Quase uma rockstar – e o que isso tem a ver com budismo?

(All together now / 2020) *

Eu acho engraçado quando às vezes me deparo com algo que me lembra os Beatles e daí não tem nada a ver… tipo aquele filme com o Eddie Murphy – Imagine só (Imagine that / 2009)**, o pessoal responsável realmente gosta da banda, tinha várias referências e eu nunca teria imaginado que essa comédia que entra na brincadeira da filha pra faturar com seu trabalho teria isso… Aqui neste filme eu só vi que o título original era o título de uma canção dos Beatles no final, me interessei porque sabia que Auli’i Cravalho tinha feito a voz da Moana e acabei me decepcionando um pouco, porque confesso que não gostei muito da atuação “live action” dela. Sei lá, sabe quando parece que a pessoa tá sempre com o mesmo rosto?

A narrativa é de uma menina que acaba perdendo a mãe por um acidente causado pelo vício. A menina mora em um ônibus e tem que se virar com empregos aqui e ali, precisando ainda desistir do seu sonho de estudar música devido a uma cirurgia da única família que lhe sobrou: um cãozinho que ela sempre carrega consigo na mochila. Prato cheio para lágrimas? Bem, acho que depende da condução do projeto?

Sim, eu acabei soltando algumas lágrimas, mas não sei se foi pelas razões certas. Os amigos da menina acabam planejando um show de talentos em prol da cirurgia do cachorrinho, reunindo-se por alguém que sempre foi boa com eles. Apesar de ela sempre procurar fazer o bem para outros – animando senhorinhas de um coral, distribuindo donuts numa casa de repouso, incentivando os jovens talentos da escola – ela mesma é orgulhosa e em determinado momento o crush dela pede para deixar os outros a ajudarem.

E o que isso tem a ver com o budismo?

Sabe, uma vez eu fiquei meio encucada com uma espécie de crítica sobre o conceito de méritos. Costumamos dizer que devemos acumular méritos com boas ações para poder transferi-los – para espíritos, por exemplo, que já não estão neste mundo e não conseguem gerar méritos por si próprios. A crítica era sobre essa ideia de como se fosse um banco, como uma conta de poupança em que vamos acumulando méritos. Mas essa ideia é apenas uma ilustração, um jeito mais fácil de visualizar o conceito.

Acho que o mais importante não é focar em quanto mérito você está acumulando, mas nessa ideia de que nós estamos vivos aqui nesta existência terrena e podemos fazer algo bom em nossas vidas. Todas as ações boas vão gerar mais coisas boas, e isso pode acabar ajudando outros e retornando para você de diversas formas também. No caso do filme, a menina foi realizando essas boas ações, que retornaram para ela desse modo mais explícito, com as pessoas querendo ajudá-la inclusive financeiramente.

E outra questão é a da humildade. Às vezes precisamos admitir que precisamos de ajuda. Que não dá pra fazermos tudo sozinhos, e não tem problema nenhum nisso. Temos que nos permitir sermos ajudados também, até porque isso também faz bem à outra pessoa, e faz essa corrente de bem continuar fluindo.

As lágrimas vieram porque eu sou uma pessoa que sempre teve o pensamento de ser autossuficiente, independente, sempre meio que acreditei que precisava me virar sozinha e pronto. Talvez com a maternidade (a idade?) eu tenha amolecido um pouco, e nos últimos tempos eu tenho me aberto muito mais para aceitar a ajuda de outras pessoas também. Faz parte da nossa condição humana, nós estamos todos interligados, e não há nada de errado nisso.

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