3 diretores e 3 momentos de vida

O WordPress me diz que faz dois meses que não escrevo (?! sério?) e, bem, se na realidade eu tinha criado este espaço para desabafar, escrever coisas pessoais minhas, e não posso mais fazer isso, claro que o blog perde um bom bocado de seu propósito. E daí? Escrever sobre o quê?

Eu tive que resetar o celular e perdi fotos do Stunt Burger, sem falar que as do St Louis também nunca ficaram boas (aquela maldita luz vermelha), mas esse é apenas um passatempo. Lembro do tempo em que eu gostava mesmo era de escrever sobre o cinema. Como os filmes me encantavam e ver um bom filme me deixava feliz, mas desde que desisti disso tenho visto filmes irrelevantes, tido pensamentos irrisórios e esquecido… sobre o que é a minha vida mesmo?

Primeiro, foi o Abbas Kiarostami. Depois, o Hector Babenco. E ontem o Garry Marshall. Tá, ok, me condenem, sem comparação esses diretores, mas já que eu nunca mais escrevi no blog, por que não divagar?

“Gosto de cereja” (1997) eu vi numa Mostra Internacional de Cinema de SP. Eu nunca fui muito politizada ou cult, mas houve uma época em que eu me esforçava, sabe? Eu via os filmes chamados “de arte”, tentava entender, achava que um dia eu conseguiria. Ah, as estradas de Kiarostami… e o “Cópia Fiel” (2010), mais recentemente? Quem diria que um dia eu veria um iraniano e gostaria disso?

“Carandiru” (2003) eu li o livro e depois vi o filme. E só muitos anos depois, na faculdade de cinema, tive que ver “Pixote: a lei do mais fraco” (1981) e “O beijo da mulher aranha” (1985). Parecia até que eu estava virando uma entendida do negócio, vendo cinema brazuca, eu realmente tinha esperança de me envolver com o cinema?

A infeliz verdade é que tudo acaba em pizza. E eu acabo como “Uma linda mulher” (1990) ou “O diário da princesa” (2001). O desejo de ser uma Cinderela moderna, que algum milionário venha me resgatar da rotina medíocre. Só que isso não vai acontecer.

São 3 mortes que de certa forma me lembram de 3 mortes que eu já vivi: da moça engajada; da garota que até acreditou que poderia fazer filmes no Brasil; da jovenzinha sonhadora. O cinema era pra ter sido tanta coisa! (E foi – uma vida. Ou melhor, 3 vidas)

Então desculpem a falta de posts. Talvez eu não consiga mais mesmo? Tenho pensado em sair da secretaria do templo. Talvez então todos os dedos que apontam para mim vão descansar. Talvez seja melhor. Talvez eu nunca tenha tido “dom” pra isso mesmo. Talvez meu tempo ali tenha se acabado?

Porque, de verdade, tudo o que eu queria era melhorar, era acrescentar. Que não fosse um lugar que parecesse “de japonês”, mas que qualquer pessoa se sentisse bem, porque é um caminho que pode ajudar muito nesta nossa jornada na Terra. Poder apoiar as pessoas. Mas não queria servir de mau exemplo. E talvez então seja melhor eu partir para um próximo momento da vida.

Sabe aquela pessoa que diz que te ama, e só quer ver você feliz? Se for amor de verdade, mesmo que seja com outra pessoa, ela vai ficar feliz porque você está feliz. Eu sei porque eu já vivi isso. Um dos posts mais lidos deste blog é “o dia em que desisti do amor”. Na verdade, nunca desistimos por completo do amor, mas se trata de desistir daquele amor egoísta. Encontrar um amor maior, que é verdadeiro, quando nosso coração está em paz. Às vezes temos que abdicar de algo, entender e aceitar que erramos, que aquilo não é para nós, e seguir em frente.

Ainda não sei o que acontecerá. Só sei que mesmo quando eu quis fazer filmes, eu sempre soube que nunca faria filmes “de arte”, conceituais, super elaborados, nada assim. O que eu queria quando pensava em um dia fazer filmes era histórias mais simples, afetuosas. Histórias que tocassem o coração e fizessem as pessoas saírem da sessão com a alma mais leve ou com a sensação de terem sido abraçadas; ou só pensando na vida; quase um Malick, mas sem tanta pomposidade. Não era sobre dinheiro, fama. Era sobre contribuir para o mundo, para ver mais pessoas felizes. Só isso.

 

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