Aviso: estrada da melancolia adiante [1]

Tinha algumas coisas legais pra escrever, mas vou adiar os posts de filmes porque tô precisando desabafar. Sim, derrapando e descendo a ladeira da depressão abaixo…

Ah, e só para fazer justiça, caso se percam os filmes – como é de mal costume desta autora – deixo aqui registrado: teve Bruna Surfistinha (interessante – sério mesmo, não é tão ruim como pode-se pensar), Enrolados (romântico e engraçado, com a cena das lanternas me lembrando o Havaí e me fazendo arrependida por não ter visto em 3D), Percy Jackson e o ladrão de raios (bacaninha por trazer pra nós a mitologia, mas tão previsível…), Surpresas do amor (aquele dos 4 natais com o Vince Vaughn, até que rende umas risadas), e acho que teve outros, mas não lembro :(

Anúncios

Algo que cinge (fragmento épico)

A chuva era torrencial. Como suas lágrimas. Encolhida sob seu manto, observava as gotas batendo no vidro da enorme janela que a protegia da escuridão exterior. Em intervalos irregulares, o relâmpago de raios, seguido pelo estrondoso trovão, deixava um clarão em que se percebia a miséria e a perdição daquela terra.

– Acha que teria sido diferente? Se soubessem, se tivessem consciência, de que estão levando a si mesmos ao seu próprio fim? Acha que teriam agido de outra forma e poderiam, desta vez, se salvar? Ou será uma espécie fadada à extinção, independente de quanto tempo passe, de quantas vezes a mesma história se repita?
– E tu? Não tens medo de mim?

Silêncio.
– Foi um massacre. E eu permaneço impassível, nenhum choque, nenhuma lágrima. Lembra-te de toda aquela comoção, por aquela criança tão pura, morta em um crime premeditado, por pais de falso remorso? Lembra-te de como multidões se apavoraram diante da ameaça fundamentalista e de como eu não via sentido para todas as providências tomadas pelo representante daquele povo? Deve, ainda, estar fresco em tua memória. A falta de sentimento diante daquela catástrofe que comoveu a tantos. Tu continuas a me acompanhar nesta jornada? Não tens medo?
– A tua força és descomedida. Continuo. Não por promessa ou dívida. Por acreditar. Se existiu alguém na face desta vasta terra, com quem já encontrei e acreditei que pudesse salvar a toda esta gente… És tu.
– Como? Como sabes que ao subir ao poder, simplesmente não aniquilarei toda esta gente fraca e vil?
– Pois sei que tuas lágrimas não são por nojo. Nem por medo. Não são porque não querias estar aqui. Tuas lágrimas discorrem da falta de luz. Do desperdício de tempo. Por saber que dentro de cada pedaço de vida, mesmo neste lugar, existe algo que cinge.

Reflexão.
– Por quê? Por que esperam pelos grandes nomes, por grandes feitos? Por que a impotência, a falta de crença? Não sabem que podem ser heróis só pelos pequenos gestos, à sua volta, apenas com o que está ao seu alcance…
– Partiremos sem tardar após o breve descanso, majestade. A jornada ainda é longa.

Community – season 1

História base: um advogado (Jeff) perde a licença e precisa refazer aulas para poder trabalhar de novo. Numa “community college” ele pode passar pela vida de faculdade com o mínimo esforço, pois não é pra ser levada a sério, é um local para donas-de-casa divorciadas (Shirley), senhores de idade que querem manter a mente ocupada (Pierce), desistentes de colégio (Annie, que esteve em reabilitação; Troy, que era jogador de futebol e se machucou) ou que não conseguiram terminar uma faculdade decente (Britta), além de outros seres bizarros (Abed)…

community[1]

:D – primeira impressão da Denichan: UOU. Adoro séries que me fazem dar risada do nada (The office, The Big Bang Theory), e Community já ganhou meu coração. É lógico que meu personagem favorito é o Abed, com suas referências à TV e filmes, mas o elenco inteiro é muito bom demais da conta, todos tem alguma coisa que faz a gente rir. No início da temporada o negócio ainda era meio morno, mas de repente veio um episódio atrás do outro com enredos divertidíssimos – eu vi um após o outro sem saber o que esperar (afinal, alguém espera um grupo mafioso de frango frito?). O meu favorito é o “Debate 109”, quando Jeff cogita pela primeira vez que Annie tem sex appeal, e é lógico, o “Modern Warfare”, em que o campus vira um campo de guerra de paintball.

jeffannie[1]

E só pra verem como gostei mesmo da série, vou colocar aqui um adendo: acabou o último episódio e eu fiquei me xingando meia hora e depois fui analisar como é que eles tinham elaborado a história do Jeff e da Annie, como é que eles tinham feito eu torcer mesmo por este casal! Obviamente, a ideia original de casalzinho principal era Jeff/Britta, mas alguma coisa ali no meio mudou (e eu culpo a excelente química entre os dois atores. Mais além, o eterno desafio dos opostos que se atraem: cara mau/garota boazinha, mais velho/novinha, sabe-tudo/menina ingênuazinha, desleixado/certinha, pegador/romantiquinha…). Sei que “o show tem que continuar”, então provavelmente não vai dar em nada, mas adorei e torceria pro Jeff & Annie, com um completando o outro, trazendo algo no outro que faltava – awnnnnn… meu casal favorito das séries atuais!

Confissões de adolescente (I)

Só pra ninguém achar que eu fui pro Japão e derreti com a radioatividade, depois fui levada pelas águas do tsunami… aqui estou! Sim, o blog fica um tempo parado, mas a ideia é que eu sempre voltarei (até desintegrarem, como foi com o Spaces).

Bem, ontem eu fiz a proeza de ouvir Manu Gavassi, Rebecca Black e Justin Bieber em um só dia. Não por gosto, mas porque todo mundo fala deles, são os novos ídolos teen tal – e já faz algum tempo que venho me sentindo adolescente de novo. Muitos sonhos, caraminholas na cabeça, pouca sensação de realizações, dúvidas e incertezas quanto ao futuro. Mais até, volto ao estado solitário e à vontade de ficar o dia inteiro comendo porcaria e vendo filmes bobos. Vago pela internet sem achar muita graça, choro pelas escolhas erradas, tenho uma vontade imensa de me reinventar completamente, mas não tenho dinheiro.

Só pela descrição acima acho que conseguem perceber que a escolha musical não ajudou em nada – vou procurar algum blues. Não é adolescência, é crise de meia-idade mesmo! Guerras, enchentes, o mundo se acabando lá fora, e o mundo desmoronando aqui dentro…

Sabe quando, de vez em quando, a gente fica com vontade de não ter existido? Às vezes eu quero fazer um milhão de coisas e mudar o mundo, outras eu acho que é melhor só trabalhar sem parar e aí tem aquelas horas assim. Estes dias eu tenho tido isso, minha cabeça gira sem parar e, entre querer tanta coisa, acabo não querendo mais nada.

Eita, que desabafos não eram pra ser neste blog. Melhor voltarmos pros comentários audiovisuais.

Adolescência temporã. É uma fase, vai passar.

Maratona cumprida. Banho, água e festa

Em outros anos e outros blogs eu já tinha feito algo semelhante a esta maratona: ver pelo menos os filmes indicados à categoria “melhor filme”. Mas, pela primeira vez, estou eu aqui, a poucas horas da festa. Algumas pessoas já passaram pelo tapete vermelho (e eu acho linda a Anne Hathaway – ainda mais vestida de vermelho!). E o que euzinha estou fazendo?

Bem, comia lasanha e com vontade de ver Entourage, recentemente descobri um novo vício (frozen yogurt), mas hoje vou optar pelo vício antigo mais tarde (pipoca com manteiga e queijo). E não participei de nenhuma promoção de palpites, mas… que tal a lista dos Oscars que eu daria?

Filme: A rede social
Diretor: David O. Russell (O vencedor)
Ator: Colin Firth (Discurso do Rei)
Ator coadjuvante: Christian Bale (merecedíssimo)
Atriz: Natalie Portman (Cisne Negro)
Atriz coadjuvante: Melissa Leo (O vencedor)
Roteiro adaptado: A rede social
Roteiro original: A origem
Melhor animação longa metragem: Toy Story 3
Direção de arte: O discurso do rei
Fotografia: Cisne Negro
Figurino: Alice no país das maravilhas
Montagem: A rede social
Trilha sonora: A rede social
Canção: We belong together (Toy Story 3)
Edição de som: A origem
Efeitos sonoros: A origem
Efeitos visuais: A origem

Na verdade, por razões pessoais, daria o melhor filme para “A origem” também… hahaha Lembrando, de novo, que esses são os que eu daria, mas… como verão, o resultado será diferente. O único que eu quero meeeeesmo que ganhe: Christian Bale!

Xenti! Tô pensando em largar tudo, fazer curso de dublagem e trabalhar com isso. O que acham? XP E o curso de cinema? Ainda acham que me vale a pena? Sei não…… acho que é carma, melhor deixar de lado, não levo jeito mesmo pra isso. Mas, por enquanto: maratona cumprida, banho, água e festa :)

O vencedor

ovencedor-poster[2]
(The fighter / 2010) ***
História: um jovem lutador de box busca ascensão na carreira enquanto lida com irmão, ex-lutador e viciado em crack, com a mãe e com a namorada.
:D: Este ficou por último porque eu pensei: “ah, outro filme sobre box indicado ao oscar…” E sem saber de nada, lá fui eu ser arrebatada por um bom enredo, uma direção segura e planejada, uma película forte e uma atuação estupenda. A reconstituição de época está perfeita, Mark Whalberg está contido, o que é a medida certa para seu personagem. Melissa Leo é a mãe que protege o filho mais velho e conseguiu uma profundidade exímia. Amy Adams muda um pouco o tom, comparando com outros filmes seus, fazendo a namorada desbocada – e totalmente plausível. Mas quem rouba o filme é com certeza Christian Bale. O cara já costuma ser bom, mas sua entrega a este personagem, no físico, nos trejeitos, no olhar, na respiração, ganha a platéia e sensibiliza. Ninguém é totalmente ruim ou bom, e é por focar mais nos personagens e não na estrutura clássica do gênero, que o filme ganha proeminência. Não é preciso explicar, nós entendemos por que o lutador precisa da família toda pra ser um vencedor. É porque entendemos isso que o filme merece ser visto (e indicado aos prêmios…)

ovencedor[1]

Minhas mães e meu pai

(The kids are all right / 2010) **
História: os filhos de um casal lésbico encontrando o pai biológico e resolvendo alguns conflitos internos.
:D: as pessoas vão me chamar de homofóbica com esta crítica, mas eu tava torcendo pra Jules (Julianne Moore) e Paul (Mark Ruffalo) ficarem juntos. Não porque eu não acredite em casais lésbicos, simplesmente porque o Ruffalo é legal demais no filme, os dois tem a “vibe natureba” – e não faz sentido criar uma relação ali, se não fosse para explorá-la (seria tão mais legal do que ela simplesmente virar pra ele e dizer “eu sou gay” – tipo… usou ele pra quê então?). Vix, pronto, escrevi com spoilers mesmo. Mas tudo bem, porque nem vale tanto a pena ver. O filme é até bacaninha, rende alguns risos, talvez queira mostrar algo diferente, mas a história e a concepção em si não são nada de extraordinárias.

p.s. eu sei porque foi indicado ao Oscar. Mas só pra verem como não concordo, nem me dei ao trabalho de procurar uma foto e postar aqui.