Diretor: Walter Salles

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Walter Salles é um simpático ariano (12 de abril de 1956), um dos mais bem sucedidos diretores brasileiros do “novo” cinema nacional.  O primeiro filme que vi dele foi Central do Brasil (2001), claro. Eu ainda morava no Japão, e que orgulho foi ver que um filme brasileiro tinha conseguido cruzar o globo e chegar a uma sala do outro lado do mundo! A história da amizade entre um garoto que buscava o pai e a escritora de cartas emocionou plateias de todos os lugares, imagino, e me lembrou da época, no início de minha adolescência, quando eu morava num conjunto habitacional no interior – com todas aquelas casinhas iguais e estrada poeirenta de terra.

Agora, se fosse pra escolher um filme dele que vou guardar pra sempre no coração, com certeza há de ser Diários de Motocicleta (2004), que nos leva a acompanhar um jovem Ernesto Guevara e seu fiel escudeiro Alberto Granado pelos caminhos da América do Sul. Minha professora da faculdade na época perguntou quem já tinha visto o filme, ainda era a primeira semana em exibição e fui uma das poucas que já tinha ido conferir. Nas palavras dela, esse filme é mais do que imagens em movimento, é poesia – e jamais esquecerei os belos olhos de Gael Garcia Bernal naquela cena final, cruzando o rio.

Pra mim, Salles sempre me pega lá no âmago, talvez porque minha alma seja essa aventureira de querer conhecer estradas e pessoas por aí afora – e como bem disse a costumeira parceira de projetos dele, Daniela Thomas, “é na estrada que ele é feliz”. E ele partilha essa felicidade conosco, filtrada por um olhar realista, embora poético. Abaixo, os últimos do “Waltinho” que eu vi (e sempre estarei disposta a ver outros).

Linha de passe (2009) ***
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Historinha: uma mãe e três filhos com seus dilemas e a pia da cozinha entupida.

:D: a realidade de uma cidade como São Paulo parece que fica ainda mais dura com essas cores sérias, os closes nos rostos preocupados, o ir e vir de problemas individuais e encontrados. Um jovem entregue à religião, inquietado pelas condições à sua volta. Um motoboy que precisa sustentar o filho e por isso também é distante dele. Um jovem que sente o peso da idade pro seu sonho de jogador. Dizem que não se pode discutir futebol ou religião, mas a fé é algo que brasileiros conhecem muito bem.

Na estrada (On the Road / 2012) ***

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Historinha: Sal Paradise cruzando um Estados Unidos drogado e em jazz pra escrever um livro.

:D: existe um grande problema com este filme, que ao mesmo tempo é sua grande virtude: o fato de ser baseado no livro “On the road”, de Jack Kerouac. Problema, porque a tendência é comparar livro e filme (apesar de sempre rezarmos o mantra “livro é livro, filme é filme”). Virtude, porque considerar o filme por si só… perde a graça.

O quê de especial está em saber que ele retrata uma época dos Estados Unidos, que a obra é marco da geração beatnik, que pregava desapego material e liberdade – o que acabou por se configurar em pequenos furtos, drogas e sexo sem estribeiras. E sem saber da energia pulsante que permeia a obra, pode ser que o espectador não sinta tanto significado na percussão da trilha, no furor dos jovens em transe poético e musical, até mesmo a visita ao Old Bill não faz muito sentido ou diferença na nossa vida (Viggo, como sempre, bom. Amy Adams a maior perda de talento aqui). Tomadas objetivamente, essas aventuras parecem de jovens mimados e inconsequentes apenas. Mas os atores principais merecem seus louros, devemos mencionar que cada personagem representa algum artista da vida real, e essa galera jovem segura a película numa boa. A fotografia esmerada concorda sensações e Salles foi corajoso em assumir um projeto que diziam ser impossível de transpor às telas. Vale sim a jornada, só não dou mais estrelinha porque eu nem gosto tanto assim desses tais beatniks.

* * *

Outro bem recomendado:

– Terra Estrangeira

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