Budega! e Festivais

Vivo tentando colocar ordem nesta budega, né? Eu sei, eu sei, o que falta no meu blog é uma regularidade – se eu postasse um por dia, ou pelo menos uma dica por semana, talvez eu pudesse ser levada um pouco mais a sério – mas aí, não teria graça.

O problema é que eu criei o blog pra me organizar e não gastar papel, e descontinuei as notas mensais exatamente pra dar um post pra cada filme, mesmo que seja pequenino (ou de “tela pequena”) – e não funcionei. Tá, refaço aqui os meus votos. Segue uma série de posts pra voltarmos às boas. Porque japoneses também nunca desistem.

Festivais em São Paulo – Agosto 2012

São Paulo é uma metrópole com inúmeras opções de programas pra gente se divertir. E pra quem gosta de cinema, então, fica até difícil acompanhar tanta coisa. Com tantas opções interessantes para esta mochileira dos cinemas, eu (que se pudesse ficaria sim 24h vendo filmes, mas a gente tem que pagar as contas, né) procuro pegar pelo menos um dia ou uma sessão de algum evento desses.

No final de julho, o Anima Mundi, um festival de animações que acontece no Rio e depois vem pra cá, já tem lugar reservado no meu calendário.

E em agosto
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Conheci no ano passado a Jornada de Cinema Silencioso. São alguns dias na Cinemateca Brasileira, sessões de filmes mudos, alguns musicados ao vivo. Este ano foi a VI edição e até montaram umas tendas pra simular aquelas feiras itinerantes de antigamente, resgatando a atmosfera das primeiras projeções – com direito à vidente e Dr. Caligari, uma pena que não deu pra conferir. Aliás, O Gabinete do Dr. Caligari era a minha escolha de clássico pro mês, e a Jornada até incluiu uma exibição ao ar livre no Ibirapuera, mas não deu mesmo. Ano que vem vamos ver se consigo aproveitar melhor!
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O jovem pastor (The little minister / 1921) **

Betty Compson é uma graça de atrevimento, fazendo a cigana que seduz um jovem pastor. Primeiro faz ele tocar um instrumento musical pra avisar a aldeia sobre a chegada de militares, depois provoca o recatado e certinho pastor com versos, faz-se ainda de esposa dele ao dialogar com policiais, e arranca risadas a cada piscadela.

As mãos de Orlac (Orlacs Hände / 1924) ***

Do mesmo diretor de O Gabinete de Dr. Caligari. Orlac é um pianista que perde as mãos num acidente de trem, recebendo implante de um assassino. Atormentado, acredita que as mãos podem levá-lo a matar também. Elementos góticos, espaços escuros, o horror no rosto do ator principal, quase nos fazem acreditar no golpista do clímax. Sou suspeita pra falar, adoro tudo. E o acompanhamento musical foi de Maurício Takara e Guilherme Granado, achei bem bacana, sintonizado com a trama, inclusive simulando os ritmos do trem, o tique-taque do relógio.
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Festival Varilux de Cinema Francês
 

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Não perguntem por quê, eu realmente não sei explicar a fascinação que sinto pela França, por Paris, e este ano eu tive companhia pra ir conferir algo deste festival anual que traz filmes de produção francesa. Os Intocáveis também fazia parte do festival, mas como logo entraria em cartaz, vi depois e ele ganha um post próprio.

No primeiro dia, as duas sessões que peguei contavam com a presença dos diretores. Jean-Pierre Denis estava bem disposto a responder as perguntas do público, enfatizando sobre a importância histórica do evento de seu filme, das várias pesquisas realizadas. Nadine Labaki estava ao lado do maridão, que também compõe a trilha do filme – um casal muito bonito.

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Aqui embaixo (Ici Bas / 2012) **

Sob a ocupação alemã, a irmã Luce se apaixona pelo capelão Martial, que faz parte da resistência. O que mais dói é acompanhar essa freira cair em dúvida de sua fé, sucumbir à paixão, disposta a dedicar tudo por alguém que não deveria merecer tal dedicação. Somos apenas público, impotentes, sabemos que aquilo é doentio e vai acabar em tragédia, a cena de sexo não é prazer, é violência, não por ele, por ela, por sabermos.
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E agora, aonde vamos? (Et maintenant, on va ou? / 2011) ***

Em um vilarejo distante, um grupo de mulheres arma diversos estratagemas para evitar a guerra entre os homens de religiões diferentes. Adorei, absolutamente! Transitando pela comédia, por drama e até musical, esta pequena fábula nos cativa e não nos cansa, com tiradas inteligentes e alguns momentos imprevistos. O que será que nós faríamos para evitar uma guerra? Sabotar uma televisão que demorou tanto pra ser instalada, pedir garotas branquelas pra satisfazer os rapazes, fazer uma santa chorar, inventar uma caxumba pro filho, fazer uma grande festa com ingredientes especiais para a cidade acordar com aquele toque final genial. Há, sim, momentos de exageros e algumas sequências que se alongam um pouco além da conta, mas são pequenos pecados diante de um fôlego renovado. É o filme que eu faria.

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Paris-Manhattan (Paris-Manhattan / 2012) **
Uma jovem que ama Woody Allen encontra o amor. Eu me interessei por ver este porque a personagem principal fala com o Woody (e eu tenho conversas imaginárias!). E é até “bonitinho”, porque ela receita filmes dele pros clientes de sua farmácia, e entre ficar com um galã perfeito ela prefere o cara real, cri-cri, que trabalha com segurança. O caso da irmã e a historinha dos pais também convencem, vale ver o Woody como ele mesmo, mas é só, a gente se diverte um pouco e logo esquece pra ler algum outro romance de bolso.

Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo

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Dique

Câmera parada pra vermos bichinhos na praia.

A arte de andar pelas ruas de Brasília

Duas amigas adolescentes nas primeiras curiosidades da vida adulta – o cigarro, a bebida, o sexo oposto, prova de amizade.

Furico & Fiofó (BRA/2012) ****

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Brasileirinho danado, gostoso pela irreverência, esse curta animado usa de traços simples e infantis pra acompanharmos dois amiguinhos aprontando todas num Rio antigo – um pouco de crítica permeada, um pouco de sacanagem e muitas risadas na plateia.

Aluga-se

Um jovem que não vê é vizinho de uma moça de pé de vidro. Infelizmente a sala em que eu estava (CineSesc) apresentou problemas no áudio – mas pelo que vi, parecia legal.

O Duplo ***

Curta de terror, aborda o mito de existir um outro de nós que traz à tona tudo que há de mal (seu duplo). Acompanhamos uma professora que descobre seu duplo e gradualmente deixa-o tomar seu espaço. Muito bem feitinho, com cenas de dar calafrio. E olha (arrepio!) como a atriz principal lembra o quadro de Magritte!

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Magnolia *** (COL/2011)

Tinha uma sessão em que todos os curtas tinham nome de mulher. Eu já estava cansada, não me lembro dos outros, mas, curiosamente, algumas cenas deste ficaram gravadas nitidamente na mente. Um senhor de idade escreve nomes num pedaço de papel para “conquistar” uma catadora de lixo. Como curtas são mais difíceis de achar, eu até poderia contar mais, mas é tudo muito sugestivo, nem sei se seria justo. São cenas bonitas, a senhora pega o nome e finalmente entra na casa do velhinho, a câmera não esconde suas rugas, quase não há diálogo, somos testemunhas de um acanhamento inicial, de um sentimento. Depois do amor, ela vai embora, a cama vazia, e ela usa o vestido com o qual o velhinho dançara sozinho antes. E eu não sei se vocês conseguem imaginar a razão, mas tudo me dá um apeeerto no coração, só de lembrar.

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