Frankenweenie

(Frankenweenie / 2012) ***
Dir: Tim Burton

2012-frankenweenie

Historinha: um garoto ressuscita seu fiel amigo.
:D: Acho que nem todos os meus amigos sabem, mas eu tenho uma fascinação especial por Tim Burton. Desde que descobri que nós compartilhamos a mesma data de aniversário, procuro sempre saber algo de seus projetos, apesar de não me empolgar a ver todos os seus filmes – em especial, nos últimos anos. Ele teve uma carreira parecida com a que eu queria, ter estudado animação, trabalhado na Disney, criado filmes de estilo próprio depois. Até hoje, acho fantástica a cena da dança em Os fantasmas se divertem, encanto-me de melancolia e estranheza com Eduardo Mãos de Tesoura, acho um bizarro colorido Peixe Grande. De certa forma, esse tipo de coisa faz eu me sentir mais próxima dele. E ver Frankenweenie é como se eu estivesse revendo um querido amigo, que há tempos eu não encontrava.
 
Para mim, 2012 foi um pouco nostálgico, um ano que me fez lembrar muito do passado, das paixões, do que eu queria, indagar por que sinto que deu tudo errado. Frankenweenie me aproxima de Tim Burton, pois o vejo voltar à sua paixão, ao que ele realmente gosta de fazer. Isso fica explícito logo nos primeiros minutos de projeção, com Victor brincando de diretor de cinema, com cenários e efeitos especiais caseiros. A paixão de Burton não é só pelo cinema, ou pelos filmes em preto e branco que ele deve guardar com todo o carinho da memória infantil, também pelos filmes de terror, por Vincent Price, pelos monstros, pelas animações – e está tudo aqui.
 
O roteiro acerta em cheio mostrando o universo do garoto, o tema abordado é universal. Quantas crianças não tiveram que passar pela dor de perder um bichinho de estimação – ou o melhor amigo, companheiro de todas as horas? É natural querer trazê-lo de volta à vida, a fascinação de Victor pela ciência e invencionices lhe dão as qualidades de um jovem cientista maluco. Nesse universo, sacadas como um cemitério de bichinhos de estimação (goodbye kitty!), o cabelo da Poodle lembrando a noiva de Frankenstein (e outras referências, a Elsa é VanHelsing…), os colegas de classe com o visual de monstros por si só (o corcunda? E o gato que é igual à dona?), o professor medonho discursando sobre cerceamento do pensar, o japonesinho que tem a tartaruga-godzilla – há inúmeros pequenos detalhes de humor negro que tornam tudo mais divertido e encaixam perfeitamente. A câmera ao nível do cãozinho ou das crianças nos aproxima deles, os movimentos de animais nos convencem instantaneamente, bem como o jogo de luzes e sombras, o incêndio no moinho é ação.
 
No filme, tudo começa a dar errado quando os outros tentam copiar e tomar vantagem para si, com monstros horrendos – porque, afinal, faltava o elemento principal (oh, o amor). E acho que isso vale pra vida real também, a diferença desta para certas outras produções de Tim Burton (com exceções, claro) é que eu consigo sentir com quanto carinho e cuidado ele fez esta aqui (e eu vi o curta em live action anos atrás, mal poderia imaginar que o longa de mesmo tema teria um resultado surpreendentemente superior). Lembrei das histórias que eu inventava quando era criança, quem disse que só a Pixar consegue fazer um filme para todas as idades? Até caiu uma lagrimazinha, Tim, meu amigo bizarro preferido.

 

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