Um consolo para o tio Rob

Dear Rob,

não sei exatamente em que partes das regiões suicidas você está neste momento, mas envio esta por mensageiros, apesar do risco de quebrar códigos de lei.

Queria lhe pedir desculpas porque tínhamos tantos planos naqueles dias dourados e eu deveria ter lhe dedicado mais abraços, embora nestes últimos tempos nossas rotinas tenham se distanciado tanto.

Talvez seja tarde, mas quero lhe oferecer um consolo. Não vou me lembrar de você por suas últimas imagens do mundo real, mais acometido pela idade, pelos vícios, pelas dores de alma. Vou lembrar do encantamento que tive ao descobrir, aos 10 anos de idade, que era sua a voz a do gênio de Aladdin (1992)****, o que fazia total sentido, pois sua energia e alegria traduziam pra mim uma versão mais mágica de você mesmo. E mesmo Hook: a volta do Capitão Gancho (Hook / 1991)***, levando lavada pela crítica, trouxe momentos muito divertidos no mundo imaginário, pois brincar contigo de Peter Pan ficou como uma das melhores memórias infantis. Mais tarde, no meu isolamento aos pés de montanhas, quantas vezes não repetimos Jumanji (1995)**! Você era mais que uma celebridade, passou a fazer parte da família, como um tio que nunca tive e me levava sempre em aventuras fantásticas.

1991-hook-family

Embora, na verdade, muito antes já brincávamos de artistas, com as peripécias poéticas de Sociedade dos poetas mortos (Dead poets society / 1989)****. Já um pouco menos importante, a ajuda a mentes jovens com aquela energia nova, em Gênio indomável, (Good Will hunting / 1997)***. Teve algumas brincadeiras que nem foram tão legais, Flubber (1997)* foi mais um experimento com geleia verde feita por computador. Já O pescador de ilusões (The fisher king / 1991) me fez chorar; The birdcage – a gaiola das loucas (1996) *** tinha purpurina e sorrisos menos afetados, mais naturais; Um sinal de esperança (Jakob the liar / 1999)*** foi na onda de A vida é bela (La vita è bella/1997)? Amor além da vida (What dreams may come / 2002)*** tocou mais fundo nas nossas filosofias sobre amor verdadeiro e pós morte; Patch Adams – o amor é contagioso (Patch Adams/ 1998)** e a dedicação de médico, de um profissional que realmente buscou tornar a vida das pessoas melhor, e quão estranho e engraçado aquela piscina de macarrão!; O homem bicentenário (Bicentennial Man / 1999)** era uma brincadeira de futuro que acabou sendo muito longa e triste.

Fomos envelhecendo, e os últimos não acompanhei tanto. Também, chatinho o Licença para casar (License to wed / 2007)*; uma incógnita entender como juntou tantos nomes famosos, O casamento do ano (The big wedding/2013)*.

Mas você é e sempre será meu tio Rob, neste outro mundinho imaginário, que sempre se esforçava para nos trazer sorrisos – e quase sempre o fazia com sucesso. Nesses últimos é que eu já estava mais crescidinha, não pude me entreter tanto, mesmo com a série Uma noite no museu (Night at the museum / 2006)***.

1989-deadpoetsociety

Enfim, o consolo é esse, é tantos sorrisos que você pôde trazer a esta Terra! Tio Rob, talvez esteja no trem, talvez em terra escura, talvez precise acordar. Mas não desistimos, entende? Tanta energia boa que você gerou neste mundo… É com lágrimas que, no meu coração, além de todas essas brincadeiras, pra mim fica Uma babá quase perfeita (Mrs. Doubtfire / 1993)***, com você se importando tanto com seus filhos e apesar de travessuras, aceitando uma separação, encontrando um amor maior. Essa é a imagem de “tio Rob” que continuará a me dar esperanças. Esperanças que vamos voltar a nos encontrar e, então, lhe oferecerei meu abraço mais terno, esperado por tempos e tempos aparte.

1993-mrsdoubtfire-hellooo

1992-aladdin-genie

– É o seu mundo imaginário, por que você não pode resgatá-lo dessas regiões suicidas?
– É o que estamos tentando, é o que estamos tentando.

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