O Discurso do Rei

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(The king’s speech / 2010) ***
A história: o então príncipe George VI precisa vencer seu problema de fala para substituir o irmão Edward, tomando o posto de novo rei da Inglaterra.
:D: Óbvio que a gente não pode deixar de falar de Colin Firth, George VI neste, que não é só um charme, mas muito competente. Conseguimos realmente sentir na pele como é difícil a situação em que ele se encontra, sentimos no ar o atrito. Helena, como a esposa, faz uma interpretação correta (tão estranho não vê-la fazendo bizarrices nos filmes do marido, Tim Burton) e Geoffrey Rush está ótimo como sempre – seu Logue é convincente e o público pode sentir empatia automática com ele. Toda a parte técnica do filme funciona muito bem, cenários, aparatos, posturas – tudo muito verossímel. Mas o divertido mesmo é ver Colin tentando falar palavrões, em contraste à toda pompa e pose inglesa…

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Bravura Indômita

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(True Grit / 2010) ***
A história: garota de 14 anos quer punição para o assassino de seu pai e contrata um velho federal destemido.
:D: Eu não assisti ao filme original, porque sei que ia ficar comparando. Mas até que, para um espectador atual, é um velho-oeste bem divertido. O toque de humor, creio eu, é o tempero dos irmãos Coen (diretores). A história em si não é tão surpreendente, mas o “como” contar é que faz a diferença (aliás, cada vez mais, para Hollywood). A não-tão-pequena Hailee, que faz a garota Mattie, consegue ter a dose certa de força, coragem, astúcia e inocência. Jeff Bridges é um dos queridinhos de Hollywood não por acaso – o cara pode fazer um beberrão folgado e a gente ainda gosta dele. Já Matt Damon me rendeu boas risadas internas só com o visual… O filme é um todo bem conduzido e só o encontro com o veterinário vestido de urso, mais Mattie tirando a arma enrolada no pano, já valeu o ingresso pra mim xD~

127 horas

(127 hours / 2010) ***
A história: um alpinista sofre um acidente e fica preso por uma pedra em um local totalmente isolado.
:D: Vejo um ponto em comum em todos os filmes de Danny Boyle: ele viaja nas ideias. (Acho mesmo que ele usa muitas drogas ou talvez só erva, mas enfim). Dito isso, também adoro as escolhas musicais pros seus filmes, também me surpreendo bastante com as diferentes formas pelas quais ele experimenta contar uma história, e pela variedade de temas em si. Neste filme, isso tudo está lá, inclusive o desespero de seus personagens principais, que sempre são testados ao limite. Não são filmes pra qualquer espectador, mas são no mínimo interessantes. É uma história difícil de colocar em tela, mas a alternância com os sonhos e as lembranças buscam deixá-la mais dinâmica, até divertida por vezes. Eu não me empolguei tanto com o filme, mas me perguntei: se eu estivesse no lugar de Aron, o que será que eu faria?

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(acima, não o cartaz do filme, mas capa do livro – o verdadeiro Aron Ralston)

Cisne Negro

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(Black Swan / 2010) ***

História: uma bailarina ganha o papel principal do espetáculo, substituindo uma grande bailarina em decadência. Lidando com o forte diretor, a rivalidade das colegas e a expectativa da própria mãe, tenta chegar à perfeição de encarnar dois lados opostos de um mesmo personagem.
:D – uma daquelas produções obra-de-arte que o cinema consegue produzir. Eu sempre admirei a Natalie Portman (desde O Profissional, passando pela sua maturidade em V de vingança e Closer – perto demais). Ela é linda, sexy, perspicaz, inteligente, talentosa – tem mais é que ganhar um Oscar mesmo, porque este é o modelo a que as meninas devem aspirar. Mas pra ficar tão soberba neste filme, ela também conta com a ajuda de uma impecável direção de arte, de outros atores tão competentes quanto, da maravilhosa câmera sensível do diretor e, obviamente, da trilha sonora instigante. Como se não bastasse tudo isso, o filme é inovador em si por constituir-se num debate/embate sobre o “bem e o mal” dentro de cada um, mas sendo um thriller psicológico com movimentos de suspense e toques de terror (!). O mundo do balé nos é apresentado em suas minúcias, mas a história transgride o lugar comum, com boas doses de sexualidade, que aqui fazem sentido (!!) – para pontuar a oposição entre o Cisne Branco (alvo, doce e puro) com a emergência do Cisne Negro (sensual, provocador, impetuoso). Assim, é sacada de mestre usar o jogo de espelhos tão inspiradoramente para trabalhar a dualidade, pois este é o principal conflito da história. Sentimos a tensão e nem vemos o tempo passar. Ao passo em que há o comportamento castrador da mãe, há a pungente provocação do “professor”. Em sua “rival” reside também sua amiga. E por mais que queira reprimir, Nina deseja e busca libertar o outro eu em si. Os delírios da mente de Nina se desdobram em um crescendo até o climax, digno de seu gran finale. E tudo o que nós, meros espectadores, podemos fazer neste instante é aplaudir.

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A rede social

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(The social network / 2010) ***

História: o criador de uma famosa rede social enfrenta dois processos e relembra como tudo começou.
:D – é um texto de Aaron Sorkin (pra conhecedores de séries, The West Wing e Studio 60 on the Sunset Strip já diz tudo). É David Fincher (Seven, O clube da luta). Poderia dar errado? Não tem o Brad Pitt, mas o filme não decepciona nem um pouquinho. Temos diálogos rápidos e inteligentes – talvez até demais, pois eu mesma acho que entendi uns 30% do que o Mark fala no filme todo. Temos personagens bem trabalhados, momentos engraçados ótimos, a câmera que trabalha a favor da história e dos personagens. De quebra, ainda fiquei super feliz porque vinha ouvindo muito a música dos Beatles “Baby you’re a rich man”, sem saber direito por quê, foi um deleite vê-la perfeitamente utilizada ao final da película. E eu, que demorei pra ver este porque achei que ia ficar com raiva (o cara é mais novo que eu e é bilionário?!!!), na verdade saí com a sensação de doce tristeza – melancolia. Porque o filme consegue mostrar como algumas coisas da nossa sociedade atual podem ser triviais ou banalizadas – e isso é triste. E porque, essencialmente, somos apresentados a um cerne da pessoa mistificada que é a mais simples condição humana; quando Eduardo diz “eu era seu único amigo”, pra mim, foi o ponto alto do filme. Não importa quantos amigos virtuais, ou quanto dinheiro ou status de “cool” você tenha, existe algo lá dentro de nós mais importante. E tudo bem que o Zuckerberg de verdade não colaborou com a história, algum contexto foi criado (Erika não existiu, ou existiu?), de outra forma poderia nem ter ficado um filme tão “cool”. Só fiquei com dó porque o ator que faz Eduardo é carismático demais e a gente fica torcendo por ele, sendo que o Zuckerberg da vida real parece – eu disse parece – bem mais simpático. Mas volto a repetir: um filme que, em todos os sentidos, não decepciona nem um pouco.

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Aquecimento & O inverno da alma

Sobre a minha maratona, até que não estou mal e pretendo avançar um pouquinho ainda esta semana. O aquecimento foi um filme argentino que todos recomendam e ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro no ano passado. “O segredo dos seus olhos” (El secreto de sus ojos / 2009) *** é um filme bastante interessante, resgatando um pouco do clima noir, conta a história de investigação de um crime após 20 anos. Eu adoro o diretor só pelo maravilhoso O filho da noiva (o qual aliás, prefiro a este). Há algumas nuances bem elaboradas, o personagem de Sandoval foi inesperadamente tocante pra mim e há uma cena de perseguição no estádio de futebol que é simples, comparando com hollywood, mas muito bem concebida. Além de tudo, é um filme sobre o que nos move lá do interior de nossa alma, sobre paixões, grandes ou pequenas.

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O Inverno da Alma
(Winter’s Bone / 2010) **

História: uma garota de 17 anos, que cuida de 2 crianças pequenas e uma mãe doente, tem que procurar o pai para poder salvar a casa e conseguir manter unida a família.
Minhas lentes: em uma palavra, é um filme cru. Sem firulas e sem doces, até o final feliz é meio inquietante. Todos os momentos da narrativa são fortes e este é um EUA pouco visto no cinema. Violento – mas não escancaradamente, uma violência psicológica e interna. Talvez sirva em especial pra gente parar de reclamar da nossa vida… seja caçando esquilos, caçando o pai, enfrentando tipos perigosos (e não falo do “falso perigoso”, mas daquele que só o olhar ou a respiração fazem você sentir a tensão), a força exigida pela nossa heroína é tamanha que nos deixa presos à poltrona. A cena do lago é marcante.

Coincidências ou Estratagemas cósmicos?

Olha como o universo é louco.

Eu namorava o cara X, quando descobri um barzinho que toca rock antigo – que vamos chamar de C. X não ligou muito, até que foi com os amigos e gostou tanto que virou frequentador assíduo. Lá, X conheceu N, uma moça que trabalhava no barzinho e que, depois vim a saber, namora o vocalista F, da banda B.

Esta banda eu gostei muito e pedi para receber notificações por e-mail de quando iam tocar. Um dia, voltei a C pra ver essa banda B e encontrei com X. Nós já tínhamos brigado e na época não mais nos falávamos. Eis que, na apresentação orquestral seguinte de B, no mesmo bar C, perdi a chance de encontrar o amor da minha vida: i. Eu não ia muito mais a C, para não encontrar X.

i tocou naquela noite no lugar do batera P, por quem tive uma caidinha (só até descobrir que ele gostava de tirar fotos pornográficas demais pro meu gosto). Ou seja, i era amigo de F, namorado de N, infatuation de X (meu x) – só recapitulando.

Foi só 1 ano depois que vim a conhecer Z, a banda em que i toca de verdade. E totalmente por acaso… adorei Z (é claro, né) só que me chamou mais a atenção o guitarrista hippie; apesar de minha mãe ter achado i mais simpático e uma colega ter achado i mais bonitinho… olha o universo aí de novo!

Em uma apresentação de Z, tinha algumas bandas que iam tocar antes e eu fui ver de curiosa. Nessa hora vejo um carinha de camisa xadrez e óculos com quem me deu uma vontade enorme de ir conversar, mas acabei não indo. Adivinhem? Era i. Não o reconheci porque estava sem o figurino… (Nessa hora o universo deve ter desejado me esganar!)

E só hoje é que fui perceber tudo isso. E agora, José? i está com a, que deve ter conhecido naquela noite em C, quando não fui (ou seja, que não tinha nada a ver com a história). Moral da história: quem disse que o universo não conspira a nosso favor? Nós é que somos muito tapados às vezes pra perceber.

Universo: talvez numa próxima vida, D.