Desabafo é cringe? (crush no Tom Hiddleston e um breve comentário sobre a abertura das Olimpíadas)

Senta que lá vem post longo!

Então, nos últimos tempos, nós vimos esse debate sobre o conflito das últimas gerações, Z x Millennials, e eu descobri que sou muito cringe. Tipo, café da manhã? É uma das refeições mais importantes do dia, minha gente, que é que é isso, não ter tempo pra café da manhã? Os emojis? Hmm, na verdade nunca gostei muito de “rs”, sempre usei hahaha, mas depois de descobrir as origens do quiaquiaquiá, incluindo ajuda do Donald para popularizar quaquaqua, me sinto justificada a usar o “kkk” agora. Boletos? Sim, lembro-me dos dias em que eu tinha que ir ao banco passar o código de barras lá; tudo bem, hoje temos inúmeras opções online, mas eles ainda existem e contas para pagar nós temos. Aliás, uma das coisas mais tristes foi descobrir que minha geração é a mais falida da história (xenti!), comparativamente, nossos pais em nossa idade já tinham imóvel e estabilidade financeira em seu nome. Realmente, eu sou um dos exemplares típicos que preferiu gastar com experiências do que com bens materiais (se bem que isso também envolve certas crenças religiosas aí), mas disso não me arrependo não; só pra citar alguns momentos que vão ficar na memória para confortar minha alma apesar de eu não ter um apartamento próprio: o passeio aos 14 por Los Angeles; uma viagem louca de ano novo para o Rio sem hotel para dormir; um evento inusitado em Taiwan cujas horas de voos demoraram muito mais que as reuniões em si; os dois meses que talvez sejam os melhores da minha vida em que trabalhei nos parques da Disney World em Orlando; tirar foto dançando tango no Caminito; comprar rede em Fortaleza; o treinamento num Chateau francês e dias seguintes flanando por Paris; as primeiras lanternas flutuantes minhas em NY; um passeio inusitadamente bom por Chicago à la Ferris Bueller e ao som dos Blue Brothers na cabeça; viagem de trem-bala por lugares do Japão que eu ainda não conhecia; um casamento em três partes que inclui muitas comidinhas em Belém do Pará; dias bons de camarões em Natal – só pra citar alguns destaques.

Bem, sei que estou ficando velha, disso eu sempre reclamo por aqui, e talvez seja cringe até o fato de postar num blog? Mas é parte da minha terapia pessoal, como eu também sempre digo. E vejam vocês, nem fazer isso direito eu consigo. Eu vinha postando uma vez por semana um texto de filme relacionando a algo budista, mas teve um acontecido aí que me desanimou um pouco, daí mais uma pausa ocorreu por aqui. Sei lá, sabe quando você se pega repensando algumas coisas da vida e fica com aquela sensação de “por quê?”; por que eu estou fazendo tal coisa, por que me esforçar ou me dedicar a tal coisa?

Dá vontade de se largar e se contentar (conformar?) com o mínimo que se pode querer da vida. Pra que fazer mais? Buscar outra coisa?

Nesses momentos de automelancolia, contavam com sua astúcia, não? Quem é que vem para me salvar, me confortar, me compreender na alma e me alegrar de novo? O cinema, é claro. Ou, pode ser também o mundo do audiovisual, música ou, neste meu caso atual, uma série (que deriva do cinema, então estou considerando). Já comentei alguma vez por aqui sobre a minha década perdida e talvez o universo cinematográfico Marvel também possa ser em parte incluído nisso aí. Sim, eu gostei do primeiro Homem-Aranha vivido pelo Tobey Macguire, e foi bem divertido o primeiro Homem de Ferro. Mas confesso a vocês que teve uma hora em que eu simplesmente tinha cansado dos filmes de super heróis. Tá, eu vi os filmes, Hulk era um dos meus favoritos apesar de não ser o mesmo ator dos filmes solos, quando Mark Ruffalo encarnou o smash verdão eu aprovei; não me importei tanto com o Capitão América, meio certinho demais pro meu gosto; Gavião Arqueiro e Viúva Negra figuravam meio que como coadjuvantes pra mim (e nem me empolguei muito com o filme solo da vingadora Natasha, pra mim esse deveria ter vindo bem antes); já os Guardiões da Galáxia eu realmente ri e ouvi inúmeras vezes a trilha sonora; Doutor Estranho foi bem legal, vai, com sua capa de vida própria; Homem-Formiga conta com o carisma do Paul Rudd, mas eu nem vi a continuação; Capitã Marvel não me conquistou exceto pelo gato que arranha Nick Fury; o novo Homem Aranha fez sentido como adolescente; Pantera Negra deu uma respirada renovada e adorei todo o conceito de Wakanda; e pra finalizar, eu também não me empolguei tanto com Thor, talvez o Ragnarok tenha sido o mais interessante, mas daí já tava tudo entrelaçado com Os Vingadores.

Isso tudo pra dizer que finalmente agora, neste ano, eu estou redescobrindo um pouco desse universo. Vi toda a série no Disney+ de Wanda Vision, e achei genial a sacada de cada episódio inicialmente simular uma representação de série de cada década diferente. Foi muito interessante, mas chegando ali pro final eu me desapontei um tiquinho só com a “evolução” do Visão e o carinha que fez Pietro numa versão anterior dos X-Men ter dado as caras só pra fazer uma graça extra. Aliás, além da nova heroína negra, uma participação especial que contou foi da Darcy, amiguinha da futura Thor… E, aproveitando o ensejo, senhoras e senhores, a série que salvou mesmo essa euzinha pequena do seu próprio torpor foi: Loki.

(!) Lembrando que este blog não acredita em spoilers. Mesmo que eu soubesse o que ia acontecer, eu teria visto todos os episódios e conferido a reação do Loki a cada passo ;)

Ai, vontade de rever todos os filmes do Thor, só pra conferir a evolução desse personagem. Creio que estou certa em dizer que nenhum outro vilão do MCU ganhou sua própria série, e pelo que pesquisei, nada dela existia nos quadrinhos (bem, algumas referências aqui e ali, mas não como ela vem nos sendo apresentada). Sim, a série veio a existir em grande parte pelo talento, carisma e trabalho dedicado do seu intérprete, Tom Hiddleston. Ele acabou ganhando os corações de um monte de gente, inclusive meu, pois é muito mais interessante acompanhar sua trajetória do que a de um herói, digamos, convencional – pois é, quem diria que eu, que na época do vestibular estudava o anti-herói Macunaíma, que me dava é raiva em vez de torcer por ele, iria acabar gostando tanto de anti-heróis. Daí descubro que Hiddleston gosta de Shakespeare (crush, crush!) e entrou nessa para trabalhar inicialmente com o Kenneth Branagh (diretor do primeiro Thor), que esse cara parece ser super gentil e elegante, sensato e boa praça, humilde apesar de toda a fama alcançada – e aquela aparição numa Comic Con, hein? Sem falar que ele é aquariano, signo que sempre admirei (talvez por ser tudo que eu não consigo ser?), aliás, nasceu um dia antes da data de aniversário do meu esposo. Quem sabe numa outra timeline nós teríamos nos encontrado? (crush, crush, crush!)

Claro que a série não se faz sozinha por ele, um roteiro bem trabalhado é essencial, mas digo que não foi pelos efeitos visuais e fotografia (que pra mim ficavam um pouco confusos e fora do tom até, sei lá, o que é que eu sei, não é?) que continuei vendo os episódios a cada semana. A química com o Mobius do Owen Wilson foi boa, a personagem de Sylvie me deixou contente, bem como ver o jacaré Loki. Desenho de produção também aprovado, apesar dos cenários grandiosos construídos que nem precisava talvez, o figurino da Sylvie, dos guardinhas da TVA, os props como o portal dos timepads funcionaram para esse universo.

É claro que em termos de roteiro, sempre fico com medinho dessas viagens no tempo, de que vai virar tudo uma confusão, quantas produções nós não já vimos eles c@garem tudo, né? Mas acho que era inevitável, sendo que eles pretendem trabalhar com a ideia de múltiplos universos. No geral, são as ficções científicas que tratam do tema, e eu sempre fui muito afeita a elas, portanto, acho bem justo eu ter me empolgado mais com esta série aqui do que as outras coisas que andam saindo por aí da Marvel. Sempre são histórias acompanhadas de questões filosóficas inerentes à humanidade, e foi ótimo o Loki quebrar a cara e ver como ele é tão pequeno. Às vezes a gente se acha tão importante e concentrados em determinada coisa que estamos fazendo, esquecemos que o universo é muito maior. Essa foi a característica que mais gostei, talvez, uma espécie de jornada de redenção, aceitar e ao mesmo tempo redescobrir a si mesmo. Na minha empolgação, fui lá conferir o Making Of (série Avante, no Disney +), com narração do próprio Tom Hiddleston. Recomendo se você gosta de ver essas curiosidades como eu, além de incluir uns pensamentos inspiradores…

“In life we all go through struggles, but we can’t do it alone. If we have people we can trust, it lightens the load and gladdens the heart” (Na vida, todos passamos por dificuldades, mas não podemos fazer isso sozinhos. Se temos pessoas em quem confiar, isso alivia o fardo e alegra o coração).

Talvez Loki esteja fadado não a perder e sim a sobreviver, talvez como todos nós. Nas infinitas possibilidades sendo podado de diversas realidades, talvez ele tenha se encontrado ao conhecer seus comparsas Loki.

Sendo podada em tantas realidades, eu continuo a acreditar. Mais do que nas pequenices e picuinhas, acredito no bem do mundo, pelas pessoas em quem sei que posso confiar.

E aqui meu breve comentário sobre a cerimônia de abertura das Olimpíadas Tokyo 2020, neste 2021. Eu curti, foi muito bonita, na minha opinião. Não consegui ver tudo, mas eu peguei a homenagem aos mortos, a representação da tradição japonesa Obon (festividades para os antepassados). Creio que se fosse um outro país, teria cancelado facilmente o evento, devido à pandemia. Mas esse é um povo perseverante, trabalhador, que respeita as tradições, dá valor aos ancestrais, sabendo que suas vidas não foram em vão pois interferem e se ligam ao futuro. Neste último ano, que foi de tantas mortes, não poderíamos ter tido um país melhor para sediar esses jogos que unem o mundo todo. Achei lindíssima a formação dos drones, formando o símbolo e depois a Terra, iluminando nossos corações junto, seguidos da “Imagine”, de John Lennon. Perfeição.

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Fazendo uma gracinha, essa sim é a timeline sagrada. Quando tudo parece estar em seu lugar. Por vezes temos turbulências, grandes terrores na história; sempre enfrentaremos dificuldades, pois são afinal necessárias aos humanos e sua evolução. Com melhoraríamos, sem o impulso do mal, algo que nos leve a mudar, a ultrapassar? É uma dicotomia inevitável nesta existência.

Nada mais propício também que eu possa comentar sobre isso junto do post sobre a série que traz engendramentos passados e futuros. E quem sabe não seja por isso (como o “mal” e o “bem” estão tão ligados) que seja tão interessante acompanhar Loki (o personagem)? Torcer para que no fundo, no fundo, ele tenha o potencial para mudar. Poder sentir esperanças, apesar de tanta coisa…

Algo que eu destoo dos Millennials é o fato de não substituir filho por pet. Também considero o lado de estabilidade financeira que possibilita isso, e confesso que lá pelos 20 anos eu não queria ter filhos – muita gente já no mundo, que mundo louco, etc. Mas como o nosso olhar pode mudar, não? Eu percebi que dar vida a outro ser humano é também parte desta experiência terrena e o oferecimento de uma oportunidade, para outra alma, para uma nova vida, para o futuro. Quem sabe o quanto podemos melhorar nas próximas gerações, com as vindouras evoluções? Com respeito pelo passado, é claro. Mas se eu posso proporcionar isso, e me oferecer no que puder em prol dessa nova vida, cuidando da melhor forma que posso para que ela possa ser esse futuro brilhante (e não decepcionante e cringe como minha geração?), talvez seja só isso mesmo que eu poderia (querer?) fazer para ter a melhor versão das timelines; para ter uma timeline verdadeiramente sagrada.

Como mudou a rotina de ver filmes, e um pouco do Oscar 2021

Estamos nos aproximando da festa do Oscar deste ano e fazia tempo que eu não via tantos filmes indicados assim! Claro, isso foi possível por um ano de pandemia, com a maioria dos títulos disponíveis em streaming e poucas idas aos cinemas (para alguns, no meu caso foi nenhuma ida).

Na verdade, fico pensando em como minha rotina de ver filmes mudou. Não apenas não ter a imersão de uma sala escura e sua total atenção voltada às cenas iluminadas por uma qualidade de imagem e som ideais (segundo o crítico Pablo Villaça, há teóricos que afirmam que o ideal seria ainda além: não ter nem os luminosos indicadores de saída, pra uma imersão ainda melhor). Inclusive, uma amiga comentou que não sentia falta de ir ao cinema – ao passo que eu afirmava dentro de mim que sentia, provavelmente pelo que acabei de descrever acima.

Mas não é só isso, de estar em casa e poder pausar e ir buscar algo pra comer ou beber. Ter distrações ao redor, seja de pessoas ou sons, ou movimentos… Ou não ter muita paciência e parar pra terminar de ver só em outro dia. Se bem que, pra ser mais exata, mais do que a pandemia, esse hábito novo foi mais devido à bebê que corresponde a uma jornada de trabalho diário de quase 12 horas sem direito a férias.

Talvez para quem vê de fora eu não esteja fazendo nada. Ou talvez pra quem tenha vivência de outras realidades – afinal cada bebê é diferente, cada família também. Ainda existe muito dessa ideia também que cuidar da casa e dos filhos não é trabalho – pode até não ser pra você que não sabe, mas que dá trabalho, dá!

E daí, ficamos assim: sim, eu vi muitos filmes nesta maratona para o Oscar deste ano de 2021, mas infelizmente não consigo tecer textos para cada um visto, então faremos o seguinte: vou dividir em três posts meus comentários, junto dos votos que eu daria caso fosse um membro da Academia. Pra não ficar um textão infindável que ninguém tem saco de ler.

Ao mais, estou curiosa pra saber como se dará a apresentação este ano, parece que Soderbergh quer inovar, fala-se de um formato que pareça com um filme, máscaras serão item de destaque – e vocês não acharam também simplesmente muitíssimo apropriado que tenhamos justamente o diretor de Contágio (Contagion / 2011) para nos guiar? Adoro essas “coincidências” do mundo do cinema.

Outro fato muito entusiasmante para esta temporada são as próprias indicações que inovaram, trouxeram uns recordes inéditos aí. Seja em mais presença de mulheres e negros, fico sentindo que depois do ano em que anunciaram o vencedor errado e de “Parasita” (2019)*** surpreender a todos, tudo é possível agora no Oscar!

Nos próximos dias sai um post por dia então, esperando com certa ansiedade pra ver se vai ser uma festa histórica das boas.

May the 4th, live with you

Ufa, anda bem difícil postar algo aqui no blog, hein… O mês de maio já passou e nem postei mais. Comecei maio terminando de ver todos os filmes da franquia Velozes & Furiosos, porque não tinha assistido a nenhum inteiro e queria ver o que poderia ser que faz o pessoal gostar tanto desses filmes. Até que são mais divertidos do que eu tinha pensado e estava até preparando post sobre isso, mas não saiu.

Daí, como dia 04 de maio é o “dia Star Wars” (que a força esteja com você!), eu pensei em aproveitar que o Amazon Prime Video tinha disponibilizado todos os filmes para pegar e maratonar em ordem cronológica. Porque eu, nascida no início dos anos 80 (mas sem me considerar muito millenial), fui assistindo conforme os filmes foram lançados e nunca peguei na “ordem certa”. Aliás, perdi o último, A Ascensão Skywalker, porque na sessão de Os Últimos Jedi eu passei mal e acabei nem indo atrás para ver o que tinha perdido. Sei lá, depois do Han e da Leia terminarem daquele jeito, eu fiquei ainda mais desinteressada.

Vejam bem, nem de longe sou fã, se bem que eu gostava bastante como entretenimento, principalmente da primeira trilogia lançada, lá pelos fins dos anos 70, quando aqueles efeitos especiais nos empolgavam – e ser um jedi sob a batuta do Mestre Yoda também. Sim, o carinha é baixinho, mas muito poderoso, e quando eu morei na Disney eu até comprei uma camiseta com os dizeres “Size matters not” (tamanho não importa!) – já que sou pequenina também, como um hobbit. Sem falar que há certas coisas da narrativa que tem a ver com budismo. É por algumas dessas coisas que gosto de Star Wars, e quando mais jovem, eu imaginei a minha própria versão de como Anakin teria sucumbido para o lado negro de Darth Vader.

Eis que, apesar de nunca ter acompanhado outros desenvolvimentos relacionados a esse universo – na TV ou pela internet, eu me deparo no final do ano passado com a onda de memes do Baby Yoda. E que vontade de ver The Mandalorian, só por causa dessa figurinha. Jon Favreau continua me surpreendendo, mostrando-se um cara que gosta das mesmas coisas que eu, após ter trazido pro live action heróis, o Balu cantando e nadando no rio e o rei leão, claro. Acabei não assistindo a série, mas é realmente tão fofinho. Então, embora já tenha passado uns seis meses desde o montão de memes e a polêmica do James Gunn comparando forças com o Baby Groot, talvez todos já tenham enjoado, mas eu continuo achando muito divertido. E agora posso incluir a minha Baby na brincadeira, provando mais uma vez que o cinema e seus derivados continuam animando a minha vidinha pessoal, que seria muito mais medíocre se não incluísse essas expressões da sétima arte.

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Aliás, eu postei no Instagram no dia 25 de maio, que só pra deixar registrado por aqui, é o chamado “dia do orgulho geek/nerd”, ou o “dia da toalha”, tributo ao Douglas Adams e seu Guia do Mochileiro das Galáxias. Bem apropriado, não? Sim, a vida pode ter os seus perrengues e não anda lá muito fácil, mas eu sempre me divirto assim!

Fora isso, tantas coisas aconteceram nas últimas semanas no mundo, não? Continuam as polêmicas com o nosso brasileiro presidente e mais trocas de ministros, pessoal já desistiu de levá-lo a sério? Tivemos astros do basquete lançando desafios, modas das máscaras, gente se reinventando para poder ter um dinheirinho e sustento, pessoal que já nem leva a sério mais o isolamento (também, olha a bagunça deste país!), honestamente eu fico envergonhada de ver esses números de casos e mortes pela covid-19 comparando com outros países… mas, como sempre, nós só podemos fazer a nossa parte, né? Continuando a ter esperança pela ampliação de mais consciência e ações.

E isso também vemos aí nesses últimos dias de protestos contra racismo – gente, essa discussão já faz séculos, e não resolvemos isso? Pra ver como a humanidade pode ser devagar mesmo. Eu tive vontade de fazer um meme com o cavaleiro negro de Em busca do cálice sagrado (1975)***, do Monty Python, “Yes, black lives matter!”. Mas sei que ainda é uma questão muito delicada para muita gente e talvez não fosse bem visto, não ousei. Como eu tinha falado num post anterior, eu só estou meio empolgada agora com memes porque perdi esse bonde, mas esta bobagem minha deve passar logo, não se preocupem.

Já os posts da websérie Comedians in Cars Getting Coffee eu até poderia continuar, vi mais episódios, mas acabei dropando. Isso porque nossa “rotina” ficou ainda menos rotineira, a bebê está sem horário para leite ou para dormir, gostaria de fazer ela dormir sem ser no colo, não tenho conseguido dar as papinhas de frutas recomendadas pelo pediatra, tem sido difícil marcar consultas nas condições atuais. Finalmente achamos uma neuro pediatra “decente”, temos que ir atrás ainda de hematologista, fisioterapeuta, cardiologista e ver onde o nosso plano de saúde cobre exames… É bastante coisa, fora que eu também ando precisando ir ver alguns médicos – fazer óculos novos, meio que relaxei por completo em relação à diabetes, e os acompanhamentos de praxe, dentista, ginecologista e o problema no meu braço que já não vira mais pra trás… ai, ai, lástima.

Quanto aos filmes, seria até interessante aproveitar o YouTube para ver clássicos do cinema que estão disponíveis na íntegra por esse meio, não? E como seria legal a gente poder ir num desses drive-in, parece que a moda tá voltando, eu via nos filmes isso e queria tanto que tivesse no Brasil! Mas nem os shows pirotécnicos na Disney que dá pra gente ver agora online eu vi. Então nem me pergunte o que achei daquele lançamento no Netflix, eu vi só A morte lhe dá parabéns (Happy death day/ 2017)***, descaradamente bebendo da fonte de (homenageando?) um filme bem simpático, Feitiço do tempo (Groundhog day / 1993)***, naquele momento em que todo mundo de repente decidiu fazer algo parecido. Até que achei bem aproveitado, o diretor é do mundo dos filmes de terror, tem umas partes engraçadas e atores bem carismáticos, a cada morte a narrativa vai acrescentando mais, claro que a personagem principal vai percebendo que tem que mudar, mas eles não enrolam muito e ela conversando com o carinha legal Carter, aos poucos percebendo como podem se dar bem e tem a questão da relação com os pais, não é chato de ver não; mesmo já prevendo quem era o assassino, até que o filme dá umas boas voltas na gente e nos deixa curiosos, afinal.

Se eu me interessei por Space Force? Oh, man. Eu assisti a várias temporadas do The Office rachando o bico, antes do Michael Scott sair. Mas honestamente, não me pareceu que vai ser tão divertido ver este; quis é ver o Some Good News do Krasinski, que não vi quase nada, talvez ainda confira.

Algo que peguei e fui rapidinho até o final foi Upload, o piloto é mais comprido, mas os outros episódios não duram mais que meia hora. Aliás, também é do Greg Daniels, um dos criadores do The Office norte-americano e do Space Force. A série está disponível pelo Amazon Prime, com a premissa de um dos episódios de Black Mirror que foi um episódio não tão desagradável, sobre a possibilidade de morrer, mas deixar sua mente viva com um avatar em um universo digital. No caso de Black Mirror, brincam com o tempo, com visual anos 90 e outros, por exemplo, e uma mulher procurando outra, mas as duas sendo apenas duas em milhões de pequenas memórias. Em Upload, desenvolvem a ideia, as pessoas podem escolher terem essa versão digital pós-morte em diversos lugares, um negócio lucrativo pra muita gente. Há os “anjos” que são como assistentes técnicos pessoais de cada convidado, o nosso personagem principal é um bonitão cuja namorada paga pelo seu upload em um hotel à beira do lago, aos poucos descobrindo que sua morte não foi acidental, e nós vamos descobrindo diversos detalhes desse universo. Os A.I. são uma ideia interessante, e quem não pode pagar pode ficar paralisado em um outro lugar que só tem capacidade de 2 GB… Ótima sacada um labrador servir de terapeuta; ver memórias num capacete que parece de salão de beleza me lembra outros filmes; há a questão do sexo com uma roupa virtual e como faz quando a pessoa morre ainda criança – todos os outros aqui fora envelhecem, mas ele não; seria possível um romance entre alguém vivo e um upload?; ótimo que o milionário é que vença a caça ao tesouro! O episódio em que vão para a “grey zone” e conseguem códigos ilícitos é outro bem inventivo. O carinha que faz o amigo Luke tem um jeitão bem engraçado mesmo. A atriz que faz Nora é bem bonita à sua maneira, sendo que o contraponto do carinha real que o aplicativo indica uma boa combinação só dá mais sentido para ela acabar se engraçando com seu “cliente”. Assim como em Matrix (1998)****, a vida real pode ser bem cinzenta nas cores, nas roupas, e com uma fotografia não tão perfeitinha de comercial de margarina. Não achei tão interessante a noite do funeral como se fosse uma festa, mas gostei da prima gordinha detetive, no diálogo com o caixa automatizado de uma loja de conveniências. Eu encararia uma segunda temporada, hein!

Bem, este junho não vai ter festa junina pra gente, embora alguns lugares estejam planejando lives por aí… E algo recorrente deste ano continua: não faço muitos planos. Vou encarando as dificuldades conforme surgem e procuro não criar muitas expectativas. Assim, sabe-se lá o que vou conseguir este mês, ver alguma comédia romântica, com certeza, ou tocar uma música no ukulele? Talvez nada, só de conseguir médicos para minha bebê eu devo me dar por satisfeita. Apesar de tudo, o cinema continua a me animar, me acalentar, me acompanhar, da forma que der…

Stan Lee e a “limpa” do próximo mês no blog

Puxa, eu queria escrever um post mais decente no blog, algo bem legal para o Stan Lee. É uma daquelas mortes que a gente não espera, mas na verdade não me surpreendeu tanto assim – 95 anos e pra mim, ele se divertiu um bocado e aproveitou bem a vida aqui na Terra. Horas depois que fiquei sabendo no dia, fui ver e já pipocavam listas na internet das pontas que o criador de quadrinhos mais famoso da atualidade fez nos filmes relacionados à Marvel. E não é? Uma das coisas mais divertidas era ficar esperando pra ver onde é que o Stan Lee ia aparecer!

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Seja como um Larry King, um Hugh Hefner, pra cortar o cabelo do Thor, como DJ…e eu meio que fiz uma “homenagem” à minha maneira revendo “Big Hero 6“, pra mim é o melhor cameo! Ele mesmo é um herói (e não é na vida real mesmo? Só por ter criado tantos supers pra gente) e até ensina o filho a usar a cueca eco-friendly hahaha. Lembro-me quando Robin Williams partiu eu fiz um post especial para ele, desta vez estou menos inspirada, mas com certeza teríamos uma daquelas conversas divertidas que eu costumava fazer anos e anos atrás…

***

Sim, por falar nisso, este mês recebi a notícia de que o Flickr vai mudar. É uma plataforma que eu uso para fazer meu próprio “álbum de figurinhas” com os cartazes dos que vi no cinema, e também ilustram os posts por aqui, eu tava super tranquilona com meu 1 tera de espaço até que… bem, decidiram limitar se não pagarmos por um plano, e com quase 10 anos desde meu registro, eu tenho umas 1.300 fotos por lá… Resultado: vou ter que sair apagando várias coisas.

Este ano também mudaram a questão do compartilhamento dos posts, do WordPress para o Facebook, a vida de blogueira não anda fácil… daí, claro que passa pela cabeça alguns pensamentos existenciais, “pra que eu faço isso mesmo? será que continuo com o blog?”, eu poderia simplesmente largar mão de tudo. Na verdade nunca fui muito de usar o Facebook (e faz anos que não entro), nem na época “áurea” do Orkut eu usava muito Orkut… Hoje em dia tem muita gente que ganha algo por ser blogueiro, o que não é o meu caso. E se depois de tantos anos com sites e blogs ainda estou neste patamar, é porque eu não devo ser muito boa nisso, acho que não sirvo bem pra isso também…

(não me espanta que essa seja meio que a lógica de eu querer largar meu serviço)

E eu confesso a verdade para vocês: tenho medo de largar o serviço e entrar numa depressão ainda mais profunda e pior, com a sensação de ter absolutamente nada para fazer desta vida, que pouco importaria esta existência.

Pois aí é que está. Mesmo sem as fotos pra dar um “tchã” no visual, eu prefiro escrever. Eu preciso escrever. Eu já contei para vocês que quando estava no segundo ano da escola ganhei um prêmio de uma das melhores redações do ano? Depois no quarto ano, a professora também leu uma minha em voz alta e os outros colegas gostaram muito, imaginando quem é que tinha escrito.

Quando eu morava no Japão eu fingia que estava me preparando para escrever roteiros para cinema, quando eu fiz cursinho eu escrevia poemas, quando eu fiz faculdade, não tinha problemas nos trabalhos e eu também me aventurava em alguns contos de vez em quando.

Mesmo que seja a mais ínfima possibilidade de algum leitor perdido por aí no cyberspaço ler algum texto e se comover, só essa esperança já me deixa me sentindo melhor. Mesmo que eu não ganhe nada com isso.

Algumas pessoas, como o Stan Lee, são tão boas e sabem explorar bem os seus talentos, ficam conhecidas e ganham voz no mundo. Mas assim como enfatizam em Nasce uma estrela (A star is born/2018) – quanta gente talentosa existe por aí afora e acaba nunca sendo conhecida, certo? Não significa que cada um de nós não tenha algum talento em especial. Cada um de nós tem uma qualidade única, ou talvez várias – esse é um ensinamento budista em que eu acredito de verdade.

Mesmo que eu nunca ganhe voz no mundo como a Ally, como eu escrevi em algum post recente, é imprescindível que a gente se permita tirar um tempo e fazer algo que gosta.

Tanta ladainha pra…? É, o blog continua. Mas nas próximas semanas vou dar uma “limpa” em alguns posts. Sei que tem pessoas que visitam os posts sobre os lugares de comidinhas, de hambúrgueres, mas como esses posts também ficam defasados, eles vão ser retirados aos poucos. Os comentários dos filmes por um tempo virão sem foto alguma, os posts que já tinham o poster para ilustrar também ficará só o texto. O blog que eu tinha criado só para falar da diabetes já foi desfeito, não só porque eu não estava dando conta de ficar escrevendo, mas o propósito de me ajudar no controle também não estava dando certo. Ainda vou pensar em alguma solução para os relatos de viagens, pois são os que mais me tomam espaço de fotos.

É claro, eu poderia adquirir um plano pago para o compartilhamento de imagens, mas no momento minha situação financeira está um pouco incerta.

O blog continua, mas talvez seja mais um dos sinais dos tempos de que eu preciso mudar. De alguma forma. Mais um ponto de virada na vida, partir para outra grande aventura, porque foi uma longa jornada dos anos de 2007 pra cá, e já faz um tempo que eu venho precisando mudar e me reinventar. Será que vai continuar só na teoria, ou realmente vou conseguir realizar alguma coisa?

Outro dia estava lá esta frase na rua: “Se você não muda, tudo se repete”.

Retrospectivas, casamentos e mais do que os filmes

Ontem, dia 03 de junho, fizemos um ano de casados! E nos últimos meses teve Retrospectiva do Casamento por este blog aqui, pra quem não pôde estar lá seja qual tenha sido o motivo (e olha que foi como uma trilogia, então você não deve ter visto ou São Paulo, ou Belém, ou NY…), confere lá. Nos últimos dias, inclusive, fizemos uma pequena viagem pro Rio Grande do Norte e pretendemos postar em breve.

Nesse meio tempo em que o blog esteve fora do ar (xenti, dois meses, é tanta coisa que nem sei por onde começar) teve também o casamento do príncipe Harry e da Meghan Markle, lindão, claro… e a gente só comenta aqui porque eu nem sabia que ela era atriz antes de saber do casamento… E eu confesso que eu escolhi no Netflix ver “À beira mar” só porque foi o último com o Brad Pitt e a Angelina Jolie antes de se separarem – e dirigido por ela, e fala de um casal em crise… hmmm

E vi aquele filme em que a Jennifer Aniston quer ser mãe e o eterno Michael de “Arrested Development” (Jason Bates) tem quedinha por ela, e depois ela como mãe naquele filme sobre o Dia das Mães e… é, eu acabo achando que a vida e a arte se confundem e ela não podia ter, então o Brad foi lá e teve um monte com a Angelina, e confesso que nunca torci pra esse casal porque achei ela uma bitch (desculpa aê, sei que é aniversário dela e tal) e todo o embrolho terrível, enfim, quem sou eu, mas acabei vendo esses filmes bem ruinzinhos. E confesso que depois que a Jennifer se separou, fiquei torcendo para voltarem.

Vamos falar de algo bom, um dos destaques do mês de abril foi “Um lugar silencioso” (2018)***. Que filme mais bem aproveitadinho, hein, quem diria que o John Krasinski, eterno Jim do “The Office”, teria uma mão tão boa. E ainda ao lado da esposa, Emily Blunt, pegou um bom gancho com a menina surda e a esposa grávida, que gera complicações arriscadas no cenário estabelecido de aliens que matam pelo som… vários detalhes que somam e alguns momentos de perder o fôlego, valeu o ingresso.

 

Porém, meu grande destaque de abril foi “Ready Player 1” (2018)***! Com certeza! Mais do que “Vingadores: Guerra infinita” (2018) ***? Pff… óbvio, tu não me conheces. Tudo bem, este último filme foi muito esperado pelos fãs, até que conseguiram aproveitar legal tantos supers juntos, e Thanos foi mais interessante do que eu esperava: grandes sacrifícios para salvar a humanidade? Hmm, é meio que um anti-herói, ou não?

E já que estamos falando de super-heróis, eu fui sim conferir “Deadpool 2” (2018)***, que também foi melhor do que eu esperava? Mais do que boca suja e piadinhas, e uma nova integrante com o melhor super poder: a sorte! hahaha Esse poder fez a gente ficar de olhos grudadinhos na tela acompanhando tudo, numa ótima sequência de ação.

Mas o do Spielberg… como os leitores sabem, sempre preferirei o meu padrinho imaginário. Não dava nada pelo trailer, mas passar por essa aventura nostálgica dos anos 80 foi gostoso demais, incluindo a trilha sonora, o T-rex do diretor que é pai dos Parques dos Dinossauros; amigo do Kubrick, com o desafio importante do “Iluminado” (1980) ****, que não estava no livro; direito a ótima trilha sonora e mais uma agradável caracterização do Mark Rylance; Delorian, cubo do Zemeckis (outro amigo); o Gigante de Ferro!, Godzilla e muito mais. Que “Stranger Things” que nada, isto aqui sim é anos 80/90 na veia. Até quis ter feito um post só de coisinhas divertidas a notar, mas não rolou.

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Não rolou porque eu passei quase dois meses doente. Pois é, pois é. Tive piriri, achei que tinha melhorado, gripe, hormônios descontrolados (e sangrar três vezes no mês é demais pra mim; assim como um período prolongado de 10 dias), imunidade baixa, foi triste. Na verdade, tivemos muitas coisas tristes, Nelson Pereira dos Santos (que me lembrou de como eu fiquei embasbacada na época da faculdade, quando descobri que dava para ver filmes inteiros pelo YouTube!), outros jornalistas, incêndio, greve dos caminhoneiros. Mas a gente acaba se concentrando nos nossos próprios problemas, não é verdade?

E o que isso tem a ver com o budismo? A essência geral dos ensinamentos budistas que sigo é buscar sempre a felicidade do próximo. Chega ao ponto de querermos tanto que a outra pessoa seja feliz que esquecemos das nossas próprias infelicidades. Além disso, as adversidades nos fortalecem e podemos sentir felicidade mesmo quando nos deparamos com as dificuldades, porque tudo é motivo para agradecer.

Pois, admito, é mais fácil na teoria do que na prática. Junto com a doença “física” eu me peguei indagando se esses sintomas eram erupções de um interior que não aguenta mais e está para explodir. Porque quando a alma não está sã, o corpo também dá sinais. Há muito sinto-me cansada. Fiz retrospectivas pessoais, do que eu já vivi e dos sonhos que outrora tive. Acredito que luto contra uma leve depressão, que volta de tempos em tempos. Passar meses sem vontade de sair ou sem fazer as coisas com prazer não é lá muito normal.

Embora eu quisesse ser o exemplo perfeito e servir de inspiração, esta é a verdade: eu preciso lutar, todos os dias. Para ir trabalhar. Para buscar contentamento. Para encontrar algo que me dê esperanças de uma vida verdadeiramente feliz. Sei que não existe uma solução fácil. Eu queria poder me conformar, ou desistir de tudo. Mas eu luto. Procuro por pequenas saídas que sejam, pequenos respiros.

Um deles é escrever. Nem que seja aqui, no blog – e agradeço a todos que visitam, porque mesmo eu achando que ninguém lê, acaba me estimulando ver os números de visitantes. Outro é o cinema. Ainda dentro dos ensinamentos budistas, dizem que há alguns sofrimentos típicos pelos quais os seres humanos podem passar, como o de se separar de entes queridos, de não ficar com a pessoa que ama, de não conseguir realizar o que se quer na vida. Há alguns anos eu desisti de fazer cinema e venho entendendo cada vez menos do universo da sétima arte. Desapegando disso, fiquei à deriva pensando o que eu poderia querer mais do que os filmes. Claro que eu ainda gosto deles e continuamos escrevendo. E, na verdade, algo que sempre quis com os filmes era passar mensagens boas e inspirar as pessoas.

Um dia talvez eu tenha uma resposta melhor para este momento que estou vivendo.

Agora, preciso me focar na saúde. Nunca tive um mês tão ruim na diabetes, desde que passei a medir regularmente e tentar um controle. As glicemias em jejum sempre acima de 200. Daí, encontrei um livro sobre saúde pelos alimentos e de forma natural. E inclusive ele fala sobre evitar a depressão suicida com o poder dos alimentos, vejam só. Claro, eu devo procurar a prática de exercícios físicos também. Sobre esse novo desafio, contarei no outro blog.

Eu tinha algumas metas a cumprir até o final de maio que foram cumpridas, para que eu pudesse me renovar. Ainda não sei bem como ter mais gratidão e me sentir mais feliz e contente. Mas estamos na luta. Um passo de cada vez.

 

Resgatando o tema “existe vida budista em Matrix?”

Matrix (1999) **** é um dos meus filmes favoritos de todos os tempos. Eu morava no Japão na época em que foi lançado, nem me considerava budista de todo, mas o filme acabou se tornando um dos que mais gosto. Por esses dias é que eu percebi que nunca tinha escrito sobre isso antes aqui, por que o subtítulo deste blog pessoal é a pergunta “existe vida budista em Matrix?”

Este blog surgiu primeiramente como uma via de expressão (quantos desabafos já passaram por aqui!) e também registro de algo dos filmes que vi para a memória fraca desta própria autora (hence, os inúmeros posts com descrições de episódios de novelas e séries que foram inclusos também). E, como um blog pessoal, nada mais justo que combinar os elementos que compõem a pessoa que vos escreve – o que envolve filmes e também budismo.

Tivemos algumas tentativas anteriormente de combinar um pouco dos dois, do cinema, que sempre gostei mesmo sem saber por quê, e serviu de muita inspiração na minha vida; e do budismo, que sempre gostei mesmo sem saber por quê e serve de muita inspiração na minha vida. Talvez daqui pra frente esses posts combinando esses dois lados apareçam mais por aqui.

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E Matrix? Dando uma busca rápida pela internet é possível encontrar vários textos que trazem diversas referências religiosas inseridas no filme, sendo o budismo um tema de destaque. O Budismo que eu pratico, que vamos chamar aqui de “Budismo S” não é daquele tipo em que você precisa raspar a cabeça e ir morar isolado numa montanha para meditar. Nós temos monges também, mas eles são pessoas comuns, que trabalham na sociedade, podem se casar e ter filhos. Os ensinamentos que recebemos devem ser colocados em prática no nosso entorno e qualquer pessoa pode se tornar uma pessoa “desperta” – um termo para a pessoa que entende algumas percepções maiores sobre a vida, algumas verdades que nos ajudam a entender o sofrimento e a condição humana, e nos ajudam a seguir por esta existência.

Na verdade, a palavra “Buda” se refere a esse ser “iluminado” (que despertou). Não sei se vocês se lembram da história de Neo? Era um cara comum, que levava sua vidinha, até que é levado a despertar para a verdadeira realidade. Esse é um dos pontos de cruzamento com o budismo. Neo depois precisa treinar para lidar melhor com a Matrix e lutar contra os caras que querem deixar todos na inércia e no sonho para lhes sugar a força. Ele precisa treinar até descobrir seu verdadeiro potencial e ajudar outras pessoas. E é mais ou menos assim mesmo o treinamento budista.

E pra falar um pouco mais, Morpheus e Neo não apenas despertaram, eles são como bodhisattvas. Aqueles que despertam, mas continuam ajudando outros a despertarem. Tudo, porém, é a escolha da própria pessoa. Morpheus oferece a Neo nada além da verdade, se ele quiser continuar no mundo de ilusões, tudo bem. Morpheus também não pode apenas explicar intelectualmente a Neo, ou caminhar por ele, Neo precisa caminhar por si próprio para entender. Mas qualquer pessoa da Matrix pode despertar.

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Existem muitos outros pontos que eu poderia citar e muita coisa pra conversar… quem sabe num outro post? Na minha humilde opinião, grandes filmes são aqueles que a gente gosta de ver e rever, que sempre vão lançar motivos de reflexão e debate, que vão ficar com cenas emblemáveis gravadas na nossa memória. Além dos efeitos especiais que marcaram uma era e todo o estilo parodiado mil vezes, era um jeito novo de ver e fazer cinema, um filme de ação empolgante com questões filosóficas. E eu adoro o fato de que Keanu Reeves foi Neo e também o Buda – em O pequeno Buda (Little Buddha/1993)**, de Bernardo Bertolucci).

Matrix é um filme que pode fazer a gente até duvidar – se está vivendo mesmo ou apenas sonhando. E não é disso que o cinema é feito? O Budismo pretende ajudar a vermos sem as “ilusões” e a vivermos melhor com isso. E é aqui nesse ponto de cruzamento em que nos encontramos.

Eu queria mesmo é falar de American Gods (mas este cansaço é diabetes? Por que o metrô de John Wick 2 é tão bonito? O último episódio de Master Chefe foi pra tirar a Yuko!)

Dois meses sem postar nada e… na verdade, não é que a gente não tenha assunto, é que acabei mais uma maratona e estou naquele momento de não saber o que fazer. Eu, que faço maratona pro Oscar, e maratonas de séries, como seria diferente? – teve a maratona do casamento. 2 meses pra pensar, organizar, preparar, decidir, realizar tudo… foi o civil e uma tarde festiva em São Paulo, o religioso em Nova York, bênção católica e almoço em Belém…

E agora que estou de volta, eu deveria estar super animada para uma nova fase de vida, querendo fazer várias coisas, certo? Só que… não. Eu não sei o que acontece comigo, mas sinto-me exausta, sem vontade de fazer coisa alguma, quero nada. Não tenho disposição para trabalhar, sinto que tenho passado os últimos dias inutilmente, hoje fui ver meu contrato de Fies, se eu tivesse continuado a faculdade, estaria no último ano… mas o que é que eu quero mesmo da vida? Eu já não sei mais.

É tão difícil isso, você passa a vida inteira acreditando que existe um sentido para sua existência, um grande sonho que é sua realização, que é sua missão na Terra. Porém, nada aconteceu, você vira um desses personagens de filmes indies americanos, meio losers, meio perdidos e… e aí?

Talvez isso seja mal do século, percebo ser um tema que vem se tornando recorrente. Outro dia vi “Encalhados” (Laggies/2017), que é mais sobre essa personagem da Keira Knightley que já tem certa idade, não tanto sobre estar encalhado no amor. Ela não tem um propósito e não se encaixa na estabilidade madura das outras de sua idade… E, envergonho-me em dizer, muitas vezes tenho essa vontade de só me deixar fazer qualquer coisa da vida, qualquer emprego que a sociedade vê como “medíocre”, mas o que é que tem? Mesmo as pequenas funções precisam ser cumpridas por alguém, nesta grande máquina do mundo.

Por que existe uma supervalorização da funcionalidade? Não era pra ser assim, progrediríamos na tecnologia pra trabalharmos menos, só o que vejo é mais pressão e pessoas cobrando coisas, você tem que cumprir um status social – o que a gente quer mais não é ter tempo pra fazer o que gosta, pra descansar e ter boa saúde, pra dar atenção aos amigos e à família? Eu já não sei se consigo mais “cumprir o protocolo” e ter que querer me matar pra entregar resultados. Sorry, talvez ter visto as duas primeiras temporadas de “Black Mirror” (2011-) em tão pouco tempo esteja me influenciando demais. Taí uma série que rende muita reflexão, talvez ganhe um post só pra ela.

Talvez seja a diabetes? Eu não tenho feito dieta nem tomado os remédios direito nos últimos meses. Sinto que tenho mais sede, será que esta exaustão, a canseira, é só um sintoma da diabetes? Essa doença que dizem estar virando epidemia, outro dia vi no Netflix o documentário “What the health” (2017), talvez eu devesse me focar nisso agora, levar uma vida mais saudável, exercícios, tentar uma dieta vegana? O doc tem uns momentos um tanto forçosos, mas fatos interessantes também, e dá vontade mesmo de adotar uma dieta com base em plantas, tem o caso daquelas pessoas com ótimos resultados em questão de poucas semanas, e você começa a pensar no impacto ambiental, no mundo. A dureza é pensar se realmente consigo tirar todas essas coisas gostosas da vida; eu amo queijo, gente…

E já que estamos falando de comida, tranquilinha a série “Midnight dinner: Tokyo stories“, que a cada episódio mostra a história de um cliente desse pequeno restaurante japonês que abre de madrugada. Tem muito da cultura japonesa, então acredito que tenha situações que até pareçam estranhas aos olhos ocidentais, mas eu gosto de ver alguns pratos preparados e esses personagens inusitados com questões amorosas, familiares.

Nos últimos meses também estive acompanhando a temporada atual de Master Chefe Brasil, nunca tinha visto esse tipo de programa e me empolguei em ver os pratos que o pessoal cria, as reações dos jurados e os desafios propostos. Só que no último eles meio que forçaram a barra da manipulação (na minha humilde opinião), não dava pra uma tailandesa fazer um PF melhor que duas brasileiras que tiveram um bom desempenho até agora. Eu meio que pensei: “criaram essa prova só pra eliminar a Yuko. Com uma prova dessas, todo mundo vai entender que ela saiu. Ela já ganhou sua popularidade, mais views no YouTube, já tá bom, mas ela é estrangeira e este é Master Chefe Brasil. Já deu”. E foi batata. E eu acho que não vou mais ver o programa, porque fica meio que “marmelada”, meio que induzido demais, sei lá.

Antes de viajar eu também vi de sopetão “Sense 8” e me choquei um pouquinho só quando falaram que foi cancelada (mas imagina os gastos pra se fazer essa série, meu povo!). Só fiquei com pena porque queria ter visto a conclusão que os criadores tinham pensado, mas… eu gostava dos Wachowski quando ainda não eram as irmãs, eu gostei foi de Matrix (1999)…

Aliás, quantas referências à Matrix em “John Wick: chapter 2” (2017), não? O roteirista e/ou diretor devem de adorar o filme. Se bem que foi legal ver o Lawrence Fishburn dividindo o espaço de tela com Keanu Reeves de novo. O que eu lembrava do primeiro filme era de toda uma sociedade secreta, daí o cara aposentado sai matando por causa do cachorro morto… era isso? Nesta continuação, ele ainda é “o cara” lendário e leva umas belas surras, até que gostei da ambientação em Roma, belo quadro da morte na banheira; a gente foi pra Nova York recentemente, dá pra reconhecer, mas esse metrô tão limpo e moderno eu não vi não!; já a exposição com espelhos foi muito demorada e deixa a nossa cabeça meio confusa, eu acho.

Este post não poderia terminar de outra forma exceto com Keanu? Eu não sei se já cheguei a escrever por aqui ou simplesmente falar por aí o quanto gosto desse carinha? É um daqueles mistérios do mundo, né, ele não sabe atuar, sempre tem a mesma cara, não consegue passar emoção ou se impor na presença, mas… continua fazendo filmes e todo mundo parece gostar de vê-lo em cena. Recentemente eu vi “Filha de Deus” (Exposed/2016), que é tão fraquinho… um filme que demora a passar, tem o cara que morreu na guerra, tem o policial corrupto e ficamos um pouquinho perturbados, mas no final, a vida real. Vejo nas escolhas do Keanu sempre um interesse por algo fora do comum e por uma trama intrigante. E ele não tem medo de cenas violentas ou pontos que poderiam ser polêmicos, em personagens que não são infalíveis – ah, como eu achei interessante o “Advogado do diabo” (1997)*** contra Al Pacino! E quantas vezes eu revi “Velocidade Máxima” (Speed/1994)***, aquelas pessoas comuns tentando o extraordinário. E amei ver romances também, repetindo o par com Sandra Bullock e Charlize Theron. O ser humano é triste, falho e complexo – comentário muito profundo para “Caçadores de emoção (Point break/1991)**? No meu caso em particular, talvez eu tenha me afeiçoado porque bem criança ele tenha sido o Buda (Little Buddha/1993)***, e na minha adolescência ele foi Neo. Não tem como, né? Depois a gente fica sabendo da sua história de vida real e se condói. E torce pra que esse cara que é gente como a gente, de boas, consiga ser feliz, apesar de tudo. Acho que deve ser coisa de certos virginianos, que já tem uma aura melancólica imbuída – e eu me incluo nessa categoria. Acho que gostamos de ver é isso, a humanidade de sermos simplesmente nós, mas apesar de tudo, temos que continuar. Não sabemos exatamente pra quê, a vida é uma passagem, uma viagem, transitória; o ser humano é triste, mas estamos aí aprendendo; e todos nós somos os escolhidos, de alguma forma, na nossa própria jornada.

 

3 meses

Do final de julho pra cá, muitas coisas aconteceram na minha vida. E lembro que no início do ano eu tinha pensado que este 2015 pudesse ser um ano pra quitar uma dívida antiga e, de quebra, resolver alguns “unfinished business”. Dentro da lista consegui, sim, cortar alguns itens, como terminar de ver “Friends”. Tem alguns tantos outros que ainda me faltam, como dirigir, aprender ukulele e estudar japonês. Mas um outro aspecto que resolvi enfrentar de vez foi cuidar melhor da minha saúde.

Já fazia anos que eu precisava fazer umas visitas aos médicos e uns exames, e apesar da rotina corrida, tentei encaixar isso. Afinal, já passei dos 30 e dá pra sentir que o corpo físico não é mais a mesma coisa. Fui ao dentista, que só pediu um tratamento simples.

Depois à ginecologista e toda a bateria básica dos exames, e estava tudo certinho, graças a Deus.

Fui ao oftalmologista, que me recomendou não usar mais lentes de contato. Quero fazer óculos novos, mas para uma receita mais precisa, ele pediu que eu voltasse em 2 meses. O lado bom é que meu grau não aumentou, talvez tenha estabilizado, e me senti bem atendida pelo médico, que explicou tudo direitinho.

E por que voltar em 2 meses? Porque eu também decidi enfrentar um problema cujo tratamento venho protelando há algum tempo: a diabetes.

Que é o mais complicado de todos. Há mais de dez anos, fiz uma vez um exame desses de rua, que deu bem alto. Falaram para eu ir ao médico, fiz os exames e deu apenas tendência.

Meio que deixei isso de lado, depois de alguns anos fui de novo no endocrinologista e tentei começar um tratamento, mas o remédio me dava efeitos colaterais, meu estômago ficava estranho, tive diarréia e ânsia de vômito.

Depois de mais algum tempo, fui tentar um outro médico, que me pediu pra fazer um mês de dieta rígida, sem comer nada. E eu até consegui, mas quando voltei, ele pediu mais um mês de dieta e… como não sou tão forte, acabei comendo alguns doces e não voltei mais no médico…

Pois bem. Este ano eu decidi ter um pouco mais de determinação e encarar firme e forte. Fiz um exame de sangue bem completo e o médico novo me disse a mesma coisa: cortar todos os doces, refrigerantes, sucos. Frutas, 3 porções pequenas por dia no máximo.

E como eu tenho histórico de diabetes na família, com mãe, avó, tias da parte do pai, todas com diabete, já sei bem o que é que faz mal. Não comer muita massa, arroz, pães, grupo dos carboidratos. Não exagerar em nada, comer mais vegetais e legumes.

Parece fácil, quando a gente fala assim. Mas pra quem estava acostumada a tomar refri toda semana e sucos nas refeições, cortar isso foi bem difícil. As primeiras duas semanas foram desesperadoras, eu tava subindo pelas paredes por um chocolate. Na terceira, tudo o que eu queria era uma colher de sorvete… Nunca fui tão afeita a pães doces e bolos, mas passar a tpm sem chocolate foi bem difícil, sim.

Por causa da diabetes, meu colesterol tava bem alto também, de modo que passei de uma pessoa que não tomava nada até julho para alguém com disciplina de 4 drágeas ao dia: duas da diabetes, 1 comprimido pro colesterol e 1 pílula anticoncepcional. E o pior é que o remédio da diabetes receitado é bem caro… mesmo com desconto, sai mais de 100 reais e não dura um mês. Pra desanimar qualquer um, né?

Mas sei que preciso cuidar disso. A diabetes é uma doença silenciosa, os sintomas podem não aparecer agora, mas com o tempo, dá muitos problemas. Vi minha avó ter que amputar 2 pernas, minha tia está praticamente cega, sei que sem cuidados é perigoso ter filhos, fazer qualquer cirurgia, os ferimentos demoram a sarar.

Talvez algumas pessoas podem pensar, “ah, todo mundo vai morrer mesmo um dia”. Mas enquanto estamos vivos acho que todos nós queremos continuar seguindo a estrada da vida da melhor forma possível, não?

Tratar da diabetes me exigiu uma disciplina quase monástica, e neste último mês, eu confesso que relaxei um pouco. Acabei me deixando tomar um gole de açaí, comer um pedaço de bolo, chupar sorvete light. Embora, afirmo que no segundo mês eu já não sentia tanta vontade de açúcar, sabia? Se o primeiro mês foi um martírio, o segundo foi quando percebi que até que consigo passar bem sem certas coisas.

O colesterol do segundo exame melhorou. Vamos ver como será o resultado deste terceiro mês, em que relaxei bastante. Minha mãe diz que é como o caminho do Buda, não pode ser nem um extremo, nem outro, é o “caminho do meio”. Talvez ela tenha razão. Eu também não acho que uma colherzinha de sorvete de chocolate vai acabar com tudo, melhor do que ficar super pra baixo e irritada.

Mas esses primeiros meses foram importantes para ter firmeza, saber dizer não e aceitar essa condição. Sei que tenho que controlar a alimentação, e meu próximo passo é diminuir ainda mais os carboidratos, porque ainda acho que como muito à noite. Também tenho que comer mais peixe e tomar mais sol, pela deficiência em vitamina D.

Nestes últimos três meses, aconteceram também outras coisas (assunto para um outro post) que me fazem repensar este meu momento de vida atual, minha rotina. A ponto de me questionar se este não é um novo ponto de partida, para uma nova jornada, uma nova etapa da vida. 

Resolver alguns pontos soltos talvez também signifique se desprender de alguns ideais antigos, aceitar que a vida agora é outra. Talvez eu esteja fazendo recauchutagem para uma nova corrida?

E só pra não dizer que este post não tem nada a ver com o resto do blog (embora este blog seja um balaio de gatos mesmo), os posts das comidinhas continuam, pois dá pra encaixar um hambúrguer por mês nesta dieta. Só acredito que vai ter menos sobremesas daqui pra frente… E… vocês conseguem me indicar algum filme que tenha um personagem enfrentando a diabetes? Nenhum me vem à cabeça agora, mas seria legal, eu queria fazer algo com o tema.

Talvez meus registros diabéticos continuem por aqui, talvez não. Talvez os próximos 3 meses sejam os últimos em que nem tenho tempo de escrever no blog, talvez não. Sei que ando preocupada com minha saúde, que nos últimos 3 meses me percebo constantemente cansada, talvez eu ande querendo mais do que preciso. Talvez seja o momento de assentar, me acalmar um pouco mais na vida…? Talvez seja uma imposição do meu físico tanto quanto da minha alma?

Mais posts a resgatar e repensando o cinema

Mais de dois meses sem escrever no blog e, como de praxe, chega a Mostra Internacional de Cinema em SP e me dá vontade de escrever de novo… Embora este ano eu esteja bem enrolada, com muitas atividades no templo. Gravações pro projeto, seminários, trabalhos e mais uma lista de 14 filmes para uma prova da faculdade no início de novembro. TUDO caindo exatamente nestas próximas semanas. Se tá osso? Osso fóssil.

Eu sinceramente não sei o quanto da Mostra vou conseguir acompanhar, talvez eu vá em um ou dois dias, talvez eu compre uma bolsa ou caderninho (porque o poster deste ano é do Martin Scorsese, quem eu amo), mas não garanto nada.

Também muitos posts a resgatar, aniversário, comidinhas por São Paulo, queria comentar os filmes vistos nos últimos meses, queria registrar os semestres da faculdade – honestamente, não garanto nada mesmo.

E, mais uma vez, ô vontade de largar esse curso, hein… Fazer cinema fazia muito mais sentido pra mim quando eu tinha meus 20 anos, mais tempo livre, aquela vontade de mudar o mundo, fazer arte… hoje, tenho um emprego e responsabilidades, como dizia um dia desses a professora de filosofia, aquele rito de passagem pra vida adulta eu já passei. Eu deveria estar pensando em comprar uma casa própria e, na verdade, penso mesmo. Que na verdade eu não sei o quanto deste curso eu vou realmente aproveitar pro resto da minha vida, que eu não vou fazer cinema realmente, grandes filmes que vão inspirar o mundo. E tudo bem, eu sinto contentamento com meu trabalho e estou feliz por tudo o que tenho (não é muito, mas vivo bem). Este é o lugar em que me encontro agora. Lembro de uma conversa que eu estava tendo com um amigo, sobre um outro amigo dele, que tinha se acomodado, casado, com filhos e tinha deixado os estudos. Meu amigo criticava, mas às vezes a gente não precisa do “estrelato” pra ser feliz. Mesmo pequenas coisas podem ser grandes, porque a gente pode ser feliz assim, sim. Acho que é algo que nem todo mundo entende. Que nós podemos, sim, sermos felizes sem ficarmos querendo mais e mais. Com esta sociedade de consumo, em que se é incentivado a ter coisas, status, poder, é difícil entender que é possível nos sentirmos felizes sem ter tudo… Claro que sempre enfrentaremos problemas e desafios, mas acredito que estamos nesta vida pra isso mesmo. Pra sermos felizes e possibilitarmos a outros isso também. O contentamento não é exatamente acomodação, é aprender a ser feliz. Ser feliz com o que se tem, com as pessoas na sua vida, com o que se pode fazer nesta existência.

Eu nunca vou desistir do cinema, porque sempre fez parte do meu lugar feliz. E eu gosto de ver filmes, das ideias e inspirações que o cinema pode me trazer. Mas talvez eu não precise realmente fazer cinema pra ser feliz, ou terminar este curso. Porque hoje eu consigo ver e aceitar outros caminhos também a seguir. Mas sempre vou continuar a ver os filmes e escrever por aqui…

Maratona para 12/2014

Está decidido. Entrando as férias, eu vou fazer maratona……………. de posts. Porque este segundo semestre foi realmente uma confluência de obrigações demais pra pessoa de menos e ainda estou me recuperando do caminhão que me atropelou – daqueles grandões mesmo, do T-1000 em O Exterminador do Futuro 2 (1991) *** (estou me recuperando ou ele ainda está passando por cima de mim?).

Daí, nas férias, quando tiver passado essa loucura de trabalhos constantes para a faculdade, acho que pra sair um post por dia. O que deverá ser registrado neste meu diário virtual, menos diário que o de Garota Exemplar (2014) ***, a partir do dia 12/12:

– posts atrasadinhos das aulas do curso de audiovisual

– posts atrasadíssimos que faltaram da Mostra (tinha mais uns 5 aí…)

– posts atrasadéusimos de algumas hamburguerias visitadas

– e por que não aproveitar o clima de maratona e estender o percurso, fazer uma de Mad Men? ou mesmo de Os Sopranos, que tooodo mundo fala que imprescindível…

…ou posso deixar tudo isso de lado e comprar um ukelele.
her-ukelele

Mas amanhã não. Amanhã é dia de ver Interestelar e é o aniversário do Leo. Amanhã é dia de escrever poesia – senão aqui, pelo menos no meu diário da vida imaginária.