Fausto

(Faust / 2011) ***

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História: em perdição.

:D: como os amigos sabem, este blog é cinema facinho facinho, nada de críticas elaboradas (que você acha em qualquer outro lugar da internet), pois bem: repugnante, despudorado, incidente, pra estômagos fortes, é um filme pra acabar com a pessoa. É, não sou pseudointelectual e, se mesmo assim você se acha forte e corajoso o bastante, vá em frente, porque por tudo isso e um pouco mais a obra é exímia. A primeira vez com que me deparei com o texto de Fausto de Goethe, do homem que vende a alma a Mefistófeles, foi numa peça encenada por Antônio Abujamra. Da peça lembro quase nada – do filme, não esquecerei tão fácil.

! Spoilers !

Começamos já arrancando entranhas, rebaixando-se sob um pai que pune, indagando sobre o peso da alma, para adentrarmos num universo tortuoso, de oblíquos, alternando entre ambientes escuros e claustrofóbicos, de passagens apertadas e difíceis, entre diálogos inquisitores, cenários naturais e visões distorcidas ou delírios. O trabalho fotográfico aqui é o que mais chama a atenção – no tamanho da tela, nas experimentações de todos os tipos de verdes, escuros, e amarelos (morte, doença, ressentimento, posse), no soft focus, nas lentes incômodas, na claridade estranha dentro de uma igreja, em alguns instantes de alvura iluminada. Mas isso não quer dizer que a direção de arte esteja desleixada ou que os atores não se esmeram. A caracterização de Anton Adasinsky como o “bode velho” é grotescamente – que casa de banhos! – impressionante, em minúcias físicas, de voz, de olhar, incitando luxúria, crimes, beijando imagens sagradas. Em metáforas verbais (a ciência preencher o vazio, entre tantas outras) e visuais (o abraçar Margarida e mergulhar profundamente, entre outras inúmeras), contando com o pano de fundo miserável de frades e soldados de guerra, Wagner gritando vaidade e um humúnculo, rochas e armaduras, retalhos de gente, gêiseres… que influência impressionista, que expressionismo alemão que nada. Não precisa saber de tudo isso não. Sokurov traz um pesadelo bem questionador, que perturba a qualquer um, como poucos cineastas ousariam.

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