O regresso

(!) Este blog não acredita em spoilers, uma coisa é saber o fato do que vai acontecer, outra é sentir na alma tudo que um diálogo não conseguiria dizer.

Pois não é que eu estava escrevendo sobre morrer em vida no último post, e daí o cinema me traz este O regresso (The revenant / 2015) ***? Tudo bem que o filme trata de forma bem mais brutal e selvagem, estamos falando de morte e sobrevivência física. Mas algo ressoa dentro de mim, vendo a cena em que Glass confirma que o filho está morto e apenas fecha os olhos sobre ele. E ele luta tanto, se esforça tanto, mas e depois que tudo acaba? É aquela câmera pairando em seu olhar: acabou, e agora? Pois foi exatamente isso que ficou gravado na minha alma, pois são meus sentimentos exatos deste momento de vida.

 

O regresso

(The revenant / 2015) ***
2015-therevenant
Historinha: um homem é atacado por um urso e deixado para morrer, mas sobrevive para se vingar.

:D – gente, o que é que foi esse urso? Tudo bem, estamos já acostumados a efeitos visuais competentes, mas uma luta dessas, a ursa arfando ou pisando sobre ele, deixa qualquer super monstro de filmes de fantasia no chinelo.

– na minha humilde opinião um bom diretor sabe coordenar seu espaço e seus atores, tirando do nosso olhar o que ele quer. Só a dança de flechas e fuga numa sequência inicial me prova que eu jamais conseguiria ter concebido o que Iñarritu consegue, inesperando o espectador sem precisar de diálogos, mas na ação. E isso acontece com um fechar de olhos que não foi piscar, com um cavalo caindo pelo penhasco ou com um índio que passa por ele sem dizer nada, só pra citar alguns exemplos.

– com cenários de natureza tão grandiosos, nada mais justo aproveitar os planos abertos, que funciona muito bem quando vemos Glass pelo rio abaixo, com tantas cascatas.

– maquiagem crível e figurinos idem, muita carne com sangue, muito ambiente ermo, e nada parece fora de lugar.

– não exatamente um filme de índios bonzinhos ou maus, de brancos heróis ou inocentes.

D: – acaba ficando um pouco longo, embora os atos de sobrevivência sejam interessantes. Há alguns flashbacks desnecessários, a imagem da morta é quase clichê, a exacerbação na caracterização de alguns personagens…

-não achei sempre feliz as escolhas sonoras, como na perseguição entre Glass e Fitzgerald, por exemplo, mas nada que incomode tanto.

 

O filme foi indicado para o Oscar nas categorias: melhor filme, ator, ator coadjuvante, direção, fotografia, montagem, figurino, maquiagem, mixagem de som, edição de som, efeitos visuais, desenho de produção (direção de arte).

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Um pensamento sobre “O regresso

  1. Pingback: Oscar 2016 – :Denichan

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