Eu queria mesmo é falar de American Gods (mas este cansaço é diabetes? Por que o metrô de John Wick 2 é tão bonito? O último episódio de Master Chefe foi pra tirar a Yuko!)

Dois meses sem postar nada e… na verdade, não é que a gente não tenha assunto, é que acabei mais uma maratona e estou naquele momento de não saber o que fazer. Eu, que faço maratona pro Oscar, e maratonas de séries, como seria diferente? – teve a maratona do casamento. 2 meses pra pensar, organizar, preparar, decidir, realizar tudo… foi o civil e uma tarde festiva em São Paulo, o religioso em Nova York, bênção católica e almoço em Belém…

E agora que estou de volta, eu deveria estar super animada para uma nova fase de vida, querendo fazer várias coisas, certo? Só que… não. Eu não sei o que acontece comigo, mas sinto-me exausta, sem vontade de fazer coisa alguma, quero nada. Não tenho disposição para trabalhar, sinto que tenho passado os últimos dias inutilmente, hoje fui ver meu contrato de Fies, se eu tivesse continuado a faculdade, estaria no último ano… mas o que é que eu quero mesmo da vida? Eu já não sei mais.

É tão difícil isso, você passa a vida inteira acreditando que existe um sentido para sua existência, um grande sonho que é sua realização, que é sua missão na Terra. Porém, nada aconteceu, você vira um desses personagens de filmes indies americanos, meio losers, meio perdidos e… e aí?

Talvez isso seja mal do século, percebo ser um tema que vem se tornando recorrente. Outro dia vi “Encalhados” (Laggies/2017), que é mais sobre essa personagem da Keira Knightley que já tem certa idade, não tanto sobre estar encalhado no amor. Ela não tem um propósito e não se encaixa na estabilidade madura das outras de sua idade… E, envergonho-me em dizer, muitas vezes tenho essa vontade de só me deixar fazer qualquer coisa da vida, qualquer emprego que a sociedade vê como “medíocre”, mas o que é que tem? Mesmo as pequenas funções precisam ser cumpridas por alguém, nesta grande máquina do mundo.

Por que existe uma supervalorização da funcionalidade? Não era pra ser assim, progrediríamos na tecnologia pra trabalharmos menos, só o que vejo é mais pressão e pessoas cobrando coisas, você tem que cumprir um status social – o que a gente quer mais não é ter tempo pra fazer o que gosta, pra descansar e ter boa saúde, pra dar atenção aos amigos e à família? Eu já não sei se consigo mais “cumprir o protocolo” e ter que querer me matar pra entregar resultados. Sorry, talvez ter visto as duas primeiras temporadas de “Black Mirror” (2011-) em tão pouco tempo esteja me influenciando demais. Taí uma série que rende muita reflexão, talvez ganhe um post só pra ela.

Talvez seja a diabetes? Eu não tenho feito dieta nem tomado os remédios direito nos últimos meses. Sinto que tenho mais sede, será que esta exaustão, a canseira, é só um sintoma da diabetes? Essa doença que dizem estar virando epidemia, outro dia vi no Netflix o documentário “What the health” (2017), talvez eu devesse me focar nisso agora, levar uma vida mais saudável, exercícios, tentar uma dieta vegana? O doc tem uns momentos um tanto forçosos, mas fatos interessantes também, e dá vontade mesmo de adotar uma dieta com base em plantas, tem o caso daquelas pessoas com ótimos resultados em questão de poucas semanas, e você começa a pensar no impacto ambiental, no mundo. A dureza é pensar se realmente consigo tirar todas essas coisas gostosas da vida; eu amo queijo, gente…

E já que estamos falando de comida, tranquilinha a série “Midnight dinner: Tokyo stories“, que a cada episódio mostra a história de um cliente desse pequeno restaurante japonês que abre de madrugada. Tem muito da cultura japonesa, então acredito que tenha situações que até pareçam estranhas aos olhos ocidentais, mas eu gosto de ver alguns pratos preparados e esses personagens inusitados com questões amorosas, familiares.

Nos últimos meses também estive acompanhando a temporada atual de Master Chefe Brasil, nunca tinha visto esse tipo de programa e me empolguei em ver os pratos que o pessoal cria, as reações dos jurados e os desafios propostos. Só que no último eles meio que forçaram a barra da manipulação (na minha humilde opinião), não dava pra uma tailandesa fazer um PF melhor que duas brasileiras que tiveram um bom desempenho até agora. Eu meio que pensei: “criaram essa prova só pra eliminar a Yuko. Com uma prova dessas, todo mundo vai entender que ela saiu. Ela já ganhou sua popularidade, mais views no YouTube, já tá bom, mas ela é estrangeira e este é Master Chefe Brasil. Já deu”. E foi batata. E eu acho que não vou mais ver o programa, porque fica meio que “marmelada”, meio que induzido demais, sei lá.

Antes de viajar eu também vi de sopetão “Sense 8” e me choquei um pouquinho só quando falaram que foi cancelada (mas imagina os gastos pra se fazer essa série, meu povo!). Só fiquei com pena porque queria ter visto a conclusão que os criadores tinham pensado, mas… eu gostava dos Wachowski quando ainda não eram as irmãs, eu gostei foi de Matrix (1999)…

Aliás, quantas referências à Matrix em “John Wick: chapter 2” (2017), não? O roteirista e/ou diretor devem de adorar o filme. Se bem que foi legal ver o Lawrence Fishburn dividindo o espaço de tela com Keanu Reeves de novo. O que eu lembrava do primeiro filme era de toda uma sociedade secreta, daí o cara aposentado sai matando por causa do cachorro morto… era isso? Nesta continuação, ele ainda é “o cara” lendário e leva umas belas surras, até que gostei da ambientação em Roma, belo quadro da morte na banheira; a gente foi pra Nova York recentemente, dá pra reconhecer, mas esse metrô tão limpo e moderno eu não vi não!; já a exposição com espelhos foi muito demorada e deixa a nossa cabeça meio confusa, eu acho.

Este post não poderia terminar de outra forma exceto com Keanu? Eu não sei se já cheguei a escrever por aqui ou simplesmente falar por aí o quanto gosto desse carinha? É um daqueles mistérios do mundo, né, ele não sabe atuar, sempre tem a mesma cara, não consegue passar emoção ou se impor na presença, mas… continua fazendo filmes e todo mundo parece gostar de vê-lo em cena. Recentemente eu vi “Filha de Deus” (Exposed/2016), que é tão fraquinho… um filme que demora a passar, tem o cara que morreu na guerra, tem o policial corrupto e ficamos um pouquinho perturbados, mas no final, a vida real. Vejo nas escolhas do Keanu sempre um interesse por algo fora do comum e por uma trama intrigante. E ele não tem medo de cenas violentas ou pontos que poderiam ser polêmicos, em personagens que não são infalíveis – ah, como eu achei interessante o “Advogado do diabo” (1997)*** contra Al Pacino! E quantas vezes eu revi “Velocidade Máxima” (Speed/1994)***, aquelas pessoas comuns tentando o extraordinário. E amei ver romances também, repetindo o par com Sandra Bullock e Charlize Theron. O ser humano é triste, falho e complexo – comentário muito profundo para “Caçadores de emoção (Point break/1991)**? No meu caso em particular, talvez eu tenha me afeiçoado porque bem criança ele tenha sido o Buda (Little Buddha/1993)***, e na minha adolescência ele foi Neo. Não tem como, né? Depois a gente fica sabendo da sua história de vida real e se condói. E torce pra que esse cara que é gente como a gente, de boas, consiga ser feliz, apesar de tudo. Acho que deve ser coisa de certos virginianos, que já tem uma aura melancólica imbuída – e eu me incluo nessa categoria. Acho que gostamos de ver é isso, a humanidade de sermos simplesmente nós, mas apesar de tudo, temos que continuar. Não sabemos exatamente pra quê, a vida é uma passagem, uma viagem, transitória; o ser humano é triste, mas estamos aí aprendendo; e todos nós somos os escolhidos, de alguma forma, na nossa própria jornada.

 

Taverna Medieval em São Paulo

Amiguinhos e amiguinhas, eu confesso a vocês que nem era tão empolgada com Caverna do Dragão, nem sou tão fã assim daqueles filmes de Rei Arthur, cavaleiros, Robin Hood… mas posso falar? Visitar essa hamburgueria temática em São Paulo foi muito divertido, mesmo assim!

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A única coisa que não foi tão divertida, e já vou escancarando logo de cara aqui no post, é o tempo de espera… Tudo bem que nós fomos num sábado (mas era meio de feriado prolongado!) e não chegamos tão cedo (foi lá pelas 19h). Mas a moça nos alertou que seria uma hora e meia de espera! E… foi mesmo, ela não mentiu.

Bem, enquanto você espera, pode tentar lançar umas flechas (por 15 reais) ou já escolher algumas bebidas, tem uns barris que servem de mesa ali fora. Não tenho fotos boas da área externa, porque ainda não tinha testado meu celu, e o local só abre à noite, então fico devendo essas fotos. Mas fomos em quatro e o pessoal decidiu rolar o dado – você rola um dado de 20 lados, o número que cair é a bebida em questão. E eles têm o crítico também! (o número 1 é o bartender que vai escolher qualquer coisa pra você, e nem está no menu)

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O hidromel élfico é mais suave (o dos anões é seco) e tava muito bom, docinho, numa taça de caveira. A “poção do Rei Arthur” me supreendeu por não ser tão forte também e as poções vem em frascos como naqueles desenhos animados… Eu pedi um milk-shake de limão, sem álcool, que tava muito bom também, sem ser enjoativo nem acentuado demais no azedo do limão. Numa próxima eu gostaria de experimentar o de amarula, hmmm.

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Outra coisa engraçada que aconteceu é que quando vem chamar o nome da pessoa eles usam uma campainha, daí teve um povo que começou: “shame!” (Hello, Game of Thrones).

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Entrando, as mesas e cadeiras são simples, mas todos os atendentes estão vestidos à caráter, então você vê bobo da corte e donzelas circulando com os pratos. Ah, e tem uns frades… Um deles veio nos atender e ele tinha o broche de “Mão do Rei” (novamente, Game of Thrones). Daí ele comentou: “Isso significa duas coisas: que eu trabalho mais que os outros e que não sei se saio vivo no final do dia” hahaha. Também é bem apropriado que os atendentes usam “milorde e milady” com a gente.

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Vamos às comidinhas, então. Será que é só ambientação caprichada, ou eles capricham no sabor também? Um dos nossos pedidos foi a “Camponesa simples de nobre coração que vai todos os dias ao bosque para recolher lenha” – título enorme, mas que realmente existe no cardápio, tá aqui a prova, ó!

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É, um simples sanduíche de pernil. Mas tava saboroso. E notem que servem rusticamente também, no prato pesado de cerâmica. Aliás, o chopp vem nuns canecões também.

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Quanto aos burguers, eu fui de “Escolha do taberneiro”.

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A escolha do taberneiro tem fondue de queijo e … bacon, claro! E, sim, gente, esse bacon aí não era super tostado e nem grosso e molengão, ou seja, gostei, pra mim esse é o ponto certo.

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Já a pedida de um amigo foi “O Bárbaro” aí em cima. Hambúrguer de javali, que tem uma carne mais branquinha (não sei qual o ponto?) e rúcula e um molho de tomate fresco que formou uma boa combinação, mais leve.

Aliás, os pratos e bebidas são medidos pelo grau de “medievalidade”, com espadinhas. E eles indicam a bebida que melhor combina com o lanche.

De sobremesas, fomos de “Nessie”.

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É um snickers empanado com sorvete. ehe.

E entre uma comilança e outra, você pode ouvir uns menestréis! (é assim que chama?)

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Se der sorte, pode jantar na mesa de barco viking! haha

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Mas o mais legal é que a proprietária do local veio perguntar se estava tudo bem, o que tínhamos achado, e deu a dica que podíamos ir no segundo andar e mexer nas quinquilharias.

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Eu gostei da espada do Frodo, mas tinha várias outras, inclusive a Garra Longa… nhah, não peguei na espada do John Snow! (huahaha, tinha que ter alguma piada infame né). Ah, e uns capacetes viking pra usar e tirar foto.

Mas a minha maior diversão… só quem já deu muita risada com “Monty Python e o cálice sagrado” vai entender.

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Pois é. Com boas e rápidas bebidas, pessoal simpático e capricho no tema, a Taverna Medieval conquista corações. Eu me diverti muito e voltaria outras vezes, se não fosse a espera na fila. Ah! E também é fácil, fácil de gastar ali hein. Mas guardarei a minha via da notinha do cartão que lê “Caverna do Dragão” hihihi.

Samurai Gourmet

(2017) ****
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Acho que vocês já perceberam que eu gosto bastante de comer (com’on, tem uma categoria de posts aqui chamada “:D e as comidinhas”…). Mesmo assim, até hoje, nunca fui rendida pelas diversas séries de comida que existem por aí, inclusive esses programas de reality e competições como Hell’s Kitchen ou Master Chef. Na verdade, talvez eu esteja amolecendo, porque esses dias eu vi um episódio de Master Chef e ri alto, tem uma personagem que se chama Yuko, ela não fala direito português e é muito transparente nos seus comentários – talvez eu continue assistindo, não é que até me pareceu divertido?

Mas antes de me viciar em mais esse gênero, digamos, de produção (quantos filmes sobre comida existem por aí!), eu fui pega por esta série Netflix que é originalmente japonesa e uma graça, sabe aquelas comfort foods? Como uma “comfort série”, os episódios são rapidinhos e servem pra acalentar um pouco o coração, trazer um sorriso singelo.

A narrativa é simples: um senhor se aposenta e agora, com mais tempo, começa a experimentar diversas comidas diferentes. Mas entremeio as reações entusiasmadas do personagem principal em relação ao que está comendo, nós vemos ele relacionar determinada refeição com algo de sua vida e algum sentimento, algum ideal – e surge o tal Samurai que somente ele vê pra lhe dar inspiração.

A produção é ótima, os pratos aparecem apetitosos, o ritmo é leve, com momentos de humor e flashbacks pertinentes. O figurino da época de Samurai contrastando com a realidade moderna é bem feito, e a gente torce pelo carismático Kasumi, ansiosos pelo próximo episódio pra saber o que ele vai fazer ou comer.

Espero que a série continue em outras temporadas!

 

Ep. 01 – “Cervejinha do meio-dia”

Não sei se é coisa de japonês, acostumados a trabalhar tanto e sentir vergonha por de repente você se permitir uma cervejinha em um horário em que todos devem estar no trabalho… mas por que não?

 

Ep. 02 – O lámen da diaba

O lámen é um prato muito popular no Japão, e é hilário Kasumi notar todos os detalhes que fizeram daquele lámen uma experiência gastronômica pavorosa! Porém, isso só evidencia o gosto de um simples lámen caseiro e… quem não entende gostar mais da comida da mamãe?

 

Ep. 03 – Peixe no café da manhã

Esta série é ótima para constatar alguns costumes japoneses. Por exemplo, esta pousada à beira-mar é bem típica japonesa, e esse café da manhã também. Relembrando os momentos de jovem rapaz, dá ainda mais vontade de repetir (“okawari!”)

 

Ep. 04 – Yakiniku do jeito dela

Aqui em São Paulo a gente também tem boas opções de restaurantes coreanos em que podemos “fazer churrasco” na mesa. Desta vez, quem vê o Samurai é a sobrinha de Kasumi, que andava precisando repensar um pouco suas atitudes e comportamento principalmente quanto aos pais.

 

Ep. 05 – Bentô no set

Já que está aposentado, por que não ser um figurante? E Kasumi mal pode esperar pelo almoço, conhece um aspirante a ator e dar valor aos pequenos elementos pode fazer muita diferença no paladar.

 

Ep. 06 – Um almoço à moda antiga

Kasumi quer tomar um café e ler um livro, mas ele não precisará reclamar com a mesa do lado sobre o barulho que estão fazendo.

 

Ep. 07 – Guarda-chuvas no balcão

Com o alívio por saber que está bem de saúde, Kasumi conhece um “izakaya” (uma espécie de bar japonês, mas que servem porções bem interessantes) em que a lembrança dos seus tempos de empregado salariado ficam mais saborosas com a chuva.

 

Ep. 08 – Macarrão estilo samurai

E quando acabamos entrando em um restaurante que parece ser chique demais pra nós, humildes mortais? Mas por que deixar suas próprias preocupações atrapalharem seu deleite?

 

Ep. 09 – Croquetes do coração

Todo mundo tem aquele momento na infância em que provou algo simples, mas que era muito gostoso na época… pode ser principalmente pelas circunstâncias do momento, ainda mais se foi quando transgrediu algumas regras com coragem.

 

Ep. 10 – O cavaleiro grisalho

Em um “yakittori” (lugar que vende só espetinhos, a maioria com partes de frango), a luta da vez não é do samurai, mas não é preciso aguentar opressão rude se podemos ser apenas mais compreensivos e gentis, certo?

 

Ep. 11 – Bodas de Oden

Shizuko, a esposa, é a companhia de Kasumi para comer “oden” (alimentos diversos cozidos). Mas ele não precisa suar porque acha que a esposa pode estar entediada com a rotina: às vezes o melhor é o bom e velho “arroz com feijão” (se fôssemos falar aqui no Brasil, rs).

 

Ep. 12 – Lembranças de um “hayashi rice”

Outro prato típico – e que me deu água na boca, queruuu! – e a reflexão sobre os acasos. Um restaurante que é sucedido com o mesmo estilo e boas lembranças, um encontro fortuito e… que samurai é esse?

Logan / A bela e a fera

Ando com um novo projetinho de vida e não é que acabei deixando passar o mês de março? Em alguns meses acho que vou poder abrir para todos e expor esse meu projeto, mas por enquanto, tenho estado com a cabeça em outras nuvens… Deixo aqui só algumas notas, só pra não deixar passar em branco.

!Claro, sempre lembrando que este blog não acredita em spoilers, uma coisa é saber dos fatos, a outra é sentir a emoção (triste ou feliz)!

Logan (Logan / 2017) ***

Gente, gente… que filme triste! É muito, muito, triste. Pensar que na minha infância eu considerava os X-men a evolução da humanidade, no final é isso que acontece? O professor Xavier fica velhinho e com todas as dores das agruras de sua vida (aliás, parabéns para o Patrick, lembrou meu avô, quando ficamos velhinhos é daquele jeito mesmo). E o Wolverine também já não é mais o mesmo, meu velho, embora continue impulsivo e briguento, naquele jantar com a família do interior, não deu vontade de ter uma vida normal? A garotinha também está muito bem, raivosinha e ainda com a carinha de quem precisava de um colo. Até que gostei do conjunto, os efeitos, as locações, ação conta com embates que a gente não sabe como se vai dar, então todo mundo fica feliz.

A bela e a fera (Beauty and the Beast / 2017) ***
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A animação era uma das minhas favoritas quando criança. Será que estamos entrando na era em que temos que fazer igual à máxima “livro é livro, quadrinho é quadrinho, filme é filme”, e partirmos pra “animação é animação, filme é filme”? Porque não é que eu não tenha gostado do filme, mas… ai, ai, prefiro tanto a animação… hahaha

Os efeitos estão muito dignos, os figurinos bem apropriados (mas na minha imaginação o vestido da Bela era ainda mais “mágico”) e eu a-do-rei o Gaston e o LeFou, melhores personagens! Não tinha lido nada sobre o filme antes de ver, então me surpreendi com o elenco famoso que foi aparecendo ao final. Sobre as inserções de narrativa, entendo que tinham que deixar o negócio mais “crível” para uma versão humana, dar mais sentido – a história da mãe da Bela, por exemplo; e gostei da feiticeira voltar a aparecer no final. Mas achei meio falso quando Bela sai cantando na montanha, embora tenha gostado dela lavando roupa. A polêmica sobre personagens gays é ridícula, eles são o mais divertido (e não tanto a interação entre o relógio e o candelabro, como na animação). Também até que gostei que o pai é mais um artesão do que um inventor. Não gostei tanto da rosa, mas tá valendo, e no desenho, o príncipe humano era mais bonito hahaha. Deu pra gente se encantar com a biblioteca e a dança no salão (cadê os passarinhos em cima da Fera?), lembrar algumas canções, querer dar um tapão na cabeça do Gaston, mas não deu tanta vontade de ter participado do banquete no castelo… Bom, acredito que adaptações são assim mesmo, nunca dá pra agradar os fãs em tudo. A Bela e a Fera continuará sendo meu desenho do coração, enquanto o filme eu vou esquecer logo.

Neste mês eu também vi a (mini?) série “Samurai Gourmet” que me deixou contente, mas eu queria um post só pra ela, então fica pra uma próxima.

89th Oscar

(post atualizado em 01/03, em laranja)

Antes mesmo de ver qualquer filme indicado ao Oscar deste ano, eu imaginei que La la land abocanharia diversos prêmios. Não tanto por motivos técnicos – acho o roteiro bem batido, pra dizer a verdade; mais porque parece resgatar uma Hollywood de sonhos, um sentimento de mais esperança e entusiasmo; apesar da melancolia, como é gostoso a gente ver um casal romântico deslizar, flutuar, dançar nas estrelas…

Eu sou dessas românticas, e acho que se estivesse na Academia eu cederia e daria meu voto de melhor filme pra ele sim. Vamos ver qual será o veredito dos votantes reais nesta noite. Muitos dos motivos de votar em um e outro estão descritos no post anterior aqui, mas claro que, se até a Glória Pires pode comentar o Oscar, eu tenho direito a não ter o que comentar em certas categorias (e só às vezes eu sou boa de chute). Seguem os meus votos em negrito.

*Melhor filme (longa)

Arrival (A chegada)

Fences (Um limite entre nós)

Hacksaw Ridge (Até o último homem)

Hell or High Water (A qualquer custo)

Hidden Figures (Estrelas além do tempo)

La la land (La la land: cantando estações)

Lion (Lion:uma jornada para casa)

Manchester by the sea (Manchester à beira mar)

Moonlight (Moonlight: sob a luz do luar) – xenti, xenti, xenti. Que choque, que loucura, um prêmio que ninguém vai esquecer. E não dá vontade de teoria da conspiração? Achar que fizeram de propósito só pra ninguém esquecer mesmo na história essa vitória? Aliás, primeiro filme a ganhar com tema LGBT (alma lavada por Brokeback Mountain) e é o retrato da minoria das minorias (pobre, negro, homossexual), Oscar é muito mais do que apenas a qualidade do filme em si, só pra lembrar. Embora o filme seja bom também e a gente fica feliz, só fica meio triste porque nos sentimos no lugar do povo de La la land tendo que sair do palco e aguentar o Barry Jenkins clamando “que se dane os sonhos!” – bafão!

*Melhor curta (live action): Timecode – o Oscar foi para Sing, e sabe que quase foi meu voto mesmo? 

*Melhor animação (longa): Zootopia – gosto da mensagem sobre aceitar a diversidade e acredito que isso também contará para outros votantes neste ano de Trump.

*Melhor animação (curta): Piper (mesmo que se diga “por que não votar em um diferente?”, é um curta lindinho mesmo, com qualidade de animação incomparável) – embora “Blind Vaysha” tenha um mote bem interessante, eu não vi.

*Melhor documentário (longa): Life, animated – só porque gosto de animações e é um tema diferente. E o Oscar foi para O.J.:Made in America

*Melhor documentário (curta): Watani: my homeland – E o Oscar foi para The White Helmets

*Melhor filme (longa) que não é falado em inglês: Toni Erdmann – E o Oscar foi para The salesman (O apartamento). Honestamente? Achei que foi de propósito porque Asghar Farhadi não ia poder estar lá e tinha seu recado para esta nova política de imigração…

* Melhor ator: Viggo Mortensen – poderia ser o Casey Affleck? Claro que sim. E foi. Sem aplausos da Brie Larson.

* Melhor atriz: Isabelle Huppert – sim, eu vi “Elle”, e admiro a coragem e força em cena desta atriz, filme forte que quebra as “convenções” femininas. E o Oscar foi para Emma Stone – algo que não entendo muito bem, tão novinha e tá, fazer musical é difícil, mas…

*Melhor ator coadjuvante: Mahershala Ali – só pra dar um pra “Moonlight”, eu não vi o Michael Shannon.

*Melhor atriz coadjuvante: Viola Davis – obviamente! Mas compensou a previsibilidade com um bom discurso.

*Melhor direção: Kenneth Lonergan – por “Manchester by the sea”. E o Oscar foi para Damien Chazelle (o que fez todo mundo acreditar que já sabia quem ganharia melhor filme, mas…)

*Melhor roteiro original: Hell or high water. E o Oscar foi para Kenneth Lonergan por Manchester by the Sea – ah, tá valendo, né.

* Melhor roteiro adaptado: Arrival. E o Oscar foi para Moonlight (e eu: “whaaat?! wow, ok” – primeiro de uma série).

*Melhor fotografia: Arrival. E o Oscar foi para La la land.

*Melhor montagem: Hell or high water. E o Oscar foi para Até o último homem (Hacksaw Ridge) (e eu: “o quê?!”)

*Melhor desenho de produção: La la land.

*Melhor figurino: Jackie – não vi todos os candidatos. E o Oscar foi para Animais Fantásticos e onde habitam (Fantastic Beasts and where to find them).

* Melhor maquiagem: nulo (não quero dar para Esquadrão Suicida). E o Oscar foi para Esquadrão Suicida ¬.¬

*Melhor trilha sonora: La la land

*Melhor canção original: La la land, “City of stars”. (não tem jeito, a melodia gruda mesmo, apesar da letra simplória)

*Melhor mixagem de som: La la land. E o Oscar foi para Até o último homem (sério? Foi tipo só a parte do campo de batalha, né?)

*Melhores efeitos sonoros: Arrival

*Melhores efeitos visuais: Kubo and the two strings – fazer os origamis terem vida, transformar as lanternas em ancestrais… Embora eu tenha gostado muito do Baloo interagindo com Mogli; e de voltar no tempo na sequência de ação em Dr. Strange, sem falar na capa mágica, claro. E o Oscar foi para… The jungle book (Mogli: o menino lobo) – ah, eu gostei.

 

Comentando sobre a festa em geral, eu gostei que aproveitaram a música upbeat e o carisma de Justin Timberlake para começar a noite. Gostei da piada com os comentários de Trump sobre Meryl Streep. Gostei da presença brasileira – Lázaro Ramos e Seu Jorge comentando filmes; e a pira olímpica na apresentação de canção para Moana. Não achei que os doces caindo do céu foram melhores que a pizza da Ellen; gostei dos Mean Tweets e dele chamando o Trump pra briga; invejinha do Seth Rogen entrando no Delorean pra apresentar algo que nem lembro mais; e dei risada mesmo com a briguinha entre Matt Damon e Jimmy Kimmel, com Kimmel querendo expulsá-lo do palco orquestrando como quando eles cortam os agradecimentos longos! hahaha

É, a festa foi um pouco mais longa (?), mas pegou a gente de surpresa algumas vezes, com um gran finale – o que mais esperar?

2017 – 0 Oscar mais triste da minha vida

Temporada de prêmios passando, Oscar taí e cadê aqueles posts de maratona? Pois é, minha gente, depois que o DiCaprio ganhou o dele, Oscar perdeu a graça.

Mas… Claro que parti na “missão”, tentando ver pelo menos todos os indicados a melhor filme – e gente, que tristeza. Digo, literalmente. Não me lembro de chorar em tantos filmes assim pro Oscar nos outros anos, vai ver eu tô realmente ficando muito velha e sentimental.

Vejamos, até o mais animadinho, o velho oeste moderno A qualquer custo, com a personalidade locona que cai como luva em Ben Foster, as farpas irônicas entre o policial que tá pra se aposentar e seu parceiro índio de longa data, os roubos, a garçonete, a perseguição, tem como mote central por trás de todo o estratagema a crise financeira, a exploração de grandes bancos, e tem que morrer uns por ali no meio, a vida é injusta e a gente garante o nosso né. Meio triste.

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Foi indicado a melhor filme, roteiro original (gosto muito, os diálogos, lembra da senhora explicando as opções do menu?; os personagens, a crítica de quem rouba quem), ator coadjuvante (não sei vocês, mas sempre adoro o Jeff Bridges) e montagem (caçadas e bangue-bangue sempre exigem boas montagens, além da gente ir descobrindo o plano todo).

***

A chegada trata de uma intérprete que vai tentar desvendar uma comunicação com aliens misteriosos, não parece uma história que vai te fazer chorar. Adorei como criaram o sistema avançado de linguagem dos aliens, trabalho de linguista mesmo, lembrei dos anos de faculdade em Letras. Mas daí vem uns flashbacks, *cough, flashforwards, e de repente você se dá conta do peso das escolhas, mesmo sabendo de todo seu passado e todo seu futuro, amar uma pessoa sabendo de sua perda… Ah, a condição humana.

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Indicado a melhor filme, direção (sabe que nosso olhar e sentidos são conduzidos e eu gostei?), roteiro adaptado (concentrado em pontos contundentes), fotografia (eu gosto da fumaça e como os aliens escrevem), montagem (trabalhão! pedacinhos de informação pra revelações finais e sentimentos de falta de ar), mixagem de som, edição de som, desenho de produção.

***

Não está entre os indicados a melhor filme, mas vamos dar uma palavrinha sobre Capitão Fantástico? O pai que sempre procurou o melhor para seus filhos, mesmo isso significando uma “sociedade alternativa”, além de deparar-se com a perda da esposa, tem que confrontar seus próprios ideais diante de acontecimentos reais. Sei que Viggo Mortensen não leva a estatueta, mas um trabalho esmerado, que tem tudo a ver com ele mesmo, meu voto é dele. Chorei – que dor ter que abrir mão de tudo que se acreditou até então.

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***

Já um ator respeitado por todo mundo, que também entra na direção, e tem fortes chances este ano novamente é o Denzel Washington. Esse nos leva pra um filme carregado nas atuações, Fences (e como não pude ver no cinema antes da premiação, ignoro seu título em português). Tudo bem, nesse eu não chorei, achei até meio chato, que bom que não terei que pagar ingresso por ele. Ê velho lixeiro amargurado, cheio de histórias pra contar, lutando contra a morte e o diabo, com um irmão com placa de metal na cabeça; mais coitada ainda da mulher que tem que aguentar até bebê de outra a essa altura do campeonato, e o filho que só queria jogar futebol. Triste.

Indicado a melhor filme, ator (papel forte, mas ele nem precisa de mais prêmio), atriz coadjuvante (Viola Davis, ela já teve momentos melhores, mas acho que este é seu ano no Oscar), roteiro adaptado (histórias de passados doloridos, na tela não comoveu tanto).

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Lion, sim, me fez chorar (e odeio chorar quando sei que o filme é feito pra chorar), apesar da grande propaganda do Google Earth. Tem a Nicole Kidman mãezona que adota filhos e sofre com cada um perdido à sua maneira. Não tem como, gente, depois de passarmos junto com o menininho sozinho as andanças pela Índia, orfanato, chega aquela cena da banheira… E eu não gosto tanto da parte do tormento com a namoradinha, mas como não deixar a lágrima sair no reencontro com a mãe biológica depois de tudo aquilo?!

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Foi indicado a melhor filme, roteiro adaptado (saber que existiu um menino assim na vida real é o que emociona), trilha sonora, ator coadjuvante (Dev Patel não está mal, mas nada excepcional), atriz coadjuvante (competente).

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Agora, o que me doeu a alma mesmo foi a cena daquele encontro furtivo na esquina com a moça do carrinho de bebê em Manchester à Beira Mar. A gente nem lembra mais do diálogo, mas o sentimento contido ali é profundo. Aliás, eu gostei muito mais do filme do que achei que ia gostar, um dos melhores trabalhos de direção e cenas que fazem sentido estarem ali, todas. E a montagem ajuda hein. O zelador que tem que cuidar do sobrinho após a morte do irmão, e no processo reabrir suas feridas enterradas, queimadas. A pesca com o menino, a rotina de trabalho (como adolescentes, perguntamos a mesma coisa, não pode largar isso?, pra depois entender que não dá mais pra trabalhar naquela cidade), ver a vida do sobrinho, a comida que queima, a caminhada na estrada, o susto de ele pegar aquela arma.

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Indicado a melhor filme, direção (um diretor que sabe respeitar tempos, permite que seus atores sejam competentes), roteiro original, ator (os irmãos Affleck fazem mais sucesso nos tipos caladões mesmo), ator coadjuvante (Lucas Hedges bem, sem exageros), atriz coadjuvante (Michelle Williams sofredora de sempre).

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Outro que chorei embora fosse claro que foi feito pra isso? Até o último homem. É, conhecendo um pouco de Mel Gibson, poderíamos esperar grandiloquência; ó, o herói americano; ó, o homem de fé! Tinha que ter luta e guerra, o Andrew Garfield é engraçadinho e fácil de a gente gostar; a namorada é um doce, e mais do que a parte do treinamento militar o que pega a gente mesmo é o campo de batalha, é aquele esforço enorme pra sobreviver e salvar. E além de tudo isso, ali pelo meio, tem aquele pai… um bêbado desacreditado que, apesar de tudo, ainda fará o que pode para ajudar o filho. É nessa superação de si mesmo como ser humano que o filme ganha mais valor.

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Indicado a melhor filme, direção (um pouco mais clássica aqui, né? Mas tá valendo), montagem, ator, efeitos sonoros, mixagem de som.

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Um que foi mais divertido de acompanhar foi Estrelas além do tempo. Que coisa primorosa poder conhecer as vidas dessas três mulheres que eu nem sabia que existiram! Só por serem tão boas em matemática eu já as admiro (sério, aquilo seria impossível pra mim), mas se desafiaram a algo a mais e seja pleiteando uma vaga pra engenharia, seja se antecipando ao progresso dos “computadores”, ou atrevendo-se a mostrar suas habilidades, enfrentaram aquele ambiente intimidador tendo uma visão maior. Este filme sim dá um pouco de gás na gente, a gente torce por elas e fica feliz pelas suas conquistas. O triste aqui é só saber que realmente existiu uma época em que os banheiros eram separados por cor, constatando como às vezes a humanidade pode ser estupidamente contra ela mesma.

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Indicado a melhor filme, roteiro adaptado (interessante e divertido!), atriz coadjuvante (Octavia Spencer é boa atriz, ganha logo nossa estima, mas não uma atuação que vai ficar na memória).

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Aliás, engraçado como tem dois atores (Janelle Monáe e Mahershala Ali) em Estrelas além do tempo que estão no outro indicado que seria uma resposta #oscarsowhite – Moonlight: sob a luz do luar. Nós vemos três fases de uma vida: Little, Chiron e Black, o menino importunado pelos colegas que encontra uma figura masculina para admirar, vira adolescente que ainda sofre bullying e acaba não aguentando mais, cresce para se tornar forte como o tal cara das drogas, mas sem esquecer uma noite na praia. É triste ver a mãe drogada e sabermos mesmo sem ele dizer que ele não sabe ainda bem quem é, só queríamos um pouco mais de afeto nesta vida, menos preconceito e violência…

Foi indicado a melhor filme, roteiro adaptado, direção (boa; o menino aprendendo a nadar, a disposição de corpos, o reencontro ao final), fotografia (queria ter visto a pele deles quase azul sob a luz da lua!), montagem, trilha sonora (eles misturam uns momentos clássicos ali, não sei se funcionou pra mim), ator coadjuvante e atriz coadjuvante (Naomi Harris).

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Ufa! E falando de filmes felizes, eu deixo para o final deste post aquele que eu achava que seria o único filme que me deixaria contente e com um sorriso no rosto após sair da sessão. La la land: cantando estações. O musical de cores vibrantes, com sequências lindas de danças românticas e sonhos que se realizam! Só que… Não foi bem assim. Na verdade, foi o filme que me deixou mais triste e até pensei em escrever um post desabafo só pra ele, mas por questões de tempo, vamos deixar isso por aqui. E aquela melodia melancólica que achei que não ia grudar, ficou na cabeça. Eu vi a mim mesma jovenzinha na pele da personagem de Emma Stone, com sonhos de Hollywood e frustrada com a realidade. Só que eu sou uma daquelas pessoas que ela menciona quando o personagem de Ryan Gosling vai buscá-la na casa dos pais, para quem os sonhos não se realizam, só mais alguém que teve que achar outra coisa pra fazer da vida. Claro, é engraçado ele tocar numa banda temática dos anos 80, eu adoro ele explicando com entusiasmo sobre jazz, porque aquilo é sua paixão, é bonito ver eles sapateando após “contemplar” uma paisagem, gosto do passeio no planetário, achei lindíssima a dança com estrelas espelhadas por água no chão. Mas também tem o lado da realidade, as pessoas e os sonhos mudam, e foi tristíssimo a sequência final, quando ele toca toda a história deles e em determinado ponto, inclui como tudo deveria ter sido, como gostaríamos que a vida tivesse tocado. E quem nunca teve um momento assim? Em que a gente para pra tocar uma outra versão nas nossas mentes, por mais sucesso que possamos ter alcançado…

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Indicado a melhor filme, direção, roteiro original, fotografia, desenho de produção, figurinos, trilha sonora, canção original – 2 indicações: “Audition (The fools who dream)” e “City of Stars”, efeitos sonoros, mixagem de som, melhor ator e melhor atriz.

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Ah, como eu queria ter feito cinema, há muito tempo atrás, quando ainda era jovem… E o Leo nem era tão rico e famoso, a gente podia ter se casado. Ah, como eu queria continuar a viver na minha L.A. imaginária, em que eu realizo o sonho de fazer filmes, fico milionária e tenho o amor da vida, posso ajudar o mundo a ser um lugar mais feliz, tudo é colorido e brilhante.

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Mas o Leo já ganhou o Oscar dele. Eu não tenho mais pelo quê torcer. O sonho acabou e vou ter que aprender a tocar outra música. Por isso lhes digo… este é o Oscar mais triste da minha vida.

St Louis

Não sei se ainda vou continuar com esta saga de uma hamburgueria por mês, porque pra dizer a verdade estou tentando voltar à dieta para diabetes. Passadas as festas de final de ano, voltei a tomar os remédios, tenho tentado comer mais salada no almoço e menos arroz, e mais sopa no jantar. Tivemos alguns dias seguidos de treinamento no templo, o que acabou me fazendo comer mais pão e bolos do que devia, mas pretendo voltar com os ovos no café da manhã.

Porém! Tinha um post que precisava comparecer aqui, eu tava devendo pra este blog também, pois comecei a escrever sobre os burguers de São Paulo e nunca apareceu por aqui um bom e famoso, o St. Louis. Eu já fui lá umas três vezes, mas nunca tinha conseguido tirar fotos boas o suficiente para um post. O lugar tem uma luz avermelhada que atrapalha, mas essa é a única razão de não ter postado, com certeza recomendaria caso se queira comer um bom hambúrguer artesanal na cidade.

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Logo na entrada, tem umas plaquinhas inclusive uma dizendo que o serviço é ruim. Algo como “já avisamos, entre por sua conta e risco”

A casa é pequena, um salão apenas com algumas mesas, então é bom chegar cedo caso não queira pegar muita fila. Esta minha última visita foi na terça antes do feriado, e era umas 19h, a gente não pegou fila, mas esperar meia hora seria normal. Dá pra já pedir alguma bebida ou batatinha enquanto espera lá fora.

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Por dentro, toalhas de mesa quadriculadas e bancos de madeira que não são desconfortáveis. Na parede, plaquinhas e vários itens que nos lembram principalmente os EUA

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Eles tem uma outra portinha ali no Jardins, mas fomos na unidade da Rua Batataes, 242. O menu até que não é tão extenso (o que acho ótimo, porque sou muito indecisa).

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A capa do menu parecia simpática, mas o final é bem direto – não peça o que não temos!

Fiquem tranquilos, apesar dessa brincadeira de que a casa é “mal humorada”, nunca fui tratada mal pelos funcionários.

Eu pedi desta vez a Berrie Lemonade, uma das melhores limonadas da cidade, com fruta de verdade, dá pra sentir os gominhos de limão. Acreditem em mim, tem cada coisa nessa cidade (jamais peçam a Pink Lemonade do The Fifties por exemplo! Aquilo não é lemonade, gentem). E eu já experimentei também a Crushed Lemonade, mas prefiro essa com gostinho de framboesa.

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Quanto aos burguers, acho que o diferencial da casa é o Pepper Crust, um burger que vem com casquinha de pimenta, e é pra quem gosta de pimenta mesmo, porque é ardido. Eu adoro esse e não vi em nenhum outro lugar.

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Desta vez, meu pedido foi o BB burger, que vem com cogumelos paris, rúcula, bacon e recheio de gorgonzola. Saboroso também, e sem ficar pingando sangue como em muitos locais em que pedimos “ao ponto”.

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Pra dizer a verdade, acho que estou ficando fraca pros hambúrgueres, porque esse BB por exemplo é 220g de carne, e foi muito pesado pra mim. Acho que vou começar a pedir burgers mais leves. E eles ainda tem uma opção vegetariana no cardápio pra quem quiser.

De sobremesa, decidimos experimentar, na falta de um cheesecake, o apple pie. Sai pela bagatela de 21 reais, mas o negócio é grande mesmo, com bola de sorvete e chantilly, pra dividir. E tava muito bom, a apple pie quentinha pra contrastar com o sorvete, com toque de canela e pedaços generosos de maçã, docinha sem ser super doce, no ponto.

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A St. Louis já tem um lugar consolidado entre as casas que oferecem um bom hambúrguer em São Paulo. O único senão é ter que ficar esperando, mas eu já experimentei as batatas e outros burguers da casa, vem sempre muito bons e vale a visita.