Café Society

Muitas vezes eu me arrependo de algo que falo logo após sair de uma sessão. Acho que sou uma pessoa mais lerda, preciso de um pouco mais de tempo para digerir as coisas.

Tudo bem, realmente continuo achando super chato eles terem acendido as luzes da sala antes de começarem a subir os créditos (e isso foi no Espaço Itaú Augusta, que costuma respeitar mais os cinéfilos). Mas se a princípio eu achei “bem mais ou menos” este novo do Woody Allen, sabe que pensando melhor, passo a gostar mais dele?

Quem conhece um pouco de Woody Allen sabe que o cara desdenha Hollywood e sua indústria do cinema e acho que nunca antes ele tinha sido tão explícito quanto à essa sua “birra” como neste filme. A gente já sabe de seu amor por Nova Iorque, do seu histórico judeu, do seu amor por jazz – e tá tudo aqui. Na verdade, poderíamos chamar este filme dele até de seu testamento, agora ele pode morrer, porque falou o que queria e é prova de quem foi no mundo.

Fico imaginando como deve ter sido divertido para ele recriar junto com o departamento de arte todo o glamour de uma era de Hollywood, e os figurinos “sapecas” da Kristen Stewart no início? (não vamos nem mencionar Lolita aqui, ok?). E como ele deve ter gostado de escolher aquelas bandas de jazz e os “cafofos” simples que dão muito mais prazer ao personagem de Eisenberg do que toda a chiqueza dos salões. Também recriar um jantar simples em família do núcleo judeu. E por ter ao seu lado um experiente diretor de fotografia, Vittorio Storaro (O último imperador, Apocalipse Now, Último tango em Paris). Se ele se divertiu tanto, por que nós também não? Talvez apenas por aquele gostinho um pouco amargo de anos vividos e escolhas, repensando que talvez não há mais nada a fazer, ou simplesmente perdidos – e aí até parece que o filme acaba de repente, mas a vida não tem resposta certa.
2016-cafesociety-simplecafe
(Café Society / 2016) ***
:D – o diálogo com a garota de programa acaba sendo hilário mesmo.

– quando a fotografia de Storaro relembra pra gente os filmes dessa época em que as “divas” do cinema tinham uma aura esfumaçada.

– dar mais valor às coisas simples, e Bobby contestar Vonny sobre o que ela se tornou.

– quando a gente se surpreende que o Phil realmente tinha intenções sinceras com a mocinha, não era enrolação.

D: – desculpem, mas Kristen Stewart não me convence como o “anjo que caiu do céu”.

– não gostei tanto de querer contrastar tanto a ensolarada Califórnia, pra mim ficou laranja demais…

– no final, Bobby também se esbalda em luxo e ostentação, a violência dos atos do irmão mafioso servem apenas para o cômico, e o discurso de ironia desses universos tão apartes perde um pouco de força.

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