Arrumação II – fechando uma conta / banheiro

No dia do segundo turno das eleições, eu até saí mais cedo do serviço. Eu ia pegar ônibus da Paulista, mas tinha trânsito, resolvi ir até a Vital Brasil, pisei fora do metrô e caiu um temporal de granizo, quando peguei o ônibus calculei que não ia dar tempo de chegar. Eu não votei. E depois passou 2 meses pra eu ir lá no cartório acertar o título.

Eu fui atualizar meu endereço nos bancos depois de uns 3 meses que tinha mudado.

Depois de 5 meses, ainda não cancelei a NET. Eu queria cancelar no final de julho, a moça me ofereceu um desconto, então pedi pra mudar o plano primeiro. Fui pedir a transferência de endereço e disseram que já tinha um registro no endereço e tinham que liberar. A NET nunca entrou em contato comigo, liguei e depois de mais de uma hora trocando de setores, liberaram o endereço. A NET entrou em contato comigo, mas disseram que não dava pra ter TV. Liguei para cancelar, me convenceram de que eu manteria o desconto e não seria um novo contrato. Não vieram buscar aparelho nenhum, mas aí lembrei que já tinham buscado (em julho). Liguei, disseram que não poderiam fazer transferência se tivesse boleto em aberto. Sabe o último post, sobre preguiça? (Desculpem, eu precisava tirar isso do fundinho do meu peito).

Meu avô faleceu em maio e eu demorei exatos 7 meses pra ir fechar a conta dele no banco. Fiquei igual a uma louca procurando a certidão de óbito, pra chegar no banco e o atendente nem olhar, porque a conta era conjunta e ele só precisava do meu documento.

Depois de tudo isso que eu contei, tudo bem eu escrever sobre a Mostra agora, apenas 2 meses depois, certo? Certo.

36ª Mostra Internacional de São Paulo

Pois é, não sei se é porque o Cakoff se foi, ou se o problema foi eu comigo mesma, mas este ano eu achei tudo meio “chato”. Eu não tava sentindo aquele clima de “oh, a cidade que respira cinema”, o final da novela da Globo foi mais importante que ficar na fila, os filmes que eu mais queria ver iam ser estreias do circuito, então, o que escrevo aqui pra vocês são apenas algumas coisinhas diferentes que a Mostra pôde me proporcionar este ano.

Prêmio Leon Cakoff para Domingos de Oliveira / Paixão e Acaso

Foi a exibição do filme mais recente deste ativo diretor / roteirista / ator, junto com a premiação (algo como “pelo conjunto da obra”). Renata de Almeida estava lá, chamaram a formosa Maria de Medeiros de última hora também pra entregar e Domingos o recebeu de bom grado, com um sorriso no rosto e bem humorado. Infelizmente não conheço a obra do diretor, mas me pareceu ser muito querido no meio. O filme que eu vi era sobre uma moça que alterna os dias da semana entre um romance com um cara mais velho e outro rapaz mais novo (que acaba por ser o filho do primeiro). Como ela é psicanalista, há esse viés para filtrar os acontecimentos, o diálogo com o pai falecido, por exemplo. Os clientes também são bem divertidos, e a cantora diva do barzinho. Espirituoso como me parece ser seu criador.
domingosoliveira

“…é um instrumento poderoso para tornar a vida melhor”

Aula magna com Sergei Loznitsa

Que “aula magna” que nada! Foi um encontro para perguntas e respostas depois da exibição de alguns curtas. O que ficou claro é o interesse do diretor de Minha felicidade na experimentação. Ele falou um pouco sobre um curta (O milagre de Santo Antônio) que foi quase um mini-documentário filmado em Portugal, sobre uma festa para Santo Antônio, com as pessoas locais nem ligando mais pra câmera. Falou sobre a relação com o editor de som, sobre montagem, sobre o uso de plano longo em outro curta, para enfatizar a sensação no espectador (era uma empreitada no meio de um nada gelado, de muito trabalho), sobre financiamentos para o cinema na Rússia. Mas o que mais gostei foi que ele me pareceu um garoto de olhos curiosos diante das diversas possibilidades dentro do universo cinematográfico.
sergei-loznitsa
“…o que mais valorizo no cinema é a liberdade”

Vão livre do Masp

Por mais bobo e caipira que isso pareça, esta tem sido minha maior alegria durante a Mostra. Trata-se de uma sessão de grátis, ao ar livre, numa das “marquises” mais famosas do Brasil, a exibição de um filme (quase sempre) muito bacaninha.

Este ano teve Shine a light, filme do Martin Scorsese que é mais show do que documentário, com algumas frases de bastidor ou entrevista, participações especiais como Christina Aguilera ou a parte masculina do White Stripes ou ainda a Hillary Clinton, mas deixando a gente à vontade pra curtir o que há de melhor nos Rolling Stones (mais do que a relação Keith Richards / Mick Jagger): a própria música dos Stones. É como um show gratuito, tinha um carinha roqueiro louco fora da plateia gritando e pulando, todo empolgado, todo mundo aplaudindo no final. Pra que enfrentar o trânsito de volta pra casa, quando a gente pode dar uma paradinha na rotina pra isso?
2008-shinealight

E não pensem que essa empolgação do público em local mais aberto vale só para rock. Um musical mais “pop” também ganha as graças da plateia, com direito a gritinhos e assobios no final. Canções de Amor (Les chansons d’amour/2007), de Christophe Honoré, traz a historinha de um casal e mais uma garota, depois desse rapaz consolando-se com um outro amor. Livre, libertíssimo, tem a ousadia de transformar em musical um suposto tema de preconceitos, da forma mais natural e despojada, mas ainda com um certo quê de atrevimento. E tudo ali, na cara de quem quisesse parar pra ver, na mais paulista – na mais diversa? – das avenidas. Sabe aquele momento em que a vida faz um puta sentido?
2007-leschansonsdamour

*****

O banheiro

E antes de eu falar do melhor da Mostra pra mim, vamos falar da limpeza do banheiro. É um local que a gente tem que limpar toda semana, eu uso sapólio (pra pia, pro chão, pro vaso), álcool (pro guarda-trecos e espelho, pra parte de fora do vaso), cloro em spray (pros azulejos), “pato” (pro vaso), pinho (pro chão). Sim, eu sei lavar um banheiro. E sempre, sempre quis que algum cientista tivesse ideias brilhantes pra usar a “merda” de forma produtiva. Vocês não?

Pois uma das coisas mais divertidas que fiz durante a Mostra foi conferir uma sessão de Focus in Forward. Um projeto patrocinado pela GM, que traz curtas feitos por cineastas de diversos países, com alguma invenção ou projeto que possa contribuir para o bem estar da humanidade. E olha só: o primeiro curta foi sobre a merda! Como tratar de forma mais eficaz, com animação e tudo, um dos melhores na minha opinião (Meet Mr. Toilet). Dentre os diversos curtas, tinha sobre cirurgia do coração, programa de emprego pra ex-prisioneiro, auto-tune, capacete de bicicleta, almoço para crianças, uma moça e seus canudos no barco (Hilary’s straws), estradas de painéis de energia solar… tudo bem que dá pra acessar pela internet (focusforwardfilms.com) e eu não sabia, mas valeu. Na entrada, eu cheguei correndo, a única brasileira do projeto (Heloísa Passos, que ajudou na fotografia de Lixo Extraordinário) também correndo, e meio indignada com a burocracia no portão da Faap…

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Tabu (2012) ****

2012-tabu
Historinha: uma senhora e uma desventura amorosa na África.

:D: considerado como um dos melhores do ano por vários críticos, esta obra é um pequeno tesouro, uma preciosidade. O diretor Miguel Gomes não parece ter pressa, é claro, pra quê, quando estamos adentrando uma aventura destas? A lenda do caçador e do crocodilo, Pilar com vela artificial para oração, Santa lendo Crusoé, “shameonu”, Aurora e o sonho dos macacos, a câmera girando em torno da senhora de óculos…

“be mine, be my baby” – a solidão.

Daí, voltamos pra África, a jovem Aurora intrépida, as festas e a banda de Gianluca. Entramos numa brincadeira-homenagem ao cinema mudo (um crocodilo me contou Murnau), com narração e efeitos sonoros, mas sem diálogos, como a boa imaginação pediria de seus espectadores de histórias ou fábulas ou lendas fantásticas. Brincando de preto e branco: brancos ricos na África x serventes negros (e a figura bizarra do chefe cozinheiro?). Mais, a grande história de amor clandestino, dos corpos apaixonados, de gravidez, de fuga. E a mesma música…

“que disparate!”

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