Os últimos (e primeiros) três meses

Eu acabei largando isto aqui às traças virtuais, mas na verdade, desta vez, eu tenho bons motivos!

Em junho eu descobri… que estou grávida!!!

Desde então minha vida deu uma reviravolta e se eu já andava ocupada, sem tempo de sobra pra escrever, aí é que ficou ainda mais complicado – tá vendo só, não é a habitual procrastinação, nem as reclamações rabugentas sobre a vida que virginianos costumam fazer.

De qualquer modo, apesar de ter repensado este blog para escrever mais sobre filmes ou séries, já deixo avisado que este post é bem pessoal, mas fazer o quê, se nossa relação (quer dizer, pelo menos a minha) com qualquer obra também tem uma influência muito do pessoal. Afinal, quantas vezes um filme não acaba “falando” de forma diferente com a gente, dependendo do que estamos vivendo naquele momento? Pelo menos no meu caso em particular o cinema sempre – ou quase sempre – conversa comigo como se fosse uma mensagem especial do universo/tempo/espaço única para mim, para aquele momento.

Dizem que os três primeiros meses é de maior risco de aborto, então esperamos algum tempo para começar a contar para as pessoas.

Comecei a passar mal, fiz umas contas e fiquei desconfiada, fiz o teste de farmácia, procurei uma obstetra aleatoriamente pela internet, fiz um primeiro ultrassom que já deu pra ouvir o batimento do coração do bebê (não imaginava que dava, tão cedo assim!), e como tenho diabetes é uma gravidez de risco, então começou uma bateria de exames e tive que ir em vários médicos nas semanas seguintes.

Claro que ainda continuei indo ao serviço, mas foi realmente uma maratona! Com enjoos mesmo tomando remédio pra enjoo, e muito, muito sono, eu praticamente só ia ao serviço, voltava pra casa e dormia.

E assim foram passando as semanas, antes eu só media a glicemia em jejum ao acordar, passei a ter que medir umas cinco vezes por dia (muitas vezes sem sucesso); eu tomava uma dose baixa de insulina e passei a ter que tomar bem mais, duas vezes por dia, fora o outro tipo de insulina, não de longa duração, mas a regular/rápida; indagações frustradas de como poderia me alimentar melhor pra manter os níveis de açúcar no sangue bons – desafio quase que causa perdida, considerando esta minha rotina de vida nada rotineira…

Nessas, eu acabei vendo “O bebê de Bridget Jones” (2016)**, que tava ali de bobeira no Netflix, só pelo momento que eu vivia em si, não tanto por essa franquia que eu já considerava falida antes mesmo do carisma da Renée Zellweger falir com o passar das plásticas /dos anos. Sem o Hugh Grant, acharam um outro carinha das comédias românticas como filler, o Patrick Dempsey, e apesar de ter graça a cara da Emma Thompson como obstetra indiferente, a trama é uma bobagem (camisinhas veganas?) e a gente sempre soube de quem seria o filho de Bridget, não é?

Pensando bem, do ano passado pra cá até que andei vendo vários filmes sobre “mamães”. O Maior Amor do Mundo (2016) **, que junta vários nomes famosos, como é costume do Garry Marshall, não é tão emocionante; tem um outro título parecido, que mistura vários casos de grávida, O que esperar quando você está esperando (2012) ** tem uns momentos até mais engraçados – nunca vou esquecer daquela mulher que queria muito engravidar e a realidade detona com ela, não é nada daquela sensação de sonho que ela imaginava… uma grávida do cinema que sempre vou lembrar também é Juno (2007)*** e essa sim dá mais gosto de ver, gravidinha mais cool. E quem se lembra de Junior (1994) **?! É, aquele do Arnold Shwarzenegger grávido com o Danny DeVito… quanto impropério o cinema consegue produzir… falando em comédias, eu não cheguei a ver Perfeita é a mãe! (2016) com mamães que vão pra farra, mas quem sabe no futuro eu dê uma chance…

***

Bem, nesses meses que passaram eu pude conferir uma série que até me surpreendeu (eu não achei que ia gostar, sinceramente), The Boys, Primevideo. São um bando de heróis que na verdade são muito falhos nos bastidores, algo meio sinistro, uma heroína novata que ainda é inocente, um carinha nerd cuja noiva morre e ele se junta a um brutão que também quer vingança e acabar com esses seres aparentemente melhores que o resto de nós mortais… sim, tem personagens que colidem e não são desinteressantes nessas relações, tem misteriozinho sobre a origem dos herois e um passado, tem direito a crítica política, social, comercial, religiosa… apenas 8 episódios da primeira temporada, deu pra ver tudo em 3 noites, vai lá conferir se ainda não foi. Eu só não gosto muito do lado gore, aquele sangue jorrando na nossa cara, mas um dos criadores também é de Supernatural (também não sei se isso diz alguma coisa?)

Eu também vi rapidinho em algumas noites (esta é a minha nova moda, nada de séries infinitas!) Switched, de adolescentes e japonesa, sobre troca de corpos – quem não já viu esse filme? A garota gordinha e isolada da escola troca com a mais bonitinha e popular da sala… parece previsível? Mas também tem o lado obscuro dessa troca, e a gente fica contente com a amizade verdadeira, com a gordinha ficando mais simpática e em tempos de bullying, entender como se chegar a um limite de nem ver graça em viver para também amolecer com a mãe que parecia tão “madrasta má”…

Vi mais uma temporada de Bojack Horseman, mas esse ganha post só dele, né, gentem. E Master Chefe (ah, eu gostava muito da Lorena, o Helton surpreendia no começo, mas ainda tem aquele ar arrogante de jovem, né, vamu admitir? E eu achei que desta vez estavam bem profissionais na final!). Por influência, até arrisquei outra série de culinária, Todos contra o chefe (é gostoso ver os participantes que representam suas origens e o desespero do chefe observando seus aprendizes, mas tem sempre um episódio que é só propaganda do restaurante e os participantes só ganham um troféu…?)

Ai, é… teve também o final de Game of Thrones nesse hiato, né? Mas tanta gente já deu seus pitacos, cada um reescreveu o final como achava melhor – ei, com alguns eu até concordei mesmo – e a gente não precisa mais escrever sobre isso, né não?

***

Deixa ver… no cinema, é claro que fui lá conferir Aladdin (2019) ***, que era um dos meus favoritos quando criança, eu adorava a vontade da Jasmine de sair e conhecer o mundo. Claro que alguns elementos das animações Disney dessa leva já estão datados, então concordo com alguma atualização, e confesso que me surpreendi, porque jurava que seria uó o Will Smith como gênio da lâmpada, mas não é que ficou legal? Agrabah ficou muito mais colorida nesse desenho de produção, vistosa; e os atores estão bem, o Sultão menos bobão e a Jasmine, linda, como todos imaginariam uma princesa. Mas posso falar? Pelo menos pra mim, achei bem forçada essa questão da Jasmine, só porque agora tá na moda o girl power, empoderamento feminino e tal. Tudo bem, a princesa não precisa ser salva por um príncipe (Jasmine na verdade nunca precisou, nem no desenho, e era isso que eu gostava nela e também na Bela); mas que achei forçação de barra, achei.

E como boa simpatizante Disney que sou, não podia deixar de falar um pouquinho de O Rei Leão (2019) ***, é claro, né… Lembro que quando vi Mogli, o menino lobo (2016) *** eu falei, “puxa, eles podiam chamar esse diretor pra fazer a versão em live action de O Rei Leão”… e não é que de vez em quando eu consigo prever essas mentalidades hollywoodianas? A transposição da versão animada desses personagens animais ficou ótima, a África está perfeita – e claro, como não podia deixar de ser, bem mais realista. Se o visual enche os nossos olhos, e as atualizações aqui também estão valendo (coisas dos anos 90 que já nem funcionavam bem na época, imagina agora), por alguma razão, este aqui não me emocionou tanto? Eu me lembro de ter me acabado em lágrimas com a morte do pai do Simba no desenho (ei! eu já falei que este blog não acredita em spoilers. E 25 anos depois? Pelamor).

Já nas telinhas… Andei vendo umas coisas só porque o Keanu Reeves anda na moda, como o crush da internet – hahaha! E até parece que algum dia ele deixou de ser? Nem precisava de John Wick, a gente sempre gostou do cara, achando ou não que ele não sabe atuar, se simpatizando ou não com o “sad Keanu”, querendo ou não um novo “Bill & Ted”…

Só pra mencionar, dei uma espiada, também porque estava ali no Netflix por acaso (eu sou daquelas que passa mais tempo adicionando títulos na lista do que vendo coisas), A escalada (2017)**, francês, baseado num caso real em que o rapaz sem muita experiência decide escalar o Everest e impressionar uma garota, e vai relatando para uma rádio, e ganha a torcida de um monte de gente pra que ele chegue até o final. Eu gostei porque a gente realmente vê como é escalar o monte, sem as firulas de suspense ou ação, gostei do coadjuvante carismático que quer ouvir o romance até o final.

Na verdade, ter as adaptações da Disney no cinema me fizeram ir conferir de novo Mulan (1998)***, que me pareceu até melhor do que eu lembrava – o dragão do Eddie Murphy nem me incomodou tanto. É legal a sequência de treinamentos e também no castelo do imperador. Quem sabe de repente eu pegue Pocahontas (1995) pra rever um dia desses. E quem falou que eu não me diverti com a cena das princesas em Wi-fi Ralph (2018)***? É claro que dou risada com as alfinetadas, mas poxa, isso é porque eu cresci vendo essas animações e vi o mundo mudar… fico imaginando o que meus filhos vão ver? Bem, sempre teremos a Pixar pra nos salvar, eu acho.

Ai, é. Eu fui sim, não podia deixar de ir conferir o mais novo do Tarantino & Leo DiCaprio (com bônus do Brad Pitt cinquentão e ainda sarado – xenti! como consegue?). Mas esse também acho que merece um post especial.

Por enquanto, vou continuar pesquisando na internet a cada semana de gestação o que devo tomar cuidado, e me preparando… eu nunca achei que ia ter filhos porque sempre pensei que “eu nem sei cuidar de mim, imagina educar um outro ser humano?”; sem falar que eu pensava que o mundo já tem 7 bilhões de pessoas, não precisa mais, né… mas acabou sendo incluído esse ato neste roteiro da minha vidinha, e o que eu posso fazer? Vou colocar Ennio Morricone pro baby ouvir na barriguinha.

 

 

 

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