Confissões de adolescente (I)

Só pra ninguém achar que eu fui pro Japão e derreti com a radioatividade, depois fui levada pelas águas do tsunami… aqui estou! Sim, o blog fica um tempo parado, mas a ideia é que eu sempre voltarei (até desintegrarem, como foi com o Spaces).

Bem, ontem eu fiz a proeza de ouvir Manu Gavassi, Rebecca Black e Justin Bieber em um só dia. Não por gosto, mas porque todo mundo fala deles, são os novos ídolos teen tal – e já faz algum tempo que venho me sentindo adolescente de novo. Muitos sonhos, caraminholas na cabeça, pouca sensação de realizações, dúvidas e incertezas quanto ao futuro. Mais até, volto ao estado solitário e à vontade de ficar o dia inteiro comendo porcaria e vendo filmes bobos. Vago pela internet sem achar muita graça, choro pelas escolhas erradas, tenho uma vontade imensa de me reinventar completamente, mas não tenho dinheiro.

Só pela descrição acima acho que conseguem perceber que a escolha musical não ajudou em nada – vou procurar algum blues. Não é adolescência, é crise de meia-idade mesmo! Guerras, enchentes, o mundo se acabando lá fora, e o mundo desmoronando aqui dentro…

Sabe quando, de vez em quando, a gente fica com vontade de não ter existido? Às vezes eu quero fazer um milhão de coisas e mudar o mundo, outras eu acho que é melhor só trabalhar sem parar e aí tem aquelas horas assim. Estes dias eu tenho tido isso, minha cabeça gira sem parar e, entre querer tanta coisa, acabo não querendo mais nada.

Eita, que desabafos não eram pra ser neste blog. Melhor voltarmos pros comentários audiovisuais.

Adolescência temporã. É uma fase, vai passar.

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Maratona cumprida. Banho, água e festa

Em outros anos e outros blogs eu já tinha feito algo semelhante a esta maratona: ver pelo menos os filmes indicados à categoria “melhor filme”. Mas, pela primeira vez, estou eu aqui, a poucas horas da festa. Algumas pessoas já passaram pelo tapete vermelho (e eu acho linda a Anne Hathaway – ainda mais vestida de vermelho!). E o que euzinha estou fazendo?

Bem, comia lasanha e com vontade de ver Entourage, recentemente descobri um novo vício (frozen yogurt), mas hoje vou optar pelo vício antigo mais tarde (pipoca com manteiga e queijo). E não participei de nenhuma promoção de palpites, mas… que tal a lista dos Oscars que eu daria?

Filme: A rede social
Diretor: David O. Russell (O vencedor)
Ator: Colin Firth (Discurso do Rei)
Ator coadjuvante: Christian Bale (merecedíssimo)
Atriz: Natalie Portman (Cisne Negro)
Atriz coadjuvante: Melissa Leo (O vencedor)
Roteiro adaptado: A rede social
Roteiro original: A origem
Melhor animação longa metragem: Toy Story 3
Direção de arte: O discurso do rei
Fotografia: Cisne Negro
Figurino: Alice no país das maravilhas
Montagem: A rede social
Trilha sonora: A rede social
Canção: We belong together (Toy Story 3)
Edição de som: A origem
Efeitos sonoros: A origem
Efeitos visuais: A origem

Na verdade, por razões pessoais, daria o melhor filme para “A origem” também… hahaha Lembrando, de novo, que esses são os que eu daria, mas… como verão, o resultado será diferente. O único que eu quero meeeeesmo que ganhe: Christian Bale!

Xenti! Tô pensando em largar tudo, fazer curso de dublagem e trabalhar com isso. O que acham? XP E o curso de cinema? Ainda acham que me vale a pena? Sei não…… acho que é carma, melhor deixar de lado, não levo jeito mesmo pra isso. Mas, por enquanto: maratona cumprida, banho, água e festa :)

O vencedor

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(The fighter / 2010) ***
História: um jovem lutador de box busca ascensão na carreira enquanto lida com irmão, ex-lutador e viciado em crack, com a mãe e com a namorada.
:D: Este ficou por último porque eu pensei: “ah, outro filme sobre box indicado ao oscar…” E sem saber de nada, lá fui eu ser arrebatada por um bom enredo, uma direção segura e planejada, uma película forte e uma atuação estupenda. A reconstituição de época está perfeita, Mark Whalberg está contido, o que é a medida certa para seu personagem. Melissa Leo é a mãe que protege o filho mais velho e conseguiu uma profundidade exímia. Amy Adams muda um pouco o tom, comparando com outros filmes seus, fazendo a namorada desbocada – e totalmente plausível. Mas quem rouba o filme é com certeza Christian Bale. O cara já costuma ser bom, mas sua entrega a este personagem, no físico, nos trejeitos, no olhar, na respiração, ganha a platéia e sensibiliza. Ninguém é totalmente ruim ou bom, e é por focar mais nos personagens e não na estrutura clássica do gênero, que o filme ganha proeminência. Não é preciso explicar, nós entendemos por que o lutador precisa da família toda pra ser um vencedor. É porque entendemos isso que o filme merece ser visto (e indicado aos prêmios…)

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Minhas mães e meu pai

(The kids are all right / 2010) **
História: os filhos de um casal lésbico encontrando o pai biológico e resolvendo alguns conflitos internos.
:D: as pessoas vão me chamar de homofóbica com esta crítica, mas eu tava torcendo pra Jules (Julianne Moore) e Paul (Mark Ruffalo) ficarem juntos. Não porque eu não acredite em casais lésbicos, simplesmente porque o Ruffalo é legal demais no filme, os dois tem a “vibe natureba” – e não faz sentido criar uma relação ali, se não fosse para explorá-la (seria tão mais legal do que ela simplesmente virar pra ele e dizer “eu sou gay” – tipo… usou ele pra quê então?). Vix, pronto, escrevi com spoilers mesmo. Mas tudo bem, porque nem vale tanto a pena ver. O filme é até bacaninha, rende alguns risos, talvez queira mostrar algo diferente, mas a história e a concepção em si não são nada de extraordinárias.

p.s. eu sei porque foi indicado ao Oscar. Mas só pra verem como não concordo, nem me dei ao trabalho de procurar uma foto e postar aqui.

O Discurso do Rei

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(The king’s speech / 2010) ***
A história: o então príncipe George VI precisa vencer seu problema de fala para substituir o irmão Edward, tomando o posto de novo rei da Inglaterra.
:D: Óbvio que a gente não pode deixar de falar de Colin Firth, George VI neste, que não é só um charme, mas muito competente. Conseguimos realmente sentir na pele como é difícil a situação em que ele se encontra, sentimos no ar o atrito. Helena, como a esposa, faz uma interpretação correta (tão estranho não vê-la fazendo bizarrices nos filmes do marido, Tim Burton) e Geoffrey Rush está ótimo como sempre – seu Logue é convincente e o público pode sentir empatia automática com ele. Toda a parte técnica do filme funciona muito bem, cenários, aparatos, posturas – tudo muito verossímel. Mas o divertido mesmo é ver Colin tentando falar palavrões, em contraste à toda pompa e pose inglesa…

Bravura Indômita

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(True Grit / 2010) ***
A história: garota de 14 anos quer punição para o assassino de seu pai e contrata um velho federal destemido.
:D: Eu não assisti ao filme original, porque sei que ia ficar comparando. Mas até que, para um espectador atual, é um velho-oeste bem divertido. O toque de humor, creio eu, é o tempero dos irmãos Coen (diretores). A história em si não é tão surpreendente, mas o “como” contar é que faz a diferença (aliás, cada vez mais, para Hollywood). A não-tão-pequena Hailee, que faz a garota Mattie, consegue ter a dose certa de força, coragem, astúcia e inocência. Jeff Bridges é um dos queridinhos de Hollywood não por acaso – o cara pode fazer um beberrão folgado e a gente ainda gosta dele. Já Matt Damon me rendeu boas risadas internas só com o visual… O filme é um todo bem conduzido e só o encontro com o veterinário vestido de urso, mais Mattie tirando a arma enrolada no pano, já valeu o ingresso pra mim xD~

127 horas

(127 hours / 2010) ***
A história: um alpinista sofre um acidente e fica preso por uma pedra em um local totalmente isolado.
:D: Vejo um ponto em comum em todos os filmes de Danny Boyle: ele viaja nas ideias. (Acho mesmo que ele usa muitas drogas ou talvez só erva, mas enfim). Dito isso, também adoro as escolhas musicais pros seus filmes, também me surpreendo bastante com as diferentes formas pelas quais ele experimenta contar uma história, e pela variedade de temas em si. Neste filme, isso tudo está lá, inclusive o desespero de seus personagens principais, que sempre são testados ao limite. Não são filmes pra qualquer espectador, mas são no mínimo interessantes. É uma história difícil de colocar em tela, mas a alternância com os sonhos e as lembranças buscam deixá-la mais dinâmica, até divertida por vezes. Eu não me empolguei tanto com o filme, mas me perguntei: se eu estivesse no lugar de Aron, o que será que eu faria?

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(acima, não o cartaz do filme, mas capa do livro – o verdadeiro Aron Ralston)