(ou: enquanto as notas não se arranjam)

Então foi assim: eu perdi a retrospectiva de Truffaut; meu avô se foi desta existência terrena e eu quis ver filmes metafísicos, mas acabei vendo um monte de comédias românticas; eu fiz curso e comprei livro, pro cinema me ressuscitar um pouco, mas  não fiz nada o mês de Maio inteiro; eu não consegui ver nem George Harrison nem Gainsbourg no In-Edit; Ray Bradbury me lembrou que gosto de ficção científica; e subverti minha imaginação de final de novela para Avenida Brasil (onde o lixão nunca foi tão lindo): e se as mulheres do Cadinho percebessem que podem ser felizes amando um cara e aceitando que ele ame outras, trocando-o pelo Jorginho, e a Nina acabasse junto com o Tufão transformando a reciclagem no Brasil, fazendo comida pra crianças carentes e roubando tudo da Carminha, em uma risada maléfica?

Bem, eu prometi a mim mesma que não ia ficar perdendo tempo vendo qualquer filme – até porque eu sou pobre. E ainda não comecei o desafio de escrever notas num caderninho. Mas… como este blog é para o bem da minha frágil memória, pra não dizer que não falei dos filmes…

1) Comédias românticas

larsandtherealgirl
A garota ideal ***

(Lars and the real girl / 2007)

História: um rapaz intocável fica noivo de uma boneca inflável.

:D: tá, não é bem comédia romântica. Mas a gente dá umas risadas com a Bianca, brasileira e de cadeiras de roda. A cidadezinha toda ajudando o rapaz toca o coração.

Toda forma de amor (Beginners / 2010) **

:D: Ewan McGregor redescobre o pai vivendo singelas loucurinhas com uma francesinha. Christopher Plummer é um cara divertido, vai.

Pegar e largar (Catch and release / 2006) *

:D: Jennifer Garner descobrindo que o falecido tinha outra mulher e filho, todo mundo é apaixonado por ela, o problema não é ser previsível, o problema é ser  e… chato.

Procura-se um amor que goste de cachorros (Must love dogs / 2005) **

:D: Diane Lane é a divorciada cuja família torce pra que ela arranje outro amor, John Cusack deveria ser um charme. Eu já falei que Christopher Plummer é divertido? Aqui ele é um galanteador poeta.

A feiticeira (Bewitched / 2005) **

:D: Acho que a Nora Ephron jogou um feitiço em mim, porque eu até acho seus filmes bem adoráveis. Inclusive este, que ninguém gosta. Sei lá, acho que é o passeio pelo estúdio, são algumas cenas que eu mesma queria fazer, é o Jason Schwartzman e o Steve Carrell.

Um amor de tesouro (Fool’s gold / 2008) *

:D: Kate Hudson e McConaughey juntos de novo, atrás de um tesouro desta vez, mas não tem charme, nem graça, nem dá pra acreditar…

Noivas em guerra (Bride wars / 2009) *

:D: eu quero muuuito que a Kate pare de fazer comédias românticas. E não arraste a Anne também. Elas são duas amigas que brigam porque a data do casamento ficou a mesma (hein? pois é).

2) Agora, o que vale a pena (ou um click na IMDB).

À prova de morte *** 
deathproof
(Death Proof / 2007)

História: garotas selvagens e sexy perseguidas pelo dublê Mike, com um carro à prova de morte. (vai, foi meio assim o pitch do Tarantino, não?)

:D: todos os elementos de Tarantino estão aí, trilha bacanuda, personagens inusitados, mulheres que são fod@, diálogos comuns mas incomuns, humor próprio, fotografia forte e violência pouca é bobagem (sério, você esperava o acidente de carro?). O mais legal foi aquela corrida em alta velocidade, hein!

Os incompreendidos ***
os-incompreendidos
(Les quatre cents coups / 1959)

História: um menino flana pelo pequeno lar, problemas na escola, ruas de Paris, reformatório…

:D: gente, Truffaut em sua estreia em longas, imperdível. Eu fui uma boa aluna na escola, mas que inquietação nos causa ver aquele garoto se esmerar verdadeiramente, com sonhos grandes de escritor, mas tirando o lixo pra fora; tendo um amigo, mas roubando; fazendo trato com a mãe, mas depois atrás de grades. A entrevista que entrega pistas de possíveis causas é única, assim como o garoto diante do oceano. A juventude não existe sem liberdade.

3) Diretor: Terrence Malick

Um diretor que não deveria demorar pra gente conseguir ver toda a filmografia, demorando décadas entre um projeto e outro, e ele não tira fotos ou dá entrevistas. Mas um Malick pode exigir um olhar que vários filmes de outros diretores não exigiriam. Meu preferido é o mais recente, Árvore da Vida – particularmente, acho que ele nasceu só pra fazer esse filme. Mas a razão de querer ver seus filmes é porque eu gosto muito de natureza (mais do que as pessoas conseguem perceber em mim) e porque sempre há questões morais e espirituais jogadas em seus projetos… ou seja, há muito de mim em Malick.

Dias de Paraíso ***
daysofheaven
(Days of heaven / 1978)

História: um casal de trabalho em campos de trigo quer dar o golpe num fazendeiro que está para morrer.

:D: Richard Gere e Brooke Adams fazem um casal que se passa por irmãos, gradualmente compreendemos bem a situação deles, entendemos por que deixá-la se casar com o fazendeiro, o desejo de melhorar de vida. Mas nunca se deve subestimar um potencial de paixão – a simplicidade e um amor não exigente, em campos ensolarados, por mais árdua que seja… como poderia queimar infernalmente?

Além da linha vermelha ***
thethinredline
(The thin red line / 1998)

História: num campo de guerra.

:D: as cenas de música local e calma, a serenidade da natureza só, contrapõem-se aos instantes de guerra, explosão, desespero. Uma constelação hollywoodiana (também, sabe-se lá quando o diretor faria outro, né), pra contar pequenos conflitos em campo, atritos e medo, dominação e alentos. Tudo tão grande, tudo tão importante ou menos, tudo tão pequeno.

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3 Replies to “(ou: enquanto as notas não se arranjam)”

  1. Oi Deni, e não é que tinha o campo pra comentar? Ou criaram agora para o meu celular ou eu nunca tinha reparado. Detalhe: eu realmente falei pra Bia que não tinha campo para eu postar alguma coisa. E foi ai q mandei email pra ela! Rs
    Então, já anotei os filmes e vc comentou para que eu possa assistir, pois é…não assisti nenhum desses que vc postou… =\
    Beijinhos ^.^

      1. Não foi chantagem não! Rs
        Mas de verdade, eu não tenho o que comentar nos blogs. Gosto de ler e não de escrever! Kkkk =P

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