Um festival de animação

– E aí? Tudo bem? (Ele tinha terminado com a namorada no mês anterior.)

– Tudo! Que coincidência! Você vem sempre pro festival? (Ela tinha ido pra Milão. Mas tinha dado tudo errado. Ela não encontrou com aquele rapaz alto da casa de chá. E também não teve sucesso no treinamento para o qual viera).

-Todos os anos, sempre que eu posso. E você? (Era essa garota por quem ele tinha se encantado. Apesar de ter contato com tantas outras, ela o animava e o fazia sentir uma faísca, uma alegria por dentro).

– Ah, eu também, quando posso. Mas geralmente é só um dos dias. O que você vai ver hoje? (Ela ainda estava voltando a dirigir, então preferira ir de trem, o que a impossibilitava de ficar para as últimas sessões).

– A sessão da sala 1.

– Que começa às 19h, agora?

– É, essa mesma.

– Ah, então vamos pra lá, que eu também tô nessa sessão.

E os dois foram juntos, mais uns 2 amigos dele. Conversaram um pouco antes de ela voltar pra casa. Combinaram de ver duas sessões no dia seguinte, acabaram indo aos cinco dias do festival. Entre um comentário e outro sobre a edição, as técnicas utilizadas, a reviravolta do plot, o festival nunca lhes pareceu tão colorido. Ele se surpreendeu com a pouca diferença de idade entre os dois, e trocavam referências de infância. Ela se surpreendeu com algumas opiniões e visões de vida parecidas, e trocavam exemplos de pratos culinários que deram errado e dificuldades familiares. A conversa fluía tal qual aquarela, eram lápis de cor cujos traços combinavam, dançando sobre o papel branco, do nada criando possibilidades.

Depois que voltaram as aulas (de ambos), encontravam-se casualmente, tomavam um café e conversavam. Uma vez por semana viam um filme juntos. Animavam-se a cada encontro! Agora, já um movimento contínuo, que obviamente levou à finalização em cores vibrantes, embalados por uma trilha original que eles nunca antes tinham pensado conseguir produzir – claro, cada um tem sua própria musicalidade única, mas a harmonia de sua união não tinha sido planejada. Decidiram ir em frente.

3D, com profundidade, por artistas hábeis e esmerados, pode gerar emoções inesquecíveis – embora dê trabalho. É preciso atenção aos detalhes, não deixar sombras indesejáveis, aprender a lidar com as diferentes formas, intenções, possibilidades. Acrescentar uns toques aqui e ali, não deixar toda aquela cor se desgastar e apagar todas as maravilhas já desenhadas, combinadas, movimentadas. Tinham ganhado vida. Apesar de a vida nem sempre ser uma festa, desejaram que pudesse sempre ser um festival, de animação.

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