Divagações de setembro: a tão temida insulina e muito antes da Charlize Theron veio a Mônica

Primavera chegando e só pra não deixar passar mais de um mês sem escrever, aqui, um post de divagações.

1.o último filme realmente gostoso de assistir que fui conferir no cinema foi “Em ritmo de fuga” (Baby Driver / 2017)***, do bendito Edgar Wright. Ainda bem que teve Edgar Wright este ano pra me dar um pouco de ânimo. Noto que nos últimos tempos tenho ido bem menos ao cinema, mas ver um filme desses dá “um gás”. Pra mim seu auge ainda continua sendo Scott Pilgrim, mas os atores que fazem os personagens fazem a gente querer acompanhar esta aventura, o trabalho de efeitos sonoros e mixagem de som mostra como o cara valoriza montagem (hello, sincronia de tiros), cantarolei Easy na manhã seguinte, que expressou tão bem a sensação do Baby naquele momento, até os inserts com aura de sonho da namorada esperando perto do carro valeram.

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2.pessoal reclamou de “A torre negra” (The dark tower/2017)**, coitado do Stephen King, sete livros em um filme só. (Coitado nada, olha só quantas produções surgem com base nos livros dele!) Mas até que não foi tãooo ruim, assim, foi? Matthew McConaughey faz aquele tipo de personagem de olhos fechados, verdade, mas até que o filme foi legalzinho, xenti. Bons efeitos especiais, ação padrão, menino prodígio OK, e o homem de preto mata a médium tão logo cumprido o propósito dela, reclamando de quê?

3.eu queria muito conseguir estudar japonês. A sério. Faz uns 20 anos. Daí, to tentando pelo menos ver alguma coisa no idioma, né, já que ainda não consegui parar pra sentar e treinar kanjis. O último animê que ando vendo é o “Shokugeki no soma” (Food wars?/2015)***, que é bastante divertido! Eu não queria ver a princípio, porque em um dos primeiros episódios parecia muito pornográfico pro meu gosto (toda vez que alguém é tomado pelo sabor maravilhoso de alguma comida, fica pelado e agarrado pelos alimentos… o.O) Mas tirando esses momentos, é legal ver como o personagem principal do Yukihira vai encarando os desafios de aprender e criar pratos dos mais diversos. Se bem que de vez em quando dá uma fominha, realmente dá vontade de comer aqueles pratos! Vamos sendo apresentados por personagens inusitados e o pessoal que criou esta produção realmente fez uma super pesquisa, tem muita coisa ali que a gente nem imagina que existe. Pra quem curte animes, ainda tem o adendo de referências a outras produções famosas (caracterizando cenas de lutas, por exemplo).

4. faz alguns anos que povo anda falando do empoderamento da mulher, inclusive da força da mulher no cinema – e este foi um dos pontos positivos apontados por muitos em “Mulher Maravilha” (Wonder woman/2017)***. Honestamente, acho que o maior mérito da produção foi ter encontrado a mulher certa pro papel (Gal Gadot tem todos os atributos que fazem da personagem adorável). Mas vocês já pararam pra pensar… bem, foi algo que eu pensei, que muito antes de Charlize Theron – nem tanto por Aeon Flux (2005)**, Hancock (2008)**, Atômica (2017), mais por Mad Max: fury road (2015)****, que foi o ápice – uma personagem feminina que realmente “kicked ass” foi a Mônica?! Sim, aquela dos quadrinhos para crianças do Maurício de Souza. Mais do que a própria Hit-girl em Kick-ass (2010)! Sim. Porque ela não precisava ser gostosona, bonitona, ou mesmo “uma gracinha”. A câmera não precisava explorar seus atributos como fez com a Arlequina, em Esquadrão Suicida (2016)*. Ela era dentuça, baixinha, gorducha. Mas kicked ass. Mesmo sendo mulher, e daí. Pronto, falei. Maurício sempre no coração.

5.sim, algum dia, neste blog, existirá um post sobre Game of Thrones, sexta temporada. (mas… ai, que preguiça)

6.e pra terminar este post que tem um pouco de tudo, assim como este blog-balaio-de-gatos, vamos só falar um pouquinho da diabetes. No final de agosto eu voltei na médica, que me indicou o uso da insulina. Desde que eu era criança, sempre ouvi meu avô (que ajudou a cuidar da minha vó até ela falecer, exatamente por complicações da doença), que dizia pra evitar ao máximo entrar na insulina. Minha mãe já toma há algum tempo, meu irmão ainda toma apenas remédios, e a médica disse que provavelmente meu tipo de diabetes é mesmo o MODY, mas os níveis de glicemia estão muito altos. Apesar de o meu pâncreas ainda produzir um pouco de insulina, ela quer que eu baixe bem os níveis e a glicemia glicada (que praticamente indica a média dos últimos dois ou três meses de açúcar no sangue). Um dos temores do uso da insulina é os altos e baixos que vejo minha mãe sofrer, ela acordar de madrugada porque baixou demais, ter que ficar calculando a dose conforme o que comeu ou vai comer. Mas daí a médica me passou esse “novo” tipo de insulina que é a Tresiba. É uma caneta, menos dolorida do que as injeções com seringa, e o efeito de ultra duração, 24h. Ou seja, não há picos do efeito dessa insulina.

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Se houver alguém por aí que chegou a ler este texto, o que você acha? Concorda com a médica? Nos últimos meses eu tenho lido bastante sobre a diabetes na internet, e fico com medo de que eu só esteja antecipando a dependência à insulina, quando na verdade, eu poderia prolongar por um período maior a resposta natural do meu próprio corpo. É lógico, eu sei que tenho que fazer dieta. E vocês lembram daquela história do Dr Rocha? Existe um blog que achei que o cara fala exatamente as mesmas indicações que o doutor, dá uma olhada: sobre dieta cetogênica. É praticamente o programa do Dr Rocha condensado.

Realmente talvez essa dieta funcione, e eu vi outro documentário sobre vegetarianismo. E daí não sei se realmente comer carne à vontade é a melhor coisa, observando os meus próprios dados (tenho medido o nível de açúcar no sangue toda manhã em jejum e marcado tudo o que como). Talvez o melhor seja combinar a ingestão de carboidratos de baixo índice glicêmico e as boas gorduras, peixes, oleaginosas, ovos, canela, folhas verdes. Esses foram alguns alimentos que, pesquisando, são unanimidade para quase todo mundo. Até o Lair Ribeiro fala do ovo e da canela. São os alimentos que todo mundo indica que é bom no controle da diabetes. Inclusive, li sobre a resistência à insulina e me deparei com este artigo sobre aumentar a sensibilidade à insulina.

Na verdade, eu ando bastante preocupada com a Tresiba, porque venho aumentando a dose, mas não parece que está fazendo efeito. Os níveis de glicose continuam como aqueles de quando eu não tomava remédio algum. E daí fico pensando que, se eu realmente conseguir fazer uma boa dieta e incluir exercícios físicos na rotina, eu não consigo evitar a insulina pelo menos por mais algum tempo?

A parte dos exercícios também não é fácil pra mim, sou uma pessoa muito preguiçosa, que prefere ficar quietinha em casa, vendo filminho… Mas este é o meu desafio atual. Tenho tentado ler bastante e me informar, analisar meu próprio caso (porque me parece que diabetes é um pouco diferente para cada um). Porém, vou te contar, tá difícil baixar, viu. Ainda não consegui chegar abaixo dos 150 pela manhã. E pizza e massas, que eu gosto tanto, é o que sobe mais! É isso aí, continuamos na luta.

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Cão Véio

Finalmente, chegamos ao final desta temporada de Master Chefe Brasil (amadores)! E eu nem vi as outras temporadas. Talvez só agora eu tive de novo um pouco mais de tempo pra essas coisas? Ou do ano passado pra cá tenho me interessado muito mais por comida?

Eu achava que o cinema era o meu sangue de viver, mas será que de repente eu substituí por algo mais palpável, como comidinhas gostosas? Divagações à parte, adoro conhecer lugares novos pra comer. E este lugar nós quisemos ir ver em boa parte pela influência do Master Chefe, porque um dos sócios da casa é o jurado Henrique Fogaça. Taí um cara que deve ser feliz. Faz música, comida, faz o que gosta. Também quero.

Ok, vamos falar do Cão Véio. Eles estão ali em Pinheiros (R. João Moura, 871), dá pra ir andando da estação de metrô Clínicas. A temática é dos dogs mesmo, presentes nos quadros e nos nomes dos pratos. O som ambiente é rock e o lugar não é muito grande, mas lembra daquela dica? Chegar cedo pra evitar fila!

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Nós fomos numa quinta-feira à noite, super tranquilo. Nesse dia, João pediu uma cerveja da Bélgica, mas eles têm muitas opções, inclusive da própria casa.

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O menu é um caderno simples, mas eficaz, com ilustrações divertidas. Sendo que o mais divertido, é claro, é que cada prato é um cachorro. E as categorias também são separadas apropriadamente, o “Cão magro” é para a parte de pratos mais leves, saladas.

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E eles também têm uma pimenta que parece danada! Está em todas as mesas pra provar, vem em vidrinho de conta-gotas, eu acabei não provando, deve de ser muito forte, “colírio pros zóio”?! Caso queira, pode comprar e sofrer em casa.

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Meu pedido foi o Boxer, porque fiquei interessada em experimentar a tal vinagrete de maçã verde. O hambúrguer para combinar nesse lanche é de lombo e bacon, e estava correto. Mas o pão não segurou. Aliás, percebi que é impossível mesmo, sempre que pedir um lanche com esse tipo de molho, não vou conseguir segurar por muito tempo. Talvez eu passe a usar garfo e faca…

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O que gostei bastante foi o acompanhamento de onion rings. Gosto dessa cebola mais fininha, e tava crocante, bem boa pra vir junto com esse lanche mesmo.

O pedido do Leno já achei mais saboroso, o hambúrguer era de kobe, pegada oriental combinando com o nome do lanche: “Shiba Inu”.

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Desta vez nós não pedimos sobremesa, porque não tinha cheesecake, rs. Mas ficamos satisfeitos. Não é nada de extraordinário, mas com certeza eu voltaria e provaria outras opções. Tem hambúrgueres com combinações diferentes e é mais divertido que o Meats.

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Dale! Milanesa

Este ano teve alguns meses tão corridos que deixei passar vários posts… bem, isso acontece sempre, mas vamos relevar. Pois em maio deste ano tivemos o Burger Fest, né, e eu fui, claro. Lembro que daquela vez eu tinha ido conhecer essa casa que fica ali na Alameda Santos e tinha gostado bastante do hambúrguer, então tinha pensado que queria voltar e provar um “prato tradicional” deles. Pois bem, faz pouco tempo, nós voltamos.

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É um pouco engraçado, não sei definir se existe um estilo no espaço, mas gosto dos móveis vermelhos que combinam com o luminoso, da estante que imita produtos antigos e os quadros divertidos na parede (os acessórios moderno da pintura clássica vão mudando). O espaço é amplo e despojado, e desta vez nós fomos num sábado, eles abrem 19:00 – os horários variam bastante dependendo do dia em que você vai, é bom dar uma conferida antes. O nosso segredo é sempre esse: chegar cedo pra não pegar muita fila e espera na preparação dos pratos! hehe

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Vamos começar com o hambúrguer do Burger Fest. O Guia do Hambúrguer faz uma lista completa dos lanches do festival, e eu leio tudo! Me chamou a atenção a combinação (e eu considero preços também). Era um hambúrguer à milanesa, recheado com queijo, no pão australiano, com gorgonzola, rúcula, mussarela, geleia de pimenta, abacaxi e bacon.

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Talvez não pareça pela foto, mas eu gostei bastante da combinação! No menu regular deles, que vem preso numa prancheta (bem prático pra eles, dá pra trocar com facilidade), tem hambúrgueres e opções de pratos. Tudo, basicamente, a ver com milanesa – e eu gostei, porque a casa tem foco.

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E se for depois das 18h, você tem direito a uma caipirinha de grátis! Olha que beleza. (Embora eu não tenha gostado muito, tava meio amargo, mas o carinha perguntou se estava bom, eu não reclamei, não que eu entenda muito de caipirinha…)

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Os pratos vem também numa tábua, combina com esse estilo cool, mas casual. E no caso das parmegianas, tem essa opção de escolher os acompanhamentos. Eu pedi a parmegiana com cebola caramelizada, rúcula e bacon. Achei a cebola um pouco doce demais. E o acompanhamento foi arroz com ovo e cebolinha (chopsuey) e chips de batata doce – 29 reais.

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E eles tem uma sobremesa que o João (Leno) adora!!! É um sorvete à milanesa, com calda de chocolate.

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Eu não sei se gosto tanto de milanesa (eu sempre confundo com parmegiana, isso também acontece com vocês?), principalmente agora com a diabetes. Se você curte, vai lá, que eles tem boas opções. E não deixe de provar a sobremesa ;)

Lamen Kazu

Num outro post sobre uma casa de lámens da Liberdade, o Aska, eu acabei só mencionando o Kazu. Esta é uma casa tradicional de lámens no bairro, com preços um pouco mais salgados que o Aska, mas também um pouco menos de fila. Aliás, se for pra pensar no preço, a gente come é no Sukiya, né? O macarrão não é artesanalmente gostoso, nem tem caldo super suculento, mas é o mais barato.

O Kazu já é outra história. É do nível do Jojo, que também já comentei por aqui (e eu experimentei o “Tyashu don” deles, que também é ótimo. Aquela carne de porco é demais).

Pois bem, inauguraram há alguns meses uma nova unidade da casa na mesma região do Jojo! E tem um Sukiya ali pertinho também, daí fica ao seu critério do dia, rs. Fica na Alameda Santos, 53, pertinho da Paulista (lá pros lados da Japan House).

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Eu fui lá conferir e o menu é igualzinho ao da casa na Liberdade. E eles também tem a página inicial que explica os elementos contidos num bom lámen.

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Eles tem também alguns lamens diferenciados, como o vegetariano, o Mabo, a versão de Kyushu (ilhas ao sul do Japão). Ou seja, a casa oferece um cardápio bem variado, mas acabo nunca experimentando esses…

O meu pedido desta vez foi bem tradicional, pra ver como ele se compara aos outros lámens. E querem saber? É bom mesmo. O sabor não difere da casa na Liberdade, é uma casa tradicional que consegue manter a qualidade (por isso também a gente paga mais).

Mas realmente faz a diferença, entende? Quando eles conseguem combinar um bom caldo, uma boa massa. Se estiver disposto, vale.

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Shoyu Lamen

Fome de poder / O mínimo para viver

Fome de poder (The founder / 2016)**

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É o filme que me fez querer parar de vez de comer no Mc Donald’s. Bem, isso já tinha me passado pela cabeça antes, que eu nem gosto taaanto assim dos sanduíches deles, se for pra comer hambúrguer, que seja um bom de verdade (porque tem tanta coisa errada num combo pra gente que tem diabetes…). O maridão também já fez o “voto” de nunca comer porque é uma das empresas gigantes que querem dominar o mundo (hahaha, mais ou menos isso).

Daí este filme conta a historinha não dos irmãos que dão nome à lanchonete, mas do cara ambicioso – que quer dominar o mundo. Então… bem, acho que deu pra entender. Ele foi o cara que transformou uma boa ideia de dois irmãos metódicos e persistentes em um sistema, franquia, máquina de dinheiro. Eu gosto bastante do Michael Keaton, que faz o “fundador” do filme – um nome curioso, já que ele não é o verdadeiro fundador e lá pelo final do filme a gente percebe um certo ponto fraco ali na trajetória dele; ah, se ele tivesse nascido com o nome certo!

Porém, seu personagem deixa esse sentimento ambíguo na gente. Pôxa, gostamos dos irmãos Mc Donald’s, que falharam e se reergueram e queriam entregar um hambúrguer gostoso, pensando na qualidade. Daí vem esse cara e praticamente toma tudo deles, então não queremos torcer por esse personagem. Que também tem sua luta, mas também vai lá e dispensa a esposa que sempre tentou apoiá-lo e sofreu com sua ausência. Não sei. É um filme que não deixa a gente muito feliz quando acaba.

Gostei da escalação dos outros atores também, a cena dos irmãos coreografando funcionários num chão riscado de giz é ótima (e me perguntei se realmente aquilo existiu), nos quesitos técnicos tudo ok, mas o que fica é a sensação de que não quero mais comer no Mac.

***

O mínimo para viver (To the bone / 2017) **

Uma coisa a gente tem que admitir. O Netflix às vezes consegue entregar umas produções que tocam em temas delicados e talvez não ganhariam espaço por um estúdio grande ou outro meio. Teve um outro título, The fundamentals of caring (2016), que toca também numa questão delicada, um garoto cadeirante e a relação com um novo cuidador. E até que conseguiram um trabalho bom, cada personagem tem sua bagagem e contribuição na trama, conseguem nossa afeição e interesse.

Já neste filme, eu não sei se ligo tanto assim pro médico vivido por Keanu Reeves (no início não parece tão controverso assim?) e talvez tenham forçado um pouco a mão na “vontade de viver”. A questão delicada aqui é o tratamento da personagem Ellen, que sofre de anorexia nervosa. A anorexia é um tema controverso, e eu não costumo ver filmes do gênero, então o ponto que achei interessante é como eles mostram alguns aspectos reais da doença. Algumas coisas que eu não sabia, como o corpo produzir mais pelo para compensar a falta de gordura para se esquentar; a obsessão com exercícios físicos (corrida ou abdominais sem limites); a maneira de se preocupar incessantemente nas calorias que devem perder. A atriz emagreceu de dar dó, a maquiagem ajuda. Ou seja, conseguem passar que é uma doença, sim, não é “besteira” e não é bonito de se ver.

Talvez um dos problemas do filme seja alguns momentos bizarros. Tudo bem, a causa para Ellen ser anoréxica não é tão simples e plana, esse é um ponto positivo do filme. Mas a cena em que a mãe amamenta a filha, apesar de tocante, é difícil de descrever. E a construção de uma relação de amizade é aceitável para mim, mas aquele colega que era dançarino querer “ir pros finalmente” ali no quintal também foi meio bizarro. A sequência do sonho talvez um pouco exagerada e não tão necessária? E se era pra chegar ao fundo do poço, o que foi a visita à instalação de arte (que na verdade pra mim foi só chuva falsa, mas era arte, né?).

Enfim, talvez seja eu que esteja de má lua, mas eu definiria o filme como “meio bizarro”.

***

And now, for something completely different. Sobre os ensinamentos budistas.

Eu diria que algo que me fez sentir com ambos os filmes é como às vezes nós subestimamos o impacto de nossa própria vida para as outras pessoas. Até onde nós podemos chegar achando que estamos certos? No filme do fundador do Mac, vemos um cara que tem garra, mas o quanto ele fez a esposa e os criadores originais do Mc Donald’s sofrerem? No filme sobre anorexia, Ellen acha que tem as coisas sob controle, mas o quanto sua família próxima está sofrendo e querendo vê-la feliz?

Os ensinamentos que sigo são da vertente Mahayana do budismo, o que significa que buscamos ter atos altruístas. Pensar no próximo. E não precisa ser algo grandioso, começa com as pessoas ao nosso redor. Lógico que no caso da Ellen é uma doença. Mas e quando nós mesmos temos o controle de “ceder” um pouco, temos a escolha de pensar um pouco mais, ter mais consideração pelo outro?

 

Pesadelos diabéticos

Eu criei uma conta no Instagram para poder ajudar no controle da glicemia. Mas nas últimas semanas eu dropei porque… bem, simplesmente porque não tenho conseguido manter o controle da diabetes. Nesse meio tempo também passou o Anima Mundi (que eu sempre tento pegar pelo menos uma sessãozinha todo ano) e fiquei pensando como seria uma animação sobre um personagem diabético? Noto que nas últimas semanas eu tenho tido mais sonhos com comidas! Muitos deles pesadelos, na verdade, misturados com vários aspectos desagradáveis da minha rotina – será que todo diabético sonha com comida?!

No final de junho e início de julho eu passei a tentar reduzir o refrigerante, a carne vermelha, ir e voltar caminhando para o trabalho (que bênção, numa cidade como São Paulo!). Daí, fiquei sabendo que íamos trocar o plano de saúde, então fui correndo fazer os exames de umas guias antigas. No mesmo dia 13 de julho eu me permiti então, depois do jejum de 12 horas, um café da manhã especial. Ali perto do meu serviço tem um A Chapa, que tem um cardápio especial de café da manhã. Não é muito barato, mas pra quem tem aquela vontadezinha de um café bem americano, daqueles gordos, esse é um ótimo lugar em São Paulo. E o café é de refil! Igual daqueles de filme, que o atendente vem te servir de novo, se quiser.

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Daí eu senti que a tal panqueca era muito doce, pesou no estômago a massa de farinha refinada, coisas que já não estava mais acostumada a comer com tanta frequência. Então, decidi que logo no dia seguinte já ia continuar com a dieta mais balanceada e saudável – só que não foi bem assim.

No dia 17 de julho eu tava super irritada com a questão da Ibicard (Bradescard, cartão do C&A, chamem do que quiser) e acabei comprando um bolo de floresta negra. Tem um no mercadinho Marukai da Liberdade, que é do jeito que eu gosto, a massa mais molhadinha, chantilly suave… e comi quase que o bolo inteiro.

Glicemia em jejum dia 18? 193. Desastre. No dia 19 de julho, um dia cheio no serviço e que depois eu iria para a casa dos meus pais, que é mais longe, decidi comer no Burger Lab do Shopping Pátio Paulista. Até que um lanche, de vez em quando é permitido, certo?

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Só que depois eu ainda jantei em casa… arroz, feijão, linguiça. E pra arrematar, comi morangos com chocolate derretido! É, pois é. Sem vergonhice total – embora a glicemia tenha ficado em 178 (?) na manhã seguinte.

No dia 22, comi pipoca e um resto de macarrão que tinha feito na noite anterior (com brócolis, tomate). Só que lá pelas 22h tava eu comendo 2 pedaços de bolo de aipim… desta vez a glicemia foi implacável, 191 na manhã seguinte.

No dia 24 aconteceu a preocupação de ver um apartamento do prédio pegando fogo, muito cheiro de fumaça, almoço tarde e acabamos pedindo pizza à noite porque estávamos sem luz. Já sabemos um pouco que estress também influi, né? Também foi o dia em que acabou o remédio glicazida. Glicemia em jejum dia 25: 208.

A janta do dia 25 também foi fora, ainda sem luz em casa. Existe um restaurante japonês chamado New Mimatsu, que fica na frente da casa de lámen Aska – aliás, uma dica, em vez de ficar horas esperando pra entrar no Aska, experimentem um dia a comidinha do New Mimatsu, que é honesta e gostosinha.

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Katsudon (30R$)

Então chegou o Anima Mundi, eu na verdade só consegui pegar uma sessão na quinta e outra na sexta. Na quinta à tarde acabei comendo um x-salada com fritas e suco de maracujá numa lanchonete perto do CCSP, 16 pilas.Já na sexta, acabei jantando batata recheada com bacon e requeijão… o açúcar até que entrou bem, dia 29 de manhã foi 178.

Dia 29 acabamos indo jantar com um rapaz que estava nos ajudando e ia voltar para o Japão. Fomos no Bueno, casa da Alameda Santos cujos proprietários misturaram um pouco do Japão com a Coréia. Às vezes o serviço deixa a desejar, mas fomos lá.

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Butakakuni – barriga de porco de entrada, a gente não dá nada pra aparência, mas é muito saboroso

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Gohan (12R$, meio caro, né?) e espetinho de butabara (costela de porco) com tempero coreano

 

Mais uma vez, açúcar sem perdão. Glicemia dia 30 de manhã? 208.

A esta altura, também tinha deixado de tomar o Glifage da noite, ou seja, alguns dias já sem tomar remédio algum. Até as lancetas acabaram, então fiquei alguns dias sem medir.

Na noite do dia 04/08 eu estava sozinha em casa, acabei comendo um talharim de queijo (daqueles instantâneos mesmo) com queijo ralado, pimenta e cebolinha. A glicemia na manhã dia 05 estava em 202.

Dia 05 à noite, uma comidinha fora? Retornamos ao Dale! Parmegiana. O que pedi foi uma parmegiana de carne, com cebola caramelizada, rúcula, bacon e gorgonzola, acompanhado de chips de batata doce e arroz chop suey (o deles é com ovo mexido, cenoura e cebolinha).

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Fritura, com casca de farinha, arroz, batata, queijo gordo… o que vocês acham? Glicemia em jejum no dia seguinte 245!!! A mais alta de todo o mês…

Como também foi um domingo cheio, dia 06 acabamos comendo no Sukiya, um restaurante popular japonês, com várias unidades da franquia pela cidade. Meu jantar foi um prato mais “gourmet” deles, que vem com vegetais.

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Curry com queijo (22 R$)

Glicemia em 07/08: 214.

Pois é, gente. Eu sou uma pessoa que gosta bastante de pequenas aventuras gastronômicas – como morar nesta cidade que é São Paulo e não querer aproveitar? Mas o fato é que a glicemia não baixa mesmo sem remédios e amanhã eu vou ao médico (é outro novo, por causa da mudança do plano, então vamos ver o que ela vai me receitar desta vez…). Ou será que sou eu que dou escapulidas demais?

Ultimamente tenho pensado que não sei mais o que comer, se eu soubesse viver de luz, adotaria. É claro, na teoria, parece fácil manter uma dieta saudável. Mas e quando tem esses “sociais”? E quando dá vontade de comer algo diferente e sair pra comer? E quando a gente tá cansado ou só quer comer algo que deixa a gente um pouco mais feliz?

Se você tem um amigo diabético, pense duas vezes antes de criticar… você nem sabe, talvez ele tenha pesadelos com comida!

Resgatando o tema “existe vida budista em Matrix?”

Matrix (1999) **** é um dos meus filmes favoritos de todos os tempos. Eu morava no Japão na época em que foi lançado, nem me considerava budista de todo, mas o filme acabou se tornando um dos que mais gosto. Por esses dias é que eu percebi que nunca tinha escrito sobre isso antes aqui, por que o subtítulo deste blog pessoal é a pergunta “existe vida budista em Matrix?”

Este blog surgiu primeiramente como uma via de expressão (quantos desabafos já passaram por aqui!) e também registro de algo dos filmes que vi para a memória fraca desta própria autora (hence, os inúmeros posts com descrições de episódios de novelas e séries que foram inclusos também). E, como um blog pessoal, nada mais justo que combinar os elementos que compõem a pessoa que vos escreve – o que envolve filmes e também budismo.

Tivemos algumas tentativas anteriormente de combinar um pouco dos dois, do cinema, que sempre gostei mesmo sem saber por quê, e serviu de muita inspiração na minha vida; e do budismo, que sempre gostei mesmo sem saber por quê e serve de muita inspiração na minha vida. Talvez daqui pra frente esses posts combinando esses dois lados apareçam mais por aqui.

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E Matrix? Dando uma busca rápida pela internet é possível encontrar vários textos que trazem diversas referências religiosas inseridas no filme, sendo o budismo um tema de destaque. O Budismo que eu pratico, que vamos chamar aqui de “Budismo S” não é daquele tipo em que você precisa raspar a cabeça e ir morar isolado numa montanha para meditar. Nós temos monges também, mas eles são pessoas comuns, que trabalham na sociedade, podem se casar e ter filhos. Os ensinamentos que recebemos devem ser colocados em prática no nosso entorno e qualquer pessoa pode se tornar uma pessoa “desperta” – um termo para a pessoa que entende algumas percepções maiores sobre a vida, algumas verdades que nos ajudam a entender o sofrimento e a condição humana, e nos ajudam a seguir por esta existência.

Na verdade, a palavra “Buda” se refere a esse ser “iluminado” (que despertou). Não sei se vocês se lembram da história de Neo? Era um cara comum, que levava sua vidinha, até que é levado a despertar para a verdadeira realidade. Esse é um dos pontos de cruzamento com o budismo. Neo depois precisa treinar para lidar melhor com a Matrix e lutar contra os caras que querem deixar todos na inércia e no sonho para lhes sugar a força. Ele precisa treinar até descobrir seu verdadeiro potencial e ajudar outras pessoas. E é mais ou menos assim mesmo o treinamento budista.

E pra falar um pouco mais, Morpheus e Neo não apenas despertaram, eles são como bodhisattvas. Aqueles que despertam, mas continuam ajudando outros a despertarem. Tudo, porém, é a escolha da própria pessoa. Morpheus oferece a Neo nada além da verdade, se ele quiser continuar no mundo de ilusões, tudo bem. Morpheus também não pode apenas explicar intelectualmente a Neo, ou caminhar por ele, Neo precisa caminhar por si próprio para entender. Mas qualquer pessoa da Matrix pode despertar.

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Existem muitos outros pontos que eu poderia citar e muita coisa pra conversar… quem sabe num outro post? Na minha humilde opinião, grandes filmes são aqueles que a gente gosta de ver e rever, que sempre vão lançar motivos de reflexão e debate, que vão ficar com cenas emblemáveis gravadas na nossa memória. Além dos efeitos especiais que marcaram uma era e todo o estilo parodiado mil vezes, era um jeito novo de ver e fazer cinema, um filme de ação empolgante com questões filosóficas. E eu adoro o fato de que Keanu Reeves foi Neo e também o Buda – em O pequeno Buda (Little Buddha/1993)**, de Bernardo Bertolucci).

Matrix é um filme que pode fazer a gente até duvidar – se está vivendo mesmo ou apenas sonhando. E não é disso que o cinema é feito? O Budismo pretende ajudar a vermos sem as “ilusões” e a vivermos melhor com isso. E é aqui nesse ponto de cruzamento em que nos encontramos.