Revisita a uma vida passada

Será que não existe? Algum livro de ficção que explore a viagem no tempo, mas só em pensamento? Com o corpo físico na sua cidade desta vida, mas com a mente viajando pelo tempo e pelo espaço. Se não tem, alguém, por favor, escreva este romance. Talvez o pensamento possa chegar a uma velocidade maior do que a luz, quem sabe?

E aí… fiquei com medo, na verdade. Deixei meu pensamento ir buscá-lo, visitá-lo e amá-lo. Precisava ser acalentada pelo seu abraço. Mas veio à mente cenas do meu vestido florido, do ambiente bucólico, dos raios de sol e da sua camisa branca. Sim, era a Itália, e fiquei na dúvida se era imaginação ou… lembrança. E fiquei com medo. De que aquele homem, de agora, tão diferente, fosse o moço claro e alto de outrora. Daquela outra vida passada.

E foi dada a largada para minha maratona!

Na semana retrasada eu aluguei “O solteirão” (Greenber), com o Ben Stiller. (E descobri que existe “O Solteirão” com o Michael Douglas. Que catzo, por que 2 títulos iguais em tão pouco tempo entre um lançamento e outro?). Nem vale a pena comentar – chaaaaaaaaaaato. E vocês achavam que eu sempre falava bem dos filmes, né? É que existem aqueles que nem dá vontade de escrever.

Aí, semana passada eu aluguei “Amor à distância”/ Going the distance. É uma comédia romântica bonitinha :) Os personagens não são clichês, tem algumas cenas engraçadas. A irmã da Erin, com mania de limpeza, e o colega de quarto bizarro do Garrett são engraçados sem forçar tanto. E há uma ou outra surpresa no caminho, o que torna este um exemplar do gênero mais inteligente. Embora… ah, eu tinha criado expectativas demais sobre o filme, por isso não me diverti tanto.

Agora! O que eu quero escrever mesmo é das indicações pro Oscar! É lóoogico! Adorei que este ano são 10 filmes, caso contrário, alguns dos que eu adorei não entrariam na lista… Vamos nos preparar? Peguei as datas de estréia segundo o cineclick:

28/01 – Inverno da alma
04/02 – Cisne Negro
04/02 – O vencedor
11/02 – Bravura indômita
11/02 – O discurso do rei
18/02 – 127 horas

E se você perdeu “Minhas mães e meu pai”, assim como eu, é torcer pra abrir horários nas salas de cinema só porque foi indicado (ou talvez alugar?). “A rede social” eu estava evitando, porque sei que vou ficar com raiva do filme… mas não vai ter jeito, né?

E se você ainda não viu “Toy Story 3” e “A origem” – pelamor!!!!! Veja, porque esses eu sei que vale a pena mesmo.

Me desejem fôlego e tempo ($) pra cruzar a linha de chegada ;)

Não era pra ser assim

Esta semana acaba a novela do Vale a pena ver de novo. Chamava-se 7 pecados. Fico imaginando quando o autor e o produtor foram conversar e propor a novela. “vamos fazer algo diferente desta vez. algo novo”; “lembra do Seven, com o Brad Pitt?”; “e se a gente mostrasse como o homem pode sucumbir aos 7 pecados?”. Sério, fico imaginando que tiveram ideias mirabolantes, tramas interessantes… só que aí precisavam incluir atores bonitões, um núcleo de comédia, algumas reviravoltas de amor e coisinhas clichê – afinal, se não tiver isso, não é novela… E aí, imagino que chegaram num ponto em que ficou tudo  degringolado, desesperados pelos prazos a cumprir e estrelismos a satisfazer, disseram “vamos esquecer disso, vamos dizer que todos os pecados são uma coisa só e pronto”.

É. É assim mesmo. Na vida real o é, porque não seria na ficção? Se tudo fosse perfeito como planejado, ficaríamos aborrecidos, não teria graça.

De modo que não era pra ser assim. Era pra ele ter me respondido, o passo seguinte talvez skype, telefonemas e mimos por correspondência. Em 2012 viajaríamos juntos pela terra do sol nascente. Em Tóquio, maluca e incongruente, daríamos risada juntos de descobertas bizarras. Eu iria para Alemanha no final do ano e nos casaríamos em 2014.

É. É assim mesmo que as coisas não acontecem.

Retrospectiva 2010

2010 foi um ano de ondas. Parece que eu estava navegando, sem preparação, mas com coragem, em um oceano inusitado. Tive que lidar com uma onda de cada vez e sinto que muitas pessoas conhecidas tiveram altos e baixos. Embora, minhas oscilações de humor foram bem mais amenas – e fico extremamente feliz com isso.

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Sobre a relação com o grande amor da minha vida… (o cinema) foi bem bizarro: sinto que vi mais filmes pela telinha de um assento de avião do que pela telona de uma sala escura. Em julho e setembro fui para o Japão, depois em outubro pra São Francisco – nunca viajei tanto pra fora, num mesmo ano. Nessa lista entram: Homem de Ferro II, Alice no país das maravilhas, Uma noite fora de série (só por causa da Tina Fey e do Steve Carell, mas sabia que não ia ser tãooo bom), Idas e vindas do amor (o comentário da Julia Roberts no final foi ó-te-mo), Esquadrão Classe A (Junto com “Se beber não case”, concluo que Bradley Cooper é o cafajeste da vez)… além de outros vários títulos desprezíveis ou que nem lembro mais – como o japonês que mostra a sede de matar das crianças (>P).

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Mas falando do início do ano, teve a minha tradicional maratona de filmes indicados ao Oscar. Desses, posso destacar “Bastardos Inglórios” – com cenas fortes e marcantes, e eu achava que Tarantino não podia ficar melhor que “Cães de aluguel” ou “Pulp Fiction”, mas este me fez até esquecer de “Kill Bill”.
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Eu estava num emprego novo, e no final de abril fui para Paris! A primeira vez na Cidade das Luzes, depois de um treinamento num Chateau, conhecendo pessoas variadas e maravilhosas = viagem inesquecível. Tudo me fez rever “O fabuloso destino de Amélie Poulain” agora no Natal, com um gostinho a mais.

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Teve também o final de LOST, a série mais badalada e comentada dos últimos tempos. Desmond foi definitivamente meu bonitão favorito e o Locke tocou fundo no coração nestes últimos 5 anos (conheci a série em 2006), por isso, me emocionei bastante.

Só que eles perderam pra “Toy Story 3”. Nada melhor que celebrar a vida por ter amigos! Eu vi esses brinquedos nascerem quando CG ainda despontava, era 1995 quando eu tinha delírios de fazer cinema em grandes produções, lembrou-me de como eu queria fazer animação com a Disney… foi como me despedir de amigos de longa data, chorei feito criança mesmo.

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Mais agora pro final do ano, fechei com o ótimo “Tropa de Elite 2”. Até que este ano vi bastante filmes nacionais (É proibido fumar, Nosso Lar, Lula – filho do Brasil, pra citar alguns). Capitão Nascimento virou herói nacional, antes ele batia em neguinho que assola a classe média, agora ele pega uns políticos de jeito. E aí, não dá pra evitar: contrariando qualquer um, em especial críticos, estudantes ou entendedores de cinema, se dependesse de mim, o candidato para o Oscar seria o Tropa.
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Dentre os filmes alugados, pra dissolver minhas agruras: “500 dias com ela”. Sem demais comentários, pra quem me conhece.
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Agora, o filme do ano. 2010 vai ficar na minha memória como o ano em que consegui ver um filme do Leo DiCaprio no dia do meu aniversário! “A origem” (Inception) pode não ter sido o filme da década, mas é o “meu” filme do Leo! Querer viver no mundo dos sonhos, mas terminar vendo os castelos de areia ruindo… Quero um autógrafo do Christopher Nolan.

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Aliás, muitas pessoas este ano não fazem só a retrospectiva do ano, mas da década. Sobre cinema, o blog da Ana Maria Bahiana tem um post bem legal sobre isso.

Ufa! Você conseguiu ler até aqui? Parabéns!!!!! Hahaha
Grande abraço e que 2011 seja outro ano incrível. :D

Combinação elementar

Olhava a chuva sob luz sépia, envolta pelo breu. Veio um amigo.
– Novamente a mesma história. As pessoas às vezes não percebem que podem magoar com palavras. E no fundo, no fundo, eu fico triste. Pôxa, é lógico que eu queria ter alguém pra passar o resto da vida junto, entende? Só que não deu, ué.
– A idade de casar?
– Odeio essas convenções. Por que nós não podemos simplesmente viver nossa vida, e um dia encontrarmos o amor, assim, naturalmente?
– Você também odeia quando tentam de “empurrar” alguma coisa…
– Certeza!
– Mas você devia estar feliz… não rezou desesperadamente para parar de falar o nome dele?
– Eu ainda falo o nome dele, sabia?
– Mas não é todo dia, toda hora.
Rezou desesperadamente para poder esquecer um pouco, não pensar tanto nele. E conseguiu.
– É, consegui trombar com meu carma de novo. Gostar de alguém com quem não posso ficar.
– Mas você estava tão animada! Falando em se “preparar” para receber essa pessoa especial na sua vida…
– Como o cérebro humano funciona? Não, sério. Ou talvez, melhor: como o coração humano funciona?
– Hein?
– É muito louco isso. De repente você gosta de alguém e começa a notar pessoas nas ruas com o mesmo corte de cabelo ou porte.
– Bem, acho que você quer dizer como o seu cérebro funciona, né…
– Pois é! Fico lembrando de quantas vezes eu achei que tal fulano era minha alma gêmea.
– O primeiro foi aquele loiro, né? Por que mesmo que você achou que ele era sua alma gêmea?
– Primeiro porque ele era loiro. Depois li em algum lugar que seu sonho era viajar pelo mundo, sua cor favorita era verde e ele adorava Beatles.
– E agora? O que faz você pensar que ele é o cara com quem você deveria casar?
– Ele ama Beatles também. Escreve, compõe poesia… e acho realmente que combinaríamos fisicamente.
– Elementar, meu caro Watson.
– Não, pode parecer normal, mas realmente acho que a gente combinaria. Sem falar de outras coincidências.
– Como, por exemplo, que os dois sonham demais. Talvez não dê certo.
– Ah! Mas aí é que vem a combinação elementar.
– Ok. Vamos lá…… [respira fundo] O que é a combinação elementar?
– Ele é aquário, ascendente peixes. Eu sou virgem, ascendente sagitário.
– Ai, puxa.
– Sério. Pensa, aquário é elemento ar, que combina com sagitário, que é fogo. Ao mesmo tempo, o virgem de terra contrabalanceia a água, que é peixes.
– Um sinal interplanetário, astrológico.
– Não é perfeito?

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Scott Pilgrim contra o mundo

 

(Scott Pilgrim vs. The World / 2010) ***

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(Scott Pilgrim vs the World)

A história: Scott Pilgrim, baixista da banda Sex Bob-omb, quer namorar Ramona Flowers, mas precisa derrotar seus 7 ex do mal.

:D – Senti um mal estar (literalmente) depois de ver esse filme. De certa forma, toca em algumas feridas antigas, e até imaginei meu ex vendo o filme e sentindo que sua vida estava passando na tela… Eu seria Knives (e só quem já foi Knives da vida sabe como é difícil. Os Scotts da vida nunca vão entender…)

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Mas o filme é um entretenimento tão bom, mas tão bom, que usei uma vida e passei por cima dessa fase. Não tem como um jovem que cresceu nos anos 80/90 não curtir. Já tachado como o melhor filme de video-game que não foi baseado em video-game, do nada surge um vilão do mal e parece que a gente tá jogando Street Fighter. O herói magrinho e inocente consegue sair com a garota misteriosa e bater um monte de dublês de uma super celebridade. Um embate entre baixistas tem a nota musical traduzida por animação e o super ex Vegan (meu ex do mal favorito!) é abatido pela polícia – “Frango não é vegan?” hahahahaha

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A princesa Peach muda de cabelo igual a Clementine de Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças… Até os personagens menores são únicos e fortes, a realidade é invadida por um milhão de efeitos e desenho animado, embalados por uma trilha pop-rock, traduzindo pra tela todos os sentimentos, sem medo de ser diferente e sem enrolação. Por que não fez sucesso? Eu sei lá, mas fazia tempo que eu não ria e me divertia tanto no cinema…

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His Yoko


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Originally uploaded by D Suzuki

Eu não vou ver o Paul esta noite. Eu também não fui ver o Mika, nem o Kevin Costner.

Ai, saudades de tudo que ainda não foi!!!

* * *

Aí estavam lá, naquela mesa de bar, já a altas horas, embalados por goles de diferentes etílicos. Ficara sabendo que há um ano existiu uma tal aposta, em que o objetivo era saber de quem ela estava a fim. Acharam que nunca teriam a resposta do ganhador da aposta. Ela não acreditou que não sabiam realmente essa resposta. “Mas não é óbvio?”

A  única pessoa a quem ela havia escrito. Explicou que a primeira vez que viu a banda tocar, adorou o som deles porque fez ela ressuscitar em si o amor pela banda original… Aos poucos ficou sabendo um pouco de cada um, mas o que mais lhe chamou a atenção foi os escritos fantásticos e algumas coincidências. Destino?

A garota argumenta que se afastou depois porque sabia que ele estava comprometido, e ela não era esse tipo de garota. Explicou o que admirava tanto nele e que ela própria não se considerava um bom par para ele, pois ele é extrovertido, “boa pinta”, o cara que todo mundo adora, engraçado, inteligente, culto, sensível e divertido. (Tudo bem, não diria tudo isso. Especialmente a parte do “e tão fofo!”). E ela se considera tímida e reservada, séria e chata demais.

Ah! Lembrando que esta conversa se daria no meio do próximo ano… ela já teria uma noção bem maior de outra língua e saberia uma ou outra música em violão. Re argumentaria que ela já sabia do Chico e que gostava de Beatles – então seria mais do que suficientemente, não precisava de mais nada pra fazer o Thi feliz. “Rose” quase que o repreenderia, mas sabia que Re sempre achou que o Thi merecia mais do que a atual. Com as brigas e picuinhas infelizes e cada vez mais constantes de ultimamente. “Quem sabe? E se… imagina. E se, na verdade, Ana não é realmente a garota certa pra ele? E se ele estiver deixando ir embora da vida dele a mulher do destino, sua alma gêmea, a pessoa com quem realmente pode ser feliz?”.

(…) “Pensa! Você pode ser a Yoko dele.”

E aí estava. De repente, tudo fazia sentido, tudo se encaixava mais uma vez. Outra coincidência. Ou… destino?