Arrumação III – a sala de estar

Por quanto tempo podemos deixar uma sala em estado deplorável? Tenho vergonha de dizer isso, mas não posso receber visitas, caixas de papelão pra lá e pra cá, a estante vazia junta pó, não tenho sofá, tinha um colchão onde a gata fez sujeira… percebo que devo doar CDs e DVDs, pois se consegui ficar todo esse tempo sem mexer, é porque não preciso deles. Como naquela propaganda (“desapega, desapega”).

É, mesmo assim, eu consegui sentar à mesa de vidro, comer porcaria e aproveitar a minha telinha plana nesses últimos meses.

Garota Infernal

(Jennifer’s body / 2009) *

Err… tava lá de bobeira, foi um desses Tela Quente da vida… a Megan Fox é a adolescente mais velha que eu conheço e a Amanda Seyfried a “dork” mais bonitinha, deve ser perfeito pros meninos na puberdade – tem banda de rock, zumbis, casal de namorados na intimidade, cenas, digamos, estimulantes (e o beijo, hein? Hein?). E… é eu vi também Carrie, a estranha (versão 2002, com a Claire de LOST), e uma comédia com a Amy Poehler bombando em festas de calouros universitários – acho que de tanta coisa, este aqui é pelo menos um filme inesperado.

Um sinal de esperança

(Jakob the liar) **

Robin Williams faz um barbeiro que inventa uma mentira por acaso e acolhe uma menininha. A incursão para dentro do campo de trabalho nazista é o mais interessante, sendo que a premissa de criar esperança até lembra um pouco A vida é bela. Ficamos com momentos bem construídos, que nos deixam ansiosos pelo desenvolver e resolução – e a direção de arte faz um bom trabalho pra contribuir. Jakob e o rádio, tentando fugir de novas notícias, as duplas pra carregar sacos de farinha, esperar o banheiro pra poder ler um pedaço de jornal, criando sons como uma novela de rádio na cozinha, o desfecho do trem. Um trabalho bem decente.

Se enlouquecer não se apaixone

(It’s kind of a funny story) **

:D: Um filme bonitinho, vai, porque eu também já tive ideias suicidas quando jovem e na época em que vi este, eu estava bem chateada com a minha vida. A historieta é de um rapazinho que se interna num tipo de hospício, faz amigos, percebe que a garota que queria conquistar nem era o que realmente queria e que sua vida é até bem legal. Os devaneios acordados, um jeito não tão forçado de querer ajudar, e passamos por bons momentos, senão hilários pelo menos dá pra sorrir. O grupo cantando “Pressure” é uma catarse que vale a pena ver (e se você estiver sozinho, faça como eu e cante e pule junto). E tem festa da pizza com música egípcia.

Amém
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(Amen. / 2002) **

Historinha: câmaras de gás e um padre atrás do Papa sobre o assunto.

:D: Costa-Gravas conduz seu filme político como deve ser, de forma que não senti tanta energia ou paixão, encarei como apenas um relato visual de algo que aconteceu na história. Parece que o oficial Kurt Gerstein realmente existiu, sendo obrigado a cooptar com o extermínio de judeus por ser perito no tal gás (vale um Google pra entender melhor como ele lutou contra o então “sistema” nazista). De outro lado, temos o padre Ricardo, que pela proximidade com o “alto clero” (admito que fiquei impressionada com a reconstituição dos cenários) conseguiria ajudar Gerstein, chegando ao extremo de frustração diante da clara omissão (naquele almoço até ficamos com uma esperançazinha), enfiando-se num daqueles trens… Enfim, nada de extraordinário, mas bom.

Frost/Nixon

(Frost/Nixon / 2008) **

Historinha: uma entrevista com Nixon.

:D: era um filme que estava juntando poeira desde a época em que foi indicado ao Oscar. Retrato bastante competente de um ex-apresentador britânico entrevistando o ex-presidente dos Estados Unidos (Frank Langhella, bronzeado, com trejeitos de fala e postura OK, presença notável). O mais interessante aqui é que o embate não é explícito, cada um pretende brigar pelo que quer, mas tudo depende dos diálogos, das habilidades verbais, de como a conversa é conduzida. Tensão sentida no ar, resultado do ótimo trabalho de construção dos personagens – pelos atores, pelas luzes e pela câmera.

Jogos Vorazes
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(The Hunger Games / 2012) ***

Historinha: o pão e circo do futuro, com crianças.

:D: eu não li o livro, então, provavelmente tenha me impressionado mais do que a maioria com este. A história é mais segura e instigante do que eu teria imaginado e faz total sentido nessa era de reality shows, violência cada vez mais banalizada e exploração despudorada da imagem. Os efeitos especiais e o visualzão, que Hollywood sabe fazer tão bem, entregam o que devem, e eles ainda tiveram a sorte de ter uma Jennifer Lawrence no elenco – moça bonita que consegue convencer ter uma força fora do comum para moçoilas. Seu parceiro de elenco, Josh Hutcherson, continua carismático. Há alguns instantes em que a gente encosta na poltrona e diz “ah, isso não vale!” (nem tanto os remedinhos enviados por patrocinadores – afinal, é um vídeo-game mesmo, mas, por exemplo, querer mudar as regras duas vezes lá pelo final, o que acabou ficando meio ridículo). Mas são deslizes que acabam ficando desprezíveis no todo, pois há diversão suficiente: a demonstração de habilidade (a gente sabia que ela ia atirar na sala dos convidados, mesmo assim, é legal de ver), a carruagem de fogo, a entrevista com o vestido flamejante, a mocinha encurralada no topo da árvore, as mortes, essa urgência em lutar pra sobreviver. Gary Ross é um escritor de filmes que eu adoro (Dave – presidente por um dia, Quero ser grande e A vida em preto e branco, que ele também dirige), continua conseguindo se sair bem.

Love *

Intuito: bastidores da criação da apresentação Love para o Cirque Du Soleil.

:D: temos o gostinho de ver alguns temas, números e acrobacias para combinar com as músicas mais famosas dos quatro rapazes de Liverpool, alguns depoimentos dos idealizadores, o olhar de um moço da África que não conhecia nada da banda, a presença de Yoko, Olivia, Paul e Ringo (acho que os últimos dois, apenas se divertindo, mais do que qualquer coisa), e a liberdade de trabalho com a música. Tudo o que resta? Uma vontade enorme de ir pra Las Vegas ver o show!

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