Um caminho de volta – ao contentamento descontente

E deitou-se. Deixou-se. Os músculos do corpo ainda doloridos. Olhava para o teto. E por aquele momento, somente por um segundo, lembrou dela. Por que ainda pensava nela? Depois de todos aqueles anos?

De repente (na verdade, de tempos em tempos era algo que acontecia, involuntariamente), crescia dentro do peito aquela coisa enorme… a saudade. Perguntou-se como teria sido se estivesse ao seu lado naquele instante, naquele lugar envolto pela natureza. Indagou se ela havia mudado. Quer dizer, dificilmente o ser humano muda, mas ele próprio já tivera passado por tanta coisa. É claro que muitas das coisinhas chatas (aqueles defeitinhos adoráveis) perdurariam. Mas. Será que depois de tudo que tinham passado… e depois de todos aqueles livros de autoajuda que ela lera, será que alguma coisa não havia mudado?

Será que ela não teria compreendido que ele não queria nada além? Que ela não precisava ser melhor que suas amigas, que ela não precisava ser mais inteligente que ele, que ela não precisava, simplesmente. Será que ela não teria desejado voltar no tempo e ter ficado contente? Não, não o conformismo, como alguns poderiam taxar. Mas apenas contentamento. Ter se contentado, ser contente. Por ter alguém especial na sua vida.

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Será que ela não teria percebido, afinal, que ele só precisava do sorriso dela? Da sua admiração. Que não era desafio, que não estava pedindo ou exigindo mais. Só precisava de sua companhia, do alguém ao seu lado. E se ela estivesse feliz só por isso, ele também estaria. Será que ela não teria percebido que ele gostava dela, mesmo sem saber demonstrar?

E ele já tinha vivido o que poderia chamar de melhores anos da vida. Tinha vivido tudo o que esperava viver e não tinha, neste interim, encontrado o algo a mais que um dia acreditou desejar. E na verdade, já não importava mais. Tinha encontrado tantas pessoas, e visto tantas coisas, e vivido. E, puxa! Dentre todas aquelas mulheres maravilhosas, não fazia sentido, mas queria tanto compartilhar essas histórias com ela. Como o Jerry Maguire, percebeu que era só aquela garota com quem queria dividir o momento.

Mesmo não sendo super apaixonado, como mandam os filmes de Hollywood. E brigariam por várias razões, sim, sabia disso. Mas sempre gostaria dela, sabia disso. Pois é assim mesmo, um contentamento descontente.

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