Indie!

O Indie é um festival de cinema independente, que acontece anualmente em Belo Horizonte e São Paulo. O festival traz nomes novos ou pouco conhecidos, é preciso ter a mente aberta e se arriscar, ser destemido pra encarar olhares inusitados – já entra como um dos favoritos do meu calendário. Até porque, o melhor de tudo: é de grátis!

Este ano, houve a retrospectiva de Charles Burnett, do japonês Kazuyoshi Kumakiri e do russo Aleksey Balabanov – infelizmente só peguei um deste último, mas tá bom, né, é o segundo ano de festival, a gente vai melhorando, como o vinho.
Crianças Elétricas

(Electrick Children / 2012) ***
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Historinha: uma garota acha que ficou grávida ao ouvir uma fita de rock e vai atrás do pai.

:D: A diretora estreante Rebecca Thomas nos leva para conhecer o contraste entre uma comunidade mórmon e um submundo de rock em Las Vegas, pondo à prova nossa fé: seja quanto a crenças religiosas arraigadas, sobre pais e filhos, sobre a juventude atual. Sua direção sabe o que quer – como vemos na boa cena da fuga da menina pegando as chaves e a mãe abrindo os olhos, a edição de som aparece com som de fita cassete rodando ou pausando e o “estilinho” visual poderia dizer que Rebecca foi passar um fim de semana com Sofia Coppola. Se é difícil acreditar neste roteiro conveniente, é no mínimo bacaninha por nos levar a pensar em como os jovens patinam pela vida.

“Don’t leave me hanging on the telephone…”

Vestígio

(Chiri / 2012) **

Historinha: adeus à querida avó.

:D: em câmera amadora e abundância de planos fechados (tá, entendo que sirvam pra enfatizar a proximidade, mas achei demasiado), Naomi Kawase registra lembranças e últimos momentos de sua avó adotiva. Eu ficava ali lembrando do meu avô, falecido este ano, do jeitão japonês de não saber como expressar emoções, e caí em prantos copiosos como um bebezinho. Quando a avó fala que escreveu uma carta, mas sente vergonha por terem saído só garranchos, constatamos a debilitação que o passar dos anos naturalmente traz – só quem cuidou de um idoso e tem coração frágil como o meu entenderia como essa cena acabou comigo (e fez o filme ganhar essa estrelinha aí em cima).

Baikonur

(Baikonur / 2011) **
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Historinha: um moço cazaque apaixonado por uma cosmonauta.

:D: logo somos apresentados a tribos distintas brigando por destroços de foguetes para viver, neste lugarzinho em que o que cai do céu não é roubado… Um jovem chamado Gagarin ajuda nas intermediações comerciais e têm olhinhos fascinados pelo espaço (o melhor do longa), quando a cosmonauta francesa (Marie de Villepin, de beleza incontestável) cai no seu quintal. Há situações cômicas que funcionam (o almoço em que querem comprar a noiva do rapaz), mas é tudo bem previsível. O grande trunfo são os espaços – a primeira vez em que filmam na estação espacial de Baikonur, e as estepes cazaques tão belas – pra falar de preservar tradições apesar do progresso.

Eu também

(Me too / Ja tozhe hochu / 2012) **
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Historinha: um grupo buscando o campanário da felicidade.

:D: muitas referências religiosas nesta primeira viagem que faço com Aleksey Balabanov. Se os créditos iniciais já acompanham as andanças de um músico até a casa de banhos, onde encontrará o matador que lhe falará de uma passagem para a felicidade, o resto do filme parece não ter pressa pra desvendar seus personagens em conversas regadas à vodca. A fuga do amigo, a busca pelo pai e seu enterro não acrescentam muito. A prostituta correndo pelos campos de neve nua é a estranheza mais divertida e o jovenzinho profético deveria remeter à pureza dos mais jovens? O diretor de cinema que não foi aceito pela torre é uma boa piada. O matador não foi escolhido pela torre, ok. E…?

“Eu também quero a felicidade!”

Quando cai a noite

(When night falls / Wo hai you hua yao shou / 2012) *

Historinha: a mãe de um rapaz condenado à pena de morte na China.

:D: esta câmera parada me dá uma preguiça… Eu sei que somos meros observadores deste caso, impotentes quanto à justiça “lá fora”, mas começar uma sequência de slides e essa ser a parte mais interessante do filme não é legal (sim, achei interessante terem internado a mãe em um hospício). Depois, há conversas com advogados, há o pessoal que quer filmar, há as calças a receberem botões, há a descrição dos juízes sobre o crime do jovem, e aquele cartaz do Robocop 3 colado na parede nos deixando alguma dúvida, e só um pouco de indignação – não muita, porque sabemos de injustiças maiores no mundo (catzo. Mundo cruel).

Vale dos Santos

(Valley of Saints / 2012) ***
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Historinha: um jovem barqueiro esperando para fugir da Caxemira e ajudando uma pesquisadora.

:D: só pelo fato da locação ser a Caxemira durante um toque de recolher, o filme já ganha seus louros. E ainda existe uma atmosfera “cool” que alguns filmes nem precisam se esforçar pra ter – o que acontece aqui, proporcionada pela fotografia delicada, não caindo em sentimentalismo barato e incluindo ainda a questão ambiental da região. As brincadeiras entre os dois amigos conseguem ilustrar uma amizade genuína e a perseverança da pesquisadora se faz compreender pelo que nós próprios espectadores vemos ao passearmos junto deles por aqueles lagos e observarmos o que parece hábito para aquela comunidade. Bonito de ver, e olha que é o primeiro de ficção de Musa Syeed, hein.

“- Você acredita que ainda existam demônios aí?

– Não.

– Qual você acha que é o problema, então?

– Já não existem mais santos.”

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