Mostra SP #11 – Era uma vez em Tóquio

Era para ser o último dia da Mostra pra mim, mas ainda sobrou um ingresso pra Repescagem… para me consolar de não ter conseguido a sessão que eu queria, fui ver o Brad Pitt e o Michael Fassbender (pior que nem consolou, não).

E depois de jantar, no elevador, um moço: “Era uma vez em Tóquio?” (imagino que ele tenha visto minha bolsa e pensado que o filme mais próximo era esse). Confirmei, mas disse que já tinha comprado ingresso. Ele ficou meio receoso de não conseguir um ingresso e eu tentei acalmá-lo, “mas esse já passou em outras sessões”, ele: “mas hoje é o último dia…”. Tenho certeza de que ele não teve problemas, a sessão nem lotou. Aliás, quem é que vai ver esse, com tantas outras opções? Euzinha. Porque às vezes um clássico do cinema é tudo o que a gente precisa para (supostamente) terminar uma maratona, pra fechar com chave de ouro, deixando a gente feliz. A primeira coisa marcada no meu guia foi: dia 31/10, encontro marcado com um dos maiores clássicos da história do cinema.

* * *

Era uma vez em Tóquio

1953-tokyomonogatari1
Tokyo Story / Tokyo Monogatari / 1953 ****

Historinha: um casal visita os filhos que estão ocupados demais para cuidar deles.

:D – e quem disse que a gente precisa de firulas de imagem e movimento, luzes e ação para ter um bom filme? Uma câmera baixa, alguns cortes, nenhum narrador e só os personagens, só o cotidiano… É simples assim, ó.

– é verdade que este é um dos grandes diretores japoneses. E é tudo bem típico japonês mesmo (desenho de produção de parabéns), aqueles cenários são lugar comum, viagens a casas de banho, bebedeira com amigos, os modos respeitosos de modéstia também. Mas indo além, os temas de velhice e morte, as relações familiares – é tudo muito universal.

– aí você também pensa no Japão pós-guerra, que se recuperou, se ocidentalizou, se industrializou, que ficou tão materialista e frio (aquela de querer o quimono no mesmo dia do funeral foi a gota d’água, não?). E pensa nas tradições, no respeito aos idosos, na consideração que todo ser humano, independente do momento, deveria dispender (a gente nem sabe direito por quê, mas sabe que deveria). Pode passar anos, mas o filme não envelhece não.

– os meninos impacientes; a maneira serena e espirituosa com a qual o pai lida com todos os movimentos da vida; a viúva sem jeito, admitindo ter insônia ou humilde diante do fato de que a sogra tinha gostado muito de sua companhia – atuações que parecem fáceis, mas não são não.

– esse filme é uma covardia para com minha pessoa. Daí eu lembro quando novinha, como meu avô não queria ficar muito tempo passeando no interior e a gente se perguntava por que ele tinha voltado mais cedo. E daí eu lembro como muitas vezes estive “muito ocupada” pra papear com minha avó, lá pelos 10 anos. E daí eu lembro como foi cuidar do meu avô sozinha ano passado, pois o resto da família estava longe, pouco antes de ele partir deste mundo. E eu, que sou tão insensível na vida real, sinto uma dor lá no fundo da alma e choro copiosamente – no escurinho do cinema, porque ninguém precisa saber disso, simplesmente foi como tinha que ser, simplesmente foi assim.

 

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