Mostra SP #02 – Escudo de palha

No segundo dia da Mostra eu estava em dúvida se pegava aquele novo dos Coen, acabei não comprando antecipado pela internet e no dia se esgotou (óbvio). Mas eu tinha o plano B (óbvio – II), e peguei um filme japonês no Shopping Frei Caneca. Por acaso encontrei meu irmão e ele me acompanhou na sessão (deve ter revirado o cérebro dele, ouvir o japonês, que ele entende; tentar ler a legenda em inglês, que ele está estudando; e talvez em português – ele me contou que desistiu e só ouviu em japonês).

Escudo de palha

2013-strawshield
Wara no tate / 2013 ***

Historinha: um grupo tem que escoltar um estuprador de menininhas com cabeça à preço.

:D – que coisa louca quando um diretor sabe o que quer e sabe filmar, hein? Se a gente prestar atenção, pouca coisa ali não tem uma intenção.

– existe um ponto no lado direito da tela para o qual o olhar do espectador vai inconsciente, e é dali que começamos, levando tiros.

– cadê o Japão que preza pela honra, pelos valores, pelo sacrifício, por um serviço bem cumprido? Cadê, diante da proposta de bilhões de ienes, pós/durante essa crise econômica mundial?

– o caráter duvidoso de todos os personagens e como é conseguido manter certo suspense sobre eles. Em especial a Shiraiwa, que sempre ameaça matar o carinha.

– eu não sabia que no Japão também sabiam filmar sequências de ação?! Eita, aquela enfermeira no hospital, aquele comboio sendo atropelado, todas as cenas de luta, a tensão construída com ajuda da tecnologia atual dos celulares…

– e o cara que faz o policial durão? Não precisa falar nada, ele é o policial durão, praticamente um Bruce Willis japonês.

– ainda dá tempo de brincar com a edição de som! Vide o noticiário cortante dentro do carro.

– aí vem o Miike e prova que, às vezes, vilão pode ser simplesmente vilão. Porque o que importa mesmo são os conflitos gerados na gente, entendeu?

– e quando a gente começar a sentir uma comoção por dentro, a raiva crescendo e explodindo, e se pergunta o que teria feito no lugar? É assim que os bons filmes constroem seus personagens e nos convencem.

– pra que enrolar? É uma “provação” atrás da outra, e morre um, e aparece vários que poderiam matar, e tem microchip, e tem um campo verde com pimentões vermelhos refletindo a sensação e vontade de um ser humano.

D: – poderia ter deixado no suspense, acabado ali com a tela preta e evitado o circo da mídia e do velhinho que parece um Yojimbo ao vento? Poderia. Mas o negócio é bom demais pra gente ficar reclamando dessas coisas.

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