O fim do meu mundinho

Falta 20 dias para o fim do mundo. Tudo bem, vai, não acredito que isso vá acontecer de verdade. Mas vocês já pararam pra pensar, se fosse o caso, como gostariam de passar seus últimos dias na Terra?

Eu confesso que nos últimos tempos ando triste e melancólica, na verdade, desde que meu avô se foi, fazendo planos que não dão certo, sem vontade de fazer coisa alguma. Um exemplo é que eu previa estudar um outro curso universitário – audiovisual, estudar cinema é um sonho de criança. No início do ano, parecia possível intentar, mas todas as chances foram descartadas. Meu sonho que já dura mais de 15 anos não vai se realizar, sinto-me velha e cansada pra ficar me iludindo. Existem as exceções do mundo, aquelas pessoas que servem de exemplo e inspiração, vencem na vida. Porém, para elas existirem, é preciso que existam os perdedores também. E por mais doído que seja aceitar, eu faço parte do segundo grupo. Meu mundinho desmoronou e eu simplesmente tenho que aceitar minha vida, aceitar que de nada adianta ficar tentando reconstruí-lo.

É. O fim do meu mundinho. E então… eu não quis mais nada. Entendem? Quando você sabe que o fim é inevitável, o que resta? De que adianta fazer qualquer coisa?

É, bem lá no fundinho, eu até gostaria que o mundo acabasse de verdade.

Contudo, parece estranho que, ao pensar no fim do mundo ontem à noite, não tenha me invadido Melancolia, mas outro filme. Foi difícilimo tentar me manter racional ao escrever seu texto, porque, afinal, tenho de admitir que, apesar de meio afetado, o filme tocou lá na alma, aquela canção continua na cabeça e o filme me faz desejar ter alguém que amo ao meu lado, no último dia na Terra.

“Sometimes… All I need is the air that I breathe, and to love you”

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Alguém que se ama de verdade, sabe? Não importa se não tem tantas coisas em comum, se não combinam, não importa aquelas convenções de relacionamentos. Simplesmente alguém cuja companhia nos agrada, com quem gostamos de estar junto e conversar sobre qualquer coisa.

E imaginei como seria essa última cena minha na Terra.

Fiquei imaginando se nos últimos dias me daria a louca e eu sairia correndo pelada pela rua – não. Se existe alguém a quem eu tenha feito um mal muito grande, pelo qual eu devesse implorar perdão – não. Talvez, roubaria uma grana preta? Não, na verdade, não sinto ânsia por nada material específico (de que adiantaria ter roupas bacanas, carro, ou sei lá.). Viajar? Bem, eu tive oportunidade de conhecer vários lugares e viver experiências bem interessantes nesse tempo de existência terrena. E festejar com muita bebida e amigos? Tive, sim, a boa ventura de conhecer pessoas diversas e minha alma é tranquila, não precisa mesmo dessas extravagâncias. Provavelmente eu faria tudo igual. Caminharia num parque, saborearia um sorvete, veria um filme e ouviria música enquanto houvesse energia elétrica.

Assim como o personagem de Steve Carell, deitado com o cão ao lado, segurando o vinil contra o peito.

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Independente da possibilidade de uma existência posterior, eu estou contente com a vida que pude ter. Teve, sim, sofrimento, dificuldades, como qualquer humanidade. Mas eu não desejaria mais nada. Tudo bem se tudo acabasse por aqui.

Infelizmente, a pessoa que eu amo não estaria deitada ao meu lado, pois eu não seria a companhia que ela escolheria pra passar o fim do mundo (se você, leitor, tiver esse alguém, aproveite essa deixa e deixe essa pessoa saber, bem piegas mesmo, que ela é com quem você queria estar no seu último suspiro).

Eu me deitaria de banho tomado, provavelmente com a gata branca deitada do lado, um olho azul e outro verde combinando com o lençol azul claro de motivos brancos. Suspiraria, tentando lembrar de tudo o que aprendi. Cantarolando algo. Imaginaria galáxias e universos estelares. E fecharia os olhos em paz.

E você? Como seria seu fim do mundo?

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2 Replies to “O fim do meu mundinho”

  1. Dê, não se deixe abater. Cada dia é um dia e logo novos sonhos e novas realizações surgirão. O fim do mundo está distante ainda. Pra começar, você escreve bem pra caramba. Com uma sensibilidade tremenda. Me emocionei com teu texto. Beijão!

    1. Oi Ailton!
      Pois é, dei uma abandonada no blog, tadinho, mas pretendo continuar escrevendo quando algo me inspirar ^^ Eu queria que o mundo acabasse logo de uma vez, e a gente pudesse construir um mundo novinho… hahaha Obrigada pelo comentário!

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