Japão – Passos e mais passos

Vou confessar algo aqui que muitos não sabem. No início do ano eu pensei seriamente em deixar meu serviço no templo, sentindo que não servia pra isso. Agregando outros motivos, instaurou-se neste ano todo um conflito interno, de fé, de reafirmação pessoal.

E então recebo essa oportunidade de ir para o Japão novamente – e não só isso. Em 20 dias eu poderia visitar os 3 templos mais importantes para nossa ordem no Japão (Yamanashi, Yuon, Oyasono); e estaria lá para cerimônias importantes. Perguntei-me diversas vezes “Por que eu?”. Eu não sentia que merecia tudo aquilo, no entanto, parecia até que os céus me chacoalhavam, ralhando: “não importa o que você acha, nós acreditamos em você e a aceitamos do jeito que é, por mais que você mesma não acredite”.

Nesta parte da jornada, começa o meu treinamento. Como funcionária do templo em intercâmbio por lá, ou caminhando e pensando, em treinamento espiritual, pedindo por uma luz na minha mente e coração. “Rezar”.

05/10 (qua) – Acompanho a Neusa até o ponto do ônibus para o aeroporto. É o fim da aventura dela e início de outra jornada pra mim. Tenho o JR Pass, que dá direito a todos os trens da linha JR, por 7 dias – você pode ir de Hokkaido a Kyushu, se quiser. Primeira vez em trem-bala e 3 horas depois chego em Osaka. Deixo a mochila em armários (todas as estações têm) e vou passear.

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(Frapuccino de chá verde)

Mas é um dia triste. Chuviscando… Mesmo assim arrisco o observatório do Jardim Flutuante no edifício Umeda Sky. Quando aquele elevador vai subindo dá um frio na barriga de verdade! E eles criaram todo um conceito de futuro, a exposição apresenta construções que sobem ao céu…

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Dalí, queria andar pela orla e ver a tela Imax – que está fechada! Fui até o Museu do Mar pra descobrir isso, e o passeio teria sido agradável – mas imagine você andando sob vento forte e chuva. Tem que ter espírito aventureiro, hein.

Pego o trem para o Mercado Tempozan, que fica do lado de uma roda gigante enorme. E ali perto tem o Aquário de Osaka. Eu já estava tão frustrada com aquele tempo lá fora que a ideia de andar por um lugar aconchegante, admirando toda a exuberância da vida sob os oceanos, me fez gastar um pouco mais e me deixar sentar ali no azul.

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Já de noite, foi quando cheguei a Dotonbori, famosa avenida de Osaka paralela ao canal. Tudo muito louco, restaurantes com fachadas enormes apelativas. Adorei, agora sim me senti na cidade que eu sempre via pela TV. Nem percebi se tinha alguém da Yakuza por ali – acho que não, né, lugar de turista.

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06/10 – ainda tinha me perdido à noite pra encontrar o hotel em Shin-osaka. Super cansada, só tomei banho, dormi e acessei a internet de manhã. Este é o dia em que vou para a sessão de meditação para elevação espiritual. Foi fácil chegar no templo de Yuon, com as instruções que já tinham me dado. E o templo é enooorme! Muito maior do que eu tinha pensado. Como eu já tinha imaginado, não consegui a elevação. Chorei horrores, uma tradutora me mostrou as principais salas do templo – fiquei impressionada mesmo.

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Eu já tinha decidido aproveitar meu passe e fiz o cálculo de horas. Precisava ir pra algum lugar, andar, ver paisagens pela janelinha do trem pra respirar e tentar refletir um pouco. Mais umas 3 horas de viagem e eu cheguei em Hiroshima.

Naquele mesmo dia 06, mas em outro mês e ano, aquela cidade tinha sofrido o ataque da bomba atômica e milhares sofreram depois também. Fui, ofereci minhas preces, toquei o sino da paz, visitei o Cenotáfio, a Cúpula, o monumento das crianças. Refleti sobre meus ancestrais e como o mundo precisa mesmo se lembrar sempre de que precisamos de paz.

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Acho que essa foi a visita mais bonita que fiz, e a cidade ainda opera uns bondinhos que são um charme. Mas a volta não foi tão simples… e sabe quando tudo dá errado (de novo)? O trem voltando para Tachikawa deu problema e fiquei muuuito tempo parada, esperando a situação normalizar. Ainda bem que tinha Mac 24h no caminho (aliás, por que Mac no Japão é mais barato que no Brasil?). Cheguei exausta às 1h da manhã no apartamento para funcionários da S.en.

07/10 – acordando cedo, porque é meu primeiro dia de treinamento na secretaria. Conversei um bom tempo com Nishigaya, uma senhorita que nos ajuda no que precisarmos durante nossa estadia. Ela conta como já teve problemas de depressão e como foi difícil no escritório do templo pra ela também. Pude dar uma organizada em algumas coisas pendentes, e como era bom comer de novo no refeitório pra funcionários! (comidinha boa e barata)

08/10 – teve cerimônia de manhã para a Guardiã Celeste, eu fui ajudar com leitura em português e encontrei com a Ildy, médium brasileira que mora no Japão. Depois do almoço houve uma sessão de meditação com 2 líderes de outras religiões, do Sufismo e do Hinduísmo. Foi bastante interessante, embora eu não tenha me concentrado muito – e ainda continuo achando a meditação da S.en melhor, pois nos oferece palavras pra praticarmos no dia-a-dia.

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09/10 – eu pedi este dia de folga pra aproveitar o JR Pass! Só que eu estava tão cansada de todas as atividades dos últimos dias que dormi até umas 10h – sonho bom :) Mas parte dos planos eu consegui realizar. Queria visitar melhor Tóquio (uma das maiores cidades do mundo, tem muita coisa pra ver) e fui até o Palácio Imperial. Primeiro visitei os Jardim Oriental, a parte da muralha do antigo castelo de Edo, Ninomaru é relaxante, exuberante e inspirador.

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Depois andei até a frente do castelo onde mora o imperador hoje, e enfim caminhei pelas avenidas até o Fórum Internacional.

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Nem tinha almoçado, então me deliciei com alguns pães inusitados e fui pegar o trem.
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Desci por uma ruazinha até o templo de Zojoji, queria chegar até a Tokyo Tower. E cheguei. Final de tarde, já iluminada, lindo. E embaixo da torre tem um monte de lojinhas, vários turistas, restaurantes diversos, maquete dos tempos antigos e fotos da história de construção da torre.

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10/10 – um feriado nacional em que também era folga no templo. Último dia de JR Pass e lá vou eu tentar ver o máximo que consigo? Bem, antes eu tenho que lavar as bocas de fogão (eu nem cozinho ou pretendia cozinhar, mas já tinham deixado separado e pedido pra mim, então…). Fiquei esfregando aquilo por mais de 1h, mas sabe que foi bom – lavando também a alma, até com choro que tava ali engolido e precisava sair.
Ginza! O distrito mais francês de Tóquio. Meu almoço foi no Mos Burger, com hambúrguer de camarão e soda de uvas brancas (chique, eu, né?).

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(filial da francesa Printemps)

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Andei até onde deveria ter um famoso teatro de Kabuki, mas estavam em construção. Dei uma parada no famoso cruzamento do tradicional relógio de Ginza e do prédio de vidro. Várias pessoas tirando fotos da Apple Store e… tem um restaurante Maxim’s de Paris no prédio da Sony! ^^

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Minha próxima parada é Shibuya. Tem a estátua do Hachiko, daquele filme… Aliás, eles têm a saída da estação de trem chamada Hachiko e até o ônibus do Hachiko, pintado com o cãozinho e algumas patinhas. Andei bastante pelo bairro, lugar de entretenimento jovem, cinemas, lojas engraçadas, tem Tower Records também – ô vontade de comprar o álbum novo do Wilco em destaque. A foto da mão do MJ vai pra minha amiga que é fã e diz que no Japão tem muito mais coisa dele – tem mesmo, né?

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(O primeiro cartaz a partir da direita é o “Tantan” = “Tintin”. Pergunte a um professor de japonês por que eles mudaram o nome…)

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(Entrei neste bar quando vi a bandeira do Brasil… o dono me contou que é japonês, mas iam fazer um festival de cinema brasileiro ali! =)

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(Precisando de energia?)

Ando, ando, ando… fui até Yoyogi, queria ver os estádios olímpicos, de 1964. Passando pelo parque, andei até a estação de Harajuku, onde temos a Takeshita-dori, uma alameda de lojas loucas e muito fashions.

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E ainda teve Shinjuku, hein? Ufa. Procurando pelos cinemas… não encontrei nada assim interessante. Tinha sim várias daquelas casas que oferecem “companhias” para os homens que trabalham demais…

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(Restaurante com os peixes e frutos do mar à mostra, vc escolhe e eles preparam na hora)

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(E como resistir, depois de andar o dia todo vendo creperias por todo lado? Este é com sorvete de menta e pedaços de chocolate)

Continua no próximo post…

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2 respostas para “Japão – Passos e mais passos”

    1. Sim! Pensei em vc e viu no flickr? O pão da novela do Takuya… tirei pra vc também! hehe

      Sim, todas as fotos são do celular – posso dizer que prefiro tirar fotos espontâneas, porque vão refletir melhor o “calor do momento”. Ou… simplesmente te dizer que é preguiça.

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