Raya e o último dragão

(Raya and the last dragon / 2021) ***

Historinha: uma princesa precisa reunir as partes de uma pedra mágica para restabelecer um mundo harmonioso trazendo de volta entes queridos, com a ajuda da amiga draga (dragoa?)

(!) Este blog não acredita em spoilers! Uma coisa é saber o que vai acontecer com esse roteiro clichê, outra é mesmo assim se surpreender, se pegar emocionado, além de deslumbrado com o visual.

É, depois de um tempo vendo filmes, nós nos acostumamos a certos tipos de roteiro, né, e já sabia que a menina ia ser traída naquele momento, e até que ao final teríamos dragões… entre outros furos de roteiro, tudo bem, porque é uma aventura tão honesta e envolvente que a gente se deixa levar.

Gostei desse desenho de produção, com os diferentes conceitos para cada área como um video-game de diferentes fases, mas aproveitando o tema – como o fato dos druuns não sobreviverem à água, então os locais são adaptados a isso e a inspiração no sudeste asiático; o tatu-bola “tuk tuk” como meio de locomoção (e eu ri mesmo ao ver como ele tinha crescido!) ficou ótimo. As luzes e tonalidades são bem distintas e encanta os efeitos dos dragões pisando no céu.

Eles conseguiram seus próprios pinguins de Madagascar nas figuras da bebê e dos macaquinhos, e a aparência de dragão casou muito bem com a que deu sua voz original (Akwafina). Dos diferentes personagens, me comove o grandalhão que foi o último a sobrar de toda a sua tribo (pensem só!). Apesar de baterem repetidamente na tecla de saber confiar, não é que realmente me peguei desprevenida em lágrimas ao final? O final pode ser um feliz tradicional, mas é aquele conforto Disney de afago no coração.

E o que isso tem a ver com budismo?

Não sei se vocês sabem, mas dentro da história do Buda, existem vários momentos que seriam como lendas, envoltos por certos elementos mágicos e incluindo alguma metáfora nisso. Um desses momentos é o próprio nascimento do Buda neste mundo, dizem que o Rei Dragão fez chover água doce e quente dos céus, além de outros fenômenos que marcam esse acontecimento.

E não é que um dos dragões irmãos da Sisu tem o poder de trazer chuva? Aliás, no seu design creio que aquele topete seja inspirado na flor de lótus fechada (uma flor símbolo do budismo) – ou será que foi viagem minha?

Fato é que dentro do budismo uma das grandes celebrações do ano é o nascimento, que lembramos no início de Abril – e vejam só, bem nessa época, para os cristãos, celebra-se a Páscoa, que também traz a ideia de renascimento, não? Acho muito interessante essas “coincidências”.

No filme, essa aventura toda é para renascer, de certa forma, para um mundo com mais união apesar das diferenças, mais amor e harmonia.

Para a ordem budista que sigo também, o tempo do nascimento do Buda é para nós nos inspirarmos, pensarmos em como podemos nos desapegar de algo (que pode sim ser nosso orgulho próprio ou até alguma descrença) e “renascer” espiritualmente…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s