Oscar 2021: meus votos e comentários – parte 1

Como comentei no post anterior, este ano decidi separar os comentários e meus votos em três posts, para não ficar muito longo. Vamos começar com as categorias que geralmente eu não consigo assistir a todos os títulos, mas eu acabo chutando e voto mesmo assim. Meu voto está com texto sublinhado.

Melhor curta-metragem em live action

Em quase todos os anos é muito difícil eu ter acesso aos curtas, daí este ano (apesar de imaginar que tudo estaria por aí pra vermos em casa) eu já desencanei de vez. Pra não dizer que não vi nada, teve o da Netflix, mas meu voto vai para o que pareceu ser mais belo.

Feeling through” = um encontro entre um jovem e um cego-surdo.

“The letter room'” = um oficial é transferido para a “sala das cartas” da prisão.

“The present” = pai e filha saem para comprar um presente passando por soldados e rotas separatistas.

“Two distant strangers” = um rapaz negro vive num looping em que todos os dias ele é morto por um policial racista; ao final mostram vários nomes de pessoas que se foram aparentemente sem ter cometido crime algum, e inclusive o George Floyd, cuja cena semelhante representa a primeira morte e suscitou inúmeros protestos pelos EUA mesmo em meio à pandemia.

“White Eye” = um homem reencontra a bicicleta roubada.

Melhor filme internacional

Este ano, pior do que os curtas, eu vi somente o da Dinamarca… voto para o que eu gostaria de ver.

“Colective” = (Romênia) também indicado por melhor documentário.

“Druk – mais uma rodada” = talvez seja o favorito da categoria? Quatro professores de ensino médio experimentam a teoria de que beber álcool constantemente pode melhorar seus desempenhos. É claro que a gente já sabe que esse experimento vai dar ruim, mas até que é bem conduzido, com o inicial “sucesso” nas aulas de história (“vocês elegeram Hitler!”), e Mads Mikkelsen foi bailarino de verdade? Por alguma razão compreendemos a beleza e a libertação dessa dança final.

“O homem que vendeu sua pele” = (Tunísia) um refugiado da Síria cujo corpo vira obra de arte viva (?)

Quo vadis, Aida?” = (Bósnia Herzegovina) família de uma tradutora refugiada do exército sérvio em um campo das Nações Unidas.

“Shaonian de ni” = (Hong Kong) uma jovem é protegida por um homem misterioso.

Melhor curta documentário

Com alguns títulos disponíveis no YouTube até deu pra conferir alguns, né?

“Collete” = uma senhora visita junto de uma estudante um campo de concentração nazista. Até que é interessante acompanhar essa senhora que parece turrona e claro que acaba se emocionando – talvez um pouco melodramático demais, mas sempre um registro histórico para a humanidade não repetir certos erros.  

A concerto is a conversation” = uma conversa de lembranças do avô do hoje compositor de “Green Book”, que perpassou por lugares difíceis em relação a direitos iguais para os negros em sua trajetória de vida.

“Do not split” = sobre protestos em Hong Kong.

“Hunger ward” = a luta contra a fome em centros no Iêmen.

“A love song for Natasha”= outro representante Netflix, relatos de amigas de uma menina que foi morta aos 15 anos pela dona de uma loja.

Melhor documentário

Voto para um que parece bem relevante nestes tempos.

Colective” = uma equipe de investigadores em um jornal que revela uma grande fraude em um sistema de saúde.

“Crip camp” = um acampamento para deficientes, que leva a líderes por mais direitos igualitários. Eu me surpreendi porque nunca tinha ficado sabendo desse movimento, do protesto em que tomaram um prédio e até aquelas cenas de uma instituição degradante para os de necessidades especiais. Produção executiva dos Obama.

“O agente duplo” = um “agente” investiga suposto abuso aos idosos.

“Professor Polvo” = um realizador registra sua amizade com um polvo por mais de um ano, recuperando-se de seus próprios problemas. As imagens são bem capturadas, e podemos mesmo nos surpreender em descobrir certos comportamentos do polvo.  

“Time” = representante do Primevideo, mulher luta pela soltura do marido preso.

Melhor curta de animação

“Toca” = disponível no Disney+, aquele parzinho que acompanharia o longa, Soul, caso fosse apresentado no cinema… É uma graça, animação tradicional, um coelho que vai cavando em busca de um lugar para sua casa até necessitar da ajuda de vários animais para de salvarem.  

“Genius Loci” = o caos urbano que parece um guia vivo.

Se algo acontecer… te amo” = disponível no Netflix, pais lembram da filha morta num tiroteio na escola e precisam se reencontrar e superar. Algo que faz sentido em animações é porque é um meio criativo de trabalhar as imagens contando sua história, e aqui funciona muito bem, os traços simples que podem até parecer esboços por vezes (mas faz todo o sentido), trabalham com sombras e o lado “espiritual”, digamos, dos personagens.  

“Opera” = sociedade e história em certa forma de ópera.

“Yes people” = as batalhas do dia-a-dia e a capacidade de lidar com as provações.

Melhor animação

Só destoando um pouco do tema deste primeiro post da série, este ano, sim! Consegui ver todos os longas de animação indicados, embora o vencedor acho que já está na cara faz tempo (até no Annie Awards também foi).

“Dois irmãos: Uma jornada fantástica” = dois irmãos partem numa aventura com muitas referências a jogos RPG para que possam passar um dia com o pai. Entretenimento bem divertido, sempre com o ótimo timing cômico (e o pai pela metade!) da Pixar, mas nem sei se precisava se passar num mundo “mágico”? Gostei da Mantícora (voz da Octavia Spencer), com seus poderes reprimidos. E o final eu já meio que esperava, mas ainda assim emociona tratando da relação entre irmãos.

“A caminho da lua” = uma garota cuja família tem uma loja tradicional de confecção de “bolinhos da lua” vai atrás de uma lenda lunar para evitar que o pai se case de novo. Tem umas sequências mais movimentadas, a corrida com malabarismos do suposto presente, por exemplo; gosto das tentativas dela de montar um foguete e do novo irmãozinho valente, e do voo do pássaro que visita a menina. Glen Keane trabalhou no departamento de animação de vários títulos do estúdio do Mickey, e mais recentemente da série “Zé coleta”.

“Shaun, o Carneiro: O Filme – A fazenda contra-ataca” = o carneiro que apronta com as ovelhinhas e tem que aguentar o cão rabugento faz uma amizade do outro espaço e tem que ajudá-la a voltar para os pais e seu planeta. Muuuitas referências a “E.T. – o extraterrestre” (1982)****, e só por isso já ganha minha estima. O visual desses animadores britânicos é sempre agradável e as narrativas divertidas, o parque de diversões simplório montado pelo humano foi engraçado.  

Soul” = eu já fiz um post especialmente para esta animação aqui. Um professor de música cujo sonho é fazer sucesso tocando jazz acaba morrendo antes de aproveitar sua grande chance, vai parar no mundo das almas que estão se preparando para vir para a Terra e acaba ajudando uma alma a ter sua centelha de vida. É um voto bem pessoal mesmo, pois seria um presente de filme que eu daria a mim mesma.

“Wolfwalkers” = que animação fabulosa, não? Me encanta bastante o estilo deles de animação, as formas, cores, o modo como desenham a floresta e como se apresentam os elementos mágicos. A filha de um caçador é mordida e se transforma em uma “wolfwalker”, virando lobo quando dorme. Não sei quão bons são os dois anteriores desta trilogia do folclore irlandês e com certeza pretendo conferir tão logo possa “Uma viagem ao mundo das fábulas” e “A canção do oceano” (que quase peguei num desses anos de AnimaMundi). Se Soul não tivesse “me pegado de jeito”, com certeza meu voto seria deles.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s