Mostra SP #10 – Oldboy e Park Chan-wook

Continuando meu dia de folga com Mostra, na quarta 30/10, eu saí andando pela Paulista até a Faap – ponto de parada obrigatório em cada ano desta minha vida paulistana (por um motivo ou por outro). Já tinha um plano B para caso não conseguisse o ingresso para ver o diretor de Oldboy. Mas, para minha surpresa, eu consegui! E fui fazer um lanchinho, quando comecei a ver aquele monte de gente na fila, uns carinhas atrás de mim comentando “mas é um filme coreano, o que tem demais?”, e passei a me perguntar se cabia tanta gente naquela salinha deles?

Pois é. Não, não cabia. Uma das portas estava fechada, então você tinha que passar na frente de todo mundo pra ver se achava um lugarzinho lá no outro canto à direita da sala, ou se amontoava com as outras pessoas sentadas no chão. Ou…….. fazia igual eu, assistia à projeção de 120 minutos… de pé! Pois sim. De pé!

Não, não tentem entender, parcos leitores. Isso acontece TODOS os anos da Mostra em algum lugar. Ou tem gente sentada no chão ou tem aquelas pessoas que enfrentam filas enormes esperando por uma vaga na sala. Por quê? Por que as pessoas se submetem a isso? Porque esse povo que gosta de cinema até pode ser inteligente – longe da sala escura. No geral, é tudo um bando de louco mesmo.

* * *

Ah, sim, depois, às 21:00 nós tivemos que andar até o auditório do Teatro Faap, fazer fila de novo (e eu me perguntando por que raios eles já não deixaram aquela sala separada para as projeções e o bate-papo, já que era bem maior?).

Veio o “Rubinho”, o Park Chan-wook não precisou apenas de um tradutor, mas também de uma cineasta coreana para ajudar a explicar os termos que ele usava, e passaram algumas cenas famosas de filmes dele. Eu, particularmente, fiquei com vontade de ver sua comédia romântica, I’m a cyborg, but that’s ok. E gostei muito da história que ele começou a fazer storyboards porque o produtor disse que era assim em Hollywood, aí agora ele foi pra lá e viu que ninguém faz… Ou quando ele conta que não se envolveu em nada com a versão do Spike Lee para Oldboy, mas está curioso, pois uma das cenas mais famosas se resolveria com um simples tiro (aliás, legal saber que essa sequência tinha sido pensada de outra forma). E um burburinho corre pelo teatro depois que Rubens pergunta o que Oldboy mudou na vida do diretor – aí ele conta que, na verdade, foi Zona de Risco o mais importante, pois foi o que mais fez sucesso na Coréia.

Aí, agora é a hora em que vocês me perguntam por que uma garota meiga e doce como eu se interessa por um diretor que usa a violência como escape e faz dança com agressão? Gente, não quero assustar vocês, mas desconfio que as pessoas que nasceram nessa época de Agosto não batem muito bem não – Park Chan-wook completou 50 anos neste último 23 de agosto, e Tim Burton, 55, no mesmo dia que eu, 25 de agosto. Só alguns pensamentos pré-halloween.

* * *

Oldboy

2003-oldboy
Oldboy / 2003 ***

Historinha: um homem atormentado pela vingança.

:D – eu já tinha visto, mas me propus a uma revisão mais “objetiva”, sem sentimentalismos. E continua bom demais.

– não consigo encontrar cenas que não sirvam à trama. Tudo bem colocadinho, envolvendo o público que quer saber onde tudo aquilo vai levar.

– os escuros verdes, as cores quentes de paixão, a sala do “vilão” com muita água (lembrando o rio da irmã), as lembranças com tonalidades tão mais claras contrastando com os espaços escuros enquanto o personagem está realmente “no escuro”, buscando respostas, buscando redenção.

– o senso de humor. Conseguimos dar risada entre uma descoberta e outra.

– a música que transforma em dança coreografada aquela luta com martelo e um monte de capangas no corredor, inesquecível.

– o fato de nunca subestimar o espectador, é uma cena impressionante atrás da outra, um fato intrigante após o outro. E como tudo faz sentido nesse universo!

– que trabalho convincente dos atores (o elenco em geral). Ouvi falar que o ator principal realmente comeu aquela lula viva.

– o cuidado de produção. Veja, por exemplo, na parede daquela cabeleireira: a folhinha de calendário marca a data certa.

– uma das mais perturbadoras reviravoltas em final de filme!

D: – não é pra qualquer estômago. Arrancar dente, cortar a língua…

– pode acabar com o psicológico de alguém.

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