanu Reeves, o Caboom do Canadá, é bem engraçado, “posso fazer de olhos fechados!”. E o Forky? É um brinquedo criado, que a princípio ainda luta com sua própria constituição, se achando um lixo – ei, eu poderia fazer posts e mais posts com as metáforas incluídas nos filmes da Disney, mas vamos parar por aqui. Também poderíamos falar das referências – encontraram personagem de curta da Pixar naquela festa dos brinquedos? É claro! Mas só comento que realmente torci para o Woody ficar com seu amor, a versão repaginada da Bo, bem atual, mulher forte e independente, como a Furiosa do Mad Max 4. Se eu não acho que merece um Oscar? Merece, mas meu voto vai para Klaus para dar uma chancezinha para outras produções, né… É um desenho animado sem tanta técnica e qualidade mais simples do que os da Disney, mas eu me surpreendi em como gostei. Tratando a figura do Papai Noel de um jeito mais humano, foi sim bem legal ver o filho riquinho de um super serviço de correios ir parar nos confins do mundo e ter problemas para entregar cartas, até que descobre um jeito de fazer as crianças escreverem cartas, para ganhar brinquedos. É engraçado como isso se desenvolve, na verdade é ele que entra pelas chaminés, e depois é que surge a história de ser bom, com as crianças se esforçando então para fazer boas ações. Na cidade em que há uma rixa e guerra, o velho isolado na floresta encontra mais sentido em seus brinquedos, ao passo em que as pessoas vão se reconciliando, com uma boa ação gerando outra – e essa foi a mensagem que mais gostei dentre todas as animações. Depende disso, de você ter a iniciativa de fazer algo, pelas ações, para gerar o bem no final, mesmo que existam muitas dificuldades no caminho. Não é uma solução mágica, pode simplesmente ser uma professora ressentida que redescobre a alegria de ensinar. Meu voto vai para Klaus por motivos pessoais, sim.

Como Treinar o Seu Dragão 3   

*Klaus 

Link Perdido     

Perdi Meu Corpo

Toy Story 4 – não que não fosse bom, como comentei. Mas me parece também que a Disney tem muito a ver por trás de todo o Oscar e isso poderia justificar preterir alguns? hmmm…

 

Melhores efeitos visuais

Vamos agora para algumas categorias mais técnicas? Desde que eu era criança, sempre gostava de “filmes de aventura” (abrangendo também os de ficção científica nisso), por isso eu adorava os efeitos especiais. Este ano meu voto vai para O Rei Leão simplesmente porque só foi indicado a isso, e reproduzir toda a natureza e as personalidades dos animais, além de adaptar competentemente um dos desenhos que mais marcou infâncias por aí da Disney, não é tarefa fácil; mas como Jon Favreau já tinha feito essa façanha com Mogli, o menino lobo… não deve levar. Eu, particularmente, não gosto muito da confusão de efeitos computadorizados que acontecem em muitas produções de ação, mas é realmente um trabalho hercúleo de uma equipe enorme, então talvez seja Vingadores: Ultimato ?

1917

O Irlandês

*O Rei Leão      

Star Wars: A Ascensão Skywalker

Vingadores: Ultimato

 

Melhor edição de som (ou efeitos sonoros?)

Criar os efeitos de corridas e acidentes explosivos; tiros em meio ao caos e um batalhão (literalmente); sons da cidade e ênfase certa entre as muitas risadas criadas pelo ator para o personagem vilão; ou aqueles conhecidos efeitos de naves e lutas pelo espaço; ou os sons de sets de filmagem, de estrada, de tiros perdidos? Honestamente, eu sou bem leiga em relação a som, meu voto vai pelo filme que tem algo que gostei, mas não tem chances em outras categorias. Pelo menos uma cena que não esquecerei: a corrida demonstrada para o chefão da Ford, que cai em prantos quando o carro finalmente para… Quem deve levar na real? 1917, se decidirem dar todos os prêmios possíveis pra ele, o que aconteceu muito na história dos oscares…

1917     

Coringa               

Era Uma Vez em… Hollywood  

*Ford vs Ferrari – opa, às vezes eu até penso igual aos votantes?             

Star Wars: A Ascensão Skywalker

 

Melhor mixagem de som

Misturar a trilha sonora com os efeitos especiais, num trabalho que, se for bom, o espectador nem perceberá que está sendo levado por isso. Na minha opinião mera, 1917, com os instantes em que quer ser grandioso, não me apetece, mas deve levar. Filmes com temática no espaço também costumam se dar bem nesta categoria, mas meu voto acaba sendo para o show de expressões diversas, inclusive às vezes sem sabermos o que é sonho, que é Coringa.

1917 – falei que devia levar…     

Ad Astra: Rumo às Estrelas        

*Coringa

Era Uma Vez em… Hollywood  

Ford vs Ferrari  

 

Melhor canção original (música composta para o filme)

Eu não vi nem o candidato do meu voto, mas como não teve outras indicações, e trata-se de um filme que trata de música (ou um músico em particular), é esse meu voto.

Frozen II             

Harriet 

*Rocketman – é claro! Nada melhor que ver Elton John por ali (e o after party dele parece bem interessante também, com direito a brasileiros no meio pra se mostrar)    

Superação: O Milagre da Fé      

Toy Story 4 

 

Melhor trilha sonora (música composta para o filme)

Mais uma vez, eu gostaria de ter re-ouvido as trilhas para poder votar, mas acredito que meu voto também é o que a academia deve escolher.

1917     

Adoráveis Mulheres     

*Coringa – Hildur Guonadottir já vinha ganhando reconhecimento, e parece ser tão meiga!           

História de um Casamento        

Star Wars: A Ascensão Skywalker

 

Melhor maquiagem e cabelo

Até pensei que O irlandês ia ser indicado, quando percebi que o envelhecimento/rejuvenescimento deles tem mais a ver com os efeitos especiais. Bem, meu voto vai principalmente pelo trabalho com John Lithgow, que se autodenomina Jabba the Hutt, transformando-se para ser um cara meio asqueroso, a figura inimiga dentro da trama que também é sinal dos tempos: das mulheres que não vão mais se calar diante de assédio sexual ou até simples machismo, que por anos dominou vários locais de trabalho, e se torna ainda mais explosivo retratado na mídia e incluindo um atual presidente… 

1917     

Coringa               

Judy: Muito Além do Arco-Íris

Malévola: Dona do Mal               

*O Escândalo – e apareceu mais foi a Charlize Theron transformada, haha.

 

Melhor figurino

Os diversos vestidos para as nossas Adoráveis Mulheres devem levar? Mas até que me deixei encantar pelo trabalho com os uniformes e as roupas doces da mamãe em Jojo Rabbit, sem falar no tal capitão que desenha seu próprio figurino homenageando a categoria ;)

Adoráveis Mulheres – eu meio que tinha cantado a bola (se eu tivesse feito bolão!) Mas a figurinista que gostei de ver neste ano foi a mãe do Keanu Reeves! Muito lindo os dois.     

Coringa               

Era Uma Vez em… Hollywood

*Jojo Rabbit     

O Irlandês

 

Melhor desenho de produção (conhecida também como direção de arte)

Ai, ai, sempre fico em dúvida aqui. Porque vejam, acho fantástico reconstituir uma época de Hollywood, com todos os itens que devem ter marcado a infância do próprio diretor. E imaginem então quando um filme cobre décadas? Mostrar em imagens, nos cenários e itens de cena… meu voto foi quase para O irlandês. Só que construir ruínas, algumas com seus pontos certos de luz e explosões, armas e armamentos , locais abandonados, cerejeiras, estradas de lama, além dos vários mortos, os corredores dos soldados e as tendas de socorro… bem trabalhoso, não?

*1917   

Era Uma Vez em… Hollywood – ok, ok.  

Jojo Rabbit

O Irlandês

Parasita

 

Melhor montagem (ou edição do filme)

Como ordenar o material que temos, aproveitando a melhor tomada, misturando com os sons, levando o olhar e as sensações, os sentimentos, naquele timing pontual, às vezes com estilo imprevisto ou rimas visuais, de modo que em algum momento o espectador chega a se perguntar o que é real ou não, torcer ou não por algo, compreender melhor ou não motivações e o desenrolar dos acontecimentos… Não sei quem leva, mas pensando assim, meu voto é Coringa este ano.

Ford vs Ferrari – algum dos comentaristas até falou que é preciso muita minúcia para acertar o tempo entre a corrida, os carros, os closes dos personagens. Ok.

*Coringa

Parasita

O Irlandês

Jojo Rabbit

 

Melhor fotografia

Luzes e tonalidades… eu não vi O Farol, e capaz de ter votado nele caso tivesse. Os outros candidatos também são muito bons, escolha difícil.

*1917 – depois fiquei sabendo que Roger Deakins era o favoritasso da noite mesmo!   

Coringa               

Era Uma Vez em… Hollywood  

O Farol

O Irlandês

 

Melhor roteiro original

Dizem que nestas categorias técnicas, quem vota são apenas os da categoria em si (ou seja: roteiristas votam nos roteiros), e eu sempre imaginei que entraria para a academia por ser roteirista… mas muitas vezes a academia discorda da minha escolha, então creio que leve mesmo o Tarantino – e eu não reclamo, porque gosto bastante de Era Uma Vez em… Hollywood, e da reinvenção da história real para um “final feliz”, misturando os personagens reais com os fictícios. Porém, realmente achei muito bem feito o trabalho de Parasita, porque nós vamos acompanhando aqueles personagens e nos surpreendemos a cada virada, e entendemos o lado de cada um dos personagens, sem ter que analisar muito tempo cada um, está ali na cara, no diálogo, na cena.

1917     

Entre Facas e Segredos               

Era Uma Vez em… Hollywood

História de um Casamento        

*Parasita – eba! Aqui a gente já se empolgou!           

 

Melhor roteiro adaptado

Bem que eu gostei da brincadeira de Greta Gerwig como se todas as comédias românticas tivessem um manual, e o destino das personagens femininas da época de sua escritora ser previsível e ela ter que “vendê-las” de qualquer modo. É uma atualização agradável de um clássico da literatura que já ganhou várias outras versões para a tela. Mas eu fui pega de surpresa por Jojo Rabbit, não imaginava que ia gostar tanto, com as tiradas engraçadas bem posicionadas, apesar de esse lado cômico e leva gerar certa controvérsia com o tema escolhido. A adaptação de um texto para ser transposto para a tela deve considerar muita coisa que fica de fora e o que vai funcionar em audiovisual, e por isso eu acabo escolhendo este trabalho, parece que escolheram a dedo e coube quase tudo certinho ali.

Adoráveis Mulheres     

Coringa               

Dois Papas         

*Jojo Rabbit – eu fiquei contente, e olha que nem tinha visto os prêmios das guildas.

O Irlandês

 

Melhor ator coadjuvante

Ai, os grandes atores… a nossa vontade é sempre de dar prêmios para eles, porque eles são bons mesmo, não é? Absolutamente adoro Tom Hanks, os dois atores de Dois Papas parecem ter encarnado seus personagens belissimamente, e Al Pacino, a gente nem precisa mais comentar. Pessoalmente, eu daria meu voto para Joe Pesci, porque bem diferente de Os bons companheiros, com uma serenidade incrível ele também me deu um medo incrível… Mas deve levar Brad Pitt – e por que não, não é mesmo? Vamos fazer um agrado à Hollywood, no que Brad representa; sabendo que ele já fez muitos bons trabalhos, seja como ator ou produtor, eu também não fico triste em deixar o “rapaz” levar seu primeiro Oscar de atuação.

Al Pacino            

Anthony Hopkins           

Brad Pitt – barbada, né. Falei “rapaz” acima porque vejam só a idade dos outros candidatos, hein! Gostei que ele mencionou os filhos pelo menos neste prêmio (e não o Tinder)            

*Joe Pesci  (adendo: nem Hopkins nem ele compareceram, mas ele já disse tudo quando ganhou: “foi um privilégio, obrigado”.       

Tom Hanks        

 

Melhor atriz coadjuvante

Vocês até já sabem qual o clipe para a candidata favorita devem mostrar, não é? Sim, aquela fala sobre Deus e a mulher… Laura Dern é praticamente aposta acertada. Florence Pugh foi uma surpresa pra mim entre as indicadas, está bem, mas não tudo isso. E Margot Robbie tem aquele carisma dela natural, mas realmente sentimos o desconforto da sua personagem misturado à humilhação e sentimento de culpa e impotência, na cena em que é “entrevistada” pelo chefão do canal de TV onde era seu sonho trabalhar. No entanto, meu voto vai para Scarlett, que já fez alguns bons trabalhos no cinema e vai me deixar marcada com seu amor de mãe, e aquela cena em que parece se enfurecer que o filho pede pelo pai, para no segundo seguinte nos surpreender incorporando o pai com uma jaqueta e uma sujeira de carvão no rosto. Sim, outro voto bem pessoal. Acabei de ter uma filha e ando muito emotiva, me deixem.

Florence Pugh 

Kathy Bates      

Laura Dern – como não podia deixar de ser, mas eu escolheria outro vestido se tivesse a certeza de que seria minha noite.       

Margot Robbie

*Scarlett Johansson

 

Melhor ator (principal)

Pois é, pois é, pois é. A primeira cena que vi de Era uma vez em… Hollywood foi aquela em que Rick Dalton ouve uma garotinha elogiá-lo pela atuação e ele se emociona – e isso foi o suficiente para saber que eu ia gostar muito daquele filme, embora no geral ele lidasse com outros temas. Apesar de sempre torcer pelo DiCaprio, ele já ficou feliz com o dele e nem preciso mais torcer. Na verdade, eu torceria para o Antonio Banderas, porque, né, primeira indicação, e ele também já trabalhou em muita coisa! Já o Adam Driver, embora esteja muito bem, até cantou, ainda tem quilometragem para rodar na indústria. Mas não vai ter jeito, este é um daqueles anos em que sabemos quem tem que levar. O trabalho físico, de voz, de trejeitos, que passa a imagem de um homem realmente triste, realmente atormentado, realmente sonhador, até a sua descida aos infernos e assumindo de vez os pormenores do vilão que o público já conhece tão bem. Impressionou a todos e vai ser isso mesmo.

Adam Driver     

Antonio Banderas          

*Joaquin Phoenix – e assim foi, um discurso intenso (falando de egoísmo humano, redenção, novas chances), mas ele com aquele tique mordendo a própria mão me deu certa aflição. Adorei que foi com a namorada Rooney Mara comer hambúrguer vegano depois!          

Jonathan Pryce               

Leonardo DiCaprio         

 

Melhor atriz (protagonista)

Pois é, né. Charlize Theron mal dá pra reconhecer que é ela, e firme, nos faz acreditar nesse personagem. Eu não vi Harriet, então não posso votar em Cynthia Erivo. Saoirse (cujo nome aprendi a pronunciar só recentemente) está bem altiva, mas ainda não é sua vez, apesar de já ter sido indicada tantas vezes, não obstante sua idade. Johansson está muito bem também, conseguindo chorar em cena (piscadela!) e ganha nossa simpatia, no que poderia ter se tornado um personagem abominado pelo público. Mas não vai ter jeito, todo mundo já sabe quem leva, e realmente Renée se dedica de corpo todo à sua versão de Judy Garland. Eu não gosto muito do filme, me parece que muitas coisas estão incorretas ali, mas na interpretação, seja no palco, seja no cansaço pela insônia e pelas restrições desde a infância que somos relembrados pelos flashbacks, nós sentimos por Judy e queremos cantar junto com ela uma canção de esperança no final.

Charlize Theron              

Cynthia Erivo    

*Renée Zellweger – pelo menos as categorias de atores vocês acertaram nas suas apostas, certo?         

Saoirse Ronan

Scarlett Johansson

 

Melhor direção

O diretor é o maestro das cenas, não? Imaginem só orquestrar várias coisas na tela para termos a experiência de determinado filme. O curioso deste ano é que Todd Phillips nem parece ser diretor de comédias, hein? (igual ao Taika Waititi nem parece ser diretor dos filmes do Thor…) Mas Sam Mendes traz um projeto que tem algo de pessoal, inspirado no avô. E o Oscar sempre tem algum filme de guerra entre seus indicados, não é à toa, são filmes grandes já em sua proposta. Todos os candidatos deste ano tiveram que coordenar cenas caóticas, e estão de parabéns com o resultado, mas fica na minha memória aquela perseguição labiríntica entre as ruínas na escuridão. Embora eu ache que ele tenha usado demais o truque de focar em um personagem para depois abrir a tela para o que está ao redor, considero sua intenção de plano sequência, e não é à toa que Sam Mendes tem levado todos desta temporada de prêmios; aqui eu dou a mão à palmatória.

Bong Joon Ho – whaat!? eles realmente conseguiram fazer isso? Foi a minha primeira reação. Eu lembro do Roberto Benigni subindo nas poltronas, mas Bong Joon Ho nos proporcionou o melhor momento da noite: super humilde, agradecendo às pessoas que o inspiraram e fazendo todo o teatro se levantar de pé homenageando Martin Scorsese.  

Martin Scorsese             

Quentin Tarantino         

*Sam Mendes 

Todd Phillips

 

Melhor filme

Aqui, ordenados pelas minhas notas: 1 para o que gostei menos, 9 para o que seria meu melhor voto. Quem deve levar, se a academia não fizer aquelas contas loucas de um mediano que acaba ganhando, provavelmente será 1917. Não é interessante que um casal esteja disputando a estatueta? Greta Gerwig e Noah Baumbach são companheiros, imagino que nenhum dos dois vai levar, mas imagina só ser um casal assim? rs

1) História de um casamento

Acho um ótimo trabalho de atores, que levam a produção. Nós poderíamos só ter dó do pai, mas Scarlett Johansson constrói sua mãe também com carinho e seus próprios motivos. Alan Alda rouba a cena como um advogado mais humano, Laura Dern sabe muito bem das coisas, o embate no tribunal com aquele outro advogado que já tínhamos achado muito incisivo é feio, mas tentar conversar francamente também os leva à exaustão. Alguns momentos são engraçados, mas o que fica é a conformação de que algumas vidas se separam e você tem que lidar com isso como puder, mesmo que lhe pareça injusto – acredito mesmo que esse é o próprio sentimento do diretor.

2) Ford vs Ferrari

Christian Bale é turrão e Matt Damon faz a parte de mediador com uma grande empresa; ambos, brigando no diálogo, no quintal de casa, um decepcionando o outro e depois se redimindo, os dois sendo bons amigos, já valeria contar a história. Mas ainda tem esse desafio louco de uma corrida que dura 24 horas, no início somos bem apresentados à rixa que nasce do bambambam da Ford contra o grande chefão da Ferrari, entendemos como pode ser difícil bater as intenções sinceras com as expectativas empresariais – maniqueizadas na figura do vice que parece sempre estar sabotando a nossa alegria e o talento puro e simples de correr na máxima velocidade. Bem bonita a cena em que o pai explica ao garoto, na pista, aquele momento. Mas mais bonito ainda é o sentimento de não precisar de reconhecimento público, isso é que é gostar da coisa de verdade.

3) 1917

Confesso a vocês que eu nunca fui e nem sou fã de filmes de guerra. Assim como westerns. Eu até assisto, mas não me empolgam nem tocam tanto no coração como outros filmes. Daí, este é bem feito, mas tem tantos filmes de guerra já feitos e acabo não me entusiasmando. A dupla que logo de cara já recebe uma missão impossível, de entregar uma mensagem para um pelotão distante e evitar o massacre de milhares de pessoas, é claro que vai enfrentar medo e tensão para atravessar um campo inimigo supostamente abandonado, o elemento surpresa – um avião que cai, um oficial inimigo perdido, mesmo que bêbado, alguém atirando não sei da onde. Vão ver morte e perda irreparável, o caos com gritos e explosões ao redor, a exaustão extrema, além do cansaço de esforços que um ser humano comum poderia suportar… nada muito novo pra mim. Tecnicamente impressiona. É bom. Mas o que temos mais pra hoje?

4) Adoráveis mulheres

Não assisti às outras versões fílmicas, o que talvez seja bom, livre de comparações. Gosto do retrato de diferentes mulheres em uma época, que também pode ressoar às mulheres atuais. São quatro filhas e uma mãe, o pai foi para a guerra, tem o vizinho rico com seu único herdeiro que se apaixona por uma dessas garotas, mas que o dispensa por acreditar em outro tipo de vida, conservando é uma bela amizade. A personagem principal é Jo, que quer ser escritora, Meg acaba se casando com um professor humilde, Amy já vê mais pragmaticamente um casamento ao ter que admitir que nunca será um grande nome da pintura, Beth é a caçula com talento para o piano e cuja doença traz algumas cenas bonitas e faz renascer a motivação maior de Jo. Com uma direção de arte competente, é até instigante e agradável.

5) Jojo Rabbit

Algumas pessoas podem reclamar que esta leveza pode acabar relativizando, amenizando a importância do nazismo e de Hitler na história, como algo completamente horrível. Mas, oras, eu dispenso essa parte, nós sabemos como cada parte dessa guerra e crenças nazistas são temíveis. E me deixei levar pelo espírito que Taika Waititi quis abordar, numa obra diferenciada. Sim, dei risada sobre como os que tiveram seus cérebros lavados pelos ideais de Hitler viam os judeus, porque hoje já é mais do que óbvio que são descrições impossíveis. Nós temos consciência e por isso mesmo é que o filme fica rico, porque sabemos o quanto tudo é absurdo. Entendemos que o Führer foi venerado por milhares, inclusive no início temos aqueles jovens eufóricos, como se fosse os Beatles alemão (com aquele som de fundo mais que apropriado). Dei risada com as conjecturas do pequeno Yorki, “os japoneses, que cá entre nós não parecem muito arianos”. Sim, o filme ganhou meu coração inesperadamente, até em uma simples esperteza de sempre mostrar a mãe dançando, e os sapatos dela. Gosto da tentativa de mostrar por um olhar diferente, de uma criança; de como Hitler poderia ser um amigo imaginário com seus conselhos, e aos poucos construindo sua relação com Elsa, descobrindo as verdades, e chutando Hitler pra longe no final. Tem um quê de Wes Anderson ou até romantismo de Amélie (2001)****, e isso não compromete para mim, na verdade, me faz gostar mais do que ver outros filmes sérios sobre guerra.  

6) O irlandês

É muuuito longo. Sim, é longo, e difícil para a maioria dos espectadores da atualidade, imagino, que gostam de tudo muito rápido. Só que Scorsese e os atores veteranos aqui (alguns dos melhores da história do cinema, gente!) tem a experiência suficiente para fazer este filme, uma experiência necessária, eu diria, para fazer este filme. Tudo bem, Scorsese já fez muitos filmes de máfia ou gangsteres, filmes com violência, com personagens violentos, por uma questão ou outra. Se antes ele já se enveredara pela ascensão criminosa, já tratou de personagens marginais e depois de personagens poderosos, aqui ele ousa imaginar como seria a aposentadoria para quem trabalhou a vida inteira nesse “ramo”. Vamos acompanhando por décadas o que um simples “motorista” vai vivendo com pessoas de influência, com uma filha que o condena, mas com reconhecimento social – que sequência ótima a festa da entrega do prêmio, não? Os atores respiram e olham no lugar certo; e o susto que levei naquela morte pro final eu nem deveria levar, porque é compreensível a escolha dele. A constatação geral é que nem a família, nem os amigos, nem as conexões, nem os erros, nem as façanhas, nada vai te salvar. Da humanidade. Do fim que todos tem que enfrentar. E isso pode nos levar a refletir: que espécie de vida quero viver? Com quais pessoas ao meu lado? O que realmente quero ter como lembrança, o que de verdade importa? É um filme que trata de tantas coisas, entre elas culpa, remorso, e que pode ir muito além de si mesmo.

7) Coringa

Tudo bem, achei um exagero mostrar duas vezes o nosso personagem principal sendo chutado e maltratado, só começar a projeção com essa cena teria sido suficiente. E nada, concordo, nada das características e acontecimentos, poderia justificar atos impunes, anarquia, prazer com a violência – para uma mente sã. Taí o que talvez eu mais tenha gostado desta versão de um vilão tão popular, de início parecer estar mostrando alguém comum, que poderia estar escondido em qualquer beco por aí, mas ele na verdade não é alguém normal. Tanto que, em muitos momentos nós nos deixamos enganar, acreditando que poderia ser possível ele ter um relacionamento saudável com a vizinha, ou que realmente ele poderia ser filho do magnata candidato a prefeito, ou que ele poderia mesmo se comportar bem por ter recebido a oportunidade que um dia fora o seu sonho, de fazer um standup bem sucedido e participar daquele programa de TV com o apresentador que todos gostam. Nós nos deixamos enganar porque somos espectadores de cinema. E queremos acreditar nessas histórias, nos sonhos. Mas a realidade é essa enorme diferença entre os poderosos, entre o que se quer e o que se consegue, e o que uma mente perturbada consideraria vitória, escolheria? Ser ouvido, ter uma participação, independente dos meios, uma existência significativa, que faz a diferença. Visceral ou impossível por vezes – aquela morte na frente do anão?; e sempre de impacto,  triunfal aquela entrada e a resposta impiedosa ao apresentador vivido por Robert De Niro – e já ouvi falar que dialoga largamente com O Rei da Comédia (1982). 

8) Parasita

Vou fazer um miau aqui, como já comentei ali na categoria de melhor filme estrangeiro, acho que não preciso escrever por aqui… – xenti!!! Primeiro, só percebi hoje que não tinha copiado por aqui o texto para filme estrangeiro… Mais importante que isso… que noite, hein? Aqui, no prêmio final, foi histórico. Nunca, em todos esses anos de premiação, tínhamos visto um filme não falado em inglês ganhar como melhor filme. Conseguiram essa proeza e deixaram todos que acompanhavam a cerimônia boquiabertos, merecendo que a fileira de famosos na frente (Tom Hanks, Charlize etc…) fizessem um “ola”, pedindo para deixarem eles discursarem mais um pouco. Foi realmente uma surpresa, mas vimos como o filme ganhou apoiadores em Hollywood; foi quase como aquela frase tão cliché que a gente tanto gosta: provaram que nada é impossível na terra dos sonhos! 

9) Era uma vez em… Hollywood

Dentre os indicados a melhor filme este ano, este é o meu favorito! É o que mais gosto porque, né, é como uma carta de amor à Hollywood. Tarantino não está tão sanguinolento e isso me apetece. A história do astro que acaba aceitando trabalhos na TV e depois alguns na Itália – os cartazes dos filmes italianos estão ótimos! – poderia ser de um ator real que viveu nesses tempos em Hollywood.  A empolgação de uma jovem atriz em ascensão também é divertida, vivida por uma jovem boa atriz que chegou ao topo há pouco tempo, de carisma natural. E se Tarantino já tinha reinventado algo no tema escravidão, como é prazeroso podermos viver no cinema o que a realidade não pôde nos proporcionar, não? Poder imaginar outra história, aliviar – comicamente até, por que não? – na imersão de uma narrativa. Talvez seja estranho eu dar o prêmio nas outras categorias para outros filmes, porém os que concorrem por este filme chegam bem perto, e o conjunto da obra, quando são combinados todos os elementos que estão bons (mesmo não levando o voto de melhor), fotografia, figurino e direção de arte, montagem e som, acabamos com um todo muito bom. Como devem imaginar que eu nem liguei muito para a cena de luta de um suposto Bruce Lee, vocês vão me dizer que é o meu favorito só porque tem o Leo, certo? Mas na verdade é porque é um filme para quem ama cinema, sobre o que a gente mais curte no fazer dos filmes e também ao ver os filmes. Não é nenhuma obra de arte, bem capaz que este primeiro posto merecesse O Irlandês, mas este é meu voto pessoal, pelo filme que mais gostei em 2019.

 

Sim! Uma festa histórica, com os prêmios para Parasita. A Ana Maria Bahiana já comentava no twitter sobre a chuva em Los Angeles. E a cidade de São Paulo, com toda a chuva da noite, que acordou na segunda com alagamentos? Parecia até que a vida real estava se inspirando nesse fato inédito, como numa das cenas do filme, para a gente perceber que tudo pode mudar. Ou… precisa mudar? 

Pra dizer a verdade, eu nunca entendi direito como um filme estrangeiro podia ser indicado, se eles nunca iam dar o prêmio para um que não é falado em inglês (até por isso mesmo existe a categoria de filme estrangeiro, certo?). E agora é que não sei mais nada do mundo mesmo.

Mas comentando um pouquinho mais da festa… pode ter parecido chatinha em sua metade previsível, apesar dos números musicais sempre trabalhados (começando com Janelle Monáe e Billy Porter pra arrasar; passando pelas vozes das Elsas em diversos idiomas – inclusive a Matsu Takako que é super famosa pelas novelas no Japão!; até uma apresentação que não entendemos muito bem o atraso, do Eminem; e a versão de Yesterday por uma jovem estrela da música que anda no topo, Billie Eilish). Mas sabem que eu gostei da festa? Tinha muita gente que eu gosto presente! O Leo? Claro, né, gente, mas também presença brasileira, os compositores (John Williams sempre indicado!), Natalie Portman com vestido homenageando as mulheres que não foram indicadas, Tom Hanks, Keanu Reeves e até o Spielberg… este ano fiquei contente.     

Feliz 2020 e Globo de Ouro (mas… e a maratona do Oscar?)

Não dá nem para acreditar que já estamos no final do primeiro mês de mais um novo ano! Sinto que um milhão e um turbilhão de coisas já aconteceram e nem cumprimentei ninguém direito com os habituais agradecimentos e felicitações de ano novo, a passagem de ano foi comemorada de um modo diferente desta vez, com uma pequena viagem em família para Águas de São Pedro, para já dar início com alegria, boa comida, diversão e também um pouco mais relax, mais tranquilidade.

E parecia que meu ano cinematográfico também ia começar mais cedo, já que anteciparam a festa do Globo de Ouro e por conseguinte a temporada de premiações, inclusive o nosso tão popular Oscar. A festa do Globo de Ouro é sempre bem mais descontraída, com as celebridades comendo e bebendo (Joaquin Phoenix estava bêbado já ao fazer seu agradecimento, não estava?). Este ano ainda naquele clima de festas e esperança de ano novo, o último de Rick Gervais como apresentador e ele falando tu-do o que queria, e tinha ou não direito, até pedindo pro pessoal maneirar nos discursos políticos porque a gente não sabe de nada mesmo!

Alguns prêmios já eram de se esperar, pelo menos da Phoebe Waller-Bridge, do Joaquin, da Renée, do Brad Pitt, Chernobyl e obviamente Parasita (este ano não tem pra mais ninguém, tem?). Pra mim a surpresa ficou na trilha para Coringa, na animação Link Perdido levando e, principalmente no número de prêmios pra Netflix! Com tantas indicações, era de se esperar mais, não?

Mas achei legal o Elton John subindo lá e contando pra gente que finalmente tinham esse trabalho juntos. Também um momento gostoso a Charlize falando da admiração que tinha por Tom Hanks e a gente poder imaginar que o cara é gente boa na vida real também, é claro.

Gostei dos terninhos até mais do que o vermelho impactante da Scarlett Johanson, e aquela mesa de O Irlandês, hein? Fiquei imaginando esses velhos amigos se reunindo de tempos em tempos para jogar papo fora – e que altos papos sairiam não? Já dá até saudades deles juntos, porque assim como o próprio filme recente deles nos filosofa, logo logo não estarão mais por aqui… como é o destino de todos.

Certo, certo, sentiram uma certa nota melancólica neste último parágrafo, né? É, 2019 foi um ano difícil pra muita gente, com o novo governo nos golpeando no estômago a todo momento, digamos, entre outros. Já eu, estive mais ocupada dedicando-me à nova empreitada de vida (ser mãe!) e senti menos impacto em relação aos assuntos externos, digamos.

E este 2020 já começa cheio de desafios, já nasceu minha bebê! Ano novo, vida nova, literalmente! E uma nova vida pra mim também, vida de mãe – que, confesso, sou 0% apta a isso, sempre soube, desde os 15 anos de idade, por isso sempre disse que não ia ter filhos; porém, a vida acontece e então tudo o que podemos fazer é enfrentar. Um dia de cada vez.

Estes primeiros dias de puerpério não estão sendo nada fáceis, na verdade, o que vejo é uma coisa atrás da outra dar errado, desde o parto… e eu nem estou reclamando das dores pelo corpo todo, essas dores físicas eu aguento. A pressão psicológica e outros restos… já é outra história. Sério, foi MUITA coisa que aconteceu nas últimas semanas, mas este não é o post pra isso.

Daí, sempre que me sinto triste e estou sofrendo, pra onde corro? Qual é meu porto seguro? Meu alívio de alma, meu conforto? O cinema, é claro. Então isso quer dizer que está de pé a nossa tradicional maratona para o Oscar? Oh, well. Não acredito que vá conseguir ver 1917 e Jojo Rabbit na tela grande, mas… vamos ver alguns dos indicados e ter nossa diversão anual de votar e ver no que dá. Afinal, é uma das poucas coisas na vida que realmente gosto… que a gente possa se permitir, pelo menos um pouco, este ano.

Não tenho grandes expectativas pra este 2020 não, é só isso. E é o que desejo a todos também. Apesar das dificuldades, que possamos encontrar uma luzinha de alegria e nos permitirmos.

Então bora aproveitar que o Oscar nunca teve tantos indicados disponíveis em streaming, hein! Até curtas vai dar pra ver alguns por aí. Boa festa do cinema e até dia 09!

Mah nenhumzinho da Mostra este ano?

Teve uma época da minha vida em que eu pegava um Guia da Folha, por exemplo, dava uma pesquisada também em sinopses, premiações, e lá ia igual a uma louca encaixando horários, correndo de uma sala de cinema pra outra por São Paulo (geralmente na região da Paulista onde as salas se concentravam), sem saber direito o que comer, levando algum lanchinho se possível…

Era um tempo bom em que eu tinha mais tempo pra me dedicar a isso? Talvez. Desde que desisti do curso de audiovisual – e de fazer cinema, como um todo – eu sei que me distanciei muito dessa tal sétima arte que era tão central para minha vida… E hoje, confesso que me sinto bem à deriva, não reconheço mais os nomes dos atores e diretores em voga, tem tanta oferta de produção que eu nem sei bem se tenho algum estilo de preferência, passei a ser uma espectadora comum, não a almejante à cinéfila ou crítica de filmes, simplesmente alguém que vai ao cinema uma ou duas vezes por mês e assiste a alguma coisa que imagina ser boa disponível nos serviços de streaming… Nem me dar ao trabalho de buscar o tio Torrent ou outra via de download já me dou mais.

Tendo dito isso, eu até poderia arriscar um “Parasita” (o coreano vencedor da Palma em Cannes), mas só de pensar nas sessões que acabam tarde e que provavelmente vou me frustrar de novo… quantas vezes eu não acabei de fora dessas sessões dos “badaladinhos” da Mostra, porque ingressos pra elas são pra quem pode, não pra quem quer?

Também, em outros tempos, acho que eu me animaria com as sessões no Municipal – prestigiar a Fernanda Montenegro? Que tudo! – apesar de eu achar que é uma região ali meio perigosa de São Paulo à noite. E algum encontro de debate sobre meio ambiente? Ainda com Fernando Meirelles? Claro que encararia.

Mas os tempos são outros. E eu já expliquei minhas atuais condições, né, ser grávida e diabética não é tarefa fácil. São muitos cuidados extras, médicos e exames, sem falar nas outras preocupações, preparativos pra sair de licença, enxoval, chá de bebê…

Mas não dizem que quando a gente quer, a gente arranja tempo? Pois é, a disposição também muda com o tempo, né. Até o nível de cansaço e quão rápido ele se instala. Outro dia mesmo eu comentava que quando eu era mais jovem encararia de boas um dia inteiro de show – como Rock in Rio, Lolla etc… Ou uma noitada de balada até amanhecer pra comer um dogão antes de ir pra casa e dormir até de tarde… Mas hoje em dia? Nem pensar! 10 horas quero minha cama! Os noitões do Augusta e Belas Artes banidos para sempre, então? É, nem sei se ainda existem.

Só pra não ser aquela decepção total, compartilho com vocês que gostei da cobertura nas notícias do site da Mostra – nunca acompanhei, eles sempre foram assim tão diligentes postando todos os dias as sessões com presença de convidados ou debates? Pôxa, e eu perdi todo esse tempo…

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E vão do MASP teve, né, claro. Tá ali, é de grátis, saio do trabalho e caminho um tantinho, já foi. Este ano eles exibiram “O mágico de Oz” (1939)****, em homenagem ao Rubens Edwald Filho, pois ele gostava muito. Mas eu conferi um que eu não tinha visto ainda, “Todas as canções de amor” (2018)**, porque ganharam o prêmio da crítica pra filme brasileiro na Mostra do ano passado.

Mâs, assim… Não sei se gostei ou desgostei. É bem feitinho, tem umas referências até que legais – “Clarisse?” / “Lispector. Claro que não né, nossa Clarisse”. Uns diálogos de cortar o coração, mas que a gente sabe quando relacionamentos estão no fim é bem possível – “você já foi tão mais interessante” – ai. As canções escolhidas na fita são populares e tem aquele verso no lugar certo do filme. A fotografia é cheia de luz, gostei muito de uma das tomadas finais com o sol e “I will survive” de fundo. O casting do Bruno Gagliasso e da Marina Ruy Barbosa parecia uma boa ideia, porque tem tanta gente que acha eles bonitões e maravilhosos – embora não tenham me comovido muito. A montagem, que aqui faz toda a diferença, também se sai bem, brincando com os paralelos das duas histórias desses casais. E aí, do que desgostei? Não sei, só sei que foi assim. O filme é bem fechadinho, acabadinho, mâs… sei lá, não me empolguei, não me emocionei. Mas tudo bem, a vida é assim mesmo, fases e fases. Talvez seja só um reflexo desta minha fase atual, em que realmente pouca coisa no cinema me deixa feliz de verdade… e a vida continua, fazer o quê, né.

John e Sean, e a difícil dieta de uma grávida diabética

Não tem a ver com filmes, mas o que isso tem a ver com Budismo e sobre diabetes…

João Leno & Deni Yoko

Dia 09 de outubro foi aniversário do John Lennon – e por incrível que seja os intentos do mundo, também do filho dele com a Yoko, o Sean. Yoko (a original) postou uma foto singela celebrando, e eu agora estou grávida também… E a filhinha, se tudo correr bem, vai ser do mesmo signo do papai Leno.

Ficava pensando que eu gostaria de ter um filho libriano, me parecem ser pessoas sempre muito carismáticas e amigáveis. Mas gosto bastante de mais essa coincidência em nossa jornada.

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Pois sim, cá estamos nós seguindo para a próxima etapa das nossas vidas… acabei nem postando por aqui a fantasia de carnaval deste ano, não é? Que finalmente fomos prestigiar o bloco de carnaval que toca Beatles songs, o Sargento Pimenta. E, claro, não podia deixar de aproveitar para usar fantasia de John & Yoko.

Também teve uma coincidência, uma foto que achei de…

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BoJack Horseman – season 03

É, já foi anunciado pela Netflix que esta série animada para adultos acaba na próxima temporada. E bora eu querer terminá-la, porque apesar de ter aqueles episódios meio amargos que podem te deixar melancólico, eu bem que gosto desses episódios meio loucos e não convencionais, que trazem algumas referências pra gente de filmes e séries e essa vida louca de Hollywood. Afinal, se não pude realizar meu sonho de ir viver isso, pelo menos posso dar umas boas risadas sarcásticas, eu acho.

Aliás, um parênteses: Netflix vai acabar falindo mesmo, né não? Já anunciaram vários cancelamentos, tem um montão de dívidas e ainda esbanjam grana por aí em produções originais que nem valem tanto a pena assim… pôxa, que negócio meteórico e mal administrado… talvez eu desista de vez do canal depois que terminar BoJack. (E sim, já comecei Fleabag, sabendo quem é a ganhadora do Emmy, mas eu ainda tava com vontade de ver Veronica Mars, que nunca vi!).

***

S03E01 – Start spreading the news

Na corrida para o Oscar, Bojack está em Nova Iorque para uma série de entrevistas, com os típicos jornalistas um atrás do outro fazendo a mesma pergunta e a relações públicas dando “dicas”. Todd é trazido sem querer (ótimo a mala passando na inspeção) e se perde nos corredores do hotel. Greg Kinnear faz a voz do “Greg KingLear” numa peça – o fio da marionete é prontamente reposto, afinal é uma aranha que comanda (Mara Wilson! Gente, ela ainda está no showbiz?!); “I do… little, Miss Sunshine”  hahaha. Princesa Carolyn perde JD Salinger e Mr. Peanut Butter transforma qualquer ideia em um show ehe. E o dilema de na verdade gostar do antigo show de TV, em vez de vender a imagem de estrela? Nem uma recaída regada a álcool numa noite com a jornalista espertinha vai ser páreo para uma massageada no ego.

S03E02 – The Bojack Horseman show

Estamos de volta em 2007, para um episódio cheio de referências para esse ano –  flip phones, a foto na parede de uma adolescente ser do Adam Brody, roteiros dos futuros indicados ao Oscar sendo descartados pelo chefe da então assistente Princess Carolyn que estava em busca de um up na carreira; até o relacionamento da Jessica Biel com Justin Timberlake (“n’sync!” hahaha); o gordinho do LOST sendo perguntado se a ilha era purgatório; Todd rasgando o final de “Sopranos”! uou!  Nesta linha do tempo, Diane trabalhava num café e conhece Mr. Peanut Butter, um produtor e Bojack criam um novo show que a princípio os caras da TV gostam muito.  E neste ep ainda tem umas tiradas legais pelos personagens serem animais: na camiseta do Mr. Peanut Butter: “pega, senta, fica”; o braço de uma anfíbia roubada cresce de volta; o cartaz do filme parece aquele filme do Tom Cruise, mas é um gato, então é “Frisky Business”; em vez de ser “Will” é aquele bichinho, “Krill & Grace”; e o presente da Princess Carolyn é mesmo uma caixa e bola de papel, claro, um presente maravilhoso para gatos hahaha!

S03E03 – Bojack kills

Enquanto BoJack participa de eventos e ações para se promover com familiares dos votantes no Oscar, é incriminado pela morte de uma baleia e acaba reencontrando um ex-colega de série, que agora é dono de um parque de diversões com baleias (alfinetada sobre tratamento dos bichos que servem somente ao entretenimento humano? Hello, Sea World? É claro que eles não iam perdoar, né.) Princess Carolyn ajuda Todd e Mr. Peanutbutter a tirarem o cheiro de gambá deles e da casa antes que Diane volte, não dá pra não rir quando ela pede encarecidamente para Peanutbutter não se sacudir com o molho de tomate, mas ele não resiste!  Ainda temos direito à citação filosófica, “demora pra gente perceber o quanto é miserável e que não precisa ser assim, só depois de desistir de tudo é que começamos a ver um caminho para a felicidade”? Putz, soco na minha cara.

S03E04 – Fish out of water

BoJack deve participar de um festival de cinema subaquático (como tiveram essa ideia, gente?), para promover Secretariat, porque Sundance não dá já que ele brigou com o Robert Redford por causa do Encantador de Cavalos (claro! Hahaha) e em Cannes tem a polêmica francesa. Acaba entrando numa aventura com um bebê cavalo marinho para devolvê-lo ao pai, num episódio diferentão em que, como estão no fundo do mar, ele tem que se virar para se comunicar – e isso tem a ver com um dos próprios temas gerais, já que ele não consegue falar com Kelsey Jannings que foi demitida de Secretariat. Divertidas as sardinhas enchendo os espaços!

S03E05 – Love and/or marriage

Todd tocando o terror que toda celebridade deve passar na première de algum grande filme, hahaha. Para celebrar que é uma estrela de cinema agora, BoJack e Todd entram de penetra num ensaio de casamento, em que palavras genéricas de um brinde levam a reflexões mais profundas, inclusive para o próprio BoJack – mais sentimentos que várias celebridades já devem ter passado? O assistente da Princess Carolyn é muito eficiente e arranja para ela três encontros, sendo que o último com um rato é improvavelmente o que mais dá certo. Mr. Peanutbutter leva Diane na terapia e ela, apesar de ser escritora, não sabe expressar seus sentimentos, até que acaba na festa de um astro de cinema que tem a típica entourage dele (Turtle!) e lhe dá drogas, ela declara seu amor para Mr. Peanutbutter e também acaba no hospital para descobrir…

S03E06 – Brrap Brrap Pew Pew

Diane e Mr. Peanutbutter concordam que ela deve fazer o aborto (balão de apoio moral com “boy” riscado de “it’s a boy!” para “it’s aborted!”), mas como Diane trabalha tuitando no lugar das celebridades, eis que ela envia um tweet no lugar da Sextina Aquafina e a questão do aborto rouba os holofotes, principalmente quando ela viraliza, lança um daqueles clipes pops polêmicos, sem vergonha e com violência, depois decide transmitir à la Argo o aborto – sem estar grávida… E na corrida para o Oscar, BoJack é o quinto indicado de outras premiações menores, perdendo para Jurj Clooners que sempre faz pegadinhas (!) e tem até o Festival do Leonard Maltin onde quem ganha é o Bread Poot – nem aqui Lernernerner DiCarpricorn ganha! Huahahaha Ana ganha novo vigor quando BoJack a demite, e decide dar total atenção a ele… E no final Princess Carolyn e Diane já sabem todas as providências que precisam tomar quando Aquafina anuncia que está grávida de verdade, genial. E só pra lembrar um comentário de apoio do Peanutbutter: “talvez não seja a melhor ideia, se fosse um dos irmãos Dillon, digamos que seria o Kevin e não o Matt”.

S03E07 – Stop the presses

Todd tem uma cabeça gigante de papel machê (what?!); a amiga de Todd está na casa e BoJack se sente desconfortável porque o amigo não sabe que passaram a noite juntos; mas a própria termina numa conversa “simulada” do novo serviço de carro. BoJack também tem uma relação secreta com Ana Spanikopita e a bam-bam-bam de um jornal o ouve para dar conselhos até ele renovar a assinatura do seu jornal. Ótima a reunião para decidir um pôster com as consequências da opção do BoJack num outdoor, hahaha; eE a Margo Martindale estava todo esse tempo morando no barco do BoJack!

S03E08 – Old acquaintance

Rutabaga passou por terapia de casal e junto com Vanessa Gekko tentam dar o mesmo papel para uma zebra que a Princess Carolyn quer que fique com BoJack; as duas procuram a assistente de “David Pincher” (ehe!) para conseguir o que querem. Diane visita o irmão do Mr. Peanutbutter numa cidade de labradores felizes, até que descobrem que ele não está tão bem assim na real. BoJack acaba fazendo um antigo colega que atualmente trabalha numa loja de ferramentas de que ele apoiaria um novo projeto para TV; além de querer aceitar o papel oferecido por Kelsey Jannings que também não dá certo e a empresa de Carolyn está passando por uma crise financeira… e é ano novo. Mas o azar de uns, é o final feliz de muitos coelhinhos do outro.

S03E09 – Best thing that ever happened

Princess Carolyn relembra sua relação com BoJack, desde que acabaram na cama em 2007; e passam um jantar caótico no restaurante do cavalo-ator, com o chefe se demitindo e junto indo embora quase todos os funcionários, e uma crítica gastronômica; Carolyn acaba voltando e ajudando no Elefante a cozinhar um prato para a crítica, e apesar de relembrarem sua amizade, ela é demitida mesmo.

S03E10 – It’s you

Mr. Peanutbutter anuncia os indicados ao Oscar e BoJack está na lista, sem acreditar muito que seja algo realmente bom (e Diane acerta em cheio!), dá uma super festa em sua casa; mas briga com Diane, e Ana deixa BoJack só porque agora é que começa a luta de verdade… Acompanhamos um flashback do que realmente aconteceu, com Todd e Mr. Peanutbutter criando a lista de indicados (oh man!) porque perderam o super precioso envelope, enquanto também tem a história do irmão doente. Ou seja, ele não foi realmente indicado; e todos parecem ter que seguir em frente na vida, Carolyn é aconselhada pelo super eficiente assistente a viver um pouco mais da vida que ela realmente queria, Diane lembra sobre como é ser engajada em alguma causa e não pensar somente em si, Todd também acaba discutindo com BoJack e escancarando a verdade: não são as drogas, nem a bebida, nem os pais e a infância ruim… é simplesmente ele.

S03E11 – That’s too much, man!

Finalmente Sarah Lyn tem um bom motivo para deixar a abstinência – e quanta droga em todo canto da casa! Ela e BoJack começam a sair por aí, e ele tem lembranças em “flashes” do que está acontecendo (em meses!): reveem episódios do antigo show na TV, participam de uma reunião dos AA, quebram a casinha de brinquedo de uma criança, invadem a casa e fingem ser Diane e Mr. Peanutbutter, BoJack também busca redenção com Ana, mas volta três vezes e não consegue se lembrar da história que ela contou – do treinamento para salva-vidas, algumas pessoas não dá para salvar porque elas vão se debater e levar você junto pro fundo… ao que BoJack responde: o que isso tem a ver comigo? Ai, ai, ai! Ele também grita no lado de fora do apartamento da Princess Carolyn, e vão até Ohio para se redimir com a filha do antigo amor, Penny; mais blackouts e referência clara a “Memento” (2000)***, yey. Sarah Lynn encontra a heroína com o nome do BoJack, comentando que isso é mais legal que um Oscar, tem uma viagem que só uma convidada especial salvaria seu show; ele percebe que os dois não querem nada um do outro e por isso podem se entender, quando ligam a TV está passando a festa e Sarah ganha um Oscar, sem estar lá! BoJack a leva ao planetário.

S03E12 – That went well

Lembra que no começo da série revisitamos o ano de 2007? Parece que muitas coisas marcantes aconteceram mesmo para BoJack, inclusive neste ele relembra uma visita ao camarim da já famosa Sarah Lynn para entregar um roteiro – e ela ficar desapontada porque não era por amizade.  Voltando ao ano atual, o noticiário anuncia sua morte aos 31 anos. Margo colide com o navio com o carregamento importante de macarrão para Sandro (que trabalhava no restaurante do BoJack!), o noticiário mostra uma especialista explicando o que poderia salvar o dia, mas Mr. Peanutbutter, que desde o início da série tinha guardado um estoque de escorredores de macarrão sem sabermos pra quê, decide desligar o celular para uma sessão de cinema (hahaha! Eu também faço isso, não devia mais?). Eles acabam salvando o dia e Mr. Peanutbutter recebe muitas ofertas, Princess Carolyn não consegue realmente desligar, até que percebe que sua vocação é ser empresária e não agente (Ralph: “parece a mesma coisa”)! Diane se encontra com um contato indicado por Princess Carolyn para escrever para seu blog. Mr. Peanutbutter e Todd vendem a empresa Cabracadabra (segundo a blogueira feminista, “Hooters on wheels”!), mas Todd perde todo seu dinheiro tomando sorvete com Emily e ponderando que ele não é gay, mas talvez não seja nada, e ela diz que tudo bem. BoJack está super deprê por achar que só causa o mal, acaba deixando o set de filmagem do novo programa com aquele antigo colega… parte na estrada sem destino e observa cavalos correndo livres contra o vento.

 

Os últimos (e primeiros) três meses

Eu acabei largando isto aqui às traças virtuais, mas na verdade, desta vez, eu tenho bons motivos!

Em junho eu descobri… que estou grávida!!!

Desde então minha vida deu uma reviravolta e se eu já andava ocupada, sem tempo de sobra pra escrever, aí é que ficou ainda mais complicado – tá vendo só, não é a habitual procrastinação, nem as reclamações rabugentas sobre a vida que virginianos costumam fazer.

De qualquer modo, apesar de ter repensado este blog para escrever mais sobre filmes ou séries, já deixo avisado que este post é bem pessoal, mas fazer o quê, se nossa relação (quer dizer, pelo menos a minha) com qualquer obra também tem uma influência muito do pessoal. Afinal, quantas vezes um filme não acaba “falando” de forma diferente com a gente, dependendo do que estamos vivendo naquele momento? Pelo menos no meu caso em particular o cinema sempre – ou quase sempre – conversa comigo como se fosse uma mensagem especial do universo/tempo/espaço única para mim, para aquele momento.

Dizem que os três primeiros meses é de maior risco de aborto, então esperamos algum tempo para começar a contar para as pessoas.

Comecei a passar mal, fiz umas contas e fiquei desconfiada, fiz o teste de farmácia, procurei uma obstetra aleatoriamente pela internet, fiz um primeiro ultrassom que já deu pra ouvir o batimento do coração do bebê (não imaginava que dava, tão cedo assim!), e como tenho diabetes é uma gravidez de risco, então começou uma bateria de exames e tive que ir em vários médicos nas semanas seguintes.

Claro que ainda continuei indo ao serviço, mas foi realmente uma maratona! Com enjoos mesmo tomando remédio pra enjoo, e muito, muito sono, eu praticamente só ia ao serviço, voltava pra casa e dormia.

E assim foram passando as semanas, antes eu só media a glicemia em jejum ao acordar, passei a ter que medir umas cinco vezes por dia (muitas vezes sem sucesso); eu tomava uma dose baixa de insulina e passei a ter que tomar bem mais, duas vezes por dia, fora o outro tipo de insulina, não de longa duração, mas a regular/rápida; indagações frustradas de como poderia me alimentar melhor pra manter os níveis de açúcar no sangue bons – desafio quase que causa perdida, considerando esta minha rotina de vida nada rotineira…

Nessas, eu acabei vendo “O bebê de Bridget Jones” (2016)**, que tava ali de bobeira no Netflix, só pelo momento que eu vivia em si, não tanto por essa franquia que eu já considerava falida antes mesmo do carisma da Renée Zellweger falir com o passar das plásticas /dos anos. Sem o Hugh Grant, acharam um outro carinha das comédias românticas como filler, o Patrick Dempsey, e apesar de ter graça a cara da Emma Thompson como obstetra indiferente, a trama é uma bobagem (camisinhas veganas?) e a gente sempre soube de quem seria o filho de Bridget, não é?

Pensando bem, do ano passado pra cá até que andei vendo vários filmes sobre “mamães”. O Maior Amor do Mundo (2016) **, que junta vários nomes famosos, como é costume do Garry Marshall, não é tão emocionante; tem um outro título parecido, que mistura vários casos de grávida, O que esperar quando você está esperando (2012) ** tem uns momentos até mais engraçados – nunca vou esquecer daquela mulher que queria muito engravidar e a realidade detona com ela, não é nada daquela sensação de sonho que ela imaginava… uma grávida do cinema que sempre vou lembrar também é Juno (2007)*** e essa sim dá mais gosto de ver, gravidinha mais cool. E quem se lembra de Junior (1994) **?! É, aquele do Arnold Shwarzenegger grávido com o Danny DeVito… quanto impropério o cinema consegue produzir… falando em comédias, eu não cheguei a ver Perfeita é a mãe! (2016) com mamães que vão pra farra, mas quem sabe no futuro eu dê uma chance…

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Bem, nesses meses que passaram eu pude conferir uma série que até me surpreendeu (eu não achei que ia gostar, sinceramente), The Boys, Primevideo. São um bando de heróis que na verdade são muito falhos nos bastidores, algo meio sinistro, uma heroína novata que ainda é inocente, um carinha nerd cuja noiva morre e ele se junta a um brutão que também quer vingança e acabar com esses seres aparentemente melhores que o resto de nós mortais… sim, tem personagens que colidem e não são desinteressantes nessas relações, tem misteriozinho sobre a origem dos herois e um passado, tem direito a crítica política, social, comercial, religiosa… apenas 8 episódios da primeira temporada, deu pra ver tudo em 3 noites, vai lá conferir se ainda não foi. Eu só não gosto muito do lado gore, aquele sangue jorrando na nossa cara, mas um dos criadores também é de Supernatural (também não sei se isso diz alguma coisa?)

Eu também vi rapidinho em algumas noites (esta é a minha nova moda, nada de séries infinitas!) Switched, de adolescentes e japonesa, sobre troca de corpos – quem não já viu esse filme? A garota gordinha e isolada da escola troca com a mais bonitinha e popular da sala… parece previsível? Mas também tem o lado obscuro dessa troca, e a gente fica contente com a amizade verdadeira, com a gordinha ficando mais simpática e em tempos de bullying, entender como se chegar a um limite de nem ver graça em viver para também amolecer com a mãe que parecia tão “madrasta má”…

Vi mais uma temporada de Bojack Horseman, mas esse ganha post só dele, né, gentem. E Master Chefe (ah, eu gostava muito da Lorena, o Helton surpreendia no começo, mas ainda tem aquele ar arrogante de jovem, né, vamu admitir? E eu achei que desta vez estavam bem profissionais na final!). Por influência, até arrisquei outra série de culinária, Todos contra o chefe (é gostoso ver os participantes que representam suas origens e o desespero do chefe observando seus aprendizes, mas tem sempre um episódio que é só propaganda do restaurante e os participantes só ganham um troféu…?)

Ai, é… teve também o final de Game of Thrones nesse hiato, né? Mas tanta gente já deu seus pitacos, cada um reescreveu o final como achava melhor – ei, com alguns eu até concordei mesmo – e a gente não precisa mais escrever sobre isso, né não?

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Deixa ver… no cinema, é claro que fui lá conferir Aladdin (2019) ***, que era um dos meus favoritos quando criança, eu adorava a vontade da Jasmine de sair e conhecer o mundo. Claro que alguns elementos das animações Disney dessa leva já estão datados, então concordo com alguma atualização, e confesso que me surpreendi, porque jurava que seria uó o Will Smith como gênio da lâmpada, mas não é que ficou legal? Agrabah ficou muito mais colorida nesse desenho de produção, vistosa; e os atores estão bem, o Sultão menos bobão e a Jasmine, linda, como todos imaginariam uma princesa. Mas posso falar? Pelo menos pra mim, achei bem forçada essa questão da Jasmine, só porque agora tá na moda o girl power, empoderamento feminino e tal. Tudo bem, a princesa não precisa ser salva por um príncipe (Jasmine na verdade nunca precisou, nem no desenho, e era isso que eu gostava nela e também na Bela); mas que achei forçação de barra, achei.

E como boa simpatizante Disney que sou, não podia deixar de falar um pouquinho de O Rei Leão (2019) ***, é claro, né… Lembro que quando vi Mogli, o menino lobo (2016) *** eu falei, “puxa, eles podiam chamar esse diretor pra fazer a versão em live action de O Rei Leão”… e não é que de vez em quando eu consigo prever essas mentalidades hollywoodianas? A transposição da versão animada desses personagens animais ficou ótima, a África está perfeita – e claro, como não podia deixar de ser, bem mais realista. Se o visual enche os nossos olhos, e as atualizações aqui também estão valendo (coisas dos anos 90 que já nem funcionavam bem na época, imagina agora), por alguma razão, este aqui não me emocionou tanto? Eu me lembro de ter me acabado em lágrimas com a morte do pai do Simba no desenho (ei! eu já falei que este blog não acredita em spoilers. E 25 anos depois? Pelamor).

Já nas telinhas… Andei vendo umas coisas só porque o Keanu Reeves anda na moda, como o crush da internet – hahaha! E até parece que algum dia ele deixou de ser? Nem precisava de John Wick, a gente sempre gostou do cara, achando ou não que ele não sabe atuar, se simpatizando ou não com o “sad Keanu”, querendo ou não um novo “Bill & Ted”…

Só pra mencionar, dei uma espiada, também porque estava ali no Netflix por acaso (eu sou daquelas que passa mais tempo adicionando títulos na lista do que vendo coisas), A escalada (2017)**, francês, baseado num caso real em que o rapaz sem muita experiência decide escalar o Everest e impressionar uma garota, e vai relatando para uma rádio, e ganha a torcida de um monte de gente pra que ele chegue até o final. Eu gostei porque a gente realmente vê como é escalar o monte, sem as firulas de suspense ou ação, gostei do coadjuvante carismático que quer ouvir o romance até o final.

Na verdade, ter as adaptações da Disney no cinema me fizeram ir conferir de novo Mulan (1998)***, que me pareceu até melhor do que eu lembrava – o dragão do Eddie Murphy nem me incomodou tanto. É legal a sequência de treinamentos e também no castelo do imperador. Quem sabe de repente eu pegue Pocahontas (1995) pra rever um dia desses. E quem falou que eu não me diverti com a cena das princesas em Wi-fi Ralph (2018)***? É claro que dou risada com as alfinetadas, mas poxa, isso é porque eu cresci vendo essas animações e vi o mundo mudar… fico imaginando o que meus filhos vão ver? Bem, sempre teremos a Pixar pra nos salvar, eu acho.

Ai, é. Eu fui sim, não podia deixar de ir conferir o mais novo do Tarantino & Leo DiCaprio (com bônus do Brad Pitt cinquentão e ainda sarado – xenti! como consegue?). Mas esse também acho que merece um post especial.

Por enquanto, vou continuar pesquisando na internet a cada semana de gestação o que devo tomar cuidado, e me preparando… eu nunca achei que ia ter filhos porque sempre pensei que “eu nem sei cuidar de mim, imagina educar um outro ser humano?”; sem falar que eu pensava que o mundo já tem 7 bilhões de pessoas, não precisa mais, né… mas acabou sendo incluído esse ato neste roteiro da minha vidinha, e o que eu posso fazer? Vou colocar Ennio Morricone pro baby ouvir na barriguinha.

 

 

 

Um jardim especial (2015)

um filminho da Sessão da Tarde…

João Leno & Deni Yoko

(by Yoko)

E lá se vai acabando mais um mês… confesso que gostaria de conseguir postar com mais frequência, e pra mim – gosto de estar meio desligada e em paz – é uma luta, mas vou realmente me esforçar para me conectar mais e pelo menos compartilhar mais no Insta, que é mais rápido do que escrever no blog – mas hey, eu gosto de escrever de vez em quando.

Nos últimos meses também tenho sofrido com uma dor incessante no braço, procurando tratar disso, e do cansaço constante. Desde o ano passado tenho estado muito doente sempre, vamos ver se conseguimos ser mais saudáveis.

E neste mês que passou, teve um dia de folga que eu estava de bobeira e estava passando na TV uma dessas comédias românticas, na Sessão da Tarde. Aliás, já comentei como acho interessante que o tipo de filmes da Sessão da Tarde mudou…

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