Como seria o seu filme sobre Corona vírus?

“Um vírus novinho em folha, fresquinho, pra você” – é uma frase que o personagem de Dustin Hoffman faz a determinado momento para seu superior no exército, vivido pelo Morgan Freeman. No filme Epidemia (Outbreak / 1995)**, o doutor Sam de Hoffman está querendo encontrar a causa para gerar um “antídoto” para o que ele acha ainda ser um vírus novo, mas que na verdade foi um caso abafado muitos anos antes para ser guardado como arma biológica. Até que a narrativa vai se desdobrando para prender nossa atenção, primeiro o macaquinho hospedeiro é contrabandeado e depois solto em uma floresta qualquer, as pessoas ficam doentes, a gente se pergunta como o doutor vai conseguir chegar até esse bendito macaco, tem personagem próximo dele que também fica infectado (a ex-esposa vivida por Rene Russo) gerando a urgência para realmente conseguir uma cura, tem até acrobacias com helicóptero e autoridades no poder para driblar e evitar que uma cidade inteira seja aniquilada. No filme, as pessoas doentes ficam num aspecto moribundo cheias de manchas e furúnculos de sangue – até para acentuar a gravidade dessa doença; elas tem apenas 2 dias antes de morrer e o vírus a princípio não se espalha pelo ar, até sofrer mutação e se propagar não só pela saliva, mas com espirros ou tosse, como uma gripe comum.

Acho que nesta época de corona vírus vários filmes apocalípticos vieram à mente das pessoas, não? Qual foi o seu? Com as ordens de quarentena e isolamento, ver ruas que antes eram super movimentadas se esvaziarem e um país inteiro ter que parar (a Itália, quem diria? O país do papa… foi realmente uma cena de cinema vê-lo caminhar pelas ruas vazias). É claro que esse filme do diretor Wolfgang Petersen tem um clima de catástrofe tenso e angústia bem mais exacerbada, mas a cidadezinha dos EUA é isolada pelos militares e os cidadãos devem ficar em casa, quem tem sintomas de tosse e febre deve se apresentar para exames… sempre tem – neste e em outros muitos filmes – alguma cena com a qual a gente pode acabar se relacionando e nos pegarmos surpresos por estarmos vivendo um momento quase igual na realidade! Os criadores da série da família amarela Os Simpsons que o digam.

Pois é, aqui no blog também eu tenho uma categoria chamada “Cenas do filminho da minha vida” que é algo assim: algum momento da minha vida real que coincide com algum momento, cena, de algum filme ou série por aí.

É até engraçado eu parar para pensar que já estava “em isolamento” antes mesmo deste caso virar uma pandemia. Como eu estava grávida e tive minha filhinha no início de janeiro, ainda estou naquele período inicial em que a dedicação total é ao bebê. Principalmente porque passamos praticamente fevereiro inteiro no hospital. Eu só saí algumas vezes para ir ao médico, farmácia ou super-mercado – ei, quarentena! Porque a bebê até 3 meses também não pode ficar exposta por aí, por não ter anticorpos suficientes… hmmm O que a geral, principalmente o pessoal de mais idade, está vivendo agora é o que eu já venho vivendo, cenas do filminho da minha vida…

E daí a gente começa a pensar diversas coisas e elaborar mais suposições para esta nossa vida em sociedade na Terra, né? Fiquei pensando que no Japão a contenção não deve ter dado tanto problema, pois eles já estão acostumados a usar máscaras e se cumprimentam de longe… Que euzinha não tenho problema algum com isolamento, já vivi a adolescência (14 aos 17 anos) num lugar sem muito convívio social, praticamente só minha família, estudava em casa. Assim, eu já imaginei como seria, como no filme A Rede (1996)**, a personagem de Sandra Bullock conseguindo viver só em casa, na base de entregas e sem muitos problemas com isso! Na época eu tinha umas fitas de vídeo-cassete e um serviço de canal pago para ver filmes – e hoje em dia, já foram desenvolvidos muito bem os serviços de streaming… Hoje em dia, até cerimônias religiosas foram restritas, mas podemos manter a fé “à distância”. Podemos comprar um livro, ou qualquer outra coisa, pela internet. E as conexões pela internet se desenvolveram desde então, hoje podemos ter contato com nossos amigos e familiares muito mais facilmente, por um aplicativo no celular – acho que esta é a hora mais que apropriada para fazermos bom uso disso!

Fiquei pensando em quantos serviços no mundo na verdade podem ser feitos de casa. Claro que tem muitos serviços que necessitam de pessoas na rua – quem vai produzir os alimentos e itens básicos, quem vai entregá-los? E os serviços de saúde, segurança, fiscalização, entre outros. Mas fiquei pensando em como até seria melhor que houvesse mais revezamento de funcionários nas empresas e serviços, não só para evitar aglomerações, evitar picos no trânsito e transporte público, mas pra oferecer também horários mais flexíveis para que os seres humanos pudessem ser mais humanos, e ter um tempo para a família, os amigos, algo que lhe dê prazer. Mesmo que os salários fossem menores, mas teríamos menos desemprego também? E se os preços também acabassem se ajustando para esses salários menores?

Na verdade, tudo isso eu já tinha pensado antes. E eu já tinha pensado esse filme. Algo que acontecesse para reinventar a sociedade. Para darmos mais valor a determinados trabalhos – como o pessoal de saúde, educadores para informação e pesquisa séria e correta, quem garante saneamento, ei, lixeiros!, o mínimo para sobrevivermos, são indispensáveis; e menos valor a outros – como o pessoal de entretenimento e esportes, políticos, podem ter uma renda tão discrepante!? Uma divisão melhor de renda e de bens, condições dignas de vida para todos.

Parece até um passo para trás, mas incluiria algo que faria muito bem para nossa sobrevivência e evolução: priorização das trocas locais, produção orgânica e atendimento mais rápido e próximo das necessidades da população, em pequenos grupos ou comunidades. Algo que faria muito bem ao meio ambiente, sociedades mais sustentáveis e menos pegada de carbono. Alimentação mais saudável, de frutas e vegetais; aproveitar melhor a água da chuva e a energia do sol; e se todos aprendessem a gerar menos ou zero lixo?

Claro que uma grande mudança, assim em âmbito geral, levaria muitas vidas – quantas pessoas no mundo estão impossibilitadas, mesmo agora, de uma higiene adequada ou recursos mínimos para viver? Seria como uma “limpa” da população mundial, desculpem se estou sendo radical e insensível, mas é o meu filme. É um mal que seria necessário para criar uma sociedade realmente melhor. E ficariam pessoas solidárias, que pensam no próximo, pois unidos sobreviveriam – seja indo ao mercado no lugar de outro, como já está acontecendo, ou oferecendo algo, partilhando algo, salvando mais uma vida por não esperar nada em troca, apenas juntos vivermos e compartilharmos esta Terra.

Pois esse seria o meu filme.

Não seria de conspiração política – como poderia ser agora, por motivos econômicos? Esse vírus já existia e agora decidiram usá-lo? Me ocorre também que pensar em fazer filmes agora talvez poderia incluir um futuro de atores digitais, como a Robin Wright em Congresso Futurista (2013)***? Como se darão as produções num pior dos casos de termos que viver eternamente em isolamento? Vamos viver das milhares de produções que já foram feitas ao longo da história da humanidade? Sim, temos grandes filmes na história do cinema que daria pra preencher anos de vida! Mas não teríamos mais a experiência de uma sala de cinema, o sentimento coletivo de ver um filme, um show, uma peça de teatro, compartilhando com outros?

Claro que na vida real não acredito que vamos chegar a esses extremos. Mas como é que vamos enfrentar esta crise mundial? E o que vamos tirar de tudo isso? Será que simplesmente vamos querer voltar à “vida comum” (capitalista, consumista, egoísta?) ou poderíamos aproveitar este acontecimento para refletirmos, mudarmos, fazermos algo? Lembrando que o momento pede a colaboração de cada um; mais do que nunca, vemos na realidade a velha máxima de que cada um fazendo a sua parte é o que vai fazer a diferença.

O meu filme seria um filme de ficção do fim do mundo, um pouco filosófico (nem tanto Malick – acho que já desisti dele desde A árvore da vida…), mas otimista.

E o seu?

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