Arrumação I – a preguiça

Já faz uns 5 meses que eu mudei de casa e ainda tenho caixas de papelão espalhadas pela casa e uma desorganização geral. É realmente “o fim” (eu sou virginiana). Passando por grande depressão (da minha bolsa particular, sem dindin nem pra farofa do peru), sem amor nem glória, pós-sonhos-estilhaçados-pela-milionésima-vez, posso dizer que o caos físico da minha morada é reflexo de…………………….. preguiça.

Preguiça que às vezes me fez querer não voltar pra casa, preferindo ir ao cinema me distrair. Ou seja, não é que nos últimos meses eu não tenha ido ao cinema, este meu refúgio virtual faltou em atualizações em parte porque estou sem internet em casa – e em maior parte, por preguiça mesmo. É o pecado capital que mais cometo.

Aqui, alguns da telona:

Looper: assassinos do futuro
(Looper / 2012) ***

2012-looper

Historinha: num futuro de assassinatos encomendados em viagens no tempo, um jovem confronta os rumos da humanidade e seu próprio destino.
:D: bem, eu sou menina e eu queria mesmo era ver o Gordon-Levitt. Apesar de ver só Bruce Willis (ou a incorporação dele por Joseph, com maquiagem, olhar e trejeitos), o roteiro é elaborado e a montagem é ágil o suficiente pra segurar nossa atenção e torcer pra que a humanidade dê certo de alguma forma. Gosto de filmes com viagens no tempo, aqui temos a motivação do Joe velho (com a vida reconstruída e a chinesa de sua vida), e lá pelas tantas aparece a competente Emily Blunt e uma criança que deu medo – ampliando a tensão dos conflitos construídos pelas motivações dos dois Joes e nos levando a um desfecho satisfatório, com o Joe novo narrando tudo o que viu… me deu até vontade de escrever um texto à la Sarah Connor.

A vida de outra mulher
(La vie d’une autre / 2012) **

2012-lavieduneautre

Historinha: Marie acorda sem lembranças dos últimos 15 anos de vida.
:D: ah, eu gosto da Binoche e tava animada com o Kassovitz, mas… é a sinopse batida, né. Deveria ser um filme sobre redescobrir o amor, o valor da família (eu acho). Nem é tão engraçado nas cenas da Marie desajeitada sem saber o que fazer, o menino cativa (afinal, é sua função ali). Pra ver quando você estiver com aquela sensação de que tudo deu errado em função da carreira, e quer acreditar que dá pra consertar.

Moonrise Kingdom
(Moonrise Kingdom / 2012) ***

2012-moonrisekingdom

Historinha: um escoteiro foge com sua garota.
:D: ah, por que ninguém me disse antes que era uma Sessão da Tarde de luxo? Eu adorei, me lembrou de quando eu era criança e maquinava aventuras. Wes Anderson, o diretor das famílias engraçadas, consegue me cativar com suas cores vibrantes; o fato da mocinha só levar livros e discos na mala, o garotinho esperto que sabe sobreviver e ainda por cima protegê-la; a delícia de amar na pré-adolescência (quando o mínimo parece ser o maior ato grandioso de coragem – o refúgio na praia e o brinco, o casamento, a invasão do teatro na igreja); o policial solitário (Bruce Willis, de novo. O resto do elenco de peso acho que foi só porque Wes tem muitos amigos); até as transições com o suposto documentarista; e principalmente………………………………. a explicação da orquestra infantil! Quero esses créditos finais pra ouvir toda manhã, fazendo o café.

Argo
(Argo/ 2012) ***

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Historinha: um resgate de americanos no Irã bem cinematográfico.
:D: Ben Affleck cresceu e virou homem, quem diria, hein? O que mais me interessou para ver este filme a princípio foi a sinopse mesmo, que inventaram a realização de um filme para realizar o resgate, e que foi baseado em fatos reais. Assim, gostei de ver as fotinhos dos créditos finais que só corroboram o bom trabalho de pesquisa. E também o pessoal de Hollywood brincando com referências internas (e aquele letreiro, hein?) e todo o processo de criação da farsa: o roteiro, a produtora, a festa para a imprensa, os storyboards que convencem os guardas… Se a direção de arte e figurinos trazem a atmosfera do fim dos anos 70 pra gente, Affleck também tem o cuidado da imagem granulada e se mostra um diretor firme. Ele quer criar tensão, e pode até exagerar um pouco lá pelos diversos empecilhos paralelos no final, mas já abre com a contextualização histórica e o fervor nas embaixadas; sabe extrair dos seus atores as nuances no tom certo, como vemos no progresso dos refugiados e a sequência no mercado (inclusive aquela vã passando no meio da passeata e o idioma estrangeiro do cara que reclama da foto); e sabe explorar seus temas (reconstituição de rostos com aquele monte de crianças, os desafios políticos no núcleo do lado da CIA). Tá bom demais, não?

Argofuckyourself!”

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