Nunca vou fazer cinema ou Virando monge

“Não consigo pagar sozinho” mais uma nota de 50 reais – pra pagar uma conta de 550, detalhe que a conta já tinha vencido no dia anterior. E eu faço o quê? Eu fico com dor de cabeça, eu tenho vontade de chorar, eu desisto de tudo mais uma vez.

Eu NUNCA vou fazer cinema. Alguns amigos já devem ter notado a desistência desde já há alguns anos.

É assim que funciona o carma. Às vezes não temos virtudes ou méritos suficientes para fazermos algo na vida, porque as influências do passado são grandes demais para ultrapassarmos. No caso, o carma financeiro dos meus pais (um ciclo de dívidas sem fim e inaptidão para se estabilizarem) reincide sobre mim, impossibilitando que eu faça o que eu quero. E entregar tudo na mão da sorte (neste caso, uma bolsa de 100%) dificilmente dá resultados.

Hoje de manhã o que eu pensava era: “devia ter feito cinema. Devia tê-los feito pagar, porque na época podiam. Agora vou ter que prestar concurso pra poder sustentar a casa toda e de nada vai adiantar eu ter feito qualquer faculdade. Pelo menos eu teria os anos de cinema pra me consolar”. E hoje de tardezinha eu pensei: “é como virar monge mesmo. Abdicar de tudo, de qualquer desejo, viver em prol do próximo”. E vai ser assim. Só comer coisas simples (o carma da diabete me compele), vestir roupas simples, limpar a casa e a alma, exercitar o corpo, agradecer pela natureza e esquecer de qualquer desejo mundano (desde um marido até as superficialidades para o ego). Não lhe parece? Uma perfeita vida de monge?

O paradoxo é ter que sair do templo pra abraçar esta vida. É que, senão, não consigo sustentar a família. Não sei se alguma alma a ler este post vai compreender realmente. A maioria das pessoas que conheço tem pais que conseguem pagar suas contas, os jovens trabalham, mas o dinheiro é só pra si, e não para pagar o aluguel ou tentar ajudar numa compra de mercado pra uma família de 5. Podem comprar suas coisinhas, fazer o que quiserem e, às vezes, ainda tem uma ajudinha. Sei também que muitos não têm isso, saem de casa pra fazer a vida (ou perdê-la).

Talvez, ser um monge inserido na sociedade seja ainda mais difícil – exatamente por existir a comparação e porque ninguém o vê como monge, apenas como outra pessoa normal. Ninguém percebe como é difícil escolher, mudar, não é explícito e óbvio, parece um ato pequeno. Mas, ainda assim, constitui um ato grandioso – pois vai na corrente da evolução, propósito final ao qual acredito servir a existência de cada um aqui. Então este é meu treinamento para evoluir…

O texto tá grande, eu sei. Já descrevera no Aviso anterior, né? Séries de desabafos, na curva da melancolia.

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