3 meses

Do final de julho pra cá, muitas coisas aconteceram na minha vida. E lembro que no início do ano eu tinha pensado que este 2015 pudesse ser um ano pra quitar uma dívida antiga e, de quebra, resolver alguns “unfinished business”. Dentro da lista consegui, sim, cortar alguns itens, como terminar de ver “Friends”. Tem alguns tantos outros que ainda me faltam, como dirigir, aprender ukulele e estudar japonês. Mas um outro aspecto que resolvi enfrentar de vez foi cuidar melhor da minha saúde.

Já fazia anos que eu precisava fazer umas visitas aos médicos e uns exames, e apesar da rotina corrida, tentei encaixar isso. Afinal, já passei dos 30 e dá pra sentir que o corpo físico não é mais a mesma coisa. Fui ao dentista, que só pediu um tratamento simples.

Depois à ginecologista e toda a bateria básica dos exames, e estava tudo certinho, graças a Deus.

Fui ao oftalmologista, que me recomendou não usar mais lentes de contato. Quero fazer óculos novos, mas para uma receita mais precisa, ele pediu que eu voltasse em 2 meses. O lado bom é que meu grau não aumentou, talvez tenha estabilizado, e me senti bem atendida pelo médico, que explicou tudo direitinho.

E por que voltar em 2 meses? Porque eu também decidi enfrentar um problema cujo tratamento venho protelando há algum tempo: a diabetes.

Que é o mais complicado de todos. Há mais de dez anos, fiz uma vez um exame desses de rua, que deu bem alto. Falaram para eu ir ao médico, fiz os exames e deu apenas tendência.

Meio que deixei isso de lado, depois de alguns anos fui de novo no endocrinologista e tentei começar um tratamento, mas o remédio me dava efeitos colaterais, meu estômago ficava estranho, tive diarréia e ânsia de vômito.

Depois de mais algum tempo, fui tentar um outro médico, que me pediu pra fazer um mês de dieta rígida, sem comer nada. E eu até consegui, mas quando voltei, ele pediu mais um mês de dieta e… como não sou tão forte, acabei comendo alguns doces e não voltei mais no médico…

Pois bem. Este ano eu decidi ter um pouco mais de determinação e encarar firme e forte. Fiz um exame de sangue bem completo e o médico novo me disse a mesma coisa: cortar todos os doces, refrigerantes, sucos. Frutas, 3 porções pequenas por dia no máximo.

E como eu tenho histórico de diabetes na família, com mãe, avó, tias da parte do pai, todas com diabete, já sei bem o que é que faz mal. Não comer muita massa, arroz, pães, grupo dos carboidratos. Não exagerar em nada, comer mais vegetais e legumes.

Parece fácil, quando a gente fala assim. Mas pra quem estava acostumada a tomar refri toda semana e sucos nas refeições, cortar isso foi bem difícil. As primeiras duas semanas foram desesperadoras, eu tava subindo pelas paredes por um chocolate. Na terceira, tudo o que eu queria era uma colher de sorvete… Nunca fui tão afeita a pães doces e bolos, mas passar a tpm sem chocolate foi bem difícil, sim.

Por causa da diabetes, meu colesterol tava bem alto também, de modo que passei de uma pessoa que não tomava nada até julho para alguém com disciplina de 4 drágeas ao dia: duas da diabetes, 1 comprimido pro colesterol e 1 pílula anticoncepcional. E o pior é que o remédio da diabetes receitado é bem caro… mesmo com desconto, sai mais de 100 reais e não dura um mês. Pra desanimar qualquer um, né?

Mas sei que preciso cuidar disso. A diabetes é uma doença silenciosa, os sintomas podem não aparecer agora, mas com o tempo, dá muitos problemas. Vi minha avó ter que amputar 2 pernas, minha tia está praticamente cega, sei que sem cuidados é perigoso ter filhos, fazer qualquer cirurgia, os ferimentos demoram a sarar.

Talvez algumas pessoas podem pensar, “ah, todo mundo vai morrer mesmo um dia”. Mas enquanto estamos vivos acho que todos nós queremos continuar seguindo a estrada da vida da melhor forma possível, não?

Tratar da diabetes me exigiu uma disciplina quase monástica, e neste último mês, eu confesso que relaxei um pouco. Acabei me deixando tomar um gole de açaí, comer um pedaço de bolo, chupar sorvete light. Embora, afirmo que no segundo mês eu já não sentia tanta vontade de açúcar, sabia? Se o primeiro mês foi um martírio, o segundo foi quando percebi que até que consigo passar bem sem certas coisas.

O colesterol do segundo exame melhorou. Vamos ver como será o resultado deste terceiro mês, em que relaxei bastante. Minha mãe diz que é como o caminho do Buda, não pode ser nem um extremo, nem outro, é o “caminho do meio”. Talvez ela tenha razão. Eu também não acho que uma colherzinha de sorvete de chocolate vai acabar com tudo, melhor do que ficar super pra baixo e irritada.

Mas esses primeiros meses foram importantes para ter firmeza, saber dizer não e aceitar essa condição. Sei que tenho que controlar a alimentação, e meu próximo passo é diminuir ainda mais os carboidratos, porque ainda acho que como muito à noite. Também tenho que comer mais peixe e tomar mais sol, pela deficiência em vitamina D.

Nestes últimos três meses, aconteceram também outras coisas (assunto para um outro post) que me fazem repensar este meu momento de vida atual, minha rotina. A ponto de me questionar se este não é um novo ponto de partida, para uma nova jornada, uma nova etapa da vida. 

Resolver alguns pontos soltos talvez também signifique se desprender de alguns ideais antigos, aceitar que a vida agora é outra. Talvez eu esteja fazendo recauchutagem para uma nova corrida?

E só pra não dizer que este post não tem nada a ver com o resto do blog (embora este blog seja um balaio de gatos mesmo), os posts das comidinhas continuam, pois dá pra encaixar um hambúrguer por mês nesta dieta. Só acredito que vai ter menos sobremesas daqui pra frente… E… vocês conseguem me indicar algum filme que tenha um personagem enfrentando a diabetes? Nenhum me vem à cabeça agora, mas seria legal, eu queria fazer algo com o tema.

Talvez meus registros diabéticos continuem por aqui, talvez não. Talvez os próximos 3 meses sejam os últimos em que nem tenho tempo de escrever no blog, talvez não. Sei que ando preocupada com minha saúde, que nos últimos 3 meses me percebo constantemente cansada, talvez eu ande querendo mais do que preciso. Talvez seja o momento de assentar, me acalmar um pouco mais na vida…? Talvez seja uma imposição do meu físico tanto quanto da minha alma?

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4 Replies to “3 meses”

  1. De, podem dizer o que for, mas o caminho do meio sempre parece o mais sensato. Mesmo não sendo budista, eu acredito muito nisso. Não acho nada fácil alcançar (alguém consegue 100%? Rs…), mas acho que é uma busca constante que faz a gente perceber que precisa fazer algumas coisas, mas que também é humano e tem momentos mais difíceis que simplesmente, não vai dar para resistir ao sorvete (ainda mais nesse calor, né? Rs), e que não dá pra fazer tudo ao mesmo tempo.
    Gosto de ler seus posts!
    Poxa, filme sobre diabetes, me pegou, rs.
    Beijos com adoçante pra vc =P

    1. Obrigada pelo comentário, Ke! É, vou pesquisar pra ver se acho algum filme legal. Vamos ver se meu médico concorda com esse caminho do meio tb, rs

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