93rd Academy Awards

(Este post foi atualizado após a festa do Oscar 2021, deste domingão 25 de abril. Os vencedores e alguns comentários estão na cor azul)

Afinal, como é que ficou a minha lista, hein? Este ano, pela primeira vez pretendo acompanhar além do twitter uma live pelo YouTube, vamos ver como vai ser isso – com alguns anos de atraso, como contei um pouquinho neste post, finalmente descobri que gosto de pegar um dia da semana para ver alguns vídeos nessa plataforma; principalmente com a gravidez e a maternidade (e mais tempo em casa) comecei a usar para procurar informações e nem sempre a gente está disposto (após um dia exaustivo com um baby, por exemplo…) a ler algo, ou apenas estamos fazendo alguma outra coisa enquanto ouvimos (o que aliás me faz pensar no papel da TV que foi substituída pelas atarefadas domésticas nesse sentido?).

Bem, desculpem as eternas divagações à parte. Apenas relembrando: sublinhados são os meus votos, dados por um motivo ou por outro (por exemplo, figurino e maquiagem são pelo melhor filme, nem tanto pelo melhor trabalho da lista). NÃO são as apostas de quem vai ganhar… nem sempre minha opinião combina com a dos votantes reais ;) Bom Oscar para todos, daqui a pouquinho.

Melhor documentário de curta-metragem

Collete(considerei como possível ganhador, tratando da guerra, drama sentimental, disponível no YouTube)

A concerto is a conversation

“Do not split”

“Hunger ward”

“Uma canção para Natasha”

Melhor documentário

(deve levar “Professor Polvo”)

Colective

“Crip camp”

“The mole agent”

Professor Polvo”

“Time”

Melhor curta-metragem em live action

Feeling through

“The letter room'”

“The present”

Dois estranhos(já imaginava, fácil de encontrar e tema relevante nesse ano cujo caso de George Floyd foi bem importante, como a própria Regina King comentou na abertura)

“White Eye”

Melhor filme internacional

(deve levar “Druk”)

Druk – Mais uma rodada” (Dinamarca)

“Shaonian de ni” (Hong Kong)

“Colective” (Romênia)

“O homem que vendeu sua pele” (Tunísia)

Quo vadis, Aida?” (Bósnia e Herzegovina)

Melhor curta de animação

“Burrow”

“Genius Loci”

If anything happens I love you

“Opera”

“Yes people”

Melhor animação

(não tem pra mais ninguém, será “Soul”)

“Dois irmãos: Uma jornada fantástica”

“A caminho da lua”

“Shaun, o Carneiro: O Filme – A fazenda contra-ataca”

Soul

“Wolfwalkers”

Melhor roteiro original

“Judas e o Messias negro”

“Minari”

Bela vingança

“O som do silêncio”

“Os 7 de Chicago”

Melhor roteiro adaptado

“Borat: fita de cinema seguinte”

Meu pai

“Nomadland”

“Uma noite em Miami”

“O tigre branco”

Melhor design de produção

(creio que leve “Mank”)

“Meu pai”

“A voz suprema do blues”

Mank

“Relatos do mundo”

Tenet

Melhor figurino

“Emma”

A voz suprema do blues

“Mank”

“Mulan”

“Pinóquio”

Maquiagem e cabelo

“Emma”

“Era uma vez um sonho”

A voz suprema do blues

“Mank”

“Pinóquio”

Melhor fotografia

“Judas e o messias negro”

Mank

“Relatos do mundo”

Nomadland

“Os 7 de Chicago”

Melhor som

“Greyhound: Na mira do inimigo”

“Mank”

“Relatos do mundo”

“Soul”

O som do silêncio

Canção original

Fight for you” – “Judas e o messias negro”

“Hear my voice” – “Os 7 de Chicago”

Husa’vik” – “Festival Eurovision da Canção: A saga de Sigrit e Lars”

“Io sì” – “Rosa e Momo”

“Speak now” – “Uma noite em Miami”

Melhor trilha sonora

“Destacamento blood”

“Mank”

“Minari”

“Relatos do mundo”

Soul

Melhor edição

(pode levar “O som do silêncio”)

Meu pai

“Nomadland”

“Bela vingança”

O som do silêncio

“Os 7 de Chicago”

Efeitos visuais

(deve levar “Tenet”)

Amor e Monstros

“O céu da meia-noite”

“Mulan”

“O grande Ivan”

Tenet

Melhor atriz coadjuvante

Maria Bakalova – “Borat: fita de cinema seguinte”

Glenn Close – “Era uma vez um sonho”

Olivia Colman – “Meu pai”

Amanda Seyfried – “Mank”

Yuh-Jung Youn – “Minari”

Melhor ator coadjuvante

Sacha Baron Cohen – “Os 7 de Chicago”

Daniel Kaluuya – “Judas e o messias negro”

Leslie Odom Jr. – “Uma noite em Miami”

Paul Raci – “O som do silêncio”

Lakeith Stanfield – “Judas e o messias negro”

Melhor atriz

(deve levar a Viola)

Viola Davis – “A voz suprema do blues”

Andra Day – “Estados Unidos Vs Billie Holiday”

Vanessa Kirby – “Pieces of a woman”

Frances McDormand – “Nomadland”

Carey Mulligan – “Bela vingança”

Melhor ator

(devem dar o prêmio póstumo)

Riz Ahmed – “O som do silêncio”

Chadwick Boseman – “A voz suprema do blues”

Anthony Hopkins – “Meu pai”

Gary Oldman – “Mank”

Steve Yeun – “Minari”

Melhor direção

Thomas Vinterberg – “Druk – Mais uma rodada”

David Fincher – “Mank”

Lee Isaac Chung – “Minari”

Chloé Zhao – “Nomadland”

Emerald Fennell – “Bela vingança”

Melhor filme

(se “Minari” ou “O som do silêncio” correrem por fora e ganharem, não vou ficar triste não)

8 – “Meu pai”

7 – “Nomadland

6 – “Minari”

5 – “O som do silêncio”

4 – “Judas e o messias negro”

3 – “Mank”

2 – “Bela vingança”

1 – “Os 7 de Chicago”

Xenti, se eu tivesse participado de bolão este ano, eu acho que teria ganhado, hein? Porque eu teria errado só 3 (Fotografia, Melhor canção e Melhor atriz) nas apostas. Realmente credito isso a ter visto muito mais coisa este ano do que praticamente todos os outros anos.

Mas e a festa em sim, hein? O que vocês acharam das ambições do Soderbergh, que queria dar uma cara mais de filme e deixou o povo dar os discursos à vontade, sem serem cortados? (Comentaristas da TNT tavam até dizendo que isso foi culpa do DJ, haha coitado, eu só dei risada!) Pra mim, quando começou, eu fiquei até animadinha sabe? Vendo a Regina King desfilando com desenvoltura e os “créditos” na tela… mas daí, bem, acho que tentaram usar a luz e caprichar na fotografia, só que não empolgou tanto não. Até a “montagem” querendo surpreender ali no final – quase todo mundo já sabia quem ganharia direção e filme, as surpresas poderiam (e foram!) ser nessas categorias de atores, então tentaram fazer essa inversão pro clímax. Pra mim, não funcionou, né gente. O maior prêmio é o de filme e pronto.

Até que não ficou tão ruim o pessoal nos outros países, nem sabia daquele negócio que o Bryan Cranston apresentou, queria ter visto todas as apresentações de melhor canção no pré-show (ei, TNT, dá um jeito aí no futuro, mostraram só alguns trechinhos), adorei o vestido cisne negro da Laura Dern quase imitando Bjork, honestamente acho que se colocaram o povo em mesinhas deveria ter comes e bebes imitando o Globo de Ouro, pra mim Daniel Kaluya tava meio chapado (incluindo o meme instantâneo da reação da mãe), nem achei ruim Thomas Vinterberg homenagear a filha emocionado, tô ficando velha e quase não consegui acompanhar os nomes no In Memorian, uma graça a vovozinha de Minari corrigindo Brad Pitt, e a Frances Mcdormand uivando?, e é a primeira diretora asiática a ganhar Oscar, e o Anthony Hopkins certo de que não ganharia, por isso não estava lá, mas fez questão de lembrar com respeito o eterno Pantera Negra? – mas não teve jeito não. O Oscar 2021 será lembrado como aquele da rebolada da Glenn Close ao som de “Da butt” (ou será o pior final de Oscar de todos os tempos?)

P.S. não deu muito certo eu ver a live não… não consigo prestar atenção aos dois, ao mesmo tempo! Tá de bom tamanho ver alguns tuítes nos intervalos, prefiro ver o que falam os apresentadores e os discursos, sou velha assim. Mâs! Eu vi uma live pós-Oscar no canal do Super Oito (Otavio Ugá), junto do PH Santos e Daleno que até que gostei viu, dava até pra ganhar desconto no Mac n’cheese da Sadia – o meu favorito é o de bacon.

Oscar 2021: meus votos e comentários – parte 3

Por último, nesta série de posts sobre o Oscar 2021, meus votos (sublinhados) para as categorias mais “fáceis”, para a grande maioria, de identificar e votar (creio eu).

Melhor atriz coadjuvante

Maria Bakalova – “Borat: fita de cinema seguinte” = que mulher loka, gente. Imagina? Ter que fazer outras pessoas acreditarem nessa personagem como se fosse alguém real, tem algumas cenas que ultrapassam o mau gosto, mas e aquela entrevista com Giuliani? Xenti.

Glenn Close – “Era uma vez um sonho” = ah, como eu queria que ela ganhasse um desses prêmios… mas, poxa, por este filme aqui acho que não vai rolar não, hein. Sim, está muito bem como a vovó que cita “O exterminador do futuro 2” (1991)*** para endireitar o neto, mas… só ganha se formos considerar o conjunto da obra.

Olivia Colman – “Meu pai” = interpretação digníssima, como tenho visto ser usual para esta artista. Pensem em como ela passa com tudo de si a dor de ser preterida por uma irmã que nem está mais lá, sendo que podemos imaginar todos os esforços e sacrifícios para cuidar do pai… Porém, como ela já ganhou recentemente, acho que o Oscar não vai para suas mãos este ano.

Amanda Seyfried – “Mank” = ah, é uma graça de atriz, aqui representando com charme a jovem que busca sucesso e ao mesmo tempo tem sensibilidade para servir de ombro amigo a Mank, mas… Oscar acho que não, né.

Yuh-Jung Youn – “Minari” = sim, outra vovó! Mas esta aqui um pouco mais interessante, traz um certo alívio cômico para o drama da família até que ela também tem tribulação a carregar. Cativa o netinho que inicialmente não a reconhece como uma avó de verdade, é quem planta “minari” e com limitação, ainda quer fugir após causar um grande estrago. Lagrimazinhas que roubaram a cena e valem meu voto.

Melhor ator coadjuvante

Sacha Baron Cohen – “Os 7 de Chicago” = correto, talvez impressione mais porque está fugindo um pouco do personagem cômico que o grande público se acostumou a ver.

Daniel Kaluuya – “Judas e o messias negro” = muito contundente, convence como um líder forte e seguro, apesar da “timidez” no lado pessoal. O maior favorito nesta categoria (e a gente já não sabia que ele era bom desde “Corra” (2017)***?)

Leslie Odom Jr. – “Uma noite em Miami” = eu particularmente achei um trabalho excepcional. Principalmente pelo fato de ele também cantar muito bem, além de servir de forte contraponto enfrentando Malcolm X!

Paul Raci – “O som do silêncio” = talvez a performance mais “branda” de todas aqui, ou eu diria mais delicada. Nem por isso menos difícil. E ele incorpora a linguagem dos sinais, e aquela cena em que ele sabe que vai magoar o rapaz, mas precisa negar ajuda por seus próprios princípios?

Lakeith Stanfield – “Judas e o messias negro” = fiquei na dúvida se ele não deveria estar concorrendo a melhor ator principal? Um bom trabalho, incorporando o cara que não se pode deixar pegar, que parece concordar com o partido, mas também precisa se esquivar por outro lado. Pra mim, conseguiu deixar em seu semblante o medo estampado, bem como é mostrado na entrevista com a pessoa real, aliás.

Melhor atriz

Viola Davis – “A voz suprema do blues” = ah, Viola também já tem uma estatueta em sua casa, né. Não tô muito a fim de dar este pra ela não, embora entenda que é bem possível que ganhe. Transfigurada em uma personagem de presença forte, com agressividade verbal e no olhar marcantes, está bem sim, não estou dizendo que não está.

Andra Day – “Estados Unidos vs Billie Holiday” = a novinha, com muito mais créditos musicais, que tirou a sorte grande em poder interpretar este papel. Sim, caiu como uma luva.

Vanessa Kirby – “Pieces of a woman” = a primeira meia hora deste filme é só o parto (que pela sinopse, a gente já sabe que dá errado), daí é que aparecem os créditos. Mas só quem é mãe e já passou por isso vai entender tão bem toda aquela situação – e outras que poucos filmes mostram de pós-parto, como o leite vazando ou ter que usar “fralda” por uma menstruação muito forte ou incontinência urinária; pensa então em como lidar com a dor e rever a parteira de frente num tribunal. Nem precisava do restante, pra mim ela mereceria um prêmio só pela primeira meia hora.

Frances McDormand – “Nomadland” = ah, garota! Outro dia vi uma headline comentando que ela poderia ganhar um Oscar pelo mínimo de trabalho que já teve como atriz. Eu dei risada, porque Frances parece ter muito dessa personagem ela mesma, alguém de alma livre, meio desacreditada em relação aos moldes da sociedade, independente, forte e que encararia dificuldades com braveza, se viraria muito bem. Ao natural, com rugas à mostra e cabelos desgrenhados (eu me identifico!), nem precisou ser “enfeiada”, como o Oscar costuma admirar e agraciar suas atrizes. Engraçado como até alguns dos nômades acreditaram que ela era um deles, nem sabiam ou imaginaram que era uma atriz de Hollywood.

Carey Mulligan – “Bela vingança” = nem sempre precisamos de um estardalhaço de atuação, e com modos mais contidos ela consegue sim personificar muito bem o sentimento dessa personagem que ficou meio perdida na vida após uma tragédia e simplesmente não consegue deixar de lado a morte da amiga. Essa sensação da perda é algo com quem muitos podem se identificar, bem como a vontade que nos dá às vezes por mais justiça, e não é à toa que torcemos por ela, mesmo que use de alguns meios que não concordemos muito.

Melhor ator

Riz Ahmed – “O som do silêncio” = muitíssimo bem o primeiro candidato muçulmano a melhor ator na história dos Oscares. Compreendemos como deve ser desesperador para um músico, ainda mais baterista, perder a audição e passar pela raiva, pela indisposição a ficar naquela comunidade, pela aceitação e procurar mudar, apesar de querer, como qualquer humano faria, uma “cura”. E aí, então, enfrentar ainda a sensação de não pertencer até poder ter paz. Nunca, em toda a projeção, esses sentimentos parecem falsos.

Chadwick Boseman – “A voz suprema do blues” = provavelmente vão dar o prêmio póstumo para ele, e tudo bem, ele fez um bom trabalho sim, nesse personagem meio revoltado com suas dores de vida e na luta eloquente – sabemos do sofrimento ainda criança e como sua destreza de jovem músico representa força pare ele “superar” os brancos. O que me irrita um pouco é essas versões filmadas do teatro, que parecem servir apenas para exibir os talentos dos atores – talvez seja exagero meu, mas sinto isso aqui assim como foi com “Um limite entre nós” (Fences/ 2016)*. 

Anthony Hopkins – “Meu pai” = avassalador, sabe quando alguém transcende? É quase inacreditável que um profissional com seus 80 e poucos anos consiga ter um desempenho assim. E nem precisava mais trabalhar, tendo no currículo trabalhos marcantes, mas se entrega de corpo e alma, nunca tem um trejeito ou fala inútil, nunca duvidamos do que aquele homem está vivendo, seja pelo olhar ou postura física, sentimos com ele a confusão que o projeto todo propõe. Sim, valeu a pena o diretor fazer uma versão em inglês especificamente para trabalhar com este ator. E se Oscar fosse justo, sem dúvidas este prêmio seria dele.

Gary Oldman – “Mank” = será que as pessoas vão se lembrar desse personagem como um bêbado que vomitou num jantar pomposo na mansão de um bam-bam-bam de Hollywood da época? Este ator já demonstrou seu talento por diversos personagens, e está bem na pele desse roteirista que relembra bastidores enquanto escreve sua maior obra, mas não me fez torcer por ele em nenhum momento.

Steve Yeun – “Minari” = só por ser o primeiro asiático indicado nesta categoria, esta indicação tá valendo. É um bom trabalho, interpretando esse pai que representa tantos imigrantes e lutas pessoais. Na luta por uma vida melhor, não é fácil ter até a pessoa mais próxima parecer não te apoiar, tentar fazer o certo, ceder, mas querer vencer, celebrando nem que seja pequeníssimas conquistas, errar. E até mesmo desconfiar, ou estranhar um novo amigo meio doido. 

Melhor direção

O que vejo em direção é sempre como tudo foi orquestrado pelo maestro, que faz uso dos recursos narrativos disponíveis desta forma de arte para contar sua história, passar sua mensagem, impactar ou emocionar, ou fazer refletir, o espectador.

Thomas Vinterberg – “Druk – Mais uma rodada” = lances trêmulos e imagens por vezes borradas ou com alguma alteração para estados alterados; close para enfatizar aquela primeira taça irrecusável, e o clima do drink também irrecusável que já sabíamos estar passando do limite, barco de morte iminente, sobriedade com a esposa.

David Fincher – “Mank” = pra mim, a que empolga menos, me chega como uma direção fria e calculada, embora ele deva ter um carinho especial, a ponto de creditar somente o pai no roteiro. Se fosse pra fazer jus ao “Cidadão Kane” (1941)***, acho que poderia ter trabalhado melhor, quem sabe até incluindo as inovações técnicas que o filme homenageado trouxe?

Lee Isaac Chung – “Minari” = sabe quando a gente diz que este é o filme singelo, que meio que acalenta um pouco o coração? Os planos da fazenda e da natureza, a sensação de isolamento já quando chegamos com a família naquele ex-trailer velho no meio do nada, a ênfase no cansaço e os respiros em meio às adversidades; a dinâmica dos atores que realmente vemos como se fosse uma família real – e não idealizada, o que nem poderia ser, já que o intuito é exatamente sentirmos os sofrimentos e falhas de qualquer sonho (americano ou não) – isso tudo faz parte da direção. 

Chloé Zhao – “Nomadland” = eu quero dar meu voto para uma mulher, prontofalei. Mistura atores com pessoas reais de forma natural, e sem medo de filmar o que é necessário, de às vezes nos deixar no silêncio, de não apelar pra sentimentalismo (mesmo assim nos emocionando, sem evitar a família) nem exposição gratuita. É a favoritassa e deve levar a estatueta mais cobiçada desta temporada de prêmios do cinema.

Emerald Fennell – “Bela vingança” = sim, ela consegue colocar os atores no lugar em que gostaria e pairar com sua atriz principal para nós mesmos contemplarmos uma possível esperança de um amor, uma relação “normal”, mas acho que a sequência da despedida de solteiro, algemas, se solta, as ações e as consequências – isso é o que vai ficar na memória.

Melhor filme

Bem, eu já vim comentando até aqui conforme passamos pelas diversas categorias, e acho que não tenho muito a acrescentar, se pensarmos na combinação de todos esses elementos de destaque. Claro que a escolha é sempre muito particular a mim, considerando meu próprio histórico, vivências, interesses… mas talvez também seja assim para os membros da Academia? Cada um deve ter algum critério para ter mais ou menos consideração por uma ou outra obra. Aqui, fazemos a votação como eles lá fazem, a melhor nota do filme que mais gostei decrescendo para o que menos gostei da lista. E como de costume, vamos torcer para que não haja um “empate técnico” que faça algum mediano levar o prêmio…

8 – “Meu pai” = preciso comentar aqui que eu não esperava que esse filme me arrebataria como fez!

7 – “Nomadland”= só pelo tema, eu sabia que ia gostar de conhecer esse tipo de vida e que também me daria vontade de jogar tudo pro alto e ir contra o “sistema”.

6 – “Minari” = tá vendo? Não é só você que tem uma família disfuncional, e não é só com sua família que acontecem tragédias.

5 – “O som do silêncio” = o árduo processo de se refazer a si mesmo.

4 – “Judas e o messias negro” = um trabalho exímio para termos vontade de justiça e pra lembrarmos de nunca desistirmos da luta, porque desistir sim poderia ser vergonhoso.

3 – “Mank” = não é que eu mesmo me surpreendi com esta escolha? No final das contas eu bem tenho afeição com os bastidores do cinema, sim, de qualquer época. Mais afeição até do que o gostinho de uma vingança feminina.

2 – “Bela vingança” = pra ser honesta, não esperava a indicação a melhor filme (só para atriz, roteiro e direção). Vale por expressar um grito das mulheres, mas não chega a ser um dos grandes a ser lembrado na história do cinema.

1 – “Os 7 de Chicago” = interessante, bons personagens por bons atores, diálogos espertos, mas me perde naquele final honroso e glorioso e… provavelmente eu vou esquecer dele em alguns anos.

Oscar 2021: meus votos e comentários – parte 2

Continuando a série de três posts com meus comentários e votos para o Oscar 2021, neste aqui veremos as categorias mais “técnicas”. Mesmo assim, não cheguei a ver todos os indicados… Meus votos estão sublinhados.

Melhor roteiro original

“Judas e o Messias negro” = o líder do partido dos Panteras Negras e o traidor infiltrado em seu meio. Para mim, um dos destaques do texto foi no diálogo da moça que o chama de poeta; e creio que mesmo para quem já conhecia a história (eu não!) foi interessante o modo de condução da narrativa até o desfecho e a fala do cara real.

“Minari” = uma família coreana nos Estados Unidos, o pai que quer criar uma fazenda para vender suprimentos para as lojas coreanas locais, a mãe que progride no trabalho braçal de sexagem de pintinhos, os filhos crescendo nesse meio e a avó meio fora da curva. E quando a vovó zoa o garotinho, e quando ele tem que buscar uma vara pra ser punido, e a cena em que a mãe diz: “você preferiu a fazenda em vez da sua família lá dentro” – nooossa, hein?

Bela vingança” = uma mulher que quer dar uma lição aos homens que se aproveitam de mulheres bêbadas, além de vingar uma amiga. Abordando um tema pouco mostrado e contando com um desfecho de vingança meio inesperado, mas satisfatório, é bem provável que leve nesta categoria, sendo uma representante feminina aí.

“O som do silêncio” = um baterista que fica surdo e precisa lutar e aprender a continuar vivendo. Gosto muito dos acontecimentos, do desenvolvimento do personagem e de como ele chega a uma bela conclusão que eu chamaria de paz espiritual.  

“Os 7 de Chicago” = o processo no tribunal de sete pessoas acusadas por protestos violentos numa convenção em Chicago. Tem uns diálogos muito eloquentes e uma espécie de reviravolta quanto ao personagem que acaba instigando mesmo a violência, mas acho que este ano o roteirista veterano em textos políticos Aaron Sorkin não leva – ele já tem um por “A Rede Social” (2010)***.

Melhor roteiro adaptado

“Borat: fita de cinema seguinte” = depois de anos preso, Borat volta aos EUA para entregar um presente ao vice-presidente e acaba desenvolvendo uma boa relação com a filha. Aproveitando pessoas reais e situações irreais, o roteiro até que se deu bem ao incluir o tema da pandemia Covid-19 – pelo menos eu gostei, com direito a cena inspirada em “Os Suspeitos” (1995)***. É eficaz, rendendo suas risadas pelas bobagens e sarcasmo político, mas nenhuma obra prima, talvez sirva como uma espécie de registro alternativo dos nossos tempos. 

Meu pai” = baseado numa peça de teatro, um homem que vê sua memória se embaralhar. Achei tão perfeita essa adaptação do texto para o meio cinematográfico, nem consigo imaginar direito como seria apresentado numa peça.

“Nomadland” = uma vida de nômade em uma van pelos EUA, após uma crise financeira. 

“Uma noite em Miami” = um encontro entre líderes, cada um a seu modo, pelos direitos dos negros nos EUA: Jim Brown, Malcolm X, Mohammed Ali, Sam Cooke. Muitas conversas com diálogos que nos fazem pensar, principalmente ali no topo do prédio.

“O tigre branco” = baseado num best-seller, um jovem indiano humilde que é como um galo único a fugir do galinheiro, como roteiro tem algumas partes que achei expositivas e repetitivas, cansativas. Mas ilustra bem esse sentimento de indignação diante das grandes diferenças sociais, eu mesma nunca tinha visto um filme sobre a Índia moderna tão esclarecido (ei, a melhor democracia do mundo?) e objetivo, e não teria visto sem essa exposição que uma indicação ao Oscar traz.

Melhor design de produção

“Meu pai” = quase todo se passa num apartamento, com alguns elementos que vão mudando…

“A voz suprema do blues” = outra época passada, o principal cenário é um estúdio de gravação que serve de conflitos e muita argumentação.

“Mank” = também uma época passada, cenários grandiosos – estúdios de cinema, locações, mansões, uma casa no interior para o escritor.

“Relatos do mundo” = velho-oeste norte-americano, paisagens, muitos figurantes para cada cidade por onde passam, jornais antigos, uma casa abandonada, uma “roça” familiar; foi muito trabalho, mas o filme em si não tem tanto destaque e não deve levar o prêmio.

Tenet” = boas locações no exterior, já começar com aquela cena de ação irrompida na ópera! Tem o barco, o enorme avião no aeroporto que abriga obras de arte, a perseguição de carros, a tomada no deserto.

Melhor figurino

“Emma” = não vi o filme, mas conseguimos imaginar, por outras adaptações dessa história, conhecendo um pouco do universo da autora, Jane Austen. Muitos belos vestidos e adereços anos 1800? Anya Taylor-Joy é uma sortuda, por poder usar figurinos tão bacanas – sim, estou considerando aqui “O gambito da rainha” (2020)***.

A voz suprema do blues” = eu gosto do par de sapatos amarelos, além de estar muito correto os ternos e os vestidos desse grupo de músicos, da moçoila fogosa e até dos proprietários do estúdio.

“Mank” = aquele glamour da Hollywood antiga, belos ternos e ainda o pessoal dos comícios.

“Mulan” = armaduras chinesas de guerra e uma bela composição com a personagem que é mulher, mas se veste de homem para lutar no lugar do pai. Creio que muito bem inspirado nos trajes chineses reais, só que o filme não foi lá aquela coisa, então fica aí com essa indicação somente.

“Pinóquio” = não vi esse, mas novamente dá para imaginarmos, não? (e nem estou considerando tanto a versão animada da Disney, tá).

Maquiagem e cabelo

Acredito que os comentários sobre maquiagem e cabelo se relacionam com os acima, de figurino.

“Emma”

“Era uma vez um sonho” = acho que estão contando que “enfeiaram” Amy Adams e envelheceram Glenn Close? Foram competentes, mas nada que chame tanta atenção para um Oscar, exceto essas duas atrizes, que já somam várias indicações e nunca ganharam?

A voz suprema do blues

“Mank”

“Pinóquio”

Melhor fotografia

Pra dizer a verdade, eu não entendo tanto assim de fotografia. Sei que tem a ver com as luzes, cores, talvez posicionamentos, nitidez ou embrutecimento das imagens, entre outras coisas?

“Judas e o messias negro” = pra mim, o grande diferencial são as tomadas noturnas, se bem que a sensação das conversas no restaurante também é outra.

“Mank” = filmado todo em preto e branco para lembrar o filme homenageado “Cidadão Kane” (1941) ***, incluindo até simulação de “manchinhas” pontuando troca de rolo de filme… pode até ser que leve?

“Relatos do mundo” = as leituras feitas à noite com os diferentes locais, a coloração das terras conforme necessidade, ou um início de noite bem captado.

Nomadland” = também contando com muitas paisagens, muitos climas diferentes, interiores meio lânguidos? Natureza calma – e aquela cena da revoada, não?

“Os 7 de Chicago” = as ênfases necessárias, no tribunal ou outras conversas dos envolvidos, ruas com muitos jovens, reunião no parque ou enfrentamento com policiais.

Melhor som

Aqui tá tudo junto agora, né? Não só a captação dos sons pontuais, mas a mixagem, misturando com a trilha sonora e exacerbando os sons que se quer aumentar ou diminuir por um motivo ou outro. Ainda bem que não indicaram “Tenet” (que pelamor, cada susto em transições de cenas mais silenciosas e outras de ação!).

“Greyhound: Na mira do inimigo”

“Mank”

“Relatos do mundo”

“Soul”

O som do silêncio” = é meu voto porque não tem jeito, né? O próprio tema do filme é esse, como não prestar atenção ao som ao redor, ou à falta dele, zunidos, sons metálicos (título original do filme)? E acredito que leve mesmo a estatueta dourada, pelo menos este.

Canção original

Três destas indicadas considero ter um fundo político e de engajamento, o que não é ruim, não. Só não vou escolher uma dessas pra não ser injusta com as outras ;).

“Fight for you” – “Judas e o messias negro”= H.E.R. já ganhou melhor canção do ano no Grammy, hehe.

“Hear my voice” – “Os 7 de Chicago”

Husa’vik – “Festival Eurovision da Canção: A saga de Sigrit e Lars” = este é o que vai ser transmitido da Islândia! Muita gente gostou dessa brincadeira com Will Ferrell e Rachel Adams, né? E a canção representa a essência do próprio filme…

“Io sì” – “Rosa e Momo” = muito bela, para encerrar aquela relação de altos e baixos, com um menino flertando com o crime, mas de coração aproximado para realizar um último desejo pensando no melhor para aquela pessoa que o ajudou. Muitos brasileiros gostam de Laura Pausini, e ainda conta com Sophia Loren no clipe.

“Speak now” – “Uma noite em Miami” = devo confessar que não conhecia o lado musical de Leslie Odom Jr, mas ele me surpreendeu como Sam Cooke e fez também “Hamilton” ao lado do Lin-Manuel Miranda.

Melhor trilha sonora

Penso que a trilha não seja apenas uma canção, mas todo um movimento sonoro, de melodia, incluindo as canções, claro, construído para acompanhar e expressar determinada trama. Infelizmente, estazinha que vos escreve não é tão multifuncional assim, e eu precisaria rever cada um dos indicados e prestar atenção somente na trilha para poder votar com seriedade. Mas penso sempre: qual trilha ficou marcante a ponto de lembrarmos logo ao pensarmos no filme?

“Destacamento blood”

“Mank”

“Minari”

“Relatos do mundo”

Soul

Melhor edição

Combinar as imagens, ordená-las (ou desordená-las)…

Meu pai” = é fantástica, sem cenas perdidas ou a mais, todas tem um sentido ali. Como somos levados e surpreendidos, a cada momento que é vivido ou lembrado, a cada fala repassada ou transfigurada, e numa gradação de compreensão (por parte do público, incompreensão do protagonista que afetuosamente seguimos, escalando nossa emoção).

“Nomadland” = tem muita chance, apesar de ou especialmente porque não sabemos muito bem quanto tempo passou, com algumas falas bem encaixadas e momentos desencaixados.

“Bela vingança” = sabe no início, quando corta e ela aparece com um líquido vermelho, mas era só hot dog? E quando no ato final a gente fala “ih, f3rr0u”, pra então perceber que deu tudo certo? Tempos corretos, ótima edição.

“O som do silêncio” = é uma beleza, combinando com a edição sonora, então… quando a gente fica com ele ali na salinha, ele esmagando o donuts; ou desacompanhando na festa da namorada; eficiente também na transformação, junto das crianças…

“Os 7 de Chicago” = talvez o que tenha mais chamado a atenção é a pequena revelação com o paralelo de uma conversa e um discurso, mais ao final. Mas claro que temos os desenvolvimentos políticos e do próprio processo julgado, como percebemos as manipulações, as cenas iniciais com a apresentação dos personagens é bem dinâmica.

Melhores efeitos visuais

Epa, que este ano foi bom e até nesta categoria consegui ver todos os indicados! Me lembra a época de jovenzinha, quando o que eu adorava era ver os efeitos especiais dos filmes de aventura das sessões da tarde…

Amor e monstros” = boa diversão, com risadas honestas neste universo em que monstros tomaram conta da Terra e nosso herói, apesar de muito inapto, paralisado diante do perigo, decide sair e enfrentar tudo para encontrar uma possível namorada. Sim, os monstros são ótimos – até do caranguejo prisioneiro por choque elétrico eu gostei, e as explosões, a interação com o Boy, funcionam bem. Meu voto vai pra este simplesmente porque foi o mais divertido de ver, e se os efeitos fossem muito capengas tiraria parte da graça.

“O céu da meia-noite” = não me entusiasmei muito com o filme em seu todo, achei meio previsível. Sempre tem que ter algum que se passa no espaço, né; nave bonita, tecnologia avançada com direito a memória virtual, um trailer que vai inundando no lago congelado, a cena mais fenomenal eu diria que é a ferida da astronauta, com as gotículas de sangue se espalhando naquela falta de gravidade (por que sempre que um astronauta inventa de dar um passeio fora da nave a gente já sente que vai dar m3rd@? Ecos de “2001”?)

“Mulan” = treinamentos, avalanche, muitas lutas coreografadas.

“O grande Ivan” = ah, é um belo trabalho sim dar expressão aos animais, em especial o personagem principal, Ivan, parece tão real – e o filme é baseado mesmo numa história real! Apesar de sentirmos carisma pelo dono da atração, interpretado por Bryan Cranston, é bem válida a questão de libertação dos animais e que possam viver em um habitat mais próximo do natural. Eu daria uma chance por esse motivo, caso você esteja procurando por um filme “família”.

“Tenet” = sim, sim, Nolan e seus grandes efeitos. Explosão do avião, tiros e estouros ao contrário, uma visita à la “Missão Impossível” na Índia, prédio que volta e é explodido de novo… e sei lá mais quais invencionices podem garantir mais um prêmio aí.

Oscar 2021: meus votos e comentários – parte 1

Como comentei no post anterior, este ano decidi separar os comentários e meus votos em três posts, para não ficar muito longo. Vamos começar com as categorias que geralmente eu não consigo assistir a todos os títulos, mas eu acabo chutando e voto mesmo assim. Meu voto está com texto sublinhado.

Melhor curta-metragem em live action

Em quase todos os anos é muito difícil eu ter acesso aos curtas, daí este ano (apesar de imaginar que tudo estaria por aí pra vermos em casa) eu já desencanei de vez. Pra não dizer que não vi nada, teve o da Netflix, mas meu voto vai para o que pareceu ser mais belo.

Feeling through” = um encontro entre um jovem e um cego-surdo.

“The letter room'” = um oficial é transferido para a “sala das cartas” da prisão.

“The present” = pai e filha saem para comprar um presente passando por soldados e rotas separatistas.

“Two distant strangers” = um rapaz negro vive num looping em que todos os dias ele é morto por um policial racista; ao final mostram vários nomes de pessoas que se foram aparentemente sem ter cometido crime algum, e inclusive o George Floyd, cuja cena semelhante representa a primeira morte e suscitou inúmeros protestos pelos EUA mesmo em meio à pandemia.

“White Eye” = um homem reencontra a bicicleta roubada.

Melhor filme internacional

Este ano, pior do que os curtas, eu vi somente o da Dinamarca… voto para o que eu gostaria de ver.

“Colective” = (Romênia) também indicado por melhor documentário.

“Druk – mais uma rodada” = talvez seja o favorito da categoria? Quatro professores de ensino médio experimentam a teoria de que beber álcool constantemente pode melhorar seus desempenhos. É claro que a gente já sabe que esse experimento vai dar ruim, mas até que é bem conduzido, com o inicial “sucesso” nas aulas de história (“vocês elegeram Hitler!”), e Mads Mikkelsen foi bailarino de verdade? Por alguma razão compreendemos a beleza e a libertação dessa dança final.

“O homem que vendeu sua pele” = (Tunísia) um refugiado da Síria cujo corpo vira obra de arte viva (?)

Quo vadis, Aida?” = (Bósnia Herzegovina) família de uma tradutora refugiada do exército sérvio em um campo das Nações Unidas.

“Shaonian de ni” = (Hong Kong) uma jovem é protegida por um homem misterioso.

Melhor curta documentário

Com alguns títulos disponíveis no YouTube até deu pra conferir alguns, né?

“Collete” = uma senhora visita junto de uma estudante um campo de concentração nazista. Até que é interessante acompanhar essa senhora que parece turrona e claro que acaba se emocionando – talvez um pouco melodramático demais, mas sempre um registro histórico para a humanidade não repetir certos erros.  

A concerto is a conversation” = uma conversa de lembranças do avô do hoje compositor de “Green Book”, que perpassou por lugares difíceis em relação a direitos iguais para os negros em sua trajetória de vida.

“Do not split” = sobre protestos em Hong Kong.

“Hunger ward” = a luta contra a fome em centros no Iêmen.

“A love song for Natasha”= outro representante Netflix, relatos de amigas de uma menina que foi morta aos 15 anos pela dona de uma loja.

Melhor documentário

Voto para um que parece bem relevante nestes tempos.

Colective” = uma equipe de investigadores em um jornal que revela uma grande fraude em um sistema de saúde.

“Crip camp” = um acampamento para deficientes, que leva a líderes por mais direitos igualitários. Eu me surpreendi porque nunca tinha ficado sabendo desse movimento, do protesto em que tomaram um prédio e até aquelas cenas de uma instituição degradante para os de necessidades especiais. Produção executiva dos Obama.

“O agente duplo” = um “agente” investiga suposto abuso aos idosos.

“Professor Polvo” = um realizador registra sua amizade com um polvo por mais de um ano, recuperando-se de seus próprios problemas. As imagens são bem capturadas, e podemos mesmo nos surpreender em descobrir certos comportamentos do polvo.  

“Time” = representante do Primevideo, mulher luta pela soltura do marido preso.

Melhor curta de animação

“Toca” = disponível no Disney+, aquele parzinho que acompanharia o longa, Soul, caso fosse apresentado no cinema… É uma graça, animação tradicional, um coelho que vai cavando em busca de um lugar para sua casa até necessitar da ajuda de vários animais para de salvarem.  

“Genius Loci” = o caos urbano que parece um guia vivo.

Se algo acontecer… te amo” = disponível no Netflix, pais lembram da filha morta num tiroteio na escola e precisam se reencontrar e superar. Algo que faz sentido em animações é porque é um meio criativo de trabalhar as imagens contando sua história, e aqui funciona muito bem, os traços simples que podem até parecer esboços por vezes (mas faz todo o sentido), trabalham com sombras e o lado “espiritual”, digamos, dos personagens.  

“Opera” = sociedade e história em certa forma de ópera.

“Yes people” = as batalhas do dia-a-dia e a capacidade de lidar com as provações.

Melhor animação

Só destoando um pouco do tema deste primeiro post da série, este ano, sim! Consegui ver todos os longas de animação indicados, embora o vencedor acho que já está na cara faz tempo (até no Annie Awards também foi).

“Dois irmãos: Uma jornada fantástica” = dois irmãos partem numa aventura com muitas referências a jogos RPG para que possam passar um dia com o pai. Entretenimento bem divertido, sempre com o ótimo timing cômico (e o pai pela metade!) da Pixar, mas nem sei se precisava se passar num mundo “mágico”? Gostei da Mantícora (voz da Octavia Spencer), com seus poderes reprimidos. E o final eu já meio que esperava, mas ainda assim emociona tratando da relação entre irmãos.

“A caminho da lua” = uma garota cuja família tem uma loja tradicional de confecção de “bolinhos da lua” vai atrás de uma lenda lunar para evitar que o pai se case de novo. Tem umas sequências mais movimentadas, a corrida com malabarismos do suposto presente, por exemplo; gosto das tentativas dela de montar um foguete e do novo irmãozinho valente, e do voo do pássaro que visita a menina. Glen Keane trabalhou no departamento de animação de vários títulos do estúdio do Mickey, e mais recentemente da série “Zé coleta”.

“Shaun, o Carneiro: O Filme – A fazenda contra-ataca” = o carneiro que apronta com as ovelhinhas e tem que aguentar o cão rabugento faz uma amizade do outro espaço e tem que ajudá-la a voltar para os pais e seu planeta. Muuuitas referências a “E.T. – o extraterrestre” (1982)****, e só por isso já ganha minha estima. O visual desses animadores britânicos é sempre agradável e as narrativas divertidas, o parque de diversões simplório montado pelo humano foi engraçado.  

Soul” = eu já fiz um post especialmente para esta animação aqui. Um professor de música cujo sonho é fazer sucesso tocando jazz acaba morrendo antes de aproveitar sua grande chance, vai parar no mundo das almas que estão se preparando para vir para a Terra e acaba ajudando uma alma a ter sua centelha de vida. É um voto bem pessoal mesmo, pois seria um presente de filme que eu daria a mim mesma.

“Wolfwalkers” = que animação fabulosa, não? Me encanta bastante o estilo deles de animação, as formas, cores, o modo como desenham a floresta e como se apresentam os elementos mágicos. A filha de um caçador é mordida e se transforma em uma “wolfwalker”, virando lobo quando dorme. Não sei quão bons são os dois anteriores desta trilogia do folclore irlandês e com certeza pretendo conferir tão logo possa “Uma viagem ao mundo das fábulas” e “A canção do oceano” (que quase peguei num desses anos de AnimaMundi). Se Soul não tivesse “me pegado de jeito”, com certeza meu voto seria deles.

Como mudou a rotina de ver filmes, e um pouco do Oscar 2021

Estamos nos aproximando da festa do Oscar deste ano e fazia tempo que eu não via tantos filmes indicados assim! Claro, isso foi possível por um ano de pandemia, com a maioria dos títulos disponíveis em streaming e poucas idas aos cinemas (para alguns, no meu caso foi nenhuma ida).

Na verdade, fico pensando em como minha rotina de ver filmes mudou. Não apenas não ter a imersão de uma sala escura e sua total atenção voltada às cenas iluminadas por uma qualidade de imagem e som ideais (segundo o crítico Pablo Villaça, há teóricos que afirmam que o ideal seria ainda além: não ter nem os luminosos indicadores de saída, pra uma imersão ainda melhor). Inclusive, uma amiga comentou que não sentia falta de ir ao cinema – ao passo que eu afirmava dentro de mim que sentia, provavelmente pelo que acabei de descrever acima.

Mas não é só isso, de estar em casa e poder pausar e ir buscar algo pra comer ou beber. Ter distrações ao redor, seja de pessoas ou sons, ou movimentos… Ou não ter muita paciência e parar pra terminar de ver só em outro dia. Se bem que, pra ser mais exata, mais do que a pandemia, esse hábito novo foi mais devido à bebê que corresponde a uma jornada de trabalho diário de quase 12 horas sem direito a férias.

Talvez para quem vê de fora eu não esteja fazendo nada. Ou talvez pra quem tenha vivência de outras realidades – afinal cada bebê é diferente, cada família também. Ainda existe muito dessa ideia também que cuidar da casa e dos filhos não é trabalho – pode até não ser pra você que não sabe, mas que dá trabalho, dá!

E daí, ficamos assim: sim, eu vi muitos filmes nesta maratona para o Oscar deste ano de 2021, mas infelizmente não consigo tecer textos para cada um visto, então faremos o seguinte: vou dividir em três posts meus comentários, junto dos votos que eu daria caso fosse um membro da Academia. Pra não ficar um textão infindável que ninguém tem saco de ler.

Ao mais, estou curiosa pra saber como se dará a apresentação este ano, parece que Soderbergh quer inovar, fala-se de um formato que pareça com um filme, máscaras serão item de destaque – e vocês não acharam também simplesmente muitíssimo apropriado que tenhamos justamente o diretor de Contágio (Contagion / 2011) para nos guiar? Adoro essas “coincidências” do mundo do cinema.

Outro fato muito entusiasmante para esta temporada são as próprias indicações que inovaram, trouxeram uns recordes inéditos aí. Seja em mais presença de mulheres e negros, fico sentindo que depois do ano em que anunciaram o vencedor errado e de “Parasita” (2019)*** surpreender a todos, tudo é possível agora no Oscar!

Nos próximos dias sai um post por dia então, esperando com certa ansiedade pra ver se vai ser uma festa histórica das boas.

Temos que falar (dos inesperados méritos) de Soul

Venho enrolando para escrever este post desde o início do ano, foi um dos primeiros que vi neste ano e gosto de começar meu ano com essa espécie de tradição de ano novo, começando o ano com um filme bom sinto que o ano todo será bom.

Pra dizer a verdade, eu não dava muita coisa pra esse filme quando vi o trailer, sendo bem preconceituosa mesmo: “ah tá, eles precisam fazer um filme com personagens negros por causa dessa onda de necessidade de representatividade, daí pegaram o estilo musical para dar uma roupagem mais estilosa brincando com o próprio tema de almas, pós-vida em que inevitavelmente reconhecem que temos que aproveitar a vida…”

Claro que, de certo modo, eu não estava totalmente errada nessa rotulação, mas Soul (2020) *** me pegou de calças curtas. Eu me peguei inesperadamente abraçando a tela da TV (não literalmente, mas acho que entenderam) com aquela lágrima furtiva, por um toque bem simples – nem vou chamar de ponto de virada, ou deveria? – no ápice, finalzinho de tudo.

(!) Relembrando que este blog não acredita em spoilers! Uma coisa é saber o que vai acontecer, outra é acompanhar a trajetória dos personagens embalados por boa música e incitação das sensações, deixando-se arrebatar afinal, por mais surpreendente que isso possa parecer.

Aqui também aproveito para deixar o adendo: existem milhares de críticas e textos sobre filmes por aí afora, a diferença é sempre porque cada um tem uma experiência e, portanto, olhar e referências únicos. Talvez eu devesse enfatizar mais isso por aqui o fato de eu gostar ou não de um filme acaba sempre dependendo muito da minha própria vivência (* = não gostei; ** = gostei; *** = gostei muito!).

Pois bem, o personagem principal de Soul é um professor que durante toda a vida lutou por um sonho, ser um bem sucedido músico de jazz. Acontece que a vida foi passando e finalmente quando ele acha que vai conseguir realizar, tem sua grande chance… ele morre. Geralmente eu gosto das questões metafísicas, mas é interessante que não quiseram mostrar o que acontece após a morte, e sim imaginar um possível universo antes da vida. Só aí já temos uma boa sacada, com uma alma milenar que ainda não encontrou um propósito, ou digamos, a chama, a faísca, aquela vontade de viver.

Daí, para que o professor Joe (voz de Jamie Foxx, que, não acho ser por acaso, também tem no currículo a encarnação impecável do Ray Charles) consiga voltar e realizar sua parada, com direito a troca de alma num gato, ajuda de um navegador psicodélico que resgata almas perdidas, incentivo a uma jovem com todo o potencial e talento pela frente que só precisa de um apoio moral, uma conversa significativa no barbeiro que não exatamente seguiu sua vocação inicial, mas gosta do que faz; ele e alma 22 (voz da Tina Fey) se desventuram com boas risadas principalmente devido às descobertas do mundo por 22. E Joe finalmente consegue realizar seu sonho.

Eis que… surge aquele sentimento… então? Era isso? E agora?

A lição de moral é desfrutarmos dos pequenos momentos da vida, aproveitar o caminho e não nos preocuparmos tanto com o nosso destino final. Mas o que mais me emociona em Soul é essa diferença de discurso: não, você não precisa fazer de tudo e realizar um grande sonho para ter sucesso e ser feliz. Porque estamos tão acostumados a ver esse discurso em tantos filmes e outros meios, não? A gente tem que bater metas, a gente tem que se superar, tem que lutar, mas no final vai valer a pena, se não for assim, seremos perdedores. E então? Seremos mesmo? Óbvio que não. A vida não se trata somente de realizar grandes feitos. E as milhares de pessoas que também estão vivas, mas não acharam cura para doença nenhuma, nem ficaram marcadas na história?

Aliás, é engraçado como vários personagens famosos, dos mais diferentes campos de conhecimento da humanidade, já foram tutores de 22, mas o que ela precisava era mesmo de um “zé ninguém” (“average joe”) pra sentir a vida de verdade, como a vida pode ser muito maior do que ela poderia imaginar.

Eu digo isso com toda a alegria do meu coração, porque me identifiquei demais com Joe. Sempre tive grandes sonhos (fazer cinema, roteiro, direção, edição, ganhar Oscar, casar com o DiCaprio), mas a vida não funcionou, apenas assim – e tudo bem. Tudo bem porque a cada passo do caminho eu procurei aproveitar cada momento dando seu valor e da melhor forma que consegui. E será que se eu realmente conseguisse um Oscar aos 18 anos eu teria dado valor? E será que mesmo se eu conseguisse há poucos anos fazer um filme com o Spielberg eu não diria o mesmo, não teria o mesmo sentimento que Joe – e agora? Era só isso?

Sim, já tive muitos arrependimentos, sofrências e a sensação de que minha vida foi perdida, em vão. E por isso, ouso dizer que este filme é para um público mais velho. Bem, as crianças podem assistir, elas vão se divertir também, mas talvez seja ainda melhor rever depois dos 30, 40, 50, 60 anos…

Toda essa jornada nós acompanhamos em tela com a habitual excelência técnica da Pixar, o que torna tudo mais aprazível. Em mínimos detalhes eles conseguem divertir e serem criativos sempre, eu poderia ter feito um post com as “coisinhas divertidas para se notar em Soul“, mas este post tinha que sair um pouco mais especial. Foi como um presente imprevisível, inesperado, que aceitei de muito bom grado – e merece sim, apesar de ser barbada, os prêmios de melhor animação e trilha sonora que deverá ganhar no Oscar deste ano. Por falar nisso, vocês também já ficaram imaginando, como eu, que a Pixar deve ser uma fábrica de formação de mentes criativas? Pois é realmente um trabalho incrível, seja no visual, nas concepções, no roteiro, na direção dos atores, no som, nas piadas internas. A gente fica até um pouco decepcionado quando vemos algumas falhinhas, ou não entregam algo tão excepcional, não? O que deveria ser normal, mas como é Pixar, a gente se decepciona um pouco – como em Onward, mas sobre os outros longas de animação indicados eu deixo pra comentar em outro momento.

Nas minhas imaginações, eu também já estive com John Lasseter numa sessão de criadores assistindo a um dos filmes do Hayao Miyazaki…

“Julia Child só fez sucesso aos 49!” – eu poderia, sim, morrer hoje (mais sobre isso nos comentários de Nomadland, a vir). Mas… quem sabe eu ainda não tenha uma chance de fazer algo? Afinal, continuamos vivos. Apesar da covid.

Globo de Ouro 2021 e a maior variedade entre os indicados

Esta semana foram anunciados os indicados ao Oscar, mas estou aqui registrando algo sobre o Globo de Ouro somente para aproveitar a deixa e comentar rapidinho sobre algumas indicações que já estão aí, na corrida pelo ouro mais conhecida do cinema mundial. Assim meio sem querer querendo, já comecei minha maratona anual devido ao Globo de Ouro (tudo bem, eu sei que nem se compara o número de votantes de cada um), já estou na metade do caminho!

Aliás, como teríamos um intervalo maior aí entre os Golden Globes e o Oscar, meio que fui indulgente e me permiti até tentar ver o Critics’ Choice Awards (dormi no meio), apenas para me decepcionar um pouco, porque não sabia que tem vários prêmios que eles nem entregam na hora, só anunciaram numa lista. E achei que tenta ser engraçadinho mas não consegue – bem, talvez isso seja simplesmente porque eu acompanhei com a interpretação em português, e por mais que os tradutores se esforcem, piadas realmente são muito difíceis de funcionar transpostas nessas condições.

Algo que senti falta ao ver o Globo de Ouro este ano, pra mim sempre era meio que uma oportunidade de a gente participar de uma festinha junto das celebridades, nada para se levar muito a sério; daí, como a festa teve que ser virtual devido à pandemia que vivemos (e revivemos, e revivemos), acho que faltou um pouco desse climinha mais descontraído, com a plateia dando risadas das piadinhas. Bom que teve pelo menos um ganhador que brindou com champanhe – e direito a Bill Murray brindando de volta com seu próprio drink (onde ele estava? Relaxando em Miami?).

Desta vez também não teve “olha que vestido espetacular!”, mas pelo menos euzinha fiquei é gostando de observar as casas ou pelo menos o fundo escolhido por cada um para a ocasião. Uma graça a Jodie Foster e a companheira vestidas de pijamas e o cãozinho com lencinho combinando. E eu imaginava que a família era grande, mas ao ver Goldie Hawn, Kurt Russell e Kate Hudson compartilhando o momento, xenti, isso é aglomeração, hein! Jason Sudeikis também fez muito sentido com seus moletonzinhos (look tão aprovado que foi usado também no Critics).

Sim, adorei o discurso da Catherine O’hara (querida desde Esqueceram de mim, nem vou contar Beetlejuice), com o marido cortando-a levantando a música como se fosse uma grande premiação temporizada pela orquestra, meu favorito da noite. Um prêmio que me deixou contente, também levando o Critics’, foi para O gâmbito da rainha, porque realmente foi uma série inusitada, bem cuidada, muito primorosa.

Tina e Amy fizeram uma boa apresentação inicial, sem insultos gratuitos, e foi ótimo já ter partido deles um compromisso por mais diversidade entre os membros da Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood. A questão da “corrupção” eu nem sei se realmente vale a pena a gente se exaurir, né, presentinhos e cada um tem sua consciência, sei lá, pra mim é como política, melhor não mexer muito no andor porque eu nem domino tanto assim do caldo. Cinema e séries pra mim são meu lugar feliz, então deixo essas conversas pra quem realmente influencia opiniões.

Um ponto que achei bem interessante é que entre os indicados me parece que há um reflexo de todo o movimento em defesa dos negros, todos os protestos #blacklivesmatter parece que deram resultados por aqui também. Embora tenha me incomodado um pouco ter 4 candidatos de melhor elenco no Critics’ compostos por negros e o vencedor ter sido Os 7 de Chicago – claro, esse conjunto de atores trabalhou muito bem, só estou pontuando… e, bem, esse filme também inclui o tema.

Realmente sinto que há mais representatividade e variedade entre os indicados, um novo fôlego aí pra gente acreditar que finalmente poderemos ver reconhecimento de qualquer filme, são os filmes para todos. Adoro ver diretoras mulheres e mais presença asiática também. Não sei por quê, mas sinto que a inclusão de Minari por aí também tenha ligação com o surpreendente e histórico Oscar para Parasita ano passado.

Quando eu era criança e sonhava em ser diretora de cinema, imaginava que seria uma exceção, uma pioneira, espécie de desbravadora, porque quase nem ouvia falar de mulheres diretoras de cinema. Daí outro dia eu tava até vendo uma comédia romântica pra ver algum trabalho anterior da Jac Schaeffer, e não foi o primeiro caso de uma mulher que tem no histórico comédia romântica, euzinha mesma me imaginei que poderia era começar por aí. Hoje em dia eu já nem acredito que um dia vou conseguir fazer cinema, mas dá pra acreditar em diretoras/produtoras/escritoras ganhando Oscar, sim!

Já sabem então que minha torcida vai pra Chloé Zhao este ano, né? Apesar das polêmicas chinesas, porque os EUA também é um país misto como o nosso e deveria mesmo é aproveitar a oportunidade e mostrar pro mundo que a gente não precisa ter só uma cor ou uma etnia pra nos identificar. E o cinema, como todas as artes, é muito maior que tudo isso.

Como o Mandaloriano me fez querer ver a última trilogia (e não, não valeu a pena)

Ai, tá, tá, tá. Não é esse título que deveria ser o post, porque tem algumas séries que eu andei vendo e achei até bem legal e preciso deixar registrado por aqui para que esta memória frágil possa relembrar num futuro como foi este início de ano – sem maratona de filmes de Oscar encavalando com a vontade de ir pro bloco de carnaval que toca Beatles! Pelo, menos por enquanto, vamos ver como vai se dar essa tal festa lá por abril, toda remodelada (à força) (como sempre muita gente reclamou que queria, que mudassem).

Sim, eu vi Bridgerton (2020), como se estivesse de bobeira, me senti como uma daquelas donas de casa com vida monótona que compra romances baratos cheios de cenas “quentes” e sensuais – só que, não, não me importei de não ter tantas cenas de sexo, pra dizer a verdade, eu nem sabia que era uma série assim soft porn, eu comecei a ver só pra me deslumbrar com a direção de arte, os belos vestidos e a decoração dos bailes… Mas sabem que até que surpreendeu, tem até uma vibe bem feminista, com a personagem principal sempre repetindo que só por ser mulher não significa que ela não possa fazer escolhas, e tem a escritora secreta – se fosse eu, deixaria no ar, no mistério mesmo e não revelaria assim tão cedo quem é a escritora (narradora de voz original Julie Andrews!), acho que eles ficaram com medo que poderia não sair da primeira temporada – nos livros base esse mistério é revelado só lá pelo quarto livro, me parece.

Mas se é pra falar de uma série que me surpreendeu mesmo, tenho que mencionar a recém-chegada brasileira, Cidade Invisível (2021), que mistura trama policial com uma pegada ambiental e o folclore brasileiro numa abordagem mais “adulta” (andaram chamando de Sítio do Pica-pau amarelo para adultos?!). O animador brasileiro nas gringas, Carlos Saldanha, já tinha trazido elementos bem brasileiros em Rio (2011)***, o que casa bem em querer resgatar essa tradição de lendas do folclore, mas de um outro jeito para o público atual; não me admira que ele seja o criador e produtor executivo, me admirou é essa pegada mais visceral, que inclui mais violência e cenas meio obscuras. E a série é bem feitinha mesmo, gosto do roteiro, com as mortes às vezes inesperadas; da direção, que trabalha bem com seus atores e as possibilidades do olhar e imaginação do espectador; os efeitos quase sempre funcionam (o cadáver virando borboletas); a edição também, afinal, temos que montar um mistério, mesmo quando tudo já parece resolvido; Alessandra Negrini com roupitchas que lembram mariposas ou a bela personagem Iara que mesmo em terra usa um casaquinho que lembra escamas ou um top de conchas são pontos de acerto do figurino, embora a ambientação da casa da menina Luna parece meio artificial, com tudo muito novo.

O único adendo é que provavelmente será igual a 3% (2016), que até gostei bastante da primeira temporada, ponto positivo pro Netflix, abraçando aí esses projetos, mas… acabei não continuando. Mas isso é problema particular meu, que não consigo acompanhar séries por muito tempo. Se eu vejo que tem muitas temporadas e ainda não acabou, aí é que eu não vejo mesmo…

Isso aliás me lembra de deixar registrado aqui que venho me divertindo bastante com esta primeira temporada de Wanda Vision (2021). Meu interesse maior em ver foi, é claro, essa proposta inicial de cada capítulo emular um capítulo de série de TV de determinada época. Tivemos da TV dos anos 50, 60, 70, 80, 90… e tudo foi muito divertido!!! Claro que com uma equipe de produção caprichada como da Marvel (Disney), a pesquisa e a entrega de um visual perfeito seriam de se esperar, mas as brincadeiras que eles fazem na situação de cada “época” tentando esconder sua real condição – de super poderes – já vale a pena. Realmente, é um entretenimento de primeira, apesar de que eu provavelmente não vou continuar acompanhando isso por muito tempo; até todos os filmes do universo Marvel no cinema eu não consegui acompanhar muito bem não, já estava cansada dos heróis, acho que perdi o último do Homem-Formiga e não sei quantos mais…

Com isso tudo, incluindo terminar a série Mandou Bem versão francesa (gosto de ouvir o francês e o apresentador gordinho é engraçado, a chefe Noemie também é um doce), até parece que depois do ano maluco que vivi em 2020 estou tirando um hiato, alguns meses de pasmaceira, ficamos semanas mais tranquilas em Curitiba, no final do ano, depois meu esposo tirou uns dias de férias, e por alguma razão parece que eu ainda estou devagar no andor, será verdade aquela minha teoria de que meu ano só começa depois do Oscar?

Ou talvez minha vidinha seja assim daqui pra frente, chega de tanta, tanta coisa, talvez tenha chegado a época da minha vida em que eu possa ficar um pouco mais tranquila, relaxada, parar de sofrer tanto por pouca bobagem, sabe?

O que significa que talvez eu passe alguns anos só vendo filmes leves, e que perfeição receber de presente um canal só da Disney pra alegrar um ano muito, muito difícil, não? Sou muito suspeita, porque adoro muita coisa da Disney e Pixar, então posso dar a desculpa que estou vendo as produções por causa da minha pequena, quando em verdade estou é fazendo uma graça para meu próprio coração. E prometi no post passado, realmente já começamos com Jon Favreau e o ótimo The Mandalorian (2019-), que todo mundo já tinha visto e eu não, mas valeu muito maratonar – aliás, maratona que passou muito rápido! Não só pra me derreter com o baby Yoda, mas as cenas de ação são o forte do diretor e não deixam a desejar. Apesar de que em determinado ponto a gente meio que previu que seria uma aventura por episódio em algum lugar só para ganharmos alguma informação, mas cada aventura foi bem interessante. E a Starbucks do Battlestar Gallactica e a Ming-Na Wen como personagens deste universo são só brindes! Eu me surpreendi é que teve episódio dirigido pela Bryce Dallas Howard (quanto ela era criança presenciou uma conversa entre Lucas e Kurosawa? É isso mesmo, confere produção?), nem tanto pelo Taika Waititi, e claro que gostei mais é de saber que tinha super fã de Star Wars envolvido. Já gostei desde cara do androide inicialmente programado para matar que também se sacrifica à la Exterminador do Futuro (quando ainda era bom), os personagens coadjuvantes também são marcantes à sua maneira e torna tudo mais interessante. A própria história do Mandaloriano e seu povo, conhecer outros cenários dessas galáxias distantes, cada episódio é como um mini filme mesmo.

Antes de começar a ver, cheguei a me arriscar a dizer que poderia gostar mais desta série do que toda a trilogia mais recente que andaram fazendo e… bem, com algumas ressalvas, até posso dizer que funcionou meio assim mesmo, viu. Pôxa, desculpem. É até maldade fazer isso com George Lucas, mas eu só gostei de verdade foi da primeira trilogia, a antigona dos anos 70/80. Era como o encanto de um universo completamente fantástico, novo, era mágica na galáxia. Daí, imaginem minha emoção ao ver aquela sequência no final da segunda temporada, X-wing, sabre de luz verde, mãozinha… (e eu já tinha aquela intuição bem antes, lá no fundo, você pensa “algum Jedi tem que buscar esse pequeno, por que não…?”) e quase toda a internet já sabe, se emocionou, Mark Hamill se emocionou com a emoção dos fãs. Isso sim foi sacada de mestre. Tanto que eu tive vontade de ver a saga da Rey e Kylo Ren, só tinha visto o primeiro filme até então, como seria o treinamento da nova promessa com o último mestre Jedi recluso numa ilha? Poderia ter sido fenomenal. E eu gostei daquele deserto de sal que deixava rastros avermelhados, gostei até da interação do Finn com a Rose, confesso que gosto do BB-8, mas chegou depois a última parte me parece que avacalharam de vez com o Palpatine e a Ray manipulando uma nave inteira, essa personagem meio que coloca por água abaixo o suposto árduo treinamento que se deveria ter para dominar a força. Pra mim, a última trilogia serviu apenas para destruir toda a mitologia, acabar com nossos personagens tão queridos – todos se foram!!! quer dizer, menos o Chewie e o R2-D2. É uma das razões de eu ter ficado tão sentida com Logan (2017)****, apesar de admitir que este sim seja um filme muito bom.

É, eu não sei se vou continuar até mesmo essa série que me divertiu muito, agora que não vou ter mais cuti-cuti do Baby Yoda pra ficar toda hora na frente da TV dizendo “óin” e pensando em como ele parece com a baby Yu – não contando alguns quesitos, claro, como o fato de ele comer sapos ou engolir os ovos que eram para ser salvos (“não, baby, não!” – é uma das frases muito repetidas nos últimos meses aqui em casa!). Mas fato é que eu já me rendi. Que filmes cult que nada. Minha vida sempre foi muito e pode continuar sendo Disney, tudo bem, que mal tem, tô fazendo mal pra ninguém! Ah, sim, este post não contêm comentários dos poucos filmes vistos nesse meio tempo, mas Soul (2020)*** deve ganhar seu post próprio, porque é um assunto muito especial e à parte…

Voltando no tempo com os 30 anos de Esqueceram de mim

Era pra ter escrito um pouquinho sobre Um duende em Nova York (Elf/2003) ***, um filme que ganhou a simpatia de muitas pessoas e não foi senão até esse último dia de Natal quando consegui conferir, e até que é divertido de assistir, né, rende algumas risadas – apesar de eu não gostar tanto do Will Ferrell, muito menos desses filmes que ficam querendo vender a ideia de que Papai Noel existe. Eu nunca acreditei, em nenhum momento da minha infância, e honestamente acredito que foi melhor assim. Mas é bem divertido sim imaginar esse cara que nem tinha noção de que não era um duende ter que enfrentar com toda a inocência a cidade de Nova York na época de Natal. Fiquei feliz de finalmente ter visto, ainda mais depois que soube ser dirigido pelo Jon Favreau, cara que tem se tornado um dos meus parsas nos últimos anos; anda me surpreendendo e este ano pelo jeito vou passar muito tempo com ele, a primeira resolução do novo ano é repor O Mandaloriano.

Nesse final de ano também acabei revendo O Grinch (How the Grinch stole Christmas/2000) *, pra tentar dar uma segunda chance, mas ainda acho muito bizarro e um tanto obscuro para crianças, sendo que, pra mim, a única coisa realmente boa é a questão materialista de como todos só pensam nos presentes, comidas e decoração, mas o espírito natalino de amizade e empatia pode ser maior que tudo isso. (Não, não acho que Jim Carrey esteja bem, é apenas um exagerado e teve outros papeis que lhe caíram muito melhor)

Se é pra pensar em filmes com o tema natalino, o primeiro que me vem à mente, por ser tão presente durante minha infância, ano após ano, é Esqueceram de mim (Home Alone/1990)***, que em 2020 completou 30 anos. E não importa quantas vezes eu revesse, eu sempre ria muito, adorava o fato de Kevin gostar é de pizza de queijo e nada mais, e nos meus anos mais solitários sempre pensava em comer só macarrão com queijo de ceia. Eis que decidi então ver um dos episódios daquela minissérie no Netflix sobre Filmes que marcam época. E foi ótimo saber algumas das curiosidades da produção, percebi como gosto de John Hughes – claro, cresci como jovem nos anos 80! E, pôxa, ele escreveu o roteiro de Curtindo a vida adoidado (1986)*** em 7 dias?!

Sim, eu voltei no tempo, quando fiz 10 anos (em 1990), ganhei o primeiro diário e em vez de escrever brincadeiras de menina, paixonites juvenis, eu usei foi para escrever um esboço de roteiro (que eu nem sabia à época que se chamava roteiro). Meu primeiro filme seria uma produção de Steven Spielberg, e o Macaulay Culkin teria o papel do mocinho, mas a heroína seria mesmo é uma detetive de 13 anos que gostava de ler Agatha Christie, desvendando o mistério de sumiço de grandes monumentos pelo mundo: a torre Eiffel, o Monte Fuji, pirâmides no Egito, o Cristo Redentor… com direito a primeiro beijo em tela (meu e do Mac), efeitos especiais, mistura de desenho animado e live action. Quando a gente é criança, ou simplesmente jovem, a gente acha que pode tudo, não é?

Voltei no tempo em que eu pensava que eu poderia ser uma grande escritora, que poderia escrever roteiros à mão como Tarantino, ou uma roteirista hábil e ávida, como John Hughes. Um desses que nasceu para o ofício.

Daí, meu último filme visto em 2020 me deixa resignada a esta realidade inimaginada, porém impossível de negar, já que é a real. Estou pensando em acabar com tudo (I’m thinking of ending things/2020)*** é uma bela brincadeira com o tempo, com a memória incluindo a sensação – talvez a percepção? Talvez vislumbre ou imaginação futura? – do momento, das possibilidades, do que queríamos que fosse e perdemos. Com personagens que transmutam, de feição, de idade, de disposição, e uma bela dança figurada no final.

É, podem perceber que tive alguns dias mais amenos no final do ano passado, até vi filmes! Eu já tinha ficado um ano inteiro sem ir ao cinema, assim que me mudei para o Japão aos 14 anos, pois vivíamos no interior e era longe uma cidade com sala de cinema. Este ano de pandemia trouxe salas fechadas, mas com nossa atual tecnologia, a disponibilidade de aproveitarmos streamings, até festivais de cinema por esse meio, ressurgiram os drive-ins! Mas eu, com uma baby pra cuidar, acabei ficando mais um ano sem ir ver uma tela grande. Não que o cinema não se fizesse presente, o cinema, as artes, estão sempre vivos ao nosso alcance, nem que seja em pensamento, em sentimentos, em memórias, em sonhos, em esperanças…

Outros animais vivem no presente. Humanos não conseguem, por isso inventaram a esperança. ( a jovem mulher, no filme mais recente do Kaufman).

Ah, tá. Só pra vocês não reclamarem que estou terminando este primeiro post do ano de forma melancólica demais, eu já consegui repor nestes primeiros dias algo que todo mundo viu no ano passado e eu não: O gambito da rainha (que talvez vá ganhar um post só dela, porque é uma série bem boa mesmo).

Tá vendo só? Não apenas começo o ano com muita incerteza – o que vou fazer da minha vida? O que vai ser do meu futuro, do futuro a minha filha do futuro, enfim? Não só de confianças infundadas em vacinas começamos. Começamos com uma garota forte, determinada, diligente e dedicada em sua grande paixão (no caso, o xadrez), que ganha o mundo, apesar de ter que lutar com seus próprios vícios, fraquezas. 2021 está apenas começando, e ainda há muito o que viver, minha gente.

Missão Presente de Natal

(Operation Christmas Drop / 2020) **

Foi só eu que pensei que este casal, pelo menos na aparência, lembra o príncipe Harry e a Megan Markle? Claro que a narrativa em si de como se conheceram não tem nada a ver, acho que estou viajando mesmo, mas juro que quis ver o filme pra ver se tinha alguma referência!

Fora isso, todos os anos eu penso em ver alguns filmes com o tema natalino e chega próximo dos dias de festa acabo não vendo nada, então já decidi ir vendo alguns, só pra distrair mesmo, porque tem épocas na vida que a gente também precisa só disso mesmo.

Sou uma quase especialista em comédias românticas, de tantas que já vi, e ando gostando de ver algumas que mostram realidades diferentes, personagens mais fortes e independentes, sinais dos tempos. Neste daqui, eu acho bem bonita a Kat Graham, atriz que faz a Erica,e até achei carismático o rapazinho Alexander Ludwing, mas a parte do romance soa meio forçada; nem precisava ter romance, mas acho que tinham vendido a ideia de um “romance de Natal” e aí tiveram que fazer isso.

O que eu realmente gostei foi de conhecer essa iniciativa das doações que existe no mundo real, que eu não conhecia e ver o povo local, a festinha, imaginar os voluntários, isso valeu a pena. Acho que é um filme gostoso de ver assim, ainda mais neste ano que precisamos tanto contar com a união de todos…

E o que isso tem a ver com o budismo?

Talvez algo que seja comum a tantas outras religiões: a filantropia, o pensar no próximo. O ato de doar sem esperar nada em troca é o altruísmo do qual sempre falamos, que faz até mais bem para a própria pessoa engajada numa causa do que para quem recebe. Pelo menos pela escola budista que sigo, é por atos altruístas que podemos mudar a nós mesmos e o nosso redor, para melhor.

A cena em que a senadora (congressista? Não lembro ao certo mais) agradece porque foi lembrada sobre a razão de ter se envolvido em política em primeiro lugar é também forçada, eu acho, mas eu gosto. Como se fosse uma esperança natalina, sabe? Eu mesma nunca acreditei em Papai Noel, mas deve ser algo assim, não? Ah, se na vida real essas coisas realmente acontecessem na política… seria um ótimo presente de Natal.