Uma cena: Deus e o diabo na terra do sol & O desafio

Está acabando o semestre de Audiovisual e tenho só mais duas provas e a apresentação dos curtas para entrar de férias. Uma dessas provas é da disciplina de “Cinema Moderno Brasileiro”, e por uma boa ventura e boa fortuna, pude descobrir um filme bem interessante: “O desafio” (1965)***, de Paulo César Saraceni. Claro que tendo lido um texto de análise, tudo faz diferença, mas gostei bastante de algumas cenas deste filme que não é tão conhecido do público brasileiro e marca uma época. O Brasil tinha acabado de sofrer o golpe militar, os que acreditavam em mudanças sociais no país não sabiam o que fazer, a política fervilhava na mente de alguns enquanto a burguesia industrial se deixava mover apenas por interesse próprio.

Uma cena bem bonita no quadro é quando Ada, personagem de uma mulher de industrial, está no quarto com o amante que lhe pede para falar mais dela. O que vemos é uma mulher dividida, e ouvimos ao fundo as Bachianas de Villa Lobos.

 
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O tema do seminário era Cinema Novo brasileiro, e claro que tínhamos que ver (no meu caso, rever) “Deus e o diabo na Terra do Sol” (1964)***. Que coisa louca era Glauber Rocha, e foi com um pouco de nostalgia que revisitei uma das cenas inesquecíveis de minha infância. Quando eu tinha uns 13 anos, era 1995 e a Globo fez um especial sobre os 100 anos do cinema, que passava tarde da noite. Na época, início dos anos 90, eu na minha ingenuidade achava que não existia cinema no Brasil e que, se um dia eu quisesse fazer isso da vida, teria que me mudar pra Los Angeles, Hollywood. Eis que então eu vejo a cena do beijo entre Corisco e Rosa. Diziam na época que era o beijo mais longo da história do cinema, não sei se isso procede, mas eu lembro de ter ficado embasbacada, pensando: “Isso é cinema brasileiro?!!”

Essa é uma das cenas de cinema da minha vida que jamais vou esquecer. Uma garra, uma fúria, uma paixão, revejo o filme e ganha ainda outro significado no contexto histórico. E as Bachianas de Villa Lobos ao fundo.

 
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