Severance e The White Lotus

Vieram as indicações ao Emmy e até parece que estou sendo influenciada por isso pra escolher séries? Hmm, nem tanto.

Ruptura” eu já tinha conferido há algum tempo, tinha uma época que eu era quase fã do Ben Stiller – próximo de uma época em que sofri um desastre de crush num profi da faculdade, quem eu achava parecido com ele. Sendo assim, já vi vários filmes do Ben, sempre achei muito louco que a esposa da vida real era aquela moça do “Zoolander” com quem fez ménage com Owen Wilson (!xenti!), mas esta direção realmente me surpreendeu. Um trabalho mais sério e bem complicadinho, mas ele se sai muito bem. E que legal o Gaveta ter ganhado comentário dele, que Ben queria saber português pra entender o vídeo! O vídeo do Gaveta aborda a direção de arte que, dou mão à palmatória, foi muito bem concebida.

A narrativa geral é sobre um rapaz que aceita trabalhar numa empresa passando por um procedimento de corte da memória: enquanto está no trabalho ele não se lembra da vida pessoal, e quando está em casa, não se lembra de nada do trabalho. Sim, poderia até ser uma solução, não levar o estresse do trabalho para casa, nem deixar suas questões pessoais interferirem no trabalho. Mas é claro que ao desenvolver a ideia nos seus diversos desdobramentos, a coisa não é tão simples assim.

A série vai crescendo com o decorrer dos episódios, conforme vamos descobrindo mais sobre os personagens e alguns podres ou erros, tem algo de muito errado com aquela empresa, aquela família empreendedora dona de tudo tem um quê de culto sinistro, quão horrível seria a “vida” de um “eu” que só vive preso num escritório sem nada além de corredores fechados e brancos, vendo números misteriosos que dão medo o dia inteiro? As tensões vão se acumulando por um ou outro motivo e acabamos a temporada com a curiosidade de querer saber no que todo aquele caos construído vai dar – o que vai ser desses três que saíram, o que vai ser dali pra frente, será que vamos descobrir o que essa empresa faz realmente?

Alguns destaques dos quais me lembro agora:

Ep. 01 – “Good news about hell” – contratam uma pessoa nova, que acorda numa sala e tem de responder a perguntas, confirmando que não se lembra de nada. Na verdade, ficamos sabendo que é a primeira entrevista depois de Mark (Adam Scott) ser promovido, com a saída do seu melhor amigo do escritório. Conhecemos os colegas de trabalho Irving (John Turturro) e Dylan (Zach Cherry) e sua chefe pouco amigável Cobel (Patricia Arquette); lá fora, a irmã de Mark, alguns amigos do casal e…

Ep. 02 – “Half Loop” – Helly (Britt Lower) faz várias tentativas de sair dessa, apesar de ter visto o vídeo da sua “externa” afirmando ter escolhido esse procedimento. O assistente Milchick (Tramell Tillman) propõe um jogo da bola, Dylan conta que seu prazer é ganhar os pequenos brindes por um trabalho bem feito, Irving passa por uma sessão de “bem estar” com frases aleatórias sobre como é o seu “externo”. Mark é solitário após a morte da esposa e sai em um encontro com a doula da irmã, decide faltar e ir encontrar o ex-colega Petey, e…

Ep. 03 – “In perpetuity” – parece que Mark que não vai conseguir descobrir muita coisa com a menteconfusa do ex-colega Petey, que diz ter revertido o processo de “ruptura”. Descobrimos que Cobel também tem que responder a uma supervisora. O grupo faz uma visita a um museu sinistro dos fundadores da empresa, uma família que é dona de muita coisa, há muito tempo… Apesar de ter se livrado de uma primeira vez no “break room”, Helly enfrenta o desgastante castigo de repetir frases até o arrependimento real.

Ep. 04 – “The you you are” – e então o cunhado de Mark é um escritor (subversivo?)! enquanto os três da Macrodata visitam o departamento de “Optics e Design”, Helly acha um cortador e pede uma câmera para gravar um vídeo exigindo sair dessa vida; refutada pela sua externa e aqui começamos a nos perguntar por que Helly “externa” não quer de jeito nenhum desistir desse processo… Lá fora, Mark comparece ao velório de Petey, conhece a filha dele e nós temos a confirmação de que Harmony Cobel (Patricia Arquette) realmente sabe tudo, dentro, fora e mais um pouco (como retirar um “chip” a la Macgyver!). E que raios, Helly realmente conseguiu arranjar um jeito de se suicidar!?

Ep. 05 – “The grim barbarity of Optics and Design” – Mark encontra Helly dependurada no elevador. Aparentemente, todos vão acabar lendo o livro do cunhado de Mark, e só quando sai do trabalho é que fica sabendo que sua irmã já começou o trabalho de parto. É um local com vários chalés e Devon (Jen Tullock) acaba conhecendo uma ricaça em busca de café (! nãooo, grávidas não devem tomar café!). Irving descobre uma imagem aterrorizante, embora, pra falar a verdade, sempre achei todos os quadros muito sinistros… Dylan fala de um mito de que um departamento trucidou o outro na história, e após Irving ter descoberto que há muito mais pessoas nesse departamento de “artes”, decidem tirar a limpo. Aliás, muito interessante essa relação criada, o interesse de Irving por Burt (Christopher Walken). Mrs. Casey é designada a observar Helly e para dar um descanso, Mark diz que vai mostrar as tampas de canetas, e mesmo terminada a temporada não descobrimos do que se trata esse departamento de filhotinhos que encontram…

Ep. 06 – “Hide and seek” – Cobel não gosta dos passeios do pessoal, que visita novamente “Optics & Design” e começam a trocar informações para descobrir mais sobre o que está acontecendo na empresa. Apesar de Mark ter sentido pela sra. Casey, ele também acaba ganhando uma visita à “sala de intervalo”. Lá fora, Cobel se passa por uma senhorinha que sabe cuidar de bebês para ajudar Devon, e em um novo encontro, Mark acaba num show meio punk da filha de Petey, do pessoal que é contra a “ruptura”. Após ter jogado fora, Mark recupera o celular de Petey (que ainda funciona!) e vai encontrar uma pessoa que poderia ajudá-lo a entender.

Ep. 07 – “Defiant Jazz” – num encontro inesperado, a mulher acaba matando o capanga de segurança da empresa, sr. Graner (Michael Cumpsty), Mark tem que limpar os vestígios e faz como orientado, de deixar o cartão de segurança no bolso para seu “interno”. Novos elevadores com trava são instalados. Dylan fica perturbado pois foi “acordado” enquanto estava fora da empresa por Milchik e descobriu que tem um filho. Como recompensa por um bom trabalho, os colegas podem ter um momento de “jazz”, que não acaba bem, mas com o novo cartão podem ir ver como é a sala de segurança, conseguem um livro de instruções para poderem “acordar” alguém lá fora. Burt vai ser aposentado e estão dando uma festa no departamento. À noite, a ficante de Mark o deixa, ele recompõe uma foto da ex-esposa e descobrimos que ela também está na tal empresa Lumon (e por que euzinha já tinha adivinhado quem era? Engraçado).

Ep. 08 – “What’s for dinner?” – Helly precisa bater uma meta e consegue, com uma animação bizarra no final do Kier como um Deus que a parabeniza. Mark vai para uma última sessão com sra. Casey, que foi despedida, e o mais estranho é o interesse de Cobel pelo casal, e ainda na sessão usam a vela que a chefe roubou da casa de Mark… É a noite dos waffles em comemoração e Mark escolhe Dylan para o tratamento especial – que é uma apresentação de dança bem bizarra, algo tipo seita erótica do mal. Todos se prepararam para serem “acordados” e procurarem alguém de confiança, com um esquema de Dylan fugir e ir até a sala de segurança. Cobel é mandada embora após descobrirem que ela escondeu vários fatos. Lá fora, Mark vai para um jantar de leitura do livro do cunhado, e conta para a vizinha (Sra. Selvig/Cobel) que está querendo mudar de vida.

Ep. 09 – “The we we are” – fantástico descobrir finalmente quem é Helly fora da empresa! E essa Helena está justo numa festa aparentemente importante, com gente importante (incluindo aquela grávida esposa de um senador). Irving também descobre que seu externo fica assombrado pelo corredor do “break room”, pintando essa imagem todos os dias, e vai atrás de Burt, descobrindo que ele tem um parceiro. Mark continua na festa e tem que perspicazmente descobrir quem é a irmã, quem é o bebê, e tal… mas quando ele responde “…sra Cobel”! a gente solta aquele “ai…..!”. E todos estão prestes a serem “desligados” em momentos desesperadores.

***

Já “The White Lotus” realmente foi uma escolha movida pelo Emmy, e tô com vontadezinha de também fazer maratona de “Succession”, que cheguei a ver alguns episódios da primeira temporada, tinha curtido, mas acabei não continuando. Esta aqui se passa em um hotel de luxo no Havaí, nós acompanhamos a estadia de um grupo de hóspedes e sua interação entre si e com alguns funcionários. Não me empolguei muito, diria até que pode ser considerada chata por alguns, tem o lado cômico, mas não é um riso fácil, exige um pouco do espectador.

Porque a série trabalha com aquela sensação de vergonha alheia, mas não é do tipo absurda e fofa, como em “Quem vai ficar com Mary?” (1998) ***, nem tão divertida quanto “The office” (2000)****, é uma vergonha do tipo: “como esse cara pode conversar disso com o filho?”, “como esse gerente de hotel pode fazer isso?”, “como essa personagem pode pensar assim?” – e o pior é que pode, sim, existem pessoas que são assim mesmo como nos é mostrado, e é horrível, se pararmos pra pensar.

Eu não devo assistir a temporadas futuras – até porque, a princípio, ela foi planejada para ser uma mini-série ou limitada a uma temporada mesmo. Mas devo admitir que tem uns diálogos bem afiados, conta com um elenco que está muito bem, cada um em seu papel e representatividade – de verdade, não consigo pensar em nenhum ator que esteja mal, principais ou coadjuvantes; tem uma fotografia linda (aula de foco naquela palmeira!) e a paisagem exuberante do Havaí pra nos embalar; tem uma trilha maravilhosa também contando com canções havaianas. É um achado de série, diferentona, que cutuca feridas sociais, bem feita, mas como disse, não é algo que quero ver sempre (aliás, apesar dos elogios, o mesmo vale para “The boys”, pra mim).

Alguns destaques que me lembro agora:

Ep.01 – “Arrivals” – aquela moça grávida no primeiro dia de trabalho, meldels, como? O gerente Armond tendo que lidar com um hóspede mimado cuja mãe tinha reservado outra suíte (supostamente a melhor do hotel); a Tanya (Jennifer Coolidge) que precisa desesperadamente de uma massagem.

Ep. 02 – “New Day” – o pai da família Mossbacher, Mark (Steve Zahn!), descobre que não tem câncer testicular; a jovem jornalista Rachel tem seu texto detratado pela mulher que admirava, a empreendedora Nicole (Connie Britton, que realmente estudou cultura asiática e fala chinês na vida real!), que achou o texto ofensivo como se ela não tivesse lutado para chegar em sua posição. Olivia (Sydney Sweeney) e Paula, filha e sua amiga, ficam doidonas e acabam deixando a mochila cheia de “medicinais” na praia.

Ep. 03 – “Mysterious Monkeys” – agora Mark fica perturbado por descobrir que o pai morreu de AIDS e não de câncer; Armond (Murray Bartlett) se vinga arranjando um passeio de barco “romântico” junto da senhora que vai jogar as cinzas da mãe no mar.

Ep.04 – “Recentering” – e não é que a mãe de Shane (Jake Lacy que já foi rival do Andy no “The Office” e usa um boné de Cornell ;) veio “visitar” a lua de mel? Belinda (Natasha Rothwell) finalmente estava com esperanças de ter um negócio próprio, mas Tanya está mais interessada num outro hóspede do hotel. E não é que Armond conseguiu drogas, Dillon do coque de cabelo sua tara e ainda ser pego por trás – ou, enfim, sem trocadilhos infames.

Ep.05 – “The lotus-eaters” – o título e Armond fazem referência a um poema que tem a ver com um poema sobre um pessoal que come uma planta e fica meio “letárgico”, meio que no mundinho próprio – bem apropriado para o pessoal retratado nesta série, né? Paula (Brittany O’Grady, muito bonita) arma contra os Mossbacher para seu ficante local ter uma chance de ir contra o sistema; mas justo quando vão finalmente mergulhar, aquela confusão – muito engraçado o Kai na hora se passando por ladrão!

Ep.06 – “Departures” – Rachel (Alexandra Daddario, realmente uma beldade) decide desistir do casamento por não querer ser esposa troféu, enquanto Armond chuta o balde geral sabendo que será demitido e caga pro Shane (literalmente!). Mas finalmente descobrimos de quem é o corpo embarcando no avião, visto no início da série. E tudo acaba como tinha que ser, praticamente todos os ricaços brancos ilesos – enquanto os “subalternos”… Apenas Quinn (Fred Hechinger), que aprendeu à força a largar os eletrônicos, decide por uma mudança.

***

E o que isso tem a ver com budismo?

Talvez o mais óbvio seria eu mencionar e falar sobre a flor de lótus, que é símbolo budista. Mas existem outros pontos que achei mais curiosos. Quando Kai, um dos locais havaianos, conta algo da sua história, eu me deparei surpresa por já ter ouvido falar do tal rei Kamehameha em uma das palestras do nosso fundador e mestre… Mas algo mais divertido ainda foi a personagem da Tanya interessada num cara e ter explicado para Belinda sobre ser um processo demorado e cansativo até a outra pessoa descobrir realmente o que tem lá no fundo, passando todas as camadas externas – como um cebola. E não é que em outra palestra dos meus estudos budistas, houve uma comparação com a cebola e suas camadas? Que poderíamos imaginar nossos níveis de consciência como as camadas, que vão da mais interna até a mais profunda, o âmago, o cerne, que talvez ninguém consiga ver, é difícil descamar/descobrir. Temos a consciência dos sentidos, moldada pelo nosso mundo físico e nossas impressões pelos nossos cinco sentidos corporais (visão, audição, olfato, paladar, tato); mas existem o “sexto sentido”, o “sétimo sentido”, que se referem a outros tipos de consciência… é algo meio complicado, mas fica aí o pensamento.

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