A ganha-pão

(The breadwinner / 2017)***

Com a recente volta ao poder do Talibã no Afeganistão, eu achei mais do que apropriado registrar por aqui algum comentário sobre este filme, um dos poucos que vi sobre o assunto, mas que apesar de ser uma animação, mostra muito bem como era a vida para uma mulher sob esse regime fundamentalista. É realmente muito triste pensar que todos os avanços e progresso nos direitos humanos conquistados em relação principalmente às mulheres do país (quem aí não lembrou logo da Malala?) possam entrar em retrocesso, como um passo atrás para a humanidade. Aliás, que tempos são estes, não é mesmo? Que além de uma pandemia global tenhamos que enfrentar outros tipos de “sombras”, mais uma vez, em nossa história.

Eu sou descaradamente uma criatura da prole formada por animações de princesas Disney, então não consigo ver nada além de acertos neste filme, que talvez só tenha ganhado os holofotes pela “sorte” de ser uma produção apoiada por alguém de Hollywood (a produtora é da Angelina Jolie). E confesso que se não fosse uma indicação ao Oscar talvez eu nem tivesse ficado sabendo da existência. A diretora é irlandesa, mas capta e retransmite ao público perfeitamente essa realidade específica. Fiquei me imaginando com 12 anos conhecendo a história dessa protagonista jovem, admirando-a como uma das princesas heroínas (não menos valente que nenhuma dos grandes estúdios).

A trama da narrativa principal poderia ser clichê – uma menina se passa por menino para poder ajudar a família – se não fosse tão importante existir esse registro, lúdico e ao mesmo tempo de denúncia, que serve a qualquer público, desde a mais jovem consciência como um ser humano existindo de direitos e responsabilidades.

E o modo como a desenvolvem, com os respiros de entusiasmo de qualquer espírito jovem que ainda sustém esperanças e sonhos, pontuados pelos eventuais medos e perigos das diversas situações em que se encontra a personagem principal, na luta para salvar seu pai e sua família, tem um ritmo que não cansa, uma coordenação que emociona sem ser melodramática.

Até a narrativa paralela em forma de fábula, contada pela menina Parvana, acompanha bem esse ritmo com elementos da “vida real” dela e um destemor crescente na reta final. Os personagens nos cativam, Parvana é uma menina comum, que tem preguiça de ir buscar água, que questiona o pai a princípio sobre a relevância de se contar histórias, ou sobre a venda de um vestido. A irmã tendo que se casar como “solução” para a situação da família, quando o suposto marido vem de supetão buscar todos já nos deixa temendo pelo futuro deles. O pequeno irmão que gosta da história por causa do elefante, como todas as crianças, sempre nos encantam e são um alívio para as durezas enfrentadas. A mãe, forte da maneira que lhe é possível.

E não sentimos “dó” gratuitamente, o filme é esperto no dinamismo da violência velada enfrentada – até pelo teor da produção, não se poderia mostrar graficamente um assalto à mãe, mas vale, por exemplo, quando o pai é solicitado a se levantar para conversar com os opressores, com o plano revelando sua deficiência física. Tem momentos em que não é preciso escancarar, nós entendemos bem o que está acontecendo. Até para os coadjuvantes há cenas bonitas e tocantes, como do senhor cuja carta lida revela a morte da esposa. A amiga Shauzia também tem seus bons momentos, mostrando o caminho dos doces e apoiando até o final.

Na parte técnica, os traços e paleta de cores são agradáveis, e gosto que inclusive a animação da parte da fábula combine com a da trama principal. Louvável que os dubladores basicamente sejam todos afegãos, e o detalhe das partes escritas que Parvana consegue ler serem no idioma local, não legíveis para a maioria de nós.

Acabei com a sensação de ter conhecido um outro tipo de vida, bem distante da minha realidade, mas torcendo para que não passe de mais um grandioso erro dentro da história das sociedades humanas. Será que ainda vamos ter que errar muito para compreender o quão grave são esses erros cometidos?

E o que isso tem a ver com budismo?

Eu nem vou comentar com vocês que até imagens búdicas foram destruídas em investidas talibãs de extrema intolerância religiosa ou cultural. O que mais ressoa para mim, na história de Parvana e do pai, é o que Buda sempre pregou: o respeito ao próximo. Por quê, em nossa história, sempre houveram pessoas consideradas piores, inferiores? E daí surgem os grupos explorados, ou que não tem os mesmos direitos. Se nós conseguíssemos considerar o outro sempre, seus sentimentos, talvez deixaríamos de cometer muitas atrocidades. Se considerássemos que cada um tem um potencial para ser um Buda, tem o seu valor. Fora isso, também existe o lado da ação. Parvana fez o que pôde, dentro de suas possibilidades. Muitos podem pensar que o budismo é só teoria abstrata, filosofia, mas existem vários pontos que podem e devem ser colocados em prática. Apesar de boas intenções, é preciso agir também, dentro do que for possível. Talvez não possamos salvar o mundo inteiro de uma vez, mas só de ajudar pessoas próximas, como Parvana fez tudo por sua família – desde contar histórias para o pequeno, estimular a imaginação com a amiga, fazer o favor de ir buscar água para a irmã embora houvesse algo desagradável ou até perigoso envolvido – são ações, e por mais que pareçam pequenas, ao considerar o outro geramos o bem ao nosso redor, o que nos faz bem também.

Luca

(2021) ***

As Olimpíadas de Tóquio 2020 acabaram com um marco histórico de medalhas para o Brasil e representação feminina ganhadora e inédita. Achei nada mais justo e apropriado, vendo a fadinha Rayssa Leal lá no pódio com seus 13 aninhos, dedicar um post para este filme da Disney. Aliás, foi a única prova de final valendo medalha que consegui acompanhar. E afinal, uma das coisas que faz os principais personagens mirins deste longa animado interagirem é o esporte, uma competição tradicional desta ilha na Itália.

Antes, porém, de comentar como achei divertido o povo aquático transmutado e descobrindo a vida na terra firme, preciso comentar da questão LGBTQIA+… teve gente falando que este era uma versão infantil para o filme “Me chame pelo seu nome” (2017)***, porque também se dá num verão na Itália com descobertas e talz, mâs… euzinha, honestamente, não vi a homossexualidade na relação dos amigos não. Aliás, ouso dizer que tô começando a ficar irritada que tudo agora tem que ter algo a ver com as minorias – seja homossexuais, negros, empoderamento feminino… Sim, a representação é importante, quanto tempo se passou sem que a maioria branca hétero pudesse respeitar o “diferente”, entendo os movimentos. Mas tô ficando cheia de que em TUDO o pessoal tá querendo ver isso – me julguem, eu sou sincera e nem tenho tantos leitores assim. Lá com Frozen também, não vi nada além de uma mulher que só queria ser ela mesma, não vi nada de gay ou qualquer outra coisa. E aqui também. Aliás, se eles não tem interesse romântico também poderiam ser assexuais, não? Mas, novamente, nem acredito nisso. Só acredito que naquele momento esses personagens têm uma trajetória que não inclui o lado romântico amoroso sexual – e acho isso ótimo. Porque a vida não é feita só disso não, viu.

Historinha: um menino peixe faz amizades inusitadas, descobrindo possibilidades de vida maiores.

:D Como em todos os filmes Disney/Pixar, nem temos o que falar do visual e da técnica, que nunca deixam a desejar. A aparência no fundo do mar e na transformação dos personagens quando estão em terra acerta em cheio – e aqueles cachinhos do Luca? E o jeitão das “mamas” italianas? Inclusive, na dinâmica de “perigo” de serem descobertos alternando a água, e por isso, apesar de serem os melhores nadadores, a parte da natação ter que ficar com a menina da terra, Giulia. Engraçado também como o personagem do pai da Giulia se parece muito com o pai do curta A lua (La luna/2011), que é do mesmo diretor, Enrico Casarosa. Mas claro que as referências que mais gostei foram as das animações do Ghibli, o nome da cidade fazendo alusão à Porco Rosso (1992) *** foi a mais óbvia, mas e aquele gato gordo, gentem? Ainda, no início da animação eu meio que pensei “é uma nova versão de A Pequena Sereia (1989) ***, né não?” Muito parecido, a fascinação que a Ariel tinha com o povo da terra, colecionando objetos, ter que se esforçar conhecendo o mundo dos humanos.

Porém, aqui entra a graça desta história. É sobre e para crianças, ou jovens impetuosos que tem um mundo inteiro para conhecer à sua frente e em seu futuro. O roteiro mostra bem essa energia juvenil das invencionices – aqueles testes com a bicicleta! Achar que tendo uma Vespa eles poderiam ganhar o mundo; enquanto brincam, apesar de saber que tem que ir pra casa, querer ficar mais um pouquinho… Ou mesmo a Giulia, finalmente podendo fazer parte de uma equipe para vencer o chatão do bairro. E se eu reclamei que tô ficando chateada com tanto escancaramento da defesa das minorias, este roteiro aqui é esperto o suficiente para nos brindar com momentos engraçados, tocantes e lidar com o tema na forma fantasiosa do povo do mar ser caçado como monstro, para então ser descoberto e todos verem que é possível conviver. Palmas, até para os créditos finais que dão indícios de como se deu o futuro desses amigos, desses “diferentes”, convivendo.

Queremos provar o Trenette al pesto (salivando!), o tio do Luca das profundezas nos lembra um peixe que existe na realidade, e nem sentimos dó do pai da Giulia por ele não ter um braço – olha que beleza de direção de arte. Sim, temos som que valoriza o mar, temos sons de crianças numa cidade de porto italiana, não temos canção chata, temos fotografia com luzes, cores e tons acertados aos seus momentos, temos filme antigo do Mastroianni como easter egg. Nos emocionamos com a ação da competição e quando Luca na bicicleta é descoberto por toda a cidade, edição efiz. Vamos às lágrimas na despedida na estação de trem. Tá bom demais pra um entretenimento despretensioso, não tá não? Mesmo achando que aquela sequência de devaneio na Vespa tomou tempo demais, tem muito mais pontos positivos do que negativos nesta aventura.

E o que isso tem a ver com budismo?

Creio que muitos hão de concordar que uma das falas marcantes do longa foi quando o personagem de Alberto diz: “vai ficar tudo bem, você já me tirou daquela ilha”. O menino, primeira amizade de Luca acima da superfície, esperava pelo pai há muito tempo, isolado numa ilha, achando que sabia de tudo do mundo na terra. Às vezes a pessoa mesmo não percebe que está se deixando ficar pra baixo, ou presa a algo que não é bom, ou se conformar que ela não pode mais. E às vezes é necessário ter um amigo, uma companhia, alguém para apoiar e estar ao lado na aventura, na caminhada. Para aprender junto talvez, descobrir coisas novas, perceber outras coisas. É maravilhoso quando Luca descobre com Giulia sobre as estrelas e o espaço, que ele tenha vontade de alçar voos maiores e ir para a escola! Às vezes nós precisamos de uma mão amiga para podermos dar outros passos.

Na ordem budista que sigo, sempre é enfatizado muito sobre compartilhar os ensinamentos. Isso não serve apenas para angariar mais um fiel, converter mais um. É exatamente porque às vezes precisamos de alguém para estender a mão, para descobrirmos outro caminho. E muitas vezes nem percebemos que precisamos, até que descobrimos. Compartilhando experiências e conhecimentos, ajudamos outras pessoas, acreditamos no potencial delas para serem melhores ou levarem vidas melhores. E caminhando juntos, aprendemos muitas outras coisas mais. Por isso, o Buda considera a comunidade budista como uma das joias essenciais no budismo. É muito precioso ter amigos para seguir nas caminhadas que sejam, e talvez não tenha sido por acaso que você tenha cruzado com determinadas pessoas nesta vida.

Desabafo é cringe? (crush no Tom Hiddleston e um breve comentário sobre a abertura das Olimpíadas)

Senta que lá vem post longo!

Então, nos últimos tempos, nós vimos esse debate sobre o conflito das últimas gerações, Z x Millennials, e eu descobri que sou muito cringe. Tipo, café da manhã? É uma das refeições mais importantes do dia, minha gente, que é que é isso, não ter tempo pra café da manhã? Os emojis? Hmm, na verdade nunca gostei muito de “rs”, sempre usei hahaha, mas depois de descobrir as origens do quiaquiaquiá, incluindo ajuda do Donald para popularizar quaquaqua, me sinto justificada a usar o “kkk” agora. Boletos? Sim, lembro-me dos dias em que eu tinha que ir ao banco passar o código de barras lá; tudo bem, hoje temos inúmeras opções online, mas eles ainda existem e contas para pagar nós temos. Aliás, uma das coisas mais tristes foi descobrir que minha geração é a mais falida da história (xenti!), comparativamente, nossos pais em nossa idade já tinham imóvel e estabilidade financeira em seu nome. Realmente, eu sou um dos exemplares típicos que preferiu gastar com experiências do que com bens materiais (se bem que isso também envolve certas crenças religiosas aí), mas disso não me arrependo não; só pra citar alguns momentos que vão ficar na memória para confortar minha alma apesar de eu não ter um apartamento próprio: o passeio aos 14 por Los Angeles; uma viagem louca de ano novo para o Rio sem hotel para dormir; um evento inusitado em Taiwan cujas horas de voos demoraram muito mais que as reuniões em si; os dois meses que talvez sejam os melhores da minha vida em que trabalhei nos parques da Disney World em Orlando; tirar foto dançando tango no Caminito; comprar rede em Fortaleza; o treinamento num Chateau francês e dias seguintes flanando por Paris; as primeiras lanternas flutuantes minhas em NY; um passeio inusitadamente bom por Chicago à la Ferris Bueller e ao som dos Blue Brothers na cabeça; viagem de trem-bala por lugares do Japão que eu ainda não conhecia; um casamento em três partes que inclui muitas comidinhas em Belém do Pará; dias bons de camarões em Natal – só pra citar alguns destaques.

Bem, sei que estou ficando velha, disso eu sempre reclamo por aqui, e talvez seja cringe até o fato de postar num blog? Mas é parte da minha terapia pessoal, como eu também sempre digo. E vejam vocês, nem fazer isso direito eu consigo. Eu vinha postando uma vez por semana um texto de filme relacionando a algo budista, mas teve um acontecido aí que me desanimou um pouco, daí mais uma pausa ocorreu por aqui. Sei lá, sabe quando você se pega repensando algumas coisas da vida e fica com aquela sensação de “por quê?”; por que eu estou fazendo tal coisa, por que me esforçar ou me dedicar a tal coisa?

Dá vontade de se largar e se contentar (conformar?) com o mínimo que se pode querer da vida. Pra que fazer mais? Buscar outra coisa?

Nesses momentos de automelancolia, contavam com sua astúcia, não? Quem é que vem para me salvar, me confortar, me compreender na alma e me alegrar de novo? O cinema, é claro. Ou, pode ser também o mundo do audiovisual, música ou, neste meu caso atual, uma série (que deriva do cinema, então estou considerando). Já comentei alguma vez por aqui sobre a minha década perdida e talvez o universo cinematográfico Marvel também possa ser em parte incluído nisso aí. Sim, eu gostei do primeiro Homem-Aranha vivido pelo Tobey Macguire, e foi bem divertido o primeiro Homem de Ferro. Mas confesso a vocês que teve uma hora em que eu simplesmente tinha cansado dos filmes de super heróis. Tá, eu vi os filmes, Hulk era um dos meus favoritos apesar de não ser o mesmo ator dos filmes solos, quando Mark Ruffalo encarnou o smash verdão eu aprovei; não me importei tanto com o Capitão América, meio certinho demais pro meu gosto; Gavião Arqueiro e Viúva Negra figuravam meio que como coadjuvantes pra mim (e nem me empolguei muito com o filme solo da vingadora Natasha, pra mim esse deveria ter vindo bem antes); já os Guardiões da Galáxia eu realmente ri e ouvi inúmeras vezes a trilha sonora; Doutor Estranho foi bem legal, vai, com sua capa de vida própria; Homem-Formiga conta com o carisma do Paul Rudd, mas eu nem vi a continuação; Capitã Marvel não me conquistou exceto pelo gato que arranha Nick Fury; o novo Homem Aranha fez sentido como adolescente; Pantera Negra deu uma respirada renovada e adorei todo o conceito de Wakanda; e pra finalizar, eu também não me empolguei tanto com Thor, talvez o Ragnarok tenha sido o mais interessante, mas daí já tava tudo entrelaçado com Os Vingadores.

Isso tudo pra dizer que finalmente agora, neste ano, eu estou redescobrindo um pouco desse universo. Vi toda a série no Disney+ de Wanda Vision, e achei genial a sacada de cada episódio inicialmente simular uma representação de série de cada década diferente. Foi muito interessante, mas chegando ali pro final eu me desapontei um tiquinho só com a “evolução” do Visão e o carinha que fez Pietro numa versão anterior dos X-Men ter dado as caras só pra fazer uma graça extra. Aliás, além da nova heroína negra, uma participação especial que contou foi da Darcy, amiguinha da futura Thor… E, aproveitando o ensejo, senhoras e senhores, a série que salvou mesmo essa euzinha pequena do seu próprio torpor foi: Loki.

(!) Lembrando que este blog não acredita em spoilers. Mesmo que eu soubesse o que ia acontecer, eu teria visto todos os episódios e conferido a reação do Loki a cada passo ;)

Ai, vontade de rever todos os filmes do Thor, só pra conferir a evolução desse personagem. Creio que estou certa em dizer que nenhum outro vilão do MCU ganhou sua própria série, e pelo que pesquisei, nada dela existia nos quadrinhos (bem, algumas referências aqui e ali, mas não como ela vem nos sendo apresentada). Sim, a série veio a existir em grande parte pelo talento, carisma e trabalho dedicado do seu intérprete, Tom Hiddleston. Ele acabou ganhando os corações de um monte de gente, inclusive meu, pois é muito mais interessante acompanhar sua trajetória do que a de um herói, digamos, convencional – pois é, quem diria que eu, que na época do vestibular estudava o anti-herói Macunaíma, que me dava é raiva em vez de torcer por ele, iria acabar gostando tanto de anti-heróis. Daí descubro que Hiddleston gosta de Shakespeare (crush, crush!) e entrou nessa para trabalhar inicialmente com o Kenneth Branagh (diretor do primeiro Thor), que esse cara parece ser super gentil e elegante, sensato e boa praça, humilde apesar de toda a fama alcançada – e aquela aparição numa Comic Con, hein? Sem falar que ele é aquariano, signo que sempre admirei (talvez por ser tudo que eu não consigo ser?), aliás, nasceu um dia antes da data de aniversário do meu esposo. Quem sabe numa outra timeline nós teríamos nos encontrado? (crush, crush, crush!)

Claro que a série não se faz sozinha por ele, um roteiro bem trabalhado é essencial, mas digo que não foi pelos efeitos visuais e fotografia (que pra mim ficavam um pouco confusos e fora do tom até, sei lá, o que é que eu sei, não é?) que continuei vendo os episódios a cada semana. A química com o Mobius do Owen Wilson foi boa, a personagem de Sylvie me deixou contente, bem como ver o jacaré Loki. Desenho de produção também aprovado, apesar dos cenários grandiosos construídos que nem precisava talvez, o figurino da Sylvie, dos guardinhas da TVA, os props como o portal dos timepads funcionaram para esse universo.

É claro que em termos de roteiro, sempre fico com medinho dessas viagens no tempo, de que vai virar tudo uma confusão, quantas produções nós não já vimos eles c@garem tudo, né? Mas acho que era inevitável, sendo que eles pretendem trabalhar com a ideia de múltiplos universos. No geral, são as ficções científicas que tratam do tema, e eu sempre fui muito afeita a elas, portanto, acho bem justo eu ter me empolgado mais com esta série aqui do que as outras coisas que andam saindo por aí da Marvel. Sempre são histórias acompanhadas de questões filosóficas inerentes à humanidade, e foi ótimo o Loki quebrar a cara e ver como ele é tão pequeno. Às vezes a gente se acha tão importante e concentrados em determinada coisa que estamos fazendo, esquecemos que o universo é muito maior. Essa foi a característica que mais gostei, talvez, uma espécie de jornada de redenção, aceitar e ao mesmo tempo redescobrir a si mesmo. Na minha empolgação, fui lá conferir o Making Of (série Avante, no Disney +), com narração do próprio Tom Hiddleston. Recomendo se você gosta de ver essas curiosidades como eu, além de incluir uns pensamentos inspiradores…

“In life we all go through struggles, but we can’t do it alone. If we have people we can trust, it lightens the load and gladdens the heart” (Na vida, todos passamos por dificuldades, mas não podemos fazer isso sozinhos. Se temos pessoas em quem confiar, isso alivia o fardo e alegra o coração).

Talvez Loki esteja fadado não a perder e sim a sobreviver, talvez como todos nós. Nas infinitas possibilidades sendo podado de diversas realidades, talvez ele tenha se encontrado ao conhecer seus comparsas Loki.

Sendo podada em tantas realidades, eu continuo a acreditar. Mais do que nas pequenices e picuinhas, acredito no bem do mundo, pelas pessoas em quem sei que posso confiar.

E aqui meu breve comentário sobre a cerimônia de abertura das Olimpíadas Tokyo 2020, neste 2021. Eu curti, foi muito bonita, na minha opinião. Não consegui ver tudo, mas eu peguei a homenagem aos mortos, a representação da tradição japonesa Obon (festividades para os antepassados). Creio que se fosse um outro país, teria cancelado facilmente o evento, devido à pandemia. Mas esse é um povo perseverante, trabalhador, que respeita as tradições, dá valor aos ancestrais, sabendo que suas vidas não foram em vão pois interferem e se ligam ao futuro. Neste último ano, que foi de tantas mortes, não poderíamos ter tido um país melhor para sediar esses jogos que unem o mundo todo. Achei lindíssima a formação dos drones, formando o símbolo e depois a Terra, iluminando nossos corações junto, seguidos da “Imagine”, de John Lennon. Perfeição.

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Fazendo uma gracinha, essa sim é a timeline sagrada. Quando tudo parece estar em seu lugar. Por vezes temos turbulências, grandes terrores na história; sempre enfrentaremos dificuldades, pois são afinal necessárias aos humanos e sua evolução. Com melhoraríamos, sem o impulso do mal, algo que nos leve a mudar, a ultrapassar? É uma dicotomia inevitável nesta existência.

Nada mais propício também que eu possa comentar sobre isso junto do post sobre a série que traz engendramentos passados e futuros. E quem sabe não seja por isso (como o “mal” e o “bem” estão tão ligados) que seja tão interessante acompanhar Loki (o personagem)? Torcer para que no fundo, no fundo, ele tenha o potencial para mudar. Poder sentir esperanças, apesar de tanta coisa…

Algo que eu destoo dos Millennials é o fato de não substituir filho por pet. Também considero o lado de estabilidade financeira que possibilita isso, e confesso que lá pelos 20 anos eu não queria ter filhos – muita gente já no mundo, que mundo louco, etc. Mas como o nosso olhar pode mudar, não? Eu percebi que dar vida a outro ser humano é também parte desta experiência terrena e o oferecimento de uma oportunidade, para outra alma, para uma nova vida, para o futuro. Quem sabe o quanto podemos melhorar nas próximas gerações, com as vindouras evoluções? Com respeito pelo passado, é claro. Mas se eu posso proporcionar isso, e me oferecer no que puder em prol dessa nova vida, cuidando da melhor forma que posso para que ela possa ser esse futuro brilhante (e não decepcionante e cringe como minha geração?), talvez seja só isso mesmo que eu poderia (querer?) fazer para ter a melhor versão das timelines; para ter uma timeline verdadeiramente sagrada.

BoJack Horseman – season 6

Após mais de um ano de atraso desde que saiu a última temporada e desde que vi todos os episódios, vamos finalmente ao post derradeiro da série animada BoJack Horseman.

O que eu posso dizer pra vocês? Dentre meus sonhos infantis de ser roteirista/diretora/cineasta, sempre coexistiram imaginações sobre minha vida em Los Angeles, como seria viver ali na indústria, como seriam os personagens da vida real de Hollywood que eu conheceria ou com quem eu teria que lidar… e é por isso que eu gostava de Entourage (2004-2011)***, me parecia tão real, que era assim mesmo a vida de uma jovem celebridade e suas relações, profissionais ou pessoais, e com os agentes ou empresários. Daí eu fiquei meio órfã de uma série que me esbofeteasse na cara dizendo “tá vendo só como tudo isso seria demais pra você?”, ao mesmo tempo me surpreendendo por ser tão boa de acompanhar, com personagens que são mais do que figuras moldadas no papel, mas palpáveis e que rendem boas risadas apenas por serem do jeito que são.

Essa série rebound foi BoJack Horseman. De início, euzinha simplória achando meio bizarro, um desenho, o personagem principal é um cavalo beberrão metido a estrela de TV, com aqueles episódios avassaladores que deixam a gente mal mesmo no final, sabe? Mas talvez seja exatamente porque todos nós temos que lidar com nossas próprias neuras, erros do passado, enfrentar problemas imprevisíveis, porque somos todos falhos, bem, talvez por isso tenha dado tão certo. Eu já sou melancólica por natureza, e o final desta série, após seis temporadas, não me deixou muito feliz. Na verdade, fiquei meio triste na época, que BoJack nem tinha ficado sabendo que Diane tinha casado.

(!) Nem preciso dizer nestes posts resumos dos capítulos que este blog não acredita em spoilers, né?

Sem falar que eu mesma enfrentei um momento pessoal meio complicado, além da pandemia, então, este post chega só hoje. E talvez chegue porque eu também estou usando-o como marco de mudança, de outro tempo em minha vida, como um ponto final para algumas coisas que ficaram no passado, nessa(s) última(s?) década(s?). Quem sabe? Apesar de não achar que eu tenha dom para isso, talvez eu vire uma dona de casa noveleira?

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S06E01 – Um cavalo entra numa clínica de recuperação (A horse walks into a rehab)

Este primeiro episódio da última temporada é como um filme queimando… e voltamos exatamente ao ponto em que fomos deixados no final da temporada 05, BoJack entrando na clínica de reabilitação; o recepcionista sempre tira fotos para o mural e o cavalo encontra Sarah Lynn entre elas, mas mesmo assim não é gentil o suficiente para tirar a foto – da primeira vez. Passam-se semanas com exercícios, rodas de conversa, cultivo de plantas; na aula de pintura, ele exercita honestidade ao detonar vários colegas, inclusive “Joan” Tripplehorn (voz da Jeanne Tripplehorn, claro), Jay Hernandez que está vestido de Mário do videogame, viciado em analgésico de tanto dar cabeçada em tijolos, haha, “dirigido por Zack Snyder” (ei, ele já dirigiu vários filmes de heróis, por que não?), e Jameson, cujas garrafas tem a mesma cor de água; e BoJack acaba ajudando a moça a dar uma escapada para ir na festa do namorado que está se agarrando com uma pernilonga (cada chupada!); depois de uma ligação compartilhada com Diane que está na estrada, Todd que está comprando ilegalmente leite de ouriço, Princess Carolyn, Mr. Peanutbutter que está no estúdio alagado porque seu drone derrubou a torre d’água (hahaha e esses trocadilhos, hein, quantas horas será que os autores demoram para bolar eles?), BoJack finalmente acha a mansão do pai Jameson, que contém itens de filmes diversos – carrinho de bebê de Os Intocáveis (1987)***, chapéu do Harry Potter, clave de O clube das desquitadas (1996)***, boneco de um Tubarão (1975)**** e pôster de “Alpocalipse Now” e “2 cat 2 furious”, “Crane” hahaha – e a garota queria bater no carro usado pelo Ferris Bueller em Curtido a vida adoidado (1986)****, mas quem acaba detonando é BoJack mesmo, quebrando a janela de A primeira noite de um homem (1967)***, e descobrimos que o bebê é dela, e esses souvenires são dos caras que ajudam Jameson a fugir! Em cada momento, vamos voltando no tempo em instantes que podem dar a dica de como começou o vício dele, já que o terapeuta comenta que BoJack sempre se esquiva ao ser perguntado da origem, mas entendemos como é doloroso voltar e ver quando provou do álcool, de início aparentemente inofensivo: para melhorar o “desempenho” em uma cena da série de TV com Cindy Crawfish (voz de Cindy Crawford, óbvio!), uma assistente dá um suco batizado e ele consegue um efeito da plateia; adolescente numa festa, não queria beber pela idade, mas acaba sendo induzido e faz piadas maldosas com todos rindo, mas magoando uma colega que tinha consideração por ele (e esses nomes de bebida, hein? Whisky “Jack Spaniels” e vodka “Grey Moose” hehe); quando menino, acabou pegando o pai no escritório com a secretária e o pai embebeda ele para depois fazê-lo prometer que não vai contar nada daquela noite para a mãe; e finalmente ainda bem pequeno, pega os pais caindo de bêbados e vai se aconchegar perto da mãe (gente… deu até vontade de chorar :(.   

S06E02 – O novo cliente (The new cliente)

Este episódio ganhou um post especial só dele!

S06E03 – Matéria para se sentir bem (Feel-good story)

Diane está na estrada junto do cinegrafista Guy, fazendo vídeos para o blog Croosh, e aproveitando para denunciar alguns casos sérios pelo país: tráfico sexual; botulismo aviário – o “Tom Hanks do botulismo”, já que o ator ganhou Oscar dois anos seguido ehe; joias que dão alergia; uma verdade (in?) conveniente da água com uma entrevistada em frente a um “8-12” (e não “7 eleven” aha); inclusive debaixo d’água sobre canudos! – e dentre as outras opções que aparecem no site, tem também uma matéria sobre “global weirding” (o mundo ficando estranho e não só aquecendo? Boa!) Ela e Guy acabam ficando juntos na desculpa esfarrapada que ele não sabia da cama de casal, enquanto a empresa Baleia Branca está comprando tudo e BoJack escreve cartas terapêuticas pra Diane. A chefe Stefani pede para que façam algumas histórias pra gente se sentir bem (feel good stories); a primeira tentativa, de uma loja de brinquedos para qualquer tipo de menina, acaba não dando tão certo, pois a pequena loja que trabalhava com materiais sustentáveis também foi comprada… e inclusive a Croosh é comprada! Diane e Guy vão ver um vídeo de apresentação, ganhando uma bebida sabor água apesar de achar que não precisava; o presidente baleia branca Jeremiah conta com uma animação (dirigida pelo “pássaro” Brad! hahaha) no estilo dos desenhos antigos da Disney, que explica como foram abocanhando empresas de modo semelhante ao pac-man, até o jornal que dizia coisas que ele não gostava! Mas Diane pretende fazer um último vídeo desmascarando algum podre da empresa, encontram-se clandestinamente com Isabel do Tribune, entrevistam sobre uma morte, até descobrirem que Jeremiah já sabe de tudo e esse tipo de notícia na verdade faz ele ganhar mais dinheiro com as ações, e ele tem direito de matar por ser bilionário! Já Chicago, onde estão visitando, é a cidade natal do Guy e fica aquela situação de Diane não ser apresentada como namorada para os amigos, devolver um casaco que é a cara dela (e a gente percebe logo que vê na vitrine! ehe), a despedida na estação de trem e a narração do BoJack sobre um caso aparentemente nada a ver que no final tem muito a ver com o que ela vive, o cavalo até admite que deveria ter passado por reabilitação antes, passou tanto tempo se sentindo miserável que começou a achar que só poderia viver assim.  

Comentário extra: eu já visitei Chicago há alguns anos, e é bem divertido perceber algumas coisas típicas da cidade: eles imitam um dos museus de arte mais famosos quando se encontram com Isabel, com o quadro de pontilhismo famoso contendo alguns animais; logo que chegam Guy comenta do prédio alto, um dos pontos altos (literalmente) da cidade é a Willis Tower; na lanchonete tem um cartaz dos feijões “the Bean”, que é outro ponto turístico, um feijão prateado gigante divertido para tirar fotos! Pessoalmente, Chicago foi uma das cidades que mais gostei de visitar na minha vida, algo inesperado, e vê-la nesta série me traz boas lembranças… isso é que é temporada de despedida, ai, ai!

S06E04 – Surpresa (Surprise!)

Começamos o episódio vendo a evolução dos vídeos da Pickles: em 2013 tem cartaz do “Justin Timberwolf” e do “Bun Direction” no quarto, em 2014 tem a “Iguana Azalea” e ela tem mais viewers e likes no “You Zone”, e os outros vídeos do seu canal também são bem típicos da época, como o vídeo de “abrir uma caixa” ehe; depois vemos seu perfil no “Face-feed” com aquela fotinho típica de uma xícara de café; no “Zoneface” já tem várias estatísticas e bem mais seguidores, finalmente chegamos ao “Tweed Feed”; e se no início eram tutoriais de maquiagem, depois vira comentários de tudo (e quantos youtubers por aí vocês conhecem que são assim, hein?!), sobre o emprego que conseguiu ou a celebridade com quem está saindo… ela estava exatamente numa “live” quando o pessoal está reunido na casa para um “casamento surpresa” preparado por Todd, e Mr. Peanutbutter decide admitir a traição (“pior erro da minha vida, e olha que já joguei Twister com Brian Singer” ehe), Pickles compara à vez em que Lady Gaga não cantou Paparazzi (oh man!), todo mundo tem que sair correndo e continuar escondido enquanto eles brigam, e os convidados ficam bem visíveis, mas os dogs não percebem nada… desde as amigas das redes sociais, passando pelos pais, que ouvem comentários sobre si próprios não muito agradáveis, e Pickles cai em lágrimas defendendo os amigos online por serem solidários e nunca deixarem de segui-la! Quando os dois sobem, é a chance para todos fugirem, mas BoJack e Diane estão discutindo no quarto o porquê de ela querer mudar para Chicago, e Princess Carolyn e Todd tem que subir, porque a bebê sumiu – daí é uma série de malabarismos com os quatro tentando se esconder e pegar a bebê porco espinho e manipular as ações da Pickles comentando no seu perfil de rede social… mas o “t_chavez” sugere um banho só percebendo depois que ele está na banheira! BoJack pergunta se Diane está indo por causa dele, mas de fora da janela ouve Mr. Peanutbutter confessando tudo para Pickles e os dois se passam pelo ordenador de moedas e termostato, dando conselhos para o cão conversar com a ex-noiva, para ele ouvir mais – o que ele faz, e os dois acabam fazendo as pazes no consentimento de que Pickles vai ter sexo com alguém antes de se casarem, para ficarem quites! Finalmente Princess Carolyn chama Todd para ser a babá da Ruthie (ei, não entendi a piada, Cameron Diaz realmente fez uma voz para Shrek, oras), e Todd ainda dá a bebida de bolinhas certa para Pickles na hora de sair, Diane esqueceu a carteira debaixo da cama e inventa qualquer coisa aproveitando para se desculpar, BoJack sai carregando o bode que era sua companhia para se manter sóbrio, mas desmaiava o tempo todo; e tudo bem, Pickles e Mr. Peanutbutter nem desconfiam de nada – como desconfiariam?

S06E05 – Um pouco agitado, só isso (A little uneven, is all)

Dr. Champ acha que BoJack não precisa mais de terapia, quase todas as histórias da vida dele ele já contou. Tem uma festinha de despedida para uma das ex-alcoolatras e brindam (toast) com torradas (toast) hahaha. Quando está saindo, paparazzis estão esperando por Joey Pogo (criado com base em Justin Bieber, como podemos supor) e numa montagem de repetição que vale a pena a piada, BoJack acha que está sendo despachado para que Pogo fique com o quarto chique e mesmo tendo que se repetir, consegue um trocadilho que acha que vale a pena esperar até recuperar o fôlego. No entanto, Pogo diz que sua agenda está cheia e sua terapia é super rapidinha, um minutinho! Quando o doutor expulsa BoJack, ele acaba jogando a vodca escondida na garrafa de água e Champ toma, ficando bêbado, pedindo para ele fique então… BoJack passa o episódio todo se lembrando de momentos, da culpa por Herb ter saído do show, o novo cara Danny Bananas, a cabeleireira que também esconde bebida no set até que Sarah Lynn falta em um dia por ter bebido, numa situação muito parecida com a que BoJack está vivendo…

Pessoal do set de filmagens trata mal o senhor Peanutbutter, após saberem da traição e ele faz analogia de coisas azedas sobre sua situação com Picles enquanto bota o molho no hot-dog. E acabam concordando que Picles pode ter sexo com vários caras até achar um com quem tenha alguma conexão emocional! Princess Carolyn se preocupa com a reputação e o sucesso desse novo trabalho sabendo disso, e até tenta convencê-lo a passar a imagem de um cãozinho triste (piscadela para o meme “sad Keanu”! yehey). Mas Peanutbutter continua acreditando que as pessoas vão superar naturalmente porque tendem a gostar dele, e inclui aí elogios à atriz que está trabalhando com ele mencionando o nome das atrizes de todas as versões de “Nasce uma estrela”! Até que Carolyn consegue fazerem acreditar que Peanutbutter tentou se matar porque na verdade “é muito triste”, e o paparazzi já o chama de herói por quebrar o estigma da depressão!

Diane está enrolando para começar a escrever o livro – a arte da procrastinação! “daí já passou a manhã, a tarde fica improdutiva, melhor começar do zero no dia seguinte”; liga para Princess Carolyn sobre conseguir um acordo com alguma editora, e enquanto falava o nome provisório do título a gata já conseguiu o prazo de 6 meses para Diane escrever! Guy diz que o mais difícil é começar, quando ele volta do trabalho freelance, ela finge que ele estava certo, mas temos a cena que nos lembra “O iluminado” com Diane só escrevendo uma única frase repetidas vezes.

Como Todd queria ir ajudar a lamber o sorvete misturado ao refrigerante num acidente local e não pôde, pois seu trabalho agora é cuidar da Ruthie, ele acaba contratando vários assistentes – não deu para parar em um só, embora ele devesse, assim como os filmes do Deadpool. Tem assistente pro aplicativo de assexuais em que Todd é o único usuário e uma para criar danças desengonçadas, até contrata uma para ser amiga do BoJack. Como o cavalo é muito honesta com ela, percebe que não pode se deixar continuar a ser tratada como lixo e os chefes exagerarem em suas indulgências, e um levante de assistentes está montado!

S06E06 – O rim fica em destaque (The kidney stays in the picture)

O noticiário da vez mostra a greve dos assistentes – e o caos que a cidade pode virar sem eles, quem tem todas as senhas, quem vai chamar a doula ou, pasmem, fazer a reserva no restaurante? Até Pogo e Mr. Peanutbutter não podem marcar uma reunião, apesar de se encontrarem pessoalmente… O bam-bam-bam Turtletaub tem uma ideia ao conversar com Princess Carolyn citando a criação de um personagem da Família Adams (“that’s it!”). Propõe para a líder dos grevistas uma posição de executiva para ler roteiros, ter um cartão de crédito e uma vaga – como ela não aceitaria? Meu dream job também; partindo para o ataque de outros assistentes, até que Carolyn percebe que já foi assistente um dia e impede o Stuart de assinar o acordo coletivo, com falas referentes a Billy Bob Thornton (realmente, muito bom que o tradutor deste episódio acertou o título de todos os filmes citados!). Em seguida, bota o Judah, que é muito sério, competente e meticuloso, para negociar os direitos dos assistentes.

BoJack ajuda o mentor da sobriedade a fugir pela janela, e está de saída da clínica de reabilitação quando para em frente ao bar por ver a van do Dr. Champ (doutor campeão!), conforme ele suga as margaritas, BoJack faz sua terapia que não foi feita em seis meses, odeia a si mesmo, cavalos por causa dos pais, precisa se manter sóbrio para encarar os problemas… Acaba deixando Dr. Champ em outra clínica de nome bem parecido, pois o dr. precisa ser honesto consigo mesmo, que acusa BoJack de machucar as pessoas de quem ele gosta, e ele vai lembrar, porque finalmente está sóbrio e vai para casa.

Todd fica sabendo que a mãe precisa de um rim – e ele nem pode doar, porque vendeu o dele para comprar os fantoches e encenar um tributo a Ang Lee! (aliás, depois que viramos mãe, vemos outras referências, como um dos brinquedos da bebê porco-espinho lembrar de imediato uma girafa famosa da vida real). Junto com o padrasto Jorge vão à loja de órgãos e a cada informação sobre o paradeiro do rim, comprado pelo Baleia Branca, ouvimos o som de órgão, tocado por Todd. Como estavam vendendo anestesia, Jorge é sequestrado assim como no filme “Um morto muito louco” (1989), no plano mirabolante de Todd de resgatar seu rim e salvar a mãe, provando que não é completamente inútil. Podem usar o crachá de Diane, que ainda recebe como se estivesse trabalhando para eles e Guy lhe diz que também não precisa terminar o livro. Claro que Todd não consegue se passar por Diane, mas Jorge os faz entrar se passando por um funcionário que só fala espanhol e o segurança fica indignado que tenham colocado ketchup no hot-dog (ehe! Muuuito Chicago!). Começam a discutir, que o padrasto queria que Todd fosse feliz do jeito dele, mas ele é feliz do seu jeito – e “Sirius” é uma rádio que existe mesmo, não foi só pra rimar com o jeito “serious” do Jorge. Diane não consegue avisá-los porque esqueceram o walkie-talkie na cozinha, mas ela vai pegar um pretzel do shopping cujo estacionamento ela estava “escondida”; o segurança acaba pegando eles, mas Todd só diz a verdade esse dá bem, como sempre dá seu jeito, acreditando que vai dar certo; Jorge acaba pedindo desculpas, pois ele foi sempre muito rígido pela própria história da vida dele em que teve que lutar muito só que não tinha percebido que Todd é branco – simples assim – e as coisas simplesmente dão certo pra ele.   

S06E07 – O rosto da depressão (The face of depression)

BoJack volta para sua casa limpando a bagunça deixada enquanto se lembra da bagunça da sua própria vida, acaba num grupo de alcóolatras em que participa também Sharona, a cabeleireira do antigo show de TV que também bebia escondido no set e acaba assumindo a culpa quando descobrem que Sarah Lynn arranjou bebida. Não consegue falar com ela ao terminar a primeira reunião, encontra Todd no diner, pois sua casa traz muitas lembranças desagradáveis e decide ir viajar, pegando o avião da “AmericanCrane” (crane = garça azul, em inglês).

Na Chicago nevada – e tem animais que nem precisam comprar pá de neve, hah! – Diane acabou recebendo o diagnóstico de depressão, mas não admite e Guy (voz do Lakeith Stanfield) quer desistir do trabalho em Galápagos pra fotografar tartarugas de biquíni ehe, tentando convencê-la a tomar os remédios receitados, não é que Dawson’s Creek ficou ruim. BoJack aparece para visitá-la e no apartamento cuja parede tem pôster de um cartaz bem parecido com “Alta Fidelidade” (2000)***, filmado em Chicago, aliás, está tudo largado e ela sugere irem a uma lanchonete. Afinal ela monologa sobre o vazio embaixo do vazio e BoJack a lembra que ela acreditava nele e o encorajara a aceitar ajuda; na manhã seguinte limpa tudo e voa pela JetMoo (em vez de ser azul, o som da vaquinha!).

A próxima parada de BoJack é visitar Hollyhock, que está cursando a universidade Wesleyan – bem pequenininho ali na placa inclusão de Michael Bae? Vão a um “show” e BoJack se pergunta se música na verdade é assim quando se está sóbrio, Hollyhock está numa pequena briga com a amiga cujas aulas de teatro foram canceladas e usa um gorro chamado chapéu, elas fazem as pazes porque se uma não pede desculpas, como a outra pode desculpar, certo?

Na sala com a pintura no fundo de uma traição e revolução (alguém me lembra o nome desse quadro, por favor?), Turtletaub e Princess Carolyn finalmente estão acertando os últimos termos do acordo para terminar a greve dos assistentes, que não vão mais ser tratados como lixo, e sim como recicláveis!

A visita seguinte de BoJack é a Carolyn, obviamente levando um quadro seu, presente nada a ver, de “chá de bebê”; ele tem a ideia de dar aulas na Wesleyan e pede o favor de Carolyn fazer o que já fez por décadas, mentir para ele conseguir o emprego. Também serve de bom amigo apontando como ela faz e cuida de tanta coisa, precisa de alguém para cuidar dela também. E quando a bebê se enrola e rasga o quadro (mesmo sem ser porco espinho, qual bebê não faria isso?), ela diz que vai colar e dizer que é um Rauschenberg – ei, esta série também é cultura, obras que parecem bricolages gigantes.

No final de outro encontro AA, Sharona deixa BoJack pedir desculpas e ele a deixa mexer no cabelo, agora já não vai mais pintar com a cor “caneta piloto” e os fios ficam grisalhos. A diretora do Wesleyan retorna a ligação de que Raven saiu de cena, e BoJack conseguiu o emprego, vai voando de “Sow West” (suína, em vez de sul), e nas interações com a vendedora de coelhinhos (não é “roll”, é “bun”, mas pequenos, “bunnies” ehe) de canela no aeroporto, já percebe sua personalidade e indica um aplicativo de encontros…

Mr. Peanutbutter está num tour junto de Joey Pogo, como “o rosto da depressão”, sendo que ele não se sente deprimido, mas Pogo diz que os que menos parecem depressivos podem ser os mais. BoJack acaba encontrando Peanutbutter em Washington, o cão vai falar para o congresso, e o cavalo fica incrédulo que justo ele seja o “rosto da depressão”. Mr Peanutbutter leva BoJack a um museu na parte referente à história da TV e tem um suéter usado por ele no seu antigo show em exibição. E também todo o cenário da cozinha do antigo show muito parecido do Mr. Peanutbutter, e BoJack lhe dá o prazer de fingirem que estão num episódio crossover!

Princess Carolyn oferece a Judah um cargo de diretor operacional da sua agência com direito a bolo de aniversário, e ele aceita.

Guy chega de volta e no aeroporto encontra Diane mais gorda – o que significa que ela está tomando os antidepressivos.

Depois de toda essa jornada de redenção, BoJack acaba visitando um local que reconstitui um tempo antigo para os cavalos e o pastor local fala de você mesmo conseguir se perdoar, “que a paz esteja contigo”.

S06E08 – Uma rapidinha enquanto ele não está (A quick one, while he’s away)

Margo Martindale estava num convento, mas foge no Alfa Romeo dizendo que ela não estará no céu, mas seus filmes sim!

O editor-chefe da revista “Holywoo Reporter” – com capas interessantes como uma matéria de encanamento e um cara muito parecido com o Mário dos Super Mario Brothers, e um tal de festival “Canine” (em vez de Cannes?) – quer despachar logo a porquinha que é insuportável mas uma ótima repórter, Paige Sinclair, que está para se casar, só que fica sabendo do caso de uma mãe que liga todos os dias para saber se tem novas em relação à morte da filha que morreu de overdose… Sarah Lynn. Junto com o jornalista que estava recebendo as ligações, Maximilian Banks, ouvem a última ligação para a mãe, em que Sarah se “desculpa” por várias coisas e no início fala em “nós”. Vão procurar o local onde ela ia ao encontro de AA, para ver se descobrem com quem estava bêbada junto, onde, quando, o que estavam fazendo e por quê – e conseguirem sua matéria de capa. Perguntando a alguns frequentadores, pegam a informação de um suposto amigo de Sarah cuja filha é “Penny Carson, podem procurar!”

Hollyhock quer explorar NY, pois Tawny e o não-namorado-somos-descomplicadosassim não querem chegar muito cedo na festa (e no muro ali do fundo entendemos que o blockbuster da vez é o Mario, dirigido pelo Zack Snyder). Vão ao Empire State, prédio do macacão de “Sintonia de amor”, nas palavras da Hollyhock, que imagino não ser fã de Tom Hanks; mas ela quer sim ir à festa com estranhos, sem medo de passar vergonha, nunca bebe por ter medo de perder o controle – influência do BoJack, vocês acham? Quando finalmente chega na festa, abre uma cerveja e tem um ataque de ansiedade, sendo acalmada por Peter, que por acaso tem um histórico ruim com bebida no ensino médio, indo numa festa com a amiga da namorada que tinha um pai estranho que fez ela beber e passar mal e os deixou na emergência para ela ter uma lavagem estomacal…

Enquanto Kelsey Jannings trabalha numa publicidade de frango frito porque filmes indies não dão pra pagar a escola da filha, o diretor de blockbuster Justin Kenyon argumenta com Gina (voz original da Stephanie Beatriz, que faz a Rosa em Brooklyn 99) sobre alterações do roteiro, sua principal estrela do mais novo blockbuster que não quer ser a louca do set, mas reclama da batida na porta e do suspiro do diretor. Kelsey conversa com o agente Rutabaga que diz que o pessoal fala que quer contratar diretoras mulheres, apenas não para esse projeto – todos os projetos, em especial os com Paul Feig (?). Já na agência ele liga contando sobre o novo filme de super-heroína que conseguiu para Kelsey, ao pegar seu copo de café escrito “Rude Bagel” e passar pelos cartazes dos filmes do pegasus com o “Lernerner Dicapricorn” e alguma outra moça! Kelsey não quer ser contratada só por ser mulher, mas como o agente falou em pensar no dinheiro, ela vai na entrevista numa sala cheia de referências a heróis, pintura na parede e bonecos, cartazes dos filmes “Invisibull” e “Shellboy” haha. Ela fala o que gostariam de ouvir, mas depois volta para dar sua verdadeira opinião de como deveria ser e respira aliviada. Justin tem problemas com Gina, que apenas numa cena de dança já lembrou de quase ser estrangulada, e não pode recomendá-la para Kelsey.  

S06E09 – Estudo cênico intermediário com BoJack Horseman (Intermediate scene study w/ BoJack Horseman)

BoJack está começando na universidade, tem uma fala pronta e marca o quadro branco permanentemente, mas até que se dá bem vendo os alunos apresentarem suas cenas e dando alguns conselhos. Chama um dos alunos para conversar em sua sala de professor, que tem um cartaz de “Bleatcar named desire” (clara referência a “Um bonde chamado desejo”, uma das peças mais famosas – e atuações de Marlon Brando), e outro do cinematógrafo “Lumibear” (em vez de Lumiére); o rapaz acha que BoJack acha ele um ator ruim, ele diz que só há professores ruins, BoJack diz que existe Jason Segel em “Bad teacher” (professora ruim, o título do filme na verdade é “Professora sem classe”). E o tal aluno invade a reunião dos AA emprestando a trama de “O voo” (em que o personagem do Denzel Washington rouba garrafinhas do avião para beber…). BoJack quer aproveitar e fazer coisas junto com Hollyhock, até se esforça para entender rugby, pergunta para a melhor amiga Tawny que diz estarem de novo brigadas – como as canções da Adele, tudo tipo a mesma coisa, com alguns detalhes diferentes. Mas a irmã parece não querer que ele se envolva demais e estar evitando-o.

O contador de BoJack diz que ele precisa pagar ainda pela reabilitação e sugere vender o restaurante, Elefante. Mr. Peanutbutter está acertando um acordo com Joey Pogo para ele e Picles ficarem mais íntimos e ela ficar quite, daí podem se casar, acabam também acordando em cuidar do restaurante juntos.

Princess Carolyn aceita dar uma aula para os alunos de BoJack – um tem a blusa da “Abercrombie & Fish” (peixe, não Fitch!), falando de representação. Princess Carolyn quer contratar Stan, o que nem fez nenhuma pergunta e BoJack diz que teve a “A prova” de que era bom ator depois da cena de “Dúvida”, mas que ele precisa terminar os estudos – e os dois competem pela atenção do cachorro, “bom garoto!”.

Enquanto isso, Todd dá uma volta com Ruthie, participam de um experimento de marshmallow, como ele come, acaba indo parar na área de química, surge uma espécie de Willy Wonka da Wesleyan que na verdade era um experimento de LSD… é, essas são sempre as partes do Todd…

Chega então o dia da apresentação do grupo de BoJack, ele acaba indo bater na porta de Hollyhock porque ela esqueceu e não apareceu no teatro. Do lado da porta do quarto dela tem um pôster que lembra o de “Rushmore” (Três é demais) ehe bem apropriado, e também um aviso de que lamber sapos é crime. A garota explica que os dois tinham uma vida antes de se conhecerem e que seria melhor irem devagar.

Charlotte liga para BoJack pedindo para não envolver Penny…

S06E10 – Bons defeitos (Good damage)

Esse painel luminoso nós já sabemos que é de Chicago por causa do Ferris Bueller! Diane e Guy estão no estádio dos bebês humanos e ela se pergunta por que em tudo eles dizem que é o estilo Chicago, reagindo bem negativamente ao uso demasiado de plástico na batata quente aha! Começando uma sequência musicada com várias situações que a deixam irritada, mas depois dá um jeito, estilo antidepressivo da Diane; sem conseguir, no entanto, superar o bloqueio de escritora; iniciando então uma sequência animada de esboços com direito a parecer a Lucy do Charlie Brown, em busca de algo válido para seu livro. BoJack liga para ela, convidando-a para a apresentação dos seus alunos e quando ela menciona que vai surgir alguém para escrever sobre ele de novo, voltamos a seguir os acontecimentos na investigação de Paige Sinclair. Conseguem localizar a filha de Charlotte, que trabalha como garçonete e só lhes diz que faz anos que não vê BoJack. Paige e Max logo lembram que foi ele quem encontrou Sarah morta, mas não mencionou que tinham passado um tempo juntos. Seguem Penny até a casa da mãe, ela acaba contando sobre a amiga que foi induzida ao coma alcóolico.

Vemos como Diane se distrai, começa com um café com um nome de desdém e passa para uma mesa cheia de comida, vai dar uma olhada na loja com descontos que se chama Trauma e acaba falando para Carolyn que o livro se trata disso, como a arte japonesa de peças com rachaduras, no final nos descobrimos pelas nossas falhas e quebraduras. Porém, como vai vagueando pelos devaneios da sua mente, acaba chegando numa história de uma detetive da praça de alimentação de um shopping. Carolyn conta que falou com a produtora do Brad Pitt, Plan B e também o Plano C, e numa empolgação com Judah inventou uma nova versão de Robin Hood, do ponto de vista da mulher e dirigida pela Sofia Coppola! Mas a Sofia já está trabalhando numa versão de Peter Pan contada pelo ponto de vista da Wendy, hah, empoderamento feminino? Diane quer fazer de suas memórias o livro e entregar seu lado triste, mas sem a medicação ela fica estressada e Guy acaba enviando as páginas da detetive para Carolyn, que adora e já fala com alguns estúdios. Diane conversa com a agente após a apresentação de BoJack e explica que pensava que um livro dela ajudaria outras garotas, e os sofrimentos trariam algo de bom afinal, Carolyn a convence que talvez esse livro em que ela se diverte escrevendo também sirva para ajudar outras pessoas.

S06E11 – O preço do passado e tudo o mais (Sunk coast and all that)

BoJack passa mal (ansiedade?) ao receber o telefonema sobre os repórteres que estão investigando a morte de Sarah Lynn e foram procurar Charlotte e Penny; ele explica a situação para Diane, Todd e Princess Carolyn que tinham aparecido para ver a apresentação dos alunos de teatro e socorrido. Quando volta a si, não pode sair porque lá fora tem seus alunos comemorando, a bebê Ruthie brinca com livros de teatro, “King Bear” (em vez de Rei Lear), “Comedy of bearros” (em vez de Comédia dos erros).

Paige e Max estão no restaurado Elefante, que agora tem pequenos pratos para uma “experiência gastronômica”, sugestão da Picles, e bandejas giratórias, sugestão do Pogo, e a cara do cão na capa do cardápio, sugestão de quem mais? Paige fala ao telefone com o noivo – e ela teve que tomar banho junto com Max? Como aquelas desventuras de comédias românticas que a gente já sabe onde vai dar…  com a demissão dos lavadores de pratos, discutem sobre os problemas do restaurante, ao fundo livros de culinária e placa de não usar pratos grandes muito apropriados para a ocasião; como são pratos pequenos, enquanto Picles reclama de Pogo com Mr. Peanutbutter podemos ver que tudo no refrigerador é “baby” ou pequenino, incluindo “chicken fingers”, “baby carrots”, leite de hamster haha. Picles revela que gosta da música, mas acha falso o otimismo do Joey Pogo, ele é como o “oposto” de Peanutbutter? Os repórteres discutem sempre girando a mesa em lados opostos, Max quer focar em Sarah Lynn e Paige quer um artigo de Pulitzer sobre uma pessoa problemática. Quando Peanutbutter explica a tensão entre Picles e Pogo, Max acredita que ela está apaixonada, mas não quer admitir; Paige não acredita que ela deixaria o noivo que é tão porto-seguro, percebendo que estão falando de si mesmos…

Por ideia dos amigos, BoJack começa a enumerar todas as coisas que lembra ter feito errado – praticamente todas encontramos nos episódios das temporadas passadas, acrescentando as que Todd escreve no quadro, e as que Diane também adiciona; mas o cavalo está indignado por ter mudado para ser uma pessoa melhor e mesmo assim vem alguém querendo destruí-lo por algo passado, já que é outra pessoa após a reabilitação, e Todd questiona se ele realmente mudou. Finalmente Diane é abordada pelos entrevistadores por telefone, e fica sabendo que a história é sobre Sarah Lynn. BoJack acaba admitindo para as amigas que ele estava com a garota quando ela morreu, mas como deveria ser uma noite de celebração ele vai lá dar uma palavrinha para a galera do teatro e agradece porque este ano ele pôde ser o que gostaria.

Picles diz que pode mentir sobre criar uma conexão, mas não sobre sexo e avisam Peanutbutter e transam no refrigerador para acabar logo com isso, mas logo percebem que existe uma conexão real, e Pogo ainda precisa de um cuidador de redes sociais. Peanutbutter na verdade fica meio chateado, e num surto em que acha que estão se metendo na vida dele, acaba contando para os repórteres sobre uma noite em que BoJack estava bêbado e tinha lhe confidenciado sobre Sarah Lynn. Eles ficam entusiasmados que tudo se encaixa, e numa virada daquelas de filmes românticos, Max se declara para uma Paige que diz “claro que você me ama, todos me amam”. Ao final, Peanutbutter deixa Picles ir no tour com Joey Pogo e um carinha aleatório consegue tirar foto do “cãozinho triste”.

Paige liga para BoJack que antes já estava discutindo com as meninas o que deveria fazer, Diane opina que o mais difícil ainda seria o melhor, ser honesto e evitar ficar com medo pelo resto da vida, mas o cavalo acaba negando tudo pois não esperava que seria tão rápido! Diane vai embora, BoJack tenta escrever uma resposta digna para a imprensa, se entristece porque não importa quantos novos recomeços ele tenha, acaba mal e sozinho no final. Princess Carolyn conta como ele foi o maior amor da vida dela e primeiro cliente e gostaria que esta história tivesse um final feliz, BoJack então decide contar a verdade para que ela possa dizer à filhinha que o ajudou a fazer a coisa certa.

S06E12 – Xerox de uma xerox (Xerox of a xerox)

A notícia da vez é o envolvimento de BoJack na overdose de Sarah Lynn e ele deve participar de um programa de entrevistas cuja apresentadora, segundo as longas reclamações de Paige para suas damas de honra e irmã, é uma puxa-saco das celebridades. Diane tenta não ligar e diz para Guy que já sabe tudo o que vai acontecer, Carolyn tenta prepará-lo para que não pareça triste demais, Judah lhe dá uma caneca porque gesticular muito é considerado agressivo, Mr. Peanutbutter aparece citando Bruce Springsteen para pedir que cite ou não sua série “Birthday dad”, Todd menciona a nova garota – sim, a coelha que BoJack deu a dica do aplicativo de encontros em que só tinha Todd inscrito! – e Mr. Peanutbutter recebe uma mensagem de término oficial do namoro com Picles. Para a entrevista a tônica é BoJack sendo honesto, então simulam seu apartamento no estúdio para controlar a luz – claro – e ele admite que mentiu e errou, e agora está sóbrio, teve uma criação ruim e projetava personagens da TV como um xerox de outros criadores tão problemáticos quanto, e quando a entrevistadora Biscuits Braxby pergunta sobre a mãe de Sarah explorar sua imagem, o cavalo afirma que foi isso que levou à sua morte, tão assustadora para ele porque ela o lembrou de como ele mesmo era, e se pudesse, diria à mãe que ela nem pode imaginar o quanto ele sente.

Em Chicago, Guy confronta Diane porque ela nunca fala dos amigos famosos e ela fala que ainda não conhece o filho dele, então ele sugere já no dia seguinte. Quando vão na lanchonete de sempre, Guy sai para pegar umas fritas e Sonny diz que o pai gosta de ajudar as namoradas que quando ficam boas acabam deixando-o, e Diane acaba soltando que os pais vivem brigando e não vão voltar a ficar juntos…

Saindo da entrevista, BoJack sente que foi muito bem, que sentiu que podia ver a Matrix, Carolyn não parece tão extasiante, vão ter que esperar algumas horas pra ver o que vão achar; na manhã seguinte, BoJack é um sucesso, todos admiram sua superação, “Tchau Sad Dog, olá, Remorse Horse!”, e quando o pinguim Pinky pede para fazer uma parte 2 porque isso foi ótimo para seus negócios, BoJack gosta da atenção renovada, acha que está ajudando outras pessoas viciadas. Só que Paige Sinclair faz uma visitinha à entrevistadora, que confessa que as celebridades a procuram para aparecerem bem, e Paige afirma que com as redes sociais ela precisa mudar de estratégia e honrar sua profissão como jornalista. Então, nesta outra entrevista, ela pega mais pesado, faz várias perguntas relacionadas a detalhes sórdidos e bem pessoais que necessitariam uma vasta pesquisa (ou ver todas as temporadas da série!), em parte porque Sinclair a ajudou entrevistando um bêbado ex-terapeuta de BoJack. É um desastre, Princess Carolyn não está nada contente, diz para ele aproveitar as poucas horas que lhe restam antes de mudar a vida por completo, ela avisou que uma entrevista era o suficiente…

BoJack para numa casa para comediantes stand-up, relembrando a marca na parede que Herb fez para ele na época em que ainda não tinham começado o show para a TV, que BoJack ficaria imortalizado mesmo sem ter estrela na calçada da fama ou estátua de cera, hehe (e Malibu é para os famosos? Beverly Hills é só para os idiotas?). Muito apropriado que na parede do lugar estejam vários nomes assinados, incluindo Aaron Long, meio que o criador da série – será que os outros são de pessoas reais que ajudaram a fazer a série por todos esses anos? Lá dentro, as fotos de alguns comediantes: Whopi Goldfish (peixinho dourado!), Ali Wong grávida, Sarah Silverfish (referência à Sarah Silverman…), Robin Williams (robin em inglês é um pássaro mesmo, então o nome não muda!), Billy Goat Crystal (transformaram a cara dele em bode, ehe), entre outros, inclusive alguns nomes que fazem parte do elenco de dubladores.

Todd e Maude (fofinhos, os nomes combinam!) estão vendo TV e ela começa a falar que ele não precisa mais ficar à mercê no sofá dos outros, a boa ideia que tem é de comida, mas ela sugere diretamente morarem juntos.

Carolyn volta para casa onde Judah está cuidando de Ruthie – enrolada em plástico bolha e Judah tem uma placa no peito para evitar se machucar com seus espinhos!

Diane acaba não aguentando e vê uma parte da entrevista com Biscuits, em que BoJack finalmente admite que é uma pessoa que sempre colocou suas próprias necessidades em primeiro lugar e no caminho foi machucando outros.

S06E13 – O unicórnio chifrudão (The horny unicorn)

Ficamos sabendo pela conversa não mutada dos atendentes de dhrive-thru de uma rede de burritos que BoJack teve que fazer um acordo com a família de Sarah Lynn pagando milhões e se tornou um dos homens mais odiados da atualidade… Até mesmo no centro comunitário, na reunião de AA, o pessoal demonstra seu desgosto por ele, e surge um cara que quer patrociná-lo, Vance Waggoner, que até Charlie Sheen achou um pouco demais! Ele deixa seu número para BoJack ligar, que de cabeça para baixo dá para ler peitos (?).

Todd tem a ideia de cuidar de outros filhos na empresa da Princess Carolyn e anuncia que vai se mudar e morar com Maude, não existe irmã gêmea cheia de filhos, mas coelhos tem muitos filhos, como vimos os quadros cheios de coelhinhos no episódio passado, hah! Eles se mudam para um prédio chamado “Lapin Place” (lapin = coelho em francês!), Maude brinca que não sabia que o namorado é “butter” e Todd diz que está “on the roll” (que ele está numa onda boa, ai, essas piadas com comida…); Todd liga para Chavez para dizer que não tem mais nada a provar para a mãe e acaba convidando-os para uma festa sofisticada sem ter nem móveis! Judah ajuda Todd explicando que nessas situações, ele sempre pensa o que Todd faria, “Todd, você conseguiu de novo!”

Diane teve seu livro publicado e agora Princess Carolyn quer saber sobre a continuação, embora Diane tenha vontade de escrever algo mais sério. Um coelho cansado passeia com um carrinho cheio de coelhinhos em frente ao prédio em que Diane mora e Sony está lá jogando video-game com os amigos, afirmando que nem liga para o livro estúpido dela para garotas otárias. Mais tarde, Diane mesma está jogando e Sony faz algumas observações sobre o livro, incluindo partes que parecem reais, e pergunta quando sairá o próximo.

BoJack está em casa comendo Boarritos (boar = javali!), vendo o canal T-Bee-S (apresentado por abelha, claro! E a dubladora se chama Samantha Bee haha), quando o contador Jaz e o advogado Chaz ligam, ele está sendo processado pela marca famosa xerox, e não tem os 100 milhões, então venderam a casa dele! Ao sair, vê que recebeu uma carta de Hollyhock, mas tem medo de abri-la, implora por um emprego para Carolyn e acaba indo ficar na casa de Peanutbutter, já que está falido. A única coisa que conseguiu foi ser um extra, corpo morto na cena de guerra da série do Peanutbutter, que conta que depois vai à festa chique do Todd; então o cavalo acaba ligando para Vance, no diner todos olham feio e BoJack ganha um sanduíche mofado, começam a viajar sobre a ideia do pior unicórnio que seria BoJack caso ele tivesse chifre, Vance quer transformar isso num filme, em que o personagem diz tudo o que ninguém tem coragem de dizer e o cavalo precisa do dinheiro mesmo, precisa parar de se auto-castigar.  

Preparando os convidados que são atores sem emprego, Todd menciona algumas frases cosmopolitas como “smartfones tem deixado a gente ainda mais desconectado” haha, e a mobília também é do set da série, Peanutbutter traz a bebida favorita da Picles para a festa, já que não precisa mais dela. BoJack aparece, mas Todd diz que não pode arriscar nesta noite as coisas darem errado…

Ele fica com raiva porque o que ele pode fazer, desaparecer de vez? Dirigindo passando pelo Shark Shack (piscadela para os famosos hambúrgueres Shake Shack), Vance diz que sua filha, a única coisa que o mantém sóbrio, está com problemas, e convence BoJack a levá-lo até a universidade dela. Acaba que Vance só queria reclamar da curtida numa rede social e batendo boca lá fora, um rapaz aborda BoJack simpatizando com sua situação, vão até uma festa e o cavalo conta sobre uma celebridade das antigas, Lindsay Lohan; Vance deveria ser o “apoio” de AA, mas está levando uma garota para outro lugar… BoJack sai para finalmente ler a carta de Hollyhock, já que o celular dela dá número cancelado, acabando por voltar para a festa e com uma garrafa em mãos…

S06E14 – Angela

Angela Diaz, uma pessoa que conseguiu fazer com que BoJack traísse o amigo Herb que lhe deu o papel da sua vida num show que ele tinha criado, entra em contato porque quer conversar sobre algo com o cavalo. BoJack chega na casa de Diaz e ela reclama da idade, nem pode dirigir sua Lamborghini (estacionada na frente da bela casa com a placa “My Miura”), e pede para o cavalo pegar uma caixa que fica em um lugar alto. Dentro da salinha vemos prêmios e cartazes com referências a séries dos anos 90 – “Wool House” (em vez de “Full House”), “Fin City” (barbatana em vez de “Sin”), “Crowing Pains” (corvo em vez de “growing”)… Diaz tem uma caixa cheia de DVDs da série com BoJack e agora nem pode doá-los, ela acha uma pena porque foi um bom show e sente por Sarah Lynn que não será lembrada pelo programa. Depois comenta de uma investida do “The Cosby show” em que reeditaram tirando Cosby (!) e pretendem fazer o mesmo com o “Horsin Around” e para tirar o cavalo para que sejam órfãs ganhando sabedoria de tudo que está em volta (around), precisa dos direitos de BoJack, senão o povo não vai ver achando que ele está lucrando; em troca oferece um bom pagamento de uma vez só. Angela também dá a ele bebida de verdade, deixando-o fazer a dancinha do BoJack e comenta que ela precisava convencê-lo a não sair do show porque tinham descoberto que Herb era gay e precisavam demitir Herb, mas continuar a série. BoJack se enraiva, mas ela argumenta que acabamos fazendo o que dá ou é necessário em dado momento, ele vai embora levando o carro dela, alguns DVDs e bebida. Acaba voltando para sua antiga casa, invade, pega mais vodca, vai ver os extras e seleciona seu teste para o papel na série, quando Herb o acalma e ele faz uma cena boba sobre martinis e Herb comenta que sua vida está para começar…

Turtletaub oferece a Princess Carolyn a direção de um estúdio voltado para projetos feministas, antes que se torne viral um caso polêmico com um dos seus associados – que aparentemente todos sabiam que assediava mulheres; Carolyn é uma frigideira velha (dura, resistente…), de imediato pede ajuda a Judah para pesquisar títulos de filmes e outros dados, apesar de um momento antes estar questionando por que ele não a convidou para ver sua banda tocar, já que o escritório todo vai. Apesar de Judah querer ajudá-la a produzir o filme dos seus sonhos, Carolyn nem se lembra mais dos sonhos que teve um dia; Judah sente falta dela na apresentação, Carolyn vai até lá e ele saiu para trabalhar e a banda vai tocar versão instrumental. A gata volta para o escritório e encontra Judah, continuam trabalhando, mas ela pede que ele cante para ela, e a canção é totalmente a descrição de si próprio e uma declaração de amor (óin!).

Diane vai para uma noite de autógrafos, perto de onde se senta podemos ver ao fundo livros sobre relacionamentos entre animais haha, Guy liga irritado sobre a mulher ter conseguido o emprego que queria e se mudar com o filho para Houston, Diane diz que eles podem se mudar para lá e começam a mencionar coisas típicas de lá. Depois de assinar um livro elogiando os aparelhos de uma leoa marinha, fica sabendo que Mr. Peanutbutter escreveu um livro de memórias, liga para o cão que descobriu que esse negócio de escrever é a coisa mais fácil do mundo haha! Ele pergunta se ela já virou de Chicago e ela conta que vai se mudar com o namorado para Houston, que ele é o melhor “guy”. Diane conversa bastante com Peanutbutter, que percebe que ele nunca a deixou ser quem era, querendo consertar as coisas, e Diane fala que às vezes nos sentimos como a peça que não encaixa no quebra-cabeças e nos acostumamos com essa ideia, mas aos poucos passamos a confiar.

Todd ainda está tentando se reconectar com a mãe, que prepara o jantar, mas não dá as caras, e Jorge diz que ela se sente culpada, se pudesse ser o contrário, Todd ser salvo pela mãe… Então Todd inventa um sequestro, contratando Margo Martindale, e a mãe teria que entregar tortas, mas ela acaba passando mal; no hospital o diagnóstico é de crise de ansiedade e a mãe pede desculpas porque na época achava que estava fazendo a coisa certa ao mandar Todd para fora de casa, só queria que ele amadurecesse, e ele diz que sim, sendo que sua mais nova ideia é um robô para bebês movido à sucção das chupetas.

Enquanto isso, Margo é pega pela polícia, mas se safa no julgamento porque a diretora indie Nicole Holofcener a quer para seu próximo filme, cuja sinopse o juiz gostou.

Uma nota interessante do IMDB: no flashback de Angela, quando ela menciona a compra do canal pela Disney, ela defende Michael Eisner, que na vida real é o fundador da produtora desta série, The Tornante Company.

S06E15 – A vista do meio pra baixo (The view from halfway down)

O título deste episódio é uma referência a Stranger Things?

Estamos numa realidade muito estranha em que BoJack visita a mãe, vestida como ainda jovem, mas crítica como de costume; Sarah Lynn ainda criança o acompanha, uma pássara entrou sem ser convidada, Zach Braff é o mordomo, Herb ainda está saudável, Crackerjack, tio que ele nunca conheceu, também está lá, Curderoy até que morreu enforcado – BoJack ficava tendo sonhos com aqueles que já morreram, e decidiu se juntar a eles! Já no jantar, Sarah Lynn está adolescente, cada um ganha um prato que combina com si, BoJack tem pílulas; Crackerjack e Herb comentam sobre a pior parte da vida e perguntam a BoJack, que nota que a água tem gosto de cloro, além de ver uma mancha no teto pingando lá em cima. Sarah já está com cara de drogada na discussão seguinte, sobre sacrifícios serem bons e comenta a pior parte da vida que foi o tour sexy quando o próprio empresário soltou nudes dela. Herb e BoJack zoam o anúncio de perguntas, Curderoy pergunta da filantropia, Crackerjack diz que nunca matou nazistas, Sarah fala do seu videoclipe no espaço; chega o pai de BoJack na figura do cavalo corredor Secretariat, continuam com o jogo de melhor e pior, BoJack fala sobre o aluno que ele ajudou, o pessoal vai para o show, parte em que BoJack sempre acorda do sonho, só que não desta vez.

Sarah Lynn apresenta uma canção sobre a vida, não parar de dançar, terminando com o habitual gesto de prender o nariz antes de mergulhar. O ato seguinte é de Curderoy Jackson, que também se dependura e cai pela porta de vão escuro. Secretariat vai fumar com BoJack e comenta que não acredita nesse negócio de paz, como se fosse um presente por uma vida virtuosa, mas mesmo quem não faz nada de bom acaba no mesmo lugar… na conversa sobre todos quererem voltar se pudessem, o pai conta que ele se importava com tudo; BoJack comenta sobre acordar, para ver um corpo na piscina e interrompe o show de Zach Braff, de patins ele faz vários trocadilhos com seu nome para cair no vazio negro também. Secretariat também tem o mesmo destino, após declamar um poema sobre a “visão da metade de baixo”. BoJack tenta fugir, todos que sobraram argumentam que de nada adianta, ele pergunta se alguém já voltou desse lugar, Herb explica que é só o cérebro dele trabalhando do modo que acha ser necessário. A apresentação seguinte é uma dança da Beatrice vestida de debutante ao som do trompete de Crackerjack. Chega a vez do próprio BoJack, Herb se despede dizendo que não existe outro lado; BoJack tenta fugir do monte de piche, as hortênsias impedem a passagem como ervas daninhas que cresceram, a pássara de muitas caras me lembrou Coraline, BoJack tenta ligar para Diane, que diz que não importa mais, o que foi feito já foi, e o cavalo só quer então ficar no telefone falando com ela. Tudo escurece tomado pelo piche, enquanto ouvimos um bipe de monitor hospitalar quando a pessoa morre.     

S06E16 – Bom enquanto durou (Nice while it lasted)

Como um clipe musical que começa com o som do bipe, vemos a família chegando na casa arrombada e BoJack na piscina com pílulas, jornais noticiando que ele não morreu, vai ao tribunal, o menininho fica famoso, a mãe de Sarah Lynn ainda explorando a imagem da filha, no jornal que o Pinky lê está a notícia que o menino fechou com uma agência, vai ter um standup, participar de “Dançando com as estrelas” e fazer o tour do livro que conta sua jornada! BoJack vai para a prisão, com direito a organizar até uma peça de teatro com outros prisioneiros. Ao sair, quem vai buscá-lo é o fiel e sempre alto astral Mr. Peanutbutter, claro. Eles passam em um alfaiate para BoJack conseguir um terno, vão comer algo no diner, e desta vez ninguém sabotou o lanche do BoJack, mas pela conversa entendemos que é apenas para o casamento da Princess Carolyn que não perdeu os melhores anos da vida com ele, ela os está vivendo agora. No carro, Mr. Peanutbutter diz que está concentrado em si, seu programa continua o maior sucesso, as mulheres são como nos filmes de Christopher Nolan (doggie doggie what?!), ele conta da terapia e se pergunta se seus problemas são como Jim Carrey em “O máscara” (1995)*** – alguém me segure! No caminho eles param para uma coletiva, pois Peanutbutter ia devolver o “D” para Hollywoo, só que fizeram a letra errada! BoJack quer voltar para a prisão, acha que não conseguirá encarar as pessoas, Peanutbutter pergunta ao “Shawshank” (do título original de “Um  sonho de liberdade”!) o que acha que pode acontecer, o cão promete ficar sempre do lado do amigo, exceto se avistar Erika, haha.

Todd reencontra BoJack e o faz sair para verem os fogos com Todd nos ombros para uma vista melhor; o amigo incentiva a cada dia bater um novo recorde, e fala da canção para as crianças sobre dar uma reviravolta – BoJack não acredita que quem escreveu teve intenção existencialista, mas Todd afirma que a arte é sobre a interpretação das pessoas; BoJack não sabe diferenciar se Todd é um gênio ou fala bobagens, mas ambos concordam que foi “bom enquanto durou”.

Princess Carolyn produziu uma festa e tanto, com fogos de artifício e uma cena de investigação criminal, Judah está vendo papelada porque o casamento real aconteceu na semana anterior e esta é para o pessoal da mídia e para Carolyn se promover como produtora. Apesar de ela dizer que as pessoas tem memória curta quando BoJack comenta que achava que nunca teria chance de novo pois um ano atrás todos o odiavam, Carolyn pede para o amigo ir com calma, dançam e ele conta sobre ter imaginado que poderia acontecer algo desastroso, mas ele salvaria o dia convencendo Princess sobre sua felicidade bem merecida – diante das indagações bem argumentadas da gata, até que ele diz as coisas certas – e que isso demonstraria que ele próprio teria amadurecido; caso volte à cidade e precise de representação, Carolyn pode recomendar bons nomes.

Por fim, BoJack sobe no telhado e encontra Diane fumando. Conversam recapitulando vários assuntos, o que andam fazendo, ela continua com os livros para adolescentes, ele com a vida na prisão; como Diane ficou com raiva dele por muito tempo, ela ouviu a última ligação e achou que ele tinha morrido e se sentiu culpada, mas ele estava vivo; ela conta do então namorado que mudou para Houston e ela ficou em Chicago por um tempo e BoJack pergunta se não é mais namorado, ela mostra a aliança. Ela fala do medo que sentiu antes de voltar para L.A., reencontrar o ex, Mr. Peanutbutter, e BoJack, não reconhecer mais aquela Diane que vivia ali, compreender que algumas pessoas podem não continuar nas nossas vidas, mas ajudam a formar quem somos. BoJack conta de um episódio meio engraçado na prisão, sobre o filme “Tudo em família” (The Family Stone/ 2005) que sempre era o que viam, até que fez um acordo e sugeriu verem “Do jeito que ela é” (Pieces of April/2003) e agora só veem esse… ele sempre criando suas próprias enrascadas. Os dois falam da vida, que é uma droga, mas continuamos. E observam o céu estrelado, pois é uma noite boa afinal.

Din e o dragão genial

(Wish Dragon / 2021) **

Interessante notar como de uns tempos pra cá surgem essas produções chinesas faladas em inglês, com um suposto público alvo óbvio, embora eu não sei se é filme chinês pra americano ver ou filme americano pra comunidade chinesa gostar.

De qualquer modo, acaba contando com nomes asiáticos atraentes, como o produtor Jackie Chan (que também faz a voz do gênio em mandarim), o sul-coreano John Cho fazendo a voz do dragão Long, Constance Wu na voz da mãe, Natasha Liu Bordizzo que na verdade é australiana e Jimmy Wong na voz do protagonista Din, que esteve também em Mulan e me parece ter um carisma natural, divertido e dá vontade da gente fazer amizade.

(!) lembrando que este blog não acredita em spoilers. Se bem que… talvez você já saiba mesmo o que vai acontecer aqui.

Com parte da produção bancada por Hollywood, a parte técnica não deixa a desejar aos filmes da Disney/Pixar, até porque a Sony mesma já tem certa experiência, se aventurando por outras animações antes.

Mas talvez o grande problema aqui seja exatamente esse, o de beber muito de outras animações anteriores e não conseguir trazer nada assim tão criativo ou original. Eu não sei se existe na realidade uma lenda de gênio dragão, mas continuamente meu cérebro acaba comparando ao Aladdin (1992) **** da Disney, como por exemplo o jeitão desbocado e caricato do gênio, no início temos o protagonista fazendo acrobacias pela cidade, é escolhido por ter um coração bom e puro, é encantado por uma donzela rica, o gênio não tem o poder de fazer ninguém se apaixonar, tem outros caras gananciosos atrás do bule de chá que traz o gênio.

Eu diria que o que rende melhores risadas é quando o gênio vai descobrindo sobre o mundo moderno – mas até isso é meio que uma “correção” de uma crítica que já fizeram ao gênio azul da Disney, que logo na apresentação já brinca com referências atuais da cultura moderna (principalmente norte-americana). Assim, é divertido ele descobrir sobre a água da privada, ou não acreditar que enfrentamos aquele trânsito todos os dias, além da ideia de príncipe que ele tem ser antiquada.

Funciona também alguns dos outros desejos em meio às cenas de ação, os cachorros e a perna comprida, o toque de Midas que vira contra o feiticeiro. Outro ponto positivo foi incluírem a origem do gênio e, na minha opinião, com uma conclusão bem satisfatória.

E o que isso tem a ver com budismo?

Acho que é a minha parte favorita, que o senhor que já foi um rico lorde na vida terrena não só precisa aprender o valor da família e dos amigos, mas conseguir ter esse amor ao próximo maior que si mesmo, a ponto de se sacrificar no lugar do outro, pensar primeiro na outra pessoa, tanto que a divindade lhe concede entrada pelos portões do paraíso com direito a fanfarra; mas como ele realmente aprendeu isso, prefere fazer um acordo, mesmo que isso signifique se prejudicar de certa forma.

Dentro do budismo japonês existem algumas figuras chamadas de bodhisattvas. Dizem que são seres que alcançaram o estado iluminado, como se já tivessem encontrado a salvação e não precisassem mais ter esta vida terrena. Contudo, eles preferem adiar sua ida ao mundo espiritual e ajudar para que mais uma pessoa consiga encontrar também essa “salvação”, libertação.

Esse momento do dragão obviamente me lembrou desse conceito de bodhisattva. E também que já ouvi falar que nós é que pedimos para nascer. Aliás, algo que também me lembra o final do filme “Matrix” (1999) ****, quando Neo já despertou e volta para libertar outros… Será que é verdade? Costumamos falar: “eu não pedi para nascer!” Mas e se tivermos mesmo a chance de nesta existência fazer algo por mais almas? É também por essa linha de pensamento que na escola budista que sigo o foco recai muito sobre as boas ações em prol do próximo, as ações altruístas. Quem sabe não seja assim mesmo e estejamos por aqui para isso?

Pompoko: a grande batalha dos guaxinins

(Heisei tanuki gassen ponpoko / 1994) **

Quando a Netflix teve que dispor das animações da Disney e incluiu em seu catálogo vários títulos dos estúdios Ghibli (pra mim, pelo menos, funcionou muito nesse sentido, compensou demais!), eu achei uma ótima ideia e uma grande oportunidade para ver mesmo aqueles que eu nunca tinha tido chance ou sequer ouvido falar.

Pra mim, Isao Takahata sempre foi o carinha dos filmes mais tristes e sérios, os mais marcantes foram “O conto da princesa Kaguya” (2013)*** e “Túmulo dos vagalumes” (1988)*** – devastador. E eis que este me aparece como uma grande comédia, apesar da moral explícita de preservação do meio ambiente. Aliás, creio que essa questão ambiental e de respeito à natureza seja a verve inerente do próprio “estúdio”, que sempre vai ter algo disso nas histórias e animações Ghibli.

Apesar de conseguir dar umas risadas aqui e ali, no entanto, me fica a impressão de que é um filme repleto da cultura japonesa e que um ocidental talvez não sinta tanta graça em ver. A animação foi até o candidato sugerido pelo Japão para o Oscar (na época, melhor filme estrangeiro, não havia ainda a categoria de animação).

Historinha: gosto dessa ideia geral, dos guaxinins quererem lutar pelas terras onde moram, que os humanos estão tomando para construir cidades.

(!) lembrando que este blog não acredita em spoilers. Mesmo sabendo do que vai acontecer na narrativa, talvez você tenha reações inesperadas…

Visualmente, é divertido desenharem os tanukis como são mais aos nossos olhos da vida real, em segredo cada um com uma personalidade bem definida e cartunísticos, até chegar por vezes ao ponto de traços tão simples e molóides dependendo do estado deles. E é bem divertido, depois que somos apresentados ao poder de metamorfose deles, ganharem a dinâmica aos nossos olhos de irem se transformando. Aliado a esse treinamento para dominarem a técnica de metamorfose, há o fato de quererem pregar peças nos humanos nessa “guerra” e para mim, essas foram as melhores partes. São diversas travessuras assombrando os humanos.

Sempre tem alguns pontos em comédia que eu não consigo acompanhar, e só digo que aqui o lado devasso não me causou tanto riso, incluindo toda a extensão dos seus sacos (testículos, literalmente!). Mas achei fofo mostrarem o início de um casal, ri quando não queriam matar todos os humanos, porque senão ficariam sem fast food. Só fico imaginando que as reuniões de criação devem ser muito loucas, ainda mais com uma das sequências mais notáveis, a da “parada” de seres sobrenaturais – a legenda traduziu alguns como goblins, mas tem de tudo ali: representações de fantasmas e divindades, figuras alegóricas, do folclore japonês, fantásticas, monstros lendários do imaginário das crianças no Japão… e quem for fã de Ghibli ainda pode pegar umas referências a outros filmes aparecendo por ali.

Porém, apesar da boa premissa, ficou um pouco arrastado e com partes desnecessárias. Talvez porque eles tenham sido muito diretos na mensagem que queriam passar, fica me parecendo que poderiam ter tido menos arcos e seria tão eficaz quanto, e eu particularmente prefiro quando uma obra deixa mais sugestões e as reflexões para o público do que um recado quebrando a quarta parede no final. Mas que a gente fica tristezinho vendo os tanukis roubando lixo, fica, e talvez seja mesmo esse sentimento que queriam causar…

E o que isso tem a ver com budismo?

Pois muito bem… vou apontar aqui seguindo pelo mais fácil, assim como fizeram no filme, um visual de referência direta. Em determinado momento, comentam como os homens são pequenos, que eles vão acabar percebendo isso ao se depararem com as metamorfoses sobrenaturais. E aparece bem explicitamente um Buda inclinado, com alguns assistentes, observando tudo.

Em outro momento do filme, um dos anciãos de longe junta alguns guaxinins que não conseguem se transformar e passam apenas a rezar, e claramente fazem uma oração que é famosa no Japão, de uma das escolas budistas mais populares, rezando para o Buda Amitaba (Amida Nyorai) – que inclusive também dá as caras na parada das criaturas fantásticas.

A tal parada praticamente acaba quando um dos velhinhos acaba morrendo, e vemos um Buda e seus assistentes levando sua alma.

Junto com essas e outras aparições – acredito que tenha mais, só não estou recordando agora – poderíamos pensar que os criadores são budistas, não? Mas no filme também temos representações xintoístas e eu diria que é uma mistura mesmo de várias crenças que existem para o povo japonês. O próprio fato das raposas e dos guaxinins se transformarem faz parte dessas crenças. Embora o budismo seja muito difundido no Japão, há várias ramificações, escolas e ordens diferentes. Inclusive, integram elementos do xintoísmo e outros da tradição japonesa.

Acho que uma reflexão que fica pelo lado budista é exatamente essa da lei da natureza, que tudo se transforma, e podemos passar por guerras, nos separar de entes queridos, termos que enfrentar a morte, e não adianta acreditar que só rezar vai adiantar. A prece envolve essa consciência e precisa vir acompanhada de ações e esforços.

Alexandre e o dia terrível, horrível, espantoso e horroroso

(Alexander and the terrible, horrible, no good, very bad day/ 2014)**

(!) Este blog não acredita em spoilers. Mesmo que você saiba tudo o que pode acontecer, ainda há possibilidades de risos aqui e ali.

Historinha: um menino deseja que seus familiares tenham um dia ruim no seu aniversário.

Como um bom filme dos estúdios do Mickey, para a família toda assistir, a produção e a parte técnica não tem muitas falhas e os acontecimentos que devem ser cômicos são bem previsíveis, com aquela moralzinha no final pra tocar nosso coração. A escolha de elenco foi boa e a dinâmica da família funciona; gostei que o menino faz um personagem que adora a Austrália e ele é mesmo de lá, e é engraçado como a Jennifer Garner parece ter realmente abraçado a maternidade e estar curtindo – por isso escolher esses papeis de mamãe? Pela Disney também ela fez uma mãe em “A estranha vida de Timothy Green” (2012) e um exemplo mais recente é o “Dia do sim” (2021) pela Netflix.

Não sei exatamente o que alteraram do livro em que foi baseado (escrito em 1972!), mas as coisas azaradas que acontecem com a família nem são tão ruins assim, eu acho, tipo o bebê com tinta verde (se bem que nem seria correto fazer um bebê sofrer muito, né!). Existem sim alguns furos, por que a mãe simplesmente não pega um táxi ou uber? Algumas situações previsíveis, o roteiro avisou pelo menos duas vezes que a menina que se apresentaria como Peter Pan não deveria beber tanto xarope. Mas mesmo sabendo que o rapaz ia falhar no teste de direção, a gente não sabia que ia dar tão ruim. Aliás, a gente sabe que apesar dos percalços tudo vai ficar bem no final, inclusive o emprego em games do pai interpretado pelo Steve Carell (sempre bem, claro).

O que mais apreciei no desenho de produção foi a festa com o tema australiano, realmente seria uma festa muito “da hora” me colocando no lugar do garoto. E quando menciono sem problemas de produção isso inclui até a canção “You can fly” da animação “As aventuras de Peter Pan” (1953) do próprio estúdio, que aliás, eu não sabia, nem na Broadway foi usada.

E do filme como um todo a parte que toca o coração não se saiu mal não, é legal ver o pai “extravasar” e o menino incentivá-lo apesar de achar que esse dia está amaldiçoado, perceber que com o apoio das pessoas que amamos, nós podemos superar.

E o que isso tem a ver com budismo?

Este filme traz um tema com que todos podem se identificar, o de viver um dia que parece muito ruim, de “azar”. Às vezes a gente se apega tanto a alguma coisa específica – e nesse dia apresentado a nós, todos os personagens pareciam ter que viver momentos importantíssimos para suas vidas, cada qual em seu momento. Porém, talvez não dependa do destino – sorte ou azar – e sim da nossa própria referência. As coisas ao redor não vão mudar porque a gente acha que tem, mas nós podemos mudar, e nós podemos mudar a forma como olhamos para ela. No final do dia, essa família ficou muito mais unida através dos percalços e alguns conseguiram perceber aqui ou ali algo maior (não vou contar o bebê, que aliás também é um acerto de casting, uma graça, e eram gêmeas na realidade!).

Da ordem budista que sigo, existe um ensinamento do mestre fundador que diz que não existe dia bom ou ruim se nós conseguirmos perceber a compaixão dos budas. Talvez um dia que aparentemente seja ruim, possa ser considerado bom em outros sentidos.

Ok, então vamos falar de Nomadland

Pois é, o Oscar passou e eu acabei não dedicando um post bonitinho para cada filme indicado a melhor filme do ano, mas vamos falar um pouquinho pelo menos do vencedor, vai.

Primeiramente, aviso que tenho uma estima a mais, por motivos bem pessoais, pelos road movies, ainda mais projetos como este, que compartilha experiências de pessoas reais e advoga um estilo mais livre de viver. Sim, eu vi “Na natureza selvagem” (Into the wild/2007)***, “Livre” (Wild / 2014)***, e tenho simpatia por certas quebras de padrões sociais. Houve tempos na minha vida em que eu gostaria de ter virado nômade, viajando pelo mundo afora, morando num trailer (na verdade, ainda considero essa aposentadoria, depois que minha filha se formar, quem sabe?)

Além disso, a diretora Chloé Zhao, tem a minha idade, é a primeira asiática e uma das poucas mulheres na história a levar um Oscar nessa categoria. Os pouquíssimos leitores deste blog já devem ter adivinhado que eu fiquei me imaginando lá, com um projeto bem meu, talvez lírico, com certeza incluindo cenas da natureza, como seria eu levar um Oscar, mesmo nesta altura da vida, hein? (e asiática, e mulher)

Puxa! Mas vamos lá.

Historinha: uma mulher abraça a vida nômade nos EUA.

O que mais gosto no roteiro, além da trajetória da personagem principal, que vai de uma mulher que perde certas condições materiais e enfrenta cada dia e trabalho por vez, muda, se liberta, é a inclusão dos relatos dos nômades na vida real. E a direção também trabalha muito bem assim, incorporando esses elementos numa montagem que combina bem os diferentes momentos e imagens para construir um pensamento e sensações de modo fluido.

Acho o máximo quando ela enfrenta o parente dizendo que é absurdo esse sistema em que passamos a vida inteira pra pagar por um imóvel que nem temos condições de ter – digo isso por experiência própria, de pais cujo sonho sempre foi ter casa própria e nunca conseguiram, e são um retrato de muitos brasileiros, creio eu.

Alguns estão nessa vida devido a crises econômicas, mas o relato que mais me marcou foi o da senhora que diz que já viveu tudo o que precisava e presenciou momentos únicos, belos e extraordinários. Me identifico, às vezes eu penso que não preciso viver mais nada. E como iríamos preferir morrer?

Na conclusão de sua trajetória compreendemos bem que, apesar de ter convites para habitar um local fixo, nossa protagonista prefira seguir esse outro caminho. Após visitar a casa de uma vida passada, numa cidade fantasma que existiu somente em prol de uma indústria, Fern claramente não pertence mais àquilo, existe todo um horizonte maior para o qual ela está livre para encarar.

Aliás, Frances McDormand também levou seu prêmio por melhor atriz, e não é que esteja mal, pelo contrário, me pareceu que é um papel tão natural a ela, que nem deu trabalho. As outras atuações nem sei bem o que é considerado ator, visto que a maioria está ali como si mesmo.

Outra curiosidade foi me surpreender em saber do trabalho na Amazon, que a Frances realmente se passou por uma das trabalhadoras lá. Até indaguei por que o filme não foi lançado pelo Amazon Prime, hehe.

E o que isso tem a ver com o budismo?

Como em todas as boas obras, sempre existe alguns vários pontos que eu poderia relacionar ao budismo, mas acabo focando em um ou outro.

Não sei exatamente por quê, mas desde bem jovem eu associava o budismo ao desapego, principalmente material. Que, é claro, precisamos de um mínimo para viver bem, mas não demais, que o lado material não é o mais importante. Talvez isso se deva ao conceito budista de impermanência, de que tudo muda, constantemente.

Calma, não vou defender que todos deveriam se tornar nômades e desapegar de vez dessa vida padrão consumista (casa dos sonhos, carro do ano, roupas e itens que nem vamos usar…). Simplesmente, o que me parece ser mais presente aqui é a questão do livre arbítrio. No budismo não falamos em castigo, punição. Sim, existe um tal de carma, mas não é algo que lhe prenda a ponto de saber como o mundo foi criado e qual sua única missão na Terra. Todos nós temos escolhas e somos livres para seguir por um caminho ou por outro.

Talvez o que devamos nos perguntar é como podemos seguir nesta estrada de vida aprendendo a apreciar cada dia, porque nada é “para sempre” nesta terra. Quando você estiver próximo da morte, ao final de sua trajetória por aqui, quais escolhas terão feito sentido? O que realmente vai ficar, vai ter importado?

Raya e o último dragão

(Raya and the last dragon / 2021) ***

Historinha: uma princesa precisa reunir as partes de uma pedra mágica para restabelecer um mundo harmonioso trazendo de volta entes queridos, com a ajuda da amiga draga (dragoa?)

(!) Este blog não acredita em spoilers! Uma coisa é saber o que vai acontecer com esse roteiro clichê, outra é mesmo assim se surpreender, se pegar emocionado, além de deslumbrado com o visual.

É, depois de um tempo vendo filmes, nós nos acostumamos a certos tipos de roteiro, né, e já sabia que a menina ia ser traída naquele momento, e até que ao final teríamos dragões… entre outros furos de roteiro, tudo bem, porque é uma aventura tão honesta e envolvente que a gente se deixa levar.

Gostei desse desenho de produção, com os diferentes conceitos para cada área como um video-game de diferentes fases, mas aproveitando o tema – como o fato dos druuns não sobreviverem à água, então os locais são adaptados a isso e a inspiração no sudeste asiático; o tatu-bola “tuk tuk” como meio de locomoção (e eu ri mesmo ao ver como ele tinha crescido!) ficou ótimo. As luzes e tonalidades são bem distintas e encanta os efeitos dos dragões pisando no céu.

Eles conseguiram seus próprios pinguins de Madagascar nas figuras da bebê e dos macaquinhos, e a aparência de dragão casou muito bem com a que deu sua voz original (Akwafina). Dos diferentes personagens, me comove o grandalhão que foi o último a sobrar de toda a sua tribo (pensem só!). Apesar de baterem repetidamente na tecla de saber confiar, não é que realmente me peguei desprevenida em lágrimas ao final? O final pode ser um feliz tradicional, mas é aquele conforto Disney de afago no coração.

E o que isso tem a ver com budismo?

Não sei se vocês sabem, mas dentro da história do Buda, existem vários momentos que seriam como lendas, envoltos por certos elementos mágicos e incluindo alguma metáfora nisso. Um desses momentos é o próprio nascimento do Buda neste mundo, dizem que o Rei Dragão fez chover água doce e quente dos céus, além de outros fenômenos que marcam esse acontecimento.

E não é que um dos dragões irmãos da Sisu tem o poder de trazer chuva? Aliás, no seu design creio que aquele topete seja inspirado na flor de lótus fechada (uma flor símbolo do budismo) – ou será que foi viagem minha?

Fato é que dentro do budismo uma das grandes celebrações do ano é o nascimento, que lembramos no início de Abril – e vejam só, bem nessa época, para os cristãos, celebra-se a Páscoa, que também traz a ideia de renascimento, não? Acho muito interessante essas “coincidências”.

No filme, essa aventura toda é para renascer, de certa forma, para um mundo com mais união apesar das diferenças, mais amor e harmonia.

Para a ordem budista que sigo também, o tempo do nascimento do Buda é para nós nos inspirarmos, pensarmos em como podemos nos desapegar de algo (que pode sim ser nosso orgulho próprio ou até alguma descrença) e “renascer” espiritualmente…

93rd Academy Awards

(Este post foi atualizado após a festa do Oscar 2021, deste domingão 25 de abril. Os vencedores e alguns comentários estão na cor azul)

Afinal, como é que ficou a minha lista, hein? Este ano, pela primeira vez pretendo acompanhar além do twitter uma live pelo YouTube, vamos ver como vai ser isso – com alguns anos de atraso, como contei um pouquinho neste post, finalmente descobri que gosto de pegar um dia da semana para ver alguns vídeos nessa plataforma; principalmente com a gravidez e a maternidade (e mais tempo em casa) comecei a usar para procurar informações e nem sempre a gente está disposto (após um dia exaustivo com um baby, por exemplo…) a ler algo, ou apenas estamos fazendo alguma outra coisa enquanto ouvimos (o que aliás me faz pensar no papel da TV que foi substituída pelas atarefadas domésticas nesse sentido?).

Bem, desculpem as eternas divagações à parte. Apenas relembrando: sublinhados são os meus votos, dados por um motivo ou por outro (por exemplo, figurino e maquiagem são pelo melhor filme, nem tanto pelo melhor trabalho da lista). NÃO são as apostas de quem vai ganhar… nem sempre minha opinião combina com a dos votantes reais ;) Bom Oscar para todos, daqui a pouquinho.

Melhor documentário de curta-metragem

Collete(considerei como possível ganhador, tratando da guerra, drama sentimental, disponível no YouTube)

A concerto is a conversation

“Do not split”

“Hunger ward”

“Uma canção para Natasha”

Melhor documentário

(deve levar “Professor Polvo”)

Colective

“Crip camp”

“The mole agent”

Professor Polvo”

“Time”

Melhor curta-metragem em live action

Feeling through

“The letter room'”

“The present”

Dois estranhos(já imaginava, fácil de encontrar e tema relevante nesse ano cujo caso de George Floyd foi bem importante, como a própria Regina King comentou na abertura)

“White Eye”

Melhor filme internacional

(deve levar “Druk”)

Druk – Mais uma rodada” (Dinamarca)

“Shaonian de ni” (Hong Kong)

“Colective” (Romênia)

“O homem que vendeu sua pele” (Tunísia)

Quo vadis, Aida?” (Bósnia e Herzegovina)

Melhor curta de animação

“Burrow”

“Genius Loci”

If anything happens I love you

“Opera”

“Yes people”

Melhor animação

(não tem pra mais ninguém, será “Soul”)

“Dois irmãos: Uma jornada fantástica”

“A caminho da lua”

“Shaun, o Carneiro: O Filme – A fazenda contra-ataca”

Soul

“Wolfwalkers”

Melhor roteiro original

“Judas e o Messias negro”

“Minari”

Bela vingança

“O som do silêncio”

“Os 7 de Chicago”

Melhor roteiro adaptado

“Borat: fita de cinema seguinte”

Meu pai

“Nomadland”

“Uma noite em Miami”

“O tigre branco”

Melhor design de produção

(creio que leve “Mank”)

“Meu pai”

“A voz suprema do blues”

Mank

“Relatos do mundo”

Tenet

Melhor figurino

“Emma”

A voz suprema do blues

“Mank”

“Mulan”

“Pinóquio”

Maquiagem e cabelo

“Emma”

“Era uma vez um sonho”

A voz suprema do blues

“Mank”

“Pinóquio”

Melhor fotografia

“Judas e o messias negro”

Mank

“Relatos do mundo”

Nomadland

“Os 7 de Chicago”

Melhor som

“Greyhound: Na mira do inimigo”

“Mank”

“Relatos do mundo”

“Soul”

O som do silêncio

Canção original

Fight for you” – “Judas e o messias negro”

“Hear my voice” – “Os 7 de Chicago”

Husa’vik” – “Festival Eurovision da Canção: A saga de Sigrit e Lars”

“Io sì” – “Rosa e Momo”

“Speak now” – “Uma noite em Miami”

Melhor trilha sonora

“Destacamento blood”

“Mank”

“Minari”

“Relatos do mundo”

Soul

Melhor edição

(pode levar “O som do silêncio”)

Meu pai

“Nomadland”

“Bela vingança”

O som do silêncio

“Os 7 de Chicago”

Efeitos visuais

(deve levar “Tenet”)

Amor e Monstros

“O céu da meia-noite”

“Mulan”

“O grande Ivan”

Tenet

Melhor atriz coadjuvante

Maria Bakalova – “Borat: fita de cinema seguinte”

Glenn Close – “Era uma vez um sonho”

Olivia Colman – “Meu pai”

Amanda Seyfried – “Mank”

Yuh-Jung Youn – “Minari”

Melhor ator coadjuvante

Sacha Baron Cohen – “Os 7 de Chicago”

Daniel Kaluuya – “Judas e o messias negro”

Leslie Odom Jr. – “Uma noite em Miami”

Paul Raci – “O som do silêncio”

Lakeith Stanfield – “Judas e o messias negro”

Melhor atriz

(deve levar a Viola)

Viola Davis – “A voz suprema do blues”

Andra Day – “Estados Unidos Vs Billie Holiday”

Vanessa Kirby – “Pieces of a woman”

Frances McDormand – “Nomadland”

Carey Mulligan – “Bela vingança”

Melhor ator

(devem dar o prêmio póstumo)

Riz Ahmed – “O som do silêncio”

Chadwick Boseman – “A voz suprema do blues”

Anthony Hopkins – “Meu pai”

Gary Oldman – “Mank”

Steve Yeun – “Minari”

Melhor direção

Thomas Vinterberg – “Druk – Mais uma rodada”

David Fincher – “Mank”

Lee Isaac Chung – “Minari”

Chloé Zhao – “Nomadland”

Emerald Fennell – “Bela vingança”

Melhor filme

(se “Minari” ou “O som do silêncio” correrem por fora e ganharem, não vou ficar triste não)

8 – “Meu pai”

7 – “Nomadland

6 – “Minari”

5 – “O som do silêncio”

4 – “Judas e o messias negro”

3 – “Mank”

2 – “Bela vingança”

1 – “Os 7 de Chicago”

Xenti, se eu tivesse participado de bolão este ano, eu acho que teria ganhado, hein? Porque eu teria errado só 3 (Fotografia, Melhor canção e Melhor atriz) nas apostas. Realmente credito isso a ter visto muito mais coisa este ano do que praticamente todos os outros anos.

Mas e a festa em sim, hein? O que vocês acharam das ambições do Soderbergh, que queria dar uma cara mais de filme e deixou o povo dar os discursos à vontade, sem serem cortados? (Comentaristas da TNT tavam até dizendo que isso foi culpa do DJ, haha coitado, eu só dei risada!) Pra mim, quando começou, eu fiquei até animadinha sabe? Vendo a Regina King desfilando com desenvoltura e os “créditos” na tela… mas daí, bem, acho que tentaram usar a luz e caprichar na fotografia, só que não empolgou tanto não. Até a “montagem” querendo surpreender ali no final – quase todo mundo já sabia quem ganharia direção e filme, as surpresas poderiam (e foram!) ser nessas categorias de atores, então tentaram fazer essa inversão pro clímax. Pra mim, não funcionou, né gente. O maior prêmio é o de filme e pronto.

Até que não ficou tão ruim o pessoal nos outros países, nem sabia daquele negócio que o Bryan Cranston apresentou, queria ter visto todas as apresentações de melhor canção no pré-show (ei, TNT, dá um jeito aí no futuro, mostraram só alguns trechinhos), adorei o vestido cisne negro da Laura Dern quase imitando Bjork, honestamente acho que se colocaram o povo em mesinhas deveria ter comes e bebes imitando o Globo de Ouro, pra mim Daniel Kaluya tava meio chapado (incluindo o meme instantâneo da reação da mãe), nem achei ruim Thomas Vinterberg homenagear a filha emocionado, tô ficando velha e quase não consegui acompanhar os nomes no In Memorian, uma graça a vovozinha de Minari corrigindo Brad Pitt, e a Frances Mcdormand uivando?, e é a primeira diretora asiática a ganhar Oscar, e o Anthony Hopkins certo de que não ganharia, por isso não estava lá, mas fez questão de lembrar com respeito o eterno Pantera Negra? – mas não teve jeito não. O Oscar 2021 será lembrado como aquele da rebolada da Glenn Close ao som de “Da butt” (ou será o pior final de Oscar de todos os tempos?)

P.S. não deu muito certo eu ver a live não… não consigo prestar atenção aos dois, ao mesmo tempo! Tá de bom tamanho ver alguns tuítes nos intervalos, prefiro ver o que falam os apresentadores e os discursos, sou velha assim. Mâs! Eu vi uma live pós-Oscar no canal do Super Oito (Otavio Ugá), junto do PH Santos e Daleno que até que gostei viu, dava até pra ganhar desconto no Mac n’cheese da Sadia – o meu favorito é o de bacon.