Mesmo na Mostra do #ficaemcasa eu não consigo

Hoje de manhã o tempo em São Paulo era friozinho, nublado e chuvoso, tipicamente me fazendo sentir saudades dos dias em que eu enfrentava esse tempinho na correria entre salas de cinema para alguma sessão da Mostra Internacional de Cinema. Mesmo no Dia de Finados, como não tenho entes queridos próximos em algum cemitério da cidade, só no interior do estado, pra mim era dia de Mostra. Quer dizer, mais talvez a uns 10 anos atrás, porque nos últimos anos, nesta época, geralmente eu tinha que trabalhar mesmo e não dava pra ficar “internada” um dia inteiro no cinema.

Neste ano inédito a Mostra está praticamente toda online, e eu fico me perguntando se eu não estivesse com uma bebê em casa eu realmente conseguiria acompanhar mais de perto e ficar o dia todo vendo filmes? Deve estar sendo uma ótima, principalmente para quem mora longe, não ter que se deslocar até São Paulo, e os preços dos “ingressos” também estão muito mais acessíveis.

Deixem-me contar que na verdade, eu, sendo esta virginiana tão caseira, penso que me daria muito bem na pandemia. Eu realmente não ligo de ficar em casa, e se pudesse, provavelmente teria aproveitado para ler (que saudades de ler um livro! Ah, os tempos de Letras…), ver filmes, ter feito Master Classes online…

Na época do ensino médio, eu morava no Japão, num lugar isolado do mundo, eu estudava em casa e fiquei também um ano sem ir ao cinema. Porque para ir ao cinema eu tinha que me deslocar até uma cidade maior, fora que era algo caro, muitos dos cinemas eram de rua, embora eu já soubesse inglês e não teria problemas em ver um filme só com legendas em japonês. Sim, eu senti falta de ir a um cinema, da experiência coletiva, com aquela tela grandona e todo o nosso foco naquela história contada em imagens em movimento…

E os Drive-ins? Poxa, eu sempre me perguntei por que não existia mais disso no Brasil, daí agora eu nem consigo – temos que respeitar uma rotina com a bebê, banho e dormir cedo, fora que eu achei bem caro os ingressos. Tudo bem que eu gosto de 2001 – uma odisseia no espaço, entre outros clássicos que disponibilizaram nesse formato, mas se for uma pessoa sozinha, ou duas até, 65 reais é meio salgado pra quem andou perdendo emprego… sei lá.

Enfim, apesar das facilidades da internet, acho que ainda sinto falta da telona – e sempre será assim? Outra coisa que eu gostava era de que algumas sessões contavam com alguns convidados ao vivo, pra gente conhecer alguém da produção ou do elenco de determinado filme. Claro que é louvável o esforço de todos para continuar fazendo a Mostra acontecer, ontem mesmo eu vi a entrevista com a Naomi Kawase e com o Aaron Sorkin, talvez seriam nomes difíceis de estar presentes numa Mostra, exceto se fossem os homenageados do ano, e é uma ótima oportunidade para explorar o que dá “à distância”. Mas eu sinto saudades da Mostra “física” também.

Só queria compartilhar esse sentimento… porque apesar de gostar tanto, há momentos na vida que a gente tem outras coisas mesmo pra pensar e fazer. Não vão aparecer posts com comentários de filmes da Mostra deste ano de novo, mas o cinema continua sendo esse amor eterno, quem sabe daqui duas décadas a gente volte? Boa Mostra a todos e vou acompanhando um comentário ou outro por aí.

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