Voltando no tempo com os 30 anos de Esqueceram de mim

Era pra ter escrito um pouquinho sobre Um duende em Nova York (Elf/2003) ***, um filme que ganhou a simpatia de muitas pessoas e não foi senão até esse último dia de Natal quando consegui conferir, e até que é divertido de assistir, né, rende algumas risadas – apesar de eu não gostar tanto do Will Ferrell, muito menos desses filmes que ficam querendo vender a ideia de que Papai Noel existe. Eu nunca acreditei, em nenhum momento da minha infância, e honestamente acredito que foi melhor assim. Mas é bem divertido sim imaginar esse cara que nem tinha noção de que não era um duende ter que enfrentar com toda a inocência a cidade de Nova York na época de Natal. Fiquei feliz de finalmente ter visto, ainda mais depois que soube ser dirigido pelo Jon Favreau, cara que tem se tornado um dos meus parsas nos últimos anos; anda me surpreendendo e este ano pelo jeito vou passar muito tempo com ele, a primeira resolução do novo ano é repor O Mandaloriano.

Nesse final de ano também acabei revendo O Grinch (How the Grinch stole Christmas/2000) *, pra tentar dar uma segunda chance, mas ainda acho muito bizarro e um tanto obscuro para crianças, sendo que, pra mim, a única coisa realmente boa é a questão materialista de como todos só pensam nos presentes, comidas e decoração, mas o espírito natalino de amizade e empatia pode ser maior que tudo isso. (Não, não acho que Jim Carrey esteja bem, é apenas um exagerado e teve outros papeis que lhe caíram muito melhor)

Se é pra pensar em filmes com o tema natalino, o primeiro que me vem à mente, por ser tão presente durante minha infância, ano após ano, é Esqueceram de mim (Home Alone/1990)***, que em 2020 completou 30 anos. E não importa quantas vezes eu revesse, eu sempre ria muito, adorava o fato de Kevin gostar é de pizza de queijo e nada mais, e nos meus anos mais solitários sempre pensava em comer só macarrão com queijo de ceia. Eis que decidi então ver um dos episódios daquela minissérie no Netflix sobre Filmes que marcam época. E foi ótimo saber algumas das curiosidades da produção, percebi como gosto de John Hughes – claro, cresci como jovem nos anos 80! E, pôxa, ele escreveu o roteiro de Curtindo a vida adoidado (1986)*** em 7 dias?!

Sim, eu voltei no tempo, quando fiz 10 anos (em 1990), ganhei o primeiro diário e em vez de escrever brincadeiras de menina, paixonites juvenis, eu usei foi para escrever um esboço de roteiro (que eu nem sabia à época que se chamava roteiro). Meu primeiro filme seria uma produção de Steven Spielberg, e o Macaulay Culkin teria o papel do mocinho, mas a heroína seria mesmo é uma detetive de 13 anos que gostava de ler Agatha Christie, desvendando o mistério de sumiço de grandes monumentos pelo mundo: a torre Eiffel, o Monte Fuji, pirâmides no Egito, o Cristo Redentor… com direito a primeiro beijo em tela (meu e do Mac), efeitos especiais, mistura de desenho animado e live action. Quando a gente é criança, ou simplesmente jovem, a gente acha que pode tudo, não é?

Voltei no tempo em que eu pensava que eu poderia ser uma grande escritora, que poderia escrever roteiros à mão como Tarantino, ou uma roteirista hábil e ávida, como John Hughes. Um desses que nasceu para o ofício.

Daí, meu último filme visto em 2020 me deixa resignada a esta realidade inimaginada, porém impossível de negar, já que é a real. Estou pensando em acabar com tudo (I’m thinking of ending things/2020)*** é uma bela brincadeira com o tempo, com a memória incluindo a sensação – talvez a percepção? Talvez vislumbre ou imaginação futura? – do momento, das possibilidades, do que queríamos que fosse e perdemos. Com personagens que transmutam, de feição, de idade, de disposição, e uma bela dança figurada no final.

É, podem perceber que tive alguns dias mais amenos no final do ano passado, até vi filmes! Eu já tinha ficado um ano inteiro sem ir ao cinema, assim que me mudei para o Japão aos 14 anos, pois vivíamos no interior e era longe uma cidade com sala de cinema. Este ano de pandemia trouxe salas fechadas, mas com nossa atual tecnologia, a disponibilidade de aproveitarmos streamings, até festivais de cinema por esse meio, ressurgiram os drive-ins! Mas eu, com uma baby pra cuidar, acabei ficando mais um ano sem ir ver uma tela grande. Não que o cinema não se fizesse presente, o cinema, as artes, estão sempre vivos ao nosso alcance, nem que seja em pensamento, em sentimentos, em memórias, em sonhos, em esperanças…

Outros animais vivem no presente. Humanos não conseguem, por isso inventaram a esperança. ( a jovem mulher, no filme mais recente do Kaufman).

Ah, tá. Só pra vocês não reclamarem que estou terminando este primeiro post do ano de forma melancólica demais, eu já consegui repor nestes primeiros dias algo que todo mundo viu no ano passado e eu não: O gambito da rainha (que talvez vá ganhar um post só dela, porque é uma série bem boa mesmo).

Tá vendo só? Não apenas começo o ano com muita incerteza – o que vou fazer da minha vida? O que vai ser do meu futuro, do futuro a minha filha do futuro, enfim? Não só de confianças infundadas em vacinas começamos. Começamos com uma garota forte, determinada, diligente e dedicada em sua grande paixão (no caso, o xadrez), que ganha o mundo, apesar de ter que lutar com seus próprios vícios, fraquezas. 2021 está apenas começando, e ainda há muito o que viver, minha gente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s