A perdida na década (e alguns pedidos de desculpas)

Talvez por estar assistindo à web-serie do Seinfeld, esses dias eu estava pensando em como parece que eu me perdi nesta última década. Quer dizer, me parece que houve um momento de boom dos comediantes stand up no Brasil e eu perdi (ou sempre existiram de monte e eu é que só notei depois de surgirem várias apresentações em canais na internet e shows no Netflix? Talvez, né, principalmente no Ceará. Só ainda não se chamava stand up).

Tenho a sensação estranha de que em algum momento eu fui congelada ou paralisada quase que como numa dessas máquinas de filmes de ficção científica, pra de repente acordar e ver que várias coisas mudaram. Como se eu tivesse perdido a última década. O que foi que aconteceu entre meus 25 e 35 anos, quando supostamente eu deveria estar no auge físico e intelectual da minha vida?

Eu perdi a época em que todo mundo começou a fazer seus próprios vídeos e postar online. Eu perdi a transição da popularidade do Orkut pro Facebook e então Twitter e Instagram. Eu perdi os 7 gols da Alemanha numa Copa no Brasil (!) e as Olimpíadas no Rio!

É claro que entre 2010 e 2020 eu devo ter tido alguns momentos importantes aqui e ali (no meu mundinho), mas sinto como se eu estivesse acordando pro mundo de novo, ao ver mais notícias e poder pesquisar mais sobre cinema, por exemplo, ler, até estou vendo alguns vídeos no YouTube, gente!

Este realmente está sendo um ano muito atípico, mas sinto que me fechei em um casulo por muitos anos e o que aconteceu? Por que eu não consigo seguir e postar em redes sociais como todo mundo? Já não conheço tantos nomes de diretores e atores na ativa. Eu caí do bonde que seguiu e agora peguei outro querendo sentar na janelinha.

Na verdade, o título deste post deveria ser um pedido de desculpas. A todos os amigos de quem acabei me afastando e todos os novos conhecidos com quem acabei não aprofundando a amizade – simplesmente por não ter conseguido acompanhar as redes sociais, não ter conseguido equilibrar o trabalho e dedicação no templo com a vida “aqui fora”.

Sei que o Keanu Reeves é uma das celebridades que não tem contas em redes sociais, então talvez eu também não deva me preocupar muito? Simplesmente aceitar que sou essa pessoa meio ermitã? De fato, se eu conseguisse casar com o DiCaprio, acho que faria igual à esposa do Walt Disney ou ao Terrence Malick e não daria entrevistas.

Também poderia pedir desculpas ao grande amor da minha vida (sim, o cinema), se bem que no meio desses últimos dez anos teve o momento de tentar realizar aquele velho sonho de estudar cinema – que não foi lá muito bem sucedido, exceto pra eu achar que realmente não dou pra coisa.

Mas por quê, não é mesmo? Eu desisti do curso porque vi que não conseguiria me dedicar aos projetos e contribuir em equipe, devido ao trabalho. Mas era um impasse: se eu não trabalhasse, não poderia pagar e continuar o curso.

Então por que raios fiquei com a sensação de que tinha desistido da minha vida? Foi apenas algo que (não) aconteceu. Eu também podia pedir desculpas por todos os textos que não escrevi, sendo que é algo que gosto muito, mas estava sempre ocupada e cansada…

Não que tenha sido de todo ruim, nesta última década eu viajei e tive boas experiências. E agora que já até casei e tive filhos, completando o que acho que seriam as principais experiências que eu deveria viver nesta vida humana, fico pensando que não preciso realmente fazer mais nada, posso ter um emprego qualquer pra me sustentar e passar o resto dos meus dias contente por tudo que já tive oportunidade de viver.

E quem sabe, me deixando relevar a mim mesma, relaxando e estando mais tranquila, finalmente eu chegue a escrever aqueles roteiros? É, como eu disse, o cinema é o grande amor da minha vida, posso me afastar um tempo, mas até o final dos meus dias vai sobreviver essa vontade no coração de imaginar, inventar e contar histórias. Só que agora sem sentir que “preciso” fazer isso, simplesmente fazer isso porque é algo que gosto.

Nossa passagem aqui é tão rápida, pra não fazer o que gostamos. Nem sei bem onde foram parar os últimos anos, entre momentos de depressão e conformismo. Cá estou, nesta crise de meia idade para esta última década. E pra você? Como foi 2010-2020?

Quando criança, sonhava com uma vida tranquila, sem passar necessidades, escrevendo histórias. Também sonhava com o dia em que a sociedade daria mais valor aos profissionais de saúde e educadores, que pensássemos mais no meio ambiente e começássemos a salvar o planeta, que mais pessoas pensassem mais no próximo, inclusive com ajuda aos mais necessitados, e aos poucos poderíamos ter uma sociedade mais justa e menos desigual, por conseguinte, com menos crimes e violência – me pergunto se agora com as quarentenas as taxas de criminalidade também diminuíram?

Na verdade, surpreendentemente, me encontro hoje ainda com muita esperança! Que venham as próximas décadas e o futuro. E que venha um futuro melhor.

3 comentários em “A perdida na década (e alguns pedidos de desculpas)

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