Minha diabetes e a polêmica do Dr Rocha

Este post não tem nada a ver com cinema (aliás, alguém lembra de um personagem diabético em filmes?), mas este é um blog pessoal e eu escrevo sem receber nada por isso, então, que sejam posts que eu acho interessante, né? Cope with me. Mais uma vez, repito, quem sabe não sirva de algo para algum leitor por aí afora?

Pois bem. Este é um post longo, sem fotos, desde já aviso. E é sobre a diabetes.

Eu digo que a diabetes é um carma porque ela é uma característica que é transmitida na minha família. Não significa que fizemos algo errado pra merecer isso, mas simplesmente que é algo recorrente com o qual temos que lidar. Temos que trabalhar para melhorar. No Budismo que sigo, falamos de carma positivo e negativo. Claro que podemos herdar coisas ruins de nossos ancestrais, mas também coisas boas. E podemos tentar “purificar” o lado negativo, transformando nossas vidas.

Minha avó tinha diabetes e teve que amputar as duas pernas antes de falecer. A filha dela, minha mãe, descobriu a diabetes após a gravidez do meu irmão mais novo (já faz mais de 20 anos). E da parte do meu pai, as duas irmãs dele também sofrem da doença. Ou seja, era inevitável que eu, como mulher, herdaria esse “carma”.

Agora, o que fazer? Se deixar abater porque não pode comer mais nada, porque tem que tomar remédios e num futuro insulina, porque provavelmente terei o mesmo destino de milhares de diabéticos com a doença em estado avançado, sofrendo de problemas na visão, nos rins, em outros órgãos, na disposição de espírito…?

Acho que foi em 2003 que descobri ter um nível de glicose alto no sangue. Na época, ainda diagnosticada como “pré-diabética”, eu deixei quieto e segui comendo normalmente. Em outro momento, tentei ir ao médico, ele me disse pra cortar praticamente tudo da minha alimentação e quando retornei, falou pra eu continuar por mais 2 meses com aquela dieta. Como não consegui, não voltei mais. Então, um médico receitou um remédio, que começou a me dar efeitos colaterais, ânsia de vômito e outras tremedeiras, no que eu desisti de novo.

E a diabetes é essa doença silenciosa, nem sempre os sintomas são perceptíveis, a gente pode ir enrolando e nada muito grave vai acontecer. Até você sentir muita sede, muita vontade de urinar, muito sono e cansaço, tonturas e outros sintomas que já são indicativo de um estado muito ruim. Porque quando chegam os sintomas é porque já tá mal mesmo.

Até que no ano passado, já agora com mais de 30 anos, decidi enfrentar esse bicho mais uma vez. O médico me receitou um monte de remédios – e não são baratos não! – e durou alguns meses, mas tem uma hora que a gente olha pra tudo aquilo e fala: “puxa, será que realmente eu preciso de tudo isso?”. Ainda mais eu, que nunca gostei nem de tomar remédio pra gripe… tudo isso de coisas artificiais entrando no meu corpo não me pareceu certo.

E eu desisti de novo. Mas dali alguns meses, mais ou menos na mesma época em que eu pensei em tentar só com dieta e exercícios, minha mãe também estava procurando por algo mais eficaz no seu próprio tratamento (minha mãe já tomava insulina 2 vezes ao dia e mais um remédio). E ela viu a reportagem na Record e decidiu dar uma chance a esse tal Dr Rocha – que ela já tinha visto antes, mas tinha achado que era só propaganda enganosa pra ganharem dinheiro.

Ok, agora sobre a polêmica do Dr. Rocha. Poucas semanas depois dessa reportagem no canal da Rede Record, veio o Fantástico, da Rede Globo, fazer uma matéria sobre ele também. Num jornalismo beirando ao sensacionalismo, a reportagem era como uma denúncia. As duas reportagens estão disponíveis online, inclusive também a resposta do próprio doutor, e percebe-se uma diferença gritante.

Como quase profissional da imagem que sou (só fiz 2 anos de faculdade audiovisual), fico impressionada como uma emissora do porte da Rede Globo pode induzir o grande público a pensar o que ela quer. É incrível como numa era como a nossa, com tanta informação disponível, eles ainda querem impor opiniões assim… É visivelmente perceptível como quiseram induzir o telespectador, com informações simplistas. Se fossem imparciais, por exemplo, além de mostrar o depoimento de alguém contra, procurariam um depoimento de caso bem sucedido. Não cortariam o convidado apenas falando “e o colesterol?” (e quem viu os vídeos do Dr Rocha sabe bem que ele não se esquece do colesterol). E nós sabemos bem de outros cortes de informações que podem ter entrado ali.

Claro, eu não estou aqui apenas para defender o tal médico, tem coisas que eu não concordo também. Realmente, não se pode falar de “cura” da diabetes, porque até agora isso não existe, em lugar algum do mundo. A diabetes não vai sumir como que por milagre, se a pessoa não continuar tratando, a diabetes continua existindo e sofre-se as consequências. O que podemos falar é de tratamento, é que o programa dele ajuda a controlar a diabetes, isso sim.

Podemos falar que ele tem embasamento em pesquisas e que há muitos casos para quem realmente esse programa deu certo. Mas devemos admitir que não serão todas as pessoas que vão se adaptar ao que é proposto e, portanto, o tratamento não terá eficácia. Além disso, é óbvio que, se o pâncreas de pacientes do tipo 1 não produz insulina, eles vão ter que tomar alguma dose de insulina, ou algo que reponha ou faça a glicose entrar lá na célula e não ficar boiando pelo sangue.

A maioria dos pacientes, porém, é do tipo 2, e pra eles o tipo de alimentação proposta pode funcionar bem. E podem mesmo reduzir a medicação, por vias mais naturais. Eu entendo bem esse sentimento, de querer poder se tratar sem tantos efeitos colaterais. Tudo o que nós queremos é uma esperança, mas claro que não somos tão ingênuos para sermos enganados por um “milagre”que pode só estar se aproveitando dessa nossa vontade para ganhar dinheiro.

Pelo meu histórico, vocês devem imaginar que já li várias coisas sobre diabetes e cresci entendendo pouco a pouco a doença. Não vou me deixar enganar, mas estou disposta a arriscar esse plano, pois concordo com muitos pontos que o Dr Rocha aborda. Eu tenho acompanhado com minha mãe, e acho interessante que os familiares próximos do diabético tentem também acompanhar, para entender algumas mudanças no próprio estilo de vida da pessoa.

Eu me proponho a também tentar esse “projeto” como Dr Rocha diz, e talvez eu escreva posts por aqui sobre como isso vai se dar no geral. Por enquanto, deixo a critério de vocês pensarem – porque isto aqui não é Rede Globo de Televisão. Ainda bem que hoje temos vias livres de expressão.

 

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