Polêmicas do Lula e Netflix à parte, eu prefiro é Rick and Morty

Eu não vi “O mecanismo”, e nem vou ver, e nem tenho ganas de. Vamos lá. Pra mim, a prisão do Lula é simbólica; tudo bem, foi bom o povo da nação sair na rua e demonstrar sua insatisfação e tentarmos mudar algo para melhor, mas Lula não foi nem é o último dos corruptos. Teria que mudar tudo, um sistema inteiro, e as pessoas – começa por cada um, mas aí a história não tem fim, e não falo de política porque simplesmente não entendo o suficiente e quem sou eu, né, não sou nenhuma formadora de opinião.

Então, eu prefiro mesmo é… falar de “Rick and Morty”!

Ah é, eu li o texto do Pablo Villaça sobre deixar a Netflix, e ele até tem uns bons argumentos, sendo que alguns deles eu concordo plenamente, o canal de streaming nos deixa bem preguiçosos, por exemplo. Porém, ainda não decidi terminar a conta do Netflix – que nem é minha, eu vejo no perfil do maridão. E eu não comecei a assistir a Netflix achando que seria minha principal fonte de filmes, mas porque tinha uns desenhos legais, uma ou outra série original legal (Arrested Development foi ótima!), era um pacote relativamente barato de passatempo. Até as outras implicações… eu não sei ao certo sobre as outras grandes empresas da indústria do entretenimento (e nem sei se quero saber), mas será que é só a Netflix que está envolvida em algumas polêmicas por aí, que não está muito comprometida com a qualidade do material produzido, que pensa mais nos números do que nas pessoas em si? Hmmm.

Como disse, ainda não me decidi. Mas! Eu tinha ouvido falar que a série animada “Rick and Morty” só estaria no catálogo até dia 01 de abril (pegadinha do dia da mentira? Porque ainda está lá disponível… hmm), e daí fiz uma pequena maratona para ver as temporadas disponíveis.

E é uma série de “pirar o cabeção”. Sério, não sei o quanto fumaram para ter que produzir esse material, são episódios de 20 minutos, com tema de ficção científica e referências a tudo – filmes, até mesmo de terror, cultura pop, política… E cada trama vai se desenvolvendo num crescendo, extrapolando as consequências e a gente nunca conseguiria prever o que vai acontecer. Alguns roteiros são simplesmente geniais, e como tudo é possível nesse universo criado pela mesma mente que nos trouxe “Community” (eu ria muito com essa série, gente!), temos personagens inusitados e implicações das relações entre os personagens principais misturadas aos perigos iminentes numa velocidade bem dinâmica.

É claro que me incomoda o Rick ficar arrotando toda hora (eca!) – e nem dá pra acreditar que é o mesmo dublador do Morty; e esperem por nenhum pudor, seja no palavreado, nas sugestões sexuais, nas explicitações sujas… enfim, não é uma série pra qualquer estômago fraco. Mas se você aguentar, as risadas são garantidas nessas viagens loucas dos caras que valem a pena.

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Season 1

S01E01 – Piloto
O jovem Morty de 14 anos tem um avô que é cientista maluco, Rick (a aparência lembra taaanto o Dr. dos filmes “De volta para o futuro”!), que é um gênio e o carrega para diversas aventuras em diferentes dimensões pela galáxia. Aqui, eles vão atrás de sementes, mas tem que passar pela “alfândega”, matando insetos gigantes que tem coração. Os pais de Morty descobrem que ele vai pouquíssimo à escola, e Rick tem que convencê-los que Morty é uma mente especial e não precisa de escola, mas era só um efeito colateral. :D – Jerry interrompendo Betty no meio da cirurgia do cavalo e Summer chorando pelo crush que se despedaçou depois de ser congelado são boas demonstrações das características dessas personagens.

S01E02 – Cãortador de grama
O pequeno cãozinho Snuffles mija no tapete e Rick acaba dando um capacete para deixar o cão mais inteligente, porque precisa da ajuda de Morty para outra missão. Enquanto o cão ganha cada vez mais genialidade (Summer, cadê meus testículos? Hahaha) e parte para dominar o mundo, Rick e Morty imitam o filme “A origem” para entrar nos sonhos cada vez mais profundos: inicialmente queriam que o professor de matemática desse 10 para Morty, daí entram no sonho erótico da moça da novela, daí tem o meio-cavalo-meio-homem, uma garotinha de filme de terror, até… uma boa referência ao Freddy Krueger, e o sonho do próprio cachorro que só considera Morty digno de seu bichinho de estimação.

S01E03 – Parque das bactérias
É Natal, e Jerry se frustra porque agora os pais idosos tem uma terceira pessoa acompanhando eles, que ainda ajuda Summer a se entender com o namorado – e Jerry só tinha tirado os gadgets de cada um para se “conectarem” aha. Enquanto Morty tem a missão de entrar no parque de diversões dentro de um humano que Rick arranjou para o projeto junto com o Dr. Bloom (também pensaram em Jeffrey Goldbloom?). O trato digestivo lembra o ride de “It’s a small world” da Disney, mas Rick defende os Piratas do Pâncreas (“qual a função do pâncreas?”); tinha até um carinha vestido de cachorro (como um Pluto ou Pateta); o sabotador usa a tuberculose e Hepatite A não é páreo para Hepatite C! haha

S01E04 – Realidade virtual (o título do episódio original faz referência ao diretor M. Night Shyamalan ;)
Rick está buscando uma saída da simulação dos alienígenas que querem uma fórmula sua. Ótima sacada os alienígenas que não se sentem confortáveis com a nudez! E a realidade dentro da realidade? Jerry: “o melhor sexo da minha vida!” hahaha

S01E05 – A revolta dos Meeseeks
Morty faz uma aposta com o avô de que ele consegue liderar uma boa aventura e Rick deixa uma caixa com os carinhas azuis de voz irritante que resolvem os nossos problemas – eles conseguem fazer uma mulher ser mais completa, mas um montão deles não consegue melhorar o jogo de golfe de Jerry!

S01E06 – A poção do Rick (referência ao filme “Poção de amor número 9”! Lembram, com a Sandra Bullock? Alguém viu?)
Morty quer conquistar Jessica e Rick faz uma poção para ele, mas com o Baile da Gripe, tudo sai do controle e a cidade vira louva-a-deus e monstros à la Cronenberg. :D – adoro como eles escancaradamente fazem referência ao Cronenberg! Rick falando de amor: “quebre o ciclo, Morty!”; Jerry: “eu não entendi e não preciso entender”

S01E07 – O pequeno Gazorpazorp
Morty tem um filho (!) com uma robô do espaço e tenta criá-lo da melhor forma; desta vez é Summer quem acompanha o avô para descobrirem a origem do planeta do pequeno monstrinho, encontram um planeta dominado pelas mulheres e o argumento para Summer salvar a pele deles é… Marc Jacobs? :D – quando o filho descobre que sua vida é uma mentira e solta frases verdadeiras, haha.

S01E08 – Realidade alternativa
Rick consegue mudar a TV da família para programas de infinitas realidades, e dá um óculos para os pais de Morty verem como foi a outra realidade caso não tivessem ficado juntos. D: – acho que pra dar mais risada com este episódio teria que entender mais da TV norte-americana, eles parecem tirar boas piadas de seus ícones televisivos. :D – mas eu gostei do Morty convencendo a irmã: “todo mundo vai morrer”, pois é isso mesmo!

S01E09 – Uma loja do diabo (título original com referência a “Something wicked this way comes”)
Morty acaba pedindo ajuda para o pai para o projeto de ciências e Jerry é abduzido para afirmar que “Plutão é um planeta”! (eu também fiquei desolada com essa notícia, haha). Enquanto isso, Rick desamaldiçoa os artigos da loja do diabo para onde Summer está trabalhando – e eles ficam bombados pra bater até no carinha que puxa demais o cachorro quando vai levar pra passear ehe!

S01E10 – Contatos imediatos (do grau de Rick!)
Rick é levado ao mundo de Ricks para ser acusado de ter matado outros Ricks (whaaat?! É, pois é). E em busca do verdadeiro assassino, Morty descobre que ele só serve de “escudo”, enquanto Jerry encontra um Rick com quem ele finalmente consegue se dar bem e passam por universos onde cadeiras comem telefones (hein? Sério, não sei o que eles fumam pra fazer este show)

S01E11 – Negócio arriscado
Rick e Summer decidem dar suas festas enquanto Jerry e Beth saem para um final de semana romântico num simulador da experiência de Titanic – com direito à citação de “Cabo do medo”! Claro que os convidados de Rick são os mais loucos, incluindo uma mistura de Lincoln e Hitler, e a dancinha do Rick? Hahaha Morty tem que pegar uns cristais e Rick para o tempo para limparem a casa…

***

Season 2

S02E01 – Fratura temporal (no título original, a brincadeira misturando “wrinkle” e “rick”)
Depois de descongelar o tempo, Rick, Morty e Summer se viram em linhas de tempo divididas (que difícil acompanhar os quadrinhos!) e um policial do tempo. Enquanto isso, Jerry que adora Coldstone (sorvete! Yey!) ajuda Beth a salvar um cervo.

S02E02 – Expresso da meia-noite
Rick deixa Jerry numa creche de Jerrys (e ele até tenta fugir, mas o espaço sideral é um lugar muito inóspito mesmo), e Morty fica indignado que Rick tenha vendido uma arma só para poder jogar, até “cabeça de engrenagem” entra na confusão de Morty querer salvar uma nuvem que canta igual ao Bowie – com direito a clipe psicodélico do Homem da Lua.

S02E03 – Assimilação autoerótica
Rick reencontra um antigo amor, que na verdade consegue dominar planetas e galáxias, mas fica toda acabada (Rick faz mal a ela! Ai, ai, paixão é paixão em qualquer parte do universo), que inclui guerra entre raças diferentes (porque eles têm mamilos diferentes!). Enquanto isso, Beth e Jerry encontram o laboratório escondido de Rick e não param de discutir, irritando um alienígena que era prisioneiro e poderia até comer bebes ou ser a cura da Aids espacial, mas gosta da porta devagar.

S02E04 – Parasitas invasores alienígenas (título original com referência ao título original do filme “Vingador do futuro” – “Total recall”, sendo que “recall” é “lembrar”… ou seja: “lembrando de tudo” ehehe ;)
Este episódio é genial! Um alienígena que se replica e se instala na memória das pessoas, para poder parasitar; como não se pode confiar nas próprias lembranças, como saber quem é parasita? Os mais diversos personagens vão surgindo e… o Traseirinho sempre esteve lá? (prestem atenção na vinheta do início do episódio! Hahahah)

S02E05 – Planeta música
Um cabeção começa a destruir a Terra, e na verdade é um concurso musical e cada planeta tem que mostrar o que eles têm para ganhar e não ser, literalmente, eliminado. Na confusão, Summer vira uma boa menina que segue a nova religião dos cabeças, e eles amarram balões para “libertarem” o carinha que fala no cinema!

S02E06 – Bateria esgotada
Rick tem um micro universo funcionando só pra gerar energia pro carro dele (!), só que um cientista desse universo também tem outro universo, e dentro desse outro, também tem outro (e só eu lembrei de Avatar com aquela árvore super grande depois que reencontram Morty?)… enquanto isso, o carro/nave espacial tem ordens para manter Summer em segurança – e isso toma proporções terríveis, claro!

S02E07 – Confusão em Little Sanchez (ou no Bairro Proibido? ;)
Beth e Jerry continuam brigando e Rick não aguenta mais, levando-os para um local de terapia para casais intergaláctico – e os dois geram monstros e são co-dependentes! Hahaha Na Terra, Rick se coloca num corpo menor para se passar por adolescente e ajudar Summer a caçar vampiros (!), é o “Tiny Rick”, que é popular e Morty adora ele também, mas nas suas produções artísticas é que aparece sua “verdadeira voz”.

S02E08 – TV interdimensional
Jerry pega um “Jerry Garcia” (que ótimo!) errado – era da prateleira na geladeira do Rick – e vai parar num hospital alienígena (para nós, não para eles), também sendo abordado a doar seu pênis para substituir o coração de um líder da Federação. Na sala de espera, mais uma vez Rick zapeia por programas de TV das galáxias, inclusive “como vim parar aqui?” hahaha

S02E09 – Olha quem está expurgando
Episódio que faz referência ao filme “Uma noite de crime”, com Rick e Morty parando num planeta cuja noite de “expurgo” está para acontecer. Jerry tenta se aproximar de Summer, porque ele está desempregado e sem nada pra fazer, e ela também ajuda a enviar as armaduras pro Rick e Morty aliviarem seus instintos mortais nos ricaços (leia bem a embalagem do chocolate!) – para no final, os próprios camponeses brigarem e recriarem tudo de novo hahaha

S02E10 – Casamento intergaláctico
Awnnn! O Birdman vai casar com a adolescente que roubou da festa na primeira temporada! Festa estranha, com muitas criaturas esquisitas, e a noiva era agente secreta, e a família do Rick acaba fugindo para um planeta fora da jurisdição da Federação, em que o polo sul é logo ali, e Rick percebe que coloca a família em perigo, então decide se entregar – mas a Terra já não é mais a mesma… e que triste o final deste episódio T.T Rick, no…..

 

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“Mandou bem”, série nova do Netflix: porque a gente precisa espairecer e rir de vez em quando

O início deste ano não foi tão bom pra mim e depois do Oscar que achei muito chato, fizemos maratona de “Full metal alchemist: brotherhood” que é ótimo e viciante, porque a gente quer saber o que vai acontecer, mas eu precisava de algo pra relaxar um pouco e dar risada sem culpas. Eis que o Netflix me traz de presente… “Nailed it!”

É! Eu assisti ao Master Chefe pela primeira vez ano passado (e não tô acompanhando este ano), mas eu não vejo esses programas de culinária, ou realities do gênero, mas eis que este daqui eu vi e recomendo. Pra começo de conversa, a temporada tem só 6 episódios, de 30 e poucos minutinhos.

O formato é bem fácil de acompanhar: os cozinheiros tem que reproduzir um doce primeiro, pelo qual ganham um prêmio; e depois um bolo, que vai lhes valer 10 mil dólares. Os jurados são sempre a host Nicole (que já fez algumas produções em comédia) e o chefe chocolatier Jacques, além de um terceiro jurado convidado.

2018-nailedit 

O mais legal do programa é que todos eles estão ali pra dar a cara a bater. Os candidatos ao prêmio sabem que são ruins, no início aparece até uns amigos ou familiares atestando que eles não sabem cozinhar, mas todos parecem gostar da coisa e se divertir genuinamente. Só que realmente, ao final do trabalho a gente vê a comparação entre o profissional e o deles, e essa é a parte mais engraçada! Tem cada coisa que surge, Deus! (e muitos também não são gostosos hahaha) Os jurados às vezes não aguentam e dão risada na cara dos cozinheiros, mas a gente vê que não é por mal.

Os próprios apresentadores/jurados são vítimas de piadas também, Nicole está sempre pronta para exagerar e improvisar. A edição ajuda a dar graça também, e a não perdermos tempo, ainda dá até pra pegar uma dica séria aqui ou ali pra cozinhar. É muito bonito ver como fazem profissionalmente de forma correta, e engraçado as trapalhadas em que os amadores acabam se metendo.

Acho que o que mais faz a gente gostar do show é que tem muita humanidade nele. Não parece falso, não se leva tão a sério, ninguém é metido demais. Todos nós temos falhas, bons momentos ou ruins, mas a gente pode se divertir e dar boas risadas no processo.

***

S01E01 – “Do bar ao altar”

Mini desafio: pirulitos de bolo com vodka

Super desafio: bolo de casamento imitando o da Sylvia Windstock

Eu nem sabia que existiam esses pirulitos! Fiquei surpresa, já num primeiro episódio me pareceu super difícil recriar a “arte”, e o tempo é curto – são duas características que continuam por todos os episódios da série. Aqui, tem o carinha das artes marciais que traz facas japonesas (bem tipo “hein, pra quê”?), tem bolos vazando e caindo, essa velhinha incrível que não perde o bom humor e só vai nos casamentos pela bebida.

 

S01E02 – “Ilha da fantasia”

Mini desafio: donuts de Piratas

Super desafio: bolo de torre da princesa a ser resgatada

Pessoal da edição tá de parabéns com a velhinha achando o Jacques encantador! Hahaha E quem diria que donuts é tão difícil de fazer, com massas cruas por dentro (batatas recheadas? Hahaha). Mas o bolo era coisa demais mesmo, tinha que sair um dragão decapitado.

 

S01E03 – “As águas vão rolar”

Mini desafio: banheiras de chocolate

Super desafio: bolo de tubarão(!!!)

Esse ex-policial foi muito bom! Não queria seguir receita, pra derreter chocolate tava derretendo kitkats, até descansou e sentou ali com os jurados hahaha Mas achei bem difícil o primeiro desafio, ganache vazando, partes de animais – e que vontade de comer esse bolo! Daí a gente acha que não vem nada pior e… um bolo de tubarão? Com direito a perninha do surfista pra fora?

 

S01E04 – “Uma ciência maluca”

Mini desafio: cupcake com cocktail

Super desafio: bolo de vulcão!

Fiquei admirada com a garra da mocinha surda que sempre se desafiou a fazer tudo, e combinar um cupcake com cocktail me pareceu uma ótima ideia! Mas até cupcakes derretem, coitados. O bolo de vulcão parece muito divertido, os dinossaurinhos ficaram até bonitinhos e tivemos direito a árvore queimada pela lava, haha.

 

S01E05 – “Direto do Japão”

Mini desafio: bolo de emoticon

Super desafio: bolo na forma de sushi!

Não sou muito fã desses doces que imitam a forma de coisas salgadas, mas ver o processo de fazer os bolos foi bem legal. Os bolinhos amarelos pareciam fáceis, mas daí vai uma e me perde o bolo todo, outra faz bolo de chocolate em vez de baunilha e bebe álcool e sai um letreiro “beber pode causar reflexos lentos” huahaha

 

S01E06 – “Está na cara”

Mini desafio: cookie com o próprio rosto

Super desafio: bolo busto do Donald Trump

Daí o carinha que me parecia gay total me fala que quer conquistar uma garota pela culinária – e não acha o “buraco” (que piada infame! Hahaa) E quem coloca cheetos como topping de um cookie?  Um dos jurados sai e os outros ficam com medo de que ele não volte. A moça brigando com o bolo como se estivesse criticando o próprio Trump não poderia dar em outra coisa: um bolo de Trump zumbi! Huahahaha Se eles não fosse tão ruins, a gente ia achar que foi de propósito.

90th Oscar

(quem ganhou? post atualizado “só” quase um mês depois)

Cá estou eu, a poucos minutos do prêmio de cinema mais conhecido do mundo e… vejam só o reflexo do desenvolvimento do cinema nos últimos anos da minha vida: parece até que regredi para o primeiro post sobre Oscar por aqui, nem mais post com antecedência este ano consegui… O pessoal do Honest Trailers até que fez um divertido compilado dos “candidatos” deste ano no YouTube e eu consegui terminar a “maratona”, mas virei uma dona de casa que só trabalha e come? (!).

Dizem que este é o Oscar mais feminino, reflexo da explosão da voz feminina ano passado com as várias denúncias de assédio sexual (que a gente sempre desconfiou que existiu nessa indústria, mas finalmente chegou o tempo em que não se fica mais calada).

Uma coisa refletindo na outra, ai, ai, era pra eu estar lá do lado da Greta Gerwish, senão cineasta, pelo menos roteirista… Eu nunca seria indicada pra fotografia, que não levo jeito pra isso, e quando eu era criança, sabem que nunca quis ser atriz? Eu queria ser diretora, roteirista, animadora, mais recentemente, montadora… Esses dias eu tava pensando, se eu realmente fizesse parte da Academia, de qual grupo eu seria? Hmmm…

Aproveitando a deixa de 2016, faço o ranking dos indicados a melhor filme abaixo, junto com todos os outros votos (chutes) que eu daria, caso fizesse parte da Academia. Ah, talvez eu fizesse parte do grupo dos animadores mesmo – e não votaria no Carlos Saldanha (Sorry! Sou brasileira, mas sou mais amor ao cinema…)

* * *

Melhor filme: levou “A forma da água”

9 – Corra! (whaaat?! é, minha gente, pois é. Repensando tudo o que vi, esse foi o mais bem acabadinho pra mim, acreditam? E é de terror! Perdendo a mão, eu?)

8 – A forma da água (ah, agora sim, parece a Deni sonhadora e romântica que a gente conhece, né?)

7 – Me chame pelo seu nome (só por causa daquela cena da conversa com o pai?)

6 – Três anúncios para um crime (filme raivoso, porque a gente anda mesmo com muita raiva neste mundo)

5 – The post: a guerra secreta (ah, vai, eu até chorei)

4 – Lady Bird: é hora de voar

3 – Trama fantasma

2 –Dunkirk

1 – O destino de uma nação

 

Melhor direção: Jordan Peele (porque… vai dizer se ele não conseguiu tudo o que queria de seus atores e suas cenas?) Levou Guillermo del Toro (por mim, mais pelo reconhecimento do talento e conjunto da obra)

Melhor ator: Gary Oldman (este ano tem pra ninguém não) Levou Gary Oldman (eu disse)

Melhor atriz: Sally Hawkins (desculpa, gente, mas ela leva o filme) Frances McDormand (claro)

Melhor ator coadjuvante: Sam Rockwell (desculpa, gente, mas ele é o verdadeiro destaque do filme) Sam Rockwell (claro)

Melhor atriz coadjuvante: Allison Janney (desculpa, gente, eu ainda lembro dela em Juno) Allison Janney (quem mais?)

Melhor roteiro original: Corra! (eu achei muito divertido)  Corra! (era a única chance de darem algo pra eles)

Melhor roteiro adaptado: Logan (que triste o destino dos X-men e do professor Xavier… nunca um filme de heróis me deixou tão triste) Me chame pelo seu nome (eu não fiquei triste não)

Melhor fotografia: Blade Runner 2049 (fazer o quê, né. Ode é ode.) Blade Runner 2049

Melhor desenho de produção: A forma da água. Levou “A forma da água” (não tô tão mal assim, ainda tenho algum olhar pro cinema?)

Melhor maquiagem e cabelo: O destino de uma nação (confesso que não vi os outros) Levou “O destino de uma nação” (votantes da Academia me imitando)

Melhor figurino: A bela e a fera. Levou “Trama Fantasma” (e faz todo sentido, já que é a história de um estilista apaixonado, afinal)

Melhor montagem: Dunkirk. Levou “Dunkirk” (com os cruzamentos temporais e tudo mais, né… ok, vai)

Melhor edição de som: Em ritmo de fuga. Levou “Dunkirk” (ok)

Melhor mixagem de som: Em ritmo de fuga (som é tudo neste filme!). “Dunkirk” (not ok! Não aceito que não deram nenhunzinho desses pra “Em ritmo de fuga”).

Melhores efeitos visuais: Guardiões da Galáxia – vol.2.

Melhor canção original: Viva: a vida é uma festa – “Remember me” (é o principal desse filme, não?) “Viva” (awnnnn e por que não?)

Melhor trilha sonora original: A forma da água. Levou “A forma da água” (pois é, né)

Melhor curta: The eleven o’clock (como sempre, nessas categorias, o que eu gostaria de ver mais ao ler a sinopse) Levou “The silent child”

Melhor curta de documentário: Knife Skills. Levou “Heaven is a Traffic Jam on the 405” (parece que quem viu concordou)

Melhor documentário: Visages Villages. Levou “Ícaro” (Choquei. Ei, tem no Netflix!)

Melhor curta de animação: Negative Space (chute!) Levou Dear Basketball” (xenti! Até Kobe Bryant tem Oscar agora!)

Melhor longa de animação:  Com amor, Van Gogh (não é chute, esta é uma verdadeira obra de arte) Levou “Viva” (óooinnnn, mas é fofo mesmo – e não tem jeito, né, não dá pra competir com a Pixar)

Melhor filme não falado em inglês: O insulto. Levou “Mulher fantástica” (não sei por quê, mas me pareceu que foi só pra “provar” algo…)

***

E é isso aí, tem prêmio pra todo mundo nesta minha seleção eclética! Como sempre, lembrando que essas não são minhas apostas, são os votos que eu daria, então verão que o resultado será bem diferente… Boa noite de Oscar, pessoal!

E o Oscar 2018 ficará lembrado como aquele… em que Gal Gadot repetiu milhares de vezes como era mais divertido trazer comida pro cinema do que estar no Oscar? Ou dos apresentadores velhinhos simpáticos e a Jodie Foster e a Jennifer Lawrence tirando a Meryl Streep? Ou o que a Rita Moreno repetiu o vestido? Ou o que a Helen Mirren fez propaganda de jetski (xenti!)?

Oscar 2018 – o das minorias

É claro que nunca vamos esquecer daquele final histórico do ano passado, quando o verdadeiro vencedor foi “Moonlight” e não “La la land”. Mas sem ser forçadamente uma resposta à “brancura” do cinema, no dia 23 de janeiro foram anunciados os candidatos deste ano, e o que me veio à mente foi como, de uma forma ou de outra, esses filmes representam nosso momento social atual, de dar alguma voz às minorias.

Vocês devem ter se perguntado se eu já desisti de vez do cinema ou se continuo com minha tradicional maratona anual. Pois eu ia escrever um post tão logo na semana seguinte ao anúncio, começando pelas animações e justificando o porquê de continuar todos os anos com isso – é porque é a época em que eu consigo ver bons filmes, alguns nem tanto, mas no geral, bons filmes. E de vez em quando posso me surpreender, pegar pra ver um filme que eu não teria visto caso não tivesse sido indicado e ficar feliz com uma boa descoberta.

Portanto, devo confessar: não é que eu tenha desistido da maratona, mas simplesmente me faltou energia para vir aqui e escrever. Energia física, espiritual, emocional. Novamente me encontro numa fase da vida em que sinto que seria tão mais fácil apenas me conformar, do que me reinventar, tentar acreditar de novo, mudar ou buscar algo a mais.

Daí, hoje à tarde era minha folga e fui conferir “The post – a guerra secreta” (2017)***. E tem aquela única cena relevante para a Sarah Paulson (que pena, a gente gosta da Sarah), em que ela explicita ao marido vivido por Tom Hanks sobre a coragem da personagem de Meryl Streep, a responsável-mor pelo jornal The Washington Post. A mulher do Ben (Sarah) fala sobre uma pessoa que nunca tinha imaginado se encontrar um dia naquela posição, que sempre acreditou que ela não era boa o suficiente e que era invisível aos homens cuja opinião realmente importa. E, de repente, ela precisa tomar aquela difícil decisão de arriscar tudo o que sempre importou para ela e a família… e eu chorei (é claro). Pôxa, tem esses atores que eu adoro e é do meu padrinho imaginário, o Spielberg, não é de qualquer um que vem me dizer que às vezes a gente precisa ser forte, ter coragem para enfrentar o que for, mesmo que seja o mais difícil, não importa nem sua idade. Pôxa, xenti, eu chorei mesmo.

(suspiro)

Mas, deixando de lado minhas agruras pessoais, vamos lá. “The post” deixa bem explícito a questão da mulher que já viveu em épocas quando era normal ser menosprezada ou levada apenas a cuidar do lar ou das festas. E a exposição é enorme mesmo, um monte de figurante mulher ali na saída do tribunal (que acredito não terem existido na ocasião real), diálogo expositivo e tudo mais. Mas a gente aceita, vai, é para um bem maior.

O filme com mais indicações, “A forma da água” ***, é um pouco mais sutil, ou divertido, como queiram chamar, mas está lá também. A questão dos homossexuais, das pessoas que acabam ficando “à margem” (com uma necessidade especial, por ex), a época em que uma autoridade não tinha o menor pudor de discriminar uma pessoa pela cor da pele, como se fossem outro tipo de pessoa…

Já “Me chame pelo seu nome” e “Corra!“*** nem precisa explicar, né, está bem escancarado já pela sinopse das narrativas, pelos próprios temas dos filmes, só que o último vai numa verve de terror e até, eu diria, cômica, o que acho inovador pra Academia e apoio.

Dunkirk” ** fica menos claro, mas temos sim uma espécie de representante de refugiados – que numa visão minha bem superficial, são apenas pessoas que só querem sobreviver, viver, mas dependendo do contexto, são vistas menos valorosas que outras.

Lady bird” *** é uma outra atmosfera, mas é na forma adolescente que temos essa “minoria” enquadrada (acredito que pela experiência própria da diretora) numa sociedade de padrões comuns e expectativas difíceis de romper. Essa é a personagem principal, mas o filme conta ainda com um personagem homossexual, vejam aí que Oscar é este.

Trama fantasma” eu ainda não vi, mas não vou me surpreender se tiver alguma questão de “minoria”, ainda mais com o Paul Thomas Anderson, que não tem medo de mostrar nada. E faltou “O destino de uma nação” **, que fez questão de incluir uma cena no trem de Londres que não cremos ter sido verdade, mas está lá no filme, com mulheres e pelo menos um rapaz negro para validar o pensamento de um líder da nação.

Tá bom ou vocês querem mais? “The square” **, que fala dos “indigentes”? Ou “De corpo e alma”*** que tem um senhor “deficiente” e uma moça “autista” (ou não)? Star Wars, que agora tem um negro e uma asiática como personagens importantes? Calma, calma, minha maratona é só dos filmes indicados a melhor filme, não se preocupem.

Se der coragem, volto a postar por aqui sobre cada filme com mais calma. Ou então, deixa só eu dizer que, de tudo que tenho visto, o que me surpreendeu mesmo foi “Com amor, Van Gogh” ****, um desses trabalhos incríveis que eu não teria conhecido se não fosse pelo Oscar. E como chorei copiosamente (de novo com um filme da Pixar), querendo aprender a cantar “Remember me” de “Viva – a vida é uma festa” ***.

E, por tudo que já disse, já dou os meus chutes básicos de ganhadores… quem é que tem o pacote completo das minorias e ainda consegue encantar como cinema? Já sabem minha aposta. Boa temporada do Oscar para nós!

 

 

 

(eu sou uma farsa) De canção em canção

(Song to song/ 2017)*

Eu sou uma farsa. É isso. Por anos eu disse que meu sonho era fazer cinema, mas talvez eu tenha mentido pra mim mesma toda a vida e eu não tô nem aí mais. Eu não gosto de “filmes de arte”, prontofalei. Eu não entendo, eu não tenho mais paciência pra Terrence Malick, acho que eram outros tempos a minha vida em 2011, quando super elogiei “A árvore da vida“. Não reclamo mais se ele quiser ficar 10 anos de novo sem fazer filme. Percebi que gosto mesmo é de um blockbuster, uma comédia romântica só pra espairecer, por isso vou escrever sobre o novo Jumanji, que me apeteceu pacas, e Sing Street, que esse tal de John Carney ganhou meu coração só com 3 filmes. Eu não nasci mesmo pra fazer cinema, então deixa eu ser feliz.

Porque olha… é um teste de paciência, hein? Cansei desses cacoetes de câmera que ele deve chamar de estilo, e as frases soltas em off, e as imagens fragmentadas e neste ainda colocam várias figurinhas famosas que não acrescentam nada de excepcional à filmografia que já tinham antes (vamos ver Val Kilmer em The Doors?). Eu queria ver um filme sobre música, achava até que poderia ser uma ode à isso, mas que nada. E esses casarões e mansões chiques, quer dizer que a pessoa fica rica, num consegue mais sentir nada, perde a noção e a gente também perde empatia por qualquer um deles? Tudo bem, tem algumas cenas aqui e ali plasticamente bonitas, mas o filme se sente muito mais longo do que suas horas de duração. Dropei Malick.

Seja muito bem vindo 2018: 99 fatos bons de 2017

Be very welcome, 2018! 99 good facts of 2017.

Para todos os queridos para quem não consegui nem dar cumprimentos de boas festas ou Ano Novo – simplesmente porque tenho trabalhado muito… Compartilho está lista pra começarmos o ano positivamente!

For all my friends, I couldn’t say Happy Holidays or the likes (simply because I’ve been working too much)… Here I share this list so we can all welcome 2018 positively!

https://qz.com/1169003/the-99-best-things-that-happened-in-2017/

Acabou o Fies, e outras considerações de dezembro

Chegou dezembro! E eu raspei meu cabelo, nem tanto pela Eleven, mais pela Charlize Theron em Mad Max: Fury Road (2015)****, mas já tô torcendo pra ele crescer só mais um pouquinho pro ano novo. Que venho me sentindo estranha, será que é a falta de cabelo?

Juntei dinheiro e finalmente quitei o Fies. Era a única meta que eu tinha traçado pra cumprir neste ano – e apesar de termos um casamento ali pelo meio do caminho -, eu deveria estar feliz, certo? Hip hurray!

E quem disse que virginianos são pessoas fáceis assim? Tudo bem, nunca vou acabar mesmo uma faculdade de cinema, e tenho algumas lembranças que nem são tão boas assim desse curso. Mas… talvez eu esteja lembrando a mim mesma que meus sonhos originais não eram exatamente apenas a faculdade. E, por outras razões de ultimamente, também tenho enfrentado últimos tempos desalentados.

O que fazer da vida? Aquele vazio por dentro que a gente nem consegue explicar. Só trabalhar, não tá bom? Por que você não quer mais esse emprego? Só porque passou anos e você sente necessidade de fazer algo diferente? Não acredita mais no que faz? E o que vai fazer então?

Um dos segredos da felicidade é sentirmos contentamento e gratidão pelo que temos. Mas somos humanos. O que eu queria? Eu queria nada, não. E então, essa inquietude no estômago? Se eu não fizesse nada da vida, não trabalhasse, eu estaria feliz? Creio que não. Porque somos humanos, talvez nosso dever seja sempre aprender, evoluir, e ficar parado também não nos satisfaz?

E é incrível como o cinema conversa comigo, ainda (sempre). Estava vendo “O escafandro e a borboleta” (2007)*** só porque fazia 10 anos desse filme, e o tal do Bauby não ficou parado, mesmo só podendo mover um olho. E outro dia, peguei o Inside Llewyn Davis – a balada de um homem comum (2013)**, com aquele cantor que não consegue ser bem sucedido, num círculo de, digamos, má sorte. Daí, esse documentário que todo mundo tá falando vem com um Jim Carrey (que a gente sabe, lá no background dos pensamentos, sofre de depressão) dizendo que não quer mais nada da vida.

Fiquei pensando: sabe quando a gente tenta ao máximo, dá o que pode de si, e aí tudo acaba? E aí?

Sim, eu queria escrever post sobre “Jim & Andy: The Great Beyond – Featuring a Very Special, Contractually Obligated Mention of Tony Clifton” (2017)*** (eu copiei e colei esse título). Assim como as três primeiras temporadas de Black Mirror que consegui terminar este ano. E filmes do Makoto Shinkai. E até mesmo A liga da justiça (2017)*** que não foi tão ruim quanto eu tinha pensado que seria… E a segunda temporada de Stranger Things, por que não?

Porque chegou dezembro. E esta época, em que eu eu deveria poder descansar depois de um ano de trabalho árduo, é cheia de… trabalho, pra mim. E eu já me sinto tão cansada (parece que só sei repetir isso, né). Desculpe. (igual aquele cara que fica pedindo café aos gritos e, de repente, “desculpe”).

Então, não sei se ainda vamos ter posts por aqui. Vou ver filmes bobos de Natal – xenti, como tem filme de Natal no Netflix! E em mais um ano, puxa, gostaria de ter passado mais tempo com os amigos. De ter conversado mais com os amigos, tido notícias, tal. Nem ligo pra essa rixa Trump x Coréia. Nem sei mais o que acontece na política do Brasil (sério, o que acontece? xenti.) Nem consegui cuidar da diabetes direito. Mas talvez meu filme do ano tenha sido What the health (2017)***? Não, definitivamente, Before the flood (2016)***. Estranho, não? Documentários nunca pintam por aqui. Mas neste momento, tudo o que eu queria era ter uma vida com o Leo DiCaprio. (vocês já sabem, né? Em que eu teria feito filmes, em que teria significado para o universo, lutar pelo meio ambiente, em que eu viajasse muito e conhecesse pessoas diversas, em que  as coisas fizessem sentido – até andar de bicicleta faria sentido).

Fazer o quê? Esta aqui é a vida que eu tenho.