Como se faz um filme (segundo as categorias do Oscar): melhor animação

É, nosso super intensivo sobre “Como se faz um filme” acabou. Depois do filme pronto, ele tem que ser exibido – o que pode até ser mais difícil do que filmá-lo. Depois dos cinemas ainda será distribuído em DVD/Blue-ray, TV paga, TV aberta, dependendo do filme tem os direitos para merchandise (bonecos, imagem em produtos etc).

Os filmes desta categoria que a Academia criou só em 2002 (premiando filmes de 2001) usufrui bem de tudo isso. São os que melhor podem aproveitar a tecnologia 3D de exibição e a maior parte é voltada para um grande público (para crianças, mas que agrada a família toda), oferecendo bons lucros.

Eu, apesar de ter ficado um tempo afastada de animações – época em que eu não aguentava mais ver bichinhos falantes –, sempre tive uma atração especial por esse tipo de filme. A arte das imagens em movimento pode incluir muitas técnicas de expressão. E grandes filmes podem, sim, serem realizados com massinhas, ou bonequinhos, ou desenhos, ou gráficos de computador.

2012-paperman

Aí, no início deste ano, me deu uma louca e uma vontade boa de querer ver animações. Talvez eu esteja um pouco saudosa das paixões que me moviam quando jovem (ê saudade de tudo que não foi). Sobre Frankenweenie e Detona Ralph eu já escrevi aqui no blog, então vamos aos outros três.

ParaNorman

(Paranorman / 2012)

Historinha: um garoto que vê fantasmas precisa ajudar uma cidade a desfazer um feitiço.

:D: do mesmo pessoal que fez Coraline, um filme que deu arrepios até em adultos, novamente trata do medo, só que menos bizarro e bem mais engraçado. Há uma sensação no ar de que homenageia filmes de terror e aventuras de adolescentes. Os personagens peculiares são ótimos, o amigo gordinho, o mendigo solitário, a vó no sofá, a típica irmã, os mortos sendo atacados pelos vivos, o primeiro gay assumido em uma animação infantil… e ainda tem aquela moral, claro. No caso, a de aceitação do diferente – tempos de bullying, faz sentido.

Piratas pirados!

(The Pirates – band of misfits / 2012)

Historinha: um pirata deslocado encontra Darwin.

:D: hmm, eu entendo as boas intenções, mas sinceramente não sei por que a Academia deu outra indicação pros Aardman. O tal pirata que gosta de presunto quer ganhar um concurso, Darwin o convence que sua “dodô” é muito valiosa, depois ele tem que resgatá-la da rainha louca. Alguns detalhes entretém, como o pirata de barba e curvas acentuadas, o macaco mordomo que se comunica por plaquinhas, a rapidez com que se disfarçam. Mas acaba sendo apenas bobo e acabamos nos desinteressando com o passar da projeção.

Valente
2012-valente-poster
(Brave / 2012)

Historinha: uma princesa rebelde e a mamãe-urso.

:D: na verdade, eu não consegui apreciar plenamente todo o potencial deste, porque com os óculos 3D e muitas cenas mais “escuras”, fiquei bastante incomodada. Mas é inegável que tenha a qualidade técnica, o humor e a emoção do bom pacote Disney. E apesar de voltar à cantoria eventual, é ágil e dinâmico – quase dá pra sentir a adrenalina de Merida cavalgando, o vento de liberdade no rosto. Outro destaque é que a protagonista realmente não fica com um príncipe no final, a relação tratada aqui é a familiar. Volto a frisar, nestes tempos modernos, uma questão que merece muito ser abordada.

Se eu fosse da Academia…

… meu voto iria para Frankenweenie. É lógico que tenho razões pessoalíssimas pra essa escolha, a começar que é provavelmente a última chance de dar um desses pro Tim Burton, compensando que na época de O estranho mundo de Jack não existia esta categoria. Mas… é bem provável que Detona Ralph leve, e eu não vou ficar triste não.

* * *

E os curtas de animação? Sim, eu vi todos. Quem quiser, tem no YouTube ou no site do Omelete.

Bem, o Avião de Papel (Paperman / 2012) passou antes de Detona Ralph e é uma singeleza, eu já tinha comentado, né.

O Fresh Guacamole é uma brincadeira bem bacana, animação super rapidinha em que usam itens de jogos, como se estivessem preparando um guacamole. Quando são cortados em pedacinhos eles se transformam, é visualmente divertido de ver.

Adam and dog exibe uma natureza exuberante, com traços leves. A trilha sonora é bonita e mostra a amizade entre um cão e um homem.

2012-headoverheels

Se eu fosse da Academia…

… meu voto iria para Head over heels. É uma bela animação, que eu já tinha visto no Anima Mundi 2012, abordando a falta de comunicação, a separação estabelecida pela rotina, com o tempo. E o melhor de tudo, dá esperança de reconciliação, por mais que o primeiro conserto possa não funcionar, que a casa tenha que cair, que tenhamos que parar pra ver, pregar pés no chão ou se deixar flutuar no céu.

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