De 9 anos atrás

De todos os do passado, fiquei pensando, eu gostaria ainda de ficar com dois. Por nenhum dos outros movo qualquer sentimento, mas me sinto atraída por esses dois. Daí, fiquei imaginando com o primeiro (até porque, o que imagino nunca acontece mesmo), como seria possível agora. Nós tomaríamos um café juntos depois de todos esses anos silenciosos e distantes. Teríamos aquele papo só pra saber o que cada um está fazendo da vida – como se isso fosse importante, não importava, na realidade. Importava é que estaríamos ali, um de frente para o outro de novo, reconhecendo que ainda existia o sentimento, mesmo depois de tanto tempo separados e de tantas histórias vividas. Algumas coisas haviam de fato mudado, algumas rugas a mais. E lembrei daquele filme, “Antes do por do sol”, pois fazia 8 anos desde aquela briga, fazia 9 desde que o conheci, embora o sorriso dele ainda me cativasse tanto.

9 anos atrás eu achava que éramos almas gêmeas, que tínhamos tanto em comum – analisando mais friamente depois, percebi que não tinha nada a ver mesmo. E hoje? Teríamos qualquer coisa em comum? Mas não importava, eu já não me importava. Depois de tanto tempo procurando por alguém que tivesse coisas em comum, eu só sabia do sentimento tátil no ar, da vontade de abraçá-lo e de me perder naquele olhar italiano. Eu responderia sim a um encontro, mesmo que fosse dificílimo conciliar datas e rotinas e planos de vida. Eu iria até sua casa para um jantar, massa e vinho, mesmo que estivesse cometendo o mesmo erro de outrora – de um rapaz de mesmo nome de um passado ainda mais distante e diferença de idade semelhante.

E por que eu voltava a pensar nele? Obra do acaso, que nos fez reencontrar – só de vista. Obra deste cérebro inconsistente, que me fez sonhar – só em prestação. Talvez fossem as circunstâncias, em que eu precisava de alguém do meu lado pra jogar conversa fora; alguém pra me consolar de um falecimento, que me oferecesse o ombro; alguém pra eu parar de pensar em tudo que não se concretizou e tudo que não se concretizaria – pra ter nada em comum mesmo. Quem sabe essa não fosse a grande ironia da minha vida? Se o incerto fosse certo? Pois que aquele outro tão certo era o mais fácil, de mais sentido, mas desprovido de sentimentos – seria uma daquelas relações assexuadas, que, bem, eu não teria problemas com isso, mas os caminhos fáceis são fáceis demais para nós humanos. Pois que aquele, aquele lá, também não quis e depois quis; e o mundo hoje é tão desacontecido que, de repente, essa seria a grande ironia dele, depois daquela grande revolução social, a outra nova seria exatamente desacontecer e admitir o amor.

De modo que faríamos tudo bonitinho, no que seria bonitinho dos tempos antigos: um café, um olhar, um sorriso, um jantar, uma conversa pra se conhecer melhor, um beijo, um carinho, uma noite, um perdido, um perdão, um pedido, uma aceitação, um convívio, uma realidade, duas aceitações, dois em um, uma liberdade, uma felicidade.

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