Jantar romântico & Amor por telepatia

– Tá, vamos recapitular tudo antes dessa conversa.

– Sério?

– Salada verde, a globalização que nos permite este vinho do Chile, boa safra. O que você achou da mesa?

– Linda, Leo. A mesa tá linda, a toalha, as velas…

– 250 gramas de bacon em cubos, frito no azeite. Ovo batido com queijo parmesão ralado e pimenta do reino. Macarrão al dente escorrido.

– Você coloca o macarrão, o ovo, mistura com creme de leite e o bacon. E pode salpicar salsinha.

Et voilá! Carbonara à la D. Espetacular. E você achou que teria um jeito melhor de celebrar meu aniversário?

– Ah, sei lá. Talvez você quisesse estar em outro lugar. Não sei, uma balada, mulheres peitudas e bundudas, falsificadas por rímel e rouge.

– E trocar esta noite maravilhosa? O perfume das flores, a brisa, o céu limpo, esta lua cheia…

(Ela ri, com gosto)

– E você quer falar disso mesmo? Interromper esta noite maravilhosa, tem certeza? Bem, vá em frente. Eu já tomei taças de vinho suficiente.

– É, é assim. Tem essa cantora brasileira chamada Rita Lee, ela canta “a gente faz amor por telepatia…”

– D, tem um outro nome pra isso. É “masturbação”.

(D se deixa encostar na cadeira, amuada. Olhos pra cima)

– Tá, desculpa, desculpa. Continua.

– Então… Bem. Você já deve ter lido algum artigo por aí, sobre viagem astral ou algo assim.

– Eu acho que são só estímulos cerebrais, na boa.

– Pois eu acredito. Os corpos físicos ficaram onde tinham que ficar, mas nenhum cientista conseguiu desvendar tudo que nossa mente pode fazer. E chamem do que quiser, inconsciente, alma… nós fizemos essa viagem. Naquela noite.

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– É porque nosso pensamento está muito ligado um ao outro, e nós temos todos esses pontos em comum pelos quais a gente se conecta, vivemos tempos semelhantes…

– Nós viajamos e nós fizemos amor por telepatia. Naquele lugar entre nuvens coloridas, estrelas de galáxias e universos que nenhum homem conhece. Os corpos unidos em um só, sem saber onde um começava e o outro terminava, num fluxo de luz, numa coisa que poderia criar água e terra, vida – mas ainda assim, éramos apenas um grão de areia, diante daquela vastidão. Mas ainda assim éramos essenciais, dois em um, expandindo as ondas e vibrações de amor, a música e a poesia naquilo que é intocável, éramos pó cósmico dançante.

(Pausa)

.

.

.

(Leo olha pro canto da tela)

– Você tem certeza de que isso vai dar certo? Da gente dormir junto?

– Claro que sim. Pela manhã, você vai abrir os olhos e me ver, eu vou estar ali, do seu lado. Eu já li isso em algum lugar, de pessoas que fizeram isso.

– Eu não sei se essa bateria dura, hein?

– Como assim? Você já não tinha preparado tudo?

– É, mas… nunca fiz isso. E não sei mexer direito no Skype.

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