Pobre não namora… mas existem oportunidades.

Aquela propaganda de guaraná barato lhe lembrava seu nome, caso adaptasse, “Póli, Póli guaraná”… Se bem que, a bem da verdade, ao se apresentar, a ênfase seria no “i”, pois o nome é Po-li-a-na. E a abreviação do nome ainda lembrava o verbo “polir”, “Eu polo, tu polis / Eu poli, tu poliste”, ou seria “eu puli”? Enfim, da propaganda de guaraná. Começou a divagar, se perguntou se a pobreza era algo inerente a si. Como se não houvesse jeito mesmo, não importava o que tentasse, ela acabaria voltando para aquele estado, como se fosse pra ser assim – simplesmente isso, ela tinha que ser pobre, o seria para o resto da vida.

     Há pouco tempo tinha decidido que não poderia ter um namorado. Afinal, era pobre. Um namorado exigiria que ela se arrumasse, mas ela sempre fora adepta da cara lavada, não poderia comprar maquiagem, não podia pagar uma manicure ou sessões mensais de depilação (sua sorte era que não tinha pelos tão difíceis, podia dar um jeito em casa), não podia ter vários cremes e perfumes. Não podia comprar roupas da moda, ou novas, ou sapatos, ou bolsas, ou joias, ou bijuterias. Namorar significaria também compartilhar momentos, mas ela não tinha dinheiro para sair, nem que fosse só uma vez por semana. Não poderia dividir a conta do restaurante, ou pagar seu próprio ingresso de cinema, de show, de teatro, sem falar em estacionamento ou táxi. E deixar o cara bancar tudo não era opção para seu espírito independente. Claro que existem museus gratuitos e parques verdes, mas não dá para namorar só disso (por isso que pobre não namora, faz filhos).

Daí, a brilhante ideia lhe ocorreu. De que deveria parar de reclamar, resmungar, fazer-se de vítima. Deveria aceitar a pobreza, desfrutar da pobreza, transformá-la em oportunidade.

Não que fosse virar adepta do freeganismo (aquele pessoal que vive de grátis e cata coisas do lixo). Embora ela sempre tivera esses ideais contra a sociedade de consumo exacerbado, por demais materialista para sua alma livre. Claro que a globalização tinha seu lado bom, a variedade cultural mais acessível a todos, a possibilidade de cada um poder expressar melhor sua individualidade sem tanto preconceito. Mas extremos nunca são bons, o equilíbrio sim. Não precisava virar mendicante. Ela sempre apreciou as coisas simples da vida, então conseguiria sobreviver sem as superficialidades. Só isso.

1)      A oportunidade de fazer dieta

Mulheres sempre se acham gordas e seeempre estão de dieta. Pois, se pararmos pra fazer as contas, vegetais e frutas são bem mais saudáveis, nutrem e sustentam mais que os produtos industrializados. Reduzir refrigerante, doces, gorduras, contribui para o bolso e para o corpo. Sem falar que uma dieta saudável reduz a propensão a doenças (menos gastos com médicos e remédios!).

2)      A oportunidade de ver outras caras

Quem não pode pagar academia pode, pelo menos, tirar um tempinho pra caminhar por aí. É de graça e a gente pode ver pessoas e lugares diferentes. Também dá pra fazer exercícios localizados em casa, em frente à TV, vendo diversos noticiários e comparando a forma com que cada um apresenta…

3)      A oportunidade de exercer a força de vontade

Quando não tem jeito, não tem jeito. E se a gente quer muito uma coisa, tem que correr atrás. Isso pode ser um ideal, um sonho, uma meta. Eu quero estudar, então vou ter que ir numa biblioteca, sentar e meter as caras nos livros, sem a desculpinha de não estar pagando um curso, de não ter colega pra voltar pra casa; ninguém é responsável pela sua realização, apenas você mesmo.

4)      A oportunidade de ser ecologicamente correto

É verdade que pessoas pobres tem que aproveitar ao máximo o que puderem. Nada de desperdícios. Fazer trocas e agradecer por doações. Aproveitar produtos locais que são mais baratos, economizar gasolina – pegada menor de carbono. Economizar água, economizar luz. Menos compra, menos coisas que a gente não precisa em casa, menos lixo. Aproveitar água da chuva se possível? Inúmeros exemplos… Ser pobre pode fazer bem ao planeta.

5)      A oportunidade de mandar a inveja pra longe

Se você é pobre, ninguém vai te invejar.

6)      A oportunidade de valorizar o que tem

Ninguém vai ser seu amigo com segundas intenções, as pessoas que gostarem de você vai ser pelo que você verdadeiramente é. Mesmo vendo um ricaço, a gente aceita a condição de pobre, sabe que nunca terá aquela vida e esquece. Tem que dar valor ao que tem, pois não tem outras opções, é só aquilo que possui e é assim que vai viver. Ponto.

7)      A oportunidade de desenvolver virtudes

Descobrir alternativas, nas quais você nem pensaria se tivesse dinheiro. Desenvolver a disciplina e autocontrole – é uma oportunidade pra parar um segundo, pensar “preciso mesmo disso? Vou poder pagar por isso?” e resistir, se for o caso. Trabalhar a criatividade, “como conciliar isso e aquilo?”, “e agora, o que posso fazer?”. Desenvolver a reflexão sobre seus atos e palavras, pensar na família, nos amigos, enviar boas energias a eles e cultivar bons pensamentos (não se preocupar só no material, o que comprar, onde ir, o que fazer). Levar uma vida mais em paz – já que pobre não tem condições de cumprir tantos compromissos, relaxar um pouco, descansar, olhar os horizontes. Sonhar – porque faz bem à alma; se alguém tivesse tudo, não teria graça nenhuma viver.

talvez este post tenha continuação

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