Oscar 2020 – meus votos e comentários (e pela primeira vez, o que tem a ver com as chuvas em São Paulo)

Obs.: este post foi atualizado dia 12, após a festa do 92nd Academy Awards dia 09 de fevereiro. As atualizações, como quem levou mesmo o prêmio da noite, estão em laranja.

Este ano está realmente sendo atípico na minha anual dedicação ao Oscar (vide aqui o post com quase todos os detalhes pessoais que venho passando nas últimas semanas, caso lhe interesse).

Tenho visto mais TV também, então não sei como foi nos últimos anos, mas me parece que a Globo tem feito muito mais cobertura, orgulhosamente divulgando que vai passar a cerimônia inteira, desde o tapete vermelho… no seu canal pago, é claro. Sim, parece até que ouviram minha reclamação de anos atrás e respondem “tá vendo?” Claro que pro espectador comum, só com TV aberta, o negócio ficou ainda pior: além do BBB ainda terão que esperar o jogo de futebol – será que vão passar só o prêmio de melhor filme? Atualização: parece que teve uns momentos em que a Globo teve probleminhas técnicos, mas depois que terminou a transmissão ao vivo reprisaram todos os prêmios (lá pelas 2 da manhã), melhor que nada, né?

Fora isso, este ano eu até vi quem ganhou os BAFTA! E não é que descobri um gosto parecido com o dos britânicos? Mesmo sendo um chute, concordamos no voto pra melhor curta documentário! E também maquiagem, roteiro original e, pasmem, longa de animação! Sem falar que eu nunca comentei aqui, mas acho um luxo uma premiação que sempre conta com um príncipe entre a plateia de convidados.

Aproveitando, vamos relembrar como é a brincadeira por aqui: neste post eu imagino como se eu fosse da academia, qual voto eu daria – não é a aposta, o que acho que vai ganhar, mas o voto que eu gostaria de dar. Meu voto está em azul, com asterisco na frente. Se bem que, ouvi falar que somente a categoria de melhor filme é que ganha votos de todos, as outras são votadas pela sua própria “classe”. E todo ano eu acabo chutando em algumas categorias – porque não consegui ver as produções em si; isso acontece principalmente com os curtas. Nesses casos, o que faço é pelo menos ler as sinopses, ver um trailer talvez, e daí penso qual o filme que me interessou mais e eu gostaria de ver. Este ano até que temos muitas opções disponíveis em streaming, mas os curtas live action não deu mesmo para conferir. Além disso, o voto para melhor filme, pelo que sei, se dá também assim, dando nota de 0 a 10.

Este ano eu vou tentar algo a mais. Como não consegui dar um post para cada filme específico em separado, vou acrescentar aqui neste post mais comentários, conforme vemos cada categoria. E, claro, como tenho feito nos últimos anos, hoje à noite acompanho alguns pelo twitter enquanto rola a festa.

Então vamos lá, começando pelas categorias cujos filmes não consigo ver todos.

Melhor filme não falado em inglês

Este ano não tem para mais ninguém, não é mesmo? Parasita foi o filme internacional do ano. Como já aconteceu no passado, ele também foi indicado a melhor filme, mas não devem dar e devem premiá-lo como filme estrangeiro, embora dê uma vontadezinha na gente de dar para o Almodóvar que entrega a si mesmo em Dor e Glória, não é? Sim, eu também concordo que o filme é inesperadamente envolvente, não só porque ganhou Cannes (alguns dizem até que é superestimado). A trama de uma família de classe mais baixa que vai se infiltrando no lar de uma família rica por diversas artimanhas é um retrato e uma crítica social, ao mesmo tempo em que tem suspense e mortes, gera risadas com situações bem montadas – seja explorando a relação patrão/empregado, a criatividade dos membros da família, a ingenuidade de uma mãe meio alienada da sociedade real, ou a própria luta, até física, entre diferentes da mesma classe, mas que buscam cada um suas vantagens. Tem metáforas suficientes, como o “cheiro do povo que anda de metrô”, mas a grande sacada é deixada para o espectador perceber: que um parasita suga o que o hospedeiro pode oferecer – mas para alguém ser rico, depende de explorar outros, quem seria o hospedeiro então?; e por isso o título do filme funciona tão bem. Meu voto é dele, e minha aposta de quem leva também.

Boze Cialo          

Dor e Glória

Honeyland

Os Miseráveis

*Parasita – este primeiro a gente já tava esperando. Mas ninguém podia prever o que viria ainda pela frente…

 

Melhor curta em live action

Esta é sempre uma categoria em que chuto, porque honestamente eu não tenho meios de encontrar todos os curtas por aí. Lendo a sinopse, pareceu até interessante ver este, sobre um grupo de crianças que jogam futebol e o tráfico (algo meio Breaking Bad?). Porém, deve levar Saria.

Brotherhood    

*Nefta Football Club    

Saria     

The Neighbors’ Window  – a trama me pareceu beber muito de Janela Indiscreta (1954) ****, mas tá valendo, né?           

Une soeur

 

Melhor curta de documentário

Desta categoria também, é muito difícil eu encontrar geralmente para ver. Mas me pareceu uma premissa interessante as garotinhas do Afeganistão querendo aprender a andar de skate, um tema inusitado, que bem desenvolvido dá para mostrar muita coisa, eu acho.

A Vida em Mim               

In the Absence

*Learning to Skateboard in a Warzone (If You’re a Girl) – yey! Acertei esse chute, hein.

St. Louis Superman

Walk Run Cha-Cha      

 

Melhor documentário

Outra categoria em que quase sempre vejo apenas um ou outro título. Este ano a graça é a polêmica gerada aqui no nosso país, com a indicação da brasileira Petra Costa e seu Democracia em Vertigem, as diversas repercussões, na mídia, entre pessoas de influência, figuras públicas ou não. Eu não vou dar meu pitaco no que já tá aí e não tem jeito (sim, vocês podem interpretar isso como o próprio governo atual, o anterior, ou o próprio filme, deixo a critério, porque nem faz diferença mesmo); e pelo menos o propósito do filme se cumpriu: as pessoas estão vendo, estão falando dele. Me deu vontade de ver outro na Netflix, comparando o modo de trabalhar dos chineses com o dos norte-americanos, Indústria Americana. Mas acho que eu gostaria ainda mais de ver Honeyland, por poder conhecer uma realidade completamente diferente, e parece ter não só imagens belas, mas muito mais incluso. Ganhou Sundance, o que não significa muito para o Oscar, mas deve levar porque também foi indicado a melhor filme estrangeiro, e nós já sabemos quem leva este ano, certo?

Democracia em Vertigem          

For Sama            

*Honeyland

Indústria Americana – produzido pelo casal Obama, como disse acima, parecia interessante, dá pra ver no Netflix.

The Cave

 

Melhor curta de animação

Eu consegui assistir a três deles este ano!  Geralmente, no Anima Mundi, festival de animação que acontece lá por julho em São Paulo e no Rio, sempre dá para conferir alguns curtas indicados. Hair Love é sobre uma garotinha que deseja fazer um penteado afro como sua mãe fazia, uma graça por trazer um pouco do tema diversidade sem forçar, mas na relação do pai e da filha que perdeu a mãe. Kitbull me deixou triste ao ver o cãozinho ser maltratado (e saber que existe isso na vida real, o que é muita ignorância, porque os bichos não entendem nada); vemos um pitbull e um gatinho que fazem amizade, os dois são “marginalizados”, e o próprio gatinho no início tem um “preconceito” até perceber que mesmo sendo bem diferentes eles têm almas em comum – um tema que também ressoa muito para os dias atuais, certo? Eu torço para eles, mas por que meu voto vai para Mémorable? É o vencedor do festival de Annecy, e é visualmente fantástico, misturando várias estéticas e artes para traduzir as sensações e falar da questão da perda de memória… também é emocionante, mas de um jeito mais criativo e impressiona a cada momento que passa, por isso meu voto é dele.

Dcera   

Hair Love – é todo o negócio da inclusão, e empoderamento, tal. Mencionaram Kobe Bryant (que tinha ganhado um Oscar já, também, lembram?), e o Spike Lee também homenageou no terno roxo escolhido para a noite.           

Kitbull  

*Mémorable    

Sister

 

Melhor longa metragem de animação

Ah, as animações! Pelo pouco tempo que fiz o curso de audiovisual, eu pude perceber que é uma das coisas que eu mais gosto, e talvez devesse ter seguido com o curso de desenho aos 11 anos, e depois quem sabe poderia ir parar lá em algum dos grandes estúdios – talvez mesmo no Canadá? Bem, divagações à parte, Annecy escolheu Perdi meu corpo e, sim, eu também concordo que a narrativa em si já é bem chamativa: uma mão que vaga e busca encontrar seu dono. Isso é bem inventivo, e como pessoa que sempre gostou de desenhos animados, o divertido desse meio é realmente dar uma vida diferente a algo inanimado, trabalhando a arte como um live action não conseguiria fazer com tanta destreza ou prazer. Nós ficamos tensos quando se aproxima o momento que sabemos em que vai ter a separação da mão, e acompanhamos os flashbacks enquanto o dono da mão se apaixona pela garota da biblioteca para quem tinha ido entregar pizza e foi gentil, dedicando-lhe algumas palavras numa noite de chuva – hoje em dia, é muito raro fazermos amizades do nada? A mudança do rapaz, que decide se dedicar a algo, até o ponto de pular para mudar seu destino, engaja o espectador. Mas é meio triste, melancólico, e talvez os votantes prefiram mesmo a boa e consagrada técnica da Pixar/Disney? Além da alegria emocionante do seu Toy Story 4. E não é que, apesar de parecer ter chegado a um fim decente as aventuras da turminha de brinquedos no último filme, eles realmente acharam bons motivos para fazer uma continuação? A questão existencial de Woody, de servir à sua criança, pode fazer com que nós mesmos repensemos – o que achamos ser nosso propósito de vida pode mudar, a vida e as circunstâncias mudam. E no caminho podemos encontrar outros jeitos excitantes de levar a existência. Novos personagens incluídos aí, eu gostei bastante daquele dublado por Keanu Reeves, o Caboom do Canadá, é bem engraçado, “posso fazer de olhos fechados!”. E o Forky? É um brinquedo criado, que a princípio ainda luta com sua própria constituição, se achando um lixo – ei, eu poderia fazer posts e mais posts com as metáforas incluídas nos filmes da Disney, mas vamos parar por aqui. Também poderíamos falar das referências – encontraram personagem de curta da Pixar naquela festa dos brinquedos? É claro! Mas só comento que realmente torci para o Woody ficar com seu amor, a versão repaginada da Bo, bem atual, mulher forte e independente, como a Furiosa do Mad Max 4. Se eu não acho que merece um Oscar? Merece, mas meu voto vai para Klaus para dar uma chancezinha para outras produções, né… É um desenho animado sem tanta técnica e qualidade mais simples do que os da Disney, mas eu me surpreendi em como gostei. Tratando a figura do Papai Noel de um jeito mais humano, foi sim bem legal ver o filho riquinho de um super serviço de correios ir parar nos confins do mundo e ter problemas para entregar cartas, até que descobre um jeito de fazer as crianças escreverem cartas, para ganhar brinquedos. É engraçado como isso se desenvolve, na verdade é ele que entra pelas chaminés, e depois é que surge a história de ser bom, com as crianças se esforçando então para fazer boas ações. Na cidade em que há uma rixa e guerra, o velho isolado na floresta encontra mais sentido em seus brinquedos, ao passo em que as pessoas vão se reconciliando, com uma boa ação gerando outra – e essa foi a mensagem que mais gostei dentre todas as animações. Depende disso, de você ter a iniciativa de fazer algo, pelas ações, para gerar o bem no final, mesmo que existam muitas dificuldades no caminho. Não é uma solução mágica, pode simplesmente ser uma professora ressentida que redescobre a alegria de ensinar. Meu voto vai para Klaus por motivos pessoais, sim.

Como Treinar o Seu Dragão 3   

*Klaus 

Link Perdido     

Perdi Meu Corpo

Toy Story 4 – não que não fosse bom, como comentei. Mas me parece também que a Disney tem muito a ver por trás de todo o Oscar e isso poderia justificar preterir alguns? hmmm…

 

Melhores efeitos visuais

Vamos agora para algumas categorias mais técnicas? Desde que eu era criança, sempre gostava de “filmes de aventura” (abrangendo também os de ficção científica nisso), por isso eu adorava os efeitos especiais. Este ano meu voto vai para O Rei Leão simplesmente porque só foi indicado a isso, e reproduzir toda a natureza e as personalidades dos animais, além de adaptar competentemente um dos desenhos que mais marcou infâncias por aí da Disney, não é tarefa fácil; mas como Jon Favreau já tinha feito essa façanha com Mogli, o menino lobo… não deve levar. Eu, particularmente, não gosto muito da confusão de efeitos computadorizados que acontecem em muitas produções de ação, mas é realmente um trabalho hercúleo de uma equipe enorme, então talvez seja Vingadores: Ultimato ?

1917

O Irlandês

*O Rei Leão      

Star Wars: A Ascensão Skywalker

Vingadores: Ultimato

 

Melhor edição de som (ou efeitos sonoros?)

Criar os efeitos de corridas e acidentes explosivos; tiros em meio ao caos e um batalhão (literalmente); sons da cidade e ênfase certa entre as muitas risadas criadas pelo ator para o personagem vilão; ou aqueles conhecidos efeitos de naves e lutas pelo espaço; ou os sons de sets de filmagem, de estrada, de tiros perdidos? Honestamente, eu sou bem leiga em relação a som, meu voto vai pelo filme que tem algo que gostei, mas não tem chances em outras categorias. Pelo menos uma cena que não esquecerei: a corrida demonstrada para o chefão da Ford, que cai em prantos quando o carro finalmente para… Quem deve levar na real? 1917, se decidirem dar todos os prêmios possíveis pra ele, o que aconteceu muito na história dos oscares…

1917     

Coringa               

Era Uma Vez em… Hollywood  

*Ford vs Ferrari – opa, às vezes eu até penso igual aos votantes?             

Star Wars: A Ascensão Skywalker

 

Melhor mixagem de som

Misturar a trilha sonora com os efeitos especiais, num trabalho que, se for bom, o espectador nem perceberá que está sendo levado por isso. Na minha opinião mera, 1917, com os instantes em que quer ser grandioso, não me apetece, mas deve levar. Filmes com temática no espaço também costumam se dar bem nesta categoria, mas meu voto acaba sendo para o show de expressões diversas, inclusive às vezes sem sabermos o que é sonho, que é Coringa.

1917 – falei que devia levar…     

Ad Astra: Rumo às Estrelas        

*Coringa

Era Uma Vez em… Hollywood  

Ford vs Ferrari  

 

Melhor canção original (música composta para o filme)

Eu não vi nem o candidato do meu voto, mas como não teve outras indicações, e trata-se de um filme que trata de música (ou um músico em particular), é esse meu voto.

Frozen II             

Harriet 

*Rocketman – é claro! Nada melhor que ver Elton John por ali (e o after party dele parece bem interessante também, com direito a brasileiros no meio pra se mostrar)    

Superação: O Milagre da Fé      

Toy Story 4 

 

Melhor trilha sonora (música composta para o filme)

Mais uma vez, eu gostaria de ter re-ouvido as trilhas para poder votar, mas acredito que meu voto também é o que a academia deve escolher.

1917     

Adoráveis Mulheres     

*Coringa – Hildur Guonadottir já vinha ganhando reconhecimento, e parece ser tão meiga!           

História de um Casamento        

Star Wars: A Ascensão Skywalker

 

Melhor maquiagem e cabelo

Até pensei que O irlandês ia ser indicado, quando percebi que o envelhecimento/rejuvenescimento deles tem mais a ver com os efeitos especiais. Bem, meu voto vai principalmente pelo trabalho com John Lithgow, que se autodenomina Jabba the Hutt, transformando-se para ser um cara meio asqueroso, a figura inimiga dentro da trama que também é sinal dos tempos: das mulheres que não vão mais se calar diante de assédio sexual ou até simples machismo, que por anos dominou vários locais de trabalho, e se torna ainda mais explosivo retratado na mídia e incluindo um atual presidente… 

1917     

Coringa               

Judy: Muito Além do Arco-Íris

Malévola: Dona do Mal               

*O Escândalo – e apareceu mais foi a Charlize Theron transformada, haha.

 

Melhor figurino

Os diversos vestidos para as nossas Adoráveis Mulheres devem levar? Mas até que me deixei encantar pelo trabalho com os uniformes e as roupas doces da mamãe em Jojo Rabbit, sem falar no tal capitão que desenha seu próprio figurino homenageando a categoria ;)

Adoráveis Mulheres – eu meio que tinha cantado a bola (se eu tivesse feito bolão!) Mas a figurinista que gostei de ver neste ano foi a mãe do Keanu Reeves! Muito lindo os dois.     

Coringa               

Era Uma Vez em… Hollywood

*Jojo Rabbit     

O Irlandês

 

Melhor desenho de produção (conhecida também como direção de arte)

Ai, ai, sempre fico em dúvida aqui. Porque vejam, acho fantástico reconstituir uma época de Hollywood, com todos os itens que devem ter marcado a infância do próprio diretor. E imaginem então quando um filme cobre décadas? Mostrar em imagens, nos cenários e itens de cena… meu voto foi quase para O irlandês. Só que construir ruínas, algumas com seus pontos certos de luz e explosões, armas e armamentos , locais abandonados, cerejeiras, estradas de lama, além dos vários mortos, os corredores dos soldados e as tendas de socorro… bem trabalhoso, não?

*1917   

Era Uma Vez em… Hollywood – ok, ok.  

Jojo Rabbit

O Irlandês

Parasita

 

Melhor montagem (ou edição do filme)

Como ordenar o material que temos, aproveitando a melhor tomada, misturando com os sons, levando o olhar e as sensações, os sentimentos, naquele timing pontual, às vezes com estilo imprevisto ou rimas visuais, de modo que em algum momento o espectador chega a se perguntar o que é real ou não, torcer ou não por algo, compreender melhor ou não motivações e o desenrolar dos acontecimentos… Não sei quem leva, mas pensando assim, meu voto é Coringa este ano.

Ford vs Ferrari – algum dos comentaristas até falou que é preciso muita minúcia para acertar o tempo entre a corrida, os carros, os closes dos personagens. Ok.

*Coringa

Parasita

O Irlandês

Jojo Rabbit

 

Melhor fotografia

Luzes e tonalidades… eu não vi O Farol, e capaz de ter votado nele caso tivesse. Os outros candidatos também são muito bons, escolha difícil.

*1917 – depois fiquei sabendo que Roger Deakins era o favoritasso da noite mesmo!   

Coringa               

Era Uma Vez em… Hollywood  

O Farol

O Irlandês

 

Melhor roteiro original

Dizem que nestas categorias técnicas, quem vota são apenas os da categoria em si (ou seja: roteiristas votam nos roteiros), e eu sempre imaginei que entraria para a academia por ser roteirista… mas muitas vezes a academia discorda da minha escolha, então creio que leve mesmo o Tarantino – e eu não reclamo, porque gosto bastante de Era Uma Vez em… Hollywood, e da reinvenção da história real para um “final feliz”, misturando os personagens reais com os fictícios. Porém, realmente achei muito bem feito o trabalho de Parasita, porque nós vamos acompanhando aqueles personagens e nos surpreendemos a cada virada, e entendemos o lado de cada um dos personagens, sem ter que analisar muito tempo cada um, está ali na cara, no diálogo, na cena.

1917     

Entre Facas e Segredos               

Era Uma Vez em… Hollywood

História de um Casamento        

*Parasita – eba! Aqui a gente já se empolgou!           

 

Melhor roteiro adaptado

Bem que eu gostei da brincadeira de Greta Gerwig como se todas as comédias românticas tivessem um manual, e o destino das personagens femininas da época de sua escritora ser previsível e ela ter que “vendê-las” de qualquer modo. É uma atualização agradável de um clássico da literatura que já ganhou várias outras versões para a tela. Mas eu fui pega de surpresa por Jojo Rabbit, não imaginava que ia gostar tanto, com as tiradas engraçadas bem posicionadas, apesar de esse lado cômico e leva gerar certa controvérsia com o tema escolhido. A adaptação de um texto para ser transposto para a tela deve considerar muita coisa que fica de fora e o que vai funcionar em audiovisual, e por isso eu acabo escolhendo este trabalho, parece que escolheram a dedo e coube quase tudo certinho ali.

Adoráveis Mulheres     

Coringa               

Dois Papas         

*Jojo Rabbit – eu fiquei contente, e olha que nem tinha visto os prêmios das guildas.

O Irlandês

 

Melhor ator coadjuvante

Ai, os grandes atores… a nossa vontade é sempre de dar prêmios para eles, porque eles são bons mesmo, não é? Absolutamente adoro Tom Hanks, os dois atores de Dois Papas parecem ter encarnado seus personagens belissimamente, e Al Pacino, a gente nem precisa mais comentar. Pessoalmente, eu daria meu voto para Joe Pesci, porque bem diferente de Os bons companheiros, com uma serenidade incrível ele também me deu um medo incrível… Mas deve levar Brad Pitt – e por que não, não é mesmo? Vamos fazer um agrado à Hollywood, no que Brad representa; sabendo que ele já fez muitos bons trabalhos, seja como ator ou produtor, eu também não fico triste em deixar o “rapaz” levar seu primeiro Oscar de atuação.

Al Pacino            

Anthony Hopkins           

Brad Pitt – barbada, né. Falei “rapaz” acima porque vejam só a idade dos outros candidatos, hein! Gostei que ele mencionou os filhos pelo menos neste prêmio (e não o Tinder)            

*Joe Pesci  (adendo: nem Hopkins nem ele compareceram, mas ele já disse tudo quando ganhou: “foi um privilégio, obrigado”.       

Tom Hanks        

 

Melhor atriz coadjuvante

Vocês até já sabem qual o clipe para a candidata favorita devem mostrar, não é? Sim, aquela fala sobre Deus e a mulher… Laura Dern é praticamente aposta acertada. Florence Pugh foi uma surpresa pra mim entre as indicadas, está bem, mas não tudo isso. E Margot Robbie tem aquele carisma dela natural, mas realmente sentimos o desconforto da sua personagem misturado à humilhação e sentimento de culpa e impotência, na cena em que é “entrevistada” pelo chefão do canal de TV onde era seu sonho trabalhar. No entanto, meu voto vai para Scarlett, que já fez alguns bons trabalhos no cinema e vai me deixar marcada com seu amor de mãe, e aquela cena em que parece se enfurecer que o filho pede pelo pai, para no segundo seguinte nos surpreender incorporando o pai com uma jaqueta e uma sujeira de carvão no rosto. Sim, outro voto bem pessoal. Acabei de ter uma filha e ando muito emotiva, me deixem.

Florence Pugh 

Kathy Bates      

Laura Dern – como não podia deixar de ser, mas eu escolheria outro vestido se tivesse a certeza de que seria minha noite.       

Margot Robbie

*Scarlett Johansson

 

Melhor ator (principal)

Pois é, pois é, pois é. A primeira cena que vi de Era uma vez em… Hollywood foi aquela em que Rick Dalton ouve uma garotinha elogiá-lo pela atuação e ele se emociona – e isso foi o suficiente para saber que eu ia gostar muito daquele filme, embora no geral ele lidasse com outros temas. Apesar de sempre torcer pelo DiCaprio, ele já ficou feliz com o dele e nem preciso mais torcer. Na verdade, eu torceria para o Antonio Banderas, porque, né, primeira indicação, e ele também já trabalhou em muita coisa! Já o Adam Driver, embora esteja muito bem, até cantou, ainda tem quilometragem para rodar na indústria. Mas não vai ter jeito, este é um daqueles anos em que sabemos quem tem que levar. O trabalho físico, de voz, de trejeitos, que passa a imagem de um homem realmente triste, realmente atormentado, realmente sonhador, até a sua descida aos infernos e assumindo de vez os pormenores do vilão que o público já conhece tão bem. Impressionou a todos e vai ser isso mesmo.

Adam Driver     

Antonio Banderas          

*Joaquin Phoenix – e assim foi, um discurso intenso (falando de egoísmo humano, redenção, novas chances), mas ele com aquele tique mordendo a própria mão me deu certa aflição. Adorei que foi com a namorada Rooney Mara comer hambúrguer vegano depois!          

Jonathan Pryce               

Leonardo DiCaprio         

 

Melhor atriz (protagonista)

Pois é, né. Charlize Theron mal dá pra reconhecer que é ela, e firme, nos faz acreditar nesse personagem. Eu não vi Harriet, então não posso votar em Cynthia Erivo. Saoirse (cujo nome aprendi a pronunciar só recentemente) está bem altiva, mas ainda não é sua vez, apesar de já ter sido indicada tantas vezes, não obstante sua idade. Johansson está muito bem também, conseguindo chorar em cena (piscadela!) e ganha nossa simpatia, no que poderia ter se tornado um personagem abominado pelo público. Mas não vai ter jeito, todo mundo já sabe quem leva, e realmente Renée se dedica de corpo todo à sua versão de Judy Garland. Eu não gosto muito do filme, me parece que muitas coisas estão incorretas ali, mas na interpretação, seja no palco, seja no cansaço pela insônia e pelas restrições desde a infância que somos relembrados pelos flashbacks, nós sentimos por Judy e queremos cantar junto com ela uma canção de esperança no final.

Charlize Theron              

Cynthia Erivo    

*Renée Zellweger – pelo menos as categorias de atores vocês acertaram nas suas apostas, certo?         

Saoirse Ronan

Scarlett Johansson

 

Melhor direção

O diretor é o maestro das cenas, não? Imaginem só orquestrar várias coisas na tela para termos a experiência de determinado filme. O curioso deste ano é que Todd Phillips nem parece ser diretor de comédias, hein? (igual ao Taika Waititi nem parece ser diretor dos filmes do Thor…) Mas Sam Mendes traz um projeto que tem algo de pessoal, inspirado no avô. E o Oscar sempre tem algum filme de guerra entre seus indicados, não é à toa, são filmes grandes já em sua proposta. Todos os candidatos deste ano tiveram que coordenar cenas caóticas, e estão de parabéns com o resultado, mas fica na minha memória aquela perseguição labiríntica entre as ruínas na escuridão. Embora eu ache que ele tenha usado demais o truque de focar em um personagem para depois abrir a tela para o que está ao redor, considero sua intenção de plano sequência, e não é à toa que Sam Mendes tem levado todos desta temporada de prêmios; aqui eu dou a mão à palmatória.

Bong Joon Ho – whaat!? eles realmente conseguiram fazer isso? Foi a minha primeira reação. Eu lembro do Roberto Benigni subindo nas poltronas, mas Bong Joon Ho nos proporcionou o melhor momento da noite: super humilde, agradecendo às pessoas que o inspiraram e fazendo todo o teatro se levantar de pé homenageando Martin Scorsese.  

Martin Scorsese             

Quentin Tarantino         

*Sam Mendes 

Todd Phillips

 

Melhor filme

Aqui, ordenados pelas minhas notas: 1 para o que gostei menos, 9 para o que seria meu melhor voto. Quem deve levar, se a academia não fizer aquelas contas loucas de um mediano que acaba ganhando, provavelmente será 1917. Não é interessante que um casal esteja disputando a estatueta? Greta Gerwig e Noah Baumbach são companheiros, imagino que nenhum dos dois vai levar, mas imagina só ser um casal assim? rs

1) História de um casamento

Acho um ótimo trabalho de atores, que levam a produção. Nós poderíamos só ter dó do pai, mas Scarlett Johansson constrói sua mãe também com carinho e seus próprios motivos. Alan Alda rouba a cena como um advogado mais humano, Laura Dern sabe muito bem das coisas, o embate no tribunal com aquele outro advogado que já tínhamos achado muito incisivo é feio, mas tentar conversar francamente também os leva à exaustão. Alguns momentos são engraçados, mas o que fica é a conformação de que algumas vidas se separam e você tem que lidar com isso como puder, mesmo que lhe pareça injusto – acredito mesmo que esse é o próprio sentimento do diretor.

2) Ford vs Ferrari

Christian Bale é turrão e Matt Damon faz a parte de mediador com uma grande empresa; ambos, brigando no diálogo, no quintal de casa, um decepcionando o outro e depois se redimindo, os dois sendo bons amigos, já valeria contar a história. Mas ainda tem esse desafio louco de uma corrida que dura 24 horas, no início somos bem apresentados à rixa que nasce do bambambam da Ford contra o grande chefão da Ferrari, entendemos como pode ser difícil bater as intenções sinceras com as expectativas empresariais – maniqueizadas na figura do vice que parece sempre estar sabotando a nossa alegria e o talento puro e simples de correr na máxima velocidade. Bem bonita a cena em que o pai explica ao garoto, na pista, aquele momento. Mas mais bonito ainda é o sentimento de não precisar de reconhecimento público, isso é que é gostar da coisa de verdade.

3) 1917

Confesso a vocês que eu nunca fui e nem sou fã de filmes de guerra. Assim como westerns. Eu até assisto, mas não me empolgam nem tocam tanto no coração como outros filmes. Daí, este é bem feito, mas tem tantos filmes de guerra já feitos e acabo não me entusiasmando. A dupla que logo de cara já recebe uma missão impossível, de entregar uma mensagem para um pelotão distante e evitar o massacre de milhares de pessoas, é claro que vai enfrentar medo e tensão para atravessar um campo inimigo supostamente abandonado, o elemento surpresa – um avião que cai, um oficial inimigo perdido, mesmo que bêbado, alguém atirando não sei da onde. Vão ver morte e perda irreparável, o caos com gritos e explosões ao redor, a exaustão extrema, além do cansaço de esforços que um ser humano comum poderia suportar… nada muito novo pra mim. Tecnicamente impressiona. É bom. Mas o que temos mais pra hoje?

4) Adoráveis mulheres

Não assisti às outras versões fílmicas, o que talvez seja bom, livre de comparações. Gosto do retrato de diferentes mulheres em uma época, que também pode ressoar às mulheres atuais. São quatro filhas e uma mãe, o pai foi para a guerra, tem o vizinho rico com seu único herdeiro que se apaixona por uma dessas garotas, mas que o dispensa por acreditar em outro tipo de vida, conservando é uma bela amizade. A personagem principal é Jo, que quer ser escritora, Meg acaba se casando com um professor humilde, Amy já vê mais pragmaticamente um casamento ao ter que admitir que nunca será um grande nome da pintura, Beth é a caçula com talento para o piano e cuja doença traz algumas cenas bonitas e faz renascer a motivação maior de Jo. Com uma direção de arte competente, é até instigante e agradável.

5) Jojo Rabbit

Algumas pessoas podem reclamar que esta leveza pode acabar relativizando, amenizando a importância do nazismo e de Hitler na história, como algo completamente horrível. Mas, oras, eu dispenso essa parte, nós sabemos como cada parte dessa guerra e crenças nazistas são temíveis. E me deixei levar pelo espírito que Taika Waititi quis abordar, numa obra diferenciada. Sim, dei risada sobre como os que tiveram seus cérebros lavados pelos ideais de Hitler viam os judeus, porque hoje já é mais do que óbvio que são descrições impossíveis. Nós temos consciência e por isso mesmo é que o filme fica rico, porque sabemos o quanto tudo é absurdo. Entendemos que o Führer foi venerado por milhares, inclusive no início temos aqueles jovens eufóricos, como se fosse os Beatles alemão (com aquele som de fundo mais que apropriado). Dei risada com as conjecturas do pequeno Yorki, “os japoneses, que cá entre nós não parecem muito arianos”. Sim, o filme ganhou meu coração inesperadamente, até em uma simples esperteza de sempre mostrar a mãe dançando, e os sapatos dela. Gosto da tentativa de mostrar por um olhar diferente, de uma criança; de como Hitler poderia ser um amigo imaginário com seus conselhos, e aos poucos construindo sua relação com Elsa, descobrindo as verdades, e chutando Hitler pra longe no final. Tem um quê de Wes Anderson ou até romantismo de Amélie (2001)****, e isso não compromete para mim, na verdade, me faz gostar mais do que ver outros filmes sérios sobre guerra.  

6) O irlandês

É muuuito longo. Sim, é longo, e difícil para a maioria dos espectadores da atualidade, imagino, que gostam de tudo muito rápido. Só que Scorsese e os atores veteranos aqui (alguns dos melhores da história do cinema, gente!) tem a experiência suficiente para fazer este filme, uma experiência necessária, eu diria, para fazer este filme. Tudo bem, Scorsese já fez muitos filmes de máfia ou gangsteres, filmes com violência, com personagens violentos, por uma questão ou outra. Se antes ele já se enveredara pela ascensão criminosa, já tratou de personagens marginais e depois de personagens poderosos, aqui ele ousa imaginar como seria a aposentadoria para quem trabalhou a vida inteira nesse “ramo”. Vamos acompanhando por décadas o que um simples “motorista” vai vivendo com pessoas de influência, com uma filha que o condena, mas com reconhecimento social – que sequência ótima a festa da entrega do prêmio, não? Os atores respiram e olham no lugar certo; e o susto que levei naquela morte pro final eu nem deveria levar, porque é compreensível a escolha dele. A constatação geral é que nem a família, nem os amigos, nem as conexões, nem os erros, nem as façanhas, nada vai te salvar. Da humanidade. Do fim que todos tem que enfrentar. E isso pode nos levar a refletir: que espécie de vida quero viver? Com quais pessoas ao meu lado? O que realmente quero ter como lembrança, o que de verdade importa? É um filme que trata de tantas coisas, entre elas culpa, remorso, e que pode ir muito além de si mesmo.

7) Coringa

Tudo bem, achei um exagero mostrar duas vezes o nosso personagem principal sendo chutado e maltratado, só começar a projeção com essa cena teria sido suficiente. E nada, concordo, nada das características e acontecimentos, poderia justificar atos impunes, anarquia, prazer com a violência – para uma mente sã. Taí o que talvez eu mais tenha gostado desta versão de um vilão tão popular, de início parecer estar mostrando alguém comum, que poderia estar escondido em qualquer beco por aí, mas ele na verdade não é alguém normal. Tanto que, em muitos momentos nós nos deixamos enganar, acreditando que poderia ser possível ele ter um relacionamento saudável com a vizinha, ou que realmente ele poderia ser filho do magnata candidato a prefeito, ou que ele poderia mesmo se comportar bem por ter recebido a oportunidade que um dia fora o seu sonho, de fazer um standup bem sucedido e participar daquele programa de TV com o apresentador que todos gostam. Nós nos deixamos enganar porque somos espectadores de cinema. E queremos acreditar nessas histórias, nos sonhos. Mas a realidade é essa enorme diferença entre os poderosos, entre o que se quer e o que se consegue, e o que uma mente perturbada consideraria vitória, escolheria? Ser ouvido, ter uma participação, independente dos meios, uma existência significativa, que faz a diferença. Visceral ou impossível por vezes – aquela morte na frente do anão?; e sempre de impacto,  triunfal aquela entrada e a resposta impiedosa ao apresentador vivido por Robert De Niro – e já ouvi falar que dialoga largamente com O Rei da Comédia (1982). 

8) Parasita

Vou fazer um miau aqui, como já comentei ali na categoria de melhor filme estrangeiro, acho que não preciso escrever por aqui… – xenti!!! Primeiro, só percebi hoje que não tinha copiado por aqui o texto para filme estrangeiro… Mais importante que isso… que noite, hein? Aqui, no prêmio final, foi histórico. Nunca, em todos esses anos de premiação, tínhamos visto um filme não falado em inglês ganhar como melhor filme. Conseguiram essa proeza e deixaram todos que acompanhavam a cerimônia boquiabertos, merecendo que a fileira de famosos na frente (Tom Hanks, Charlize etc…) fizessem um “ola”, pedindo para deixarem eles discursarem mais um pouco. Foi realmente uma surpresa, mas vimos como o filme ganhou apoiadores em Hollywood; foi quase como aquela frase tão cliché que a gente tanto gosta: provaram que nada é impossível na terra dos sonhos! 

9) Era uma vez em… Hollywood

Dentre os indicados a melhor filme este ano, este é o meu favorito! É o que mais gosto porque, né, é como uma carta de amor à Hollywood. Tarantino não está tão sanguinolento e isso me apetece. A história do astro que acaba aceitando trabalhos na TV e depois alguns na Itália – os cartazes dos filmes italianos estão ótimos! – poderia ser de um ator real que viveu nesses tempos em Hollywood.  A empolgação de uma jovem atriz em ascensão também é divertida, vivida por uma jovem boa atriz que chegou ao topo há pouco tempo, de carisma natural. E se Tarantino já tinha reinventado algo no tema escravidão, como é prazeroso podermos viver no cinema o que a realidade não pôde nos proporcionar, não? Poder imaginar outra história, aliviar – comicamente até, por que não? – na imersão de uma narrativa. Talvez seja estranho eu dar o prêmio nas outras categorias para outros filmes, porém os que concorrem por este filme chegam bem perto, e o conjunto da obra, quando são combinados todos os elementos que estão bons (mesmo não levando o voto de melhor), fotografia, figurino e direção de arte, montagem e som, acabamos com um todo muito bom. Como devem imaginar que eu nem liguei muito para a cena de luta de um suposto Bruce Lee, vocês vão me dizer que é o meu favorito só porque tem o Leo, certo? Mas na verdade é porque é um filme para quem ama cinema, sobre o que a gente mais curte no fazer dos filmes e também ao ver os filmes. Não é nenhuma obra de arte, bem capaz que este primeiro posto merecesse O Irlandês, mas este é meu voto pessoal, pelo filme que mais gostei em 2019.

 

Sim! Uma festa histórica, com os prêmios para Parasita. A Ana Maria Bahiana já comentava no twitter sobre a chuva em Los Angeles. E a cidade de São Paulo, com toda a chuva da noite, que acordou na segunda com alagamentos? Parecia até que a vida real estava se inspirando nesse fato inédito, como numa das cenas do filme, para a gente perceber que tudo pode mudar. Ou… precisa mudar? 

Pra dizer a verdade, eu nunca entendi direito como um filme estrangeiro podia ser indicado, se eles nunca iam dar o prêmio para um que não é falado em inglês (até por isso mesmo existe a categoria de filme estrangeiro, certo?). E agora é que não sei mais nada do mundo mesmo.

Mas comentando um pouquinho mais da festa… pode ter parecido chatinha em sua metade previsível, apesar dos números musicais sempre trabalhados (começando com Janelle Monáe e Billy Porter pra arrasar; passando pelas vozes das Elsas em diversos idiomas – inclusive a Matsu Takako que é super famosa pelas novelas no Japão!; até uma apresentação que não entendemos muito bem o atraso, do Eminem; e a versão de Yesterday por uma jovem estrela da música que anda no topo, Billie Eilish). Mas sabem que eu gostei da festa? Tinha muita gente que eu gosto presente! O Leo? Claro, né, gente, mas também presença brasileira, os compositores (John Williams sempre indicado!), Natalie Portman com vestido homenageando as mulheres que não foram indicadas, Tom Hanks, Keanu Reeves e até o Spielberg… este ano fiquei contente.