Over informação

osama-twuthrich

– Não é Kill Bill. Kill Bin Laden. Com um quê de vingança.
– hahaha Com a diretora que já estava pesquisando o assunto… como é que eles chamam quando tudo se encaixa?
– Triângulo das Bermudas.
– Wow. Esta é velha, hein? Sintonia de Amor!
– É!!! E logo, logo, vai ter a história de amor de Kate e Wills. Oh!
– Quem seria o autor?
– Richard Curtis, ninguém menos!
– O Hugh Grant ia pintar o cabelo de loiro…
– E ficaria anos mais jovens com CG!
– hahaha A-do-rei!
– Wazzuuuuuuuuuuuup?
– Wazzzzzuuuuuuuuuuuuuuup?!!
– Ai, Syd*, saudades de você, meu querido.
– Você acabou não falando o filme.
– Foi… Bem, na TV aberta este era o título: O melhor amigo da noiva.
– Espera. Como é o título daqueles ingressos que você ganhou?
O noivo da minha melhor amiga.
– Ahn. Você sabe que essas piadas só funcionam por decodificação, não?
– Claaaro! Por isso mesmo é que é legal!
– Tudo bem.
– Sei lá, sempre que vejo você nessas pontas… Imagino um set bacanudo, com você contando alguma piada e a equipe rindo um pouco. Ai, manda um abraço de novo pra Liz**. Sabia que ela não resistiria muito tempo sem o MJ*** por aqui.
– No problem, baby. E ela também acha tudo um exagero.
– Não é? Olha só. Eu liguei a televisão e vi aquele monte de gente, em várias localidades diferentes dos EUA, fazendo aquela festa! Por uma desforra! Foi bizarro.
– Aposto que começou a te enojar eles quererem descrever cada mínimo detalhe do vestido da Kate!
– Exageeeerooo!
– É a era da super informação. Tsunami, vulcão, direitos florestais, Festival de Cannes – tudo misturado num balaio só. A última notícia que o mundo parou pra ver.
– Uma coisa atrás da outra! É a era da over-informação. Nós nunca tivemos tanta liberdade de escolha na história da humanidade. Podemos vestir o que quisermos e “fazermos a moda”. Podemos comer, na mesma semana, pratos de países diferentes e distantes. Temos acesso a praticamente tudo pela internet.
– E tudo isso é over? Não é bom?
– Eu fico completamente perdida com tudo isso. Não consigo acompanhar. Tem gente demais no mundo, tem informação demais, tem escolhas demais. Acho que muita gente é como eu. Aí, certas coisas perdem o valor. A gente acaba esquecendo tão rápido quanto veio, porque, afinal, temos contas pra pagar no fim do mês e um parente está doente.
– Talvez este seja exatamente o ponto. O que realmente importa? Mais cedo ou mais tarde a humanidade chegará num limite de dar valor ao que deve se dar. Não a uma convenção social, não a uma ideia imposta, não ao que se acha que devemos nos importar com.

– Eu sei lá… Anda meio amuada. E é nestas épocas que eu volto a conversar muito com o Leo. Que começo a ver filmes desenfreadamente. Tentando fugir da realidade, talvez, mais do que o normal?

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– Mas achei muito bonito, elegante. Naquela manhã, pensei: hoje é o dia de todas as meninas imaginarem como seria se casar com o seu príncipe encantado. E depois de uns dias aluguei A princesa e o sapo. Minha mãe adorava a Lady Di e achou sem graça. Perspectivas.
– Você anda mesmo sumida. E… só queria te dizer que tá tudo bem, viu? Você não precisa tentar tanto, fazer tanto esforço. Não precisa ser a super heroína na era da super informação.
– Será? Que encontrei o amor da minha vida e só ele me basta? Será que virão agentes pra tentar nos separar, porque senão nunca serei nada na vida? Ou será que está tudo bem eu nunca ser nada na vida?
– Ser algo na vida é referencial. Do que você está falando agora?
– Um conto de Philip K. Dick. Amei o filme! Vou escrever algo sobre isso.

  • Legenda:
    *** = Michael Jackson
    ** = Elizabeth Taylor
    * = Sydney Pollack

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  • Um caminho de volta – ao contentamento descontente

    E deitou-se. Deixou-se. Os músculos do corpo ainda doloridos. Olhava para o teto. E por aquele momento, somente por um segundo, lembrou dela. Por que ainda pensava nela? Depois de todos aqueles anos?

    De repente (na verdade, de tempos em tempos era algo que acontecia, involuntariamente), crescia dentro do peito aquela coisa enorme… a saudade. Perguntou-se como teria sido se estivesse ao seu lado naquele instante, naquele lugar envolto pela natureza. Indagou se ela havia mudado. Quer dizer, dificilmente o ser humano muda, mas ele próprio já tivera passado por tanta coisa. É claro que muitas das coisinhas chatas (aqueles defeitinhos adoráveis) perdurariam. Mas. Será que depois de tudo que tinham passado… e depois de todos aqueles livros de autoajuda que ela lera, será que alguma coisa não havia mudado?

    Será que ela não teria compreendido que ele não queria nada além? Que ela não precisava ser melhor que suas amigas, que ela não precisava ser mais inteligente que ele, que ela não precisava, simplesmente. Será que ela não teria desejado voltar no tempo e ter ficado contente? Não, não o conformismo, como alguns poderiam taxar. Mas apenas contentamento. Ter se contentado, ser contente. Por ter alguém especial na sua vida.

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    Será que ela não teria percebido, afinal, que ele só precisava do sorriso dela? Da sua admiração. Que não era desafio, que não estava pedindo ou exigindo mais. Só precisava de sua companhia, do alguém ao seu lado. E se ela estivesse feliz só por isso, ele também estaria. Será que ela não teria percebido que ele gostava dela, mesmo sem saber demonstrar?

    E ele já tinha vivido o que poderia chamar de melhores anos da vida. Tinha vivido tudo o que esperava viver e não tinha, neste interim, encontrado o algo a mais que um dia acreditou desejar. E na verdade, já não importava mais. Tinha encontrado tantas pessoas, e visto tantas coisas, e vivido. E, puxa! Dentre todas aquelas mulheres maravilhosas, não fazia sentido, mas queria tanto compartilhar essas histórias com ela. Como o Jerry Maguire, percebeu que era só aquela garota com quem queria dividir o momento.

    Mesmo não sendo super apaixonado, como mandam os filmes de Hollywood. E brigariam por várias razões, sim, sabia disso. Mas sempre gostaria dela, sabia disso. Pois é assim mesmo, um contentamento descontente.

    Nunca vou fazer cinema ou Virando monge

    “Não consigo pagar sozinho” mais uma nota de 50 reais – pra pagar uma conta de 550, detalhe que a conta já tinha vencido no dia anterior. E eu faço o quê? Eu fico com dor de cabeça, eu tenho vontade de chorar, eu desisto de tudo mais uma vez.

    Eu NUNCA vou fazer cinema. Alguns amigos já devem ter notado a desistência desde já há alguns anos.

    É assim que funciona o carma. Às vezes não temos virtudes ou méritos suficientes para fazermos algo na vida, porque as influências do passado são grandes demais para ultrapassarmos. No caso, o carma financeiro dos meus pais (um ciclo de dívidas sem fim e inaptidão para se estabilizarem) reincide sobre mim, impossibilitando que eu faça o que eu quero. E entregar tudo na mão da sorte (neste caso, uma bolsa de 100%) dificilmente dá resultados.

    Hoje de manhã o que eu pensava era: “devia ter feito cinema. Devia tê-los feito pagar, porque na época podiam. Agora vou ter que prestar concurso pra poder sustentar a casa toda e de nada vai adiantar eu ter feito qualquer faculdade. Pelo menos eu teria os anos de cinema pra me consolar”. E hoje de tardezinha eu pensei: “é como virar monge mesmo. Abdicar de tudo, de qualquer desejo, viver em prol do próximo”. E vai ser assim. Só comer coisas simples (o carma da diabete me compele), vestir roupas simples, limpar a casa e a alma, exercitar o corpo, agradecer pela natureza e esquecer de qualquer desejo mundano (desde um marido até as superficialidades para o ego). Não lhe parece? Uma perfeita vida de monge?

    O paradoxo é ter que sair do templo pra abraçar esta vida. É que, senão, não consigo sustentar a família. Não sei se alguma alma a ler este post vai compreender realmente. A maioria das pessoas que conheço tem pais que conseguem pagar suas contas, os jovens trabalham, mas o dinheiro é só pra si, e não para pagar o aluguel ou tentar ajudar numa compra de mercado pra uma família de 5. Podem comprar suas coisinhas, fazer o que quiserem e, às vezes, ainda tem uma ajudinha. Sei também que muitos não têm isso, saem de casa pra fazer a vida (ou perdê-la).

    Talvez, ser um monge inserido na sociedade seja ainda mais difícil – exatamente por existir a comparação e porque ninguém o vê como monge, apenas como outra pessoa normal. Ninguém percebe como é difícil escolher, mudar, não é explícito e óbvio, parece um ato pequeno. Mas, ainda assim, constitui um ato grandioso – pois vai na corrente da evolução, propósito final ao qual acredito servir a existência de cada um aqui. Então este é meu treinamento para evoluir…

    O texto tá grande, eu sei. Já descrevera no Aviso anterior, né? Séries de desabafos, na curva da melancolia.

    Aviso: estrada da melancolia adiante [1]

    Tinha algumas coisas legais pra escrever, mas vou adiar os posts de filmes porque tô precisando desabafar. Sim, derrapando e descendo a ladeira da depressão abaixo…

    Ah, e só para fazer justiça, caso se percam os filmes – como é de mal costume desta autora – deixo aqui registrado: teve Bruna Surfistinha (interessante – sério mesmo, não é tão ruim como pode-se pensar), Enrolados (romântico e engraçado, com a cena das lanternas me lembrando o Havaí e me fazendo arrependida por não ter visto em 3D), Percy Jackson e o ladrão de raios (bacaninha por trazer pra nós a mitologia, mas tão previsível…), Surpresas do amor (aquele dos 4 natais com o Vince Vaughn, até que rende umas risadas), e acho que teve outros, mas não lembro :(

    Algo que cinge (fragmento épico)

    A chuva era torrencial. Como suas lágrimas. Encolhida sob seu manto, observava as gotas batendo no vidro da enorme janela que a protegia da escuridão exterior. Em intervalos irregulares, o relâmpago de raios, seguido pelo estrondoso trovão, deixava um clarão em que se percebia a miséria e a perdição daquela terra.

    – Acha que teria sido diferente? Se soubessem, se tivessem consciência, de que estão levando a si mesmos ao seu próprio fim? Acha que teriam agido de outra forma e poderiam, desta vez, se salvar? Ou será uma espécie fadada à extinção, independente de quanto tempo passe, de quantas vezes a mesma história se repita?
    – E tu? Não tens medo de mim?

    Silêncio.
    – Foi um massacre. E eu permaneço impassível, nenhum choque, nenhuma lágrima. Lembra-te de toda aquela comoção, por aquela criança tão pura, morta em um crime premeditado, por pais de falso remorso? Lembra-te de como multidões se apavoraram diante da ameaça fundamentalista e de como eu não via sentido para todas as providências tomadas pelo representante daquele povo? Deve, ainda, estar fresco em tua memória. A falta de sentimento diante daquela catástrofe que comoveu a tantos. Tu continuas a me acompanhar nesta jornada? Não tens medo?
    – A tua força és descomedida. Continuo. Não por promessa ou dívida. Por acreditar. Se existiu alguém na face desta vasta terra, com quem já encontrei e acreditei que pudesse salvar a toda esta gente… És tu.
    – Como? Como sabes que ao subir ao poder, simplesmente não aniquilarei toda esta gente fraca e vil?
    – Pois sei que tuas lágrimas não são por nojo. Nem por medo. Não são porque não querias estar aqui. Tuas lágrimas discorrem da falta de luz. Do desperdício de tempo. Por saber que dentro de cada pedaço de vida, mesmo neste lugar, existe algo que cinge.

    Reflexão.
    – Por quê? Por que esperam pelos grandes nomes, por grandes feitos? Por que a impotência, a falta de crença? Não sabem que podem ser heróis só pelos pequenos gestos, à sua volta, apenas com o que está ao seu alcance…
    – Partiremos sem tardar após o breve descanso, majestade. A jornada ainda é longa.

    Community – season 1

    História base: um advogado (Jeff) perde a licença e precisa refazer aulas para poder trabalhar de novo. Numa “community college” ele pode passar pela vida de faculdade com o mínimo esforço, pois não é pra ser levada a sério, é um local para donas-de-casa divorciadas (Shirley), senhores de idade que querem manter a mente ocupada (Pierce), desistentes de colégio (Annie, que esteve em reabilitação; Troy, que era jogador de futebol e se machucou) ou que não conseguiram terminar uma faculdade decente (Britta), além de outros seres bizarros (Abed)…

    community[1]

    :D – primeira impressão da Denichan: UOU. Adoro séries que me fazem dar risada do nada (The office, The Big Bang Theory), e Community já ganhou meu coração. É lógico que meu personagem favorito é o Abed, com suas referências à TV e filmes, mas o elenco inteiro é muito bom demais da conta, todos tem alguma coisa que faz a gente rir. No início da temporada o negócio ainda era meio morno, mas de repente veio um episódio atrás do outro com enredos divertidíssimos – eu vi um após o outro sem saber o que esperar (afinal, alguém espera um grupo mafioso de frango frito?). O meu favorito é o “Debate 109”, quando Jeff cogita pela primeira vez que Annie tem sex appeal, e é lógico, o “Modern Warfare”, em que o campus vira um campo de guerra de paintball.

    jeffannie[1]

    E só pra verem como gostei mesmo da série, vou colocar aqui um adendo: acabou o último episódio e eu fiquei me xingando meia hora e depois fui analisar como é que eles tinham elaborado a história do Jeff e da Annie, como é que eles tinham feito eu torcer mesmo por este casal! Obviamente, a ideia original de casalzinho principal era Jeff/Britta, mas alguma coisa ali no meio mudou (e eu culpo a excelente química entre os dois atores. Mais além, o eterno desafio dos opostos que se atraem: cara mau/garota boazinha, mais velho/novinha, sabe-tudo/menina ingênuazinha, desleixado/certinha, pegador/romantiquinha…). Sei que “o show tem que continuar”, então provavelmente não vai dar em nada, mas adorei e torceria pro Jeff & Annie, com um completando o outro, trazendo algo no outro que faltava – awnnnnn… meu casal favorito das séries atuais!

    Confissões de adolescente (I)

    Só pra ninguém achar que eu fui pro Japão e derreti com a radioatividade, depois fui levada pelas águas do tsunami… aqui estou! Sim, o blog fica um tempo parado, mas a ideia é que eu sempre voltarei (até desintegrarem, como foi com o Spaces).

    Bem, ontem eu fiz a proeza de ouvir Manu Gavassi, Rebecca Black e Justin Bieber em um só dia. Não por gosto, mas porque todo mundo fala deles, são os novos ídolos teen tal – e já faz algum tempo que venho me sentindo adolescente de novo. Muitos sonhos, caraminholas na cabeça, pouca sensação de realizações, dúvidas e incertezas quanto ao futuro. Mais até, volto ao estado solitário e à vontade de ficar o dia inteiro comendo porcaria e vendo filmes bobos. Vago pela internet sem achar muita graça, choro pelas escolhas erradas, tenho uma vontade imensa de me reinventar completamente, mas não tenho dinheiro.

    Só pela descrição acima acho que conseguem perceber que a escolha musical não ajudou em nada – vou procurar algum blues. Não é adolescência, é crise de meia-idade mesmo! Guerras, enchentes, o mundo se acabando lá fora, e o mundo desmoronando aqui dentro…

    Sabe quando, de vez em quando, a gente fica com vontade de não ter existido? Às vezes eu quero fazer um milhão de coisas e mudar o mundo, outras eu acho que é melhor só trabalhar sem parar e aí tem aquelas horas assim. Estes dias eu tenho tido isso, minha cabeça gira sem parar e, entre querer tanta coisa, acabo não querendo mais nada.

    Eita, que desabafos não eram pra ser neste blog. Melhor voltarmos pros comentários audiovisuais.

    Adolescência temporã. É uma fase, vai passar.