Flores de aço e outras incongruências da diabetes

Hoje foi um dia chato. Ruim. NUNCA, NUNCA, NUNCA façam um cartão da C&A! Estou num perrengue porque sei lá o que fizeram com meu cartão, eu já tinha registrado débito não reconhecido e agora estão vindo me cobrar uma dívida de 8 anos atrás! Pra dizer a verdade, eu não sei como vou resolver isso ainda, mas que dor de cabeça.

Outra coisa chata foi conferir os resultados de exames de sangue. Os resultados foram praticamente os mesmos de quando fiz no final do ano passado, quando deixei de tomar todos os remédios, mas tentei fazer dieta – e fiquei revoltada na época, porque eram melhores do que os anteriores desses, mas o médico simplesmente receitou todos os mesmos remédios de novo.

Desta vez, tudo bem, em maio e junho eu não fiz dieta nenhuma e nem tomei remédios, confesso que esbanjei, extrapolei. Mas daí, nas últimas semanas tenho caminhado, tentado cuidar mais da alimentação, tomado os remédios. Honestamente, não sei direito o que pensar. Acho que vou numa médica nova (aproveitar que vai mudar o plano de saúde) e fingir que quero começar a tratar a diabetes, que sei que tenho, mas nunca cuidei. Pronto. Mais fácil.

De todo coração, às vezes eu não entendo a glicemia. E existem algumas incongruências. Fui comprar lancetas e tiras para medir a glicemia na ponta do dedo, 25 lancetas e 50 tiras deu 125 reais. Já li por aí que o melhor seria medir em jejum, após o café, antes do almoço, depois do almoço, antes da janta, depois da janta… seria no mínimo 6 lancetas e 6 tiras por dia! Pra ser diabético tem que ser rico, é?

Incongruências… num dia em que comi rap10 integral com queijo e presunto no café, almocei salmão, salada e risoto de camarão, à tarde tava 180. Num dia que fui na festa julina, comi espeto de carne, arroz, salgadinhos, doces, fui medir à noite tava 110. E no dia que almocei hot-dog, jantei frango do KFC com pão de gorgonzola, e ainda comi pipoca e refrigerante à noite, pela manhã foi 129? Meu medidor tá louco ou quando a gente fica feliz a glicose queima e abaixa?

Vamos falar só um pouquinho de outra incongruência. Eu me lembro de ter indagado por aqui sobre personagens de filmes que tivessem diabetes e esses dias eu vi um filme até bem comentado sobre isso: Flores de Aço (Steel Magnolias/ 1989)***. Ele traz um grupo de mulheres sulistas interpretadas pelas ótimas Sally Field, Shirley MacLaine, Olympia Dukakis, Dolly Parton, Daryl Hannah e uma jovem Julia Roberts em início de carreira. Elas trocam conversas num pequeno salão de beleza e o filme começa com o dia do casamento da Shelby (Julia Roberts), que tem diabetes.

1989-steelmagnolias-girls

Fiquei chocada com a crise de hipoglicemia da mulher, pelamordeDeus! Ela começa a ter meio que convulsões, parece até uma crise epiléptica, que sai de si e não quer suco… é terrível e, na minha opinião, exagerado. Ou talvez seja assim e eu que tive a sorte de nunca ter uma crise dessas! Quer dizer, talvez também se deva ao ano em que esse filme foi feito, final dos anos 80 a diabetes não era uma doença tão conhecida assim – o que hoje estão chamando de epidemia.

Então, talvez por causa da época também aquele medo enorme da mãe que ela tivesse filhos e por causa da gravidez, o problema nos rins, e o braço da diálise, que terrível. Hoje em dia nós vemos que o assunto é discutido por muito mais pessoas, acredito que a consciência da doença esteja cada vez maior, e na internet mesmo podemos ler relatos de casos bem sucedidos de gravidez mesmo com a mãe diabética.

Não que o filme em si seja ruim, tem umas tiradas bem divertidas (incluindo Shirley MacLaine perfeita como a velha chata do interior e aqueles penteados gigantes da época); acho que o que mais importa é a relação de amizade entre aquelas mulheres, que veem juntas as mudanças e os ciclos da vida. Impossível não chorar com a extravasão da mãe vivida por Sally Field também, brava com Deus e o mundo. Aliás, a peça que dá base ao filme foi inspirada numa história real, do autor que perdeu uma irmã que também sofria com a diabetes.

É, não é um retrato atual da doença, mas dá pra rir e chorar, e bem que eu me identifiquei com a louca da Ouiser alegando que quanto mais bobagem ingerir melhor, porque menos tempo vai durar o corpo aqui (depois ela fica com remorso por ter dito isso na frente da Shelby). Mas eu já me peguei pensando isso, por que se privar tanto da vida?, todo mundo tem sua hora e eu mesma não tenho interesse em estender minha estada por aqui, quanto antes passar desta pra melhor…

…e quem disse que vai ser melhor, né? Dizem que estamos neste mundo para aprender e evoluir. Quem sabe eu não tenha que enfrentar esta doença pra aprender algo? Entender as pessoas que sofrem de privações diversas. Aprender a prestar um pouco mais de atenção em mim, cuidar de mim, ver o que realmente me faz feliz – e, por consequência, poder trazer mais felicidade ao ambiente ao redor. Aprender a apreciar outras coisas simples, e a dizer não. Aprender a escolher o que é melhor, apesar de ser sofrido. Quem sabe?

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