O dia em que desisti do amor (daquele)

Cansei. Cansei de ficar correndo atrás. Aquela sensação de não ter amigos, de novo. Eu devo ser uma pessoa muito chata mesmo. E faz sentido. Se sou chata, ninguém quer estar perto, fico sozinha.

Mas, sabe, não é minha culpa. Sou uma pessoa introspectiva. Lia um artigo sobre isso. Muitos dos grandes escritores eram introspectivos. Alguns, solitários e sozinhos. Não estou dizendo que serei uma grande escritora, mas que existem pessoas por aí que são assim. Simplesmente assim, é de sua natureza. Podem tentar mudar um pouco, mas é sua natureza.

E fazer o quê? Só me resta aceitar. Como meus mestres espirituais indicam, ser feliz apesar de. Encontrar a felicidade na adversidade. Já tentei mudar, não deu, tenho que aceitar que sou sozinha, nasci pra ser sozinha.

– Tudo bem, vai (tira o óculos, deixa de lado o jornal). Porque você não tem TPM, como as mulheres normais, né. Não é tensão pré-menstrual, é depressão pré-menstrual.

(um gole de café) Eu desisto, E. Desisti.

– Ah é, é?

Simples assim.

– Desculpa, mas você não foi treinada pra chegar até aqui e desistir.

Outro dia eu relembrava os casos antigos… sempre acredito que encontrei a alma gêmea. E depois, num futuro, vejo que não tinha nada a ver.

– E você duvidou.

Sua dúvida me fez duvidar.

– E as coincidências?

Falando em coincidências, não é a primeira vez que te vejo encenar algo a ver com a gente. Lembra da nossa história, E?

– Claro que sim. O amor velado, um dos casos de amor secreto mais conhecidos em Hollywood. Nós não poderíamos ficar juntos a princípio.

Eu não poderia ficar com você. Como uma covarde.

– Eu não ficaria com você, como um covarde. Trabalharíamos juntos, nos tornaríamos grandes amigos, você me ouviria, confidente, compreenderia e relevaria minhas fraquezas, me apoiaria e estaria lá, ao meu lado.

Eu o veria com várias garotas diferentes. E o amaria profundamente, silenciosamente, sempre.

– Eu procuraria por algo inatingível, sabendo, no fundo, que eu te amaria, sempre. Nós ficaríamos juntos, eventualmente. E viveríamos juntos. E morreríamos juntos.

( )

– E agora você vem e me diz que desiste? E os sinais, e as coincidências? E a fé, a inspiração dos seus mestres espirituais, perseverar inabalável, não desistir?

Deixa eu falar.

Eu desisto porque o encontrei.

Eu desisto porque ele me lembra de tudo que já evoluí.

Eu desisto porque eu já vivi a paixão, o amor egoísta, inconstante, ilusório. E este é outro amor.

Eu desisto porque, desta vez, eu quero persistir e não desistir.

Eu desisto porque este outro amor é a felicidade permanente – entre a adversidade.

Eu desisto porque eu quero respeitá-lo, deixá-lo ir e tentar ser feliz. Mesmo que doa na minha alma. Porque sei que é o grande amor da minha vida, sempre o amarei, independente de mim, do mundo, do momento, das circunstâncias.

Eu desisto porque eu acredito, mais do que nunca.

Eu desisto de procurar, de esperar.

Eu desisto porque é tudo o que sempre quis encontrar, o que sempre precisei, e não existe mais ninguém, não há nada mais a querer, a desejar.

Eu desisto por tudo o que já vivi, porque o encontrei e meu coração está em paz.

 

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