Somos tão jovens

(2013) **

2013-somostaojovens

Historinha: a rebeldia da juventude em versos e bandas de rock em Brasília.

:D: eu demorei a conhecer a Legião Urbana. Passei o início da adolescência isolada do mundo e depois trabalhei em fábricas – quando eu só tinha forças mesmo era chegar em casa, ver algum episódio de novela japonesa, comer, tomar banho e dormir. De modo que, quando uma amiga da época me apresentou os primeiros versos, Renato já tinha partido desta existência. E, mesmo assim, eu me apaixonei. Eu quis comprar um violão e compor, eu quis mudar o mundo.

Taí, agora sim, vamos falar deste filme de Fontoura. Mesmo afastada da tela grande por motivos de força maior, eu não podia deixar de ir conferir. Depois de Beatles, é Legião pra mim (imaginem como não gostei da cena em que ele se despede de John Lennon). E eu já esperava que eles iam tentar explorar o máximo de canções que conseguissem, mesmo que às vezes não fizesse muito sentido, captando toda a, ehe, legião de fãs de Renato, da banda.

De modo que algumas frases e situações intencionais, meio bobas, não me abalaram (usando frases das músicas a esmo; a rockonha; etc). O que me deixou um pouco “chatiada” foi saber que aquela melhor amiga não existiu e a todo tempo, tudo me fazia duvidar se o que eu estava vendo na tela era verdade ou não, se tinha acontecido (e naquela ordem) ou não. Embora, a Aninha tenha feito todo sentido no universo do filme – e ouvir “Ainda é cedo” com um novo olhar ficou bem bonito. Acaba sendo uma válvula pras pessoas buscarem conhecer melhor quem foi Renato Russo de verdade – e venhamos e convenhamos, se tu não conheces, tá mais do que na hora, véi. ;)

Esse é o lado bom. E eu me surpreendi gostando do resultado geral, sim. O recorte que procura passar o espírito contestador, da época de juventude rebelde. Claro que com a ditadura e o nascimento do punk como contexto, fica bem fácil de mostrar e sentir a urgência daqueles jovens. Coisa que pode parecer perdida para os tempos atuais, pós guerra, paz e amor, quando todo mundo tem tanto comparado com anos anteriores, tanta informação acessível – e tão pouca alma. Mas existem essas reivindicações originadas por redes sociais, não? A vontade de usar roupas diferentes que te expressem, de cantar por aí o que transtorna o coração. Parece algo perdido, mas acredito que existe sempre a rebeldia inerente aos jovens, ela só é expressa por formas diversas. E, quem sabe, talvez estes sejam tempos de um outro tipo de revolução… (pessoal, espiritual?)

Enfim, sim, eu não desgostei de todo. Cantarolei baixinho; achei linda a cena em que o violino traz acordes de “Eu sei / que erro também”, depois que Renato briga com os colegas do Aborto Elétrico; fiquei impressionada com o trabalho do Thiago Mendonça (incorporando trejeitos físicos, de fala, de timbre de voz, da alma mesmo do Renato), até me diverti com o surgimento do Capital Inicial. Relembrei da época em que eu queria mudar o mundo, e se servir de inspirador pra criar mais pensadores e instigar mais jovens, não acho tão ruim trocar um pouco da veracidade por esse espírito mais livre.

 

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