Como “Nasce uma estrela” me ajuda neste final de ano (que vamu combiná, foi do cão)

É, vem chegando mais um final de ano e eu nem sei o que dizer a vocês. Eu queria escrever pra todo mundo, como de praxe, amigos próximos ou que ficaram mais distantes, familiares, conhecidos, todo mundo; mas, como de praxe, muito trabalho no final de ano e sem tempo nem pra trocar a fotinho do perfil do whatsapp (sim, meu cabelo cresceu desde o ano passado!)

No horóscopo chinês, este ano é do cachorro, e eu esperava que fosse ser um ano muito bom pra mim (que nasci no ano do cachorro, meu ano!), assim como 1994 foi bom, e 2006 foi excepcional. Porém, eis que… é, pois é, não é.

2018 foi do cão mesmo. Dá até uma alegriazinha que tá acabando – porque a gente quer é mudar, quer partir pra novos tempos. Talvez eu deva encarar assim, como um ciclo de 12 anos se fechando, que tal?

Aliás, eu queria ter escrito por aqui, eu gostei de “Ilha dos cachorros” (2018)***! Ignorando quaisquer controvérsias, a trilha remetendo ao taikô (os tambores japoneses), as diversas cutucadas políticas figuradas, o visual sempre peculiar e engraçado, nem as metragens típicas do Wes Anderson me incomodaram. E olha que eu vi numa telinha na poltrona de um voo longo do Japão – quando o filme é bom não importa onde ou em qual tela você esteja?

E é claro que eu poderia escrever nem que fosse parcas palavras sobre alguns que não ganharam texto por aqui, mas obviamente me apeteceram: Jumanji, Um lugar silencioso, Corra!, Me chame pelo seu nome, Trama fantasma, Vingadores: Guerra Infinita, Viva!, Jogador No. 1, até que foi um ano bem legal para o cinema, com filmes que realmente gostei – até Bohemian Rhapsody, que é só porque está mais recente na memória e deu vontade de cantar todas as músicas do Queen a semana inteira. (não, eu não gostei da dentadura do Rami Malek, embora admita que ele trouxe uma energia incrível pro projeto)

Mas, embora eu tenha me emocionado muito, se eu for escolher um título pra falar que me surpreendeu e realmente acalentou este ano de 2018, foi “Nasce uma estrela” (2018)***. E, talvez, pra isso, coubesse eu voltar até John Carney, que só com dois filmes já entrou na lista dos diretores do coração (com Sing Street e Mesmo Se Nada Der Certo). Porque de vez em quando a gente precisa se reinventar, né. Desde que me conheço por gente eu sempre quis fazer cinema, e me perdi nas estradas da vida, e confesso que este ano foi bem complicado.

Sofri um momento de grande depressão e quis mesmo jogar tudo pro alto, nem que fosse pra vender tapioca na rua ou ir pro Japão de novo, só trabalhar numa fábrica, sem maiores preocupações sobre o sentido da vida. E me senti tão cansada, e fiquei doente tantas vezes – o que simplesmente atribuo a expressões externas pelo corpo do que não tava muito bem internamente, na alma.

Nos filmes citados do Carney, os personagens encontram um quê a mais na vida, ou para se reerguer, pela música. E quando o personagem do Bradley Cooper canta “maybe it’s time to let the old ways die”, isso ressoou na alma, em especial, neste ano. É aquela sensação de “basta” – talvez de outra maneira, mas até nas eleições sentimos isso? A gente quer fazer algo diferente, a gente quer mudar. Já faz 9 anos em janeiro que estou neste serviço e, creio que é natural desta geração, destes tempos, não se conformar simplesmente em como está.

Cooper me surpreendeu de verdade – e não é que o rapaz sabe dirigir? Até forçou a voz e tem aquela brincadeira interna com o Sam Elliott; e esse tema que se liga à própria experiência, de drogas e álcool. Eu fui pesquisar, as outras versões do filme são completamente diferentes – resolvi até assistir ao Espelho tem duas faces (1996)** da Barbra Streisand porque eu não queria ver Nasce uma estrela em si e estragar a outra versão, mas queria ver algum dela que eu nunca tinha visto… e é bem engraçado, achei até moderno, com a inversão dos papeis, é o cara que não quer sexo, e diferente de outras comédias românticas, ele gostava mesmo é da mulher mais “ao natural” dela – adorei.

Outra pra quem eu não tinha dado chance, Lady Gaga nunca me pareceu tão humana e tão talentosa – depois fui até assistir ao documentário sobre ela no Netflix. O personagem dela, a Ally, também me toca lá no fundo porque eu também queria ter tido essa “sorte”, eu também um dia tive um sonho de artista, e além de conseguir explorar um talento inato, encontrar o amor – assim como um dia eu já sonhei com o DiCaprio? ehehe. Mas eis que ela acaba se deixando levar e o próprio Jack perde a direção quando percebe o quanto mal está fazendo… ai, vai dizer que só eu chorei?

A química foi ótima, o visual, o clima de bastidores, de exploração da mídia, os coadjuvantes, a fotografia, a trilha, tudo funcionou.

2018-astarisborn_scene

Bem, mas o que eu queria mesmo dizer é que eu pretendo incluir mais música na minha vida. Já faz muitos anos que eu queria isso, e mesmo para ajudar contra a depressão. Eu não entendo nada de música, só conheço Legião e Beatles, mas sinto que preciso fazer algo diferente e ter novas aspirações. Não, não é que eu queira ser famosa como a Ally, eu só quero fazer mais algo que eu goste. E quem sabe com isso eu também não consiga aquela velha meta – de ter mais contato com os amigos, levar a vida mais de boinhas…

Os ensinamentos budistas que sigo falam que o mês de dezembro não é o final, mas consideramos como mês de “partida” para novos tempos. Neste mês eu já comecei a cuidar mais da diabetes e pretendo continuar, para esse novo momento da minha vida que eu quero ter. Com mais saúde. Física e mental. Também já tenho conseguido mais de algo que há tempos eu queria: saber mais de iniciativas conscientes sobre o meio ambiente. Existe um blog que encontrei que divulga posts quase que diariamente sobre o assunto (Life & Soul Magazine) – e eu acho isso muito legal. Na alma, é isso o que eu queria também: divulgar mais as coisas boas pra vida.

Então, não sei ainda se até mesmo o blog vai encarar por aqui alguma mudança, ou se vou acabar me dedicando mais a essas coisas por outros meios… mas ainda acredito nos ensinamentos budistas – vocês sabem que o Bertolucci que eu admiro não é por “O último tango em Paris”, certo? E também não é por “O último imperador”, sorry.

Por agora, o que posso dizer é um muito obrigado aos poucos leitores que me visitam, e que desejo a todos as mudanças quando elas forem necessárias; que consigam também se reerguer se caírem – porque as quedas e arranhões também são necessários pra depois a gente dar valor à bem-aventurança; que possamos começar de novo Mesmo Se Nada Der Certo; desejo felizes festas a todos, sabendo que Nasce uma Estrela a cada vez que você sorrir (ou que a lágrima cair também, dependendo da lágrima ;)

Tell me somethin’, girl
Are you happy in this modern world?
Or do you need more?
Is there somethin’ else you’re searchin’ for?
I’m falling
In all the good times I find myself
Longin’ for change
And in the bad times I fear myself
Tell me something, boy
Aren’t you tired tryin’ to fill that void?
Or do you need more?
Ain’t it hard keeping it so hardcore?
I’m falling
In all the good times I find myself
Longing for change
And in the bad times I fear myself
I’m off the deep end, watch as I dive in
I’ll never meet the ground
Crash through the surface, where they can’t hurt us
We’re far from the shallow now

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