Daí vieram as Wachowski e estragaram tudo

Muito calor já antes da primavera e ninguém mais liga pra pandemia, que nada, vamu pra praia e fazer churrasco, e beber e talz. Algumas vezes na minha vida julguei que nasci em país errado. Eu queria ver Tenet, mas não sei se vai dar. Eu gostei do Festival de Veneza acontecer. E nem sei se cheguei a comentar por aqui, mas quando da partida de Ennio Morricone deste mundo, fiquei triste, sim.

Acho que durante essas quarentenas teve muita gente que conseguiu ver várias séries e filmes, principalmente por streaming, alguns conseguiram ir a algum Cine Drive-in (eu bem que queria, no meu aniversário, mas não achei um filme interessante o suficiente, fora outros fatores). Eu me pergunto se eu não tivesse a bebê pequenina justo nestes tempos o que eu estaria fazendo? Teria eu conseguido ver todos os filmes da lista interminável de filmes que preciso ver antes de morrer? Ou maratonado séries que sempre acabei deixando pra lá? Nos últimos meses a única coisa que consegui ver foi Crazy Delicious – uma série em que os competidores precisam de muita criatividade para trabalhar com pratos e ingredientes inusitados, e tudo fica tão fantástico, eu gostei bastante. Mas é isso. Não consigo mais ver um filme inteiro de “uma tacada só”, eu vejo agora por partes. Calma, não estou reclamando. Sei que este tempo passará e tenho que aproveitar ao máximo meu tempo com a baby agora, pois logo ela crescerá e nem vai querer mais saber de mim. Será que a gente vai ver algum filme junto algum dia?

Na verdade, teve umas semanas aí em que eu estava pensando sobre o arrependimento. Será que eu deveria mesmo ter me casado e ter tido uma filhinha? Eu nunca fui uma pessoa “querida” pelas crianças, talvez a vida do meu esposo tivesse seguido por caminhos melhores com outra pessoa do lado. Talvez eu não sirva pra isso. Talvez eu devesse ter tido coragem e escolhido ficar sozinha, só vendo filmes, trabalhando com qualquer coisa, sonhando até a morte em fazer cinema um dia?

Bem, eu não tenho muita escolha agora, tudo o que posso é fazer o melhor que posso. E talvez eu tenha que me conformar que o cinema funciona mais para mim como um alento, um conforto, um carinho para a alma. Nunca vou trabalhar com isso, mas de vez em quando pode me trazer inspiração.

Outro dia fiquei muito chateada com uma das irmãs Wachowski comentando que o filme Matrix tinha a ver com essa questão de gênero. Este blog tinha como capa a cena do gatinho preto, do déjavu, que eu sempre brincava comigo mesma, “alguma coisa mudou na Matrix”. Era um dos meus filmes preferidos na história do cinema, e daí, de repente, pra mim, vieram elas e estragaram tudo. Eu não ligo que elas tenham optado por outro gênero sexual (ou você pode me considerar aquele tipo de pessoa que não acha que é preconceituosa, mas é, e também não vou ligar). É que pra mim Matrix era muito mais que isso, sabe? Eu até escrevi um post considerando algo do budismo que eu relacionava ao filme. Pra mim, era algo transcendente, tinha a ver com nossa própria existência, constituição como seres humanos, era muito maior do que a questão de gênero.

Tudo bem, vai acabar ficando só como mais um filme. É parecido com o George Lucas que, pra mim, estragou a trilogia original do Star Wars. 10 anos atrás eu me empolguei muito com A origem do Christopher Nolan, talvez eu me arrependa de querer ver Tenet. Os tempos mudam, nós também, provavelmente. Ou simplesmente fazemos certas escolhas e daí não tem mais jeito, tem que lidar com o que tudo isso envolve.

Daí eu estava vasculhando os arquivos da minha memória afetiva para encontrar um filme que sempre morou no coração e nunca serviu de capa pra este blog. Algo que me fez pensar que a seção de Top 5 também precisa de atualização, e eu preciso ser mais honesta comigo mesma. Não vai ser Um corpo que cai que vou querer ver empolgada junto com a minha filha.

Eu quero que ela veja Hayao Miyazaki, O fabuloso destino de Amelie Poulain (quando já for adolescente), as aventuras do Spielberg ainda criança. O tempo pode ter passado, mas eu ainda continuo sendo uma comédia romântica. E o E.T., ao que parece, nunca vai deixar de ser um dos que mais me encantam (acho que o Spielberg não vai conseguir mais estragá-lo, será que vai?).

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