E se a Terra parasse?

cropped-2013-faroestecaboclo1.jpg

Não lhes parece propício que, num mês em que tivemos dois filmes relacionados à Legião Urbana em cartaz, tenham surgido essas manifestações pelo país? Às vezes todo brasileiro deve se sentir como João de Santo Cristo, injustiçado pelas condições que a vida lhe deu, com um grande amor pairando longe de sua realidade, com a terra batida sob os pés, contra o “sistema” (de corrupção, de desigualdade social, de desigualdade de espírito…).

Às primeiras notícias sobre a manifestação quanto à passagem de ônibus, eu não imaginava nem esperava que o movimento chegaria a crescer tanto. Julguei que o aumento da passagem representava a gota d’água na situação (precária) que a grande população vive nos dias atuais, uma população já cansada depois de engolir tanta coisa; que o sentimento real por trás do número crescente de manifestantes se relacionava basicamente à injusta, má distribuição de renda neste país – coisa que sempre existiu, mas que talvez tenha ficado cada vez mais aparente e dolorida pra cada vez mais pessoas.

Daí eu estava tentando lembrar de alguma cena emblemática de algum filme, porque eu me permiti viajar no pensamento, criando uma revolução. Infelizmente, vieram-me apenas trechos de canções, “o dia em que a Terra parou” / “well, you know, we all wanna change the world” / “somos filhos da revolução”… E por aqui vocês veem uma gradual covardia em mim – fiquei me imaginando diante de uma instauração da ditadura, provavelmente eu seria uma daquelas pessoas covardes que ficariam quietinhas dentro de casa, sem saber o que mais fazer.

Portanto, deixo o pessimismo de lado pra voltar às imaginações grandiosas. Fiquei pensando: e se, de repente, um belo dia, todo mundo decidisse não ir mais trabalhar? E se fosse exigido que os mais ricos dividissem parte de suas posses com os mais pobres; e se quisessem que os salários dos altos políticos fossem cortados para a média que a maioria da população ganha; e se fosse implantado um plano de melhor distribuição populacional; e se os presos fossem colocados pra trabalhar pra recuperar áreas perdidas do país e ganhar seu pão com o próprio braço; e se fossem colocados em prática cursos para formação de voluntários, de mais pessoas que pudessem ajudar na saúde e na recuperação de áreas miseráveis; etc etc etc.

E se, acontecesse realmente uma revolução espiritual, em que todos pensassem mais no outro que está sofrendo, no que cada um pode fazer, no planeta – e se não fosse apenas regional, mas no mundo todo? E se todos pudéssemos viver e conviver com mais igualdade e harmonia entre os diferentes, e se, pra isso, o ladrão deixasse de sair pra roubar, o vândalo deixasse a raiva e não quisesse por aquele dia quebrar nada, o assassino deixasse sua paixão de lado pra se juntar a todo o resto do povo numa manifestação para o bem maior?

Aí, aquela canção do Raulzito viraria uma sociedade alternativa, seria o dia em que a Terra parou. Mas… bem, aí já não seria a Terra, certo?

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s