Cisne Negro

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(Black Swan / 2010) ***

História: uma bailarina ganha o papel principal do espetáculo, substituindo uma grande bailarina em decadência. Lidando com o forte diretor, a rivalidade das colegas e a expectativa da própria mãe, tenta chegar à perfeição de encarnar dois lados opostos de um mesmo personagem.
:D – uma daquelas produções obra-de-arte que o cinema consegue produzir. Eu sempre admirei a Natalie Portman (desde O Profissional, passando pela sua maturidade em V de vingança e Closer – perto demais). Ela é linda, sexy, perspicaz, inteligente, talentosa – tem mais é que ganhar um Oscar mesmo, porque este é o modelo a que as meninas devem aspirar. Mas pra ficar tão soberba neste filme, ela também conta com a ajuda de uma impecável direção de arte, de outros atores tão competentes quanto, da maravilhosa câmera sensível do diretor e, obviamente, da trilha sonora instigante. Como se não bastasse tudo isso, o filme é inovador em si por constituir-se num debate/embate sobre o “bem e o mal” dentro de cada um, mas sendo um thriller psicológico com movimentos de suspense e toques de terror (!). O mundo do balé nos é apresentado em suas minúcias, mas a história transgride o lugar comum, com boas doses de sexualidade, que aqui fazem sentido (!!) – para pontuar a oposição entre o Cisne Branco (alvo, doce e puro) com a emergência do Cisne Negro (sensual, provocador, impetuoso). Assim, é sacada de mestre usar o jogo de espelhos tão inspiradoramente para trabalhar a dualidade, pois este é o principal conflito da história. Sentimos a tensão e nem vemos o tempo passar. Ao passo em que há o comportamento castrador da mãe, há a pungente provocação do “professor”. Em sua “rival” reside também sua amiga. E por mais que queira reprimir, Nina deseja e busca libertar o outro eu em si. Os delírios da mente de Nina se desdobram em um crescendo até o climax, digno de seu gran finale. E tudo o que nós, meros espectadores, podemos fazer neste instante é aplaudir.

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A rede social

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(The social network / 2010) ***

História: o criador de uma famosa rede social enfrenta dois processos e relembra como tudo começou.
:D – é um texto de Aaron Sorkin (pra conhecedores de séries, The West Wing e Studio 60 on the Sunset Strip já diz tudo). É David Fincher (Seven, O clube da luta). Poderia dar errado? Não tem o Brad Pitt, mas o filme não decepciona nem um pouquinho. Temos diálogos rápidos e inteligentes – talvez até demais, pois eu mesma acho que entendi uns 30% do que o Mark fala no filme todo. Temos personagens bem trabalhados, momentos engraçados ótimos, a câmera que trabalha a favor da história e dos personagens. De quebra, ainda fiquei super feliz porque vinha ouvindo muito a música dos Beatles “Baby you’re a rich man”, sem saber direito por quê, foi um deleite vê-la perfeitamente utilizada ao final da película. E eu, que demorei pra ver este porque achei que ia ficar com raiva (o cara é mais novo que eu e é bilionário?!!!), na verdade saí com a sensação de doce tristeza – melancolia. Porque o filme consegue mostrar como algumas coisas da nossa sociedade atual podem ser triviais ou banalizadas – e isso é triste. E porque, essencialmente, somos apresentados a um cerne da pessoa mistificada que é a mais simples condição humana; quando Eduardo diz “eu era seu único amigo”, pra mim, foi o ponto alto do filme. Não importa quantos amigos virtuais, ou quanto dinheiro ou status de “cool” você tenha, existe algo lá dentro de nós mais importante. E tudo bem que o Zuckerberg de verdade não colaborou com a história, algum contexto foi criado (Erika não existiu, ou existiu?), de outra forma poderia nem ter ficado um filme tão “cool”. Só fiquei com dó porque o ator que faz Eduardo é carismático demais e a gente fica torcendo por ele, sendo que o Zuckerberg da vida real parece – eu disse parece – bem mais simpático. Mas volto a repetir: um filme que, em todos os sentidos, não decepciona nem um pouco.

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Aquecimento & O inverno da alma

Sobre a minha maratona, até que não estou mal e pretendo avançar um pouquinho ainda esta semana. O aquecimento foi um filme argentino que todos recomendam e ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro no ano passado. “O segredo dos seus olhos” (El secreto de sus ojos / 2009) *** é um filme bastante interessante, resgatando um pouco do clima noir, conta a história de investigação de um crime após 20 anos. Eu adoro o diretor só pelo maravilhoso O filho da noiva (o qual aliás, prefiro a este). Há algumas nuances bem elaboradas, o personagem de Sandoval foi inesperadamente tocante pra mim e há uma cena de perseguição no estádio de futebol que é simples, comparando com hollywood, mas muito bem concebida. Além de tudo, é um filme sobre o que nos move lá do interior de nossa alma, sobre paixões, grandes ou pequenas.

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O Inverno da Alma
(Winter’s Bone / 2010) **

História: uma garota de 17 anos, que cuida de 2 crianças pequenas e uma mãe doente, tem que procurar o pai para poder salvar a casa e conseguir manter unida a família.
Minhas lentes: em uma palavra, é um filme cru. Sem firulas e sem doces, até o final feliz é meio inquietante. Todos os momentos da narrativa são fortes e este é um EUA pouco visto no cinema. Violento – mas não escancaradamente, uma violência psicológica e interna. Talvez sirva em especial pra gente parar de reclamar da nossa vida… seja caçando esquilos, caçando o pai, enfrentando tipos perigosos (e não falo do “falso perigoso”, mas daquele que só o olhar ou a respiração fazem você sentir a tensão), a força exigida pela nossa heroína é tamanha que nos deixa presos à poltrona. A cena do lago é marcante.

Coincidências ou Estratagemas cósmicos?

Olha como o universo é louco.

Eu namorava o cara X, quando descobri um barzinho que toca rock antigo – que vamos chamar de C. X não ligou muito, até que foi com os amigos e gostou tanto que virou frequentador assíduo. Lá, X conheceu N, uma moça que trabalhava no barzinho e que, depois vim a saber, namora o vocalista F, da banda B.

Esta banda eu gostei muito e pedi para receber notificações por e-mail de quando iam tocar. Um dia, voltei a C pra ver essa banda B e encontrei com X. Nós já tínhamos brigado e na época não mais nos falávamos. Eis que, na apresentação orquestral seguinte de B, no mesmo bar C, perdi a chance de encontrar o amor da minha vida: i. Eu não ia muito mais a C, para não encontrar X.

i tocou naquela noite no lugar do batera P, por quem tive uma caidinha (só até descobrir que ele gostava de tirar fotos pornográficas demais pro meu gosto). Ou seja, i era amigo de F, namorado de N, infatuation de X (meu x) – só recapitulando.

Foi só 1 ano depois que vim a conhecer Z, a banda em que i toca de verdade. E totalmente por acaso… adorei Z (é claro, né) só que me chamou mais a atenção o guitarrista hippie; apesar de minha mãe ter achado i mais simpático e uma colega ter achado i mais bonitinho… olha o universo aí de novo!

Em uma apresentação de Z, tinha algumas bandas que iam tocar antes e eu fui ver de curiosa. Nessa hora vejo um carinha de camisa xadrez e óculos com quem me deu uma vontade enorme de ir conversar, mas acabei não indo. Adivinhem? Era i. Não o reconheci porque estava sem o figurino… (Nessa hora o universo deve ter desejado me esganar!)

E só hoje é que fui perceber tudo isso. E agora, José? i está com a, que deve ter conhecido naquela noite em C, quando não fui (ou seja, que não tinha nada a ver com a história). Moral da história: quem disse que o universo não conspira a nosso favor? Nós é que somos muito tapados às vezes pra perceber.

Universo: talvez numa próxima vida, D.

Revisita a uma vida passada

Será que não existe? Algum livro de ficção que explore a viagem no tempo, mas só em pensamento? Com o corpo físico na sua cidade desta vida, mas com a mente viajando pelo tempo e pelo espaço. Se não tem, alguém, por favor, escreva este romance. Talvez o pensamento possa chegar a uma velocidade maior do que a luz, quem sabe?

E aí… fiquei com medo, na verdade. Deixei meu pensamento ir buscá-lo, visitá-lo e amá-lo. Precisava ser acalentada pelo seu abraço. Mas veio à mente cenas do meu vestido florido, do ambiente bucólico, dos raios de sol e da sua camisa branca. Sim, era a Itália, e fiquei na dúvida se era imaginação ou… lembrança. E fiquei com medo. De que aquele homem, de agora, tão diferente, fosse o moço claro e alto de outrora. Daquela outra vida passada.

E foi dada a largada para minha maratona!

Na semana retrasada eu aluguei “O solteirão” (Greenber), com o Ben Stiller. (E descobri que existe “O Solteirão” com o Michael Douglas. Que catzo, por que 2 títulos iguais em tão pouco tempo entre um lançamento e outro?). Nem vale a pena comentar – chaaaaaaaaaaato. E vocês achavam que eu sempre falava bem dos filmes, né? É que existem aqueles que nem dá vontade de escrever.

Aí, semana passada eu aluguei “Amor à distância”/ Going the distance. É uma comédia romântica bonitinha :) Os personagens não são clichês, tem algumas cenas engraçadas. A irmã da Erin, com mania de limpeza, e o colega de quarto bizarro do Garrett são engraçados sem forçar tanto. E há uma ou outra surpresa no caminho, o que torna este um exemplar do gênero mais inteligente. Embora… ah, eu tinha criado expectativas demais sobre o filme, por isso não me diverti tanto.

Agora! O que eu quero escrever mesmo é das indicações pro Oscar! É lóoogico! Adorei que este ano são 10 filmes, caso contrário, alguns dos que eu adorei não entrariam na lista… Vamos nos preparar? Peguei as datas de estréia segundo o cineclick:

28/01 – Inverno da alma
04/02 – Cisne Negro
04/02 – O vencedor
11/02 – Bravura indômita
11/02 – O discurso do rei
18/02 – 127 horas

E se você perdeu “Minhas mães e meu pai”, assim como eu, é torcer pra abrir horários nas salas de cinema só porque foi indicado (ou talvez alugar?). “A rede social” eu estava evitando, porque sei que vou ficar com raiva do filme… mas não vai ter jeito, né?

E se você ainda não viu “Toy Story 3” e “A origem” – pelamor!!!!! Veja, porque esses eu sei que vale a pena mesmo.

Me desejem fôlego e tempo ($) pra cruzar a linha de chegada ;)

Não era pra ser assim

Esta semana acaba a novela do Vale a pena ver de novo. Chamava-se 7 pecados. Fico imaginando quando o autor e o produtor foram conversar e propor a novela. “vamos fazer algo diferente desta vez. algo novo”; “lembra do Seven, com o Brad Pitt?”; “e se a gente mostrasse como o homem pode sucumbir aos 7 pecados?”. Sério, fico imaginando que tiveram ideias mirabolantes, tramas interessantes… só que aí precisavam incluir atores bonitões, um núcleo de comédia, algumas reviravoltas de amor e coisinhas clichê – afinal, se não tiver isso, não é novela… E aí, imagino que chegaram num ponto em que ficou tudo  degringolado, desesperados pelos prazos a cumprir e estrelismos a satisfazer, disseram “vamos esquecer disso, vamos dizer que todos os pecados são uma coisa só e pronto”.

É. É assim mesmo. Na vida real o é, porque não seria na ficção? Se tudo fosse perfeito como planejado, ficaríamos aborrecidos, não teria graça.

De modo que não era pra ser assim. Era pra ele ter me respondido, o passo seguinte talvez skype, telefonemas e mimos por correspondência. Em 2012 viajaríamos juntos pela terra do sol nascente. Em Tóquio, maluca e incongruente, daríamos risada juntos de descobertas bizarras. Eu iria para Alemanha no final do ano e nos casaríamos em 2014.

É. É assim mesmo que as coisas não acontecem.